Relação albumina/creatinina na urina: valores de referência, como ler e o que fazer se estiver alta

A relação albumina/creatinina é um exame de urina que divide a quantidade de albumina de uma amostra pela quantidade de creatinina da mesma amostra, para que um único frasco de urina mostre ao médico, de forma aproximada, quanta albumina os rins deixam escapar num dia inteiro. No laudo ela aparece como RAC, relação albumina/creatinina urinária ou “microalbuminúria, amostra isolada”, em miligramas de albumina por grama de creatinina (mg/g). O valor normal é abaixo de 30 mg/g. Como corrige o quanto a urina está diluída ou concentrada, o exame substituiu métodos de coleta mais trabalhosos como forma padrão de rastrear lesão nos rins, e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) lembra que não é preciso coletar urina de 24 horas para rastrear, diagnosticar ou acompanhar. Neste artigo você vai entender como o cálculo funciona, o que significam as categorias A1, A2 e A3, por que o resultado é sempre lido ao lado da taxa de filtração glomerular, quais situações comuns podem subir o número por alguns dias e o que costuma acontecer depois de um resultado alterado.
O que a relação albumina/creatinina mede
A albumina é a proteína mais abundante do sangue. Ela transporta hormônios, remédios e ácidos graxos pelo corpo e ajuda a manter o líquido dentro dos vasos. Os filtros saudáveis dos rins, os glomérulos, são construídos para que moléculas do tamanho da albumina fiquem no sangue. Quando esses filtros sofrem lesão, pequenas quantidades de albumina passam para a urina, e esse vazamento aparece muito antes de os resíduos começarem a se acumular no sangue. Por isso a albumina na urina é tratada como marcador de alerta precoce, e não tardio.
O exame não mede a proteína total. A fita do exame de urina comum (EAS, urina tipo 1) que dá positivo para proteína detecta a albumina e todas as outras proteínas da amostra, e só fica positiva quando o vazamento já é grande. A relação albumina/creatinina usa um método com anticorpos que detecta especificamente a albumina, em concentrações muito abaixo do que a fita enxerga. Para o quadro mais amplo da perda de proteína, veja o nosso guia da proteína na urina.
Por que a creatinina entra na conta
A concentração da urina muda muito ao longo do dia. Depois de dois litros de água, a urina fica clara e diluída; depois de uma corrida no calor, escura e concentrada. O mesmo vazamento diário de albumina pareceria pequeno numa amostra e grande na outra. A creatinina resolve isso. Ela é um resíduo dos músculos liberado em ritmo bastante constante, então a sua concentração na urina indica bem quanto aquela amostra está concentrada. Dividir a albumina pela creatinina cancela o efeito da diluição. Veja como esse resíduo se comporta no sangue no nosso guia do exame de creatinina e a versão urinária no nosso guia da creatinina na urina.
Como o número é calculado
O laboratório mede a albumina em miligramas por litro e a creatinina em gramas por litro, e divide uma pela outra. Uma amostra com 45 mg/L de albumina e 1,5 g/L de creatinina dá uma relação de 30 mg/g. Como a maioria dos adultos elimina cerca de um grama de creatinina por dia, o resultado em mg/g se aproxima dos miligramas de albumina perdidos em 24 horas, que é exatamente o que a antiga coleta cronometrada media. Alguns laboratórios, sobretudo fora do Brasil, informam em miligramas por milimol; 30 mg/g correspondem a cerca de 3,4 mg/mmol. Leia sempre as unidades impressas no seu laudo e confira se a urina estava muito diluída no nosso guia da densidade urinária.
Relação albumina/creatinina é o mesmo que microalbuminúria?
Quase. A relação albumina/creatinina é o exame; microalbuminúria é o nome antigo de um dos resultados possíveis desse exame, a faixa de 30 a 300 mg/g. Muitos laboratórios brasileiros ainda chamam o exame de “microalbuminúria em amostra isolada”, mas o que eles calculam é a RAC.
