O colesterol não HDL é o colesterol levado por todas as partículas do sangue que podem contribuir para entupir as artérias, e por isso muitos médicos hoje o consideram um guia de risco cardíaco melhor do que o LDL sozinho. O VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade) é uma dessas partículas: ele leva principalmente triglicérides e costuma ser estimado a partir do resultado dos triglicérides. Os dois números aparecem em muitos laudos de perfil lipídico (lipidograma), e os dois são fáceis de interpretar errado.

Neste artigo você vai entender o que medem o colesterol não HDL e o VLDL, como são calculados, os valores de referência e as metas da Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, o que a nova diretriz americana de 2026 mudou, o que aumenta esses números, como baixá-los e quando conversar com o seu médico.

O que é o colesterol não HDL

O colesterol viaja no sangue dentro de partículas chamadas lipoproteínas. O HDL, muitas vezes chamado de colesterol bom, leva o colesterol para longe das artérias. Todo o resto é agrupado como não HDL. Segundo a Cleveland Clinic, o colesterol não HDL inclui o LDL, o VLDL, a lipoproteína de densidade intermediária (IDL), os remanescentes ricos em triglicérides e a lipoproteína(a).

Como ele é calculado

O não HDL não é um exame separado. O laboratório simplesmente subtrai o HDL do colesterol total. A Cleveland Clinic dá o exemplo de um colesterol total de 180 mg/dL e um HDL de 60 mg/dL, o que dá um não HDL de 120 mg/dL. Se o seu laudo não traz esse valor, você mesmo pode fazer a conta. Para ver de onde vêm esses dois números, leia o nosso guia do perfil lipídico e veja como o ponto de partida é interpretado no nosso guia do colesterol total.

Colesterol não HDL é bom ou ruim?

O colesterol não HDL é a soma das frações “ruins”, então, quanto mais alto, maior o risco; valores baixos são favoráveis. O LDL é só uma das partículas que formam placas. A Cleveland Clinic explica que o não HDL prevê melhor o risco cardiovascular porque conta todas elas, incluindo o VLDL e os remanescentes, e que é especialmente útil para quem tem triglicérides altos, síndrome metabólica, obesidade ou diabetes tipo 2. Ele também pode revelar o risco que sobra depois que uma estatina baixou o LDL. A Mayo Clinic acrescenta que muitos profissionais consideram o não HDL mais útil que a relação entre colesterol total e HDL. No Brasil, a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), reconhece o não HDL como meta coprimária, ao lado do LDL, principalmente em quem tem triglicérides altos.

Para a partícula que costuma formar a maior parte do valor do não HDL, veja o nosso guia do colesterol LDL.

O que é o colesterol VLDL

O VLDL é fabricado pelo fígado e liberado no sangue. A MedlinePlus explica que as partículas de VLDL levam principalmente triglicérides para os tecidos do corpo, enquanto as de LDL levam principalmente colesterol. As duas são consideradas colesterol ruim porque as duas podem se somar às placas nas artérias.

Como o VLDL é estimado

A maioria dos laboratórios não mede o VLDL diretamente. Pela fórmula clássica de Friedewald, ele é estimado como cerca de um quinto dos triglicérides, então um resultado de triglicérides de 150 mg/dL dá um VLDL estimado de cerca de 30 mg/dL. A enciclopédia médica da MedlinePlus observa que essa estimativa não é precisa quando os triglicérides passam de 400 mg/dL. No Brasil, a diretriz de 2025 da SBC recomenda calcular o LDL pela equação de Martin/Hopkins, que usa um divisor variável no lugar do 5 fixo; por isso, em muitos laudos brasileiros o VLDL não é exatamente um quinto dos triglicérides. Como o VLDL acompanha tão de perto os triglicérides, vale entender também esse marcador no nosso guia dos triglicérides.

