O essencial

O VSR (vírus sincicial respiratório) é um vírus muito comum, que no Brasil circula mais entre fevereiro e agosto. Quase sempre parece um resfriado e passa em uma ou duas semanas, mas pode ser grave em bebês pequenos, prematuros, idosos e doentes crônicos. Dificuldade para respirar em um bebê é emergência. O exame de referência é o RT-PCR no swab do nariz e o tratamento é de suporte. O SUS oferece a vacina na gestação, a partir da 28ª semana, e o anticorpo nirsevimabe para prematuros e crianças com algumas doenças.

O que é o VSR (vírus sincicial respiratório), em resumo?

  • O que é: um vírus respiratório comum que infecta nariz, garganta, vias aéreas e pulmões[1]. Em geral causa sintomas leves, parecidos com os do resfriado comum[9].
  • Quando circula no Brasil: a temporada do VSR costuma ocorrer de forma bastante sincronizada entre as semanas epidemiológicas 8 e 30, ou seja, do fim de fevereiro ao fim de julho[12]; o Ministério da Saúde considera como período sazonal os meses de fevereiro a agosto[11]. A época varia entre as regiões[14].
  • Quanto é comum: quase todas as crianças pegam VSR pelo menos uma vez até os 2 anos[14]. No Brasil, em 2025, 81% das internações por VSR foram de crianças menores de 2 anos, e mais da metade delas tinha menos de 6 meses[10]. Nas pessoas a partir de 60 anos, a letalidade anual da síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por VSR passa de 20%[14].
  • Exame principal: o RT-PCR em amostra do nariz, sozinho ou dentro de um painel que pesquisa também influenza e covid-19[8][13].

Quais são os sintomas do VSR em bebês, crianças e adultos?

Os sintomas começam em geral 4 a 6 dias depois do contágio e costumam aparecer em etapas, não todos de uma vez[2]: coriza (nariz escorrendo), nariz entupido, menos apetite, tosse, espirros, febre e chiado no peito[2][9]. A maioria das infecções passa sozinha em uma ou duas semanas[5].

  • Bebês muito pequenos: os únicos sinais podem ser irritação, ficar menos ativo e dificuldade para respirar[2]. Muitos bebês não têm febre. Alguns têm apneia, ou seja, pausas na respiração de mais de 10 segundos[3].
  • Bebês e crianças pequenas com infecção nos pulmões: o VSR pode causar bronquiolite (inflamação das pequenas vias aéreas do pulmão) ou pneumonia[3]. Os sinais são respiração rápida ou com esforço, chiado, dificuldade para mamar e, nos casos graves, lábios ou dedos arroxeados (cianose)[9].
  • Idosos e pessoas com doença crônica: o VSR pode piorar a asma, a DPOC e a insuficiência cardíaca, e pode causar pneumonia[4]. Em alguns adultos, a doença grave pode levar à morte[4].

Os sintomas do VSR não são específicos: só pelos sintomas, é difícil diferenciá-lo de um resfriado, da gripe ou da covid-19[1].

Quando procurar atendimento médico por VSR?

Quando procurar um médico

  • Emergência: ligue para o SAMU 192 em caso de qualquer dificuldade para respirar em um bebê[6], pausas na respiração, lábios ou pele arroxeados, criança cansada demais para mamar ou acordar, ou adulto com muita falta de ar ou confuso[15].
  • Em até 24 horas para bebê que mama ou bebe bem menos ou molha menos fraldas, sintomas que só pioram[2], febre persistente[9], ou piora da respiração em quem tem asma, DPOC ou insuficiência cardíaca.
  • Na próxima consulta para perguntar sobre a proteção contra o VSR para o bebê, para a gestação ou para você, se tem 60 anos ou mais ou uma doença crônica.

Fique de olho na hidratação das crianças: o VSR pode dificultar a alimentação, e a desidratação é um motivo comum de internação[3].

Como se pega o VSR e quem corre mais risco de quadro grave?