Como é feito o exame em amostra isolada
A grande vantagem prática da relação albumina/creatinina é que ela precisa de um único frasco comum de urina. Não há jejum, nem horário marcado, nem galão guardado na geladeira por um dia. Você coleta o jato médio, o frasco vai para o laboratório e as duas medidas são feitas na mesma amostra. O resultado costuma sair em poucos dias, na data prevista informada pelo laboratório.
Qual amostra o laboratório prefere
A primeira urina da manhã é a amostra preferida, e a SBD recomenda usá-la (ou, pelo menos, uma amostra depois de quatro horas sem urinar). Durante a noite o corpo fica deitado e em repouso, o que elimina o pequeno aumento do vazamento de albumina que a postura em pé provoca em algumas pessoas. Uma amostra colhida em outro horário é aceitável para rastreamento, mas, se vier alta, o exame de controle costuma ser pedido com a primeira urina da manhã para que a comparação seja justa. A coleta de 24 horas ainda existe como método de referência e está explicada no nosso guia da proteína na urina de 24 horas.
O que fazer antes do exame
Evite exercício intenso por cerca de 24 horas antes, porque o esforço forte pode aumentar por um tempo a eliminação de albumina. Adie o exame se estiver com infecção urinária, febre ou menstruada, porque sangue e proteínas inflamatórias na amostra distorcem as duas medidas. Uma ingestão muito grande de proteína nas horas anteriores também pode mexer na creatinina. No mais, coma e beba normalmente: beber água a mais de propósito não melhora o resultado, apenas dilui igualmente as duas metades da relação.
Qual o valor normal da relação albumina/creatinina?
A relação albumina/creatinina normal é abaixo de 30 mg/g. As diretrizes internacionais do grupo KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) e as Diretrizes do Ministério da Saúde para a doença renal crônica no SUS usam os mesmos cortes, também adotados pelo NIDDK. Os rótulos A1, A2 e A3 substituíram as palavras microalbuminúria e macroalbuminúria, que descreviam o tamanho do vazamento e não o seu significado clínico. A história completa do vazamento leve está no nosso guia da microalbuminúria; a tabela abaixo mostra as faixas da relação.
| Categoria | RAC em mg/g | RAC em mg/mmol | Descrição | Nome antigo |
|---|---|---|---|---|
| A1 | Menos de 30 | Menos de 3 | Normal a levemente aumentada | Normoalbuminúria |
| A2 | 30 a 300 | 3 a 30 | Moderadamente aumentada | Microalbuminúria |
| A3 | Acima de 300 | Acima de 30 | Muito aumentada | Macroalbuminúria |
Dois pontos dessas faixas passam despercebidos. Primeiro, elas não são um precipício. Um resultado de 29 mg/g não é diferente de 31 mg/g na essência, e o risco cresce de forma contínua ao longo de toda a faixa, sem saltar na fronteira. Segundo, um único valor dentro de A2 ou A3 é um sinal para investigar, não um diagnóstico; a doença renal crônica é definida por uma alteração que persiste por mais de três meses. Para o Ministério da Saúde, uma RAC acima de 30 mg/g é um marcador de lesão dos rins.
O que é relação albumina/creatinina alta?
Uma relação albumina/creatinina alta é qualquer resultado a partir de 30 mg/g, sinal de que os filtros dos rins estão deixando passar mais albumina do que deveriam. Entre 30 e 300 mg/g o aumento é moderado; acima de 300 mg/g, é muito aumentado. Um resultado alto isolado pode ser passageiro, e por isso precisa ser confirmado.
Quando a albumina na urina é preocupante?
A albumina na urina preocupa quando o aumento é persistente, ou seja, confirmado em duas de três amostras, quando passa de 300 mg/g, quando sobe muito entre um exame e outro ou quando aparece junto com queda da taxa de filtração. Nas diretrizes do Ministério da Saúde, uma RAC acima de 1 g/g (1.000 mg/g) em pessoa sem diabetes é um dos critérios para encaminhar à atenção especializada em doença renal.
