Os sintomas do câncer de ovário são reais, mas também são comuns: inchaço na barriga, sensação de estar satisfeita depois de poucas garfadas, dor na pelve ou no abdômen e vontade de urinar mais vezes. Quase toda mulher já sentiu pelo menos um deles, e é exatamente por isso que esse câncer costuma ser descoberto tarde. O sinal não é o sintoma em si, e sim o padrão: novo, persistente e frequente. No Brasil, o INCA estima 8.020 casos novos de câncer de ovário por ano no triênio 2026–2028. Neste artigo, você vai entender quais mudanças merecem consulta, por que o CA-125 não é exame de rastreamento para mulheres de risco habitual (embora seja pedido o tempo todo), qual exame detecta o câncer de ovário de fato, como os médicos confirmam ou descartam a doença, quais são as chances de cura e como é o tratamento moderno. A maioria das mulheres com essas queixas não tem câncer, e conhecer as regras reais ajuda você a agir com base em evidências, e não no medo.

O que é o câncer de ovário e onde ele realmente começa

O câncer de ovário é um grupo de doenças em que células dentro ou perto dos ovários crescem sem controle. Os ovários são dois órgãos do tamanho de uma amêndoa, no fundo da pelve, um de cada lado do útero, que liberam os óvulos e produzem a maior parte do estrogênio e da progesterona da mulher. Como ficam atrás do intestino e da bexiga, um tumor pode crescer até um tamanho surpreendente antes de apertar algo que a pessoa consiga sentir com clareza.

Os principais tipos

Segundo o INCA, o câncer de ovário é a terceira neoplasia ginecológica mais comum no Brasil, atrás do câncer do colo do útero e do endométrio, e cerca de 95% dos casos vêm das células epiteliais, que cobrem a superfície do ovário. Dentro desse grupo, o carcinoma seroso de alto grau é de longe o subtipo mais comum e mais agressivo. Existem duas famílias mais raras: os tumores de células germinativas, que aparecem em mulheres jovens e muitas vezes têm alta chance de cura, e os tumores estromais, que vêm do tecido produtor de hormônios e muitas vezes são descobertos cedo porque alteram os níveis hormonais.

Por que a tuba uterina importa

Uma das mudanças mais importantes da ginecologia foi reconhecer que a maioria dos carcinomas serosos de alto grau não começa no ovário. Eles começam na extremidade da tuba uterina (trompa) — a abertura em franjas que se estende até o ovário — e soltam células na superfície do ovário e dentro do abdômen. Isso explica por que a retirada das tubas durante outra cirurgia pélvica já programada passou a ser discutida como prevenção, e por que a doença pode se espalhar antes de o ovário parecer anormal num exame de imagem.

Sintomas do câncer de ovário: reais, mas fáceis de ignorar

A velha descrição do câncer de ovário como uma doença silenciosa não é exata: a maioria das mulheres tem sintomas antes do diagnóstico. O problema é que eles se confundem quase perfeitamente com a síndrome do intestino irritável, a perimenopausa, intolerâncias alimentares e o estresse do dia a dia. O que os diferencia é o padrão, e não a sensação.

Os quatro sintomas principais

Quatro sintomas aparecem repetidamente nas mulheres que depois recebem o diagnóstico: inchaço abdominal ou aumento visível da barriga, sensação de estar satisfeita muito rápido ao comer, dor na pelve ou no abdômen e urgência ou aumento da frequência para urinar. Outros aparecem com menos regularidade: cansaço, dor nas costas, intestino preso, dor na relação sexual e perda de peso sem explicação. O sangramento vaginal depois da menopausa é um caso à parte e nunca deve ser apenas observado.

Câncer de ovário: sintomas iniciais e o prazo que importa

Os Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, dão uma regra concreta em vez de um alerta vago: se você tem esses sinais por duas semanas ou mais e eles não são normais para você, procure um médico; se tiver sangramento vaginal fora do comum, procure imediatamente. Os médicos procuram três características juntas — o sintoma é novo para você, acontece na maioria dos dias e dura semanas, e não anos. Um inchaço que você tem todo verão há dez anos se comporta de forma diferente de um inchaço que começou há seis semanas.

