A gripe costuma chegar de repente: à tarde você está bem e, à noite, já tem febre, dor no corpo inteiro e nenhuma vontade de comer. Esse início brusco é uma das pistas mais úteis para saber que se trata de influenza, e não de um resfriado comum. A gripe é uma infecção respiratória causada pelos vírus influenza. Na maioria dos adultos saudáveis, ela melhora sozinha em cerca de uma semana, mas a tosse e o cansaço podem durar mais tempo.

Neste artigo você vai ver como os sintomas da gripe evoluem dia a dia, como diferenciar a gripe de um resfriado e da covid-19, o que os testes rápidos e os testes moleculares conseguem confirmar, por que o exame de sangue de rotina não diagnostica a influenza (mas ajuda o médico quando há suspeita de complicação bacteriana), quando o antiviral vale a pena e quais sinais de alerta, em adultos e crianças, exigem atendimento urgente.

O que é a gripe e o que a diferencia

A gripe é causada pelos vírus influenza, que infectam o nariz, a garganta e, às vezes, os pulmões. O Ministério da Saúde descreve quatro tipos de vírus (A, B, C e D), mas apenas dois provocam as epidemias sazonais em pessoas. O influenza A circula em subtipos como o A(H1N1)pdm09 e o A(H3N2) e é o responsável pelas grandes ondas e pandemias. O influenza B infecta apenas seres humanos e costuma atingir uma proporção maior de crianças e adolescentes. Na prática, os dois causam uma doença muito parecida, e não é possível distingui-los pelos sintomas. Só um exame de laboratório faz essa diferença.

O vírus se espalha por gotículas liberadas quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala, e também pelo contato das mãos com superfícies contaminadas, levadas depois aos olhos, ao nariz ou à boca. Quem está gripado transmite o vírus desde cerca de um dia antes dos sintomas até cinco a sete dias depois. Por isso a gripe passa tão rápido de uma pessoa para outra em casa, na escola e no trabalho. Crianças pequenas e pessoas com a imunidade baixa eliminam o vírus por mais tempo.

Sintomas da gripe e como eles evoluem

A influenza segue um caminho bastante reconhecível. Conhecer esse caminho ajuda você a perceber se a doença está se comportando como o esperado ou se está saindo do trilho e merece uma conversa com o médico.

Os dois primeiros dias

O início é súbito, não gradual. A febre, muitas vezes entre 38 °C e 40 °C, chega junto com calafrios, dor forte nos músculos e nas articulações, dor de cabeça e um cansaço pesado, de deixar a pessoa prostrada. Muita gente conta que simplesmente não consegue sair da cama. A tosse seca e a dor de garganta costumam começar ao mesmo tempo. O nariz entupido, em geral, é menos marcante.

Do terceiro ao sétimo dia

A febre geralmente cede entre o terceiro e o quinto dia. Quando ela vai embora, os sintomas respiratórios passam a dominar: a tosse fica mais evidente, a garganta arranha e o nariz pode entupir mais. A maioria dos adultos saudáveis se sente bem melhor entre o quinto e o sétimo dia, ainda que não totalmente recuperada.

A fase longa: tosse e cansaço

É comum que a tosse continue por duas a três semanas depois que a febre passou, e isso, por si só, não quer dizer que a infecção ainda esteja ativa. A influenza agride o revestimento protetor das vias aéreas, que continuam irritadas enquanto se recuperam. Os médicos às vezes chamam esse quadro persistente de bronquite aguda. O cansaço também se arrasta por um período parecido. O que não é típico é uma tosse que piora depois de você ter começado a melhorar, ou que volta acompanhada de febre.

Gripe sem febre e outras variações

Nem todo mundo tem febre. Idosos, pessoas que já estão tomando antitérmico e pessoas com a imunidade baixa podem ter influenza com pouca ou nenhuma febre e, mesmo assim, sentir muito cansaço e dor no corpo. O Ministério da Saúde lembra que, nas crianças, a febre pode ser mais alta, e são comuns gânglios aumentados no pescoço e sintomas gastrointestinais. Vômitos e diarreia aparecem com mais frequência nelas e não devem ser confundidos com a chamada “virose” intestinal, que é causada por outra família de vírus. Ausência de febre não significa doença leve, nem que você não esteja transmitindo o vírus.

