Ver a esterase leucocitária positiva no exame de urina (EAS, urina tipo 1) assusta, mas esse marcador é bem menos dramático do que parece. A esterase leucocitária é apenas uma enzima liberada pelos glóbulos brancos, e a área da tira reagente a detecta como um sinal indireto de que células de defesa chegaram à sua urina. Isso pode apontar para uma infecção urinária, mas também pode acontecer por motivos que não têm nada a ver com bactérias. Neste artigo você vai entender o que o exame mede de fato, como ler os resultados “traços”, 1+, 2+ e 3+, por que a esterase quase sempre é lida junto com o nitrito antes de qualquer conclusão, quais situações dão leituras enganosas e quais sintomas justificam de verdade uma conversa com o médico.

O que é a esterase leucocitária na urina

A esterase leucocitária é uma enzima guardada dentro dos neutrófilos, os glóbulos brancos de ação rápida que o corpo envia para os locais de inflamação. Quando essas células se desfazem na urina, elas liberam a enzima, e a área da tira muda de cor em resposta. Ou seja, o exame não conta células. Ele detecta a “pegada química” que elas deixam.

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) explica que essa pesquisa serve como auxiliar na avaliação da leucocitúria (leucócitos na urina) e que o limite de detecção da tira fica entre 5.000 e 15.000 leucócitos granulócitos por mL de urina. Ela lembra ainda que outros tipos de leucócitos, como os linfócitos, não produzem essa esterase, então uma leucocitúria por linfócitos dá esterase negativa. Por isso, a pesquisa não substitui o exame do sedimento ao microscópio.

Essa diferença importa mais do que a maioria das pessoas imagina. Um técnico contando células ao microscópio e uma tira reagindo a uma enzima respondem a perguntas um pouco diferentes. A tira pode continuar positiva depois que os leucócitos já se desintegraram e ficaram invisíveis ao microscópio, e é por isso que os dois métodos às vezes discordam na mesma amostra. Se o seu laudo também traz a contagem de células, vale comparar com o nosso guia de leucócitos na urina.

A urina saudável tem pouquíssimos glóbulos brancos, então a maioria dos laboratórios considera alterada qualquer esterase detectável. O peso clínico dessa alteração, porém, depende totalmente do contexto: seus sintomas, sua idade, se você está grávida e o que as outras áreas da mesma tira mostram.

De onde vêm os glóbulos brancos

Os leucócitos podem entrar na urina em qualquer ponto do trato urinário. Bactérias se multiplicando na bexiga são o gatilho clássico, mas inflamação do rim, irritação por uma pedra, uma sonda retirada há pouco ou contaminação pela região genital durante a coleta podem levar as mesmas células ao frasco. A tira não consegue dizer qual dessas situações aconteceu.

Como funciona a tira da esterase leucocitária

O exame é um quadradinho numa fita plástica com oito a onze áreas reagentes. O laboratório mergulha a tira rapidamente numa amostra fresca, retira o excesso e lê a mudança de cor depois de um tempo fixo, em geral cerca de dois minutos. Hoje muitos laboratórios colocam a tira num leitor automático em vez de avaliar a cor a olho.

O tempo de leitura é a fonte mais comum de erro evitável. Lida cedo demais, a cor ainda não se formou; lida tarde demais, ela pode mudar. A SBPC/ML recomenda de preferência a leitura por equipamentos com algum grau de automação, porque isso reduz a interferência da luz do ambiente e da acuidade visual de quem lê. Estudos que compararam os dois jeitos mostram que eles concordam bastante, o que tranquiliza se a sua amostra foi analisada por máquina.

Como se preparar para o exame

A maior parte dos exames usa a urina do jato médio. Você faz a higiene da região genital com água e sabão, começa a urinar no vaso, depois coloca o frasco no meio do jato e colhe a parte do meio. Essa porção traz menos células da pele ao redor, o que reduz os falsos positivos. Laudos com muitas células epiteliais escamosas muitas vezes indicam um problema na coleta, e não uma alteração verdadeira. No Brasil, os laboratórios costumam pedir a primeira urina da manhã ou pelo menos 2 horas sem urinar, e evitar a coleta durante a menstruação.

Não é preciso jejum. Vale evitar beber uma quantidade incomum de água antes, porque uma urina muito diluída pode enfraquecer um sinal verdadeiro. O marcador de concentração do seu laudo dá uma pista sobre isso, e você pode conferir no nosso guia de densidade urinária se a sua amostra estava diluída.

