O essencial

Para qualquer adulto no Brasil, seja qual for a idade, a pressão normal no consultório é abaixo de 120/80 mmHg (abaixo de “12 por 8”); de 120/80 a 139/89 já é pré-hipertensão, e a hipertensão começa em 140/90 mmHg, o “14 por 9”[1]. A pressão costuma subir com a idade, mas comum não quer dizer saudável. Crianças até 12 anos são comparadas com tabelas de percentis; a partir dos 13, valem números fixos[1].

Como ler o caderno de medidas da pressão, linha por linha?

Exemplo fictício de planilha de medida residencial da pressão (formato brasileiro)
Data e horaPA (mmHg)Pulso (bpm)Referência em casaSinal
Segunda, 7h05, 1ª medida136 x 8474Acima de 130/80A ↑
Segunda, 7h07, 2ª medida128 x 7971Abaixo de 130/80Nenhum
Segunda, 21h30, 1ª medida118 x 7668Abaixo de 130/80Nenhum
Média de 7 dias (28 medidas)132 x 8170Acima de 130/80A ↑
  1. PA: o primeiro número é a sistólica (quando o coração contrai), o segundo é a diastólica (quando ele relaxa), em mmHg. No dia a dia, 136 x 84 vira “13 por 8”, em centímetros de mercúrio.
  2. Referência em casa: medida em casa, a pressão é mais baixa que no consultório. Por isso a diretriz brasileira considera alterada uma média residencial (MRPA) de 130/80 ou mais, e não 140/90[1].
  3. Os dois números: quando eles discordam, vale o mais alto: 128 x 82 já ultrapassa a referência por causa do 82[1].
  4. Média e sinal: o médico olha a média de vários dias; “A ↑” marca um valor acima da referência, não um diagnóstico. O pulso não é pressão.

Quando a pressão anda alta, o médico costuma pedir exames de rim, sódio, potássio, glicose e colesterol. O BloodSense explica esses laudos em linguagem simples.

Entender meus exames

O que a pressão arterial mede, afinal?

É a força do sangue contra a parede das artérias. Ela muda com o estresse, a posição e a técnica, então um número sozinho é só uma foto do momento[8][12]. Para entender o aparelho, veja o nosso guia de como medir a pressão arterial.

Qual é a pressão normal de um adulto?

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e de outras sociedades, classifica a pressão medida no consultório a partir dos 18 anos assim[1]:

Tabela de pressão arterial para adultos no Brasil, medida no consultório (mmHg)
ClassificaçãoSistólica (máxima)Diastólica (mínima)Fonte
PA normalAbaixo de 120eAbaixo de 80DBHA 2025[1]
Pré-hipertensão120 a 139e/ou80 a 89DBHA 2025[1]
Hipertensão estágio 1140 a 159e/ou90 a 99DBHA 2025[1]
Hipertensão estágio 2160 a 179e/ou100 a 109DBHA 2025[1]
Hipertensão estágio 3180 ou maise/ou110 ou maisDBHA 2025[1]
Pressão baixaAbaixo de 90e/ouAbaixo de 60NHLBI[7]

O diagnóstico exige 140/90 ou mais em duas ocasiões. Fora do consultório, o limite é 130/80, na média da medida residencial (MRPA) e na MAPA de 24 horas[1]. Pressão baixa não é doença por si só: tem gente que vive abaixo de 90/60 e se sente bem[7].

Por que alguns sites ainda falam em pressão “ótima” ou “limítrofe”? Porque copiam classificações antigas. Em 2025, a categoria “ótima” deixou de existir, e valores de 120 a 129 por 80 a 84, antes chamados de normais, passaram a ser pré-hipertensão[1]. Os sites americanos são outra armadilha: lá, a hipertensão começa em 130/80[4], enquanto a diretriz europeia de 2024 usa 140/90, como o Brasil[5]. No Brasil, use a tabela brasileira; a explicação completa da nova classificação está no nosso guia de pressão arterial normal.

Tabela de pressão arterial por idade: o que muda?

Nos adultos, a faixa normal não muda com a idade; muda quantas pessoas ficam acima dela. Nas crianças, a pressão depende do tamanho do corpo.

Limites de pressão arterial por faixa etária no Brasil (mmHg)
Faixa etáriaNormalPré-hipertensãoHipertensãoFonte
Crianças de 1 a 12 anosAbaixo do percentil 90 para idade, sexo e alturaDo percentil 90 ao 95, ou a partir de 120/80 (o que for menor)Percentil 95 ou mais, ou a partir de 130/80 (o que for menor)DBHA 2025, adaptada da AAP[1][14]
Adolescentes de 13 a 17 anosAbaixo de 120/80120 a 129 e abaixo de 80A partir de 130/80DBHA 2025[1]
Adultos de 18 a 39 anosAbaixo de 120/80120–139 e/ou 80–89A partir de 140/90DBHA 2025[1]
Adultos de 40 a 59 anosAbaixo de 120/80120–139 e/ou 80–89A partir de 140/90DBHA 2025[1]
Idosos a partir de 60 anosAbaixo de 120/80120–139 e/ou 80–89A partir de 140/90DBHA 2025[1]

A pressão “normal” aumenta com a idade?