Gripe, resfriado ou covid-19: como diferenciar

Essas três infecções se parecem o suficiente para que os sintomas, sozinhos, nunca deem certeza. O que eles fazem é mudar as probabilidades e indicar se vale a pena fazer um teste. A tabela abaixo resume os padrões que os médicos observam.

CaracterísticaGripe (influenza)Resfriado comumCovid-19
Como começaDe repente, em poucas horasAos poucos, em dois a três diasVariável, muitas vezes gradual
FebreComum e muitas vezes altaRara em adultos, baixa quando apareceComum, muito variável
Dor no corpoIntensa, muitas vezes forteLeveComum, geralmente moderada
CansaçoMarcante, pode derrubarLeveComum, pode persistir
Espirros e corizaÀs vezesO sintoma principalÀs vezes
Perda de olfato ou paladarRaraOcasional, pelo nariz entupidoMais característica
Duração habitual da fase agudaCinco a sete diasSete a dez diasMuito variável
O teste muda a conduta?Sim, o antiviral depende do tempoNão, não há tratamento específicoSim, para quem tem maior risco

Duas conclusões práticas saem daí. Início súbito, febre alta e dor no corpo intensa apontam para gripe com força suficiente para justificar um teste durante a temporada de vírus respiratórios. E, como gripe e covid-19 podem acontecer juntas e são tratadas de forma diferente, os testes combinados, que procuram os dois vírus na mesma amostra de swab, são hoje rotina em muitos serviços. Outras infecções também imitam esse quadro: diante de um adulto jovem com febre, dor de garganta e semanas de cansaço, o médico também pensa em mononucleose infecciosa.

Como a gripe é diagnosticada: teste rápido ou teste molecular

A gripe é confirmada com uma amostra colhida com swab (uma haste parecida com um cotonete) no nariz ou na garganta. Existem duas famílias de testes, e a diferença entre elas importa mais do que a maioria das pessoas imagina.

Os testes rápidos de antígeno procuram proteínas da superfície do vírus. O resultado sai em cerca de quinze minutos, em consultório, pronto-atendimento ou farmácia. O ponto forte é a rapidez; o ponto fraco é a sensibilidade. Eles deixam passar uma parte importante das infecções verdadeiras, principalmente quando a quantidade de vírus é baixa ou a coleta não foi bem feita. Vale lembrar que, no Brasil, os testes rápidos feitos em farmácia têm finalidade de triagem, não de confirmação, segundo a norma da ANVISA para exames de análises clínicas.

Os testes moleculares, como o RT-PCR e outros métodos de amplificação de ácido nucleico, detectam o material genético do vírus. Eles encontram quantidades muito menores e, por isso, são bem mais sensíveis. Alguns são feitos no laboratório em algumas horas; outros funcionam em aparelhos no próprio serviço e liberam o resultado em quinze a trinta minutos. Muitos laboratórios oferecem painéis que pesquisam influenza A e B, covid-19 e vírus sincicial respiratório na mesma amostra.

A regra prática é simples. Um teste de antígeno positivo é confiável e significa que você está com gripe. Um negativo, em alguém com quadro típico em plena temporada de gripe, é uma evidência bem mais fraca, e o médico muitas vezes repete o exame com um método molecular ou trata com base na avaliação clínica. Se o seu teste deu negativo, mas você se sente exatamente como uma gripe forte no meio de um surto, esse resultado merece uma conversa, não tranquilidade automática.

O que o exame de sangue pode e não pode mostrar na gripe

Aqui as expectativas costumam precisar de ajuste. Não existe exame de sangue que diagnostique a gripe. Quem faz esse papel é o teste de swab, de antígeno ou molecular, e nenhuma combinação de marcadores de rotina o substitui. Se você fez exames de sangue no pronto-atendimento, eles não estão sendo usados para confirmar a gripe.

