Doença mão-pé-boca: sintomas, contágio, tratamento e quando se preocupar

O essencial
A doença mão-pé-boca é uma virose comum que causa febre, dor de garganta, feridas na boca e bolhas nas mãos e nos pés. Atinge sobretudo crianças pequenas, mas adultos também podem ter. Em geral melhora sozinha em cerca de uma semana, e antibiótico não ajuda. Os riscos principais são a desidratação e, raramente, complicações neurológicas. O diagnóstico costuma ser feito pelos sintomas, então quase sempre não precisa de exame de sangue.
O que é a doença mão-pé-boca, em poucas palavras?
- Causa: infecção por enterovírus, principalmente coxsackievírus A16 e enterovírus A71[1][4][5].
- Quem: crianças menores de 5 anos na maioria dos casos; adultos raramente, em geral após contato intenso com o vírus[5].
- Época: nos países de clima temperado predominam o verão e o outono; em países tropicais, como o Brasil, o padrão é menos marcado[5].
- Duração: cerca de uma semana na maioria dos casos[2][5].
- Não confundir com a febre aftosa, que afeta o gado e é outra doença[2].
Quais são os sintomas e as fases da doença mão-pé-boca?
Os sintomas começam cerca de 3 a 7 dias depois do contato com o vírus[1]. Costumam aparecer em duas fases[2][5]:
- Primeiros dias: febre, dor de garganta e recusa de comida[5]. Dor de cabeça também pode ocorrer[1].
- Alguns dias depois: feridas dolorosas na boca e na língua e erupção de pequenas bolhas nas palmas das mãos e nas solas dos pés, às vezes também nos cotovelos, nádegas e região genital. As bolhas são ovaladas, parecidas com um grão de arroz, e as feridas na boca podem faltar em alguns casos[5].
Os sintomas são em geral leves[2]. Outras doenças com manchas na pele podem parecer com o quadro; veja catapora, sarampo e escarlatina.
Quando procurar um médico?
Quando procurar atendimento
- Emergência: ligue 192 (SAMU) se a criança tiver convulsão, ficar muito sonolenta ou difícil de acordar, ou tiver dificuldade para respirar[1][6].
- Em até 24 horas se houver sinais de desidratação (boca e pele secas, irritação ou prostração, menos xixi ou urina escura), recusa de beber por causa da dor na boca, febre alta que não cede ou febre acima de 39 °C por mais de 48 horas, tremores, fraqueza ou sudorese fria com pele manchada[1][2][5].
- Em poucos dias se não melhorar depois de uma semana a 10 dias[2][5]. Gestantes que tiverem contato ou sintomas devem falar com o obstetra[2]. Ligue antes de ir ao serviço de saúde, pois a doença passa para outras pessoas[2].
O que causa a doença e como ela pega?
O vírus passa de pessoa para pessoa, de forma direta ou indireta: pelas fezes, por secreções da boca e do nariz, pelo líquido das bolhas e por brinquedos e objetos contaminados[1][2][5]. A pessoa pode transmitir desde alguns dias antes dos sintomas, e a primeira semana da doença é a de maior transmissão[5]. O vírus continua saindo nas fezes por semanas, mesmo depois da melhora[5]. Dá para ter a doença mais de uma vez[5].
- Frequente Crianças pequenas, sobretudo em creches e escolas, onde mãos e brinquedos são compartilhados[1][5].
- Possível Contato próximo com alguém doente na mesma casa[1].
- Rara Outros enterovírus, em especial o A71, ligados a complicações do sistema nervoso[3][5].
Precisa de exame de sangue para o diagnóstico?
Na maioria das vezes, não. O diagnóstico é feito conversando sobre os sintomas e olhando as lesões na boca, nas mãos e nos pés[1]. O hemograma, quando pedido, mostra alterações inespecíficas, como aumento de leucócitos[5]. Por isso, os exames servem mais para avaliar outra causa ou complicações, como a desidratação, ou, em casos graves, uma meningite. Se você tem um laudo desse tipo, nossos guias do hemograma completo e da proteína C reativa ajudam a entender os valores.
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Entender meu exameQual é o tratamento da doença mão-pé-boca?
Não existe tratamento específico: o cuidado é aliviar os sintomas, e antibiótico não age porque a causa é um vírus[1][5]. Este texto não traz doses; pergunte ao pediatra ou ao farmacêutico.
- Ofereça líquidos frescos aos poucos para aliviar a boca e evitar a desidratação; evite sucos ácidos e refrigerantes[1][2].
- Prefira alimentos macios e frios, como iogurte, e evite comidas quentes, salgadas e picantes[2].
- Paracetamol ou ibuprofeno podem aliviar a febre e a dor na boca, conforme a orientação médica. Aspirina não deve ser dada a crianças e adolescentes com virose[1][2].
