Sinusite: sintomas, quanto tempo dura, quando é grave e tratamento

As bochechas doem, o nariz não desentope e o catarro ficou de um amarelo-esverdeado assustador. Parece a hora de pedir um antibiótico. Para a maioria das pessoas, não é.
A sinusite, que os médicos chamam de rinossinusite porque o revestimento do nariz e o dos seios da face inflamam juntos, está entre os motivos mais comuns de consulta e de receitas de antibiótico desnecessárias. A grande maioria dos casos é viral: os sintomas atingem o pico, incomodam bastante e melhoram em cerca de dez dias, seja qual for a cor do catarro. Saber reconhecer em qual padrão você está é o que realmente ajuda.
O que é sinusite?
Os seios paranasais são quatro pares de cavidades cheias de ar dentro dos ossos do rosto: os maxilares, atrás das bochechas; os frontais, acima das sobrancelhas; os etmoidais, entre os olhos; e os esfenoidais, atrás deles. Cada um drena para o nariz por aberturas mais finas que a ponta de um lápis, forradas por pelos microscópicos, os cílios, que varrem o muco para fora.
A sinusite começa quando esse revestimento incha. As aberturas se fecham, o muco para de circular, a pressão aumenta e o líquido parado vira um bom ambiente para bactérias que normalmente vivem ali sem causar problema. O inchaço inicial é quase sempre viral: a sinusite costuma vir depois de um resfriado comum que inflama o nariz, e só 0,5% a 2% dos resfriados se transformam numa verdadeira infecção bacteriana.
O que acontece no corpo quando dá sinusite?
Quando a mucosa incha e a drenagem trava, o muco se acumula dentro da cavidade. Isso gera a sensação de peso no rosto, o nariz entupido, o catarro que escorre pela garganta e, muitas vezes, a perda do olfato. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a sinusite aguda aparece no código J01 e a sinusite crônica no código J32, a numeração usada em atestados e pedidos de exame no Brasil.
Sintomas e sinais de alerta
Quatro sintomas definem a sinusite, e os médicos procuram pelo menos dois, sendo um deles obstrução ou secreção:
- Nariz entupido ou congestionado que não desobstrui.
- Secreção nasal, ou catarro escorrendo pela garganta, de qualquer cor.
- Dor, pressão ou sensação de peso no rosto, que piora ao abaixar a cabeça.
- Olfato diminuído ou ausente, em geral levando junto o paladar.
A maioria das pessoas também tem dor de cabeça, tosse à noite e febre baixa. Febre alta de início súbito com dores no corpo, além dos sintomas do nariz, pode indicar uma gripe que atinge o corpo todo. A cor do catarro não diagnostica nada: o amarelo e o verde vêm das próprias células de defesa, e os resfriados ficam coloridos já no terceiro dia.
Onde dói a sinusite?
Depende do seio afetado. A sinusite maxilar dói nas bochechas e às vezes nos dentes de cima, a frontal dói na testa, acima das sobrancelhas, e a etmoidal dói entre os olhos e na raiz do nariz. A sinusite esfenoidal, mais rara, pode causar dor no alto ou no fundo da cabeça. A dor costuma piorar ao abaixar a cabeça ou ao deitar.
Qual o horário que a sinusite mais ataca?
Muita gente sente mais pela manhã e à noite. Deitado, o muco se acumula, a drenagem fica mais lenta e o catarro escorre pela garganta, o que explica a tosse noturna. Ao acordar, depois de horas na mesma posição, a pressão no rosto e o nariz entupido costumam estar no auge e melhoram aos poucos quando a pessoa se levanta.
Quando a sinusite é grave? Sinais que exigem atendimento urgente
Como os seios da face ficam encostados nas órbitas dos olhos e no cérebro, as complicações, embora raras, são sérias. Procure atendimento no mesmo dia ou um pronto-socorro em caso de:
- Alterações na visão: visão dupla, embaçada ou perda de visão.
- Inchaço, vermelhidão ou olho saltado, ou dor ao mexer os olhos.
