Caxumba: sintomas, transmissão, isolamento, complicações e vacina

A caxumba, também chamada de papeira, é uma infecção viral contagiosa conhecida pelo inchaço das bochechas, causado pela inflamação das glândulas salivares. Antes muito comum na infância, ela ficou bem mais rara no Brasil depois que a vacina entrou no calendário dos postos de saúde, como lembra o Ministério da Saúde, mas surtos ainda acontecem, muitas vezes entre adolescentes e adultos jovens em ambientes de contato próximo, como escolas e faculdades. A maioria das pessoas se recupera totalmente em até duas semanas, embora a caxumba possa, às vezes, causar complicações sérias. Este guia explica o que é a caxumba, os sintomas, como ela é transmitida, quanto tempo de isolamento é preciso, as complicações, o diagnóstico, o tratamento, a vacina e as pesquisas mais recentes.
O que é caxumba?
A caxumba é uma infecção causada pelo vírus da caxumba, um paramixovírus. Seu sinal mais conhecido é a parotidite, o inchaço das glândulas parótidas, as maiores glândulas salivares, que ficam abaixo e na frente das orelhas. O Ministério da Saúde lembra que ela também pode atingir as glândulas submandibulares e sublinguais e, em tese, qualquer tecido glandular e nervoso do corpo. O inchaço dá a aparência clássica de bochechas estufadas e mandíbula dolorida, de um ou dos dois lados.
A caxumba passa facilmente de pessoa para pessoa e é mais comum em crianças em idade escolar e adolescentes, mas pode atingir adultos de qualquer idade. É uma doença de muitos casos e baixa letalidade, que aparece de forma contínua ou em surtos. Muitas infecções são leves: segundo o Ministério da Saúde, cerca de um terço não dá sintomas, e cerca de 30% das infecções não causam inchaço visível das glândulas, especialmente em pessoas vacinadas, o que dificulta o reconhecimento.
Sintomas da caxumba
Os sintomas da caxumba costumam aparecer de 16 a 18 dias depois do contato com o vírus, com variação de 12 a 25 dias. A doença muitas vezes começa com alguns dias de sintomas gerais antes de o inchaço característico surgir.
| Fase | Sintomas típicos |
|---|---|
| Sintomas iniciais | Febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e fraqueza, falta de apetite |
| Sinal característico | Glândulas salivares inchadas e doloridas, com bochechas estufadas, mandíbula sensível e dor ao mastigar e engolir |
O inchaço deixa mastigar e engolir desconfortável e pode aparecer primeiro de um lado e depois do outro. A maioria das pessoas melhora em uma a duas semanas com repouso e cuidados simples. Como a vacina mudou a cara da doença, algumas pessoas vacinadas têm sintomas mais leves ou um inchaço fácil de passar despercebido, e é um dos motivos pelos quais a caxumba ainda se espalha sem chamar atenção. O Ministério da Saúde observa que, em menores de 5 anos, são comuns sintomas respiratórios.
Como identificar caxumba em bebê?
Em bebês e crianças pequenas, procure febre, irritação, recusa para mamar ou comer e choro ao mastigar ou engolir, junto com inchaço abaixo e na frente da orelha, que deixa o ângulo da mandíbula menos visível. Como outras infecções podem causar inchaço parecido, leve a criança ao pediatra ou à UBS para confirmar e confira a caderneta de vacinação.
Como a caxumba é transmitida
A caxumba é causada pelo vírus da caxumba e se espalha por gotículas respiratórias e pela saliva. Ela passa de uma pessoa para outra ao tossir, espirrar e falar, ao dividir copos ou talheres e no contato próximo, como o beijo; o contato com objetos contaminados por secreção do nariz ou da boca é uma forma menos frequente. Por isso os surtos acontecem em ambientes cheios e de contato próximo, como escolas, faculdades, times e dentro de casa.
