Apneia do sono: o que é, sintomas, graus (IAH), riscos e tratamento

A apneia do sono costuma ser tratada como um problema de ronco, algo de que o parceiro reclama e que um quarto separado resolve. Essa visão custa anos de saúde. A apneia do sono é uma falha repetida da respiração durante o sono: cada pausa derruba o oxigênio do sangue, dispara os hormônios que aceleram o coração e sobem a pressão e tira o cérebro do sono profundo. Cinquenta vezes por hora durante uma década, e o dano deixa de ser teórico.
A apneia obstrutiva do sono sem tratamento está ligada, de forma independente, à pressão alta, à fibrilação atrial, ao AVC, à insuficiência cardíaca e ao diabetes tipo 2, e é uma causa importante da sonolência diurna por trás de acidentes fatais no trânsito. No Brasil, um grande estudo na cidade de São Paulo (o EPISONO, com polissonografia em adultos sorteados da população) encontrou a síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8% dos participantes. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que 85% a 90% das pessoas com apneia não têm diagnóstico.
O que é apneia do sono?
Na apneia do sono, a respiração para ou fica perigosamente superficial várias vezes durante o sono. Uma parada completa de pelo menos 10 segundos é uma apneia; uma redução parcial do fluxo de ar, com queda do oxigênio ou um microdespertar, é uma hipopneia. As duas contam.
Na apneia obstrutiva, o cérebro manda o sinal certo e os músculos tentam respirar, mas a garganta se fecha; o esforço continua contra um “cano” bloqueado, e o ronco termina num engasgo. Na apneia central, a via aérea está aberta, mas o sinal do cérebro não chega, em geral por insuficiência cardíaca, AVC, uso de opioides ou doença dos rins.
| Característica | Obstrutiva | Central |
|---|---|---|
| O que falha | A via aérea fecha apesar do esforço | O cérebro para de mandar o comando de respirar |
| Barulho | Ronco alto, engasgos, respiração ofegante | Pausas silenciosas |
| Causas | Anatomia da via aérea, tecido no pescoço, amígdalas, nariz entupido | Insuficiência cardíaca, AVC, opioides, doença renal |
| Primeira linha | CPAP, com alternativas já estabelecidas | Tratar a causa; ventilação adaptativa em casos selecionados |
O que é apneia do sono mista?
A apneia mista combina os dois mecanismos no mesmo evento ou na mesma noite: começa como uma pausa central, sem esforço para respirar, e termina com esforço contra a garganta fechada, como na obstrutiva. Ela aparece na polissonografia, que é o único exame capaz de separar com segurança os tipos de evento.
Sintomas da apneia do sono: o que você nota e o que seu parceiro nota
Os sintomas mais característicos acontecem enquanto você está dormindo, então outra pessoa costuma relatá-los primeiro: ronco muito alto, silêncios que terminam num engasgo, agitação na cama. O que você mesmo percebe é mais sutil: acordar sem se sentir descansado, boca seca toda manhã, dor de cabeça que melhora no meio da manhã, levantar várias vezes à noite para urinar, cochilar em reuniões, irritação e falta de concentração. É fácil culpar a idade ou o excesso de trabalho, e por isso a apneia do sono é uma das condições comuns mais subdiagnosticadas: as pessoas chegam ao médico com cansaço, ou com uma pressão que não baixa nem com três remédios, e ninguém pergunta sobre o sono.
Como a apneia do sono aparece nas mulheres
O paciente “de livro” é um homem de meia-idade, acima do peso, que ronca como uma motosserra. As mulheres muitas vezes não se encaixam nisso, e o diagnóstico atrasa anos. Elas relatam mais insônia, um cansaço sem fim em vez de sonolência evidente, dor de cabeça pela manhã, ansiedade e desânimo, com ronco mais leve e pausas menos óbvias. Assim, uma mulher que se queixa de exaustão tem mais chance de ser avaliada para depressão ou perimenopausa do que de ser encaminhada para uma polissonografia. Por isso é importante diferenciar a apneia da insônia que persiste mesmo com tempo suficiente para dormir.
