O sarampo é uma doença viral, grave e altamente contagiosa, que começa com febre alta, tosse, coriza e olhos irritados e, depois de alguns dias, provoca manchas vermelhas que descem do rosto para o corpo. Ele pode ser prevenido pela vacina tríplice viral, oferecida pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 90 % das pessoas próximas que não estejam imunes.

Por anos, muitas famílias brasileiras nem precisaram pensar nisso. Isso mudou. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) registra que o último caso endêmico de sarampo nas Américas, na era pós-eliminação, foi relatado em julho de 2015, no Brasil; em 2025, porém, a região notificou 14.975 casos confirmados em 13 países, 32 vezes mais que em 2024. Os casos se concentram onde a cobertura vacinal caiu. Este guia mostra o que o sarampo faz no corpo, quais exames confirmam a doença, o que o tratamento pode fazer e o que as evidências dizem sobre a vacina — e responde às duas ideias que mais circulam nos surtos: que a vacina causa autismo e que a vitamina A substitui a vacina.

O que é o sarampo?

O sarampo é causado por um vírus de RNA do gênero Morbillivirus. O ser humano é o seu único hospedeiro natural, e é por isso que a eliminação é possível. O vírus entra pelas vias respiratórias, se multiplica nas células de defesa e depois se espalha pelo sangue para a pele, o intestino, os olhos e os pulmões.

É difícil exagerar o quanto ele é contagioso. O vírus fica suspenso no ar de um ambiente por até duas horas depois que a pessoa doente saiu, segundo o CDC americano, então nem é preciso contato direto.

Sintomas do sarampo e as fases da doença

Os sintomas aparecem de 7 a 14 dias depois do contato com o vírus. A primeira fase dura de dois a quatro dias: febre que pode passar de 40 °C, tosse seca, nariz escorrendo e olhos vermelhos que doem com a luz. Ela imita o resfriado comum, que a maioria das famílias trata em casa com repouso e líquidos. Os médicos também pensam na gripe, que tem um começo quase igual. A pista são os “três Cs” — tosse, coriza e conjuntivite — com febre subindo.

Para o Ministério da Saúde, os principais sinais são manchas vermelhas (exantema) que começam na cabeça e descem em direção aos pés, com febre alta, acima de 38,5 °C, acompanhada de tosse seca, coriza, conjuntivite sem pus ou pequenos pontos brancos na boca (manchas de Koplik).

Qual o primeiro sinal de sarampo?

O primeiro sinal costuma ser febre alta com tosse seca, nariz escorrendo e olhos vermelhos e lacrimejantes, alguns dias antes das manchas. As manchas de Koplik dentro das bochechas podem aparecer logo antes da erupção na pele e são uma pista quase exclusiva do sarampo.

Quais são as 3 fases do sarampo?

De forma simples, o sarampo passa por três fases: a fase inicial (pródromo), com febre, tosse, coriza e conjuntivite por dois a quatro dias; a fase das manchas (exantemática), quando a erupção surge e se espalha por cerca de três dias; e a fase de recuperação, em que as manchas desaparecem na mesma ordem em que surgiram, às vezes com uma descamação fina, enquanto a tosse e o cansaço ainda duram mais uma semana.

As manchas na pele e as manchas de Koplik

Dois a três dias depois do início, podem surgir dentro das bochechas pontinhos brancos com centro branco-azulado. Essas manchas de Koplik quase confirmam o diagnóstico, mas somem em um ou dois dias. A erupção chega de 3 a 5 dias depois dos primeiros sintomas: começa como manchas vermelhas planas na linha do cabelo e atrás das orelhas e desce pelo rosto, tronco, braços e pernas ao longo de três dias.

Na pele mais escura, a erupção é mais difícil de ver e passa despercebida com frequência, porque as descrições dos livros foram feitas para pele clara. Na pele parda e negra, ela costuma parecer roxa, marrom ou cinza-azulada, ou aparece só como uma mudança de tom mais fácil de sentir do que de ver. Passe as pontas dos dedos na pele para sentir a textura áspera e olhe as palmas, as plantas dos pés e o interior da boca. Febre com os três Cs e sem manchas vermelhas visíveis ainda é sarampo até prova em contrário.

Sinais de alerta que pedem atendimento de urgência

Procure atendimento de urgência em caso de dificuldade para respirar ou respiração rápida, dor no peito ou lábios arroxeados. Os sinais neurológicos importam tanto quanto: convulsão, sonolência, confusão, rigidez na nuca, dor de cabeça forte ou uma criança que não consegue ser acordada. A desidratação também pede atenção urgente: nenhuma fralda molhada em oito horas, choro sem lágrimas ou incapacidade de manter líquidos no estômago. O Ministério da Saúde alerta que a febre que persiste depois do aparecimento das manchas é um sinal de gravidade, sobretudo em crianças menores de 5 anos. Em emergência, ligue para o SAMU (192).

