Asma: o que é, sintomas, crise, exames e tratamento atual

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns, ao lado da rinite alérgica e da DPOC, segundo o Ministério da Saúde, e uma das mais subtratadas. Os sintomas da asma são só a superfície de uma inflamação que continua entre as crises, e aliviar o aperto sem tratar a inflamação deixa a doença ativa por baixo.
Essa é a maior mudança no cuidado moderno da asma: as diretrizes internacionais não recomendam mais tratar adultos e adolescentes só com a “bombinha” de alívio rápido. A seguir: como é uma crise, quais sinais exigem ligar para o SAMU, como a asma é diagnosticada, por que duas pessoas com o mesmo diagnóstico precisam de remédios diferentes e o que os exames de sangue podem e não podem dizer.
O que é asma?
A asma é uma doença crônica das vias aéreas definida por duas características ao mesmo tempo: inflamação do revestimento dos brônquios e obstrução variável à passagem do ar. O revestimento incha e produz muco em excesso, enquanto o músculo ao redor dos brônquios se contrai com facilidade demais, a chamada hiper-responsividade brônquica. O canal por onde o ar passa se estreita, e soltar o ar fica mais difícil do que puxá-lo. No CID-10, a asma corresponde ao código J45.
A palavra “variável” é o centro do diagnóstico. O fluxo de ar muda ao longo de horas, dias e estações, o que diferencia a asma de uma obstrução fixa e explica por que alguém pode estar bem no consultório e sofrer às três da manhã. Um exame físico normal não descarta asma. A asma que começa na vida adulta é comum, menos ligada a alergias, mais persistente e muitas vezes passa anos sem diagnóstico.
Sintomas da asma e como é uma crise
Os quatro sintomas principais são chiado no peito, falta de ar, aperto no peito e tosse. Eles aparecem juntos, pioram à noite ou de madrugada e surgem depois de um gatilho, como exercício, ar frio, um alérgeno ou uma infecção. Uma tosse que dura semanas depois de um resfriado ou que acorda a pessoa à noite é uma forma clássica, e muitas vezes ignorada, de asma.
Qual o primeiro sinal de asma?
Muitas vezes, o primeiro sinal é uma tosse seca persistente, principalmente à noite ou de manhã cedo, ou um chiado e falta de ar que aparecem com exercício, ar frio ou depois de uma gripe. O Ministério da Saúde lista como sintomas tosse seca, chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração rápida e curta, desconforto no peito e ansiedade.
O aperto no peito costuma ser descrito como uma faixa em volta das costelas, e a dificuldade está em soltar o ar. Uma crise, ou exacerbação, é uma piora progressiva ao longo de minutos a dias: a bombinha ajuda menos e por menos tempo, e subir escadas fica difícil. Crises frequentes indicam que a inflamação de base não está bem tratada.
Sinais de alerta: quando ligar para o SAMU (192)
Ligue imediatamente para o SAMU (192) se qualquer um destes sinais estiver presente. São sinais de emergência, e não motivo para esperar.
- A bombinha de alívio não funciona, ou o alívio passa e os sintomas voltam em poucas horas.
- A pessoa não consegue falar frases inteiras e precisa parar para respirar a cada poucas palavras.
- Lábios, rosto ou unhas ficam azulados, acinzentados ou escuros.
- Sonolência ou confusão. Alguém que fica quieto e sonolento com muita falta de ar está piorando, e não se acalmando.
- Na criança, a pele “afundando” entre as costelas, na base do pescoço ou abaixo do esterno a cada respiração, com o nariz abrindo (batimento de asa de nariz) ou incapacidade de falar.
O “tórax silencioso”, quando o chiado para mas a respiração continua claramente difícil, também é emergência: passa tão pouco ar que nem faz barulho. Enquanto espera ajuda, fique sentado com o tronco reto e use a bombinha conforme o seu plano de ação. Ligue para o SAMU em vez de dirigir até o hospital.
