Se você acha que você ou alguém perto de você está tendo um AVC, ligue agora para o SAMU (192); os Bombeiros (193) também atendem. Não leve a pessoa de carro por conta própria, não espere para ver se os sintomas passam e não tome ácido acetilsalicílico (AAS, “aspirina”) por conta própria. A equipe do SAMU começa a avaliação no caminho, avisa o hospital antes de chegar e leva a pessoa a um serviço preparado para tratar AVC, e nada disso acontece num carro particular. Cada minuto de AVC sem tratamento destrói cerca de 1,9 milhão de neurônios.

O AVC (acidente vascular cerebral, também chamado de derrame) é, segundo a Sociedade Brasileira de AVC, a doença que mais mata os brasileiros e a principal causa de incapacidade no mundo: cerca de 70% das pessoas não voltam ao trabalho depois de um AVC por causa das sequelas, e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia. Por isso reconhecer os sinais e agir rápido salva vidas.

Como reconhecer um AVC: o BE-FAST

O antigo checklist FAST (rosto, braços, fala e tempo, na sigla em inglês) foi ampliado para BE-FAST, que acrescenta Equilíbrio e Olhos no começo, porque uma parte importante dos AVCs atinge a parte de trás do cérebro, a circulação posterior, onde pode não haver boca torta nem fraqueza no braço. São justamente os AVCs que o FAST simples deixa passar. Uma única letra já basta para ligar para o 192.

LetraO que verificarComo aparece
B (balance) — EquilíbrioPerda súbita de coordenaçãoCambalear, desviar para um lado, tontura forte com sensação de giro
E (eyes) — OlhosMudança súbita na visãoPerda da visão de um olho, visão dupla ou falta de metade do campo de visão
F (face) — RostoPeça um sorrisoUm lado da boca cai; o sorriso fica torto
A (arms) — BraçosPeça para levantar os dois braçosUm braço cai ou não sobe; dormência súbita de um lado do corpo
S (speech) — FalaPeça para repetir uma frase simplesFala enrolada ou palavras trocadas; não entende o que você diz
T (time) — TempoLigue para o 192 imediatamenteAnote a última vez que a pessoa foi vista normal: esse horário define o tratamento

Guarde o horário em que a pessoa foi vista bem pela última vez. Se ela acordou com os sintomas, esse horário é o da hora em que foi dormir, e os exames de imagem muitas vezes ainda encontram tecido que pode ser salvo. Diga ao atendente que suspeita de AVC: essa palavra muda a forma como o chamado é tratado.

O que é AVC?

O AVC acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro para, ou quando um vaso se rompe. O tecido do cérebro quase não tem reserva de energia, então os neurônios sem oxigênio começam a falhar em minutos. O que aquela região controlava, como mexer um braço, encontrar palavras ou enxergar a metade esquerda de um ambiente, desliga no mesmo instante.

Em volta da área que está morrendo fica a penumbra: tecido sem sangue suficiente, mas ainda vivo. É ela que o tratamento de emergência tenta salvar, e ela diminui sem parar. Por isso a rapidez importa: reabrir o vaso em noventa minutos salva muito mais tecido do que em seis horas, mesmo que os dois momentos estejam dentro do prazo aceito.

Tipos de AVC: isquêmico, hemorrágico e AIT

O AVC isquêmico responde por cerca de 85% dos casos, segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de AVC (estudos internacionais falam em cerca de 87%): um coágulo bloqueia uma artéria que leva sangue ao cérebro, formado na parede de um vaso doente ou vindo do coração ou do pescoço. O AVC hemorrágico, cerca de 15%, acontece quando um vaso se rompe e o sangue invade o tecido cerebral, causando dano por falta de sangue na área seguinte e pelo aumento da pressão dentro do crânio; ele causa morte com mais frequência que o isquêmico. O ataque isquêmico transitório (AIT) é um bloqueio temporário que se desfaz antes de causar lesão permanente.