Do VLDL ao colesterol remanescente

À medida que as partículas de VLDL liberam os seus triglicérides, elas encolhem e viram partículas menores e ricas em colesterol, chamadas remanescentes. Os pesquisadores muitas vezes calculam o colesterol remanescente como não HDL menos LDL, o que corresponde mais ou menos ao colesterol do VLDL e dos remanescentes. Estudos recentes, descritos mais adiante, sugerem que essas partículas aumentam o risco de infarto e AVC mesmo quando o LDL parece bom.

Colesterol não HDL: valor normal e metas

No Brasil, a meta de não HDL depende do seu risco cardiovascular, definido pelo médico. A tabela da diretriz de 2025 da SBC fixa os seguintes valores, iguais com ou sem jejum:

Categoria de risco cardiovascularMeta de LDLMeta de não HDL
BaixoMenor que 115 mg/dLMenor que 145 mg/dL
IntermediárioMenor que 100 mg/dLMenor que 130 mg/dL
AltoMenor que 70 mg/dLMenor que 100 mg/dL
Muito altoMenor que 50 mg/dLMenor que 80 mg/dL
ExtremoMenor que 40 mg/dLMenor que 70 mg/dL

Repare que a meta de não HDL fica 30 mg/dL acima da meta de LDL. Essa diferença reflete o colesterol normalmente levado pelo VLDL. Os outros valores de referência da mesma tabela da SBC são colesterol total abaixo de 190 mg/dL, HDL acima de 40 mg/dL e triglicérides abaixo de 150 mg/dL em jejum ou abaixo de 175 mg/dL sem jejum.

O que é VLDL normal?

O VLDL normal fica abaixo de 30 mg/dL em adultos; a MedlinePlus lista uma faixa de 2 a 30 mg/dL. A tabela abaixo reúne os valores da MedlinePlus e da Cleveland Clinic, que servem de referência americana para outras faixas de idade.

MedidaPara quem valeNível saudávelObservações
Colesterol não HDLAdultos a partir de 20 anosMenor que 130 mg/dLMesmo corte para homens e mulheres (referência americana)
Colesterol não HDLAté 19 anosMenor que 120 mg/dLA Cleveland Clinic considera 160 mg/dL ou mais alto em crianças e adolescentes
Colesterol VLDLAdultosMenor que 30 mg/dL (a MedlinePlus lista 2 a 30 mg/dL)Estimado a partir dos triglicérides
TriglicéridesAdultosMenor que 150 mg/dL150 a 199 limítrofe, 200 a 499 alto, 500 ou mais muito alto (classificação americana)

Uma diferença entre o não HDL e o LDL bem maior que 30 mg/dL muitas vezes aponta para partículas ricas em triglicérides aumentadas. Você também pode comparar o seu HDL com a faixa saudável no nosso guia do colesterol HDL.

Duas pessoas com o mesmo LDL

O exemplo abaixo mostra por que o não HDL pode revelar o que o LDL deixa passar. As duas pessoas têm exatamente o mesmo LDL, mas triglicérides muito diferentes. Os números são ilustrativos e usam a estimativa clássica, em que o VLDL é igual aos triglicérides divididos por 5 e o LDL é o colesterol total menos o HDL menos o VLDL.

Resultado (mg/dL)Pessoa APessoa B
Colesterol total190220
HDL6040
Triglicérides100350
VLDL estimado2070
LDL110110
Não HDL (total menos HDL)130180

Olhando só o LDL, os dois resultados parecem idênticos. O não HDL conta outra história: a pessoa B leva muito mais colesterol em partículas ricas em triglicérides, justamente a situação em que a Cleveland Clinic diz que o não HDL é mais útil, como na síndrome metabólica, na obesidade ou no diabetes tipo 2. Com triglicérides acima de 200 mg/dL, a diretriz americana de 2026 também observa que a apoB pode ajudar.

Qual é pior, LDL ou VLDL?