O VSR passa por gotículas quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala, pelo contato próximo e pelo toque em mãos ou superfícies contaminadas, levadas depois aos olhos, ao nariz ou à boca[9]. A transmissão começa cerca de dois dias antes dos sintomas e é maior nos primeiros dias da infecção[14]; em geral, a pessoa transmite por 3 a 8 dias[5].

  • Frequente Bebês com menos de 6 meses e prematuros são o grupo mais internado[3][9].
  • Frequente Idosos, sobretudo os frágeis, acamados ou que moram em instituições de longa permanência[14].
  • Possível Crianças com doença do coração ou do pulmão crônica, doença neurológica, síndrome de Down ou anomalias das vias aéreas[9], e adultos com DPOC, asma, doença cardiovascular, diabetes, doença dos rins ou do fígado, ou imunidade baixa[14].

Como é feito o diagnóstico do VSR? Exames e como ler o resultado

Na maioria dos casos, o diagnóstico do VSR é clínico, feito pela história e pelo exame físico[9]. O exame do vírus serve sobretudo nos casos graves ou quando muda a conduta (por exemplo, para descartar uma gripe, que tem antiviral)[5]. Na bronquiolite, o guia do Ministério da Saúde de 2026 diz que radiografia de tórax e exames de laboratório não são necessários de rotina[13], como a Academia Americana de Pediatria[7].

  • Teste rápido de antígeno: um exame rápido feito com secreção do nariz[6]. É menos confiável em adultos e deixa passar muitos casos: comparado ao RT-PCR, teve sensibilidade conjunta de 64% em uma grande revisão[8]. Um teste rápido negativo não descarta o VSR.
  • RT-PCR em tempo real: detecta o material genético do vírus e é o exame mais sensível, sobretudo em adultos[8]. No SUS, é feito na internação dos casos graves, junto com a pesquisa de SARS-CoV-2, influenza, rinovírus e adenovírus[13].
  • Painel viral respiratório: um único RT-PCR que procura VSR, influenza, SARS-CoV-2 e outros vírus ao mesmo tempo. Para o VSR, sua sensibilidade é um pouco menor que a de um PCR só para VSR (93% na mesma revisão)[8].
  • Oximetria de pulso: um sensor no dedo ou no pé mede a saturação de oxigênio; no guia brasileiro, uma saturação abaixo de 92% (hipoxemia) é um dos sinais de gravidade da bronquiolite[13].

Exames de sangue não diagnosticam o VSR. No hospital, servem para procurar complicações, junto com a radiografia de tórax e o exame de urina[5]. O hemograma e as proteínas de fase aguda, como a proteína C-reativa (PCR) ou a procalcitonina, ajudam o médico, junto com o exame clínico, a avaliar se uma infecção bacteriana se somou ao vírus; o guia os recomenda nos casos graves ou de dúvida, e eletrólitos e função dos rins quando há desidratação[13]. Atenção à sigla: no laudo, "PCR" pode ser a proteína C-reativa (exame de sangue) ou o RT-PCR (pesquisa do vírus).

Exemplo fictício de laudo de um idoso de 78 anos internado com VSR (formato brasileiro)
ExameResultadoValores de referênciaSinalização
Vírus sincicial respiratório, RT-PCR em tempo real (painel viral, swab de nasofaringe)DetectadoNão detectadoA
Influenza A e B, RT-PCRNão detectadoNão detectado
SARS-CoV-2, RT-PCRNão detectadoNão detectado
Leucócitos (hemograma)8.100 /mm³4.000 a 11.000 /mm³
Proteína C-reativa24,0 mg/Linferior a 5,0 mg/L↑
Procalcitonina0,07 ng/mLinferior a 0,10 ng/mL
  1. "Detectado": o material genético do VSR foi encontrado no swab; o painel mostra cada vírus em uma linha própria.
  2. Influenza e covid-19 "Não detectado": é útil saber, porque gripe e covid-19 têm antivirais específicos e o VSR não.
  3. Leucócitos normais, proteína C-reativa um pouco alta, procalcitonina baixa: padrão compatível com infecção viral, que torna menos provável uma infecção bacteriana somada; o médico também considera o exame físico e a radiografia. Alguns laboratórios usam mg/dL (24,0 mg/L = 2,4 mg/dL).
  4. Valores de referência: os deste exemplo são ilustrativos; os que valem são os impressos no seu laudo.