Gatilhos da asma
Os gatilhos não causam a asma; eles provocam sintomas em vias aéreas que já estão inflamadas. Vale identificar os seus, porque evitá-los não custa nada.
| Tipo de gatilho | Exemplos | Dica prática |
|---|---|---|
| Alérgenos de dentro de casa | Ácaros, pelos de animais, barata, mofo | Capas para colchão e umidade abaixo de 50% funcionam melhor que purificadores. |
| Alérgenos de fora | Pólen de árvores e gramíneas; esporos de fungos | Os padrões das estações são previsíveis e permitem rever o tratamento antes. |
| Infecções respiratórias | Resfriado, gripe, vírus sincicial respiratório, sinusite | Os vírus são a principal causa de crises; a vacina anual contra a gripe é padrão. |
| Irritantes | Fumaça de cigarro, vape, fumaça de queimadas, produtos de limpeza em spray | Agem direto nos nervos das vias aéreas; não é preciso ter alergia. |
| Exercício e ar frio | Correr no frio, treinos intervalados, piscinas com cloro | Sintomas no exercício costumam indicar que o tratamento de controle está insuficiente. |
| Exposições no trabalho e remédios | Farinha, isocianatos, látex, pó de madeira; anti-inflamatórios | Melhorar nos fins de semana é a pista; pólipos nasais com reação a anti-inflamatórios pedem especialista. |
Tipos de asma: por que duas pessoas precisam de tratamentos diferentes
A asma é um termo guarda-chuva para vários padrões biológicos (fenótipos). A divisão mais útil é entre inflamação do tipo 2 e asma não tipo 2. Fala-se também em asma alérgica, não alérgica, de início tardio, induzida por exercício e associada à obesidade, que são, na prática, os “tipos” mais citados.
A asma do tipo 2, muitas vezes chamada de eosinofílica, é movida pelas interleucinas 4, 5 e 13. Em geral tem eosinófilos altos, óxido nítrico exalado alto e muitas vezes IgE alta. Esse grupo costuma ter outras doenças da mesma família imunológica, como pólipos nasais e a dermatite atópica, com sua trajetória alérgica ao longo da vida. Responde bem aos corticoides inalatórios e é o fenótipo que a maioria dos biológicos atuais tem como alvo.
A asma não tipo 2 inclui todo o resto: neutrofílica, paucigranulocítica, associada à obesidade e ligada ao tabagismo. Eosinófilos e óxido nítrico exalado ficam normais ou baixos, a resposta ao corticoide é menos previsível e há menos opções direcionadas, então o tratamento se apoia em otimizar os broncodilatadores, perder peso e parar de fumar. Reconhecer esse grupo evita aumentar o corticoide indefinidamente numa doença que nunca respondeu bem a ele.
O que leva uma pessoa a ter asma? Causas e fatores de risco
Nenhuma causa única explica a asma. Ela surge quando uma suscetibilidade genética encontra exposições do ambiente, em geral no começo da vida, e dezenas de variantes genéticas que afetam o revestimento das vias aéreas e o sistema imune já foram identificadas, nenhuma decisiva sozinha. O Ministério da Saúde cita como fatores ambientais poeira, barata, ácaros, fungos, variações do clima e infecções virais, e como fatores próprios da pessoa o histórico familiar de asma ou rinite e a obesidade.
A atopia, a tendência herdada a produzir IgE contra proteínas comuns, é o fator que mais prevê a asma na infância. Muitas crianças seguem a “marcha atópica”: eczema no bebê, depois a rinite alérgica que aparece na idade pré-escolar e, depois, a asma. Outros fatores incluem prematuridade, bronquiolite grave no bebê, mãe fumante na gravidez, fumaça de cigarro e de vape em casa, poluição do ar, obesidade e substâncias sensibilizantes no trabalho. Um fumante com meses de tosse com catarro pode ter, em vez disso, uma bronquite crônica, com obstrução fixa e não variável.
Qual é o exame que detecta asma?
O exame que confirma a asma é a espirometria (prova de função pulmonar) com teste de broncodilatador. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico é principalmente clínico, feito pelo médico na consulta, e confirmado pela espirometria sempre que possível; em crianças de até cinco anos, ele é só clínico. Uma parte importante dos adultos que carregam o rótulo de asma, quando testados, descobre que não tem a doença.
Na espirometria, você sopra num aparelho que mede o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). Uma relação VEF1/CVF reduzida mostra obstrução, e uma melhora importante do VEF1 depois do broncodilatador mostra reversibilidade. A medida do pico de fluxo em casa por uma a duas semanas mostra a variabilidade quando a espirometria do consultório é normal. A fração exalada de óxido nítrico (FeNO) estima a inflamação do tipo 2 e apoia a asma eosinofílica quando está alta, mas um valor normal não descarta asma. O teste de broncoprovocação com metacolina ou com exercício fica para quem tem sintomas convincentes e espirometria normal.
Exames de sangue que importam, e o que eles realmente mostram
Vale deixar claro: nenhum exame de sangue diagnostica asma. Quem diagnostica é a espirometria com reversibilidade. Os exames de sangue definem o fenótipo, orientam a escolha do remédio e descartam doenças que imitam a asma.