Onde se pega sarampo? Como ele é transmitido

O sarampo é transmitido pelo ar, de pessoa para pessoa. Quem está infectado libera gotículas e aerossóis finos cheios de vírus ao tossir, espirrar, falar ou respirar, e essas partículas ficam no ar. Superfícies contaminadas também podem transmitir. Por isso ele se espalha em escolas, creches, transporte público, aeroportos, serviços de saúde e qualquer lugar fechado com pessoas não vacinadas.

O momento da transmissão é o que dificulta o controle. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pode ocorrer de 6 dias antes a 4 dias depois do aparecimento das manchas vermelhas. Na primeira metade desse período, a doença parece um resfriado forte, e as pessoas vão trabalhar e mandam as crianças para a escola sem saber. Os mais vulneráveis são os bebês novos demais para a primeira dose, crianças e adultos não vacinados, gestantes e pessoas com a imunidade baixa.

Sarampo mata? Complicações da doença

Sim, o sarampo pode matar: segundo o Ministério da Saúde, de 1 a 3 em cada 1.000 crianças doentes morrem por complicações. As complicações não são raridades. O Ministério da Saúde estima que cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo desenvolve pneumonia, a causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas; a otite média atinge cerca de 1 em 10 e pode causar surdez permanente; e a encefalite aguda atinge de 1 a 4 em cada 1.000 crianças, e 10 % delas podem morrer. Nos Estados Unidos, o CDC calcula que cerca de 1 em cada 5 pessoas não vacinadas com sarampo precisa de internação.

ComplicaçãoQuem tem mais riscoPor que importa
PneumoniaMenores de 5 anos, adultos acima de 20, pessoas com imunidade baixaPrincipal causa de morte por sarampo em crianças; pode exigir UTI
EncefaliteQualquer idade; de 1 a 4 em cada 1.000 criançasInflamação do cérebro que pode deixar surdez, convulsões ou deficiência intelectual
PEES (panencefalite esclerosante subaguda)Maior risco depois de infecção antes dos 2 anosDoença cerebral fatal que surge 7 a 10 anos depois da recuperação, sem cura
Amnésia imunológicaTodos os infectados, sobretudo as criançasApaga a memória dos anticorpos e deixa anos de vulnerabilidade a outras infecções

A amnésia imunológica importa porque é invisível: o sarampo destrói os linfócitos que guardam a memória do sistema imunológico sobre infecções e vacinas anteriores, e uma criança pode se recuperar das manchas e passar anos pegando doenças que o corpo já tinha aprendido a combater. As famílias que comparam a pneumonia do sarampo com as infecções respiratórias conhecidas podem entender melhor a pneumonia, que enche os alvéolos de líquido e restos inflamatórios.

Qual é o exame para detectar sarampo?

O sarampo é confirmado por exame de sangue (sorologia para anticorpos IgM) e por RT-PCR em secreção do nariz, da garganta ou na urina. O diagnóstico começa pela suspeita clínica: febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas que começaram no rosto e desceram, principalmente em quem não é vacinado ou viajou recentemente. Escarlatina, roséola e rubéola entram na lista de diagnósticos possíveis, por isso a confirmação em laboratório é necessária. Para o Ministério da Saúde, o diagnóstico laboratorial é o padrão-ouro e as amostras devem ser colhidas já no primeiro contato com o paciente; os casos suspeitos são notificados às autoridades de saúde, que organizam os exames pela rede pública. Avise antes de chegar ao serviço de saúde e use máscara, para que a equipe possa isolar você na chegada.

Os exames de sangue e de laboratório que importam

  • A sorologia IgM para sarampo é o exame padrão na fase aguda e detecta o anticorpo IgM, o primeiro a aparecer dias depois das manchas e sinal de infecção atual. Colhido nas primeiras 72 horas, pode dar falso negativo. O Ministério da Saúde orienta colher a primeira amostra de sangue entre o 1º e o 30º dia das manchas e uma segunda de 15 a 25 dias depois.
  • A sorologia IgG responde a outra pergunta. Confirmar que alguém já está protegido exige o exame de anticorpos IgG, que documenta infecção antiga ou vacinação bem-sucedida; o aumento dos títulos de IgG entre duas amostras também ajuda a confirmar o caso.
  • O RT-PCR em secreção da garganta e do nariz ou na urina detecta o material genético do vírus, é mais sensível nos primeiros dias das manchas e permite identificar o genótipo. Segundo o Ministério da Saúde, essas amostras devem ser colhidas até o 7º dia após o início das manchas.
  • Os médicos costumam pedir o hemograma completo, que no sarampo em geral mostra linfócitos baixos; uma subida posterior dos neutrófilos sugere infecção bacteriana.
  • A vitamina A pode ser avaliada em crianças internadas ou desnutridas e quando surgem complicações nos olhos, porque a deficiência piora a evolução. Esse exame, e qualquer tratamento, cabem ao profissional de saúde.