Sonolência ao volante: quando não dirigir
Este é o ponto mais urgente deste artigo. A apneia do sono sem tratamento prejudica o tempo de reação, a atenção e o julgamento de um jeito parecido com o álcool, e o motorista nem sempre percebe.
Procure avaliação com urgência, e não dirija até ser avaliado, se algo disto acontece: você já cochilou ao volante, mesmo que por um instante; já saiu da faixa sem perceber; já chegou a algum lugar sem lembrar dos últimos quilômetros; ou luta para ficar acordado em trajetos de rotina. Um microssono de três a cinco segundos basta para invadir a pista contrária em velocidade de rodovia. Diga isso com clareza ao seu médico; muda a urgência do encaminhamento. O tratamento resolve a sonolência na maioria das pessoas em semanas; se ela continuar mesmo com a apneia bem controlada, isso aponta para um distúrbio central do sono, como a narcolepsia.
Por que a apneia do sono sem tratamento é perigosa
Cada apneia é uma pequena emergência fisiológica: o oxigênio cai, o sistema nervoso simpático dispara, a pressão sobe e a pessoa desperta o suficiente para reabrir a via aérea. Centenas de eventos depois, o sistema cardiovascular não teve nenhuma recuperação durante a noite.
A pressão que continua alta à noite, em vez de cair, é uma marca típica, e a apneia é uma das principais causas da pressão alta que resiste a três ou mais remédios. As oscilações de oxigênio e o estiramento dos átrios favorecem a fibrilação atrial e outras alterações do ritmo cardíaco. A apneia também traz um risco maior de AVC ao longo da vida. A falta intermitente de oxigênio piora a resistência à insulina, independentemente do peso, e muita gente só descobre que algo está errado quando os exames mostram uma glicemia de jejum que vem subindo ano após ano.
O que provoca a apneia do sono? Causas e fatores de risco
Tudo o que estreita a via aérea superior ou diminui o tônus dos seus músculos aumenta o risco.
- Estrutura do rosto e do crânio: mandíbula pequena ou recuada, via aérea estreita
- Amígdalas ou adenoides aumentadas, a principal causa em crianças
- Obstrução do nariz por desvio de septo, pólipos ou rinite
- Idade e excesso de tecido mole ao redor do pescoço
- Sexo masculino antes da meia-idade; a diferença diminui depois da menopausa
- Histórico familiar, independentemente do tamanho do corpo
- Álcool à noite, calmantes e opioides
- Cigarro, hipotireoidismo, acromegalia e síndrome dos ovários policísticos
- Dormir de barriga para cima, o que deixa a gravidade puxar a língua para trás
O peso é um fator de risco real, mas não é necessário nem suficiente: uma parte importante dos pacientes diagnosticados não está acima do peso, e muitas pessoas com bastante peso não têm apneia. A tireoide lenta engrossa os tecidos da via aérea e reduz o estímulo para respirar, e um hipotireoidismo que passou anos sem ser reconhecido pode tanto imitar quanto piorar os sintomas da apneia.
O que pode ser confundido com apneia do sono?
Ronco simples (sem pausas), insônia, depressão, hipotireoidismo, anemia, síndrome das pernas inquietas, narcolepsia e o efeito de remédios sedativos podem causar sono ruim e cansaço parecidos. Refluxo noturno e crises de asma também podem causar engasgos à noite. Por isso o diagnóstico depende de um exame do sono, e não só dos sintomas.
Como é feito o diagnóstico da apneia do sono
O diagnóstico exige medir a respiração enquanto você dorme. Os questionários vêm primeiro: o STOP-BANG pergunta sobre ronco, cansaço, pausas observadas, pressão, índice de massa corporal, idade, circunferência do pescoço e sexo; a Escala de Sonolência de Epworth mede a chance de você cochilar em situações do dia a dia. Nenhum dos dois faz o diagnóstico; os dois decidem quem deve fazer o exame.