O período de transmissão começa antes de a pessoa saber que está doente. O CDC dos Estados Unidos considera que a pessoa transmite de cerca de dois dias antes do inchaço até uns cinco dias depois; o Ministério da Saúde descreve uma janela mais ampla, de 6 a 7 dias antes dos sintomas até 9 dias depois. Como a imunidade da vacina contra a caxumba pode diminuir ao longo dos anos, surtos podem ocorrer mesmo em grupos bem vacinados, sobretudo entre adultos jovens muitos anos depois das doses da infância.
Quantos dias de isolamento na caxumba?
A orientação mais usada é ficar em casa, sem ir à escola ou ao trabalho, por pelo menos cinco dias depois do início do inchaço das glândulas, evitando contato próximo com outras pessoas, principalmente gestantes e pessoas com imunidade baixa. Como o Ministério da Saúde descreve transmissão até 9 dias após os sintomas, siga a orientação do médico e da vigilância do seu município, que pode pedir um afastamento maior.
Complicações da caxumba
A maioria dos casos de caxumba se resolve sem problemas duradouros, mas a infecção pode causar complicações sérias, mais frequentes em adultos do que em crianças. Nos homens depois da puberdade, a caxumba pode causar orquite, um inchaço doloroso dos testículos que, raramente, afeta a fertilidade; nas mulheres, pode causar ooforite, a inflamação dos ovários, e mastite, a inflamação da mama. Outras complicações incomuns são a meningite (inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula), raramente a encefalite, a pancreatite e, em alguns casos, perda auditiva. O Ministério da Saúde alerta ainda que a caxumba no primeiro trimestre da gravidez pode causar aborto espontâneo.
Como algumas complicações atingem o sistema nervoso, sintomas como dor de cabeça forte, rigidez na nuca, confusão ou convulsões durante a caxumba pedem atendimento médico rápido. Entender a relação com a inflamação das membranas protetoras na meningite ajuda a ver por que esses sinais de alerta são levados a sério.
Como é feito o diagnóstico da caxumba
O diagnóstico da caxumba é basicamente clínico, como resume o Ministério da Saúde: o médico avalia o inchaço das glândulas salivares junto com a possibilidade de contato com o vírus e a situação vacinal. Quando é preciso confirmar, sobretudo em surtos ou em pessoas vacinadas com quadro mais leve, entram os exames de laboratório.
O principal exame de confirmação é o RT-PCR, um teste molecular feito num swab da parte de dentro da bochecha, perto da glândula afetada, de preferência nos primeiros dias de inchaço. A sorologia no sangue também ajuda: o anticorpo IgM sugere infecção recente, e o IgG indica infecção antiga ou vacinação. O Ministério da Saúde cita a pesquisa de anticorpos no sangue como forma de confirmação. Um exame negativo nem sempre descarta a caxumba, principalmente em vacinados, e a amilase, uma enzima do sangue, pode subir por causa da inflamação das glândulas salivares. Aprender a ler os destaques e os valores de referência do laudo ajuda a acompanhar esses resultados.
Tratamento da caxumba
Não existe antiviral que cure a caxumba, por isso o tratamento serve para aliviar os sintomas enquanto o organismo elimina o vírus. O Ministério da Saúde indica repouso, remédios para dor e febre, boa hidratação e alimentação adequada, lembrando que alimentos ácidos costumam piorar a dor e podem causar náusea e vômito, além de boa higiene bucal. Compressas mornas ou frias nas glândulas inchadas aliviam, e alimentos pastosos, que exigem pouca mastigação, são mais fáceis de comer.
Como a caxumba é contagiosa, quem está doente deve ficar em casa e longe de outras pessoas durante o período de isolamento. A maioria se recupera de forma natural e progressiva em até duas semanas. Quem tiver sintomas fortes, como dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, dor abdominal forte ou, nos homens, dor e inchaço importantes nos testículos, deve procurar atendimento, porque podem indicar uma complicação.
Prevenção: a vacina tríplice viral no SUS
A melhor proteção contra a caxumba é a vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O SUS oferece a tríplice viral e a tetraviral, que acrescenta proteção contra a catapora. No Calendário Nacional de Vacinação, a criança recebe a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses; pessoas de até 29 anos devem ter duas doses, adultos de 30 a 59 anos, uma dose, e trabalhadores da saúde, duas doses em qualquer idade. O Ministério da Saúde lembra que gestantes e pessoas com imunodepressão grave não devem receber essa vacina.