Os tipos parecem iguais à beira do leito. Nada visível por fora separa um coágulo de um sangramento: só uma tomografia ou ressonância consegue. E essa diferença inverte o tratamento: um AVC isquêmico pode ser tratado dissolvendo ou retirando o coágulo, enquanto o mesmo tratamento num sangramento seria catastrófico.

É por isso que você não deve tomar AAS por conta própria quando suspeita de AVC. O AAS afina o sangue. Se o AVC for um dos cerca de um em cada sete ou oito que são hemorrágicos, ele piora o sangramento e o resultado. A orientação de mastigar AAS vale para suspeita de infarto, e não de AVC. Só o médico, depois de ver a imagem do cérebro, pode decidir se algum remédio que afina o sangue deve ser usado.

Sintomas de AVC além dos sinais clássicos

O Ministério da Saúde lista como sinais de alerta: confusão mental; alteração da fala ou da compreensão; alteração da visão em um ou nos dois olhos; dor de cabeça súbita, intensa e sem causa aparente; alteração do equilíbrio, da coordenação ou do andar, ou tontura; e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna).

Os AVCs da circulação posterior, que atingem o tronco cerebral e o cerebelo, podem aparecer como uma vertigem violenta com vômitos, visão dupla, soluço que não para, dificuldade para engolir, desequilíbrio ou dormência num lado do rosto e no lado oposto do corpo, e muitas vezes são confundidos com labirintite ou enxaqueca.

As mulheres relatam com mais frequência sintomas fora da lista clássica: dor de cabeça súbita e forte, confusão sem explicação, fraqueza geral, náusea, desmaio ou agitação. Esses quadros são diagnosticados mais devagar, o que custa tempo de tratamento.

Duas características separam o AVC da maioria das doenças que o imitam: o início é abrupto, em segundos e não em horas, e o déficit é focal, a perda de uma função específica, e não um mal-estar geral. Uma fraqueza no rosto que surge aos poucos, sem dor e que inclui a testa, tende mais a ser uma paralisia facial periférica do que um AVC, mas essa decisão é do médico.

Ataque isquêmico transitório: um aviso, não um alívio

O AIT, às vezes chamado de “mini AVC”, produz sintomas reais de AVC que desaparecem, em geral em minutos. O alívio que a pessoa sente quando os sintomas somem é a parte mais perigosa, porque é ele que a convence a não procurar atendimento.

Os sintomas sumirem não significa que estava tudo bem. Um AIT significa que um coágulo chegou ao seu cérebro e depois se desfez. O que o produziu continua lá. O risco de um AVC completo depois disso se concentra no início: uma parte importante acontece nas primeiras 48 horas e muitos mais na primeira semana. Esse também é o período em que o tratamento faz mais efeito: avaliação urgente com antiagregante plaquetário e controle dos fatores de risco reduzem muito a recorrência.

A regra é simples. Sintomas agora: ligue para o 192. Sintomas que já passaram: avaliação de emergência no mesmo dia, e não uma consulta na semana que vem.

Causas do AVC e fatores de risco

A maioria dos AVCs vem de fatores de risco que podem ser medidos e mudados. O Ministério da Saúde cita pressão alta, diabetes tipo 2, colesterol alto, sobrepeso e obesidade, tabagismo, álcool em excesso, idade avançada, sedentarismo, drogas ilícitas, histórico familiar e sexo masculino.

Quais hábitos causam AVC?

Os hábitos que mais aumentam o risco são fumar, beber em excesso, não se mexer, comer muito sal e ultraprocessados e não tratar a pressão alta. A pressão alta é o maior fator nos dois tipos de AVC, e controlar a pressão alta, que danifica as paredes das artérias, reduz o risco mais do que qualquer outra medida. Fumar praticamente dobra o risco, e isso se reverte depois de parar.