- Dor de cabeça forte com rigidez na nuca ou sensibilidade à luz.
- Confusão, sonolência, fala enrolada, fraqueza de um lado do corpo ou convulsão.
- Febre alta que persiste ou sobe em vez de baixar.
- Inchaço ou vermelhidão que se espalha pela testa ou pela bochecha.
Diante de confusão, convulsão ou fraqueza de um lado do corpo, ligue para o SAMU 192.
Viral ou bacteriana? Como diferenciar
Nenhum exame feito no consultório separa as duas. O médico observa como a doença evolui no tempo, e três padrões levantam suspeita suficiente para considerar antibiótico:
- Persistência: sintomas que duram dez dias ou mais sem nenhuma melhora em momento algum.
- Gravidade: febre de 39 °C ou mais com secreção purulenta ou dor no rosto, por pelo menos três a quatro dias seguidos logo no início.
- Piora dupla: melhora clara por cinco ou seis dias e depois piora repentina, com febre nova, dor de cabeça nova ou secreção nova.
Se nenhum se encaixa, o mais provável é um vírus, e o antibiótico não vai encurtar a doença. Se um se encaixa, isso é assunto para conversar com o médico, não uma receita automática.
| Característica | Geralmente viral | Sugere bacteriana |
|---|---|---|
| Evolução no tempo | Pico entre o 3º e o 6º dia, melhora até o 10º | Nenhuma melhora até o 10º dia |
| Trajetória | Melhora contínua depois do pico | Melhora e depois piora forte de novo |
| Febre | Baixa, no começo, some em 24 a 48 horas | 39 °C ou mais por 3 a 4 dias, com pus |
| Dor no rosto | Pressão difusa, dos dois lados | Forte, localizada, muitas vezes de um lado |
| Benefício do antibiótico | Nenhum, e há risco de efeitos colaterais | Possível; o médico decide |
Quanto tempo dura a sinusite bacteriana?
Por definição, a forma bacteriana passa dos dez dias ou piora depois de uma melhora inicial. Quando o médico indica antibiótico, os sintomas costumam diminuir em poucos dias, mas o tratamento deve seguir pelo tempo prescrito. Se não houver melhora depois de alguns dias de antibiótico, é preciso voltar à consulta.
Sinusite, resfriado ou alergia?
Os três se parecem tanto que as pessoas os confundem o tempo todo, e essa confusão leva a muitos tratamentos desnecessários.
| Característica | Resfriado comum | Sinusite | Alergia |
|---|---|---|---|
| Início | Instala-se em 1 a 2 dias | Vem depois de um resfriado que não passou | Minutos a horas após a exposição |
| Duração | 7 a 10 dias | 10 dias a semanas; mais se crônica | Semanas a meses enquanto houver exposição |
| Febre | Baixa ou ausente | Possível; febre alta importa | Nunca |
| Coceira e espirros | Alguns espirros no começo | Pouco presentes | Coceira nos olhos e no nariz, crises de espirro |
| Dor no rosto | No máximo leve congestão | Pressão nas bochechas ou na testa | Dor de verdade é incomum |
| Secreção | Clara, engrossa no meio do quadro | Grossa, persistente, às vezes de um lado só | Fina, aguada, clara o tempo todo |
Espirros com olhos lacrimejando e coceira no céu da boca costumam refletir uma rinite alérgica causada por pólen, ácaros ou pelos de animais, e não uma infecção.
O que pode ser confundido com sinusite?
Além do resfriado e da rinite alérgica, a enxaqueca e a cefaleia tensional costumam ser rotuladas como “sinusite” quando a dor fica na testa ou ao redor dos olhos, mas sem nariz entupido nem secreção. Dor de dente nos molares de cima, problemas na articulação da mandíbula e desvio de septo também entram na lista. Uma dor de cabeça que volta sempre, sem sintomas no nariz, raramente é sinusite.
Tipos: aguda, subaguda, crônica e recorrente
A rinossinusite aguda dura menos de quatro semanas e é quase sempre viral. A subaguda vai de quatro a doze semanas: uma “cauda” teimosa que reflete inflamação persistente e drenagem bloqueada, mais do que infecção ativa, e por isso mais antibiótico raramente ajuda.