O que o exame de sangue faz é ajudar o médico a avaliar se há algo além da influenza, mais comumente uma infecção bacteriana por cima da viral, como uma pneumonia. Essa dúvida é difícil à beira do leito: uma pessoa com gripe forte e outra com gripe mais uma pneumonia bacteriana no começo podem parecer iguais nas primeiras horas. Vários marcadores são lidos em conjunto, nunca isoladamente.

  • O médico pode pedir um hemograma completo, que mede as diferentes populações de células do sangue em um único exame.
  • Esse exame informa a contagem total de leucócitos, que muitas vezes fica normal ou cai na gripe sem complicação e sobe quando há bactérias envolvidas.
  • Ele separa essa contagem em neutrófilos, que aumentam na infecção bacteriana, e linfócitos, que costumam diminuir durante uma virose.
  • Muitas vezes o médico acrescenta a dosagem de PCR (proteína C reativa), um marcador de inflamação que sobe tanto na infecção viral quanto na bacteriana, mas sobe muito mais com bactérias.
  • No hospital, a equipe também pode dosar a procalcitonina, um marcador mais ligado à infecção bacteriana, usado para orientar a decisão de iniciar ou suspender antibióticos.

Nenhum desses números é um veredito sozinho. Uma PCR elevada em alguém com gripe confirmada no swab não significa automaticamente que é preciso antibiótico, e uma contagem de leucócitos normal não descarta complicação em um paciente muito doente. O valor está no padrão, lido junto com a temperatura, a oxigenação, o exame dos pulmões e, muitas vezes, uma radiografia de tórax. Se você está com o laudo em mãos, vale ler um guia em linguagem simples sobre valores de referência, alertas do laudo e próximos passos. Lembre que os valores de referência mudam de um laboratório para outro.

Tratamento da gripe: a janela que importa e o que realmente ajuda

Antiviral e a janela de 48 horas

Existem antivirais aprovados para a influenza em vários países, como oseltamivir, baloxavir, zanamivir e peramivir. Eles agem contra o próprio vírus, diferente dos remédios que apenas aliviam os sintomas. No Brasil, o protocolo do Ministério da Saúde usa o fosfato de oseltamivir, disponível no SUS. O benefício é real, mas modesto para pessoas saudáveis: em geral, a doença dura cerca de um dia a menos.

O momento de começar é o fator decisivo. O CDC, órgão de saúde pública dos Estados Unidos, informa que os antivirais contra a gripe funcionam melhor quando iniciados nos primeiros um a dois dias de sintomas, e o Ministério da Saúde também orienta iniciar o tratamento preferencialmente nas primeiras 48 horas. Começado mais tarde, o remédio encontra menos vírus para combater, porque a multiplicação viral já passou do pico, e o benefício diminui.

Quem deve ser tratado mesmo depois de 48 horas

A regra das 48 horas vale para pessoas saudáveis, não é um limite para todos. O protocolo brasileiro indica oseltamivir para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e para casos de síndrome gripal em pessoas com fatores de risco para complicações. Esse grupo inclui adultos com 60 anos ou mais, crianças menores de 5 anos (principalmente as menores de 2 anos), gestantes em qualquer fase e puérperas até duas semanas após o parto, população indígena aldeada, pessoas com asma ou outras doenças pulmonares, doenças do coração (exceto hipertensão isolada), dos rins ou do fígado, diabetes, doenças do sangue como anemia falciforme, imunossupressão, obesidade grave (IMC de 40 ou mais) e doenças neurológicas que afetam a respiração. Se você faz parte de um desses grupos, procure atendimento cedo, sem esperar.

Cuidados em casa e a questão do antibiótico

Para a maioria das pessoas, a recuperação depende de repouso, líquidos e tempo. Antitérmicos e analgésicos como paracetamol ou ibuprofeno ajudam na dor e na febre; o AAS (ácido acetilsalicílico) não deve ser dado a crianças e adolescentes com virose, pelo risco de síndrome de Reye. Ar umidificado, bebidas mornas e mel para maiores de um ano aliviam a garganta. O Ministério da Saúde orienta ficar em casa durante o período de transmissão e só voltar ao trabalho ou à escola 24 horas depois que a febre passar sem uso de antitérmico.