Os dois contribuem para as placas, e nenhum é “inofensivo”: o LDL é a principal partícula levando colesterol para a parede das artérias, enquanto o VLDL e os seus remanescentes acrescentam risco, sobretudo quando os triglicérides estão altos. É por isso que o não HDL, que soma os dois, é usado como meta junto com o LDL.

O que mudou nas diretrizes de colesterol de 2025 e 2026

No Brasil, a diretriz da SBC de 2025 trouxe as principais mudanças: metas mais rígidas (LDL abaixo de 50 mg/dL no risco muito alto e uma nova categoria de risco extremo, com LDL abaixo de 40 mg/dL), o não HDL como meta coprimária, a apoB como meta complementar e a recomendação de dosar a lipoproteína(a) uma vez na vida em todos os adultos.

Nos Estados Unidos, em março de 2026, o American College of Cardiology e a American Heart Association, com outras nove sociedades, publicaram uma nova diretriz sobre o manejo das dislipidemias, que substitui a de 2018. Segundo o resumo da AHA, várias mudanças seguem a mesma direção.

  • As metas de tratamento voltaram: as metas de LDL e de não HDL orientam de novo o tratamento.
  • Pacientes de risco muito alto têm alvos mais rígidos: para adultos com doença cardíaca e risco muito alto, as metas são LDL abaixo de 55 mg/dL e não HDL abaixo de 85 mg/dL.
  • A apoB pode refinar o quadro: depois de atingidas as metas de LDL e não HDL, a dosagem da apolipoproteína B pode ajudar, principalmente com triglicérides acima de 200 mg/dL, com diabetes ou com LDL abaixo de 70 mg/dL.
  • A lipoproteína(a) deve ser dosada pelo menos uma vez: 125 nmol/L (50 mg/dL) ou mais é um fator que aumenta o risco; a SBC usa abaixo de 75 nmol/L (30 mg/dL) como valor de referência.
  • O risco é estimado com as equações PREVENT, que substituem as antigas Pooled Cohort Equations para adultos de 30 a 79 anos; a SBC também passou a usar o escore PREVENT.

A apoB conta o número de partículas nocivas, e não o colesterol que elas levam. Entenda como funciona no nosso guia da apolipoproteína B e veja por que um único exame importa no nosso guia da lipoproteína(a).

O que aumenta o colesterol não HDL e o VLDL

O colesterol alto geralmente não dá sintomas, como lembra a MedlinePlus, então o exame de sangue muitas vezes é a única forma de descobri-lo. Os fatores mais comuns são os mesmos para os dois números.

  • Alimentação: a Cleveland Clinic lista dietas ricas em gordura saturada, gordura trans ou açúcar adicionado; para os triglicérides e o VLDL, a MedlinePlus cita também os carboidratos refinados.
  • Excesso de peso e pouca atividade física.
  • Uso de tabaco, inclusive tabaco sem fumaça e cigarro eletrônico.
  • Álcool: beber muito sobe os triglicérides e, portanto, o VLDL.
  • Doenças: diabetes mal controlado, doenças da tireoide e doenças dos rins ou do fígado podem subir os triglicérides.
  • Remédios: alguns diuréticos e certos remédios para câncer de mama e HIV podem subir os triglicérides.
  • Genética: doenças herdadas como a hipercolesterolemia familiar e a lipoproteína(a) alta sobem o não HDL.

O colesterol alto pode ser causado por problemas hormonais?

Sim. A tireoide lenta (hipotireoidismo) é uma das causas hormonais mais conhecidas de colesterol e triglicérides altos, e o diabetes mal controlado também mexe nas gorduras do sangue. Se você convive com diabetes, entenda como ele afeta os seus lípides no nosso guia do diabetes. Como as doenças da tireoide também podem subir os triglicérides, vale ver o nosso guia do hipotireoidismo.

