Amigdalite bacteriana (faringite estreptocócica): sintomas, teste rápido e antibiótico

O essencial
A amigdalite bacteriana, ou faringite estreptocócica, é uma dor de garganta causada pela bactéria estreptococo do grupo A. A maioria das dores de garganta é viral, então quem decide se o antibiótico é necessário é um teste feito com cotonete na garganta, e não a aparência das amígdalas. Teste rápido ou cultura positivos pedem o tratamento completo com antibiótico, que encurta a doença, reduz o contágio e ajuda a prevenir a febre reumática. Procure atendimento urgente se houver falta de ar, baba escorrendo ou dor forte de um lado só da garganta.
O que é a amigdalite bacteriana, em resumo?
A amigdalite bacteriana por estreptococo (também chamada de faringite estreptocócica ou faringoamigdalite) é uma infecção da garganta e das amígdalas pelo Streptococcus pyogenes, o estreptococo do grupo A. Não é a mesma bactéria do estreptococo do grupo B, pesquisado no fim da gravidez.
- Frequência: o estreptococo do grupo A causa cerca de 20% a 30% das dores de garganta em crianças e 5% a 15% em adultos; é mais comum dos 5 aos 15 anos e raro antes dos 3[1].
- Exames principais: teste rápido para estreptococo feito com cotonete na garganta, cultura de orofaringe ou teste molecular (tipo PCR)[1][5].
- Tratamento: antibiótico, com penicilina ou amoxicilina como primeira escolha[1].
Quais são os sintomas da amigdalite bacteriana?
Os sintomas costumam começar de 2 a 5 dias depois do contato com alguém infectado[11]. Os sinais típicos são[1]:
- dor de garganta que começa de repente, com dor para engolir;
- febre;
- amígdalas vermelhas e inchadas, às vezes com placas brancas ou estrias de pus;
- pontinhos vermelhos no céu da boca (petéquias);
- ínguas inchadas e doloridas na frente do pescoço.
Crianças também podem ter dor de cabeça, dor de barriga, enjoo ou vômito[1]. Manchas vermelhas ásperas na pele indicam a escarlatina, que é a mesma infecção de garganta com manchas[2].
Como saber se a dor de garganta é viral ou bacteriana? Tosse, nariz escorrendo, rouquidão, aftas e olhos vermelhos apontam para um vírus, como no resfriado ou na laringite[1]. Crianças muito pequenas raramente têm o quadro clássico: antes dos 3 anos, a infecção costuma aparecer como nariz escorrendo, febre e irritação[1]. Mesmo assim, só o teste confirma.
Quando procurar um médico por dor de garganta?
Quando procurar atendimento
- Emergência: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro em caso de dificuldade para respirar, baba escorrendo ou incapacidade de engolir, inchaço forte no pescoço, dor intensa de um lado só da garganta ou amígdala inchada de um lado, que pode indicar um abscesso, ou sinais de desidratação, como tontura[12][2].
- Em 24 a 48 horas para dor de garganta súbita com febre e sem tosse, dor de garganta com manchas na pele, ou nenhuma melhora depois de 48 horas de antibiótico[11][2].
- Na próxima consulta para várias amigdalites por estreptococo no mesmo ano, ou uma casa onde a infecção não para de voltar[8][11].
O que causa a amigdalite bacteriana e quem corre mais risco?
O estreptococo do grupo A passa por gotículas de tosse e espirro e pelo compartilhamento de copos e talheres. O principal fator de risco é o contato próximo com alguém infectado[2].
- Frequente Crianças em idade escolar, de 5 a 15 anos[1].
- Frequente Pais de crianças em idade escolar e adultos que trabalham com crianças[1].
- Possível Ambientes com muita gente junta, como creches, escolas e quartéis[2].
- Raro Crianças com menos de 3 anos, em quem o teste geralmente não é feito, a não ser que um irmão mais velho esteja com estreptococo[3].
Como é feito o diagnóstico e como ler o teste rápido para estreptococo?
O médico não consegue diferenciar o estreptococo de um vírus só olhando a garganta: quando não há sinais de virose, é preciso um teste com cotonete (swab)[1]. Não há preparo; o cotonete é passado no fundo da garganta e nas amígdalas, o que pode dar ânsia por um segundo[10].
