Arritmia cardíaca: o que é, sintomas, tipos, causas e tratamento

Um coração que tropeça, dispara ou parece parar por um instante assusta, porque isso acontece em um lugar que você não vê nem controla. A maioria das pessoas percebe a arritmia cardíaca primeiro como uma vibração no peito ao deitar, uma batida forte que parece pular um passo ou um galope repentino que chega sem aviso. Arritmia é o nome dado a qualquer ritmo que foge do padrão elétrico normal do coração, e ela vai de uma batida extra inofensiva até um ritmo caótico que exige atendimento de emergência.
O desafio é separar o que é benigno do que é perigoso, porque os dois podem dar a mesma sensação. Este guia explica a “fiação” do coração, quais sintomas pedem atendimento no mesmo dia, como é feita a investigação e como o tratamento mudou.
O que é arritmia cardíaca?
A arritmia cardíaca é qualquer alteração na frequência ou no ritmo dos batimentos do coração. O coração é um músculo comandado por um sistema elétrico, e o pulso que você sente no punho é um sinal que percorre um caminho fixo, em uma velocidade fixa. Ele nasce no nó sinusal, um grupo de células no átrio direito que funciona como marca-passo natural, se espalha pelos dois átrios, faz uma pausa no nó atrioventricular para os ventrículos se encherem e depois desce rapidamente por fibras condutoras, disparando a contração que manda o sangue para o corpo.
Uma arritmia é qualquer quebra dessa sequência. O sinal pode disparar rápido demais, causando uma taquicardia acima de 100 batimentos por minuto (bpm), ou devagar demais, causando uma bradicardia abaixo de 60 bpm. Ele pode nascer no lugar errado, como quando uma área irritada dispara antes da hora, ou ficar preso em um circuito que gira em torno de uma cicatriz. Nem todo desvio é doença: atletas muitas vezes ficam com 40 e poucos bpm em repouso. O que importa é se o ritmo prejudica o fluxo de sangue ou aumenta o risco de AVC.
O que são ritmos cardíacos e qual o melhor ritmo do coração?
O ritmo cardíaco é o padrão em que o coração bate. O melhor ritmo é o ritmo sinusal, comandado pelo nó sinusal, regular e, em adultos em repouso, geralmente entre 60 e 100 bpm. A chamada “arritmia sinusal” é uma pequena variação desse ritmo com a respiração, comum e normal em jovens. A “arritmia sinusal com bradicardia”, que aparece em alguns laudos de eletrocardiograma, descreve esse mesmo ritmo normal, só que mais lento, e costuma ser inofensiva em pessoas sem sintomas, como atletas.
Tipos de arritmia cardíaca
Os cardiologistas agrupam as arritmias pela origem e pela velocidade. As supraventriculares nascem acima dos ventrículos e costumam ser mais incômodas do que perigosas; as ventriculares nascem nas câmaras que bombeiam o sangue e pesam muito mais, porque um ventrículo em caos não move sangue. A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum, e como os átrios que fibrilam nunca se esvaziam por completo, o sangue se acumula no apêndice atrial esquerdo, forma coágulos e pode subir até o cérebro, causando o entupimento súbito de uma artéria cerebral responsável pela maioria dos AVCs de origem cardíaca.