A contagem de eosinófilos é o exame central. Os eosinófilos são glóbulos brancos atraídos pela interleucina 5, e uma contagem alta identifica o padrão do tipo 2, que prevê resposta aos corticoides inalatórios e aos biológicos anti-interleucina 5. Os serviços de asma grave avaliam a contagem de eosinófilos, que identifica a inflamação do tipo 2, antes de escolher um remédio direcionado. A contagem cai muito durante o uso de corticoide oral, então o momento da coleta muda o resultado.
A IgE total e as IgE específicas mapeiam o componente alérgico: a IgE total, junto com o peso, define quem pode receber terapia anti-IgE, e as IgE específicas confirmam quais exposições importam. O médico também pede um hemograma completo, que coloca o valor dos eosinófilos em contexto, já que a anemia sozinha pode explicar falta de ar. Contagens muito acima do habitual na asma levam a investigar verminoses ou a granulomatose eosinofílica com poliangiite.
A falta de vitamina D é comum na asma mal controlada e foi estudada como fator que altera o risco de crises, por isso muitos médicos pedem a dosagem de vitamina D, que aponta uma deficiência corrigível. Nenhum desses resultados faz o diagnóstico. Esses exames podem ser feitos pelo SUS, pelo plano de saúde ou de forma particular.
Tratamento da asma: o que mudou
A atualização mais importante em uma geração diz respeito à bombinha de alívio. Por décadas, a asma leve foi tratada só com um broncodilatador de ação curta (como o salbutamol, a clássica “bombinha azul”), usado quando necessário. Isso não é mais recomendado para adultos e adolescentes. O broncodilatador de curta ação abre a via aérea por algumas horas e não faz nada contra a inflamação de base, então a doença avança enquanto a pessoa se sente melhor, e o uso frequente da bombinha está ligado a pior controle e a crises graves.
As diretrizes agora recomendam que praticamente todo adulto e adolescente com asma use uma medicação de alívio que contenha corticoide inalatório, para que cada dose de resgate leve tratamento anti-inflamatório justamente na hora em que a inflamação aumenta. Há duas formas: um corticoide inalatório com formoterol, usado tanto para manutenção quanto para alívio, e uma combinação fixa de broncodilatador de curta ação com corticoide, usada quando necessário. Se você recebeu uma bombinha azul anos atrás e nunca revisou o tratamento, marque essa conversa com o seu médico, e não pare, troque nem ajuste nenhuma bombinha por conta própria.
O tratamento de controle continua sendo baseado nos corticoides inalatórios, aumentados com um broncodilatador de longa ação e, nas etapas mais altas, com um antimuscarínico de longa ação. Os antileucotrienos, como o montelucaste, são uma alternativa, com um alerta para efeitos neuropsiquiátricos, e a imunoterapia com alérgenos serve para alguns pacientes alérgicos. O corticoide oral trata as crises, mas causa danos acumulados e indica que o controle está insuficiente.
Para a asma grave que não se controla com corticoide inalatório em dose alta, os biológicos agem em vias específicas: anti-IgE na asma alérgica, anti-interleucina 5 na eosinofílica, anti-receptor da interleucina 4 na doença do tipo 2 e anti-TSLP mais “acima” na cascata. Os marcadores do fenótipo orientam essa escolha, e é por isso que os exames de sangue acima vêm primeiro. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS oferece o tratamento da asma, e a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS); o cuidado na rede pública segue um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da asma.
Por fim, a técnica da bombinha. Uma técnica ruim é uma das razões mais comuns para o tratamento “não funcionar”, e boa parte dos pacientes comete pelo menos um erro crítico: não soltar todo o ar antes, apertar o spray antes de começar a puxar o ar ou não segurar a respiração depois. Usar um espaçador e pedir ao farmacêutico ou ao médico que confira a técnica em cada revisão resolve mais asma do que muitos aumentos de dose.
Doenças que dificultam o controle da asma
Quando a asma resiste ao tratamento, procure uma doença associada antes de aumentar os remédios. A rinite alérgica e a rinossinusite com pólipos nasais estão na mesma via, e tratar as vias aéreas de cima melhora as de baixo. Muitos pacientes difíceis de controlar têm refluxo que piora os sintomas respiratórios à noite. A obesidade altera a mecânica do pulmão e reduz a resposta ao corticoide, e perder peso melhora o controle de forma mensurável. Apneia do sono, ansiedade, disfunção das cordas vocais, tabagismo e não seguir o tratamento completam a lista, junto com a gripe, que pode desencadear uma crise grave de asma.