SintomaGeralmente não preocupa quandoMerece consulta quando
Inchaço ou barriga maiorVai e volta com as refeições, o ciclo ou o estresse, e é assim há anosÉ novo, está presente na maioria dos dias há duas semanas ou mais, e as roupas passaram a apertar
Satisfeita rápidoAcontece depois de uma refeição grande ou pesadaPorções pequenas agora parecem demais, na maioria dos dias, há duas semanas ou mais
Dor na pelve ou no abdômenÉ cíclica e segue um padrão conhecido, como a cólica menstrualÉ nova, persistente e não acompanha o ciclo
Urgência ou frequência para urinarAparece depois de café, mais líquidos ou de uma infecção tratadaPersiste sem infecção encontrada e sem gatilho óbvio
Sangramento vaginal depois da menopausaNunca — sempre merece avaliaçãoImediatamente, sem esperar duas semanas

Nada disso significa câncer. Inchaço e dor pélvica são muito mais vezes causados por condições benignas, e uma das mais frequentes é a endometriose; temos também um guia completo sobre os sintomas e o tratamento da endometriose. O ponto é que um padrão que dura duas semanas merece uma conversa com o médico, e não uma busca na internet.

A verdade sobre o CA-125: o que esse exame de sangue pode e não pode fazer

Muitas mulheres pedem ao médico um CA-125 “para ver se tem câncer de ovário”. É um dos pedidos mais razoáveis à primeira vista na medicina, e um dos mais mal compreendidos. O CA-125 é uma proteína liberada por muitas células que revestem as cavidades do corpo. As células do câncer de ovário muitas vezes produzem bastante dela — mas muitas condições inofensivas também.

Por que ele não é exame de rastreamento

Rastreamento significa testar pessoas que se sentem completamente bem para encontrar a doença cedo. O CA-125 falha nisso de duas formas. O valor é normal em uma parte importante dos cânceres de ovário iniciais, então um número tranquilizador não significa que os ovários estão livres. E ele sobe em tantas situações não cancerosas que a maioria dos resultados alterados em mulheres saudáveis é alarme falso, e cada um pode levar a exames de imagem, ansiedade e às vezes cirurgia em uma mulher que nunca teve câncer.

Isso não é questão de opinião. O maior estudo randomizado de rastreamento já feito testou o CA-125 anual, com ultrassom em seguida, em mais de duzentas mil mulheres na pós-menopausa. Ele encontrou mais cânceres em estágio mais inicial, mas, depois de um longo acompanhamento, não reduziu as mortes pela doença. Com base nessa evidência, a recomendação da US Preventive Services Task Force sobre o rastreamento do câncer de ovário desaconselha rastrear mulheres sem sintomas e sem síndrome hereditária de alto risco conhecida. O CDC é direto: não existe forma confiável de rastrear o câncer de ovário em mulheres sem sintomas, e o exame preventivo (Papanicolau) também não o detecta. No Brasil, o Ministério da Saúde não tem programa de rastreamento do câncer de ovário — os rastreamentos oferecidos pelo SUS para mulheres são os do câncer do colo do útero e de mama.

O que mais aumenta o CA-125

Causa comum não cancerosa de CA-125 altoPor que acontece
EndometrioseO tecido irritado na pelve libera a mesma proteína
Miomas uterinosCrescimentos musculares benignos inflamam o revestimento ao redor
Doença inflamatória pélvicaA infecção inflama as tubas e as superfícies da pelve
MenstruaçãoA renovação normal do revestimento do útero aumenta o valor temporariamente
GravidezA placenta e o útero produzem a proteína
Doença do fígado e líquido no abdômenA irritação do revestimento do abdômen aumenta a liberação

Por causa dessa lista, um único valor alto em uma mulher antes da menopausa é um sinal fraco por si só. Quem está tentando entender um laudo que já tem em mãos pode consultar uma explicação simples sobre o resultado do CA-125.