O que é bom para colesterol alto: como baixar o não HDL e o VLDL

Como o VLDL sobe e desce com os triglicérides, as medidas que baixam os triglicérides também baixam o VLDL, e a maioria delas baixa o não HDL também.

  • Coma pensando no coração: a Cleveland Clinic recomenda escolher gorduras saudáveis e limitar a gordura saturada, por exemplo com uma dieta de estilo mediterrâneo. A MedlinePlus acrescenta reduzir açúcar e álcool para baixar o VLDL.
  • Mexa-se mais: a Cleveland Clinic sugere cerca de 150 minutos de exercício moderado por semana.
  • Perca o excesso de peso, o que baixa os triglicérides e o VLDL.
  • Pare de usar tabaco em qualquer forma.
  • Use remédio quando necessário: as estatinas são a base do tratamento, e outros remédios podem ser somados, mesmo para quem já usa estatina; a diretriz brasileira de 2025 admite começar cedo a combinação de estatina com ezetimiba nos riscos alto, muito alto e extremo.

O seu médico vai escolher a sua meta pessoal de não HDL com base no seu risco geral. Para o quadro completo do tratamento, leia o nosso guia do colesterol alto.

Qual médico devo procurar se tenho colesterol alto?

O primeiro passo é o médico de família ou clínico geral, na UBS pelo SUS ou pelo plano de saúde: ele pede os exames, estima o seu risco e começa o tratamento. O cardiologista entra quando o risco é alto, quando já existe doença do coração ou quando o colesterol não baixa com o tratamento inicial, e o endocrinologista ajuda quando há diabetes ou problemas de tireoide junto.

Como fazer o exame e ler o laudo

Precisa de jejum?

Em geral, não. A diretriz brasileira de 2025 aceita a coleta sem jejum para a avaliação inicial, e o laboratório deve informar no laudo se o exame foi feito com ou sem jejum; se os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL sem jejum, recomenda-se nova coleta com jejum de 12 horas, a critério do médico. A Cleveland Clinic observa que o não HDL é menos afetado pela comida do que o LDL. Siga as instruções que você recebeu: se o médico pediu jejum, o laboratório segue essa orientação.

Com que frequência dosar

A MedlinePlus recomenda dosar o colesterol uma vez entre 9 e 11 anos e de novo entre 17 e 21 anos, a cada 5 anos em adultos mais jovens, a cada 1 a 2 anos em homens de 45 a 65 anos e mulheres de 55 a 65 anos, e todo ano depois dos 65. Crianças com histórico familiar de colesterol alto, infarto ou AVC podem ser testadas a partir dos 2 anos. Na prática, o seu médico ajusta essa frequência ao seu risco.

Um jeito rápido de ler os seus números

  • Encontre o colesterol total e o HDL, e subtraia para obter o não HDL se ele não estiver no laudo.
  • Compare o não HDL com o LDL: uma diferença bem acima de 30 mg/dL aponta para partículas ricas em triglicérides aumentadas.
  • Compare o VLDL com os triglicérides: o VLDL costuma ficar perto de um quinto dos triglicérides, a não ser que eles passem de 400 mg/dL ou que o laboratório use a equação de Martin.
  • Leia os números à luz da sua meta pessoal, que depende do seu risco cardíaco geral, e não só da faixa do laboratório.

Qual nível de LDL é preocupante e quando falar com o médico

Um LDL preocupa quando está acima da meta da sua categoria de risco; para pessoas de risco baixo, a SBC fixa a meta abaixo de 115 mg/dL, e quanto maior o risco, mais baixa a meta. Marque uma consulta para conversar sobre os seus resultados se alguma destas situações se aplica:

  • o seu não HDL está acima da meta da sua categoria de risco (por exemplo, 145 mg/dL ou mais para quem tem risco baixo), ou em 160 mg/dL ou mais numa criança ou adolescente;
  • o seu VLDL está acima de 30 mg/dL ou os seus triglicérides estão em 200 mg/dL ou mais;
  • você tem doença do coração, diabetes ou doença renal e não conhece as suas metas pessoais;
  • parentes próximos tiveram infarto ou AVC jovens, ou você tem LDL muito alto;
  • você nunca dosou a lipoproteína(a).