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Entender meus exames

Que acompanhamento é necessário depois do VSR?

A maioria das pessoas não precisa de acompanhamento quando a respiração, a alimentação e a hidratação voltam ao normal. Crianças internadas por VSR em geral melhoram com cuidados de suporte e voltam para casa em poucos dias[3]. Depois da bronquiolite, a tosse some em até três semanas em 90% das crianças, mas pode durar mais[13]. Com DPOC, asma ou insuficiência cardíaca, o médico confere se o tratamento habitual voltou a funcionar. Exames de sangue só são repetidos se vieram alterados.

Como tratar o VSR (e a bronquiolite que ele causa)?

  • Sem remédio específico: não existe medicamento específico para tratar o VSR; o cuidado é de suporte[9]. Antibióticos não agem sobre o vírus[6].
  • Em casa: hidratação adequada, controle da febre e lavagem nasal[9], com soro fisiológico 0,9% nas crianças[13]. Nunca dê aspirina (ácido acetilsalicílico) a crianças e não dê xarope para tosse a menores de 4 anos[5]. Peça ao farmacêutico ou ao médico o antitérmico e a dose certos para a idade.
  • No hospital: oxigênio, hidratação pela veia e aspiração das secreções do nariz em bebês e crianças[6]. Os casos mais graves precisam de ajuda de aparelho para respirar[3], às vezes em UTI[14].
  • O que em geral não ajuda na bronquiolite: o guia do Ministério da Saúde não recomenda de rotina broncodilatadores como o salbutamol, adrenalina inalatória, corticoides nem antibióticos[13], como a diretriz americana[7].

Como prevenir o VSR: vacina na gestação, nirsevimabe e vacina para idosos

Recomendações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) consultadas em 2 de novembro de 2026.

  • Na gestação (SUS): desde a segunda quinzena de novembro de 2025, a vacina VSR A e B (recombinante) faz parte do Calendário de Vacinação da Gestante[12]. É uma dose única a partir da 28ª semana, em cada gestação, sem limite de idade materna, oferecida o ano todo em todos os municípios[10]. A gestante produz anticorpos que passam pela placenta e protegem o bebê nos primeiros seis meses[10]. A vacina é fornecida pelo Instituto Butantan e pela Pfizer[12], e só protege o recém-nascido se aplicada pelo menos 14 dias antes do parto[14].
  • Para bebês (anticorpo, SUS): desde fevereiro de 2026, o nirsevimabe, em dose única, substitui aos poucos o palivizumabe, que era aplicado uma vez por mês[9][11]. Ele é indicado para prematuros (até 36 semanas e 6 dias) com menos de 6 meses, o ano todo e mesmo que a mãe tenha sido vacinada, e para crianças com menos de 2 anos com cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalias congênitas das vias aéreas, de fevereiro a agosto[11]. De preferência, é aplicado ainda na maternidade; depois, nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE)[11].
  • Idosos e adultos: no SUS, por enquanto, a vacina contra o VSR é só para gestantes; na rede privada, pode ser indicada a partir dos 18 anos[10]. A SBIm recomenda uma dose única (Abrysvo® ou Arexvy®) para todas as pessoas a partir de 70 anos e para as de 60 a 69 anos com doenças de risco, em qualquer época do ano; até agora não há evidência que justifique reforço[14].
  • Hábitos do dia a dia: lavar as mãos com água e sabão, evitar contato próximo com pessoas resfriadas, limpar superfícies de uso comum, ventilar os ambientes, manter o aleitamento materno e evitar fumaça de cigarro[9].

