Escarlatina: sintomas, língua de morango, contágio e tratamento

A escarlatina é uma infecção de garganta causada pela bactéria estreptococo do grupo A, acompanhada de manchas vermelhas ásperas como lixa na pele. O quadro clássico é este: a criança acorda com uma dor de garganta forte e febre, e um dia depois uma vermelhidão fina se espalha pelo peito e pelo pescoço. Passando a mão, a pele parece uma lixa fina.
A escarlatina importa por um motivo prático: ao contrário da maioria das dores de garganta, esta realmente precisa de antibiótico. Os pais logo reconhecem o resfriado comum que passa sozinho, sem receita nenhuma, mas a escarlatina é diferente. O tratamento encurta a doença, reduz o tempo em que a criança pode transmitir a bactéria e, sobretudo, previne uma complicação séria do coração chamada febre reumática.
O que é escarlatina?
A escarlatina, também chamada de febre escarlate, é uma faringite ou amigdalite por estreptococo acompanhada de uma erupção típica na pele. A bactéria responsável é o Streptococcus pyogenes, o estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Algumas linhagens produzem toxinas chamadas exotoxinas pirogênicas (ou toxina eritrogênica). Numa criança cujo sistema imunológico ainda não conhece essa toxina, ela circula no sangue, irrita os pequenos vasos da pele e produz a vermelhidão que dá nome à doença.
Por isso, a escarlatina não é uma doença separada da amigdalite bacteriana. É a infecção de garganta por estreptococo com manchas causadas pela toxina, com os mesmos exames e o mesmo tratamento. Os casos aumentaram na última década em vários países, como o Reino Unido e partes da Ásia e da Europa, com uma alta depois do fim das restrições da pandemia. Isso é um motivo para testar e tratar logo, não para pânico.
Por que dá escarlatina?
Dá escarlatina quando uma pessoa sem imunidade é infectada por uma linhagem de estreptococo do grupo A que produz a toxina eritrogênica. O Boletim Epidemiológico Paulista, do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, explica que, para a doença ocorrer, a pessoa não pode ter imunidade contra aquele tipo de estreptococo nem contra a toxina. A toxina inflama os pequenos vasos da pele e provoca as manchas e o rosto vermelho.
Sintomas da escarlatina e evolução da doença
O período de incubação é de 2 a 5 dias. A doença começa com sintomas que não têm a ver com a pele: dor de garganta súbita e forte, febre muitas vezes acima de 38,5 °C, dor de cabeça, gânglios doloridos no pescoço e, às vezes, náusea ou dor de barriga. Tosse e nariz escorrendo em geral não aparecem, e isso já é uma pista.
As manchas surgem de 12 a 48 horas depois da febre, começando no pescoço, no peito ou nas axilas. O rosto fica vermelho, mas a pele em volta da boca continua pálida, um contraste chamado palidez perioral. A língua ganha uma camada branca com pontinhos vermelhos saltando, depois perde essa camada e fica inchada, vermelho-vivo e cheia de saliências.
O que é a língua de morango?
Língua de morango, ou língua em framboesa, é a língua inchada, vermelho-vivo e com as papilas saltadas, parecendo a superfície de um morango. É um sinal típico da escarlatina, que aparece depois que a camada branca inicial da língua descama. Ela também pode surgir em outras doenças, como a doença de Kawasaki, por isso não fecha o diagnóstico sozinha.
Qual é o primeiro sintoma da escarlatina?
O primeiro sintoma costuma ser uma dor de garganta forte e súbita, com febre, antes de qualquer mancha na pele. Depois vêm as manchas ásperas, a palidez em volta da boca e a língua de morango. Mais tarde, a pele descama nas pontas dos dedos das mãos e dos pés, nas palmas e nas plantas dos pés, às vezes por semanas.
Como é a mancha da escarlatina, inclusive na pele escura
O sinal mais confiável não é a cor, mas a textura. Inúmeros carocinhos minúsculos deixam a pele parecendo uma lixa fina sob os dedos. A mancha clareia quando é apertada e se concentra nas dobras, formando linhas mais escuras nas dobras dos cotovelos, nas axilas, na virilha e atrás dos joelhos.
