EAS exame (urina tipo 1): como ler cada item do resultado

O EAS exame, também chamado de urina tipo 1, urina rotina ou sumário de urina, descreve o que o laboratório encontrou ao olhar a sua urina, testá-la com uma fita química e examiná-la no microscópio. A sigla EAS quer dizer “elementos anormais e sedimento”. Um laudo típico traz mais de 15 itens, da cor e da densidade aos leucócitos e cristais, e a maioria deles deveria vir negativa, normal ou dentro de uma faixa estreita. Uma linha alterada sozinha raramente quer dizer muito; o que importa é o conjunto, os seus sintomas e se a amostra foi bem colhida.
Neste artigo você vai ver o que cada parte do EAS avalia, os valores de referência de cada item, como os médicos leem padrões comuns, como infecção ou sangue na urina, como colher uma amostra confiável e quando um resultado pede acompanhamento.
O que o EAS avalia
O EAS é um dos exames de laboratório mais comuns. A Mayo Clinic explica que ele é usado em check-ups, no pré-natal e antes de cirurgias, para investigar sintomas como dor ou vontade frequente de urinar, dor nas costas ou sangue na urina, e para acompanhar doenças conhecidas, como doença renal ou infecção urinária. No Brasil, o exame de urina e a urocultura fazem parte da rotina do pré-natal do SUS, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com a enciclopédia médica MedlinePlus, o laboratório examina a amostra de três formas.
- Exame físico: a cor e o aspecto da urina.
- Exame químico (fita reagente): uma tira com pequenas áreas que mudam de cor para mostrar a acidez (pH), a concentração, a proteína, o açúcar, os corpos cetônicos, a bilirrubina, o sangue e sinais de infecção.
- Sedimentoscopia (exame microscópico): a análise de células, cristais, cilindros, muco e micróbios, como bactérias ou leveduras.
Nem todo laudo traz as três partes. Alguns laboratórios só fazem o exame no microscópio quando a fita vem alterada ou quando ele é pedido. Se o seu laudo tem uma seção separada com contagens por campo, veja o que esses números querem dizer no nosso guia da sedimentoscopia.
Qual a diferença entre o exame EAS e a urocultura?
O EAS analisa a aparência, a química e o sedimento da urina e sugere em poucas horas se há infecção, sangue, proteína ou açúcar; a urocultura cultiva a urina para confirmar uma infecção, identificar a bactéria e testar quais antibióticos funcionam. Os dois costumam ser pedidos juntos e podem usar a mesma coleta de jato médio. O nosso guia da urocultura explica como ler esse segundo laudo.
Valores de referência do EAS
Os valores de referência do EAS mais usados no Brasil são, por exemplo, os publicados pela Rede D’Or: urina amarelo-clara e límpida, pH de 4,5 a 8,0, densidade de 1,005 a 1,030, glicose, proteínas, sangue, cetonas, bilirrubina, nitrito e esterase leucocitária negativos, até 5 leucócitos e até 3 hemácias por campo. As faixas variam um pouco entre laboratórios (a Cleveland Clinic, por exemplo, usa pH de 5,0 a 8,0), então compare sempre o seu laudo com a faixa que o laboratório imprime ao lado de cada resultado.
| Item | Resultado normal | O que um resultado alterado pode indicar |
|---|---|---|
| Cor | Amarelo-clara (de amarelo-palha a amarelo-escuro) | Alimentos, remédios, concentração ou sangue |
| Aspecto | Límpido | Infecção, células, cristais ou muco |
| Densidade | 1,005 a 1,030 | Desidratação (alta) ou urina muito diluída (baixa) |
| pH | 4,5 a 8,0 | Infecção, problemas nos rins, cetoacidose ou diarreia |
| Proteína | Negativa | Lesão nos rins, insuficiência cardíaca, exercício intenso ou desidratação |
| Glicose | Negativa | Diabetes ou diabetes gestacional |
| Corpos cetônicos | Negativos | Jejum, dietas pobres em carboidratos ou cetoacidose diabética |
| Bilirrubina | Negativa | Problemas no fígado ou nos canais da bile |
| Urobilinogênio | 0,1 a 1,0 mg/dL | Alterações no fígado ou destruição aumentada de hemácias |
| Sangue (hemoglobina) | Negativo | Infecção, cálculos, lesão ou, raramente, câncer |
| Nitrito | Negativo | Bactérias que causam infecção urinária |
| Esterase leucocitária | Negativa | Leucócitos por inflamação ou infecção |
| Hemácias | Até 3 por campo | Sangramento em qualquer ponto das vias urinárias |
| Leucócitos | Até 5 por campo | Infecção ou inflamação |
| Cristais e cilindros | Ausentes ou raros | Alguns tipos apontam para cálculos ou doença dos rins |
| Bactérias | Ausentes | Infecção ou amostra contaminada |
| Células epiteliais | Raras | Muitas costumam indicar contaminação da amostra |
A MedlinePlus acrescenta que glicose, corpos cetônicos, proteína e bilirrubina normalmente não são detectáveis na urina, e que hemoglobina, nitrito, hemácias e leucócitos normalmente não aparecem. A página dela sobre hemácias na urina dá como normal até 4 hemácias por campo de grande aumento, o que lembra que os limites variam um pouco de uma fonte para outra. Em alguns laboratórios a contagem vem por mL, e não por campo; nesse caso, a faixa de referência também muda.