A vacina é muito eficaz, mas a proteção específica contra a caxumba pode diminuir ao longo de muitos anos, o que explica os surtos entre adultos jovens vacinados. Mesmo assim, vacinados que pegam caxumba costumam ter doença mais leve e menos complicações. Em surtos, as autoridades de alguns países recomendam uma terceira dose para grupos de maior risco, uma estratégia direcionada, e não uma recomendação de rotina; no Brasil, siga a orientação do Ministério da Saúde e da vigilância local. Manter as vacinas em dia protege você e a comunidade, incluindo quem não pode ser vacinado. A mesma vacina também previne o sarampo, infecção altamente contagiosa.
O que dizem as pesquisas mais recentes sobre caxumba
As pesquisas recentes tentam explicar por que os surtos de caxumba continuam em populações muito vacinadas. Segundo pesquisas indexadas no PubMed, um estudo de 2026 no International Journal of Epidemiology, que acompanhou mais de 800 mil pessoas no País de Gales por 14 anos, mostrou que a proteção de duas doses contra a caxumba caiu de cerca de 94% nos cinco anos seguintes à segunda dose para aproximadamente 50% depois de 15 anos, enquanto a proteção contra o sarampo ficou acima de 99% (Perry et al., 2026). O que isso significa para você: a imunidade da vacina contra a caxumba diminui de verdade com o tempo, de um jeito que não acontece com o sarampo, e isso explica os surtos entre adultos jovens vacinados na infância.
Um estudo de modelagem de 2024 nos Proceedings of the National Academy of Sciences analisou um surto de caxumba numa universidade americana e mostrou que aplicar uma terceira dose da tríplice viral no início do surto pode ajudar a reduzir a transmissão (Park et al., 2024). O que isso significa para você: o momento de uma campanha de terceira dose importa, o que apoia a estratégia de oferecer doses extras a grupos de risco durante surtos. Um estudo de 2025 no China CDC Weekly trouxe mais evidência internacional de que os anticorpos contra a caxumba caem de forma mensurável até a metade da adolescência, mesmo depois de duas doses (Chen et al., 2025). O que isso significa para você: a queda da proteção contra a caxumba está bem documentada em vários países, e vale ficar atento a surtos e seguir as orientações de saúde pública sobre doses extras.
Glossário da caxumba
| Termo | Definição |
|---|---|
| Vírus da caxumba | O paramixovírus que causa a caxumba. |
| Parotidite | Inchaço das glândulas parótidas, sinal característico da caxumba. |
| Tríplice viral (SCR) | Vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola, oferecida pelo SUS. |
| Orquite | Inchaço doloroso dos testículos que a caxumba pode causar depois da puberdade. |
| Queda da imunidade | Diminuição gradual da proteção da vacina ao longo do tempo. |
| RT-PCR | Teste molecular que detecta o vírus num swab. |
| Período de incubação | Tempo entre o contato com o vírus e os primeiros sintomas, em média de 16 a 18 dias na caxumba. |
Perguntas frequentes sobre caxumba
Quais são os primeiros sintomas da caxumba (papeira)?
A caxumba costuma começar com alguns dias de febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e falta de apetite, seguidos do inchaço das glândulas salivares, com bochechas estufadas e mandíbula dolorida. Os sintomas aparecem, em média, de 16 a 18 dias depois do contato com o vírus.
O que fazer quando estamos com caxumba?
Fique em casa, em repouso, beba bastante líquido, prefira alimentos pastosos e evite os ácidos, mantenha a higiene da boca e use remédios para dor e febre com orientação médica. Compressas mornas ou frias aliviam o inchaço. Procure atendimento se surgirem dor de cabeça forte, rigidez na nuca, dor abdominal intensa ou dor nos testículos.
Quem pega caxumba não pega mais?