Esse é o mito por trás de muitas tabelas por idade, incluindo a velha regra do “100 mais a idade”. As artérias de fato endurecem, e a pressão tende a subir com os anos[6]. No Brasil, a hipertensão autorreferida atingiu 27,9% dos adultos das capitais em 2023 e chegou a 65,1% das pessoas acima de 65 anos; quando a pressão é medida, e não só perguntada, os estudos encontram em média cerca de 36% dos adultos[1]. Mas comum não é saudável: a diretriz não tem categorias por idade, e tabelas de médias chamadas de “normal por idade” fazem 145 por 85 aos 65 anos parecer aceitável. Não é.

A idade pesa no plano de tratamento: em idosos frágeis ou muito idosos (80 anos ou mais), a diretriz recomenda baixar a pressão até o menor valor bem tolerado e individualizar a estratégia, sobretudo se há tontura ao ficar em pé[1].

Muda para homens, mulheres ou na gravidez?

A classificação é a mesma para os dois sexos. Os homens têm mais hipertensão desde o fim da adolescência, mas depois dos 60 anos as mulheres os alcançam ou passam[1]. Na gestação, considera-se hipertensão a partir de 140/90, com base na média de pelo menos duas medidas feitas com 4 horas de intervalo ou em duas consultas[1]; valores novos e altos são investigados para pré-eclâmpsia.

O que deixa a pressão alta ou baixa demais?

Valores acima do normal

  • Frequente Medida mal feita ou o “efeito do avental branco”, mais alta no consultório que em casa[8].
  • Frequente Idade, família, muito sal e pouco potássio, álcool, sedentarismo, sono ruim e excesso de peso[6]. É o quadro habitual da pressão alta de longa duração.
  • Possível Descongestionantes nasais, alguns antidepressivos, anticoncepcionais hormonais e anti-inflamatórios como o ibuprofeno[6].
  • Possível Apneia do sono, doença renal crônica ou síndrome metabólica[6].
  • Rara Causas hormonais, como o excesso de aldosterona, que as diretrizes recentes sugerem investigar em mais pessoas, ou problemas de tireoide e alguns tumores[4][6].

Valores abaixo de 90/60

  • Frequente Pressão naturalmente baixa, sem sintomas, sem necessidade de tratamento[7].
  • Frequente Desidratação ou remédios para pressão, sobretudo em idosos, com tontura ao levantar ou após as refeições[7].
  • Possível Gravidez, diabetes ou alterações do ritmo do coração, como uma arritmia[7].
  • Rara Perda súbita de sangue ou doenças do sistema nervoso, como a doença de Parkinson[7].

O que pode alterar a medida da pressão?

Pequenos detalhes mexem nos números. Num estudo, um manguito comum marcou 4,8 mmHg a mais em braços que precisavam de manguito grande, e 19,5 mmHg a mais em braços que precisavam de um extragrande[10]. O braço apoiado no colo somou 3,9 mmHg à sistólica; o braço pendurado ao lado do corpo, 6,5 mmHg[11]. Confira:

  • Aparelho automático de braço, como recomenda a diretriz, com manguito do tamanho do seu braço, sobre a pele e não sobre a manga[1][10][12].
  • Nada de café, exercício, cigarro ou bebida alcoólica nos 30 minutos anteriores[8][13].
  • Bexiga vazia[13].
  • Sentado há 5 minutos, costas apoiadas, pés no chão, pernas descruzadas. Cruzar as pernas pode somar 5 a 8 mmHg à sistólica[12][13].
  • Braço apoiado na mesa, manguito na altura do coração[8][11].
  • Sem conversar durante o repouso nem durante a medida[13].
  • Três medidas com 1 minuto de intervalo, usando a média das duas últimas, como no protocolo do consultório; se a diferença passar de 10 mmHg, meça de novo[1].
  • Pergunte se a MRPA ou a MAPA podem esclarecer um efeito do avental branco ou uma hipertensão “mascarada”, normal no consultório e alta fora dele[8].

Quando a pressão é uma emergência?