Como ler o exame físico: cor e aspecto
A urina normal vai de quase incolor a amarelo-escura. Uma urina mais escura costuma estar mais concentrada, por exemplo logo ao acordar ou quando você bebeu pouco. A MedlinePlus lembra que beterraba e amora podem deixar a urina avermelhada, e a Mayo Clinic acrescenta o ruibarbo. Vários remédios também mudam a cor sem indicar doença, entre eles suplementos de ferro, levodopa, nitrofurantoína, fenazopiridina, fenitoína, riboflavina e triantereno. Para decifrar um tom diferente, leia o nosso guia da cor da urina.
A Mayo Clinic explica que a turvação ou um cheiro diferente podem sugerir um problema, como infecção, que a proteína pode deixar a urina com espuma e que o sangue pode deixá-la vermelha ou marrom. Para as razões mais comuns de urina turva ou com bolhas, veja o nosso guia da urina com espuma ou turva.
Como ler a fita reagente
A parte da fita costuma ocupar a maior parte do laudo do EAS. Cada área é lida depois de um tempo definido e informada como negativa, traços, um número de cruzes (+, ++, +++) ou uma concentração.
Densidade e pH
A densidade mostra o quanto a urina está concentrada. A MedlinePlus dá como normal a faixa de 1,005 a 1,030, a mesma usada pela Rede D’Or. Valores altos se ligam com mais frequência à desidratação e, menos vezes, à insuficiência cardíaca ou à glicose na urina; valores baixos podem vir de beber muito líquido, diabetes insípido ou problemas nos rins. Uma amostra muito diluída também pode esconder achados alterados. Saiba mais no nosso guia da densidade urinária. O pH reflete a acidez; a Cleveland Clinic observa que um pH alto pode apontar para problemas nos rins ou infecção urinária, enquanto um pH baixo pode aparecer na cetoacidose diabética ou na diarreia.
Proteína
Rins saudáveis mantêm quase toda a proteína no sangue. A Cleveland Clinic liga a proteína na urina à lesão dos rins e à insuficiência cardíaca, mas também a causas passageiras, como exercício pesado e desidratação; por isso a Rede D’Or orienta evitar exercício muito intenso nas 24 horas antes da coleta. O médico pode repetir o exame ou pedir a relação albumina/creatinina na urina para medir com mais precisão. Veja as principais causas no nosso guia da proteína na urina.
Glicose e corpos cetônicos
O açúcar passa para a urina quando a glicose do sangue sobe além do que os rins conseguem segurar, então a glicose na urina se liga com frequência ao diabetes ou ao diabetes gestacional. Os corpos cetônicos aparecem quando o corpo queima gordura como combustível, o que pode acontecer no jejum, em dietas pobres em carboidratos ou, de forma mais grave, na cetoacidose diabética. Uma glicose positiva na urina pode levar a uma glicemia de jejum ou a uma hemoglobina glicada; saiba mais no nosso guia da glicose na urina.
Sangue
A área de sangue reage à hemoglobina das hemácias. A Cleveland Clinic cita infecção, lesão das vias urinárias, pressão alta e câncer entre as possíveis causas. Uma fita positiva costuma ser conferida pela contagem de hemácias no microscópio, e o sangue menstrual também pode deixar a área positiva, como lembra a Cleveland Clinic. Para ver como os médicos avaliam, leia o nosso guia do sangue na urina.
