Melanoma: primeiros sinais (regra ABCDE), tipos, quando é grave e tratamento

O melanoma é um câncer que começa nos melanócitos, as células que dão cor à pele, e é o tipo de câncer de pele mais agressivo, porque pode se espalhar para outros órgãos se não for descoberto cedo. Ele representa uma parte pequena dos casos de câncer de pele, mas responde pela grande maioria das mortes por esse tipo de câncer. No Brasil, o INCA estima 9.360 novos casos por ano entre 2026 e 2028. A parte tranquilizadora é que o melanoma tem tratamento eficaz quando descoberto cedo, e a maioria dos casos tem cura, sobretudo quando as pessoas conhecem os sinais de alerta e examinam a pele com regularidade. Este guia explica o que é o melanoma, os primeiros sinais, os tipos, as causas, o diagnóstico, os tratamentos e as pesquisas mais recentes.
O que é melanoma?
Os melanócitos são as células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos cabelos e aos olhos e ajuda a proteger a pele do sol. O melanoma surge quando os melanócitos começam a crescer e se dividir de forma descontrolada, formando um tumor que pode invadir os tecidos vizinhos e, sem tratamento, chegar aos gânglios linfáticos e a órgãos distantes. O INCA o descreve como o câncer de pele mais agressivo justamente por essa alta possibilidade de se espalhar. A maioria dos melanomas começa na pele, muitas vezes numa pinta que já existia ou como uma mancha escura nova, mas a doença também pode surgir em lugares menos óbvios, como embaixo das unhas, nos olhos e nas mucosas que nunca pegam sol.
O melanoma é bem menos comum que os outros tipos de câncer de pele, mas causa a maioria das mortes por câncer de pele: no Brasil, foram 2.031 mortes em 2024, segundo o Atlas de Mortalidade citado pelo INCA. O prognóstico depende muito do momento do diagnóstico: nos Estados Unidos, a sobrevida relativa em cinco anos passa de 99% quando o melanoma ainda está restrito à pele, cai para cerca de 76% quando chega aos gânglios próximos e fica em torno de 35% depois que se espalha para órgãos distantes; somando todos os estágios, é de cerca de 95%. O risco também muda com a idade e o sexo: antes dos 50 anos, o melanoma é mais comum em mulheres, e depois dos 50, em homens.
Sintomas e primeiros sinais de melanoma
O jeito mais claro de reconhecer um possível melanoma é a regra do ABCDE, adotada internacionalmente e divulgada pelo INCA, que ajuda a separar uma pinta suspeita de uma inofensiva. A de assimetria: uma metade da pinta é diferente da outra. B de bordas: contorno irregular, recortado ou mal definido. C de cor: várias cores na mesma lesão, como preto, castanho, branco, avermelhado ou azul. D de diâmetro: maior que 6 milímetros, mais ou menos o tamanho de uma borracha de lápis, embora o melanoma possa ser menor no início. E de evolução: mudança de tamanho, forma, cor ou textura ao longo de semanas ou meses. Qualquer um desses sinais isolado já justifica mostrar a pinta a um médico. O INCA lembra que, na maioria das vezes, essas alterações não são câncer, mas precisam ser investigadas.
Além do ABCDE, outras pistas podem apontar para melanoma. O INCA descreve o aparecimento de uma pinta escura de bordas irregulares com coceira e descamação, ou uma pinta antiga que aumenta, muda de cor e de forma. Uma lesão nova, ou que parece bem diferente das outras pintas da pessoa (o sinal do “patinho feio”), merece atenção, assim como qualquer pinta que coce, sangre ou não cicatrize. O melanoma aparece com mais frequência em áreas expostas ao sol, como costas, pernas, braços e rosto, mas também pode surgir em lugares pouco examinados, como couro cabeludo, sola dos pés, embaixo das unhas e, mais raramente, nos olhos. O Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) destaca que, nas pessoas de pele negra, o melanoma é mais raro, mas, quando aparece, é mais frequente nas unhas e na região acral (palmas das mãos e solas dos pés); nas unhas, costuma surgir como uma listra escura, marrom ou preta.
Quais são os 4 tipos de melanoma?
Os quatro tipos principais de melanoma são o extensivo (ou disseminativo) superficial, o mais comum, que cresce primeiro na horizontal; o nodular, que cresce rápido em profundidade e costuma ser mais agressivo; o lentigo maligno, mais comum em pessoas mais velhas, em áreas muito expostas ao sol, como o rosto; e o melanoma lentiginoso acral, nas palmas, plantas e unhas, o tipo mais frequente em pessoas de pele negra. O GBM descreve que o lentigo maligno, como o extensivo superficial, cresce primeiro na camada mais superficial da pele antes de aprofundar.