Perguntas para fazer ao médico

  1. Meu bebê tem direito ao nirsevimabe, ou a vacina que tomei na gestação é suficiente?
  2. Quais sinais na respiração indicam que devemos ir ao pronto-socorro?
  3. O exame do vírus é útil no meu caso, e um resultado positivo mudaria o tratamento?
  4. Pela minha idade e pelas minhas doenças, a vacina contra o VSR é indicada para mim?
  5. Devo ajustar o tratamento da asma, da DPOC ou do coração enquanto estiver doente?

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o vírus sincicial?

Na maioria das pessoas, uma ou duas semanas[5]. A pessoa transmite em geral por 3 a 8 dias[5], e a transmissão começa cerca de dois dias antes dos sintomas[14].

VSR em adulto é só um resfriado?

Para a maioria dos adultos saudáveis, sim. Para idosos ou pessoas com doença do coração ou do pulmão, pode levar a pneumonia ou internação[4].

Adulto precisa tomar vacina de VSR todo ano?

Não. O esquema é de dose única, e até agora não há evidência que justifique reforço[14].

VSR é a mesma coisa que bronquiolite?

Não. A bronquiolite é uma inflamação das pequenas vias aéreas; o VSR é a causa mais comum, mas outros vírus, como influenza, parainfluenza e adenovírus, também podem causá-la[14].

Artigos relacionados

  1. Centers for Disease Control and Prevention. About RSV. 30 de dezembro de 2025. cdc.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  2. Centers for Disease Control and Prevention. Symptoms of RSV. 20 de fevereiro de 2026. cdc.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  3. Centers for Disease Control and Prevention. RSV in infants and young children. 20 de fevereiro de 2026. cdc.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  4. Centers for Disease Control and Prevention. RSV in adults. 20 de fevereiro de 2026. cdc.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  5. MedlinePlus. Respiratory syncytial virus infections. Atualizado em 5 de maio de 2025. medlineplus.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  6. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Respiratory syncytial virus (RSV). Revisado em 1º de janeiro de 2026. medlineplus.gov (acesso em 2 de novembro de 2026)
  7. Ralston SL, Lieberthal AS, Meissner HC, et al. Clinical practice guideline: the diagnosis, management, and prevention of bronchiolitis. Pediatrics. 2014;134(5):e1474-e1502. doi:10.1542/peds.2014-2742 (acesso em 2 de novembro de 2026)
  8. Onwuchekwa C, Moreo LM, Menon S, et al. Underascertainment of respiratory syncytial virus infection in adults due to diagnostic testing limitations: a systematic literature review and meta-analysis. J Infect Dis. 2023;228(2):173-184. doi:10.1093/infdis/jiad012 (acesso em 2 de novembro de 2026)
  9. Ministério da Saúde. Vírus Sincicial Respiratório (Saúde de A a Z). gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)
  10. Ministério da Saúde. Vírus Sincicial Respiratório: perguntas frequentes (FAQ). 29 de janeiro de 2026. gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)
  11. Ministério da Saúde, DPNI/SVSA. Estratégia de imunização contra o vírus sincicial respiratório para crianças prematuras e com comorbidades: anticorpo monoclonal. 1ª ed. rev. Brasília; 2026. gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)
  12. Ministério da Saúde, DPNI/SVSA. Estratégia de vacinação contra o vírus sincicial respiratório em gestantes. Brasília; 2026. gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)
  13. Ministério da Saúde. Guia de manejo clínico: bronquiolite viral aguda. Brasília; 2026. gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)
  14. Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vírus sincicial respiratório (VSR). Família SBIm. familia.sbim.org.br (acesso em 2 de novembro de 2026)
  15. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 2 de novembro de 2026)

Esta página traz informações gerais. Ela não substitui a avaliação de um médico, que avalia a respiração e a hidratação e decide sobre exames, tratamento e imunização.