| Tipo | O que acontece na parte elétrica | Preocupação típica |
|---|---|---|
| Fibrilação atrial | Impulsos caóticos nos átrios; resposta irregular dos ventrículos | Formação de coágulos e AVC; cansaço; enfraquecimento do coração com o tempo |
| Flutter atrial | Circuito organizado no átrio direito, muitas vezes perto de 300 por minuto | Mesmo risco de AVC da fibrilação; tem alta chance de cura com ablação |
| Taquicardia supraventricular (TSV) | Circuito de reentrada no nó atrioventricular ou perto dele | Crises súbitas de 150 a 250 bpm; angustiantes, mas raramente perigosas |
| Extrassístoles ventriculares | Batimento antecipado vindo do ventrículo, seguido de uma pausa | Geralmente benignas; uma quantidade muito alta por dia pode enfraquecer o coração |
| Taquicardia ventricular | Sequência rápida de batimentos nascidos abaixo do nó atrioventricular | Pode derrubar a pressão e evoluir para fibrilação ventricular |
| Fibrilação ventricular | Atividade ventricular totalmente desorganizada; o coração não bombeia | Parada cardíaca; exige desfibrilação em poucos minutos |
| Bradicardia e bloqueios | Nó sinusal lento ou condução interrompida até os ventrículos | Desmaios e intolerância ao esforço; muitas vezes precisa de marca-passo |
Sintomas de arritmia cardíaca e sinais de alerta
Os sintomas de arritmia são famosos por serem inconsistentes. Cerca de um terço das pessoas com fibrilação atrial não sente nada e descobre o problema em um exame de rotina ou por um alerta do relógio inteligente, enquanto outras ficam derrubadas pelo mesmo ritmo. A queixa mais comum são as palpitações: vibração, batidas fortes ou a sensação de um peixe se debatendo no peito. As batidas extras dão a sensação oposta, um vazio de um instante seguido de uma batida forte. Outros sintomas refletem menos sangue bombeado: tontura, falta de ar em escadas que você sobe com facilidade, cansaço que não passa e menor tolerância ao exercício. Ritmos lentos causam, em vez disso, pensamento “nublado” e sensação de quase desmaio.
Como é o batimento de quem tem arritmia?
Depende do tipo. Na fibrilação atrial, o pulso fica irregular, sem nenhum padrão, e muitas vezes rápido. Nas extrassístoles, o ritmo é normal, mas com “falhas” ou batidas fortes de vez em quando. Na taquicardia supraventricular, o coração dispara de repente, de forma regular e muito rápida, e para também de repente. Nas bradicardias, o pulso fica lento e a pessoa pode se sentir fraca ou tonta.
Sinais de alerta: quando ligar para o SAMU (192)
Ligue imediatamente para o SAMU (192) em caso de desmaio durante esforço, dor no peito que dura mais de alguns minutos, falta de ar forte em repouso, confusão ou fala enrolada, fraqueza de um lado do corpo ou boca torta, coração disparado que não acalma depois de 20 a 30 minutos de repouso, ou qualquer desmaio. Coração acelerado com dor no peito e suor frio pede ambulância, porque a causa pode ser um infarto provocando a arritmia, e não o contrário.
O que fazer quando está tendo arritmia cardíaca?
Se surgir um dos sinais de alerta acima, ligue para o SAMU (192) ou vá a um pronto-socorro. Se não houver sinais de alerta, sente-se ou deite-se, respire devagar, anote a hora, quanto tempo durou e, se possível, conte o pulso ou registre o ritmo no relógio. Não tome remédios por conta própria. Procure um cardiologista para investigar, levando essas anotações.
Causas e fatores de risco da arritmia
As arritmias nascem de um problema estrutural do coração, de uma alteração química ou hormonal ou de um defeito herdado nos canais elétricos das células. A idade é o fator de risco mais forte para a fibrilação atrial, porque a cicatrização fibrosa dos átrios envelhecidos cria o terreno ideal para circuitos caóticos, e a pressão alta acelera essa cicatrização. Por isso os cardiologistas tratam a sobrecarga de pressão que remodela as câmaras do coração. Infarto anterior, doenças das válvulas, cardiomiopatias e apneia do sono não tratada aumentam o risco.
No Brasil, há uma causa que merece destaque: a doença de Chagas. Na fase crônica, ela pode atingir o coração, e o protocolo do Ministério da Saúde inclui o tratamento de arritmias em pessoas com cardiopatia chagásica. Quem morou em área com barbeiro, recebeu transfusão de sangue antes de 1992 ou tem familiares com Chagas deve conversar com o médico sobre o exame de sangue para a doença, feito pelo SUS.
Os distúrbios de eletrólitos merecem atenção porque são comuns, passam despercebidos com facilidade e quase sempre têm correção. As células do coração dependem de gradientes precisos de potássio, magnésio, sódio e cálcio para “reiniciar” a cada batida, então vômito, diarreia, uso de diuréticos e excesso de álcool podem provocar o desequilíbrio de potássio que desestabiliza o coração. O magnésio baixo é o parceiro silencioso, porque o corpo não consegue segurar o potássio quando falta magnésio, e o cálcio baixo prolonga a repolarização de um jeito que favorece ritmos ventriculares.