Antibiótico não faz nada contra a gripe, porque a gripe é causada por vírus. Ele fica reservado para uma complicação bacteriana confirmada ou muito provável, que é exatamente a avaliação que os marcadores do sangue, os exames de imagem e o exame físico ajudam a fazer. Tomar antibiótico para gripe sem complicação não traz benefício e aumenta a resistência das bactérias.

Sinais de alerta que pedem atendimento urgente

A maior parte dos casos de gripe é tratada em casa. Uma pequena parte fica grave, e os sinais que importam são específicos, não vagos. As equipes de emergência levam a sério qualquer falta de ar nova. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192). Procure atendimento de urgência para um adulto com qualquer um destes sinais.

  • Dificuldade para respirar ou falta de ar em repouso
  • Dor ou pressão persistente no peito ou na barriga
  • Tontura persistente, confusão mental ou dificuldade para acordar
  • Convulsões
  • Não urinar, ou sinais de desidratação importante
  • Dor muscular intensa, fraqueza ou desequilíbrio
  • Febre ou tosse que melhoram e depois voltam ou pioram
  • Piora de uma doença crônica que você já tem

Nas crianças, o quadro é diferente. Pais e responsáveis devem procurar atendimento de urgência diante destes sinais.

  • Respiração rápida, difícil ou com as costelas “afundando” a cada inspiração
  • Lábios ou rosto arroxeados
  • Dor no peito
  • Dor muscular forte, a ponto de a criança se recusar a andar
  • Desidratação: sem urinar por oito horas, boca seca ou choro sem lágrimas
  • Sonolência fora do comum, ou falta de interação quando acordada
  • Convulsões
  • Febre acima de 40 °C que não cede, ou qualquer febre em bebê com menos de 12 semanas
  • Sintomas que melhoram e depois voltam com febre e tosse pior

Prevenção da gripe, ano após ano

Os vírus influenza mudam de um ano para outro, e a proteção deixada por uma temporada anterior ou por uma infecção passada diminui. Por isso a vacina é anual, e não dose única. Todo ano o Ministério da Saúde realiza a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, e a vacina oferecida no SUS protege contra os três subtipos de vírus que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul. Verifique na unidade básica de saúde (UBS) se você faz parte dos grupos prioritários da campanha do ano.

A vacina não garante que você não vai pegar gripe. O que ela faz, de forma consistente, é diminuir a chance de infecção e, principalmente, a chance de a infecção ficar grave a ponto de exigir internação. As medidas simples continuam valendo: lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, manter os ambientes ventilados, não compartilhar copos e talheres, ficar em casa enquanto tiver febre e manter distância de pessoas com maior risco.

Avanços científicos recentes

Pesquisas dos últimos três anos deixaram vários dos pontos acima mais claros.

Testes rápidos de antígeno deixam passar casos que o teste molecular encontra

Um estudo feito em um pronto-socorro e publicado em 2025 testou mais de 450 pacientes com um teste rápido de antígeno e um teste molecular rápido em amostras pareadas. Os casos positivos no molecular e negativos no antígeno foram claramente mais frequentes do que o contrário, e essa diferença se manteve mesmo entre as pessoas testadas nas primeiras 48 horas. O que isso significa para você: um teste rápido de antígeno negativo na temporada de gripe não prova que você não está com gripe. Se os seus sintomas combinam e você faz parte de um grupo em que o antiviral importa, pergunte se há um teste molecular disponível.

O antiviral alivia os sintomas, mas não está provado que evite internação em quem tem risco habitual

Uma revisão de 2024, publicada em uma grande revista de clínica médica, reuniu quinze ensaios clínicos randomizados com oseltamivir em pacientes ambulatoriais com gripe confirmada. Uma metanálise é um estudo que combina estatisticamente vários estudos anteriores para chegar a uma resposta geral mais confiável. Ela não encontrou redução clara do risco de internação no grupo como um todo, enquanto náuseas e vômitos foram mais comuns com o remédio. O que isso significa para você: o antiviral continua encurtando os sintomas e vale a pena se você tem maior risco ou está muito doente, mas um adulto saudável não deve esperar que ele seja a diferença entre se recuperar em casa e ir para o hospital.