Escores que ajudam a decidir quem testar. O escore de Centor soma um ponto para cada item: febre, placas brancas nas amígdalas, ínguas doloridas na frente do pescoço e ausência de tosse. No estudo original, feito com adultos, a chance de cultura positiva ia de 2,5% sem nenhum ponto a 56% com os quatro[6]. A versão de McIsaac ajusta o escore pela idade, porque o estreptococo é mais frequente dos 3 aos 14 anos[7]. O escore orienta o teste, mas não o substitui. Só cerca de 10% dos adultos que procuram atendimento por dor de garganta têm estreptococo, e mesmo assim 60% ou mais recebem antibiótico[8].
| Exame | Amostra | O que saber |
|---|---|---|
| Teste rápido para estreptococo (antígeno) | Cotonete na garganta | Resultado em cerca de 10 a 20 minutos[10]. O positivo é confiável (especificidade de cerca de 95%); em crianças, encontra cerca de 86 de cada 100 infecções[4]. |
| Teste molecular (ácido nucleico, tipo PCR) | Cotonete na garganta | Sensibilidade de cerca de 97,5% e especificidade de cerca de 95% numa revisão de 38 estudos: deixa passar menos infecções que o teste de antígeno[5]. |
| Cultura de orofaringe | Cotonete na garganta | Resultado em 24 a 48 horas[10]. É o exame de referência e pode achar infecções que o teste rápido não pegou[2]. |
| ASLO (antiestreptolisina O) e outros anticorpos | Sangue | Mostram uma infecção por estreptococo passada, não a atual; não servem para diagnosticar a dor de garganta[3]. |
Veja um laudo fictício de uma criança de 9 anos com teste rápido negativo e cultura de confirmação positiva.
| Exame | Resultado | Valor de referência | Alerta |
|---|---|---|---|
| Pesquisa rápida de antígeno de Streptococcus do grupo A, swab de orofaringe | Negativo | Negativo | |
| Cultura de secreção de orofaringe, estreptococo beta-hemolítico do grupo A | Positiva: isolado Streptococcus pyogenes | Ausência de estreptococo do grupo A | A |
- Teste rápido negativo: em crianças e adolescentes, um teste rápido negativo deve ser conferido com cultura, porque o teste rápido deixa passar algumas infecções[1][2].
- Cultura positiva: confirma a amigdalite por estreptococo; o serviço avisa a família para começar o antibiótico[1].
- Alerta A: “alterado”. O teste da garganta dá positivo ou negativo; os testes moleculares podem dizer “detectado” ou “não detectado”.
Negativo, positivo, isolado: o BloodSense lê o seu laudo inteiro, linha por linha, em linguagem simples, para você saber o que perguntar na consulta.
Entender meu laudo| Resultado | Significado mais comum |
|---|---|
| Teste rápido ou cultura positivos | Amigdalite por estreptococo confirmada; em geral o antibiótico é receitado[2]. |
| Teste rápido negativo, criança ou adolescente | Faz-se a cultura de orofaringe em seguida[2]. |
| Teste rápido negativo, adulto | A cultura geralmente não é necessária, porque a febre reumática é muito rara em adultos[1]. |
| Cultura negativa | O estreptococo do grupo A não é a causa; o antibiótico não é necessário[2]. |
Um teste positivo com sinais claros de virose pode ser de um portador: alguém que tem o estreptococo na garganta sem estar doente por causa dele. Até 20% das crianças em idade escolar são portadoras no inverno e na primavera[3]. Os portadores raramente transmitem, muito raramente têm complicações e em geral não precisam de antibiótico[2]. O exame é o cotonete: exames de sangue não diagnosticam a amigdalite bacteriana[3][10]. Se o médico pedir um hemograma completo ou uma proteína C reativa por outro motivo, nenhum dos dois confirma o estreptococo. Quando o cansaço e as ínguas muito grandes se prolongam, a mononucleose é outra causa de dor de garganta forte.
Que acompanhamento é preciso depois da amigdalite bacteriana?
- Não é preciso repetir o cotonete quando você melhora: o “teste de cura” não é recomendado de rotina[3].
- A maioria das pessoas melhora em um ou dois dias de antibiótico[12]. Volte a falar com o médico se não houver melhora depois de 48 horas[2], e seja reavaliado se os sintomas piorarem ou continuarem 5 dias depois do início do tratamento[8].
- Cerca de 10 dias depois da infecção, fique atento a urina escura, marrom-avermelhada, ou olhos inchados de manhã: são sinais de glomerulonefrite pós-estreptocócica, uma inflamação dos rins avaliada com o exame de urina (EAS)[9].
- Dor nas articulações que muda de uma junta para outra (sobretudo joelhos), movimentos involuntários, febre ou cansaço e palpitações podem indicar febre reumática. Ela surge de 1 a 4 semanas depois de uma amigdalite não tratada ou mal tratada, principalmente em crianças e adolescentes, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria[14], e até 5 semanas depois, segundo o CDC[9].
- Amigdalites frequentes: a retirada das amígdalas raramente é indicada; os limites mais usados são 7 episódios em um ano, 5 por ano durante 2 anos ou 3 por ano durante 3 anos[8].
Qual o melhor antibiótico para amigdalite bacteriana?