O hormônio da tireoide é o outro gatilho clássico e reversível, já que o excesso de hormônio acelera o nó sinusal. Uma parte importante dos casos abaixo dos 60 anos revela um hipertireoidismo que aparece primeiro como coração acelerado, e tratar a tireoide muitas vezes devolve o ritmo normal sem nenhum remédio para o coração. Estimulantes também contam: cafeína em doses altas, nicotina, descongestionantes nasais, cocaína e bebedeiras, tão ligadas a crises no fim de semana que os médicos chamam o quadro de “síndrome do coração de feriado”.
Arritmia cardíaca emocional existe?
Estresse e ansiedade não criam uma doença do coração, mas aumentam a adrenalina, e a adrenalina pode disparar extrassístoles e crises em quem já tem tendência. Por isso muitas pessoas percebem mais palpitações em fases de tensão. Mesmo assim, palpitações repetidas devem ser investigadas antes de serem atribuídas ao “emocional”.
Como é feito o diagnóstico da arritmia
A grande dificuldade é “pegar” a arritmia no ato: um ritmo que dura quatro minutos duas vezes por mês quase nunca aparece em um registro de 10 segundos no consultório. Por isso o diagnóstico depende de escolher o tempo de monitoramento de acordo com a frequência dos sintomas.
O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é o ponto de partida e define o diagnóstico quando a arritmia está presente; ele também mostra cicatrizes antigas, aumento das câmaras e bloqueios mesmo com o ritmo normal. Para sintomas quase diários, o Holter grava todos os batimentos por 24 a 48 horas; para sintomas semanais, um monitor de eventos ou um adesivo usado por duas a quatro semanas funciona melhor. Os relógios inteligentes mudaram esse cenário e detectam muitos casos silenciosos, mas qualquer alerta precisa ser confirmado em um exame médico; um monitor implantável cobre eventos raros por até três anos. O ecocardiograma avalia a força de bombeamento, as válvulas e o tamanho das câmaras, mostrando se a arritmia é isolada ou ligada a uma doença estrutural. Quando o objetivo é a cura, o estudo eletrofisiológico leva cateteres até o coração para mapear a origem do sinal.
Os exames de sangue que importam
Os exames de laboratório identificam as causas reversíveis que nenhuma ablação resolve. Dosar eletrólitos (sódio, potássio), creatinina e glicose é obrigatório, e os médicos acrescentam a dosagem de magnésio no sangue, que controla em silêncio quanto potássio fica dentro das células do coração, já que corrigir só o potássio muitas vezes não funciona. Toda investigação de fibrilação atrial nova inclui o exame de TSH, que mostra uma tireoide acelerada ou lenta. Se houve dor no peito durante a crise, a equipe mede a troponina, que indica lesão do músculo cardíaco. Falta de ar junto com ritmo rápido leva os médicos a pedir o NT-proBNP, que reflete a pressão dentro das câmaras do coração. O hemograma completo procura anemia, e a função dos rins orienta a dose do anticoagulante. Em quem tem risco epidemiológico, o médico pode pedir a sorologia para doença de Chagas.
Tratamento da arritmia cardíaca
O tratamento responde a três perguntas: esse ritmo ameaça o cérebro? É melhor reduzir a frequência ou restaurar o ritmo? E dá para curar? Na fibrilação atrial e no flutter, a prevenção do AVC vem primeiro. O risco é estimado pelo escore CHA2DS2-VASc, e a maioria das pessoas acima do limite recebe um anticoagulante: a varfarina, que exige controle frequente do INR no coagulograma, ou um anticoagulante oral direto, como apixabana ou rivaroxabana, que dispensa esse controle e causa menos sangramentos no cérebro. O controle da frequência usa betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio ou, às vezes, digoxina. O controle do ritmo usa antiarrítmicos, como propafenona, sotalol ou amiodarona, ou a cardioversão elétrica, um choque breve e sincronizado feito sob sedação.