A vacina corta pela metade as formas graves

Uma revisão de 2025 reuniu 165 estudos de vida real sobre a vacinação contra a gripe sazonal. A vacina reduziu em cerca de quatro em cada dez as internações associadas à influenza e diminuiu pela metade, aproximadamente, a pneumonia, a internação em UTI e a necessidade de suporte respiratório. A proteção foi maior em crianças do que em adultos e nas temporadas em que a vacina combinava bem com os vírus em circulação. Os autores classificaram a certeza da evidência como baixa, porque são estudos observacionais, e não ensaios randomizados. O que isso significa para você: a vacina contra a gripe funciona como um seguro contra as formas graves, mais do que como garantia de não adoecer.

Exames de sangue de rotina ajudam a identificar complicação bacteriana em crianças

Um estudo de 2025 criou uma ferramenta de risco, para uso à beira do leito, de coinfecção bacteriana em crianças internadas com pneumonia por influenza, com base em quase 2.000 prontuários. As variáveis que pesaram foram idade, temperatura, contagem de leucócitos, PCR, contagem de plaquetas, procalcitonina, desidrogenase lática (LDH), doença crônica e respiração difícil. Juntas, elas separaram bem as crianças com e sem coinfecção. O trabalho é retrospectivo e vem de uma única base de dados, então ainda precisa ser testado em outros lugares. O que isso significa para você: ele mostra exatamente como os números comuns do laboratório são usados na gripe, não para diagnosticar o vírus, mas para ajudar o médico a avaliar se uma infecção bacteriana se instalou.

Glossário

TermoDefinição
InfluenzaInfecção respiratória causada pelos vírus influenza, conhecida como gripe. As epidemias sazonais em pessoas são causadas pelos tipos A e B.
Teste de antígenoTeste rápido que detecta proteínas da superfície do vírus. O resultado sai em cerca de quinze minutos, mas o teste deixa passar algumas infecções verdadeiras.
Teste molecular (RT-PCR)Teste que detecta o material genético do vírus. PCR significa reação em cadeia da polimerase. É mais sensível do que o teste de antígeno.
SensibilidadeCapacidade de um teste de identificar corretamente quem realmente tem a infecção. Um teste menos sensível dá mais falsos negativos.
AntiviralRemédio que age contra o próprio vírus, e não apenas alivia os sintomas. No Brasil, o oseltamivir é o antiviral usado no SUS para a gripe.
Hemograma completoExame de sangue comum que conta as hemácias, os leucócitos e as plaquetas e divide os leucócitos em seus subtipos.
PCR (proteína C reativa)Proteína produzida pelo fígado que sobe com a inflamação. Valores altos aumentam a suspeita de infecção bacteriana, mas ela não é específica sozinha.
ProcalcitoninaMarcador do sangue que sobe mais claramente na infecção bacteriana do que na viral, usado principalmente no hospital para orientar o uso de antibióticos.
Coinfecção bacterianaInfecção por bactéria, como uma pneumonia, que aparece por cima de uma virose como a gripe e exige outro tratamento.
SRAGSíndrome respiratória aguda grave: quadro gripal com sinais de gravidade, como falta de ar ou baixa oxigenação, que exige atendimento hospitalar.

Perguntas frequentes

A gripe é causada por qual vírus?

A gripe é causada pelos vírus influenza. Existem quatro tipos (A, B, C e D), mas as epidemias de todo ano em pessoas são causadas pelos tipos A e B. O tipo A circula hoje sobretudo como A(H1N1)pdm09 e A(H3N2) e é o que provoca as grandes pandemias. O tipo C causa infecções leves e não está ligado a epidemias, e o tipo D não é conhecido por causar doença em humanos.

Qual a diferença entre a gripe influenza e a H1N1?

A H1N1 não é uma doença diferente da gripe: é um dos subtipos do vírus influenza A. Quando se fala em “gripe H1N1”, fala-se de uma gripe causada por esse subtipo, que ganhou fama na pandemia de 2009 e hoje circula todos os anos junto com o A(H3N2) e o influenza B. Os sintomas, os exames e o tratamento são os mesmos das outras gripes, e a vacina anual do SUS inclui proteção contra o H1N1.