Esterase leucocitária e nitrito: como identificar infecção urinária no EAS
No EAS, a infecção urinária costuma aparecer como esterase leucocitária positiva, nitrito positivo, leucócitos acima de 5 por campo e bactérias na sedimentoscopia, sobretudo quando há ardência ou urgência para urinar. Essas duas áreas são os marcadores de infecção da fita. A esterase leucocitária é uma enzima liberada pelos leucócitos, e o nitrito se forma quando certas bactérias transformam o nitrato da urina. A Cleveland Clinic observa que qualquer um dos dois, ou uma contagem alta de leucócitos, muitas vezes aponta para inflamação ou infecção, na maioria das vezes urinária. O nitrito pode vir negativo em algumas infecções, porque nem todas as bactérias o produzem. Veja como o primeiro é lido no nosso guia da esterase leucocitária. O segundo está no nosso guia do nitrito na urina.
Bilirrubina e urobilinogênio
A bilirrubina é um pigmento amarelo formado quando as hemácias se desfazem. Ela normalmente é negativa na urina, e um resultado positivo pode sugerir um problema no fígado ou nos canais da bile, segundo a Cleveland Clinic. O urobilinogênio, um produto de degradação parecido, normalmente aparece em pequena quantidade, de 0,1 a 1,0 mg/dL na referência da Rede D’Or.
Como ler a sedimentoscopia
Na parte microscópica do EAS, o laboratório conta o que vê por campo de grande aumento (às vezes abreviado em inglês como HPF) ou de pequeno aumento. A Mayo Clinic e a Cleveland Clinic descrevem os principais achados.
- Hemácias: mais de cerca de 3 a 4 por campo indicam sangue que pode não ser visível a olho nu, vindo dos rins, da bexiga ou de qualquer ponto das vias urinárias. A MedlinePlus cita infecções, cálculos, inflamação dos rins, problemas da próstata e, menos vezes, câncer como causas.
- Leucócitos: mais de cerca de 5 por campo costumam sinalizar infecção ou inflamação.
- Bactérias, leveduras ou parasitas: podem indicar infecção, mas também podem vir de contaminação pela pele.
- Células epiteliais: as escamosas geralmente indicam que a amostra foi contaminada por células da pele; números altos de outros tipos podem refletir infecção, inflamação ou, raramente, câncer.
- Cilindros: partículas em forma de tubo formadas nos rins; alguns tipos são inofensivos, outros apontam para problemas renais.
- Cristais: certos tipos podem sugerir cálculos renais.
Padrões comuns no resultado do EAS
Os médicos raramente diagnosticam alguma coisa só com o EAS, como insistem a Cleveland Clinic e a Mayo Clinic. Eles leem os resultados como um padrão e decidem o que verificar depois.
| Padrão no laudo | O que pode sugerir | Próximo passo habitual |
|---|---|---|
| Esterase leucocitária e nitrito positivos, leucócitos altos, bactérias, com sintomas urinários | Infecção urinária | Tratamento, muitas vezes com urocultura |
| Bactérias ou leucócitos, mas sem sintomas | Contaminação ou bactérias sem infecção | Muitas vezes sem tratamento; às vezes nova amostra |
| Muitas células epiteliais escamosas com bactérias variadas | Amostra contaminada | Repetir com coleta de jato médio |
| Sangue ou hemácias sem sinais de infecção | Hematúria microscópica | Repetir o exame e avaliar conforme o risco |
| Proteína em mais de um exame | Possível lesão nos rins | Relação albumina/creatinina e exames de sangue dos rins |
| Glicose, com ou sem corpos cetônicos | Glicose alta no sangue | Glicemia de jejum ou hemoglobina glicada |
| Densidade alta, urina escura | Desidratação | Beber líquidos e repetir se preciso |
Quando há suspeita de infecção, a urocultura identifica o micróbio e os antibióticos que vão funcionar. Para sintomas, tratamento e prevenção, abra o nosso guia da infecção urinária.
Como colher o EAS
Para colher o EAS, lave as mãos e a região íntima, despreze o primeiro jato no vaso e colha o jato do meio no frasco estéril, de preferência com a primeira urina da manhã. Muitos resultados alterados vêm da forma de colher a amostra, e não de uma doença. A Rede D’Or e a Cleveland Clinic descrevem a coleta de jato médio assim:
- Lave as mãos com água e sabonete.
- Higienize a região íntima com água e sabonete: de frente para trás nas mulheres, ou a cabeça do pênis, com o prepúcio puxado para trás, nos homens.