A polissonografia em laboratório é o exame de referência: uma noite com sensores para ondas cerebrais, fluxo de ar, esforço respiratório, oxigenação do sangue, ritmo do coração e movimentos das pernas. É o único exame que separa com segurança eventos obstrutivos de centrais, e é obrigatório quando se suspeita de apneia central, doença do coração ou do pulmão, ou outro distúrbio do sono.
A polissonografia domiciliar (o “exame do sono em casa”) é um kit simplificado que você usa na sua cama, registrando fluxo de ar, esforço, oxigenação e pulso. Ela é validada para adultos com alta probabilidade de apneia obstrutiva moderada a grave e sem doença importante do coração ou do pulmão. Como não mede o sono diretamente, subestima a gravidade, então um resultado negativo em alguém com sintomas pede um exame em laboratório. A polissonografia costuma exigir pedido médico e pode ser feita pelo SUS, pelo plano de saúde ou de forma particular.
O que é o índice de apneia-hipopneia (IAH)? Os graus da apneia
O IAH é o principal resultado: a média de apneias e hipopneias por hora de sono. Em adultos, abaixo de 5 é normal; de 5 a 14 é apneia leve; de 15 a 29, moderada; e 30 ou mais, grave, que é o grau mais alto. É um resumo imperfeito: a “carga hipóxica”, que mede a profundidade e a duração das quedas de oxigênio, prevê melhor o risco cardiovascular.
Os exames de sangue que importam, e por que eles não diagnosticam apneia
Nenhum exame de sangue diagnostica apneia do sono. Ainda assim, os exames importam por dois motivos honestos: medem o dano que a apneia causa e descartam as doenças que a imitam. A hemoglobina glicada e a glicemia de jejum acompanham a resistência à insulina que a falta de oxigênio noturna provoca, e o perfil lipídico mostra o risco que se acumula por cima. A falta crônica de oxigênio estimula a produção de hemácias, então o hemograma pode mostrar uma policitemia secundária. O TSH (tireoide) é padrão, e a ferritina importa quando a história sugere síndrome das pernas inquietas, que fragmenta o sono por outro mecanismo, já que estoques baixos de ferro a provocam.
Apneia do sono: tratamento e como melhorar
O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) continua sendo o tratamento de primeira linha e o mais eficaz. Ele funciona em praticamente todo mundo que o usa, e essa é toda a ressalva. As alternativas abaixo são escolhidas quando o CPAP não foi tolerado, e não porque sejam melhores que ele.
| Opção | Como funciona | Para quem é mais indicada |
|---|---|---|
| CPAP e aparelhos parecidos | O ar sob pressão, por uma máscara, mantém a via aérea aberta | O ponto de partida padrão em qualquer grau com sintomas |
| Aparelho intraoral de avanço mandibular | Um aparelho feito sob medida segura a mandíbula para a frente | Apneia leve a moderada, intolerância ao CPAP, quem viaja muito |
| Terapia posicional | Dispositivos que impedem dormir de barriga para cima | Quem tem os eventos sobretudo nessa posição |
| Estimulação do nervo hipoglosso | Um implante estimula o nervo da língua a cada respiração | Falha documentada do CPAP, dentro de critérios de IMC e de via aérea |
| Cirurgia | Retira ou reposiciona tecidos: amígdalas, nariz, palato, mandíbula | Crianças com amígdalas grandes; adultos com uma obstrução corrigível |
| Remédio | Um agonista duplo dos receptores GIP/GLP-1 reduz a gordura que favorece o colapso | Adultos com apneia obstrutiva moderada a grave e obesidade |
| Controle do peso | Menos tecido ao redor da via aérea, menos colapso | Complemento quando o peso contribui, não substituto |
Sobre o remédio: em dezembro de 2024, a agência americana FDA aprovou a tirzepatida, vendida lá como Zepbound, para apneia obstrutiva moderada a grave em adultos com obesidade, o primeiro remédio aprovado para essa condição. A indicação vale só para adultos que têm ao mesmo tempo apneia obstrutiva moderada a grave e obesidade, não para a apneia em geral nem para a apneia central, e o remédio não tirou o CPAP do posto de primeira linha. No Brasil, confirme com o médico as indicações aprovadas pela Anvisa.