Por que a relação é lida junto com a taxa de filtração glomerular
A relação albumina/creatinina responde a uma pergunta: os filtros estão vazando? A taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) responde a outra: quanta capacidade de filtrar ainda resta? Duas pessoas podem ter a mesma TFGe de 55 e futuros muito diferentes conforme a RAC seja de 12 mg/g ou de 900 mg/g. É por isso que a doença renal crônica é classificada em dois eixos ao mesmo tempo, formando a grade que os médicos chamam de mapa de calor. A SBD recomenda usar as duas medidas juntas no rastreamento. Entenda o lado da filtração no nosso guia da taxa de filtração glomerular.
| Estágio de TFG | TFGe (mL/min/1,73 m²) | Com A1 (menos de 30 mg/g) | Com A2 (30 a 300 mg/g) | Com A3 (acima de 300 mg/g) |
|---|---|---|---|---|
| G1 | 90 ou mais | Risco baixo | Risco moderadamente aumentado | Risco alto |
| G2 | 60 a 89 | Risco baixo | Risco moderadamente aumentado | Risco alto |
| G3a | 45 a 59 | Risco moderadamente aumentado | Risco alto | Risco muito alto |
| G3b | 30 a 44 | Risco alto | Risco muito alto | Risco muito alto |
| G4 | 15 a 29 | Risco muito alto | Risco muito alto | Risco muito alto |
| G5 | Menos de 15 | Risco muito alto | Risco muito alto | Risco muito alto |
Ler a grade é simples. Encontre a linha da sua TFGe e vá até a coluna da sua categoria de albuminúria. Quanto mais à direita e mais para baixo, mais de perto os rins precisam ser acompanhados, e mais o resultado fala também do risco cardiovascular. Repare que a célula do canto superior direito já tem risco importante mesmo com a filtração totalmente normal, exatamente a situação que a relação existe para detectar.
O que pode subir a relação por um tempo
A eliminação de albumina não é uma constante pessoal fixa. Ela varia de um dia para outro em todo mundo, e várias situações comuns a elevam por um tempo sem lesão nos rins. A SBD estima essa variação diária em cerca de 20 %. É o motivo mais comum de um rastreamento alterado acabar não sendo nada.
- Exercício vigoroso nos um ou dois dias antes da amostra, sobretudo esforço de resistência.
- Febre ou qualquer infecção aguda, incluindo infecção urinária.
- Sangue na amostra, seja por menstruação ou outra origem, como explicado no nosso guia de sangue na urina.
- Pressão muito alta no dia da coleta, ou um pico de glicose em quem tem diabetes.
- Insuficiência cardíaca descompensada, desidratação ou muito tempo em pé em pessoas com vazamento postural de albumina.
- Gravidez, que muda a forma como o rim lida com as proteínas e exige limites próprios.
Por causa dessa variação, um único valor alto tem peso limitado. O que importa é se o aumento persiste depois que as causas passageiras foram afastadas.
Como confirmar um resultado alto
As diretrizes convergem na mesma conduta: confirmar antes de concluir. A SBD recomenda que todo resultado alterado seja confirmado em pelo menos duas de três amostras colhidas em três a seis meses. Na prática:
- A amostra de rastreamento vem com 30 mg/g ou mais.
- As causas passageiras óbvias são revistas e, se presentes, o exame é simplesmente remarcado.
- Uma amostra com a primeira urina da manhã é repetida, em geral em até três meses.
- Se a segunda amostra também vier alterada, o achado conta como albuminúria persistente; se vier normal, uma terceira amostra desempata.
- A albuminúria persistente é então combinada com a TFGe para posicionar você na grade e decidir tratamento e intervalo de acompanhamento.
A tendência vale mais do que qualquer número isolado. Uma relação que cai de 180 para 60 mg/g depois do tratamento é um bom sinal, mesmo ainda fora da faixa normal, e uma relação que vai de 12 para 27 mg/g ao longo de alguns anos merece atenção, mesmo com todos os valores tecnicamente normais.