Tratamento: o que realmente ajuda

Não existe tratamento específico nem remédio antiviral que cure o sarampo. Nada disponível encurta a doença ou elimina o vírus. O cuidado é de suporte: repouso, hidratação, suporte nutricional e paracetamol ou ibuprofeno para febre e dor, com acompanhamento para detectar complicações cedo. O Ministério da Saúde contraindica o antibiótico, exceto quando há infecção bacteriana secundária, e lembra que muitas crianças precisam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional. Nunca dê ácido acetilsalicílico (AAS) a crianças ou adolescentes com virose, pelo risco de síndrome de Reye.

A vitamina A tem um papel restrito aqui, e a precisão importa. O Ministério da Saúde recomenda o palmitato de retinol (vitamina A), mediante avaliação de um profissional de saúde, para todas as crianças com suspeita de sarampo, em duas doses por via oral — uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte —, com a dose definida pela idade. A OMS e a Academia Americana de Pediatria têm a mesma orientação. O sarampo esgota a vitamina A até em crianças bem nutridas, e repor reduz o risco de lesões nos olhos e de cegueira.

O que a vitamina A não é: ela não previne o sarampo e não impede ninguém de pegar a doença. Não substitui a vacina e não dá proteção antes da infecção. Não é algo para dar em casa, nem um suplemento para distribuir durante um surto. A vitamina A é lipossolúvel, então o corpo armazena o excesso em vez de eliminá-lo, e doses altas causam intoxicação real: lesão no fígado, aumento da pressão dentro do crânio, dor de cabeça, vômitos, dor nos ossos e nas articulações, descamação da pele e malformações na gravidez. No surto do oeste do Texas, em 2025, médicos de um hospital infantil de Lubbock relataram crianças com exames do fígado alterados depois de receberem vitamina A em dose alta como suposta prevenção. A vacina previne o sarampo; a vitamina A é uma parte supervisionada do tratamento.

Vacina contra o sarampo: o que as evidências mostram

A vacina tríplice viral (SCR) protege contra sarampo, caxumba e rubéola; a tetraviral acrescenta a varicela, e a dupla viral protege contra sarampo e rubéola e pode ser usada no bloqueio vacinal em surtos. Segundo o CDC, uma dose é 93 % eficaz contra o sarampo e duas doses são 97 % eficazes, entre os números mais altos de qualquer vacina de rotina, e a proteção em geral dura a vida toda.

No Calendário Nacional de Vacinação do SUS, a criança recebe a tríplice viral aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses. Pessoas até 29 anos devem ter duas doses; de 30 a 59 anos, uma dose; trabalhadores da saúde, duas doses em qualquer idade. O Ministério da Saúde informa que, em localidades com surto, a vacinação pode ser indicada para bebês de 6 meses a menores de 1 ano. A vacina é aplicada nas salas de vacinação do SUS, como as Unidades Básicas de Saúde, e o registro aparece na caderneta e pode aparecer no aplicativo Meu SUS Digital.

A vacina é usada há mais de cinquenta anos e sua segurança é bem conhecida. O Ministério da Saúde informa que as reações mais observadas são febre, dor e vermelhidão no local e manchas na pele, e que as reações alérgicas são raras. Convulsões com febre ocorrem em cerca de 1 em cada 3.000 a 4.000 doses e assustam, mas não causam dano. Poucas pessoas não devem tomá-la: quem teve reação alérgica grave a uma dose anterior, gestantes — a tríplice viral é contraindicada na gestação, e a gestante não vacinada deve receber a vacina no puerpério — e pessoas com imunidade muito baixa.

Essas exceções explicam por que a cobertura da comunidade importa. Bebês com menos de 12 meses, crianças em tratamento de câncer e pessoas com deficiência imunológica não podem ser vacinados e dependem da imunidade de quem está em volta. O sarampo precisa de cerca de 95 % de cobertura com duas doses para parar de circular, e as falhas aparecem na forma de surtos.