Pode fazer xixi de madrugada antes do exame de urina?

Pode, mas então a amostra seguinte não será mais a “primeira urina da manhã”. O que os laboratórios costumam pedir é que a urina tenha ficado pelo menos 2 horas na bexiga antes da coleta. Se você urinou de madrugada, espere ao menos esse tempo antes de colher e avise o laboratório.

Como ler o resultado da esterase leucocitária

O resultado da tira vem numa escala de graus, e não num número exato. A forma de escrever muda de um laboratório para outro (“negativo”, “traços”, “positivo +”, “++”, “+++”, ou em leucócitos por microlitro), mas a escada abaixo mostra como a maioria apresenta o resultado.

Resultado no laudoO que sugerePróximo passo habitual
NegativoNenhuma enzima significativa detectadaNada a fazer se você não tem sintomas
TraçosPequena quantidade, muitas vezes sem importância sozinhaInterpretado junto com sintomas e outras áreas da tira
1+ (pouco)Aumento leve de glóbulos brancosMuitas vezes leva à sedimentoscopia ou à urocultura
2+ (moderado)Resposta inflamatória clara em algum ponto do trato urinárioUrocultura geralmente pedida
3+ (muito)Piúria importanteUrocultura e avaliação clínica

Dois pontos merecem destaque. Primeiro, o grau reflete a concentração da enzima, e não a gravidade de uma doença: um 3+ em alguém sem sintomas não é automaticamente pior notícia do que um 1+ em alguém com febre. Segundo, uma escala de graus é um resultado de triagem, e não um diagnóstico. O exame de referência para infecção continua sendo a cultura, e o nosso guia de resultado da urocultura explica como esse exame complementar é interpretado.

O que significa esterase leucocitária traços?

“Traços” é o positivo mais fraco da escala e, sozinho, muitas vezes não tem importância clínica. Em quem não tem sintomas urinários, costuma ser repetido em vez de tratado. Em quem tem ardência, urgência ou febre, o mesmo resultado pesa mais e normalmente leva a uma urocultura. A técnica de coleta também conta: traços numa amostra que não foi de jato médio podem ser apenas células recolhidas no caminho.

Esterase leucocitária positiva e nitrito negativo: como ler os dois juntos

O médico quase nunca lê a esterase isoladamente. A área do nitrito fica ao lado e detecta outra coisa: algumas bactérias transformam o nitrato da alimentação em nitrito, então um nitrito positivo é uma evidência bastante específica de bactérias. Combinar os dois dá um quadro muito mais informativo do que cada um sozinho, e o nosso guia de nitrito na urina detalha essa área da tira.

Esterase leucocitáriaNitritoInterpretação habitual
PositivaPositivoInfecção bacteriana provável; o tratamento muitas vezes começa enquanto a urocultura não sai
PositivaNegativoHá inflamação, mas bactérias não estão comprovadas; a urocultura esclarece
NegativaPositivoPouco comum; pode refletir uma infecção bem no início ou um problema no manuseio da amostra
NegativaNegativoInfecção improvável, mas não totalmente descartada em quem tem sintomas fortes

A combinação esterase positiva com nitrito negativo é a que gera mais dúvidas, e ela é de fato comum. Várias bactérias que causam infecção urinária não produzem nitrito, e uma urina que ficou pouco tempo na bexiga pode não ter dado tempo para a conversão. A SBPC/ML cita exatamente essa limitação: alguns germes urinários não reduzem nitrato a nitrito. Ao mesmo tempo, esse padrão é exatamente o esperado numa inflamação sem infecção.

Leucocitúria sem infecção: quando o positivo não é infecção

Glóbulos brancos na urina sem bactérias comprovadas é uma situação conhecida, chamada de leucocitúria estéril ou piúria estéril. É um achado, e não uma doença, e tem uma longa lista de explicações. O nosso guia de piúria aprofunda o tema, mas a versão curta vale a pena:

  • Uso recente de antibiótico, que impediu o crescimento das bactérias enquanto a inflamação continua
  • Pedras nos rins irritando o revestimento do trato urinário
  • Cistite intersticial e outras inflamações da bexiga sem infecção
  • Infecções sexualmente transmissíveis, como a clamídia, que a urocultura de rotina não detecta
  • Exercício intenso, desidratação ou procedimento recente, como colocação de sonda
  • Contaminação genital da amostra, incluindo corrimento vaginal ou fungos

As pedras merecem uma menção especial porque muitas vezes produzem leucócitos e sangue na mesma amostra. Se o seu laudo também aponta hemácias, veja o nosso guia de sangue na urina e o nosso guia de pedra nos rins. Os fungos são outro culpado frequente em amostras contaminadas, e o nosso guia de leveduras na urina mostra como eles aparecem no laudo.