Onde o CA-125 realmente tem valor

O exame tem duas funções sólidas. Ele acompanha a doença conhecida: depois do diagnóstico, a tendência do CA-125 ao longo do tempo mostra se o tratamento está funcionando e pode sinalizar a volta do câncer. E ele ajuda a avaliar uma massa pélvica já encontrada na imagem, sendo lido junto com o aspecto no ultrassom e com a fase da vida (antes ou depois da menopausa). Uma terceira função, mais restrita, é o acompanhamento de mulheres com mutação de alto risco conhecida. Em mulheres jovens com suspeita de tumor de células germinativas, os médicos pedem outros marcadores: o beta-hCG, a alfafetoproteína (AFP) e a LDH.

Fatores de risco, genes e por que testar todas as diagnosticadas

A maioria das mulheres que têm câncer de ovário não tem nenhum fator de risco evidente além da idade. O risco sobe depois dos 50 anos e é maior depois da menopausa, um dos motivos pelos quais sintomas pélvicos novos nessa fase são levados a sério; quem está nessa transição também pode consultar os sintomas e as fases da menopausa.

BRCA1, BRCA2 e síndrome de Lynch

Alterações herdadas nos genes BRCA1 e BRCA2 são os fatores de risco conhecidos mais fortes. Esses genes normalmente ajudam a reparar o DNA danificado; quando uma cópia vem defeituosa desde o nascimento, as células acumulam danos com mais facilidade. As portadoras têm um risco bem maior, ao longo da vida, de câncer de ovário, de tuba uterina e de mama, e é por isso que esses cânceres se concentram em algumas famílias. Nosso artigo complementar trata do câncer de mama: sintomas e tratamento. A síndrome de Lynch, mais conhecida por aumentar o risco de câncer de intestino e de útero, também aumenta o risco no ovário e merece ser lembrada quando vários cânceres aparecem na mesma família.

Por que o teste genético é oferecido a todas as diagnosticadas

A prática internacional recomenda o teste genético germinativo para toda mulher com câncer de ovário epitelial, independentemente da idade ou da história familiar, por dois motivos. O resultado muda o tratamento, porque tumores com falha no reparo do DNA respondem especialmente bem a uma classe de remédios explicada mais abaixo. E muda a família, porque uma mutação confirmada permite que irmãs, filhas e mães façam o teste e considerem cirurgia redutora de risco ou acompanhamento mais próximo. Pergunte à sua equipe como o teste é oferecido no seu serviço, pelo SUS ou pelo plano de saúde.

Outros fatores que mudam as chances

O risco é um pouco maior com endometriose, obesidade, nunca ter engravidado, primeira menstruação precoce ou menopausa tardia e terapia hormonal prolongada depois da menopausa. O INCA também cita a exposição à radiação no trabalho, como em serviços de radiologia, reforçando a importância dos equipamentos de proteção. O risco é um pouco menor com gravidez e amamentação, alguns anos de uso de anticoncepcional oral combinado e cirurgia nas tubas. São tendências populacionais, e não previsões.

Qual exame detecta o câncer de ovário? Como o diagnóstico é feito

Nenhum exame isolado detecta o câncer de ovário com certeza: o diagnóstico é uma sequência que começa no ultrassom transvaginal e só se confirma com a análise do tecido. Conhecer essa sequência tira muita incerteza.

O caminho, passo a passo

  1. Avaliação clínica, com exame ginecológico, para caracterizar os sintomas e palpar uma possível massa.
  2. Ultrassom transvaginal, o exame de imagem de primeira linha, que mostra os ovários e descreve qualquer massa — tamanho, se é líquida ou sólida e quanto fluxo de sangue tem.
  3. Exames de sangue. Os médicos costumam pedir o CA-125 junto com o hemograma completo, além de exames de função dos rins e do fígado que incluem a dosagem de albumina.
  4. Tomografia do abdômen e da pelve se a massa parecer preocupante, para procurar disseminação e planejar a cirurgia.
  5. Cirurgia, que é ao mesmo tempo a etapa definitiva do diagnóstico e o primeiro tratamento, porque só o tecido analisado ao microscópio confirma o diagnóstico e o subtipo.