Se você teve contato com alguém com sarampo

Aja rápido, porque a janela de proteção depois do contato é curta. Ligue para o serviço de saúde ou para a vigilância epidemiológica do seu município antes de ir pessoalmente, para que a equipe organize uma entrada segura. Segundo o CDC, a vacina aplicada até 72 horas depois do contato pode evitar a doença ou deixá-la mais leve. A imunoglobulina, um concentrado de anticorpos injetável, pode ser aplicada em até 6 dias e é reservada para bebês com menos de 12 meses, gestantes sem imunidade e pessoas com imunidade muito baixa. Nos demais casos, observe os sintomas por 21 dias.

Quantos dias dura o sarampo?

Um caso sem complicações dura de 10 a 14 dias, dos primeiros sintomas até a recuperação. Febre, tosse e olhos vermelhos vêm primeiro, por dois a quatro dias; as manchas vêm depois, se espalham por cerca de três dias e somem na ordem em que apareceram. A tosse e o cansaço ficam mais uma semana, e, somando a incubação, passam cerca de três semanas entre o contato e voltar a se sentir normal. Febre que volta depois sugere complicação.

Avanços científicos recentes

Um estudo de simulação publicado no JAMA perguntou o que acontece se a vacinação infantil nos Estados Unidos continuar caindo. Os pesquisadores modelaram a disseminação das infecções nos 50 estados a partir de dados de imunidade de cada estado e projetaram 25 anos à frente. Com as taxas atuais, o sarampo voltou a ter transmissão contínua em 83 % das simulações, em média em 20,9 anos, com cerca de 851.300 casos estimados. Uma queda de 10 % na cobertura da vacina elevou isso para 11,1 milhões de casos; um aumento de 5 % segurou em cerca de 5.800 (Kiang et al., 2025). O modelo também acompanhou a poliomielite, a doença paralisante que a vacinação de rotina eliminou décadas atrás. O que isso significa para você: pequenas mudanças na cobertura produzem diferenças enormes.

Uma pesquisa publicada na JCI Insight estudou a amnésia imunológica diretamente em macacos infectados pelo vírus do sarampo. A equipe adaptou o VirScan, uma tecnologia que procura no sangue anticorpos contra milhares de fragmentos de vírus ao mesmo tempo, medindo os anticorpos contra todos os micróbios que cada animal já tinha encontrado. Os animais que receberam o antiviral remdesivir do 3º ao 14º dia depois da exposição mantiveram em grande parte os anticorpos contra outros micróbios; os tratados do 11º ao 22º dia, não (Chan et al., 2025). O que isso significa para você: é uma pesquisa em animais, não um tratamento aprovado, mas confirma que o sarampo apaga a imunidade adquirida logo no começo.

Um terceiro estudo, no JAMA Network Open, perguntou se um grande surto muda o comportamento de vacinação de uma região. Os pesquisadores acompanharam 149.092 crianças de uma rede pediátrica do centro de Ohio por 20 meses depois do início de um surto. A cobertura da primeira dose no tempo certo, até os 16 meses, não se mexeu: 53,6 % no início e 53,6 % vinte meses depois, enquanto a cobertura da segunda dose subiu só de 57,9 % para 60,2 %, bem abaixo do limiar de imunidade coletiva de 93 % citado pelos autores (Martoma et al., 2025). O que isso significa para você: um surto perto de casa não fecha as falhas de cobertura, então confira a sua própria caderneta.

Mitos e verdades

Mito: a vacina tríplice viral causa autismo. Verdade: não causa. O artigo de 1998 que deu origem a essa ideia foi retratado pela revista que o publicou, e o autor principal perdeu o registro de médico depois que investigadores concluíram que o trabalho era desonesto. Estudos posteriores acompanharam bem mais de um milhão de crianças e não encontraram relação entre a vacina e o autismo.

Mito: o sarampo é uma doença boba da infância. Verdade: ele pode causar pneumonia, encefalite, surdez e morte, e cerca de 1 em cada 5 não vacinados com sarampo nos Estados Unidos precisa de internação.

Mito: boa alimentação ou suplementos evitam o sarampo. Verdade: o sarampo infecta crianças bem nutridas em países ricos com a mesma facilidade, e a vitamina A apoia o tratamento supervisionado, mas não previne nada.

Mito: vacinar é uma decisão particular que só afeta o meu filho. Verdade: recém-nascidos, crianças em tratamento de câncer e pessoas com deficiência imunológica só estão protegidos pela imunidade de quem está em volta.