O que causa o melanoma e os fatores de risco
A causa mais importante, e mais evitável, do melanoma é a radiação ultravioleta do sol, das câmaras de bronzeamento artificial ou de lâmpadas de bronzeamento, que danifica o DNA dos melanócitos e pode desencadear o crescimento descontrolado. O INCA lista como fatores de risco a exposição prolongada e repetida ao sol, sobretudo na infância e na adolescência, o bronzeamento artificial, ter pele e olhos claros, cabelos ruivos ou loiros, ser albino e ter história familiar ou pessoal de câncer de pele. Ter muitas pintas, mais de 50, ou pintas de aspecto atípico também aumenta o risco, e cerca de 1 em cada 10 pessoas com melanoma tem um familiar que teve a doença. O INCA destaca ainda o risco no trabalho ao ar livre, como em agricultores, trabalhadores da construção civil, pescadores e garis.
A imunidade baixa é outro fator importante: pessoas que receberam transplante de órgão ou vivem com HIV desenvolvem melanoma com mais frequência, porque um sistema imunológico menos ativo tem mais dificuldade para eliminar células anormais antes que virem câncer. Essa mesma vulnerabilidade aumenta o risco de outros cânceres, e conhecer os sintomas e as causas do linfoma mostra como a imunossupressão pode afetar mais de um tipo de câncer. Cerca de metade dos melanomas tem uma alteração no gene BRAF, o que mudou o tratamento, porque o tumor passou a ser alvo de remédios específicos. Como o ultravioleta está por trás da maioria dos casos, o INCA recomenda evitar o sol das 10h às 16h, procurar sombra, usar roupas, chapéu de aba larga e óculos com proteção UV e aplicar protetor solar com fator de proteção de no mínimo 15 antes de se expor (a Academia Americana de Dermatologia recomenda FPS 30 ou mais), além de não usar bronzeamento artificial.
Como é feito o diagnóstico do melanoma
O diagnóstico começa pelo exame da pele, feito normalmente pelo dermatologista, muitas vezes com a dermatoscopia, um aparelho com lente de aumento e luz especial que mostra camadas da pele que não se veem a olho nu. Qualquer lesão suspeita é retirada para biópsia, que pode ser por raspagem, por punch, incisional ou excisional, conforme o tamanho e o local, e analisada ao microscópio para confirmar se é melanoma. A mesma amostra permite ao patologista medir o índice de Breslow, a profundidade do tumor em milímetros, um dos fatores que mais preveem a evolução e parte da categoria T do estadiamento. No laudo anatomopatológico, procure também a presença ou não de ulceração. O INCA lembra que não há evidência de que o rastreamento do melanoma em pessoas sem sintomas traga mais benefícios do que riscos, mas o diagnóstico precoce de quem tem sinais suspeitos melhora muito os resultados.
| Índice de Breslow | O que significa no estadiamento |
|---|---|
| Menos de 0,8 mm | Tumores mais finos, em geral T1, muitas vezes os mais curáveis |
| De 0,8 mm a 4,0 mm | Espessura intermediária, em geral T2 a T3 |
| Mais de 4,0 mm | Tumores mais espessos, T4, com maior risco de se espalhar |
Nos tumores de espessura intermediária, a biópsia do linfonodo sentinela verifica se as células do melanoma chegaram aos gânglios mais próximos, o que define a categoria N e a intensidade do tratamento. Nos estágios mais altos, exames de imagem como tomografia, PET-CT ou ressonância procuram metástases em órgãos distantes. O exame de sangue também tem papel na doença avançada, de estágio IV: dosar a desidrogenase lática (LDH) no sangue faz parte do próprio sistema de estadiamento, porque um valor normal ou elevado separa os pacientes em subgrupos com prognósticos diferentes e costuma indicar o volume da doença.
Tratamento do melanoma
O tratamento do melanoma depende principalmente da espessura e do estágio do tumor. Para o INCA, a cirurgia é o tratamento mais indicado: os melanomas iniciais e finos muitas vezes são curados só com a retirada do tumor com uma margem de pele saudável ao redor. À medida que o melanoma fica mais espesso ou se espalha para gânglios ou órgãos distantes, o tratamento passa a depender cada vez mais de terapias que agem no corpo todo. O INCA destaca que o melanoma hoje é tratado com novos medicamentos, com altas taxas de sucesso.