O que pode distorcer o resultado da esterase

A tira é uma reação química, e a química pode ser empurrada para os dois lados. Conhecer as interferências mais comuns ajuda a entender um resultado que não combina com o que você está sentindo. A SBPC/ML lista várias delas de forma bem precisa.

Direção do erroCausas típicas
Falso positivo ou resultado exageradoCorrimento vaginal ou sangue menstrual na amostra, contaminação genital, amostra parada tempo demais antes da leitura, contaminação por agentes oxidantes como hipoclorito (água sanitária) ou formol, e altas concentrações de antibióticos como imipenem, meropenem ou ácido clavulânico
Falso negativo ou resultado enfraquecidoUrina muito diluída, densidade alta, glicose acima de 2 g/dL, albumina acima de 0,5 g/dL, vitamina C (ácido ascórbico) acima de 25 mg/dL, e altas concentrações de cefalexina, cefalotina, tetraciclina ou ácido oxálico

Como a glicose e a proteína podem enfraquecer a reação, vale olhar essas linhas no seu próprio laudo; o nosso guia de proteína na urina explica o que esse valor significa. A sedimentoscopia continua sendo o desempate quando a química é ambígua, e o nosso guia de sedimentoscopia descreve o que o técnico procura.

Como o resultado é avaliado em grupos diferentes

Esterase leucocitária positiva na gravidez

A urina é examinada várias vezes durante o pré-natal, e uma esterase positiva é levada a sério porque uma infecção urinária não tratada traz riscos reais. A contaminação também é mais provável na gravidez, por causa do aumento do corrimento vaginal, então uma tira positiva costuma ser confirmada pela urocultura em vez de ser tratada sozinha.

Bebês e crianças pequenas

Crianças pequenas não conseguem descrever sintomas urinários, então a febre pode ser a única pista. A tira é usada como triagem rápida no pronto-socorro, e a urocultura confirma o diagnóstico. A parte difícil é a coleta: o saquinho coletor contamina com facilidade, então a coleta por sonda é preferida quando se precisa de uma resposta firme.

Idosos

É aqui que a interpretação mais muda. Muitos idosos, sobretudo mulheres e moradores de instituições de longa permanência, têm bactérias e leucócitos na urina de forma permanente sem estarem doentes, situação chamada de bacteriúria assintomática. Tratar com antibiótico não ajuda e aumenta a resistência bacteriana. Nesse grupo, uma tira positiva significa bem menos do que num adulto jovem com ardência e urgência, e cada vez mais os médicos evitam pedir o exame sem sintomas urinários claros.

Quando procurar o médico

O resultado da tira sozinho raramente define a conduta; os seus sintomas, sim. Procure um médico ou uma unidade de saúde logo se a esterase positiva vier junto com qualquer um destes sinais:

  • Ardência, queimação ou dor ao urinar
  • Urgência ou vontade de urinar com muita frequência, o que os médicos chamam de sintomas do trato urinário inferior
  • Dor no flanco ou na parte baixa das costas, sobretudo com febre ou calafrios
  • Náusea, vômitos ou mal-estar geral
  • Sangue visível na urina
  • Sintomas durante a gravidez, ou febre sem explicação num bebê
  • Um resultado positivo que persiste em exames repetidos mesmo depois do tratamento

Febre com dor no flanco sugere que o rim, e não só a bexiga, está envolvido, e deve ser avaliada no mesmo dia. Leucócitos persistentes com uroculturas negativas por meses pedem investigação, e não sequências repetidas de antibiótico; o nosso guia de infecção urinária mostra como essas situações costumam ser conduzidas. No Brasil, você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pelo SUS, o seu plano de saúde ou um atendimento particular; em caso de emergência, ligue para o SAMU (192).

Avanços científicos recentes

As pesquisas publicadas nos últimos três anos reforçaram uma única mensagem: a tira da esterase leucocitária é uma ótima ferramenta para afastar infecção e uma ferramenta fraca para confirmá-la. Veja o que os trabalhos mais relevantes mostraram, em linguagem simples.