- Bochecho com água e sal pode aliviar crianças maiores e adultos. Gel, spray ou enxaguante para feridas na boca adequado à idade deve ser indicado pelo farmacêutico ou pelo médico[1][2].
A maioria dos casos é autolimitada[5]. A complicação mais frequente é a desidratação, pela dificuldade de engolir[5]. Casos graves com sinais neurológicos ou de coração e pulmão são raros e precisam de internação[3][5].
A criança deve faltar à escola ou à creche?
Não encontramos uma regra nacional única de afastamento nas fontes oficiais que verificamos. O que o documento da SBP informa é que a primeira semana após o início dos sintomas é a de maior transmissão[5]. O prudente é manter a criança em casa enquanto estiver com febre, dor ou sem conseguir comer e beber, e perguntar à escola ou à creche qual é a regra local. A doença não é de notificação compulsória, mas dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto[5].
Como evitar que a doença se espalhe?
- Lave as mãos com água e sabão, principalmente depois de trocar fraldas, e as das crianças também[1][2][5].
- Desinfete superfícies, brinquedos e objetos usados pelo doente[5].
- Não compartilhe toalhas, copos, talheres e mamadeiras[2].
- Use lenço de papel para tossir e espirrar e jogue-o fora logo[2].
- Lave roupas e lençóis sujos com água quente, se possível[2].
Existe uma vacina contra o enterovírus A71, aprovada na China desde 2015, mas o documento da SBP não relata experiência fora desse país[5]. Como vários vírus causam a doença, nenhuma vacina cobre todos os casos[3].
E na gravidez?
Em geral não há risco para a gestação nem para o bebê. Mas pegar a doença perto do parto pode fazer o bebê nascer com uma forma leve; por isso, evite contato próximo com quem está doente e fale com seu obstetra se tiver sido exposta[2]. Essa orientação vem de um serviço de saúde do Reino Unido; não encontramos uma regra brasileira equivalente.
Perguntas para fazer ao seu médico
- É mesmo mão-pé-boca ou outra doença com manchas na pele?
- Como saber se meu filho está ficando desidratado?
- Qual remédio para dor e febre serve para a idade dele?
- Quando ele pode voltar à escola ou à creche?
- Estou grávida: o que devo fazer?
Perguntas frequentes
Adulto pega doença mão-pé-boca?
Pega, mas é menos comum. Em geral os sintomas são os mesmos[1][2][5].
Qual é o tempo de contágio da doença mão-pé-boca?
A transmissão pode começar alguns dias antes dos sintomas, e a primeira semana é a de maior contágio. O vírus segue nas fezes por semanas[5].
É possível ter mão-pé-boca sem febre?
Febre faz parte do quadro típico descrito[5], mas a doença costuma ser leve e varia de pessoa para pessoa. Se há bolhas e feridas na boca, vale consultar mesmo sem febre.
O que pode ser confundido com mão-pé-boca?
A SBP cita disidrose, aftas, gengivoestomatite herpética e, nas formas atípicas, catapora e reações a medicamentos[5].
Antibiótico ajuda?
Não. Antibiótico trata bactérias, não vírus[1].
Artigos relacionados
- CataporaOutra doença da infância com bolhas na pele
- CaxumbaVirose infantil que também passa de pessoa a pessoa
- DesidrataçãoSinais de alerta quando a criança não quer beber
- GastroenteriteInfecção intestinal que também se espalha pelas fezes
- EscarlatinaDor de garganta com manchas na pele, tratada de outro jeito
- MedlinePlus Medical Encyclopedia. Hand-foot-mouth disease (em inglês). Revisado em julho de 2025. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (consultado em 23 de outubro de 2026)
- NHS (Reino Unido). Hand, foot and mouth disease (em inglês). Revisado em maio de 2024. nhs.uk (consultado em 23 de outubro de 2026)
- Esposito S, Principi N. Hand, foot and mouth disease: current knowledge on clinical manifestations, epidemiology, aetiology and prevention. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2018;37(3):391-398. doi:10.1007/s10096-018-3206-x (consultado em 23 de outubro de 2026)
- Zhu P, Ji W, Li D, et al. Current status of hand-foot-and-mouth disease. J Biomed Sci. 2023;30(1):15. doi:10.1186/s12929-023-00908-4 (consultado em 23 de outubro de 2026)
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos Científicos de Dermatologia e de Infectologia. Síndrome mão-pé-boca. Documento científico, setembro de 2019. sbp.com.br (consultado em 23 de outubro de 2026)
- Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (consultado em 23 de outubro de 2026)
Esta página traz informação geral. Ela não substitui a consulta com um médico, que avalia seus sintomas, seu histórico e faz o exame físico.