- Abra o frasco estéril só na hora da coleta, sem tocar na parte de dentro.
- Comece a urinar no vaso e despreze esse primeiro jato.
- Sem interromper, colha o jato do meio no frasco até mais ou menos a metade.
- Termine de urinar no vaso, feche o frasco e leve-o ao laboratório o quanto antes.
Qual o horário que é considerado a primeira urina do dia?
A primeira urina do dia é a primeira que você faz ao acordar, depois de dormir, e é a preferida porque está mais concentrada. Se não for possível, a Rede D’Or orienta garantir um intervalo de pelo menos 2 a 4 horas sem urinar antes da coleta; a Prefeitura de Belo Horizonte fala em pelo menos 4 horas.
Quem vai fazer exame de urina pode fazer xixi de madrugada?
Pode, sim: se você urinar de madrugada, a próxima urina ao acordar ainda serve, desde que tenha ficado algumas horas sem urinar antes da coleta, em geral de 2 a 4 horas, conforme o laboratório. Se você levantou pouco antes da hora de colher, espere o intervalo indicado ou avise o laboratório.
O que não se pode fazer antes do exame de urina?
Antes do exame de urina, evite exercício físico muito intenso nas 24 horas anteriores, não colha durante a menstruação (salvo urgência e orientação do laboratório) e não beba muita água de uma vez pouco antes da coleta. Na maioria dos casos o EAS não precisa de jejum, segundo a Rede D’Or, a menos que seja colhido junto com exames de sangue que o exijam. Informe os remédios e suplementos que usa. A Mayo Clinic acrescenta que uma amostra que não chega ao laboratório em até 60 minutos deve ir para a geladeira, salvo outra orientação. O laboratório deve informar no comprovante de atendimento a data prevista de entrega do laudo, que pode ser acessado no site ou aplicativo do laboratório.
Quando falar com o médico
A Mayo Clinic lembra que resultados alterados no EAS muitas vezes pedem exames de acompanhamento, e que um EAS normal não garante que está tudo bem se a doença estiver no começo ou se a urina estiver muito diluída. Procure o médico se:
- você tem ardência, urgência, febre ou dor nas costas ou no flanco junto com marcadores de infecção alterados;
- você vê urina vermelha, rosa ou marrom, ou o laudo mostra sangue sem uma causa clara, como a menstruação;
- aparecem proteína, glicose ou corpos cetônicos na urina, principalmente se você tem diabetes ou pressão alta;
- o laudo mostra cilindros ou cristais e você tem história de doença renal ou cálculos;
- o mesmo resultado alterado aparece em mais de um exame.
Procure atendimento de urgência se tiver febre alta com dor nas costas, vômitos, confusão ou se não conseguir urinar. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192).
Avanços científicos recentes
Um EAS alterado nem sempre quer dizer infecção
Um estudo de 2024 com 3.392 pacientes internados mostrou que os resultados alterados do exame de urina, sozinhos, confirmam mal uma infecção urinária, enquanto a combinação de leucócitos ou nitrito funcionou melhor para descartá-la. Todos os marcadores tiveram desempenho ruim em mulheres idosas. O que isso significa para você: os médicos dão mais peso aos seus sintomas do que a um único resultado de fita, principalmente com o avançar da idade.
Os leucócitos no microscópio são a melhor pista isolada
Uma análise de 2025 com 80.949 pares de exame de urina e urocultura em Los Angeles mostrou que a contagem de leucócitos na sedimentoscopia previu um micróbio causador de infecção melhor do que a esterase leucocitária, as bactérias ou o nitrito. Ela também mostrou que mais de um terço das uroculturas estavam contaminadas. O que isso significa para você: uma coleta de jato médio cuidadosa e uma contagem de leucócitos dão o retrato mais útil.
Menos uroculturas desnecessárias
Num estudo de 2024 num grande hospital comunitário dos Estados Unidos, mandar a urina para cultura só quando os leucócitos passavam de 10 por campo, em vez de em qualquer marcador positivo da fita, reduziu as uroculturas em cerca de 43 % sem aumentar as infecções graves do sangue. Os autores lembram que tratar bactérias em pessoas sem sintomas é comum, mas muitas vezes desnecessário. O que isso significa para você: se você não tem sintomas, o médico pode decidir, com razão, não tratar bactérias vistas no EAS.