As placas de colesterol estreitam as artérias que levam sangue ao cérebro, e o processo que produz placas nas artérias que se rompem e formam coágulos acontece nas carótidas. Pessoas com diabetes, que acelera a doença dos vasos no corpo todo, têm cerca do dobro do risco. Obesidade, sedentarismo, álcool em excesso, apneia do sono e fibrilação atrial sem tratamento completam a lista do que dá para mudar. Idade, histórico familiar, AVC anterior, anemia falciforme e pré-eclâmpsia não podem ser mudados, mas devem ser conhecidos.

O AVC não é só doença de idoso. A Sociedade Brasileira de AVC aponta que ele vem crescendo entre jovens e ocorre em cerca de 10% dos pacientes com menos de 55 anos. Os jovens são os que mais correm o risco de receber outro diagnóstico ou alta, porque o médico pensa primeiro em causas mais comuns de tontura ou dor de cabeça numa pessoa de 35 anos. As causas também são diferentes: dissecção de artéria, forame oval patente, distúrbios de coagulação e uso de estimulantes. Se você é jovem e tem sintomas neurológicos súbitos, diga a palavra “AVC” em voz alta no pronto-socorro.

Quem toma anticoagulante tem risco de AVC?

O anticoagulante é usado justamente para reduzir o risco de AVC isquêmico em quem tem, por exemplo, fibrilação atrial. Ele diminui bastante esse risco, mas não o zera. Ao mesmo tempo, aumenta o risco de sangramentos, inclusive o raro AVC hemorrágico. Por isso a dose e o controle precisam ser acompanhados pelo médico, e quem usa anticoagulante e tem sinais de AVC deve avisar a equipe de emergência, porque isso muda o tratamento.

Como é feito o diagnóstico do AVC

A imagem vem primeiro, e rápido. Segundo o Ministério da Saúde, a tomografia de crânio é o exame mais usado na avaliação inicial: feita sem contraste nos primeiros minutos, ela responde à pergunta que vem antes de tudo, se há sangue. A angiotomografia procura então uma obstrução de vaso grande que possa ser retirada, e a perfusão por tomografia ou a ressonância mostram quanto tecido está perdido e quanto ainda pode ser salvo. Os procedimentos diagnósticos em neurologia estão incluídos no SUS.

Depois, a investigação passa a procurar a causa, porque é ela que define a prevenção. O monitoramento do coração, às vezes por semanas com um aparelho portátil, procura uma fibrilação atrial que vai e volta, e um ritmo cardíaco irregular que lança coágulos para o cérebro explica muitos AVCs sem causa aparente. O ultrassom (doppler) das carótidas avalia as artérias do pescoço, e o ecocardiograma procura coágulos, doença de válvula ou um furo entre as câmaras do coração.

Os exames de sangue que importam

Os exames de sangue descartam doenças que imitam o AVC e encontram causas. A glicemia é medida na hora, porque uma hipoglicemia grave pode imitar exatamente um AVC e se reverte em minutos; a longo prazo, acompanhar a glicemia de jejum, que revela risco metabólico escondido, orienta a prevenção. Um hemograma completo, que aponta anemia, infecção ou plaquetas baixas, é padrão, junto com o coagulograma (TP/INR e TTPA), que mostra se o sangue já está afinado.

Passada a emergência, a investigação se amplia: perfil lipídico com o colesterol LDL, que alimenta a formação das placas, hemoglobina glicada para diabetes não diagnosticado e função dos rins e do fígado. Em pacientes jovens, os médicos acrescentam painéis autoimunes e de coagulação, como os anticorpos antifosfolípides, a pesquisa de trombofilias e a homocisteína, que pode apontar um distúrbio metabólico hereditário.

O que é feito em caso de AVC? O tratamento de emergência

No AVC isquêmico, a trombólise usa um remédio que dissolve o coágulo, aplicado na veia, em geral até 4,5 horas depois do último horário em que a pessoa estava bem, com uso estendido em alguns pacientes selecionados pela imagem. A tenecteplase, aplicada numa única injeção, vem sendo usada cada vez mais no lugar da alteplase. No SUS, o atendimento do AVC isquêmico agudo segue um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.