A doença avançada também pode baixar as hemácias, e é por isso que algumas mulheres só chegam a esses exames depois de o médico identificar uma anemia por deficiência de ferro.

Qual o tratamento para O-RADS 4 no ovário?

O-RADS 4 não é um diagnóstico de câncer nem tem um “tratamento” próprio: é uma classificação do ultrassom que indica uma massa de risco intermediário de malignidade. O passo habitual é completar a avaliação — às vezes com ressonância magnética e CA-125 — e encaminhar a paciente a um ginecologista com formação em oncologia, que decide se a massa deve ser operada e como. Muitas massas O-RADS 4 acabam sendo benignas, mas a cirurgia, quando indicada, deve ser planejada como se pudesse ser câncer.

Por que o cirurgião importa

Se a imagem e os exames de sangue sugerem que uma massa pode ser maligna, a operação deve ser planejada e feita por um cirurgião oncológico ginecológico — um especialista treinado nos cânceres dos órgãos reprodutivos femininos. A orientação do CDC sobre o tratamento do câncer de ovário recomenda que as mulheres peçam esse encaminhamento, e os resultados são sempre melhores quando a primeira cirurgia é completa e o estadiamento é correto. No SUS, esse tratamento é feito em hospitais habilitados em oncologia.

Estadiamento

O estágio é definido durante a cirurgia, e não antes. No estágio I, a doença está restrita a um ou aos dois ovários ou tubas; no II, espalhou-se dentro da pelve; no III, o mais comum no diagnóstico, atinge o revestimento do abdômen ou os linfonodos; no IV, chegou a órgãos distantes, como fígado ou pulmões. O estágio orienta a intensidade do tratamento, mas não decide a história de ninguém.

Tratamento: cirurgia, quimioterapia e remédios-alvo

Cirurgia e quimioterapia

O tratamento padrão combina a cirurgia citorredutora — retirar o máximo possível de tumor visível, geralmente incluindo ovários, tubas, útero e o avental de gordura chamado omento — com quimioterapia à base de platina, quase sempre carboplatina e paclitaxel. Quando a doença é extensa, a quimioterapia pode vir primeiro e continuar depois da cirurgia. Mulheres jovens com doença inicial de subtipo favorável às vezes podem manter um ovário e o útero para preservar a fertilidade.

Quantas quimioterapias são necessárias para câncer de ovário?

No tratamento inicial, a quimioterapia com carboplatina e paclitaxel costuma ser feita em vários ciclos, espaçados ao longo de alguns meses e divididos antes e depois da cirurgia quando a quimioterapia vem primeiro. O número exato varia com o estágio, o subtipo e a resposta, e é definido pela equipe de oncologia.

Inibidores de PARP e o teste de HRD

A maior mudança da última década é o tratamento de manutenção com inibidores de PARP — remédios como olaparibe, niraparibe e rucaparibe, que bloqueiam uma via “reserva” de reparo do DNA. As células do câncer com falha no reparo, incluindo as que têm mutação BRCA, dependem muito dessa reserva; tirá-la faz a célula não sobreviver. Por isso, os tumores são testados para deficiência de recombinação homóloga, a HRD, uma descrição laboratorial dessa fraqueza no reparo. As mulheres cujos tumores mostram HRD são as que mais ganham, e é por isso que o teste hoje molda o plano de tratamento.

Acompanhamento e monitoramento

Depois do tratamento, o acompanhamento combina consultas, exames de imagem quando indicados e a dosagem de CA-125 nas mulheres em que ele estava alto no diagnóstico. Aqui o marcador faz o seu trabalho de verdade, porque uma tendência de alta em quem já teve a doença significa algo muito diferente de um número isolado em uma mulher saudável.

Quando procurar um médico

Os sintomas de câncer de ovário se confundem com dezenas de condições inofensivas, então use um caminho de decisão em vez de uma lista sem fim.