A rinossinusite crônica significa doze semanas ou mais de sintomas e inflamação comprovada na endoscopia ou na tomografia. É uma doença inflamatória do revestimento, não uma infecção longa. Ela se divide em doença com pólipos nasais, inchaços moles que bloqueiam a passagem do ar e o olfato, e doença sem pólipos. A rinossinusite aguda recorrente é outra situação: quatro ou mais episódios por ano, cada um se resolvendo por completo no intervalo.
Causas e fatores de risco
A maioria dos casos agudos começa com um vírus respiratório, e bactérias como o Streptococcus pneumoniae chegam depois. Se a inflamação vira infecção depende muito da anatomia e do ambiente: desvio de septo, canais de drenagem estreitos, adenoides aumentadas nas crianças, cigarro ou vape (que paralisam os cílios), ar seco em ambientes fechados e infecção num molar de cima cujas raízes tocam o assoalho do seio maxilar.
A investigação de uma sinusite que não passa muitas vezes revela uma asma que nunca foi diagnosticada, já que as vias aéreas de cima e de baixo funcionam como um único sistema inflamado. O catarro que escorre pela garganta de forma persistente às vezes revela um refluxo que chega à garganta durante a noite. Deficiências imunológicas e doenças dos cílios também entram na lista.
Como a sinusite é diagnosticada
Num caso agudo comum, o diagnóstico é clínico e leva minutos: sintomas principais, tempo de evolução e exame do nariz, da garganta e dos olhos. Exames de imagem atrapalham mais do que ajudam, porque a tomografia mostra os seios “velados” até em resfriados simples. O raio-X dos seios da face, ainda muito pedido, tem o mesmo problema e não separa vírus de bactéria.
Os exames têm lugar em situações específicas. A endoscopia nasal é padrão depois de doze semanas, quando há suspeita de pólipos ou quando é preciso colher uma cultura dirigida. A tomografia fica reservada para suspeita de complicação, doença crônica com indicação de cirurgia ou quadros estranhos de um lado só. O swab na entrada da narina não serve, porque cresce o que vive na parte da frente do nariz.
Qual é o médico que trata de sinusite?
Na maioria dos casos agudos, o clínico geral, o médico de família da Unidade Básica de Saúde ou o pediatra resolvem. O otorrinolaringologista entra quando a sinusite é crônica, volta várias vezes, vem com pólipos ou precisa de endoscopia ou cirurgia. O alergista ajuda quando a rinite alérgica está por trás das crises. Em casos com sinais de alerta, o atendimento é de urgência.
Os exames de sangue que importam, e quando não importam
Numa sinusite típica, exames de sangue de rotina não acrescentam nada. Eles não separam o viral do bacteriano, e a maioria das pessoas com pressão no rosto e nariz entupido não precisa de exame de sangue.
Eles valem a pena quando o quadro é grave ou confuso. O médico pode pedir um hemograma completo, que mostra quantos glóbulos brancos circulam: um aumento dos neutrófilos apoia a infecção bacteriana, enquanto uma contagem normal em alguém com bom estado geral fala contra ela. O exame pode incluir também a proteína C reativa, que sobe com inflamação de qualquer causa, mais útil quando acompanhada ao longo de dias. Quando a decisão é difícil, o médico pode acrescentar a procalcitonina, que tende a subir na infecção bacteriana.
Opções de tratamento
O alívio dos sintomas vem primeiro, porque é o que melhora os dias seguintes. Os sprays nasais de corticoide reduzem o inchaço que mantém os seios bloqueados e estão entre as poucas medidas com benefício consistente tanto na forma aguda quanto na crônica, embora levem dias para fazer efeito completo. A lavagem com soro fisiológico limpa o muco, e o paracetamol ou um anti-inflamatório controlam a dor e a febre. Os descongestionantes em spray desentopem o nariz, mas não devem ser usados por mais de três dias, porque provocam efeito rebote.