Na pele clara, a vermelhidão é evidente e muitas vezes lembra uma queimadura de sol. Na pele parda e negra, ela pode ser difícil de ver, e a maioria das fotos médicas mostra só pele clara. Nos tons mais escuros, confie nos outros sinais: a textura de lixa, o reforço nas dobras, um escurecimento opaco em vez de vermelho vivo e a descamação depois. Olhe com boa luz natural e compare a pele afetada com a não afetada da mesma criança. Os sinais da boca e da língua não dependem da cor da pele.
Sinais de alerta que pedem atendimento urgente
O estreptococo do grupo A pode, raramente, causar doença invasiva, chegando a lugares normalmente estéreis, como o sangue ou tecidos profundos. Isso é raro e grave. Procure atendimento no mesmo dia em caso de:
- Dificuldade para respirar ou esforço para respirar
- Dificuldade para engolir, baba escorrendo ou recusa da própria saliva
- Inchaço ou rigidez no pescoço, ou incapacidade de virar a cabeça
- Desidratação: pouquíssima urina, choro sem lágrimas, boca seca
- Manchas que se espalham rápido, ficam doloridas ou arroxeadas
- Prostração, confusão ou criança difícil de acordar
- Febre que continua ou volta a subir depois de 48 horas de antibiótico
Escarlatina é contagiosa? Como pega e quem pega
Sim, a escarlatina é contagiosa. A bactéria passa por gotículas da tosse e do espirro, pelo contato com saliva e, às vezes, por copos compartilhados. Também pode entrar por ferimentos na pele, e é por isso que a escarlatina às vezes aparece depois de um machucado ou de uma queimadura.
Segundo o Boletim Epidemiológico Paulista, a escarlatina pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em escolares de 5 a 18 anos, é rara em bebês e tem maior incidência no fim do inverno e no início da primavera, com surtos em creches e escolas nos meses frios. Adultos não são imunes, principalmente pais e cuidadores. Como a escarlatina circula junto com os vírus respiratórios, os médicos costumam descartar a gripe, com febre alta, dor no corpo e cansaço, antes de concluir que uma febre de inverno é bacteriana. A imunidade se forma contra a toxina específica envolvida e, como existem vários tipos de toxina, é possível ter escarlatina mais de uma vez.
Escarlatina pega em adulto?
Sim, embora seja menos comum do que nas crianças. Adultos que convivem com crianças doentes, como pais, cuidadores e professores, são os que mais pegam. Os sintomas são os mesmos — dor de garganta, febre e manchas ásperas — e o tratamento também precisa de antibiótico.
Doenças que podem ser confundidas com escarlatina
Muitas doenças da infância causam febre com manchas. Nenhuma das diferenças abaixo substitui o exame do médico e o teste da garganta.
| Doença | O que diferencia | Pista típica |
|---|---|---|
| Amigdalite por estreptococo sem manchas | Mesma bactéria, sem efeito da toxina na pele | Dor de garganta e febre, pele normal |
| Faringite viral | Tosse, coriza, rouquidão | A tosse afasta o estreptococo |
| Sarampo | Manchas em placas, nunca ásperas como lixa | Olhos vermelhos, manchas começando na linha do cabelo |
| Doença de Kawasaki | Febre que não responde a antibiótico | Febre por mais de cinco dias, lábios rachados, mãos inchadas |
| Mononucleose infecciosa | Cansaço intenso, gânglios inchados em vários lugares | Manchas que surgem só depois de certos antibióticos |
| Doença mão-pé-boca | Bolhinhas separadas, não uma vermelhidão difusa | Lesões nas palmas e plantas |
Uma erupção espalhada com febre sempre levanta a suspeita de uma doença viral com manchas, então o pediatra vai pensar no sarampo, que começa no rosto e desce, antes de fechar o diagnóstico. O boletim paulista lista ainda rubéola, parvovirose e reações alérgicas entre os diagnósticos possíveis.
Como é feito o diagnóstico da escarlatina
O diagnóstico começa pelo quadro clínico: garganta dolorida com amígdalas vermelhas e inchadas, gânglios doloridos no pescoço, febre, manchas ásperas, língua de morango e ausência de tosse. Isso sugere, mas não prova, e este é o ponto que os pais mais precisam saber: a escarlatina deve ser confirmada com um teste rápido para estreptococo ou uma cultura de orofaringe antes de começar o antibiótico, sempre que o exame estiver disponível.
