O lipidograma, também chamado de perfil lipídico ou “colesterol total e frações”, é o exame de sangue que mede as gorduras que circulam no seu sangue, e é um dos motivos mais comuns para fazer uma coleta no Brasil. O laudo costuma trazer quatro números, colesterol total, LDL, HDL e triglicérides, muitas vezes com o colesterol não-HDL e o VLDL calculados. Sozinhos, esses números dizem pouco. Lidos juntos, e colocados ao lado da sua idade, pressão, histórico familiar e hábitos, eles mostram o quanto as suas artérias estão sob pressão e quanto espaço você tem para mudar o rumo. Neste artigo você vai entender o que cada linha do lipidograma mede, quais valores de referência a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) usa desde 2025, por que um único valor alterado raramente decide alguma coisa, como se preparar (com ou sem jejum) e quais exames o médico pode acrescentar quando o perfil padrão deixa dúvidas.

O que o lipidograma mede de fato

Gordura não se dissolve no sangue. Para viajar, ela vai dentro de esferas revestidas de proteína, as lipoproteínas, e são essas partículas, e não o colesterol solto, que o laboratório quantifica. Cada tipo de partícula se comporta de um jeito quando chega à parede da artéria, e por isso o exame as separa, em vez de informar um único número de gordura.

A lipoproteína de baixa densidade (LDL) leva o colesterol do fígado para os tecidos. Quando há partículas demais circulando, algumas entram na parede da artéria e começam o lento processo de formação de placas que está por trás da maioria dos infartos e de muitos AVCs. Veja como esse valor pesa no risco a longo prazo no nosso guia do colesterol LDL.

A lipoproteína de alta densidade (HDL) trabalha no sentido contrário, recolhendo o colesterol em excesso e devolvendo-o ao fígado para ser eliminado. Valores mais altos foram lidos historicamente como protetores, mas o quadro é mais complexo do que o velho apelido de “colesterol bom” sugere. Compare o seu número com os valores esperados no nosso guia do colesterol HDL.

Os triglicérides são a forma de armazenamento da gordura, montados depois das refeições e liberados entre elas como energia. Eles sobem bastante depois de comer, respondem rápido ao álcool e aos carboidratos refinados e aumentam quando a insulina não funciona bem. Veja o que faz esse valor subir e descer no nosso guia dos triglicerídeos no sangue.

O colesterol total soma tudo. É útil como número de triagem e quase inútil como meta, porque um total alto pode vir de um HDL protetor tanto quanto de um LDL nocivo. Reveja o que esse número-resumo diz e não diz no nosso guia do colesterol total.

Como ler o lipidograma linha por linha: valores de referência

Como saber se o lipidograma está bom? No Brasil, os lípides são informados em miligramas por decilitro (mg/dL). Muitos outros países usam milimoles por litro (mmol/L), e um resultado copiado de um laudo estrangeiro parece cerca de quarenta vezes menor. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da SBC, define os valores referenciais e as metas que devem aparecer nos laudos. A tabela resume os valores para adultos; as metas de LDL e não-HDL dependem do seu risco cardiovascular.

MedidaCom jejum de 12 horasSem jejumObservação
Colesterol totalAbaixo de 190 mg/dLAbaixo de 190 mg/dLValor referencial desejável
TriglicéridesAbaixo de 150 mg/dLAbaixo de 175 mg/dLO único valor com referência diferente sem jejum
HDL-colesterolAcima de 40 mg/dLAcima de 40 mg/dLA diretriz não propõe metas de tratamento para o HDL
LDL-colesterol (meta)Abaixo de 115 (risco baixo), 100 (intermediário), 70 (alto), 50 (muito alto) ou 40 mg/dL (extremo)A meta depende da categoria de risco
Não-HDL-colesterol (meta)Abaixo de 145 (risco baixo), 130 (intermediário), 100 (alto), 80 (muito alto) ou 70 mg/dL (extremo)Meta coprimária, junto com o LDL

Para comparar com a população, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2014-2015, que colheu sangue de mais de 8 mil adultos, encontrou média de colesterol total de 185 mg/dL e de LDL de 105 mg/dL; cerca de uma em cada três pessoas tinha colesterol total acima de 200 mg/dL, e uma em cada cinco, LDL acima de 130 mg/dL.