Procure atendimento urgente em caso de dor no peito, falta de ar ou sinais de AVC; em caso de emergência, ligue para o SAMU (192). O não HDL alto alimenta o acúmulo de placas ao longo de muitos anos; entenda esse processo no nosso guia da aterosclerose. Para conhecer a doença do coração a que ele mais leva, veja o nosso guia da doença arterial coronariana.

Avanços científicos recentes

O não HDL e a apoB contam histórias parecidas

Um estudo de 2026 no JAMA Cardiology acompanhou 94.398 adultos dinamarqueses que não usavam remédio para colesterol por cerca de 13 anos. Não HDL e apoB mais altos se associaram a um aumento parecido de infarto e doenças relacionadas, e cada um acrescentou alguma informação ao outro. Quem estava alto nos dois teve o maior risco. O que isso significa para você: o não HDL, que vem de graça no perfil lipídico, é um guia forte; a apoB pode acrescentar detalhes em casos selecionados.

O colesterol remanescente importa até em adultos jovens

Um estudo de 2025 com mais de 4,3 milhões de adultos sul-coreanos acompanhados por cerca de nove anos mostrou que o colesterol remanescente mais alto se associou a mais infartos, AVCs e mortes por causas cardíacas em todas as faixas de idade, com a ligação mais forte entre 20 e 39 anos. Mesmo adultos jovens com LDL saudável, abaixo de 100 mg/dL, mas colesterol remanescente de 30 mg/dL ou mais, tiveram risco maior. O que isso significa para você: se o seu não HDL está bem acima do seu LDL, vale conversar sobre isso, mesmo que você seja jovem e o seu LDL pareça bom.

Remanescentes altos com LDL normal e AVC

Um estudo de 2024 com quase 99.000 adultos chineses mostrou que pessoas com colesterol remanescente alto, mas LDL baixo, tinham maior risco de AVC por entupimento de artéria, enquanto pessoas com LDL alto, mas remanescente baixo, não tinham. O que isso significa para você: o VLDL e as partículas ricas em triglicérides merecem atenção ao lado do LDL.

Remanescentes e artérias das pernas entupidas

Um estudo genético de 2025, que usou diferenças herdadas nos níveis de colesterol para testar causa e efeito, mostrou que o colesterol remanescente mais alto provavelmente causa a doença arterial periférica, o estreitamento das artérias das pernas, mesmo levando o LDL em conta. Outro estudo de 2025, com 3.866 adultos de meia-idade e idosos, mostrou que quem teve queda do colesterol remanescente ao longo do tempo teve menor risco de doença cardíaca do que quem manteve níveis altos, embora esse estudo não prove que a queda causou o benefício. O que isso significa para você: baixar as partículas ricas em triglicérides é uma meta razoável para conversar com o seu médico.

Glossário

TermoDefinição
Colesterol não HDLColesterol total menos HDL; o colesterol levado por todas as partículas que podem formar placas nas artérias.
VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade)Partícula fabricada pelo fígado que leva principalmente triglicérides; costuma ser estimada a partir dos triglicérides.
LDL (lipoproteína de baixa densidade)A principal partícula que leva colesterol e se liga à formação de placas, muitas vezes chamada de colesterol ruim.
HDL (lipoproteína de alta densidade)A partícula que leva o colesterol para longe das artérias, muitas vezes chamada de colesterol bom.
TriglicéridesO tipo mais comum de gordura no sangue, guardado como energia e levado principalmente pelo VLDL.
Colesterol remanescenteO colesterol do VLDL e das partículas menores que sobram depois que o VLDL libera os triglicérides.
Apolipoproteína B (apoB)Proteína presente em cada partícula de lipoproteína nociva; dosá-la estima o número dessas partículas.
Lipoproteína(a)Tipo herdado de partícula parecida com o LDL que aumenta o risco cardíaco; as diretrizes recomendam dosá-la pelo menos uma vez.
AteroscleroseO acúmulo lento de placas de gordura na parede das artérias, que pode levar a infarto e AVC.