A tira é melhor para excluir infecção do que para confirmar

Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2025 reuniu dezesseis estudos sobre a tira em adultos com 60 anos ou mais. Uma revisão sistemática é uma busca organizada de todos os estudos disponíveis sobre uma pergunta, combinados numa resposta geral. Os autores viram que, nos idosos, um resultado positivo pega quase todo mundo que tem bactérias na urina, mas também marca muita gente que não tem, então uma tira positiva sozinha não confirma infecção nessa faixa etária. A conclusão foi que a tira de rotina é uma forma ruim de diagnosticar infecção urinária em idosos. Um estudo observacional com idosos publicado em 2026 chegou a uma conclusão parecida e sugeriu que exigir uma mudança de cor mais forte para chamar o teste de positivo reduziria antibióticos desnecessários.

O que isso significa para você: se você tem mais de 60 anos e um exame de rotina vem positivo, mas você está se sentindo totalmente bem, esse resultado sozinho não é motivo para tomar antibiótico. A conversa com o médico deve ser sobre os seus sintomas, e não sobre a tira.

Em crianças pequenas, a tira funciona bem

Um estudo multicêntrico com mais de nove mil bebês com febre, de 2 a 6 meses, publicado em 2025, comparou a tira feita na hora com a contagem de leucócitos no laboratório. A tira se igualou ou foi um pouco melhor que a contagem, e os autores sugeriram que as primeiras decisões de tratamento nesse grupo não precisam esperar o exame de urina completo do laboratório. Outro estudo multicêntrico com crianças pequenas, de 2024, acrescentou uma ressalva importante: cerca de uma em cada cinco crianças que tinham infecção confirmada na cultura não apresentava piúria nenhuma, o que questiona a prática de exigir leucócitos para diagnosticar infecção nessa idade.

O que isso significa para você: num bebê com febre, a tira rápida dá ao médico informação útil logo, mas uma tira limpa não fecha totalmente a porta para infecção. A urocultura continua importando.

Programas de computador começam a ler a tira melhor do que a tira sozinha

Um estudo de 2025 com quase vinte e três mil amostras de urina testou se modelos de aprendizado de máquina, programas que aprendem padrões em grandes bases de dados, preveem infecção melhor do que as áreas da tira sozinhas. Combinar as leituras da tira com dados simples do paciente, como idade e sexo, previu a infecção bem melhor do que nitrito e esterase isolados, e deu a resposta em até uma hora, em vez de esperar um ou dois dias pela cultura. Os autores ressaltaram que o método ainda precisa ser testado em outros hospitais antes de ser adotado em larga escala.

O que isso significa para você: a velha tira dificilmente vai desaparecer, mas a camada de interpretação em volta dela está melhorando. Nos próximos anos, você pode ver laudos que combinam as mesmas áreas com os seus dados clínicos para dar uma probabilidade mais clara, em vez de um simples positivo ou negativo.

Glossário

TermoDefinição
Esterase leucocitáriaEnzima liberada pelos glóbulos brancos. A presença dela na urina é um sinal indireto de que células de defesa entraram no trato urinário.
Piúria ou leucocitúriaExcesso de glóbulos brancos na urina, qualquer que seja a causa.
Leucocitúria estérilGlóbulos brancos na urina quando a urocultura padrão não cresce nenhuma bactéria.
NitritoSubstância que certas bactérias urinárias produzem a partir do nitrato da alimentação. Nitrito positivo é forte evidência dessas bactérias.
BacteriúriaPresença de bactérias na urina, com ou sem sintomas.
Bacteriúria assintomáticaBactérias na urina em alguém que se sente totalmente bem. Em geral não precisa de antibiótico.
NeutrófiloO tipo mais comum de glóbulo branco, e o que carrega a esterase leucocitária.
Jato médioAmostra de urina colhida no meio da micção, depois da higiene, para limitar a contaminação.
UroculturaExame que cultiva e identifica bactérias numa amostra de urina, geralmente com antibiograma. É o exame de referência para infecção.
CistiteInflamação da bexiga, causada na maioria das vezes por infecção bacteriana.

Perguntas frequentes

O que significa esterase leucocitária positiva?

Significa que a tira detectou a enzima que os glóbulos brancos liberam, ou seja, há células de defesa na sua urina. A explicação mais frequente é a infecção urinária, mas inflamação por pedra, uso recente de sonda, uma infecção sexualmente transmissível ou contaminação na coleta podem dar o mesmo resultado. Uma tira positiva descreve um estado inflamatório; ela não diz a causa. O médico vai pesar o resultado junto com os seus sintomas, o nitrito e, em geral, uma urocultura antes de decidir qualquer coisa.