Como ler o LDL no contexto

A coisa mais importante sobre o LDL é que não existe uma meta universal. Um adulto sem outros fatores de risco com LDL de 130 mg/dL está em situação muito diferente de alguém com o mesmo valor que já teve um infarto, vive com diabetes ou tem pai que fez ponte de safena aos cinquenta anos. As diretrizes de cardiologia definem metas progressivamente mais baixas conforme o risco de base sobe, e por isso duas pessoas podem receber conselhos opostos com números idênticos.

Tradicionalmente, os laboratórios calculavam o LDL a partir dos outros três valores (fórmula de Friedewald), em vez de medi-lo. Esse cálculo perde precisão quando os triglicérides estão altos ou quando a amostra foi colhida pouco depois de uma refeição, e por isso a SBC recomenda a fórmula de Martin, que usa um divisor ajustado aos triglicérides; acima de 800 mg/dL de triglicérides, mesmo essa fórmula pode subestimar o LDL, e o não-HDL passa a ser preferido.

Como ler o HDL sem exagerar

Um HDL baixo é um sinal de alerta real e costuma andar junto com triglicérides altos, gordura abdominal e menor sensibilidade à insulina. Já um HDL alto não é licença para ignorar o resto do laudo. Os estudos que tentaram subir o HDL com remédios fracassaram repetidamente em reduzir infartos, e a diretriz da SBC recomenda contra o tratamento com remédio com o objetivo de aumentar o HDL. Hoje ele é tratado como marcador de risco, e não como alvo de tratamento.

Como ler os triglicérides depois de uma refeição

Os triglicérides são o número mais instável do exame. Um jantar pesado, duas taças de vinho ou uma noite mal dormida podem mexer bastante no resultado, então uma alta isolada costuma ser conferida antes de qualquer conclusão. Valores de 500 mg/dL ou mais mudam a conversa do risco do coração para a segurança do pâncreas, porque triglicérides muito altos podem provocar inflamação do pâncreas; nessa situação, a SBC define como meta manter os triglicérides abaixo de 500 mg/dL. Entenda melhor essa complicação no nosso guia de causas e tratamento da pancreatite.

Colesterol não-HDL, VLDL e as relações

O colesterol não-HDL é simplesmente o colesterol total menos o HDL. Em um número só, ele reúne todas as partículas capazes de depositar colesterol na parede da artéria, inclusive os restos ricos em triglicérides que o LDL isolado não pega. Ele é calculado automaticamente, não depende do jejum e, pela diretriz de 2025, é meta coprimária junto com o LDL, sobretudo em quem tem triglicérides altos. O VLDL, que muitos laudos brasileiros ainda trazem, é uma estimativa da fração rica em triglicérides. A relação colesterol total/HDL tem papel parecido de resumo; quanto menor, em geral, melhor.

Qual nível de LDL é preocupante?

Depende do seu risco. Para quem tem risco baixo, a meta é LDL abaixo de 115 mg/dL, e a diretriz considera tratamento com remédio se o LDL ficar persistentemente em 145 mg/dL ou mais. Um LDL de 190 mg/dL ou mais em adulto, sem causa secundária, levanta a suspeita de hipercolesterolemia familiar e pede avaliação em qualquer idade.

O que o lipidograma diz sobre o seu risco cardiovascular

O colesterol não causa sintomas. Um LDL alto não se sente até que uma artéria estreite o bastante para causar dor no peito ou feche de repente. Esse silêncio é exatamente a razão de ser do exame: é um dos poucos exames de rotina que sinaliza um problema anos ou décadas antes de ele se anunciar.

O que o exame mede é exposição, não destino. O acúmulo de partículas que carregam colesterol nas paredes das artérias é o processo por trás dos sintomas e causas da aterosclerose, e ele avança em silêncio por anos. O mesmo processo, mais adiante, produz a doença arterial coronariana, com seus sintomas e tratamentos, e contribui para muitos casos de AVC isquêmico.

Por isso nenhum médico lê o lipidograma sozinho. Calculadoras de risco combinam os lípides com idade, sexo, tabagismo, pressão e diabetes para estimar a probabilidade de um evento cardiovascular na próxima década; para pessoas de 30 a 79 anos sem doença cardiovascular, a diretriz brasileira de 2025 recomenda o escore PREVENT. Um LDL moderadamente alto em um não fumante saudável de quarenta anos pode pedir só atenção à alimentação e um novo exame, enquanto o mesmo valor em alguém que convive com pressão alta, seus sintomas e causas e glicose alta pode justificar remédio de imediato.