A ablação por cateter destrói o pequeno pedaço de tecido que mantém a arritmia e hoje é tratamento de primeira linha para TSV com sintomas, flutter atrial e muitos casos de fibrilação atrial. Marca-passos corrigem ritmos lentos, e cardiodesfibriladores implantáveis (CDI) interrompem automaticamente ritmos ventriculares que ameaçam a vida. Quando um ritmo rápido já enfraqueceu o coração e causou a insuficiência cardíaca induzida por taquicardia, que muitas vezes se reverte com o controle do ritmo, restaurar o ritmo sinusal trata ao mesmo tempo o sintoma e a estrutura. Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), o primeiro passo é procurar um cardiologista arritmologista, e medidas simples, como evitar excesso de cafeína, álcool e tabaco, já podem ser suficientes em parte dos casos.
Arritmia cardíaca tem cura?
Algumas arritmias têm cura, outras têm controle. A TSV e o flutter atrial costumam ser curados com uma única ablação, e arritmias causadas por potássio baixo ou tireoide acelerada desaparecem quando a causa é corrigida. A fibrilação atrial é crônica na maioria das pessoas, mas pode ser bem controlada com remédios, ablação e mudança de hábitos.
Prevenção e cuidados no dia a dia
Mudar os fatores de risco não é uma alternativa “leve” ao tratamento: estudos mostram que isso reduz de forma mensurável a volta da arritmia depois da ablação. Perder 10 % do peso ou mais tem um dos maiores efeitos da área, e tratar a apneia do sono com CPAP importa quase tanto, porque as quedas de oxigênio durante a noite esticam os átrios todas as noites. Manter a pressão abaixo de 13 por 8 (130/80 mmHg) protege os átrios, e reduzir o álcool diminui as crises de forma proporcional à quantidade. Mantenha a cafeína moderada em vez de cortá-la totalmente, e nunca pare um anticoagulante por conta própria.
Arritmia cardíaca é grave? Viver com arritmia
Para a maioria das pessoas, a arritmia não é grave e o prognóstico é bom. Extrassístoles em um coração estruturalmente normal são benignas, e a TSV tem cura com um único procedimento. A fibrilação atrial é crônica, mas a anticoagulação reduz muito o risco de AVC, e a expectativa de vida de pacientes bem tratados se aproxima da população em geral. O peso psicológico é subestimado: a hipervigilância cria um ciclo em que a ansiedade aumenta a adrenalina e a adrenalina provoca mais batidas extras. Dar nome a esse ciclo ajuda a quebrá-lo, e a reabilitação cardíaca também trabalha isso.
Avanços científicos recentes
Um ensaio randomizado suíço perguntou se a ablação por campo pulsado, uma técnica mais nova que usa pulsos elétricos rápidos em vez de calor ou frio, funciona tão bem quanto a crioablação por balão, que congela o tecido. Todos os 210 participantes com fibrilação atrial paroxística receberam um monitor implantável, para que as recaídas fossem detectadas de forma contínua. Entre o dia 91 e o dia 365, a taquiarritmia atrial voltou em 37,1 % do grupo de campo pulsado contra 50,7 % do grupo de crioablação, uma diferença de 13,6 pontos percentuais que atendeu aos critérios de não inferioridade e de superioridade (Reichlin et al., 2025). O que isso significa para você: se a ablação está nos planos, perguntar qual técnica será usada é uma pergunta justa.
A anticoagulação precisa continuar para sempre depois de uma ablação bem-sucedida? O ensaio ALONE-AF sorteou 840 pessoas em 18 hospitais da Coreia do Sul que tinham um fator de risco para AVC e nenhuma recaída por um ano inteiro depois da ablação, para parar ou continuar o anticoagulante. Em dois anos, o desfecho combinado de AVC, embolia sistêmica e sangramento grave ocorreu em 1 paciente (0,3 %) que parou contra 8 pacientes (2,2 %) que continuaram, e o sangramento grave foi zero contra 5 pacientes (1,4 %) (Kim et al., 2025). O que isso significa para você: parar pode ser razoável para algumas pessoas, mas essa decisão é do eletrofisiologista, com base nos seus dados de monitoramento.