O que fazer para baixar a albumina na urina
Um aumento confirmado é uma informação útil, não uma sentença. Ele aponta algo sobre o qual se pode agir, e as ações são bem estabelecidas.
O controle da pressão é a base, porque é a pressão dentro dos glomérulos que empurra a albumina através de um filtro lesado. Os remédios que bloqueiam o sistema renina-angiotensina, como os inibidores da ECA e os bloqueadores do receptor da angiotensina, baixam essa pressão de forma específica e reduzem diretamente o vazamento de albumina; as diretrizes do Ministério da Saúde os recomendam para pessoas com diabetes e/ou RAC de 30 ou mais. O controle da glicose faz o mesmo em quem tem diabetes; o nosso guia da glicemia de jejum e o nosso guia de sintomas e tratamento do diabetes cobrem esse lado. Classes mais novas de remédios que protegem os rins já são oferecidas com base na própria relação. Junto com os remédios, reduzir o sal, parar de fumar, tratar a obesidade e evitar o uso rotineiro de anti-inflamatórios diminuem a sobrecarga dos filtros. Acompanhe o lado da pressão no nosso guia sobre pressão alta e veja como os achados persistentes são tratados no nosso guia da doença renal crônica.
Quando procurar o médico
Marque uma consulta, sem esperar o próximo check-up, se a sua relação estiver acima de 300 mg/g em qualquer amostra, se subiu muito entre dois exames, se vier com espuma visível na urina, inchaço nos tornozelos ou em volta dos olhos, ou se aparecer junto com queda da TFGe. Procure atendimento rápido se uma relação alta vier com forte redução da quantidade de urina, falta de ar ou pressão que não baixa. Nenhuma dessas situações é uma emergência por si só, mas todas mudam a velocidade com que o resultado deve ser investigado. No SUS, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde.
Avanços científicos recentes
As pesquisas dos últimos três anos refinaram o uso da relação albumina/creatinina. Veja, em termos simples, o que os trabalhos mais relevantes encontraram.
Uma análise muito grande publicada no JAMA em 2023 reuniu dados individuais de mais de cem coortes, ou seja, grupos de pessoas acompanhados ao longo do tempo, somando milhões de adultos. Ela mostrou que uma relação albumina/creatinina mais alta e uma TFGe mais baixa previam, cada uma por si, dez desfechos ruins diferentes, de falência renal a internação, AVC e morte. O que isso significa para você: a relação não é só um número dos rins. Mesmo nas categorias mais leves, ela traz informação sobre a sua saúde geral que o exame de sangue sozinho não dá, e é exatamente por isso que o médico quer os dois.
As equações de risco PREVENT da American Heart Association, publicadas na Circulation em 2023 e construídas com dados de mais de seis milhões de adultos americanos, têm uma versão opcional que inclui a relação albumina/creatinina quando ela está disponível. Acrescentar a relação mudou pouco a classificação de risco na população como um todo, mas melhorou de forma visível a precisão da estimativa em pessoas com albumina muito alta, acima de 300 mg/g. O que isso significa para você: se a sua relação é alta, vale garantir que a sua avaliação de risco cardiovascular realmente a leve em conta.
Uma metanálise publicada no JAMA em 2026, estudo que combina estatisticamente ensaios anteriores, reuniu dez estudos randomizados de inibidores de SGLT2 com mais de setenta mil participantes. Esses remédios frearam a progressão da doença renal de forma geral, e o benefício se manteve qualquer que fosse a TFGe inicial e o nível de albuminúria, inclusive em pessoas com pouca ou nenhuma albumina na urina. O que isso significa para você: a relação ajuda a decidir a urgência da proteção, mas uma relação baixa não exclui automaticamente tratamentos que protegem os rins. É uma decisão do seu médico, com base no quadro completo.