Exames que o médico pode acrescentar ao lipidograma

Os quatro valores clássicos respondem à maioria das perguntas, mas não a todas. Quando o histórico familiar parece pesado demais, quando um infarto acontece cedo ou quando os números padrão tranquilizam mas o quadro clínico não, alguns exames extras afinam a estimativa.

A apolipoproteína B conta as partículas, e não o colesterol que elas carregam. Como cada partícula aterogênica carrega exatamente uma apoB, a medida capta diretamente a carga de partículas e pode revelar um risco escondido atrás de um LDL de aparência comum; a diretriz da SBC a recomenda como meta complementar. Saiba mais no nosso guia do exame de apolipoproteína B.

A lipoproteína(a) é em grande parte herdada e quase não responde à alimentação ou ao exercício, o que faz dela uma medida feita, para a maioria das pessoas, uma vez na vida, e não um valor a acompanhar. A diretriz brasileira de 2025 recomenda dosá-la uma vez na vida em todos os adultos, quando disponível, e considera abaixo de 75 nmol/L (30 mg/dL) o valor usado na estratificação de risco. Veja quem se beneficia do exame no nosso guia da lipoproteína(a). Os marcadores de inflamação acrescentam outra dimensão, e muitos serviços de prevenção pedem a proteína C reativa ultrassensível junto com os lípides.

O que tira os lípides do alvo

A genética define o ponto de partida. A hipercolesterolemia familiar, condição herdada que produz LDL muito alto desde a infância e ainda é muito subdiagnosticada, afetou cerca de 1 em cada 263 participantes do estudo brasileiro ELSA-Brasil, com frequência maior em pessoas pretas e pardas. Fora desse cenário, os fatores que mais pesam são os que você consegue influenciar.

  • A composição da dieta importa mais que o colesterol dos alimentos em si. Gordura saturada, amido refinado e álcool sobem os números com muito mais segurança do que os ovos jamais subiram.
  • Peso corporal e atividade física mudam triglicérides e HDL rapidamente, muitas vezes em semanas; segundo a SBC, perder de 8 a 10 % do peso se associa a queda de 5 a 10 mg/dL no LDL, de 20 a 30 mg/dL nos triglicérides e a aumento de 3 a 5 mg/dL no HDL.
  • O controle da glicose está muito ligado aos lípides: a resistência à insulina costuma subir os triglicérides e baixar o HDL bem antes de a glicose ficar alterada. Acompanhe essa ligação no nosso guia da glicemia de jejum.
  • A tireoide lenta sobe o LDL e é uma das causas secundárias checadas antes de iniciar tratamento; veja o que o valor de triagem significa no nosso guia do exame de TSH.
  • Doenças dos rins e do fígado, gravidez, corticoides, alguns diuréticos e certas terapias hormonais mexem no perfil em direções previsíveis.

Como tantas condições influenciam os lípides, um lipidograma alterado muitas vezes leva a um olhar mais amplo sobre a saúde metabólica, e não a uma receita imediata. Alterações persistentes costumam aparecer junto com os primeiros distúrbios no manejo da glicose.

Beber água ajuda a baixar o colesterol alto?

Não diretamente. Beber água é bom para a saúde, mas não há evidência de que baixe o colesterol. O que baixa o LDL e os triglicérides são as mudanças de alimentação, atividade física, peso e álcool descritas acima e, quando indicado, os remédios.

Lipidograma precisa de jejum? Preparo e quando repetir

O jejum já foi automático. Desde o consenso brasileiro de 2016 sobre a determinação do perfil lipídico, assinado por SBPC/ML, SBC, SBD, SBEM e SBAC, e agora pela diretriz de 2025, é aceitável colher o lipidograma sem jejum na avaliação inicial, porque colesterol total, HDL, LDL e não-HDL quase não mudam depois de uma refeição; o laboratório deve informar no laudo se a coleta foi feita com ou sem jejum. Se os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL em uma amostra sem jejum, a orientação é nova coleta com jejum de 12 horas, a critério do médico. Se o seu médico pedir jejum, siga o tempo indicado; água e, em geral, os remédios de uso contínuo são permitidos.

Qual exame de sangue exige 12h de jejum?