| Abordagem | Para que serve |
|---|---|
| Retirada cirúrgica | Remove o tumor com uma margem de pele saudável; principal tratamento do melanoma inicial e localizado |
| Imunoterapia | Ajuda o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células do melanoma; usada nos estágios mais altos e na doença avançada, e cada vez mais antes da cirurgia |
| Terapia-alvo | Remédios dirigidos a mutações específicas, como a do BRAF, presente em cerca de metade dos melanomas |
| Radioterapia | Usada em casos selecionados, como depois da cirurgia dos gânglios ou para aliviar sintomas da doença espalhada |
Quando o melanoma chegou aos gânglios próximos ou além, o tratamento hoje costuma combinar abordagens. Os imunoterápicos chamados inibidores de checkpoint, que tiram os “freios” que permitem ao câncer se esconder do sistema imunológico, são usados depois da cirurgia e, cada vez mais, antes dela, às vezes com dois inibidores juntos para um efeito mais forte. Quando o tumor tem mutação no BRAF, a terapia-alvo pode ser acrescentada ou usada sozinha, sobretudo quando é preciso uma resposta rápida. Por serem remédios potentes, com efeitos colaterais próprios, as decisões são individuais e consideram a espessura do tumor, o estadiamento, o status do BRAF e a saúde geral. No Brasil, o tratamento oncológico pode ser feito pelo SUS, em serviços habilitados em oncologia, ou pelo plano de saúde; o acesso a cada medicamento pode variar entre os serviços.
Convivendo com o melanoma: prognóstico
A maioria das pessoas com diagnóstico de melanoma, sobretudo em estágio inicial, segue com uma vida longa e saudável, e muitas não precisam de outro tratamento depois que o tumor é retirado. O acompanhamento costuma incluir exames regulares da pele, porque quem já teve um melanoma tem mais risco de ter outro, e avaliações periódicas dos gânglios perto do local original. O INCA reforça a importância de voltar nas datas marcadas, porque esses pacientes têm predisposição a novos tumores e a cura depende da precocidade do diagnóstico. Em estágios mais avançados, o acompanhamento pode incluir exames de imagem e de sangue para detectar qualquer sinal de retorno da doença.
A proteção solar continua importante pelo resto da vida, porque a exposição ao ultravioleta aumenta o risco de novos melanomas e de outros cânceres de pele. Aprender a fazer um autoexame completo da pele todo mês, e pedir a alguém da família para olhar as áreas difíceis, como costas e couro cabeludo, dá segurança para perceber qualquer mudança cedo. Como o melanoma às vezes é familiar, parentes de primeiro grau de quem teve a doença também podem se beneficiar de avaliações regulares da pele. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento constante, o prognóstico do melanoma continua melhorando.
O que dizem as pesquisas mais recentes sobre melanoma
Segundo pesquisas indexadas no PubMed, dar imunoterapia antes da cirurgia está se mostrando mais eficaz do que dar só depois no melanoma operável de maior risco. No ensaio de fase 3 NADINA, pacientes com melanoma estágio III operável que receberam ipilimumabe e nivolumabe antes da cirurgia tiveram sobrevida livre de eventos em 12 meses de 83,7%, contra 57,2% dos que receberam só nivolumabe depois da cirurgia (Blank et al., 2024). O que isso significa para você: receber imunoterapia antes da operação, e não só depois, pode reduzir bastante a chance de o melanoma estágio III voltar.
A pesquisa também avança em vacinas contra o câncer personalizadas para o tumor de cada paciente. No ensaio KEYNOTE-942, acrescentar ao pembrolizumabe, depois da cirurgia, uma vacina de RNA mensageiro feita a partir das mutações do tumor de cada paciente elevou a sobrevida livre de recidiva em 18 meses para 79%, contra 62% com o pembrolizumabe sozinho, em pessoas com melanoma de alto risco operado (Weber et al., 2024). O que isso significa para você: uma vacina feita sob medida para o câncer da pessoa, somada à imunoterapia padrão, pode reduzir ainda mais a chance de o melanoma voltar depois da cirurgia. A atualização de cinco anos desse estudo mostrou que o benefício é duradouro, com redução contínua de recidiva e de metástases a distância, tendência favorável na sobrevida global e nenhum novo problema de segurança após um seguimento mediano de pouco mais de cinco anos (Khattak et al., 2026). O que isso significa para você: essa vacina personalizada parece trazer um benefício duradouro, e não passageiro, o que apoia novos estudos maiores; ela ainda é experimental.
Glossário do melanoma
| Termo | Definição |
|---|---|
| Melanócito | Célula da pele que produz pigmento e da qual se origina o melanoma. |
| Regra ABCDE | Lista de verificação, assimetria, bordas, cor, diâmetro e evolução, usada para identificar uma pinta que pode ser melanoma. |
| Índice de Breslow | Espessura do melanoma em milímetros, medida na biópsia, usada no estadiamento. |
| Biópsia do linfonodo sentinela | Procedimento que retira o primeiro ou os primeiros gânglios aonde o melanoma chegaria, para verificar se ele se espalhou. |
| Mutação BRAF | Alteração genética presente em cerca de metade dos melanomas, que pode ser tratada com remédios específicos. |
| Desidrogenase lática (LDH) | Marcador de sangue avaliado no melanoma avançado; valor alto pode indicar maior volume de doença. |
| Imunoterapia | Tratamento que ajuda o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células do câncer. |
Perguntas frequentes sobre melanoma
Quais são os primeiros sinais de melanoma?