O antibiótico só entra quando um dos três critérios de tempo é preenchido, e mesmo assim a decisão é do médico, que avalia seu histórico, alergias e outros remédios. Esperar com vigilância, com orientação sobre quando voltar, costuma ser a escolha para adultos que não estão muito doentes. Não é economia: antibióticos causam diarreia, alergias na pele e, às vezes, reações graves, e cada uso desnecessário aumenta a resistência das bactérias. No Brasil, a Anvisa exige a retenção da receita na farmácia para vender antibióticos, justamente para conter o uso sem indicação. Nunca tome antibiótico que sobrou de outra doença ou que foi receitado para outra pessoa.
O que mata a bactéria da sinusite?
Só um antibiótico escolhido pelo médico, e só quando a infecção é de fato bacteriana. Lavagem nasal, inalação, chás ou alho não matam bactérias dentro dos seios da face; eles aliviam sintomas. Como a maioria das sinusites é viral, não há bactéria para matar, e o antibiótico nesses casos só traz efeitos colaterais.
A rinossinusite crônica é tratada como inflamação, não como infecção: corticoide nasal diário e lavagem nasal com grande volume de soro por meses, junto com o tratamento da alergia e da asma. Quando isso falha, a cirurgia endoscópica dos seios da face alarga as aberturas de drenagem por dentro do nariz, sem cortes no rosto. Para a doença grave com pólipos, os imunobiológicos, anticorpos injetáveis que bloqueiam um mensageiro da inflamação tipo 2, são uma opção estabelecida, indicada por especialista. A diretriz brasileira atualizada em 2024 orienta seu uso com medicamentos aprovados pela Anvisa e adaptada às realidades do SUS e da saúde suplementar.
Cuidados em casa que realmente ajudam
A lavagem nasal com soro é a medida caseira de maior valor. Lavar o nariz com solução salina, usando uma seringa, um frasco de apertar ou um lota (neti pot), remove o muco acumulado e ajuda os sprays a chegar ao tecido. Faça uma ou duas vezes ao dia e aplique o remédio em spray depois.
O cuidado de segurança não é opcional. Nunca faça a lavagem com água direto da torneira. A água da torneira é segura para beber porque o ácido do estômago destrói os micro-organismos, mas o nariz não tem essa defesa, e infecções raras e muitas vezes fatais por ameba já aconteceram depois de lavagens com água da torneira. Use soro fisiológico pronto, água destilada, água estéril ou água fervida por pelo menos um minuto e depois esfriada. Lave o aparelho após o uso e deixe secar ao ar.
Além da lavagem: beba líquido suficiente para manter o muco fino, respire o vapor de um banho quente, durma com a cabeça elevada e pare de fumar. Evite antialérgicos se a alergia não fizer parte do quadro.
O que devo evitar comer ou fazer durante a sinusite?
Não existe dieta que cure sinusite. O que piora o quadro é a fumaça de cigarro, o ar muito seco, mergulhos em piscina com cloro durante a crise e o uso prolongado de descongestionante nasal. O álcool pode aumentar o inchaço do nariz em algumas pessoas.
Prevenção e sinusite que volta sempre
A prevenção é simples e funciona: lavar as mãos, tomar a vacina da gripe todo ano, evitar fumaça de cigarro e controlar a alergia antes da época de crise.
Se você tem quatro ou mais episódios por ano, ou se os sintomas nunca somem por completo, a pergunta muda de “como tratar esta infecção” para “o que deixa isso acontecer”: estreitamento anatômico, alergia não controlada, asma, refluxo ou deficiência imunológica. Nos casos recorrentes, o exame de sangue às vezes mostra eosinófilos bem acima da faixa de referência, o que aponta para inflamação tipo 2 e abre opções além de mais um antibiótico.