Hoje, poucos. O jejum de 12 horas é pedido principalmente para repetir os triglicérides quando eles vêm muito altos sem jejum, ou quando o médico quer a dosagem em jejum por outro motivo. A glicemia de jejum pede de 8 a 12 horas, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, e cada laboratório tem as suas regras para outros exames. Na dúvida, siga a orientação do laboratório e do seu médico.

É necessário jejum para o exame de triglicérides?

Não para a avaliação inicial: a SBC aceita a dosagem sem jejum, com valor de referência abaixo de 175 mg/dL nesse caso, contra abaixo de 150 mg/dL em jejum. O jejum volta a ser pedido quando os triglicérides passam de 440 mg/dL sem jejum ou quando decisões de tratamento dependem desse número.

Sobre a frequência, a SBC recomenda dosar o perfil lipídico completo em todas as crianças entre 9 e 11 anos e novamente entre 17 e 21 anos, e a partir dos 2 anos em crianças com fatores de risco. Em adultos saudáveis, o médico define o intervalo conforme o risco; os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) sugerem a cada quatro a seis anos. Quem tem diabetes, doença cardíaca estabelecida, histórico familiar forte ou mudou de remédio recentemente faz o exame bem mais vezes, em geral a cada três a doze meses.

Dois cuidados práticos facilitam comparar resultados ao longo do tempo. Use o mesmo laboratório quando possível, porque as faixas e os métodos de cálculo mudam entre eles. E evite fazer o exame nas cerca de seis semanas depois de uma doença aguda, cirurgia ou infarto, porque a inflamação baixa temporariamente o colesterol e pode fazer um LDL de fato alto parecer normal; a SBC recomenda colher idealmente em condição metabólica estável. Pelo SUS, o lipidograma é pedido na consulta da Unidade Básica de Saúde; pelo plano de saúde, depende do pedido médico.

Quando conversar com o médico sobre os resultados

O lipidograma quase nunca exige ação urgente, mas alguns padrões merecem uma consulta rápida, e não só uma anotação para o próximo check-up.

  • Um LDL de 190 mg/dL ou mais em qualquer idade, o que levanta a possibilidade de uma doença herdada dos lípides e costuma levar a testar os parentes próximos.
  • Triglicérides de 500 mg/dL ou mais, pelo risco de pancreatite descrito acima.
  • Qualquer lípide alterado em quem já tem doença do coração, diabetes ou doença renal crônica.
  • Uma mudança súbita e sem explicação em um perfil antes estável, que mais vezes reflete um remédio novo, um problema de tireoide ou um problema de laboratório do que uma mudança metabólica real.
  • Histórico familiar de infarto ou AVC antes dos 55 anos em homens ou dos 65 anos em mulheres, sejam quais forem os seus números.

Desconforto no peito, falta de ar aos esforços ou dor nova nas pernas ao caminhar são motivos para procurar atendimento imediatamente, independentemente de qualquer exame; em caso de dor no peito, ligue para o SAMU (192). O resultado do colesterol descreve risco; os sintomas descrevem o que está acontecendo agora.

Avanços científicos recentes

A pesquisa sobre lípides andou rápido nos últimos três anos, e vários achados mudam a forma como os médicos leem um lipidograma comum. Tudo abaixo vem de revisões e análises publicadas que reúnem muitos estudos; cada uma aparece com o link na seção de fontes.

Uma revisão de 2025 em uma revista especializada em lípides comparou três formas de resumir o colesterol nocivo: o LDL de sempre, o colesterol não-HDL e a apolipoproteína B, proteína que funciona como contagem das partículas capazes de se alojar na parede da artéria. Os autores concluíram que a contagem de partículas acompanha o risco com mais fidelidade do que o conteúdo de colesterol dessas partículas, sobretudo quando os triglicérides estão altos. O que isso significa para você: se os seus triglicérides estão altos e o LDL parece aceitável, o laudo pode estar subestimando a situação, e perguntar se uma dosagem de apoB esclareceria é uma pergunta razoável.

Uma grande análise com dados individuais de participantes, publicada em 2024 em uma revista de cardiologia de ponta, examinou a lipoproteína(a), partícula herdada que o lipidograma padrão não mede. O risco trazido pela lipoproteína(a) se soma ao risco do LDL, em vez de se sobrepor a ele. O que isso significa para você: baixar o LDL continua valendo a pena mesmo com lipoproteína(a) alta, e uma única dosagem na vida pode explicar por que a doença do coração aparece em algumas famílias apesar de números de colesterol comuns.