O teste rápido de detecção de antígeno usa um cotonete passado na garganta e dá o resultado em cinco a dez minutos. Ele é muito específico, então um resultado positivo é confiável e o tratamento pode começar. O ponto fraco é a sensibilidade: ele deixa passar parte das infecções verdadeiras. O Boletim Epidemiológico Paulista cita especificidade de 95 % e sensibilidade de 76 % a 87 % para os testes rápidos de látex, e recomenda colher também a cultura. A cultura leva de 24 a 48 horas, mas pega o que o teste rápido perdeu.
Os exames de sangue que importam, com franqueza
Num caso simples, nenhum exame de sangue é necessário. O teste da garganta e o exame físico resolvem a questão, e tirar sangue só aumenta o sofrimento da criança.
Os exames de sangue ganham espaço quando a criança está muito doente, quando o diagnóstico não está claro ou quando se suspeita de uma complicação. O médico pode então pedir um hemograma completo, que mostra quanto o corpo mobilizou suas defesas. A contagem diferencial desse exame separa os neutrófilos, que sobem muito nas infecções bacterianas, e quem acompanha a gravidade pode acrescentar a proteína C reativa, que sobe poucas horas depois do início da inflamação. Exames de anticorpos como a antiestreptolisina O (ASLO) só confirmam a infecção por estreptococo semanas depois, então importam quando se investiga febre reumática ou problema nos rins, e não durante a dor de garganta.
Tratamento: por que o antibiótico importa aqui
O antibiótico é o centro do tratamento, e vale explicar por quê. Ele encurta a doença em cerca de um dia, deixa a criança sem transmitir rapidamente, reduz o risco de abscessos e otites e, sobretudo, previne a febre reumática, uma reação imune ao estreptococo não tratado que pode danificar para sempre as válvulas do coração. A doença reumática do coração continua sendo uma causa importante de morte cardíaca no mundo, e evitá-la é justamente o motivo de tratar uma dor de garganta que, de outra forma, passaria sozinha.
No Brasil, o Boletim Epidemiológico Paulista indica as penicilinas como tratamento de escolha, a menos que haja alergia, e informa que o tratamento pode ser iniciado até oito dias depois do início do quadro, ainda prevenindo a febre reumática. Qual antibiótico, em que forma, em que dose e por quanto tempo é decisão do médico, conforme a idade, o peso e as alergias da criança. Este artigo não indica nenhum de propósito, porque a escolha é individual e usar sobra de remédio é perigoso — e, no Brasil, a farmácia só vende antibiótico com retenção da receita. O que importa para a família é completar o tratamento inteiro exatamente como foi prescrito, mesmo que a criança pareça bem em um ou dois dias.
Os cuidados de apoio vêm junto: remédio para febre e dor adequado à idade, além de bebidas geladas, picolé, iogurte e comidas pastosas. Mantenha as unhas curtas se a pele coçar e use um hidratante sem perfume enquanto a pele descama.
Contágio, escola e creche
Sem tratamento, a criança pode transmitir o estreptococo por bastante tempo: o Boletim Epidemiológico Paulista fala em 10 a 21 dias nos casos não tratados e sem complicações, um período longo numa sala de aula. O tratamento encurta muito esse prazo: nos casos tratados adequadamente, a transmissão dura até 24 horas depois do início do antibiótico.
A regra que escolas e pediatras usam é simples: em geral a criança deixa de transmitir depois de cerca de 24 horas de antibiótico, desde que a febre também tenha passado sem remédio para baixar a febre. As duas condições precisam ser cumpridas. Uma criança ainda com febre na 26ª hora não está pronta para voltar, e nem uma criança sem febre com doze horas de tratamento. Quando as duas coisas forem verdade, pode voltar, mesmo com as pontas dos dedos descascando. Na orientação para surtos, o boletim paulista recomenda isolar o paciente até 24 horas após o início do tratamento.
Escarlatina é grave? Complicações possíveis
As complicações são incomuns com tratamento rápido, mas explicam por que a doença é levada a sério.
A febre reumática aparece de uma a cinco semanas depois da infecção da garganta e atinge as articulações, o coração, a pele e o sistema nervoso. A dor que migra de uma articulação grande para outra é característica, e famílias preocupadas com dores que continuam às vezes precisam de ajuda para diferenciar esse padrão da artrite reumatoide, que lesa as juntas por um processo autoimune crônico. No Brasil, um estudo em Minas Gerais citado pelo boletim paulista encontrou febre reumática em 3,6 a cada 1.000 escolares. A glomerulonefrite pós-estreptocócica, uma inflamação imune dos filtros dos rins, aparece de uma a três semanas depois, com urina cor de chá, olhos inchados ou pressão alta; a maioria das crianças se recupera por completo e, ao contrário da febre reumática, ela não é prevenida pelo antibiótico.