O que fazer quando está com gripe?

Descanse, beba bastante líquido e use antitérmico ou analgésico para febre e dor, sem automedicação com antibiótico. Fique em casa enquanto tiver febre para não transmitir o vírus. Se você faz parte de um grupo de risco (60 anos ou mais, gestante, criança pequena, doença crônica), procure atendimento logo no início, porque o antiviral funciona melhor nas primeiras 48 horas. Falta de ar, dor no peito, confusão ou piora depois de melhorar são motivos para atendimento urgente.

Quanto tempo dura a gripe?

A fase aguda da influenza costuma durar de cinco a sete dias em adultos saudáveis, com a febre cedendo entre o terceiro e o quinto dia. A tosse e o cansaço muitas vezes continuam por mais uma a três semanas, e essa fase final é normal, não sinal de que a infecção continua. A recuperação é mais lenta em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas do coração ou do pulmão. Se a febre passa de uma semana, ou se você melhorou e depois piorou, esse padrão merece avaliação médica.

Por que minha gripe vai e volta?

Às vezes não é a mesma gripe que volta: pode ser uma nova virose pega logo em seguida, o que é comum na temporada de vírus respiratórios. Mas, quando a febre e a tosse voltam piores depois de alguns dias de melhora, o sinal de alerta é uma complicação bacteriana, como sinusite, otite ou pneumonia. Esse padrão, de melhora seguida de piora, é um dos motivos citados para procurar atendimento sem demora.

Dá para ter gripe sem febre?

Sim. A febre é típica, mas não obrigatória. Idosos costumam ter febre menor, quem já está tomando paracetamol ou ibuprofeno pode ter a febre mascarada, e pessoas com a imunidade baixa podem estar bem doentes sem temperatura alta. Nesses casos, o início súbito, a dor muscular forte e o cansaço desproporcional são os sinais mais úteis. Não ter febre não significa que você não transmite o vírus, nem que a doença não possa ficar grave.

A influenza B é mais leve que a influenza A?

Não necessariamente. A influenza A provoca a maioria das grandes ondas sazonais, o que leva à ideia de que a B seria mais branda. Na prática, a influenza B causa uma doença muito parecida, pode ser tão grave quanto em uma pessoa específica e responde por uma proporção maior de casos em crianças e adolescentes. Como os dois tipos não se distinguem pelos sintomas e o tratamento é praticamente o mesmo, saber qual deles você tem raramente muda a conduta.

Dá para ter gripe e covid-19 ao mesmo tempo?

Sim, e isso acontece com frequência suficiente para que muitos serviços usem uma única amostra testada para os dois vírus, além do vírus sincicial respiratório. Ter os dois ao mesmo tempo tende a causar uma doença mais pesada e muda o tratamento, porque cada infecção tem seus próprios antivirais e seus próprios prazos. Se você testou positivo para um deles e o quadro está muito forte ou tomou um rumo inesperado, comente com o médico, porque testar para o outro faz sentido.

Preciso fazer exame de sangue se estou com gripe?

Em geral, não. A gripe sem complicação em uma pessoa saudável é diagnosticada com swab e tratada sem exames de sangue. Eles entram em cena quando o médico suspeita de complicação, quando a pessoa está doente o bastante para ser internada ou quando tem uma doença crônica que a gripe pode desestabilizar. Nessas situações, o hemograma e um marcador de inflamação ajudam a responder a uma pergunta específica: se uma infecção bacteriana se instalou por cima da gripe.

Por que a tosse continua por semanas depois da gripe?

A influenza danifica o revestimento das vias aéreas, que leva tempo para se regenerar. Até lá, as vias aéreas ficam sensíveis e reagem ao ar frio, ao exercício, à poeira ou a uma respiração profunda provocando tosse. Duas a três semanas é um tempo de recuperação comum, às vezes mais em fumantes ou pessoas com asma. O padrão tranquilizador é uma tosse que melhora aos poucos. O padrão que merece avaliação é uma tosse que piora, que traz a febre de volta, que vem com catarro amarelado ou esverdeado e falta de ar, ou com dor no peito.

Fontes

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