A trombectomia mecânica trata obstruções de vasos grandes: um cateter é levado até a artéria bloqueada do cérebro e o coágulo é retirado com um stent ou por aspiração. Pacientes selecionados se beneficiam até 24 horas depois do início, quando a imagem mostra tecido que pode ser salvo. Esses prazos mais longos são motivo de esperança, e não de espera: o resultado piora a cada hora, a maioria dos pacientes não se encaixa nos prazos tardios e só a imagem diz quem se encaixa. Ninguém deve decidir sozinho com base no relógio.

O AVC hemorrágico é tratado de outra forma: redução rápida e controlada da pressão, reversão imediata de qualquer anticoagulante e avaliação do neurocirurgião. Feitas juntas na primeira hora, essas medidas aumentam a sobrevida. Todo paciente se sai melhor numa unidade de AVC, onde a equipe avalia a deglutição antes do primeiro gole de água, controla temperatura, glicose e oxigênio e previne a pneumonia e a trombose, que causam muitos danos evitáveis.

Recuperação e reabilitação

A reabilitação começa ainda no hospital, muitas vezes em um ou dois dias. A fisioterapia reconstrói a força e a marcha; a terapia ocupacional trabalha as tarefas do dia a dia; a fonoaudiologia trata a afasia, a perda da capacidade de falar ou de entender a linguagem, e a deglutição insegura.

A capacidade do cérebro de se reorganizar é real, mas depende da quantidade e da intensidade do treino. Os três a seis primeiros meses trazem os ganhos mais rápidos, embora a melhora continue por anos. A recuperação raramente é em linha reta, e o cansaço é quase universal. A depressão depois do AVC atinge cerca de um terço dos sobreviventes, é uma consequência médica, e não falha de caráter, e tratá-la melhora a recuperação física.

O que não se pode fazer depois de um AVC?

Depois de um AVC, não se deve parar os remédios de prevenção por conta própria, voltar a fumar, beber em excesso, deixar a pressão sem controle nem dirigir antes da liberação médica. Também é importante não comer ou beber se houver dificuldade para engolir antes da avaliação da equipe. Atividade física, ao contrário, deve ser retomada aos poucos, com orientação.

Quais são as causas da dor no braço depois de um AVC?

A dor no braço do lado afetado (direito ou esquerdo) é comum depois de um AVC. As causas mais frequentes são o ombro doloroso por fraqueza dos músculos que o sustentam (que deixa a articulação “descer”), a espasticidade (músculos rígidos e contraídos), a capsulite adesiva e a dor central, causada pela própria lesão no cérebro. A fisioterapia, o posicionamento correto do braço e alguns remédios ajudam; uma dor nova e diferente deve sempre ser avaliada pelo médico.

Como prevenir um primeiro ou um novo AVC

A prevenção funciona com números. Conheça a sua pressão e trate-a até a meta. Conheça seu perfil lipídico e trate o LDL alto quando o seu risco justificar. Saiba se você tem diabetes ou pré-diabetes e pergunte se o seu ritmo cardíaco já foi avaliado, principalmente depois dos 65 anos. Pare de fumar. Faça atividade física regular, limite o sal e o álcool e investigue apneia do sono se você ronca muito.

Qual fruta evita AVC?

Nenhuma fruta sozinha evita AVC. O que protege é um padrão alimentar com bastante frutas, verduras, legumes, feijões e grãos integrais e pouco sal, ultraprocessados e carnes processadas, porque ajuda a controlar a pressão, o peso e o colesterol. Frutas ricas em potássio e fibras, como banana, laranja e outras frutas da estação, fazem parte desse padrão, mas não substituem o tratamento da pressão alta ou do colesterol.

Depois de um AVC ou AIT, a prevenção secundária depende da causa: antiagregante plaquetário na maioria dos AVCs por coágulo, anticoagulante quando há fibrilação atrial, cirurgia de carótida quando há estreitamento importante e controle rigoroso da pressão, do colesterol e da glicose. Tomar os remédios direito importa mais do que a escolha de um remédio específico, porque o período de maior risco são as semanas logo depois do primeiro evento.