Avanços científicos recentes
Pesquisadores reuniram os dados individuais de 2.539 adultos de nove estudos duplo-cegos e controlados por placebo, nos quais nem pacientes nem médicos sabiam quem recebia antibiótico de verdade, e perguntaram se idade, sintomas e exame físico identificavam quem melhoraria mais rápido com o remédio. A resposta foi não. O modelo ordenou os pacientes pela chance de cura pouco melhor que cara ou coroa, com estatística C de 0,58, em que 0,5 é o acaso e 1,0 é perfeito, e sua capacidade de apontar quem se beneficiava do antibiótico em vez do placebo ficou em exatamente 0,50 (Hoogland e colaboradores, 2023). O que isso significa para você: os médicos se apoiam nas regras dos dez dias, da gravidade e da piora dupla porque não existe nada melhor.
Um estudo pragmático em 20 hospitais do Reino Unido distribuiu 514 adultos com rinossinusite crônica que não melhorou com o tratamento nasal padrão entre cirurgia endoscópica, três meses de um antibiótico macrolídeo em dose baixa ou um comprimido de placebo, todos junto com o tratamento nasal. Aos seis meses, a cirurgia melhorou a qualidade de vida medida pelo questionário SNOT-22 em 18,13 pontos a mais que o antibiótico e 20,44 pontos a mais que o placebo, enquanto o antibiótico não se diferenciou do placebo, com diferença de 3,11 pontos e p = 0,17 (Philpott e colaboradores, 2025). O SNOT-22 tem versão validada em português do Brasil, usada nos serviços de otorrinolaringologia do país. O que isso significa para você: quando a sinusite crônica persiste apesar do tratamento nasal correto, antibiótico em dose baixa não é a resposta, e uma avaliação cirúrgica é razoável.
Uma revisão sistemática reuniu 64 estudos de vida real com 3.921 pacientes tratados com um de quatro imunobiológicos, anticorpos fabricados em laboratório que bloqueiam uma etapa da inflamação alérgica, para rinossinusite crônica com pólipos nasais. Com acompanhamento de quatro meses a mais de um ano, o tamanho dos pólipos e os sintomas melhoraram de forma significativa, o dupilumabe se destacou e os resultados nos consultórios comuns superaram os dos estudos de fase 3 originais (Cai e colaboradores, 2025). O que isso significa para você: na doença grave com pólipos que voltam depois da cirurgia, os imunobiológicos deixaram de ser experimentais, embora continuem sendo prescritos por especialistas.
Mitos e verdades
- Mito: catarro verde prova que você precisa de antibiótico. Verdade: a cor vem das suas próprias células de defesa; resfriados virais ficam verdes no tempo esperado.
- Mito: toda sinusite precisa de receita. Verdade: a maioria é viral e passa sem remédio controlado, e é por isso que existem os critérios de tempo.
- Mito: spray nasal de corticoide é perigoso a longo prazo. Verdade: nas doses habituais ele age no local, com absorção mínima, e foi feito para uso diário.
- Mito: sinusite é sempre a causa da dor de cabeça na testa. Verdade: sem nariz entupido ou secreção, a causa mais comum é enxaqueca ou cefaleia tensional.
Glossário
| Termo | O que significa |
|---|---|
| Rinossinusite | Sinusite, nome que lembra que nariz e seios inflamam juntos. |
| Purulenta | Secreção grossa e opaca, com pus; uma descrição, não um diagnóstico. |
| Piora dupla | Melhora seguida de piora súbita; um dos critérios de infecção bacteriana. |
| Depuração mucociliar | O movimento dos cílios que varre o muco para fora dos seios. |
| Pólipo nasal | Inchaço mole e benigno do revestimento que bloqueia o ar e o olfato. |
| Endoscopia nasal | Exame com uma câmera fina introduzida no nariz. |
| Corticoide nasal | Spray de corticoide que age no local, com pouca absorção. |
| Uso racional de antibióticos | Receitar antibiótico só quando ele vai ajudar. |
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a sinusite?
A sinusite viral costuma atingir o pico entre o terceiro e o sexto dia e já está melhorando de forma clara até o décimo, embora uma tosse residual possa durar mais uma semana sem significar problema. A infecção bacteriana dura mais e costuma encurtar com o tratamento. Depois de quatro semanas, ela é considerada subaguda; depois de doze, é rinossinusite crônica, uma condição diferente que pede outra abordagem.