Novas recomendações sobre sangue microscópico na urina
Em 2025, a Associação Americana de Urologia e a Sociedade de Urodinâmica, Medicina Pélvica Feminina e Reconstrução Urogenital (AUA/SUFU) atualizaram a diretriz de micro-hematúria, com um novo sistema de risco e novas orientações sobre marcadores tumorais na urina e acompanhamento. Na Europa, uma diretriz de laboratório de 2023 recomendou dosar a albumina e outra proteína pequena na urina para detectar doença renal com mais sensibilidade em pessoas de alto risco. O que isso significa para você: a investigação depois de sangue ou proteína na urina está cada vez mais ajustada ao seu risco pessoal.
Exame de urina com celular
Um estudo de laboratório de 2026 descreveu um aparelho baseado em celular que mediu hemácias e albumina na urina com muito mais precisão do que a leitura visual da fita. Ele ainda não foi testado no atendimento de rotina. O que isso significa para você: os testes de urina em casa podem ficar mais precisos no futuro, mas por enquanto o laudo do laboratório continua sendo a referência.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| EAS (urina tipo 1) | Exame de urina que junta o exame físico, a fita química e, muitas vezes, a sedimentoscopia; a sigla quer dizer “elementos anormais e sedimento”. |
| Fita reagente | Tira plástica com pequenas áreas que mudam de cor em contato com substâncias da urina. |
| Densidade urinária | Medida de quão concentrada está a urina em comparação com a água. |
| Esterase leucocitária | Enzima liberada pelos leucócitos; resultado positivo sugere inflamação ou infecção. |
| Nitrito | Substância produzida por algumas bactérias na urina; resultado positivo sugere infecção urinária. |
| Campo de grande aumento | A área vista no microscópio com grande ampliação, usada para contar células. |
| Cilindros | Partículas em forma de tubo formadas nos pequenos túbulos dos rins; alguns tipos apontam para doença renal. |
| Jato médio | Amostra colhida no meio do jato depois de lavar a região íntima, para reduzir a contaminação. |
| Micro-hematúria | Sangue na urina visível só no microscópio. |
| Urocultura | Exame que cultiva os micróbios da urina para identificar a infecção e os antibióticos que funcionam. |
Perguntas frequentes
O que é um resultado normal de EAS?
Um EAS normal costuma mostrar urina amarelo-clara e límpida, densidade de 1,005 a 1,030 e pH entre 4,5 e 8,0, segundo a referência da Rede D’Or. Proteína, glicose, corpos cetônicos, bilirrubina, nitrito, esterase leucocitária e sangue vêm negativos, com até 3 hemácias e 5 leucócitos por campo, cristais e cilindros ausentes ou raros, bactérias ausentes e células epiteliais raras.
Quanto tempo demora o resultado do EAS?
O exame em si leva poucos minutos, mas a Cleveland Clinic observa que os resultados costumam chegar em um ou dois dias úteis. No Brasil, o laboratório deve informar no comprovante de atendimento a data prevista de entrega do laudo, que costuma ficar disponível no site ou no aplicativo do laboratório; no SUS, os resultados podem aparecer no Meu SUS Digital. A urocultura, quando pedida, leva mais tempo.
O EAS detecta infecção urinária?
Ele pode sugerir com força. Esterase leucocitária ou nitrito positivos e leucócitos altos apontam para infecção, principalmente com sintomas como ardência ou urgência. As pesquisas mostram, porém, que um EAS alterado sozinho não basta para diagnosticar a infecção, e por isso os médicos também consideram os sintomas e podem pedir uma urocultura.
Por que meu EAS mostra células epiteliais?
Poucas células epiteliais escamosas são comuns e em geral vêm da pele ao redor da uretra, o que quer dizer que a amostra foi um pouco contaminada. Muitas delas, junto com bactérias variadas, costumam levar a um pedido de nova coleta de jato médio. Outros tipos de células epiteliais em grande número podem refletir infecção ou inflamação.
Posso fazer o EAS menstruada?
O ideal é evitar a coleta durante a menstruação, porque o sangue pode contaminar a amostra e alterar o resultado, como orienta a Rede D’Or. Se o exame for urgente, avise o laboratório, que pode indicar cuidados especiais na coleta, ou espere a menstruação terminar.
O que pode deixar o resultado do EAS errado?