Todo teste rápido ou cultura positivos devem ser tratados, em qualquer idade; o antibiótico não é usado para a dor de garganta viral[1]. O tratamento encurta os sintomas, reduz a transmissão e diminui o risco de complicações[1]. Começar em até 9 dias depois dos primeiros sintomas ainda previne a febre reumática[3], então esperar um ou dois dias pelo resultado da cultura não tira essa proteção. Quem escolhe o remédio e a dose é o médico.
- Primeira escolha: penicilina ou amoxicilina, em geral por 10 dias por via oral, ou uma única injeção de penicilina benzatina[1][14]. Nunca foi descrito estreptococo do grupo A resistente à penicilina[1].
- Alergia à penicilina: uma cefalosporina, como a cefalexina, quando a alergia não é do tipo imediato e grave; nos outros casos, clindamicina, azitromicina ou claritromicina[1].
- Por que não usar sempre azitromicina? A resistência do estreptococo à azitromicina, à claritromicina e à clindamicina é bem documentada e varia de um lugar para outro[1][8].
- Termine o tratamento mesmo que se sinta bem depois de um ou dois dias[12].
No Brasil, antibiótico só sai da farmácia com receita, válida por 10 dias, e a farmácia retém a segunda via[13]. Para o conforto: paracetamol ou um anti-inflamatório como o ibuprofeno contra a dor e a febre, mas nada de ácido acetilsalicílico (aspirina) em crianças; corticoide não é recomendado[3]. Chá morno com mel, gargarejo com água morna e sal e picolé ajudam; evite balas duras e pastilhas em crianças pequenas, que podem se engasgar[11].
Como evitar que a amigdalite bacteriana passe para outras pessoas?
- Fique em casa, sem ir à escola, à creche ou ao trabalho, até a febre passar e o antibiótico ter sido tomado por pelo menos 12 a 24 horas[2].
- Lave as mãos com frequência, cubra a boca ao tossir e espirrar e não compartilhe copos, talheres nem comida[2].
- Troque a escova de dentes depois de 2 ou 3 dias de tratamento[11].
- Pessoas da casa sem sintomas não precisam de teste nem de antibiótico[3].
Perguntas para fazer ao médico
- Qual teste eu fiz e é preciso cultura se ele der negativo?
- Qual antibiótico é melhor para mim, considerando as minhas alergias?
- Quando posso voltar ao trabalho, ou meu filho à escola?
- Quais sinais indicam que devo voltar antes?
- Pode ser um portador, ou mononucleose, em vez de amigdalite por estreptococo?
Perguntas frequentes
A amigdalite bacteriana passa sozinha?
Os sintomas costumam sumir em cerca de uma semana[11], mas sem tratamento o estreptococo pode causar abscesso, inflamação dos rins ou febre reumática, por isso um caso confirmado é tratado[1]. Ouvido dolorido depois da garganta pode ser uma otite, e nariz entupido com febre que volta, uma sinusite[2].
Amigdalite bacteriana é contagiosa por quanto tempo?
Até cerca de 24 a 48 horas depois do início do antibiótico[11]; sem tratamento, por muito mais tempo.
Dá para ter amigdalite bacteriana sem febre?
Sim. A febre é típica, mas não obrigatória, e é por isso que quem responde é o cotonete, e não uma lista de sintomas[6].
Estreptococo do grupo A é o mesmo que o do grupo B?
Não. O grupo A causa a amigdalite; o grupo B é outra bactéria, pesquisada no fim da gravidez. Nosso guia sobre o estreptococo do grupo B na gravidez explica esse exame.
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- Todas as doençasNossos guias sobre doenças e seus exames
- CDC. Clinical Guidance for Group A Streptococcal Pharyngitis. 2025. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
- CDC. About Strep Throat (2026); Testing for Strep Throat or Scarlet Fever (2025). cdc.gov (sobre), cdc.gov (exames) (acesso em 1º de novembro de 2026)
- Shulman ST, Bisno AL, Clegg HW, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of Group A Streptococcal Pharyngitis: 2012 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2012;55(10):e86-e102. doi:10.1093/cid/cis629 (acesso em 1º de novembro de 2026)
- Cohen JF, Bertille N, Cohen R, Chalumeau M. Rapid antigen detection test for group A streptococcus in children with pharyngitis. Cochrane Database Syst Rev. 2016;7(7):CD010502. doi:10.1002/14651858.CD010502.pub2 (acesso em 1º de novembro de 2026)
- Dubois C, Smeesters PR, Refes Y, et al. Diagnostic accuracy of rapid nucleic acid tests for group A streptococcal pharyngitis: systematic review and meta-analysis. Clin Microbiol Infect. 2021;27(12):1736-1745. doi:10.1016/j.cmi.2021.04.021 (acesso em 1º de novembro de 2026)
- Centor RM, Witherspoon JM, Dalton HP, Brody CE, Link K. The diagnosis of strep throat in adults in the emergency room. Med Decis Making. 1981;1(3):239-246. doi:10.1177/0272989X8100100304 (acesso em 1º de novembro de 2026)
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