Perguntas frequentes

Qual o valor normal do colesterol não HDL?

No Brasil, a meta de não HDL depende do risco cardiovascular: abaixo de 145 mg/dL no risco baixo, 130 mg/dL no intermediário, 100 mg/dL no alto, 80 mg/dL no muito alto e 70 mg/dL no extremo, segundo a diretriz da SBC de 2025. A MedlinePlus usa como referência geral para adultos a partir de 20 anos um valor abaixo de 130 mg/dL, e abaixo de 120 mg/dL até os 19 anos.

O colesterol não HDL é a mesma coisa que o LDL?

Não. O LDL é um tipo de partícula, enquanto o não HDL é todo o colesterol levado pelo LDL, pelo VLDL, pelos remanescentes e pela lipoproteína(a). Quando os triglicérides estão normais, o não HDL costuma ficar cerca de 30 mg/dL acima do LDL. Como inclui todas as partículas que podem formar placas, muitos especialistas o consideram um guia melhor de risco cardíaco.

O que causa VLDL alto?

O VLDL sobe com os triglicérides, então as causas são praticamente as mesmas: dieta rica em açúcar, carboidratos refinados e gordura, excesso de peso, pouca atividade física, álcool em excesso, diabetes mal controlado, doenças da tireoide, dos rins ou do fígado, alguns remédios e doenças herdadas. Uma refeição recente também pode subir os triglicérides e o VLDL por um tempo.

O valor de referência do não HDL é diferente para as mulheres?

Não. A meta de não HDL é a mesma para homens e mulheres, tanto na diretriz brasileira quanto na referência da MedlinePlus. O corte do HDL muda com o sexo, e o risco ligado ao colesterol das mulheres tende a subir depois da menopausa, então o médico interpreta o resultado levando em conta a sua idade e o seu risco geral.

O colesterol não HDL pode ficar baixo demais?

Os laudos geralmente só destacam valores altos de não HDL, e as metas são escritas como “menor que”. Um resultado baixo costuma ser favorável para o coração, principalmente quando reflete tratamento ou hábitos saudáveis. Se o seu valor estiver inesperadamente muito baixo sem tratamento, comente com o médico para que ele seja lido no contexto da sua saúde geral.

O colesterol não HDL alto dá sintomas?

Geralmente não. A MedlinePlus observa que o colesterol alto em geral não dá sinais nem sintomas, e por isso os exames regulares importam. Os sintomas só aparecem quando artérias estreitadas causam problemas como dor no peito, infarto ou AVC, e é por isso que dosar e controlar o não HDL cedo é tão importante.

Fontes

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  • MedlinePlus, National Library of Medicine — VLDL Cholesterol — MedlinePlus Health Topic, updated 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
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  • Wadström BN, Borges MC, et al. — Elevated Remnant and LDL Cholesterol and the Risk of Peripheral Artery Disease: A Mendelian Randomization Study — Journal of the American College of Cardiology, 2025 — doi.org/10.1016/j.jacc.2024.12.033 (em inglês)
  • Zhu X, Xu W, et al. — Variations in remnant cholesterol and the risk of cardiovascular disease: a national longitudinal cohort study — European Journal of Preventive Cardiology, 2025 — doi.org/10.1093/eurjpc/zwaf598 (em inglês)
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025 — pmc.ncbi.nlm.nih.gov (em português)
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (texto da revista) — Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025 — doi.org/10.36660/abc.20250640 (em português)
  • Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — www.gov.br (em português)

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