Uma palavra sobre o peso. Perder peso pode reduzir a gravidade da apneia, mas não é uma questão moral, não existe um número que você precise atingir, e ninguém deve adiar o tratamento da via aérea enquanto tenta emagrecer. A própria apneia desregula os hormônios do apetite, então tratar a respiração muitas vezes facilita todo o resto. A SBEM também cita medidas simples que ajudam: evitar bebida alcoólica, dormir de lado, evitar refeições pesadas antes de deitar e elevar a cabeceira da cama.
Como fazer o CPAP funcionar
O CPAP falha por um motivo acima de todos: as pessoas param de usar. Cerca de metade dos pacientes não está usando o aparelho o suficiente depois de um ano. Quase tudo isso tem solução, e quase nada é falha pessoal.
A máscara é a maior variável. Máscaras nasais, almofadas nasais e máscaras faciais existem em dezenas de tamanhos; se a sua vaza ou deixa marcas, ela é a errada, e você pode experimentar outras. Se soltar o ar contra a pressão parece esforço, pergunte sobre alívio de pressão ou um aparelho automático. Arrancar a máscara às três da manhã é problema de conforto, não de força de vontade. Trate o nariz entupido, porque ele derruba o sistema. Acompanhe os dados do aparelho pelo aplicativo: horas de uso, vazamento e índice residual. Se você tentou de verdade e o CPAP ainda não funciona, diga isso claramente ao médico em vez de abandonar em silêncio; isso abre caminho para as alternativas.
Viver com apneia do sono
A apneia do sono é controlada, e não curada, e o tratamento só funciona enquanto é usado, mas funciona rápido: muita gente nota manhãs mais lúcidas em uma ou duas semanas. Evite álcool nas três horas antes de dormir e reveja calmantes e opioides com quem os receitou. Mantenha horários regulares e tempo suficiente na cama, porque a privação de sono aprofunda os eventos. Se tiver uma cirurgia marcada, avise o anestesista. Espere uma revisão dos dados do aparelho nos primeiros meses e depois uma vez por ano, e acompanhe seus exames, porque um hemograma completo com hemoglobina e hematócrito subindo pode indicar que o oxigênio noturno não está bem controlado.
Avanços científicos recentes
Dois ensaios randomizados de fase 3, chamados em conjunto de SURMOUNT-OSA, testaram a tirzepatida, um remédio que ativa dois receptores de hormônios intestinais envolvidos no apetite e na glicose, em 469 adultos com apneia obstrutiva moderada a grave e obesidade; um incluiu pessoas sem CPAP, o outro pessoas que já usavam. Em 52 semanas, o IAH caiu em média 25,3 eventos por hora com tirzepatida, contra 5,3 com placebo, no primeiro ensaio, e 29,3 contra 5,5 no segundo, partindo de valores próximos de 50. A carga hipóxica, a proteína C reativa e a pressão sistólica também melhoraram (Malhotra et al., 2024). O que isso significa para você: agora existe um remédio com evidência real de ensaio, embora ele aja sobre um fator de base e não sobre a via aérea.
Uma análise complementar perguntou o que esses participantes de fato sentiram, usando questionários validados sobre sono, funcionamento durante o dia e qualidade de vida. Em 52 semanas, eles tiveram resultados significativamente melhores que o placebo em prejuízo relacionado ao sono, distúrbio do sono, desempenho funcional, estado geral de saúde e na maioria dos domínios de um questionário padrão de saúde, e no primeiro ensaio também melhoraram na Escala de Epworth (Kanu et al., 2025). O que isso significa para você: o benefício não ficou só nos números do exame do sono.