Na grande maioria das vezes, quem teve caxumba fica com imunidade duradoura, e o Ministério da Saúde a descreve como permanente. Uma segunda caxumba é incomum; como outras infecções também incham as glândulas salivares, um “segundo episódio” muitas vezes é outra doença, e o médico pode confirmar com exames.
Quem já foi vacinado pega caxumba?
Pode pegar, mas é menos provável e costuma ser mais leve. A tríplice viral é muito eficaz, cerca de 88% após duas doses e 78% após uma, segundo o CDC, mas a proteção contra a caxumba pode diminuir ao longo dos anos, e por isso surtos acontecem em grupos vacinados. Quem é vacinado e pega a doença tende a ter menos complicações.
Caxumba tem cura? Existe remédio específico?
A caxumba se cura sozinha na grande maioria dos casos, mas não existe antiviral específico. O tratamento é de suporte, com repouso, líquidos, remédios para febre e dor e compressas nas glândulas. A maioria se recupera totalmente em uma a duas semanas.
A caxumba em adulto é perigosa?
Em adultos, a caxumba costuma ser mais intensa e tem mais chance de complicações, como orquite nos homens, inflamação dos ovários ou das mamas nas mulheres, meningite e pancreatite. Mesmo assim, a maioria se recupera sem sequelas. Adultos sem as doses recomendadas da tríplice viral devem se vacinar na UBS.
Por que há surtos de caxumba entre pessoas vacinadas?
Os surtos em grupos vacinados acontecem principalmente porque a proteção da vacina contra a caxumba diminui ao longo dos anos, ao contrário da proteção duradoura contra o sarampo. Ambientes de contato próximo, como faculdades, facilitam a transmissão, e por isso doses extras podem ser usadas em surtos.
Fontes
- Ministério da Saúde — Caxumba — Saúde de A a Z, gov.br, consultado em 2026 — gov.br
- Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação — gov.br, consultado em 2026 — gov.br
- Centers for Disease Control and Prevention — About Mumps — CDC, 2024 (em inglês) — cdc.gov
- Centers for Disease Control and Prevention — Mumps: Signs and Symptoms — CDC, 2024 (em inglês) — cdc.gov
- Mayo Clinic Staff — Mumps: Diagnosis and Treatment — Mayo Clinic, 2024 (em inglês) — mayoclinic.org
- Perry M, Gravenor MB, Cottrell S, et al. — Estimates of vaccine effectiveness against measles and mumps: 14 years follow-up of a large cohort in Wales, UK — International Journal of Epidemiology, 2026 (em inglês) — doi.org/10.1093/ije/dyag083
- Park SW, Lawal T, Marin M, et al. — Modeling the population-level impact of a third dose of MMR vaccine on a mumps outbreak at the University of Iowa — Proceedings of the National Academy of Sciences, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1073/pnas.2403808121
- Chen Z, Chen R, Wu R, et al. — Antibody Levels Against Mumps Virus in Children After Implementation of the Two-Dose MMR Vaccine Policy — China CDC Weekly, 2025 (em inglês) — doi.org/10.46234/ccdcw2025.223
Leia também
- Entenda outra infecção que a tríplice viral previne no guia sobre os sintomas e a transmissão do sarampo.
- Saiba reconhecer uma complicação séria no guia sobre os sinais de alerta da meningite.
- Compare a caxumba com outra virose comum no guia sobre os sintomas da mononucleose.
- Conheça outra infecção da infância evitável por vacina no guia sobre a catapora (varicela).
- Ganhe segurança para ler os resultados no guia sobre valores de referência, destaques e próximos passos do laudo.
Entenda seus exames com a BloodSense
A caxumba costuma ser reconhecida pelos sintomas, mas os exames ajudam a confirmar o diagnóstico em surtos, do RT-PCR que detecta o vírus no swab às sorologias IgM e IgG que mostram infecção recente, antiga ou vacinação. Ver onde cada resultado fica em relação aos valores de referência facilita a conversa com a equipe de saúde. A BloodSense traduz o laudo completo para uma linguagem simples, mostra o que cada marcador significa e ajuda a acompanhar as mudanças ao longo do tempo. As informações desta página têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica.