As causas mais comuns são contaminação pela pele ou por secreções genitais, uma amostra muito diluída depois de beber muito líquido, uma amostra deixada tempo demais em temperatura ambiente, a menstruação e alguns alimentos ou remédios que mudam a cor. Seguir os passos do jato médio e refrigerar a amostra que não puder ser entregue em uma hora ajudam a evitar esses problemas.
Fontes
- Cleveland Clinic — Urinalysis: What It Is, Purpose, Procedure, Results and Types — Health Library, reviewed 2024 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
- Mayo Clinic Staff — Urinalysis — Mayo Clinic Tests and Procedures — www.mayoclinic.org (em inglês)
- MedlinePlus Medical Encyclopedia, National Library of Medicine — Urinalysis — reviewed 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
- MedlinePlus Medical Encyclopedia, National Library of Medicine — RBC urine test — reviewed 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
- MedlinePlus Medical Encyclopedia, National Library of Medicine — Urine specific gravity test — reviewed 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
- Advani SD, North R, Turner NA, et al. — Performance of Urinalysis Parameters in Predicting Urinary Tract Infection: Does One Size Fit All? — Clinical Infectious Diseases, 2024 — doi.org/10.1093/cid/ciae230 (em inglês)
- Kupferwasser DK, Kang AY, Bolaris M, et al. — Diagnostic stewardship cutoffs for urinalysis results prior to performing a urine culture: analysis of data from a healthcare system — Infection Control and Hospital Epidemiology, 2025 — doi.org/10.1017/ice.2025.10265 (em inglês)
- Caveness CF, Orvin AI, Ingram CW, et al. — Impact of restrictive urinalysis reflex to culture criteria at a large community hospital — Diagnostic Microbiology and Infectious Disease, 2024 — doi.org/10.1016/j.diagmicrobio.2024.116183 (em inglês)
- Barocas DA, Lotan Y, Matulewicz RS, et al. — Updates to Microhematuria: AUA/SUFU Guideline (2025) — Journal of Urology, 2025 — doi.org/10.1097/JU.0000000000004490 (em inglês)
- Kouri TT, Hofmann W, Falbo R, et al. — The EFLM European Urinalysis Guideline 2023 — Clinical Chemistry and Laboratory Medicine, 2024 — doi.org/10.1515/cclm-2024 — doi.org/10.1515/cclm-2024-0070 (em inglês)
- Song K, Mandel I, Cobb J, et al. — Development of a smartphone based spectrometer for high-resolution urinalysis — Scientific Reports, 2026 — doi.org/10.1038/s41598-026-38307 — doi.org/10.1038/s41598-026-38307-y (em inglês)
- Rede D’Or São Luiz — Rotina de Urina – EAS (sumário), Urina – Amostra Isolada: valores de referência e preparo — Rede D’Or, exames e procedimentos — www.rededorsaoluiz.com.br (em português)
- Ministério da Saúde — Gravidez: exames e vacinas do pré-natal — gov.br, Saúde de A a Z — www.gov.br (em português)
- Prefeitura de Belo Horizonte — Preparo para exames laboratoriais (urina rotina, urocultura, urina de 24 horas) — PBH, Secretaria Municipal de Saúde — prefeitura.pbh.gov.br (em português)
- ANVISA — Resolução RDC nº 978, de 6 de junho de 2025: funcionamento dos serviços de Exames de Análises Clínicas — Diário Oficial da União, 2025 — www.in.gov.br (em português)
- Ministério da Saúde — Meu SUS Digital — gov.br — www.gov.br (em português)
- Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — www.gov.br (em português)
Leituras recomendadas
- Entenda por que a queima de gordura aparece no exame de urina no nosso guia dos corpos cetônicos na urina.
- Veja o que as células da pele e da bexiga no seu laudo querem dizer no nosso guia das células epiteliais na urina.
- Meça com mais precisão uma lesão inicial nos rins no nosso guia da RAC na urina.
- Descubra como os cristais viram pedras doloridas no nosso guia da pedra no rim.
- Acompanhe a saúde dos rins a longo prazo no nosso guia da doença renal crônica.
Entenda seus exames com a BloodSense
Um laudo de EAS concentra muita informação em poucas linhas, da densidade e da proteína aos leucócitos e cristais. A BloodSense ajuda você a entender em linguagem simples o resultado do seu EAS e os exames de sangue relacionados, como os marcadores dos rins e a glicemia, com as perguntas que vale fazer ao seu médico. O relatório de IA não faz diagnóstico e não substitui o seu médico.