Glossário

TermoO que significa
ExantemaAs manchas vermelhas na pele; no sarampo, começam na cabeça e descem para os pés.
Manchas de KoplikPontinhos brancos dentro das bochechas que surgem antes das manchas, quase exclusivos do sarampo.
Anticorpo IgMO primeiro anticorpo produzido numa infecção nova, usado para confirmar o sarampo ativo.
Anticorpo IgGO anticorpo duradouro que indica imunidade por infecção ou vacina.
Amnésia imunológicaPerda da memória imune adquirida, que aumenta a vulnerabilidade por anos.
PEESPanencefalite esclerosante subaguda, doença cerebral rara e fatal que surge anos depois do sarampo.
Bloqueio vacinalVacinação dos contatos de um caso suspeito para interromper a transmissão.
Imunidade coletivaO nível de imunidade, cerca de 95 % no sarampo, que interrompe a transmissão e protege quem não pode se vacinar.

Perguntas frequentes

Por quanto tempo o sarampo é contagioso?

Segundo o Ministério da Saúde, a pessoa com sarampo pode transmitir o vírus de 6 dias antes até 4 dias depois do aparecimento das manchas. A parte mais difícil é o começo, quando os sintomas parecem um resfriado comum e ninguém suspeita de sarampo. O vírus também fica no ar do ambiente por até duas horas depois que a pessoa infectada saiu. Fique em casa até o 4º dia das manchas, seguindo a orientação do serviço de saúde.

Quem é vacinado pode pegar sarampo?

É possível, mas incomum. Duas doses da vacina têm cerca de 97 % de eficácia, então cerca de 3 em cada 100 pessoas totalmente vacinadas ainda podem se infectar se tiverem contato com o vírus. Esses casos costumam ser mais leves e passam muito menos para outras pessoas. Se você teve contato com um caso, procure o serviço de saúde, que pode avaliar a sua situação vacinal e, se necessário, a sua imunidade com o exame de IgG.

Como é a mancha do sarampo? O sarampo coça?

As manchas começam planas e vermelhas, ou de cor alterada, na linha do cabelo e atrás das orelhas, e descem pelo rosto, pescoço, tronco, braços e pernas em cerca de três dias. Na pele mais escura, costumam parecer roxas, marrons ou acinzentadas em vez de vermelhas e são mais fáceis de sentir do que de ver. Elas podem coçar um pouco, mas a coceira intensa não é o sinal mais típico. Olhe também dentro das bochechas em busca das manchas de Koplik.

Adulto pega sarampo?

Sim. Adultos que não tiveram a doença e não completaram a vacinação podem pegar sarampo, e acima dos 20 anos o risco de pneumonia é maior. Por isso o SUS oferece a tríplice viral também para adultos: duas doses até 29 anos e uma dose de 30 a 59 anos.

A vacina tríplice viral funciona bem?

O CDC informa que uma dose da vacina tem 93 % de eficácia contra o sarampo e duas doses têm 97 %, com proteção que em geral dura a vida toda. É uma proteção excepcionalmente forte, e é por isso que o sarampo deixou de circular de forma contínua nas Américas. Como a doença é muito contagiosa, cerca de 95 % da comunidade precisa ter duas doses para bloquear a transmissão, e as falhas locais geram surtos.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Sarampo — Brasil, 2025 — gov.br
  • Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação — Brasil, 2026 — gov.br
  • Organização Pan-Americana da Saúde — Sarampo — OPAS/OMS, 2026 — paho.org
  • Ministério da Saúde — Meu SUS Digital — Brasil, 2025 — gov.br
  • Ministério da Saúde — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) — Brasil, 2024 — gov.br
  • CDC — Measles Cases and Outbreaks — CDC, 2026 — cdc.gov (em inglês)
  • CDC — Measles Signs and Symptoms — CDC, 2025 — cdc.gov (em inglês)
  • CDC — Measles Vaccination — CDC, 2025 — cdc.gov (em inglês)
  • MedlinePlus — Measles — NIH, 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
  • American Academy of Pediatrics — Measles Clinical Guidance — AAP, 2025 — aap.org (em inglês)
  • World Health Organization — Measles fact sheet — WHO, 2025 — who.int (em inglês)
  • Kiang MV et al. — Modeling Reemergence of Vaccine-Eliminated Infectious Diseases Under Declining Vaccination — JAMA, 2025 — doi.org (em inglês)
  • Chan AKP et al. — Remdesivir postexposure prophylaxis limits measles-induced immune amnesia — JCI Insight, 2025 — doi.org (em inglês)
  • Martoma RA et al. — Measles Vaccination Coverage After a Postelimination Outbreak — JAMA Netw Open, 2025 — doi.org (em inglês)

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