Uma análise de 2024 que reuniu sessenta ensaios randomizados olhou o quanto a redução do LDL se traduz rapidamente em menos eventos cardiovasculares. O benefício foi modesto no primeiro ano e cresceu de forma constante depois, ficando claramente maior quanto mais tempo durou o tratamento. O que isso significa para você: nem a mudança de hábitos nem o remédio compensam da noite para o dia, e parar cedo porque “nada parece estar acontecendo” joga fora a maior parte do benefício.

No lado do estilo de vida, uma revisão sistemática de 2024, levantamento formal que reúne todos os ensaios relevantes, mostrou que o treinamento físico regular traz melhoras consistentes, embora moderadas, nos lípides, com os ganhos mais claros nos triglicérides e no HDL. Uma metanálise separada de 2023, em uma revista europeia de cardiologia, mostrou que dietas vegetarianas e veganas baixam o colesterol total e o LDL em comparação com dietas onívoras. O que isso significa para você: deslocar o prato para os vegetais e se mexer com regularidade têm apoio de evidências reunidas de ensaios, e não só de observação, embora nenhum dos dois substitua o remédio quando o risco já é alto.

Uma ressalva vale para tudo isso. São médias de grupos, e médias não preveem indivíduos. Elas servem para orientar a conversa com o médico, nunca para ajustar o tratamento por conta própria.

Glossário dos principais termos

TermoO que significa
LipidogramaExame de sangue que mede as gorduras do sangue, em geral colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Também chamado de perfil lipídico ou colesterol total e frações.
LipoproteínaPartícula revestida de proteína que transporta gordura pelo sangue. Como a gordura não se dissolve em água, ela viaja dentro desses pacotes.
Colesterol LDLColesterol da lipoproteína de baixa densidade. Leva o colesterol aos tecidos e pode depositá-lo na parede das artérias quando está alto.
Colesterol HDLColesterol da lipoproteína de alta densidade. Devolve o colesterol em excesso ao fígado para ser eliminado.
TriglicéridesForma de armazenamento da gordura, montada depois das refeições e liberada como energia entre elas. Muito sensível à comida, ao álcool e ao controle da glicose.
Colesterol não-HDLColesterol total menos HDL. Um número que reúne todas as partículas capazes de contribuir para as placas.
Apolipoproteína B (apoB)Proteína presente uma vez em cada partícula que lesa as artérias; medi-la conta partículas, e não o colesterol dentro delas.
Lipoproteína(a)Partícula de gordura herdada que aumenta o risco cardiovascular de forma independente e muda pouco com dieta ou exercício.
AteroscleroseAcúmulo gradual de placas ricas em colesterol dentro da parede das artérias, que estreita e endurece o vaso.
mg/dLMiligramas por decilitro, a unidade usada nos laudos brasileiros de lípides. Boa parte do mundo usa mmol/L.

Perguntas frequentes

Qual é um lipidograma normal para um adulto?

Pela diretriz da SBC de 2025, os valores referenciais de adultos são colesterol total abaixo de 190 mg/dL, HDL acima de 40 mg/dL e triglicérides abaixo de 150 mg/dL em jejum (ou abaixo de 175 mg/dL sem jejum). Para o LDL e o não-HDL não existe um “normal” único: as metas vão de abaixo de 115 e 145 mg/dL, no risco baixo, até abaixo de 40 e 70 mg/dL, no risco extremo. Alguém com diabetes ou infarto prévio costuma receber uma meta de LDL mais baixa, enquanto um adulto jovem sem outros fatores de risco pode estar tranquilo com um valor que a tabela chama de limítrofe. O médico define a meta depois de pesar o seu perfil de risco completo.

Preciso de jejum para o lipidograma?

Muitas vezes, não. No Brasil, a coleta sem jejum é aceita na avaliação inicial desde o consenso de 2016, porque colesterol total, HDL, LDL e não-HDL quase não mudam depois de comer. Os triglicérides mudam, e por isso o laudo traz referências diferentes com e sem jejum e o jejum de 12 horas volta a ser pedido quando os triglicérides passam de 440 mg/dL ou quando o médico precisa do valor em jejum. Água e, em geral, os remédios de uso contínuo são permitidos. Confirme as instruções com o médico e o laboratório, porque os protocolos variam.