Esterase leucocitária positiva 1+ ou 2+ é grave?

Não necessariamente. O número de cruzes indica quanta enzima a tira encontrou, e não o quanto você está doente. Um 2+ numa pessoa sem sintomas pode ser contaminação, enquanto um 1+ com ardência e febre merece avaliação logo. O que define a gravidade são os sintomas e o resultado da urocultura.

Dá para ter leucócitos na urina sem infecção?

Sim, e isso é comum o bastante para ter nome próprio: leucocitúria estéril. Pedras nos rins, cistite intersticial, antibióticos recentes, exercício intenso, sondas e infecções que a urocultura padrão não detecta, como a clamídia, produzem leucócitos sem cultura positiva. A contaminação pela região genital é outra explicação frequente. Se as culturas continuam negativas enquanto os leucócitos persistem, o caminho é investigar mais, e não repetir antibióticos.

Qual é o valor normal de leucócitos na urina?

Na tira não existe faixa numérica; o esperado é simplesmente negativo. Quando o laboratório conta as células ao microscópio, a maioria considera esperado menos de cerca de 5 leucócitos por campo de grande aumento, mas o limite exato muda de laboratório para laboratório, e muitos laudos brasileiros expressam o resultado por mL. Leia sempre o seu resultado contra os valores de referência impressos no seu laudo, porque os números não são intercambiáveis entre laboratórios nem entre métodos.

Esterase leucocitária positiva na gravidez precisa de tratamento?

Não automaticamente, mas sempre merece acompanhamento. A gravidez aumenta tanto a chance de contaminação quanto as consequências de uma infecção não percebida, então uma tira positiva normalmente é confirmada pela urocultura. Se a cultura cresce bactérias, o tratamento costuma ser indicado na gravidez mesmo sem sintomas, o que é diferente do que se faz fora da gestação. Decisões sobre remédios na gravidez devem sempre ser tomadas com a equipe do pré-natal.

Quanto tempo os leucócitos levam para sumir da urina depois do tratamento?

A inflamação demora mais para baixar do que as bactérias para serem eliminadas, então os leucócitos muitas vezes continuam detectáveis por uma a duas semanas depois de uma infecção bem tratada, às vezes mais. Por isso o médico costuma avaliar o sucesso do tratamento pela melhora dos sintomas, e não repetindo a tira. Um novo exame geralmente fica reservado para a gravidez, para infecções que foram mais graves ou para sintomas que não melhoram.

Fontes

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  • Centers for Disease Control and Prevention (EUA) — Noções básicas sobre infecção urinária (Urinary Tract Infection Basics) — CDC, 2024 — cdc.gov
  • National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (EUA) — Diagnóstico da infecção de bexiga em adultos (Diagnosis of Bladder Infection in Adults) — NIDDK, National Institutes of Health — niddk.nih.gov
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  • Hunt KM, Green RS, Sartori LF, et al. — Tira de urina no diagnóstico de infecção urinária em lactentes febris de 2 a 6 meses — Pediatrics, 2025 — doi.org/10.1542/peds.2024-068671
  • Shaikh N, Campbell EA, Curry C, et al. — Acurácia dos testes de triagem no diagnóstico de infecção urinária em crianças pequenas — Pediatrics, 2024 — doi.org/10.1542/peds.2024-066600
  • Favresse J, Cabo J, Bosse M, et al. — Algoritmos de aprendizado de máquina para prever infecção urinária: integração de dados demográficos e da leitura da tira — Clinical Chemistry, 2025 — doi.org/10.1093/clinchem/hvaf088
  • Cox SML, Hoitinga P, Oudhuis GJ, et al. — Comparação entre a leitura visual e a automatizada da tira de urina na atenção primária — Scandinavian Journal of Primary Health Care, 2024 — doi.org/10.1080/02813432.2024.2392776
  • Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: realização de exames em urina (cap. 7: esterase leucocitária, nitritos e cuidados com as tiras reagentes) — Manole, 2017 — controllab.com
  • Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP) — Manual de Exames do Serviço de Análises Clínicas: Urina Rotina (coleta e análise química) — Prefeitura de Ribeirão Preto — ribeiraopreto.sp.gov.br

Leituras recomendadas

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