Quando procurar atendimento

  • Emergência: ligue 192 (SAMU) se a pressão estiver em 180/110 ou mais e vier com dor de cabeça forte e súbita, dor no peito, nas costas ou na barriga, falta de ar, dormência ou fraqueza, mudança súbita na visão ou dificuldade para falar[1][9]. Podem ser sinais de AVC ou infarto; crise hipertensiva e dor no peito súbita estão entre os motivos para chamar o SAMU[3]. Ligue também se a pressão estiver baixa com pele fria e suada ou pulso fraco e acelerado[7].
  • Em 24 a 48 horas se, repetindo a medida, a pressão continuar em 180/110 ou mais sem nenhum sintoma: a diretriz recomenda acompanhamento ambulatorial, como uma hipertensão não controlada[1]. Também se você desmaia ou fica tonto toda vez que se levanta[7].
  • Na próxima consulta se a sua média em casa for 130/80 ou mais, ou se no consultório a pressão ficar na faixa de pré-hipertensão (120 a 139 e/ou 80 a 89).

Perguntas para fazer ao médico

  1. Qual meta de pressão vale para mim, com a minha idade e a minha saúde?
  2. Quantas medidas em casa você quer, e por quantos dias?
  3. Algum dos meus remédios pode estar subindo ou baixando a minha pressão?
  4. Preciso de exames de sangue ou de urina, como um painel metabólico básico ou a relação albumina/creatinina na urina?

Outras dúvidas sobre a tabela de pressão

Pressão 13 por 8 é normal?

Não. Medida no consultório, 130/80 está na faixa de pré-hipertensão em qualquer idade adulta. O primeiro passo costuma ser mudar hábitos, não remédio.

14 por 9 aos 60 anos é normal para a idade?

Não. 140/90 é hipertensão aos 30 ou aos 70 anos.

Pressão 10 por 6 é pressão baixa?

Não pela definição usual, que é abaixo de 90/60. Sem sintomas, em geral não preocupa; tontura ou desmaio merecem conversa com o médico.

Qual é a pressão normal de um adolescente?

A partir dos 13 anos, abaixo de 120/80. Antes disso, o pediatra usa tabelas de percentis por idade, sexo e altura.

O que ler em seguida?

De onde vêm esses números?

  1. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi:10.36660/abc.20250624 (acesso em 21 out. 2026)
  2. Ministério da Saúde. Hipertensão (pressão alta). Saúde de A a Z. gov.br/saude (acesso em 21 out. 2026)
  3. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 21 out. 2026)
  4. American Heart Association. New high blood pressure guideline emphasizes prevention, early treatment to reduce CVD risk. AHA Newsroom. 14 ago. 2025. newsroom.heart.org (acesso em 21 out. 2026)
  5. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024;45(38):3912-4018. doi:10.1093/eurheartj/ehae178 (acesso em 21 out. 2026)
  6. National Heart, Lung, and Blood Institute. High Blood Pressure: Causes and Risk Factors. nhlbi.nih.gov (acesso em 21 out. 2026)
  7. National Heart, Lung, and Blood Institute. Low Blood Pressure. nhlbi.nih.gov (acesso em 21 out. 2026)
  8. National Heart, Lung, and Blood Institute. High Blood Pressure: Diagnosis. nhlbi.nih.gov (acesso em 21 out. 2026)
  9. National Heart, Lung, and Blood Institute. High Blood Pressure: Symptoms. nhlbi.nih.gov (acesso em 21 out. 2026)
  10. Ishigami J, Charleston J, Miller ER, et al. Effects of Cuff Size on the Accuracy of Blood Pressure Readings: The Cuff(SZ) Randomized Crossover Trial. JAMA Intern Med. 2023;183(10):1061-1068. doi:10.1001/jamainternmed.2023.3264 (acesso em 21 out. 2026)
  11. Liu H, Zhao D, Sabit A, et al. Arm Position and Blood Pressure Readings: The ARMS Crossover Randomized Clinical Trial. JAMA Intern Med. 2024;184(12):1436-1442. doi:10.1001/jamainternmed.2024.5213 (acesso em 21 out. 2026)
  12. Muntner P, Shimbo D, Carey RM, et al. Measurement of Blood Pressure in Humans: A Scientific Statement From the American Heart Association. Hypertension. 2019;73(5):e35-e66. doi:10.1161/HYP.0000000000000087 (acesso em 21 out. 2026)
  13. Centers for Disease Control and Prevention. Measuring Your Blood Pressure. cdc.gov (acesso em 21 out. 2026)
  14. Flynn JT, Kaelber DC, Baker-Smith CM, et al. Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents. Pediatrics. 2017;140(3):e20171904. doi:10.1542/peds.2017-1904 (acesso em 21 out. 2026)

Informação geral de saúde. Não substitui a orientação de um profissional que conhece a sua história.