  • Sangramento vaginal fora do comum, principalmente depois da menopausa: procure um médico agora, sem esperar.
  • Inchaço, saciedade precoce, dor pélvica ou urgência urinária que são novos para você e aparecem na maioria dos dias há duas semanas ou mais: marque uma consulta e descreva o padrão, e não só o sintoma.
  • Parente de primeiro grau com câncer de ovário, de tuba, de peritônio ou de mama em idade jovem, ou mutação BRCA ou de Lynch conhecida na família: peça encaminhamento para aconselhamento genético, mesmo se sentindo bem.
  • Dor pélvica súbita e forte, vômitos ou barriga que incha rápido em poucos dias: procure atendimento de urgência, pois pode ser torção do ovário ou acúmulo de líquido. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192).
  • Massa pélvica já encontrada em exame: pergunte especificamente se um especialista em oncologia ginecológica deve avaliá-la antes de qualquer cirurgia.

Na consulta, leve datas: dizer que algo começou no início de junho e acontece quase todos os dias ajuda o médico muito mais do que falar vagamente de um inchaço recente.

Avanços científicos recentes

A pesquisa avançou rápido, mas nem sempre na direção que as pessoas esperam. Veja o que os estudos recentes realmente mostram.

O rastreamento ainda não salva vidas em quem tem risco habitual

O maior ensaio randomizado de rastreamento do câncer de ovário já feito acompanhou mais de duzentas mil mulheres na pós-menopausa com CA-125 anual e ultrassom em seguida. Ele antecipou o estágio de alguns cânceres, mas, no acompanhamento longo, não reduziu as mortes. Uma revisão de 2024 chegou à mesma conclusão ao analisar todas as evidências randomizadas. O que isso significa para você: se você se sente bem e não tem condição hereditária de alto risco, um CA-125 anual de rotina não é um atalho para a segurança, e um resultado normal não deve impedir você de relatar depois sintomas novos.

A tuba uterina virou o alvo da prevenção

Uma revisão de 2024 sobre a epidemiologia mundial do câncer de ovário confirmou que a maioria dos carcinomas serosos de alto grau começa na tuba uterina e defendeu que retirar as tubas durante outra cirurgia programada é uma oportunidade real de prevenção. Um grande estudo canadense, que comparou dezenas de milhares de mulheres que retiraram as tubas com mulheres semelhantes que não retiraram, ainda não mostrou queda clara dos cânceres, mas os pesquisadores observaram que houve poucos casos e que o acompanhamento ainda é curto. O dado continua preliminar. O que isso significa para você: se você já vai fazer uma histerectomia ou uma laqueadura, é razoável perguntar ao cirurgião se retirar as tubas é adequado no seu caso.

Os remédios de manutenção funcionam melhor quando o tumor é testado

Dois grandes ensaios internacionais publicaram recentemente os resultados finais de sobrevida. Em um deles, acrescentar niraparibe como manutenção depois da quimioterapia inicial atrasou claramente a volta do câncer, mas a análise final não mostrou que as mulheres viveram mais no total. No outro, a combinação de olaparibe com bevacizumabe deu uma vantagem de sobrevida importante especificamente às mulheres cujos tumores tinham HRD, enquanto as mulheres sem essa característica não ganharam da mesma forma. O que isso significa para você: perguntar se o tumor foi testado para HRD e para alterações BRCA é uma pergunta prática, porque a resposta pode decidir qual remédio de manutenção vale a pena.

A resistência é o próximo problema em estudo

Uma revisão de 2025 investigou por que os inibidores de PARP param de funcionar em muitas mulheres que inicialmente responderam, mapeando as rotas de fuga que as células do câncer usam para recuperar o reparo do DNA. Ainda não saiu nenhum tratamento novo disso. O que isso significa para você: isso explica por que os oncologistas acompanham o tratamento de perto e mudam o plano quando um marcador ou um exame de imagem começa a se mexer, e por que vale discutir estudos clínicos em vez de deixá-los como último recurso.