No lado do estilo de vida, uma revisão sistemática de 2025 na Clinical Nutrition ESPEN reuniu quatro estudos de coorte de longo prazo, com cerca de sete mil pessoas acompanhadas por uns cinco anos e meio, e examinou o padrão alimentar DASH, baseado em verduras, legumes, frutas, grãos integrais e pouco sódio. Uma adesão maior esteve associada a melhor preservação da função renal, medida pela TFGe e pela relação albumina/creatinina. Essa evidência ainda é preliminar, porque se apoia em poucos estudos observacionais, e precisa de confirmação. O que isso significa para você: uma alimentação no estilo DASH é algo razoável e de baixo risco para conversar com a sua equipe de saúde, mas não substitui os remédios que já provaram funcionar.
Glossário dos principais termos
| Termo | Definição |
|---|---|
| RAC (relação albumina/creatinina) | Concentração de albumina de uma amostra de urina dividida pela concentração de creatinina, informada em mg/g. Em inglês, uACR. |
| Albumina | A proteína mais abundante do sangue. Filtros saudáveis dos rins mantêm quase toda ela fora da urina. |
| Creatinina | Resíduo liberado pelos músculos em ritmo constante. Neste exame, serve de régua para saber quanto a amostra está concentrada. |
| Albuminúria | Presença de mais albumina na urina do que o esperado. Classificada em A1, A2 ou A3 conforme a relação. |
| KDIGO | Kidney Disease: Improving Global Outcomes, organização internacional cujas diretrizes definem as categorias de albuminúria e de TFG. |
| TFGe | Taxa de filtração glomerular estimada. Estimativa, feita pelo sangue, de quanto líquido os rins filtram por minuto. |
| Glomérulo | Uma das cerca de um milhão de pequenas unidades de filtração de cada rim. |
| Primeira urina da manhã | A primeira urina depois de acordar. Preferida para confirmar uma relação alta, porque o repouso da noite elimina a variação ligada à postura. |
| Mapa de calor | Grade de dois eixos que combina as categorias de TFG com as de albuminúria para descrever o risco renal. |
| Amostra isolada | Um único frasco de urina colhido num momento, ao contrário de uma coleta cronometrada de várias horas. |
Perguntas frequentes
Qual o valor da relação albumina/creatinina considerado normal?
Uma relação abaixo de 30 mg/g é classificada como normal a levemente aumentada, a categoria A1. A maioria dos adultos saudáveis fica bem abaixo disso, muitas vezes com um só dígito. Os laboratórios podem imprimir um limite um pouco diferente conforme o método e a unidade, então leia a faixa de referência do seu laudo. Um valor logo abaixo de 30 não garante rins perfeitos, e um valor logo acima não é diagnóstico: o que conta é se o aumento continua quando o exame é repetido.
Uma relação alta pode voltar ao normal?
Sim, e isso acontece com frequência. Se o aumento veio de exercício, febre, infecção ou amostra com sangue, o exame repetido costuma voltar ao normal quando o gatilho passa. Quando o aumento é real, o tratamento da pressão e da glicose muitas vezes reduz bastante a relação, e uma relação em queda é um dos sinais de que o tratamento funciona. Uma redução que não chega à faixa normal ainda representa progresso.
Preciso de jejum para o exame?
Não. A relação albumina/creatinina não exige jejum nem horário especial, embora a primeira urina da manhã seja a preferida. A orientação habitual é evitar exercício intenso por cerca de um dia antes e adiar a coleta se houver infecção urinária, febre ou menstruação. Coma e beba como de costume; beber mais água não muda nada, porque a diluição afeta albumina e creatinina igualmente e a relação a cancela.
Com que frequência o exame deve ser repetido?
Para adultos com diabetes, a SBD recomenda o exame no diagnóstico do tipo 2 (e a partir de cinco anos de doença no tipo 1) e depois todo ano; para quem tem pressão alta, a frequência anual também é comum. Depois de um resultado alterado, o exame é repetido uma ou duas vezes em três a seis meses para confirmar se o achado persiste. Uma vez estabelecida a albuminúria persistente, o intervalo de acompanhamento depende da sua posição na grade de TFG e albuminúria, e o médico vai defini-lo.