Em quanto tempo os resultados melhoram?

Os triglicérides respondem mais rápido e podem cair bastante em duas a quatro semanas depois de cortar álcool, carboidratos refinados e excesso de calorias. O LDL anda mais devagar só com a dieta, com mudança importante em geral visível depois de seis a doze semanas. O remédio age mais rápido, e a maior parte do efeito de uma estatina aparece em quatro a seis semanas. Por isso o novo exame costuma ser marcado cerca de três meses depois de uma mudança, e não de imediato, para que o resultado reflita um novo equilíbrio, e não uma oscilação passageira.

Um lipidograma ruim significa que preciso de remédio?

Raramente sozinho. Exceto quando o LDL está muito alto, a maioria dos médicos confirma um resultado alterado com uma segunda amostra, procura causas secundárias, como problemas de tireoide ou rins, e calcula o risco cardiovascular geral antes de falar em remédio. Em quem tem risco baixo ou moderado, a mudança de estilo de vida costuma ser tentada primeiro. Em quem já tem doença cardiovascular estabelecida ou diabetes, o tratamento tende a começar mais cedo, porque o balanço de benefício é outro.

Por que o meu colesterol total está alto se o LDL está bom?

Em geral, porque o seu HDL está alto. O colesterol total soma todas as frações, então um HDL generoso infla o total sem acrescentar risco. É exatamente por isso que o colesterol total sozinho é um mau guia e por que o colesterol não-HDL, que tira a contribuição do HDL, dá uma resposta mais clara. Às vezes a explicação é um triglicéride alto puxando o total, o que aponta em uma direção bem diferente e merece acompanhamento.

Crianças devem fazer lipidograma?

Sim. A diretriz da SBC recomenda dosar o perfil lipídico completo em todas as crianças entre 9 e 11 anos e repetir entre 17 e 21 anos, e começar a partir dos 2 anos quando há fatores de risco, como pai ou avô com doença do coração precoce, colesterol muito alto na família, excesso de peso, diabetes ou pressão alta. No estudo brasileiro ERICA, um em cada cinco adolescentes tinha colesterol total de 170 mg/dL ou mais. A decisão e a leitura dos números cabem ao pediatra, que usa faixas próprias para a idade, e não as de adultos.

Fontes

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  • Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) — Testing for Cholesterol (exames de colesterol), 2024 — disponível em cdc.gov
  • MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA — Cholesterol (colesterol), 2025 — disponível em medlineplus.gov
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 — Arq Bras Cardiol, 2025 — disponível em doi.org/10.36660/abc.20250640
  • SBPC/ML, SBC, SBD, SBEM e SBAC — Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico, 2016 — disponível em sbac.org.br
  • Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico de diabetes mellitus — Diretriz da SBD, 2024 — disponível em diretriz.diabetes.org.br
  • Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — disponível em gov.br
  • Sehayek D, Cole J, Björnson E, et al. — ApoB, LDL-C, and non-HDL-C as markers of cardiovascular risk — Journal of Clinical Lipidology, 2025 — disponível em doi.org/10.1016/j.jacl.2025.05.024
  • Bhatia HS, Wandel S, Willeit P, et al. — Independence of Lipoprotein(a) and Low-Density Lipoprotein Cholesterol-Mediated Cardiovascular Risk: A Participant-Level Meta-Analysis — Circulation, 2024 — disponível em doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.124.069556
  • Burger PM, Dorresteijn JAN, Koudstaal S, et al. — Course of the effects of LDL-cholesterol reduction on cardiovascular risk over time: A meta-analysis of 60 randomized controlled trials — Atherosclerosis, 2024 — disponível em doi.org/10.1016/j.atherosclerosis.2024.118540
  • Smart NA, Downes D, van der Touw T, et al. — The Effect of Exercise Training on Blood Lipids: A Systematic Review and Meta-analysis — Sports Medicine, 2024 — doi.org/10.1007/s40279-024-02115 — disponível em doi.org/10.1007/s40279-024-02115-z
  • Koch CA, Kjeldsen EW, Frikke-Schmidt R — Vegetarian or vegan diets and blood lipids: a meta-analysis of randomized trials — European Heart Journal, 2023 — disponível em doi.org/10.1093/eurheartj/ehad211

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