Glossário

TermoDefinição
Massa anexialNódulo encontrado na região do ovário ou da tuba uterina. A maioria é cisto benigno, mas a descrição no ultrassom orienta o próximo passo.
AsciteLíquido acumulado no abdômen, que causa inchaço e sensação de pressão. Tem muitas causas, incluindo doença do fígado e câncer avançado.
BRCA1 e BRCA2Dois genes que ajudam a reparar o DNA danificado. Defeitos herdados em qualquer um deles aumentam o risco de câncer de ovário, de tuba e de mama ao longo da vida.
CA-125Antígeno do câncer 125, proteína medida no sangue. Útil para acompanhar o câncer de ovário conhecido e avaliar uma massa pélvica, e não para rastrear mulheres saudáveis.
Cirurgia citorredutoraOperação para retirar o máximo possível de tumor visível, o que melhora o efeito da quimioterapia depois.
Oncologista ginecológicoEspecialista com formação adicional nos cânceres dos órgãos reprodutivos femininos, incluindo ovário, útero e colo do útero.
Carcinoma seroso de alto grauO subtipo mais comum e mais agressivo do câncer de ovário epitelial. Hoje se acredita que a maioria dos casos começa na tuba uterina.
Deficiência de recombinação homólogaAbreviada como HRD. Achado laboratorial de que o tumor não consegue reparar bem as quebras do DNA, o que o torna mais sensível à platina e aos inibidores de PARP.
Síndrome de LynchCondição hereditária que aumenta o risco de câncer de intestino, de útero e de ovário, causada por defeitos em genes que corrigem erros de cópia do DNA.
Ultrassom transvaginalExame de imagem feito com um transdutor fino colocado na vagina, que dá uma visão próxima e detalhada dos ovários, das tubas e do útero.

Perguntas frequentes

O preventivo (Papanicolau) detecta câncer de ovário?

Não. O Papanicolau colhe células do colo do útero e foi feito para encontrar alterações causadas pelo HPV. Ele não chega aos ovários nem às tubas, e o CDC afirma claramente que ele não rastreia o câncer de ovário. Esse é um dos mal-entendidos mais comuns e mais sérios da saúde da mulher, porque um preventivo normal pode dar uma falsa tranquilidade. Uma mulher com preventivo normal e inchaço novo e persistente, saciedade precoce ou dor pélvica ainda precisa que esses sintomas sejam avaliados por si mesmos.

Um exame de sangue de rotina ou o hemograma detectam câncer de ovário?

Não diretamente. O hemograma mede hemácias, leucócitos e plaquetas, e nenhum desses valores identifica o câncer de ovário. Ele pode mostrar pistas indiretas, como anemia por sangramento crônico ou plaquetas altas, que às vezes acompanham a doença avançada, mas esses achados são inespecíficos e aparecem em muitas condições. Os exames bioquímicos de rotina se comportam da mesma forma. Os exames de sangue apoiam um diagnóstico; não o fazem sozinhos. A imagem e, no fim, o tecido analisado ao microscópio é que confirmam o câncer de ovário.

Como verificar câncer de ovário em casa?

Não existe teste caseiro nem autoexame confiável para o câncer de ovário, e nenhum suplemento, dieta ou kit muda isso. Os ovários ficam fundo demais na pelve para serem sentidos pela barriga na maioria das mulheres. O que você pode fazer de útil em casa é acompanhar o padrão: anotar quando o sintoma começou, quantos dias por semana ele aparece e se está mudando. Esse registro escrito é realmente útil para o médico e é o mais próximo de uma verificação caseira com sentido.

O ultrassom detecta câncer de ovário?

O ultrassom transvaginal é o melhor primeiro exame de imagem e pode mostrar uma massa no ovário e descrever características que preocupam, como áreas sólidas, paredes internas grossas ou mais fluxo de sangue. Ele não consegue, porém, provar que uma massa é câncer. Muitas massas que ele encontra são cistos benignos que somem sozinhos. O resultado do ultrassom é combinado com os sintomas, a fase da vida e os exames de sangue para decidir se é preciso mais imagem ou cirurgia, e só a análise do tecido dá uma resposta definitiva.

Quais as chances de cura de câncer de ovário?