O ensaio internacional OPTION testou uma alternativa mecânica em 1.600 pacientes submetidos a ablação e com risco elevado de AVC, comparando o fechamento do apêndice atrial esquerdo, um dispositivo que sela a bolsa onde os coágulos se formam, com a continuação da anticoagulação. Em 36 meses, sangramentos graves ou clinicamente relevantes não ligados ao procedimento ocorreram em 8,5 % do grupo do dispositivo contra 18,1 % do grupo anticoagulado, enquanto morte, AVC ou embolia sistêmica foram parecidos, 5,3 % e 5,8 % (Wazni et al., 2024). O que isso significa para você: se o sangramento com anticoagulante é o seu obstáculo, o fechamento do apêndice agora tem evidência sólida de ensaios randomizados.
Mitos e verdades sobre arritmia
Mito: uma batida “falhada” significa algo grave. Verdade: batidas extras isoladas são muito comuns e geralmente inofensivas em um coração estruturalmente normal; a frequência e os sintomas que as acompanham é que definem a importância.
Mito: se você se sente bem, sua fibrilação atrial não é perigosa. Verdade: a fibrilação atrial silenciosa tem o mesmo risco de AVC que a sintomática, porque a prevenção depende do seu perfil de risco, não dos sintomas.
Mito: a ablação é o último recurso depois que os remédios falham. Verdade: as diretrizes hoje apoiam a ablação como primeira opção de controle do ritmo para muitas pessoas com fibrilação atrial paroxística sintomática e para a maioria das TSV.
Glossário
| Termo | O que significa |
|---|---|
| Nó sinusal | O marca-passo natural do coração, um grupo de células no átrio direito que define o ritmo. |
| Paroxística | Que acontece em crises que começam e terminam sozinhas, geralmente em até sete dias. |
| Ablação por cateter | Procedimento que destrói a pequena área de tecido que gera ou mantém a arritmia. |
| CHA2DS2-VASc | Escore que estima o risco de AVC na fibrilação atrial e orienta a anticoagulação. |
| Apêndice atrial esquerdo | Pequena bolsa do átrio esquerdo onde se forma a maioria dos coágulos da fibrilação atrial. |
| Repolarização | O “reinício” elétrico entre as batidas; alterações aqui causam muitos ritmos perigosos. |
| Estudo eletrofisiológico | Exame com cateteres que mapeia exatamente onde começa um ritmo anormal. |
| Cardiopatia chagásica | Lesão do coração causada pela doença de Chagas, que pode provocar arritmias. |
Perguntas frequentes sobre arritmia cardíaca
Qual é a frequência cardíaca normal, e qual é uma boa frequência em repouso para quem tem arritmia?
Uma frequência de 60 a 100 bpm em repouso é normal para adultos, mas valores fora dessa faixa não são automaticamente anormais: atletas de resistência muitas vezes ficam na casa dos 40 bpm, enquanto ansiedade, febre ou anemia podem levar um coração saudável acima de 100. Para quem tem fibrilação atrial e usa remédio para controlar a frequência, os cardiologistas costumam buscar menos de 100 a 110 bpm em repouso, e uma faixa confortável de 60 a 80 bpm serve para a maioria. Meça sempre no mesmo horário e leve as anotações às consultas.
Quais são os sintomas mais comuns da fibrilação atrial?
O quadro clássico é um pulso irregular, muitas vezes rápido, sem padrão, com cansaço desproporcional à atividade, falta de ar com pouco esforço e sensação de vibração no peito. Muitas pessoas também relatam menor capacidade de exercício e tontura. Um ponto importante: cerca de uma em cada três pessoas não tem sintoma nenhum e descobre a doença ao medir o pulso ou por um alerta do relógio, e esse silêncio não reduz o risco de AVC.
Quais são os sintomas de palpitações? Elas sempre indicam arritmia?
Palpitação é a sensação de perceber o próprio coração batendo forte, rápido, irregular ou “falhando”. Ela é um sintoma, não um diagnóstico, e muitas vezes não tem nada a ver com arritmia. Ansiedade, cafeína, nicotina, desidratação, febre, anemia, tireoide acelerada e descongestionantes aumentam a percepção dos batimentos. Mesmo assim, palpitações são o principal sintoma das arritmias verdadeiras, então crises repetidas merecem pelo menos um ECG e exames de sangue. Palpitação com desmaio precisa de avaliação cardiológica rápida.