Avanços científicos recentes

Trombectomia para AVCs que antes eram considerados sem tratamento. O ensaio SELECT2 sorteou 352 pacientes cujos AVCs já tinham destruído um grande volume de cérebro, um grupo que historicamente ficava fora da retirada do coágulo, para trombectomia mais tratamento clínico ou só tratamento clínico, em até 24 horas do início. O estudo foi interrompido antes por benefício: 20% dos pacientes da trombectomia estavam independentes em 90 dias, contra 7%, com mortalidade parecida (Sarraj et al., 2023). O que isso significa para você: mesmo um AVC que parece devastador na primeira imagem pode ter tratamento, então a decisão é do hospital, e não de uma avaliação feita em casa.

Um remédio mais rápido para dissolver o coágulo. O ensaio ORIGINAL sorteou 1.489 pacientes com AVC isquêmico agudo, em até 4,5 horas do início, para tenecteplase, em uma injeção, ou alteplase, infundida ao longo de uma hora. Um resultado excelente em 90 dias aconteceu em 72,7% do grupo da tenecteplase e em 70,3% do grupo da alteplase, atingindo o critério de não inferioridade, com sangramento cerebral sintomático em 1,2% de cada grupo (Meng et al., 2024). O que isso significa para você: o remédio mais novo funciona pelo menos tão bem e é mais rápido de aplicar.

Onde está o tratamento do AVC hoje. Uma revisão de 2024 na The Lancet observou que o AVC atinge até uma em cada cinco pessoas ao longo da vida em alguns países de alta renda, e que as indicações de trombectomia se ampliaram para infartos cerebrais maiores e para a oclusão da artéria basilar, com prazo de até 24 horas (Hilkens et al., 2024). O que isso significa para você: o grupo de quem pode ser tratado aumentou, então a ideia de que “já é tarde demais” muitas vezes está desatualizada.

Mitos e verdades

MitoVerdade
Tome um AAS enquanto espera ajudaCerca de um em cada sete ou oito AVCs é um sangramento, e o AAS piora o sangramento. Espere a imagem.
Se os sintomas passaram, não foi nadaIsso é um AIT, com alto risco de AVC completo nos dias seguintes. Procure avaliação no mesmo dia.
Ir de carro ao pronto-socorro economiza tempoO SAMU avisa a equipe de AVC antes e escolhe o hospital certo. O carro particular não faz nenhuma das duas coisas.
AVC só acontece com idososCerca de 10% dos casos ocorrem antes dos 55 anos, e o número entre jovens está crescendo.

Glossário

TermoSignificado
AVC isquêmicoUm coágulo bloqueando o fluxo de sangue para o cérebro; cerca de 85% dos casos.
AVC hemorrágicoAVC causado pelo rompimento de um vaso que sangra dentro ou em volta do cérebro.
Ataque isquêmico transitório (AIT)Sintomas de AVC que passam sem dano permanente; aviso de alto risco a curto prazo.
PenumbraTecido sem sangue suficiente, mas ainda salvável, em volta da área que está morrendo.
TrombóliseTratamento com um remédio que dissolve o coágulo, aplicado na veia.
TrombectomiaProcedimento com cateter que retira o coágulo de uma artéria grande do cérebro.
Último horário em que estava bemO último momento em que a pessoa foi vista normal; o relógio que define o tratamento.

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sinais de um AVC?

Os primeiros sinais são súbitos e de um lado só: boca torta, fraqueza ou dormência num braço, fala enrolada. O BE-FAST acrescenta dois alertas que o FAST simples deixa passar: perda súbita do equilíbrio e mudança súbita da visão, incluindo visão dupla ou perda da visão de um olho. Dor de cabeça súbita e forte, confusão ou dificuldade para engolir também contam. Um único sinal basta: ligue para o 192 em vez de esperar passar.

O que é um mini AVC e ele é grave?