O primeiro sinal costuma ser a mudança numa pinta que já existia, que aumenta, muda de cor ou de forma e fica com bordas irregulares, ou uma pinta nova diferente das outras, às vezes com coceira e descamação. Uma pinta que sangra ou não cicatriza também é pista precoce. Conhecer a regra ABCDE ajuda a perceber o problema quando ele é mais fácil de tratar.
Qual é o aspecto do melanoma?
O melanoma costuma parecer uma pinta ou mancha escura que destoa das outras e segue o padrão ABCDE: assimétrica, com borda irregular, mais de uma cor, diâmetro acima de cerca de 6 milímetros ou forma que continua mudando. As cores vão do marrom e preto ao castanho, vermelho, branco ou azul. Alguns melanomas quase não têm pigmento e parecem uma lesão rosada, por isso qualquer lesão nova que muda merece avaliação.
Como saber se é melanoma ou pinta?
Só o médico consegue diferenciar com segurança, pelo exame da pele, pela dermatoscopia e, se necessário, pela biópsia. Uma pinta comum costuma ser simétrica, de cor uniforme, borda regular e estável ao longo do tempo; o melanoma tende a ser assimétrico, irregular, com várias cores e em mudança. Fotografar as pintas e comparar ao longo dos meses ajuda a mostrar mudanças ao dermatologista.
Existe melanoma benigno?
Não. Todo melanoma é um câncer, ou seja, maligno. A expressão “melanoma benigno” costuma ser usada por engano para falar de pintas comuns (nevos), que são benignas, ou de melanomas descobertos tão cedo que têm altíssima chance de cura. Se o laudo de uma biópsia disser “nevo”, não é melanoma; se disser “melanoma”, mesmo que in situ, é preciso seguir o tratamento indicado.
Quando o melanoma é grave? Ele tem cura?
O melanoma é mais grave quanto mais profundo ele é (índice de Breslow), quando tem ulceração e quando chegou aos gânglios ou a órgãos distantes. Descoberto cedo, restrito à pele, ele tem cura na grande maioria dos casos, muitas vezes só com cirurgia. Nos estágios avançados, a imunoterapia e a terapia-alvo mudaram o prognóstico e hoje permitem controle prolongado em muitos pacientes.
Quais são os estágios do melanoma?
O melanoma é classificado do estágio 0 ao IV, conforme o índice de Breslow, a presença de ulceração, a chegada aos gânglios próximos e a disseminação para órgãos distantes. Os estágios iniciais ficam restritos à pele, e o estágio IV significa que o melanoma chegou a locais distantes, como pulmões, fígado ou cérebro.
Qual é a taxa de sobrevida do melanoma?
Depende muito do estágio no diagnóstico. Em dados dos Estados Unidos, a sobrevida relativa em cinco anos passa de 99% quando o melanoma está restrito à pele, fica em cerca de 76% quando chega aos gânglios próximos e em torno de 35% depois que se espalha para órgãos distantes. Somando todos os estágios, é de cerca de 95%.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele melanoma: versão para população — Ministério da Saúde, atualizado em 2025 — gov.br
- Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) — O melanoma — GBM, consultado em 2026 — gbm.org.br
- American Academy of Dermatology — The ABCDEs of Melanoma — AAD, 2024 (em inglês) — aad.org
- American Cancer Society — Melanoma Skin Cancer Survival Rates by Stage — American Cancer Society, 2025 (em inglês) — cancer.org
- Mayo Clinic — Melanoma: Symptoms and Causes — Mayo Clinic, 2024 (em inglês) — mayoclinic.org
- Blank CU, et al. — Neoadjuvant Nivolumab and Ipilimumab in Resectable Stage III Melanoma — New England Journal of Medicine, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1056/NEJMoa2402604
- Weber JS, et al. — Individualised neoantigen therapy mRNA-4157 (V940) plus pembrolizumab versus pembrolizumab monotherapy in resected melanoma (KEYNOTE-942): a randomised, phase 2b study — The Lancet, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1016/S0140-6736(23)02268-7
- Khattak A, et al. — Intismeran Autogene Plus Pembrolizumab Versus Pembrolizumab Alone in High-Risk Resected Melanoma: 5-Year Update of the Randomized Phase IIb KEYNOTE-942 Study — Journal of Clinical Oncology, 2026 (em inglês) — doi.org/10.1200/JCO-26-00835
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