A disseminação local causa os problemas mais conhecidos: otite média, abscesso em volta da amígdala e inflamação que chega aos seios da face. Uma criança que continua congestionada e com febre depois que a garganta melhora pode estar desenvolvendo uma sinusite depois da infecção de garganta. Pneumonia e, raramente, a síndrome do choque tóxico estreptocócico ficam no extremo grave.
É perigosa uma bactéria na garganta?
Na maioria das vezes, não, desde que seja diagnosticada e tratada. Muitas pessoas carregam estreptococos na garganta sem adoecer: o boletim paulista cita taxas de portadores sem sintomas de 11,3 % nas crianças e 0,8 % nos adultos. O perigo está na infecção não tratada, que pode levar a febre reumática, problemas nos rins e, raramente, infecção invasiva.
Prevenção e cuidados em casa
Ainda não existe vacina aprovada contra o estreptococo do grupo A, embora algumas estejam em desenvolvimento, então a prevenção depende de interromper a transmissão. Lavar as mãos com água e sabão é a medida mais eficaz, principalmente antes de comer e depois de tossir ou assoar o nariz. Não compartilhe copos, talheres, escovas de dente ou toalhas enquanto alguém estiver doente, e troque a escova de dente da criança depois que o tratamento começar. Pessoas da casa que tiverem dor de garganta devem ser examinadas, e não tratadas por suposição; segundo o boletim paulista, contatos sem sintomas em geral não precisam de tratamento.
Avanços científicos recentes
Pesquisadores canadenses usaram o sequenciamento genômico, que lê todo o código genético de cada bactéria, em amostras de infecções invasivas por estreptococo do grupo A coletadas entre 2018 e 2023. Entre as amostras do tipo emm1, o mais comum, a proporção da linhagem M1 mais agressiva, ligada a surtos de escarlatina e maior produção de toxina, subiu de 22,1 % para 60,2 % (Golden et al., 2024). O que isso significa para você: o aumento dos casos de escarlatina reflete mudanças reais na bactéria, o que reforça a importância de testar uma dor de garganta com manchas em vez de esperar passar.
Um estudo na Gâmbia recrutou 376 crianças com menos de 16 anos e dor de garganta e comparou dois testes rápidos com a cultura e o PCR, uma técnica que detecta o DNA da bactéria. O teste rápido de antígeno detectou 83,8 % dos casos confirmados pela cultura, mas só 55,7 % dos confirmados pelo PCR, enquanto um teste rápido de amplificação genética detectou 94,6 % e 93,5 %, respectivamente (Armitage et al., 2025). O que isso significa para você: um teste rápido negativo não encerra a questão quando os sintomas sugerem estreptococo, e é por isso que se colhe a cultura como reserva.
Uma equipe de Varsóvia revisou 91 crianças internadas com pneumonia complicada, ou seja, com líquido ou infecção em volta do pulmão, na temporada de 2022 a 2023. O estreptococo do grupo A foi a causa principal, em 24,2 % dos casos, e 68,2 % dessas crianças também tinham sintomas de escarlatina. Os exames de sangue foram diferentes, com a procalcitonina, que separa a infecção bacteriana grave da virose, em média de 28,1 contra 1,5 ng/dL (Grochowska et al., 2024). O que isso significa para você: uma criança com escarlatina que passa a ter dificuldade para respirar ou cuja febre volta a subir precisa ser reavaliada logo.
Mitos e verdades
- Mito: escarlatina é uma doença mortal de antigamente. Verdade: com tratamento rápido, quase todas as crianças se recuperam por completo.
- Mito: as manchas na pele transmitem a doença. Verdade: quem transmite são as bactérias da garganta; as manchas que somem e a pele que descama não são contagiosas.
- Mito: quando a febre passa, pode parar o antibiótico. Verdade: é o tratamento completo que previne a febre reumática.
- Mito: um teste rápido negativo descarta a escarlatina. Verdade: os testes rápidos deixam passar infecções reais, por isso se faz a cultura.