Um ensaio decisivo testou um estimulador bilateral do nervo hipoglosso, um implante que estimula os nervos da língua dos dois lados para que ela avance a cada respiração. Entre 113 adultos com apneia moderada a grave que recusaram, falharam ou não toleraram o CPAP, 63,5% atingiram o critério principal de resposta em 12 meses e 71,3% o critério de queda de oxigenação, com o IAH caindo em média 18,3 eventos por hora; eventos adversos graves ocorreram em 8,7% (Woodson et al., 2025). O que isso significa para você: a estimulação por implante é uma opção real quando o CPAP não funciona.
Mitos e verdades
- Mito: só pessoas acima do peso têm apneia do sono. Verdade: a anatomia da via aérea pesa tanto quanto o tamanho do corpo, e muitos pacientes diagnosticados não estão acima do peso.
- Mito: ronco alto é apneia, e sono silencioso descarta. Verdade: muitos roncadores não têm apneia, e muitas pessoas com apneia, principalmente mulheres, não roncam de forma marcante.
- Mito: é só um incômodo, não um risco para a saúde. Verdade: está ligada de forma independente a pressão alta, fibrilação atrial, AVC, diabetes e acidentes.
- Mito: um relógio inteligente diagnostica apneia. Verdade: os aparelhos de consumo apontam quedas de oxigênio que merecem investigação, mas o diagnóstico exige um exame do sono validado.
- Mito: não se adaptar ao CPAP significa ficar sem opções. Verdade: trocar a máscara e ajustar a pressão resolve a maioria dos problemas.
Glossário
| Termo | O que significa |
|---|---|
| Apneia | Pausa completa da respiração de pelo menos dez segundos durante o sono |
| Hipopneia | Redução parcial do fluxo de ar com queda do oxigênio ou microdespertar |
| Índice de apneia-hipopneia (IAH) | Média de apneias e hipopneias por hora de sono; mede a gravidade |
| Polissonografia | O exame completo do sono durante a noite, o padrão de referência |
| CPAP | Pressão positiva contínua nas vias aéreas, que mantém a garganta aberta |
| Carga hipóxica | Quão profundas e longas são as quedas de oxigênio da noite, ligada ao risco cardíaco |
| Policitemia secundária | Aumento das hemácias provocado pela falta crônica de oxigênio |
Perguntas frequentes
O que é apneia do sono, em palavras simples?
A respiração para ou fica superficial demais várias vezes enquanto você dorme, muitas vezes dezenas de vezes por hora. Na forma obstrutiva, a garganta se fecha mesmo com você tentando respirar; na central, o cérebro deixa de mandar o sinal. Cada evento derruba o oxigênio e acorda o cérebro por um instante, e por isso dá para passar oito horas na cama e acordar destruído.
Apneia do sono pode matar?
Raramente numa única noite; o perigo é acumulado. Sem tratamento, ela aumenta muito o risco de pressão alta, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, AVC e diabetes tipo 2, e é uma causa bem conhecida de acidentes fatais por sonolência ao volante. Em estudos observacionais, a apneia grave sem tratamento também está associada a maior mortalidade geral. É séria, mas tratável, o que é motivo para fazer o exame, e não para entrar em pânico.
Apneia do sono tem cura?
Às vezes. Crianças cuja apneia vem de amígdalas grandes muitas vezes se curam com a retirada das amígdalas, e adultos com uma única obstrução corrigível, como desvio de septo ou mandíbula recuada, podem se curar com cirurgia. Uma mudança grande de peso resolve a apneia em algumas pessoas em quem a gordura era o fator principal. Para a maioria dos adultos, porém, ela é controlada, e não curada: o tratamento funciona só enquanto é usado, e parar faz o IAH voltar ao valor original em poucas noites.
Como melhorar a apneia?