A sinusite pode passar sozinha?
Sim, e a maioria passa. A grande maioria dos casos agudos é viral, e as infecções virais desaparecem quando o sistema imunológico termina o trabalho, em geral em cerca de dez dias. Por isso esperar com bom controle dos sintomas é um plano legítimo para adultos que não estão muito doentes. As exceções são os casos que preenchem os critérios de persistência, gravidade ou piora dupla, além de qualquer pessoa com sinais de alerta.
Como saber se preciso de antibiótico para sinusite?
Você não decide sozinho, mas pode reconhecer quando vale a pena perguntar. Três padrões justificam a conversa: sintomas que duram dez dias ou mais sem nenhuma melhora, febre de 39 °C ou mais com secreção purulenta ou dor no rosto por três a quatro dias seguidos, ou melhora clara seguida de piora repentina. Fora disso, o antibiótico não vai encurtar a doença.
Sinusite é contagiosa?
A sinusite em si não passa de uma pessoa para outra. O que é contagioso é o vírus respiratório que a desencadeou, transmitido por gotículas e mãos contaminadas. Quem pegar de você provavelmente terá um resfriado comum, não uma sinusite, porque a evolução da inflamação depende da anatomia, das alergias e da imunidade de cada um. Lavar as mãos e ficar em casa enquanto houver febre continua sendo sensato.
Qual a forma mais rápida de acabar com a sinusite?
Nenhum atalho vence o curso natural, mas dá para diminuir o incômodo. Comece a lavagem nasal com soro pronto ou água destilada, estéril ou fervida e esfriada; acrescente um spray nasal de corticoide diário e dê alguns dias para ele agir; beba bastante líquido; trate a dor e a febre com paracetamol ou um anti-inflamatório; e durma com a cabeça elevada. Um descongestionante em spray pode salvar um nariz entupido por até três dias.
Fontes
- Anselmo-Lima WT et al. — Brazilian guideline for the use of immunobiologicals in chronic rhinosinusitis with nasal polyps: 2024 update — Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2024 — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov (em inglês)
- Caminha GP et al. — SNOT-22: psychometric properties and cross-cultural adaptation into the Portuguese language spoken in Brazil — Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2012 — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov (em inglês)
- Anvisa — Resolução RDC nº 471, de 23 de fevereiro de 2021 (controle de antimicrobianos) — Diário Oficial da União, 2021 — in.gov.br
- Ministério da Saúde — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) — Brasil, 2024 — gov.br
- Centers for Disease Control and Prevention — Sinus Infection Basics — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- MedlinePlus — Sinusitis — National Library of Medicine, 2025 — medlineplus.gov (em inglês)
- U.S. Food and Drug Administration — Rinsing Your Sinuses With Neti Pots — FDA, 2024 — fda.gov (em inglês)
- Cleveland Clinic — Acute Sinusitis — Cleveland Clinic, 2025 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
- American Academy of Otolaryngology — Sinusitis — ENThealth, 2024 — enthealth.org (em inglês)
- Hoogland J et al. — Prediction of antibiotic benefit in acute rhinosinusitis — Diagnostic and Prognostic Research, 2023 — doi.org (em inglês)
- Philpott C et al. — Clarithromycin versus endoscopic sinus surgery in chronic rhinosinusitis (MACRO) — The Lancet, 2025 — doi.org (em inglês)
- Cai S et al. — Biologics for Chronic Rhinosinusitis With Nasal Polyps — Allergy, 2025 — doi.org (em inglês)
Leia também
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Entenda seus exames com a BloodSense
Se pediram exames de sangue durante a investigação de uma sinusite, os resultados giram em torno de alguns marcadores de infecção e inflamação. O hemograma mostra os tipos de glóbulos brancos: os neutrófilos costumam subir na infecção bacteriana, e os eosinófilos sinalizam a inflamação tipo 2 por trás de muitos casos crônicos e com pólipos. A proteína C reativa e o VHS medem a inflamação sem dizer a causa, enquanto a procalcitonina sobe de forma mais seletiva na infecção bacteriana.
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