O mini AVC é o ataque isquêmico transitório: sintomas de AVC causados por um coágulo que se desfaz sozinho, em geral em minutos. Não há nada de “mini” nele: um coágulo chegou ao seu cérebro e a causa continua lá. O risco de AVC completo é maior nas primeiras 48 horas e continua alto por semanas. Um AIT precisa de avaliação de emergência no mesmo dia, porque o tratamento urgente reduz muito a chance de um AVC incapacitante.

Quais são os tipos de AVC?

São três. O AVC isquêmico, cerca de 85% dos casos, vem de um coágulo que bloqueia uma artéria do cérebro. O AVC hemorrágico, cerca de 15%, vem de um vaso que se rompe e sangra no tecido cerebral. O ataque isquêmico transitório é um bloqueio temporário que se desfaz antes de causar dano permanente. Eles parecem iguais por fora, então só um exame de imagem diferencia, e isso decide se o tratamento para dissolver o coágulo salva vidas ou é perigoso.

Os sintomas de AVC são diferentes nas mulheres?

Muitas vezes, sim. As mulheres relatam com mais frequência sintomas fora da lista clássica: dor de cabeça súbita e forte, confusão sem explicação, fraqueza geral, náusea, desmaio ou agitação. É mais fácil atribuí-los a outra coisa, e esse é um dos motivos pelos quais as mulheres são diagnosticadas mais devagar e perdem tempo de tratamento. Condições da gravidez, como a pré-eclâmpsia, aumentam o risco. Qualquer sintoma neurológico súbito e sem explicação merece uma ligação para o 192, mesmo que não seja o quadro “de livro”.

O que envolve o tratamento do AVC?

No AVC isquêmico, o tratamento pode incluir um remédio que dissolve o coágulo, aplicado na veia, em geral até 4,5 horas depois do último horário em que a pessoa estava bem, e a trombectomia mecânica para retirar um coágulo grande com cateter, em pacientes selecionados até 24 horas depois do início. O AVC hemorrágico é tratado com controle rápido da pressão, reversão dos anticoagulantes e às vezes cirurgia. A imagem decide qual caminho seguir, e por isso a chegada ao hospital não pode esperar.

Leia também

Fontes

  • Ministério da Saúde — AVC (Acidente Vascular Cerebral) — Saúde de A a Z, gov.br, consultado em 2026 — gov.br
  • Sociedade Brasileira de AVC — Acidente Vascular Cerebral — Pacientes e familiares, avc.org.br, 2026 — avc.org.br
  • Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo — gov.br, consultado em 2026 — gov.br
  • Centers for Disease Control and Prevention — Stroke Facts — CDC, 2024 (em inglês) — cdc.gov
  • National Institute of Neurological Disorders and Stroke — Stroke — NIH/NINDS, 2024 (em inglês) — ninds.nih.gov
  • American Stroke Association — Stroke Symptoms — AHA/ASA, 2024 (em inglês) — stroke.org
  • Mayo Clinic — Stroke — Mayo Clinic, 2024 (em inglês) — mayoclinic.org
  • Sarraj A, et al. — Trial of Endovascular Thrombectomy for Large Ischemic Strokes — New England Journal of Medicine, 2023 (em inglês) — doi.org/10.1056/NEJMoa2214403
  • Meng X, et al. — Tenecteplase vs Alteplase for Acute Ischemic Stroke: The ORIGINAL Trial — JAMA, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1001/jama.2024.14721
  • Hilkens NA, et al. — Stroke — The Lancet, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1016/S0140-6736(24)00642-1

Entenda seus exames com a BloodSense

Boa parte do que define o seu risco de AVC aparece em exames de sangue de rotina muito antes de algo dar errado. Um painel de fatores de risco costuma incluir perfil lipídico, glicemia de jejum e hemoglobina glicada, hemograma completo, função dos rins e marcadores de inflamação como a proteína C reativa. Sozinhos, são números num papel; juntos, descrevem como as suas artérias estão envelhecendo.

A BloodSense lê os resultados que você envia, explica cada marcador em linguagem simples, mostra onde você está em relação aos valores de referência e destaca os padrões que vale a pena levar ao seu médico.

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