Usar o tratamento indicado todas as noites é o que mais melhora a apneia. Além disso ajudam: dormir de lado, evitar álcool e calmantes à noite, tratar o nariz entupido, manter horários regulares de sono e, quando o peso contribui, reduzi-lo com acompanhamento. Essas medidas complementam o tratamento, mas não substituem o CPAP ou outra terapia prescrita.
Qual a melhor posição para dormir com apneia do sono?
Dormir de lado costuma ser o melhor. De barriga para cima, a gravidade puxa a língua e o palato mole para dentro da via aérea, e numa boa parte dos pacientes a maioria dos eventos acontece só nessa posição. O laudo da polissonografia diz se a sua apneia depende da posição; se depender, dormir de lado pode baixar bastante o IAH, e dispositivos posicionais ajudam a manter a posição. Isso não substitui o tratamento prescrito.
Preciso de polissonografia em casa ou no laboratório?
O exame em casa é adequado se você tem sintomas claros de apneia obstrutiva moderada a grave e nenhuma doença importante do coração, do pulmão ou neuromuscular; é mais simples e mais cômodo. A polissonografia em laboratório é necessária se houver suspeita de apneia central, se você tem insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica, se outro distúrbio do sono pode estar presente, ou se o exame em casa deu negativo apesar de sintomas convincentes.
Leia também
- Quem tem falta de ar ou inchaço junto com a apneia deve ler o nosso guia sobre a insuficiência cardíaca e os sintomas que a indicam.
- Se a sua glicose vem subindo, veja o nosso guia sobre o diabetes tipo 2 e como ele é tratado.
- Para colocar seu risco cardiovascular em contexto, leia o que o exame de colesterol LDL realmente mede.
- Se as pernas inquietas fazem parte do seu quadro, veja o que a ferritina revela sobre seus estoques de ferro.
Fontes
- Tufik S, Santos-Silva R, Taddei JA, Bittencourt LR — Obstructive Sleep Apnea Syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study — Sleep Medicine, 2010 (em inglês) — doi.org/10.1016/j.sleep.2009.10.005
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — 10 coisas que você precisa saber sobre apneia do sono — Revista Conexão SBEM, 2011 — endocrino.org.br
- National Heart, Lung, and Blood Institute — Sleep Apnea — NIH, 2025 (em inglês) — nhlbi.nih.gov
- MedlinePlus — Sleep Apnea — National Library of Medicine, 2025 (em inglês) — medlineplus.gov
- American Academy of Sleep Medicine — Zepbound approved by FDA as first sleep apnea drug — AASM, 2024 (em inglês) — aasm.org
- Malhotra A, Grunstein RR, Fietze I, et al. — Tirzepatide for Obstructive Sleep Apnea and Obesity — New England Journal of Medicine, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1056/NEJMoa2404881
- Kanu C, Shinde S, Chakladar S, et al. — Tirzepatide and patient-reported outcomes in SURMOUNT-OSA — Sleep Medicine, 2025 (em inglês) — doi.org/10.1016/j.sleep.2025.106719
- Woodson BT, Kent DT, Huntley C, et al. — Bilateral hypoglossal nerve stimulation for sleep apnea — Journal of Clinical Sleep Medicine, 2025 (em inglês) — doi.org/10.5664/jcsm.11822
Entenda seus exames com a BloodSense
A polissonografia diagnostica a apneia do sono, mas seus exames de sangue mostram o que ela vem fazendo com o resto do corpo. A hemoglobina glicada e a glicemia de jejum revelam se as quedas noturnas de oxigênio afetaram a sensibilidade à insulina, o hemograma pode mostrar a hemoglobina alta da policitemia secundária, e o TSH e a ferritina ajudam a separar a apneia das doenças que a imitam.
A BloodSense lê o laudo do seu laboratório e explica cada marcador em linguagem simples e no contexto, para você chegar à próxima consulta sabendo sobre quais números perguntar.