A relação albumina/creatinina é o mesmo que a proteína na fita do exame de urina?
Não. A fita detecta proteína total e só fica positiva quando o vazamento já é grande, então perde justamente os aumentos pequenos e precoces que mais importam. A relação mede especificamente a albumina, com um método sensível o bastante para detectar vazamentos muito abaixo do limite da fita, e corrige a concentração da urina. Uma fita negativa não descarta uma relação alterada.
Uma relação alta quer dizer que vou precisar de diálise?
Não. A maioria das pessoas com relação moderadamente alta nunca chega à falência dos rins. A relação sinaliza um risco maior para que a causa seja tratada cedo, numa fase em que o controle da pressão, da glicose e os remédios que protegem os rins mudam a trajetória. Quem progride costuma ter uma relação alta combinada com uma TFGe que já está caindo, e mesmo assim o objetivo do tratamento é frear ou interromper essa queda.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Diabetes — Doença renal do diabetes — Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Edição 2026 (DOI 10.29327/5881296.2026-3) — diretriz.diabetes.org.br
- Ministério da Saúde — Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com Doença Renal Crônica (DRC) no Sistema Único de Saúde — Brasília, 2014 — docs.bvsalud.org (em inglês)
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases — Chronic Kidney Disease Tests and Diagnosis — NIDDK, National Institutes of Health, revisado em 2025 — niddk.nih.gov (em inglês)
- MedlinePlus, National Library of Medicine — Microalbumin Creatinine Ratio — MedlinePlus Medical Test, revisado em 2024 — medlineplus.gov (em inglês)
- Centers for Disease Control and Prevention — Testing for Chronic Kidney Disease — CDC Kidney Disease, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- Grams ME, Coresh J, Matsushita K, et al. — Estimated Glomerular Filtration Rate, Albuminuria, and Adverse Outcomes: An Individual-Participant Data Meta-Analysis — JAMA, 2023 — DOI 10.1001/jama.2023.17002
- Khan SS, Matsushita K, Sang Y, et al. — Development and Validation of the American Heart Association’s PREVENT Equations — Circulation, 2023 — DOI 10.1161/CIRCULATIONAHA.123.067626
- Neuen BL, Fletcher RA, Anker SD, et al. — SGLT2 Inhibitors and Kidney Outcomes by Glomerular Filtration Rate and Albuminuria: A Meta-Analysis — JAMA, 2026 — DOI 10.1001/jama.2025.20834
- Aderoju YBG, Hayford FEA, Achempim-Ansong G, et al. — Exploring the application of Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) in the management of patients with Chronic Kidney Disease: A systematic review and meta-analysis — Clinical Nutrition ESPEN, 2025 — DOI 10.1016/j.clnesp.2025.08.030
Leituras recomendadas
- Conheça o vazamento leve de albumina que fica dentro da faixa A2 no nosso guia da microalbuminúria.
- Meça a metade da grade ligada à filtração no nosso guia da taxa de filtração glomerular.
- Interprete o resíduo que está no denominador da conta no nosso guia do exame de creatinina.
- Compare com a medida mais ampla da fita no nosso guia da proteína na urina.
- Entenda a proteína do sangue que está no numerador no nosso guia do exame de albumina.
Entenda seus resultados com a BloodSense
Um laudo de urina que lista albumina, creatinina e uma relação em mg/g raramente explica o que os três números significam juntos, e o quadro só fica claro quando a sua TFGe, o histórico de pressão e a glicose estão ao lado deles. A BloodSense lê os resultados que você envia e os coloca em contexto em linguagem simples, incluindo exames relacionados como albumina na urina, creatinina na urina e no sangue, TFGe e glicemia de jejum. O relatório de IA ajuda você a entender o que o seu laudo diz e o que perguntar; ele não é um diagnóstico e não substitui o seu médico.