Como costuma ser o tratamento da arritmia?
Depende totalmente do ritmo. Algumas arritmias só precisam que se retire um gatilho, como excesso de álcool, um remédio estimulante ou potássio baixo. O tratamento da fibrilação atrial costuma combinar um anticoagulante, uma estratégia de controle da frequência ou do ritmo e o controle da pressão, do peso e da apneia do sono. TSV e flutter muitas vezes são curados com uma única ablação, enquanto os bloqueios precisam de marca-passo.
O eletrocardiograma pode não mostrar uma arritmia?
Sim, com frequência. Um ECG comum registra cerca de 10 segundos de atividade, então um ritmo intermitente precisa estar presente naquele momento para ser visto. Um exame normal com sintomas convincentes em crises deve levar a um monitoramento mais longo, e não a uma simples tranquilização: Holter de 24 a 48 horas, adesivo de várias semanas ou monitor implantável para eventos raros. O ECG continua útil, porque mostra cicatrizes de base.
Fontes
- National Heart, Lung, and Blood Institute — Arrhythmias — National Institutes of Health, 2025 — nhlbi.nih.gov (em inglês)
- Centers for Disease Control and Prevention — Atrial Fibrillation — CDC Heart Disease, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- American Heart Association — About Arrhythmia — American Heart Association, 2024 — heart.org (em inglês)
- Mayo Clinic — Heart Arrhythmia: Symptoms and Causes — Mayo Clinic, 2024 — mayoclinic.org (em inglês)
- Reichlin T, Kueffer T, Badertscher P, et al. — Pulsed Field or Cryoballoon Ablation for Paroxysmal Atrial Fibrillation — New England Journal of Medicine, 2025 — doi.org (em inglês)
- Kim D, Shim J, Choi JI, et al. — Long-Term Anticoagulation Discontinuation After Catheter Ablation for Atrial Fibrillation: The ALONE-AF Randomized Clinical Trial — JAMA, 2025 — doi.org (em inglês)
- Wazni OM, Saliba WI, Nair DG, et al. — Left Atrial Appendage Closure after Ablation for Atrial Fibrillation — New England Journal of Medicine, 2024 — doi.org (em inglês)
- Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas — Sobre arritmia cardíaca — SOBRAC, 2025 — sobrac.org (em inglês)
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas — gov.br, 2018 — gov.br
- Ministério da Saúde — Doença de Chagas — gov.br, 2025 — gov.br
- Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br, 2025 — gov.br
Leituras recomendadas
- Como artérias estreitadas estão entre as condições que mais geram arritmias ventriculares, leia nosso guia sobre a doença arterial coronariana e como as artérias entopem.
- Se as palpitações vêm com aperto no peito durante esforço, nosso texto sobre a angina e a dor no peito ajuda a separar as duas coisas.
- Quem já tem a função de bombeamento afetada pela arritmia deve ler nosso artigo sobre a insuficiência cardíaca congestiva e o acúmulo de líquido que ela provoca.
- O cálcio participa diretamente do reinício elétrico entre as batidas, por isso vale entender o resultado do cálcio total e as alterações que ele pode causar.
Entenda seus exames com a BloodSense
Uma parte surpreendente das crises de arritmia tem origem em algo que um exame de sangue pode mostrar. Potássio e magnésio estão no centro do reinício elétrico de cada batida, e mesmo valores um pouco baixos podem gerar batidas extras. O TSH identifica a tireoide acelerada que muitas vezes aparece como fibrilação atrial sem explicação, a troponina separa um problema de ritmo de uma lesão do músculo, e o BNP ou NT-proBNP mostram a pressão nas câmaras do coração.
Acompanhar esses marcadores ao longo do tempo vale mais do que qualquer foto isolada, porque uma queda gradual do potássio ou uma subida lenta do NT-proBNP muitas vezes aparecem antes dos sintomas. A BloodSense transforma seu laudo em explicações em linguagem simples e em perguntas para levar ao seu cardiologista. O relatório de IA não é um diagnóstico e não substitui a avaliação do seu médico.