Muitas mulheres são curadas, principalmente quando a doença é encontrada ainda restrita ao ovário ou à tuba, e os resultados nesse estágio costumam ser muito bons. A doença avançada é mais difícil e volta com frequência depois do tratamento inicial, mas é cada vez mais tratada como uma condição que pode ser controlada por anos, e não como um evento único. A qualidade da cirurgia, a quimioterapia com platina e a manutenção guiada pelo teste genético melhoraram as perspectivas. O prognóstico depende do estágio, do subtipo, das características genéticas e da saúde geral, e só a sua equipe de oncologia pode juntar essas peças.

Quantos anos uma pessoa vive com câncer de ovário?

Não existe um número que valha para todas. A sobrevida varia muito com o estágio no diagnóstico: é alta quando a doença está restrita ao ovário e menor nos estágios avançados, em que muitas mulheres vivem anos com a doença controlada graças à cirurgia, à quimioterapia e aos remédios de manutenção. As estatísticas descrevem grupos do passado, e os tratamentos atuais tendem a melhorar esses números.

Qual é a taxa de mortalidade por câncer de ovário no Brasil?

O câncer de ovário tem letalidade alta em relação ao número de casos, porque a maioria é descoberta em fase avançada. Os dados oficiais de mortalidade por câncer no Brasil são publicados pelo INCA e pelo Atlas On-line de Mortalidade do Ministério da Saúde; como os números mudam a cada ano, consulte a publicação mais recente em vez de confiar em valores antigos que circulam na internet.

Fontes

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Estimativa 2026–2028: síntese de resultados e comentários (câncer de ovário) — Ministério da Saúde, 2026 — gov.br/inca
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de ovário — Ministério da Saúde — gov.br/inca
  • Centers for Disease Control and Prevention (EUA) — Rastreamento do câncer de ovário (Screening for Ovarian Cancer), 2024 — cdc.gov
  • MedlinePlus, National Library of Medicine (EUA) — Exame de sangue CA-125 (câncer de ovário), 2024 — medlineplus.gov
  • Mayo Clinic (EUA) — Câncer de ovário: sintomas e causas, 2024 — mayoclinic.org
  • Menon U, Gentry-Maharaj A, Burnell M, et al. — Rastreamento populacional do câncer de ovário e mortalidade após acompanhamento longo no UK Collaborative Trial of Ovarian Cancer Screening (UKCTOCS): ensaio randomizado — The Lancet, 2021 — doi.org/10.1016/S0140-6736(21)00731-5
  • Sideris M, Menon U, Manchanda R — Rastreamento e prevenção do câncer de ovário — Medical Journal of Australia, 2024 — doi.org/10.5694/mja2.52227
  • Webb PM, Jordan SJ — Epidemiologia mundial do câncer de ovário epitelial — Nature Reviews Clinical Oncology, 2024 — doi.org/10.1038/s41571-024-00881-3
  • Giannakeas V, Murji A, Lipscombe LL, Narod SA, Kotsopoulos J — Salpingectomia e risco de câncer de ovário em Ontário — JAMA Network Open, 2023 — doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2023.27198
  • Monk BJ, Barretina-Ginesta MP, Pothuri B, et al. — Niraparibe como manutenção de primeira linha no câncer de ovário avançado recém-diagnosticado: resultados finais de sobrevida global do estudo PRIMA/ENGOT-OV26/GOG-3012 — Annals of Oncology, 2024 — doi.org/10.1016/j.annonc.2024.08.2241
  • Ray-Coquard I, Leary A, Pignata S, et al. — Olaparibe com bevacizumabe como manutenção de primeira linha no câncer de ovário: resultados finais de sobrevida global do estudo PAOLA-1/ENGOT-ov25 — Annals of Oncology, 2023 — doi.org/10.1016/j.annonc.2023.05.005
  • Kulkarni S, Seneviratne N, Tosun C, et al. — Inibidores de PARP no câncer de ovário: mecanismos de resistência e implicações para o tratamento — DNA Repair, 2025 — doi.org/10.1016/j.dnarep.2025.103830

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