Glossário
| Termo | Significado |
|---|---|
| Estreptococo do grupo A | A bactéria Streptococcus pyogenes, causa da amigdalite bacteriana e da escarlatina. |
| Exotoxina pirogênica | Toxina de algumas linhagens de estreptococo que provoca a febre e as manchas. |
| Língua de morango | Língua inchada, vermelho-vivo e com papilas saltadas. |
| Teste rápido de antígeno | Exame com cotonete na garganta que detecta proteínas da bactéria em minutos. |
| Febre reumática | Reação imune tardia ao estreptococo não tratado que pode deixar cicatrizes nas válvulas do coração. |
| Glomerulonefrite pós-estreptocócica | Inflamação imune dos filtros dos rins semanas depois do estreptococo. |
| Estreptococo invasivo | Infecção que chega a lugares normalmente estéreis, como o sangue. |
Perguntas frequentes
Qual a orientação do Ministério da Saúde sobre a escarlatina?
A orientação das autoridades de saúde brasileiras é procurar um serviço de saúde diante de dor de garganta com febre e manchas ásperas, confirmar o diagnóstico e tratar com antibiótico prescrito, de preferência penicilina, completando o tratamento. Em surtos, as orientações estaduais, como as do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, preveem afastar o doente até 24 horas após o início do tratamento, vigiar os contatos e notificar a vigilância. Siga sempre o que o pediatra e a secretaria de saúde do seu município orientarem.
Qual é o nome popular da escarlatina?
A escarlatina também é chamada de febre escarlate, nome que vem da cor vermelho-escarlate da pele. No dia a dia, muita gente a descreve como “amigdalite com manchas”, o que resume bem a doença: uma infecção de garganta por estreptococo com erupção na pele.
Quanto tempo dura a escarlatina?
A febre e a dor de garganta costumam melhorar em três a cinco dias, muitas vezes em 24 a 48 horas depois de começar o antibiótico. As manchas desaparecem em cerca de uma semana. A descamação nas pontas dos dedos das mãos e dos pés, nas palmas e nas plantas pode continuar por semanas e não significa que a infecção persiste. Febre que volta depois da melhora pede contato com o médico.
O que causa a escarlatina?
A causa é a infecção pelo Streptococcus pyogenes, a mesma bactéria da amigdalite bacteriana comum. Algumas linhagens têm genes para exotoxinas pirogênicas, substâncias que provocam uma resposta imune forte. Quando uma dessas linhagens infecta alguém sem imunidade prévia àquela toxina, ela cai na corrente sanguínea e inflama os pequenos vasos da pele, produzindo as manchas ásperas e o rosto vermelho que as famílias reconhecem.
Fontes
- Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (SES-SP) — Escarlatina: orientações para surtos — Boletim Epidemiológico Paulista (BEPA), 2007 — periodicos.saude.sp.gov.br
- ANVISA — Resolução RDC nº 471, de 23 de fevereiro de 2021 (antimicrobianos: prescrição, dispensação e retenção de receita) — Diário Oficial da União, 2021 — in.gov.br
- Centers for Disease Control and Prevention — About Scarlet Fever — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- Centers for Disease Control and Prevention — Clinical Guidance for Group A Streptococcal Pharyngitis — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- National Library of Medicine — Scarlet Fever — MedlinePlus, 2024 — medlineplus.gov (em inglês)
- Mayo Clinic — Scarlet Fever: Symptoms and Causes — Mayo Clinic, 2024 — mayoclinic.org (em inglês)
- Cleveland Clinic — Scarlet Fever — Cleveland Clinic, 2023 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
- American Academy of Pediatrics — The Difference Between a Sore Throat, Strep and Tonsillitis — HealthyChildren.org, 2024 — healthychildren.org (em inglês)
- Golden AR, et al. — Invasive Group A Streptococcus Hypervirulent M1 Clone, Canada — Emerging Infectious Diseases, 2024 — doi.org (em inglês)
- Armitage EP, et al. — Clinical Decision Rules and Rapid Tests for Streptococcus pyogenes Pharyngitis — The Journal of Infection, 2025 — doi.org (em inglês)
- Grochowska M, et al. — Complicated Pneumonia Caused by Group A Streptococcus in Children — Journal of Infection and Chemotherapy, 2024 — doi.org (em inglês)
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A maioria dos casos de escarlatina nunca precisa de exame de sangue. Quando um é pedido, os números são difíceis de ler sem contexto. Glóbulos brancos altos com predomínio de neutrófilos apontam para um processo bacteriano, a proteína C reativa mostra quanta inflamação está ativa agora e a procalcitonina ajuda a separar uma infecção bacteriana grave de uma virose.
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