Viver com asma: plano de ação e cuidados diários
Toda pessoa com asma deve ter um plano de ação por escrito, combinado com o médico. Um bom plano usa zonas verde, amarela e vermelha, com base nos sintomas e no pico de fluxo, e diz o que usar quando está estável, o que fazer quando os sintomas pioram e quando procurar emergência. Planos específicos reduzem internações.
O que fazer para aliviar a asma?
Na crise, use a medicação de alívio conforme o plano de ação, fique sentado com o tronco reto e procure atendimento se não melhorar. No dia a dia, o que mais alivia é o tratamento de controle: use-o todos os dias, mesmo quando estiver bem; tome a vacina da gripe todo ano; pare de fumar e de usar vape; e reduza ácaros, mofo e fumaça em casa. Precisar da bombinha de alívio mais de duas vezes por semana, ou acordar à noite por causa da asma, indica controle insuficiente.
Quem tem asma não pode fazer o quê?
Quem tem asma pode, e deve, levar uma vida normal, inclusive praticar esportes. O que deve evitar é fumar ou usar vape, ficar em ambientes com fumaça, se expor sem proteção aos seus gatilhos conhecidos, parar o tratamento de controle por conta própria e usar anti-inflamatórios se já teve reação a eles. O Ministério da Saúde também orienta evitar atividade física ao ar livre em dias muito frios ou muito poluídos. Continue se exercitando: o condicionamento melhora a evolução, e sintomas no esforço indicam uma falha no tratamento, e não motivo para parar.
Avanços científicos recentes
A aprovação pela FDA americana, em 2023, de uma bombinha de resgate que combina salbutamol (albuterol nos EUA) e corticoide inalatório se apoiou no estudo MANDALA, e uma análise posterior examinou como os pacientes a usaram. Os pesquisadores revisaram os diários de 981 pacientes com salbutamol-budesonida quando necessário e 981 com salbutamol sozinho. Os padrões de uso foram quase iguais, com média de 2,6 jatos por dia com a combinação e 2,8 com o salbutamol sozinho, e os eventos adversos foram poucos e comparáveis (Chipps et al., 2025). O que isso significa para você: ter corticoide na bombinha de resgate trata a inflamação durante a crise sem mudar a frequência com que você a usa.
Na doença grave, uma revisão sistemática com metanálise reuniu 48 ensaios randomizados com 16.350 pacientes tratados com biológicos aprovados para asma, incluindo o tezepelumabe. Os biológicos reduziram a taxa anual de crises em 44% (razão de taxas de 0,56) e as internações em 60% (razão de taxas de 0,40), e melhoraram o VEF1 em média 0,11 litro. Os efeitos foram sempre maiores em pacientes com marcadores de inflamação do tipo 2, como eosinófilos no sangue e FeNO altos (Kyriakopoulos et al., 2024). O que isso significa para você: na asma grave, os marcadores no sangue e no sopro preveem quanto um remédio direcionado deve entregar.
Os intervalos entre as doses estão aumentando. Em dois ensaios de fase 3 controlados com placebo, um anticorpo anti-interleucina 5 de ação ultralonga, injetado duas vezes por ano, foi testado em 762 pacientes com asma eosinofílica grave. Em 52 semanas, a taxa anual de crises caiu de 1,11 com placebo para 0,46 com o remédio no primeiro ensaio (razão de taxas de 0,42), e de 1,08 para 0,56 no segundo (razão de taxas de 0,52) (Jackson et al., 2024). O que isso significa para você: a asma eosinofílica grave poderá cada vez mais ser controlada com duas aplicações por ano.
Mitos e verdades
| Mito | Verdade |
|---|---|
| Só a bombinha de resgate basta se os sintomas são leves. | Tratar só com broncodilatador de curta ação não é mais recomendado para adultos e adolescentes; a inflamação fica sem tratamento. |
| A criança “cresce e a asma passa”. | Os sintomas muitas vezes acalmam na adolescência, mas a sensibilidade das vias aéreas continua e a asma pode voltar. |
| Quem tem asma deve evitar exercício. | O exercício melhora a evolução; sintomas no esforço significam que o tratamento precisa ser revisto. |
| Um exame de sangue diagnostica asma. | Os exames de sangue definem o fenótipo e orientam o remédio. O diagnóstico exige espirometria mostrando obstrução reversível. |
| Bombinha vicia ou faz mal ao coração. | As bombinhas usadas corretamente são seguras; o perigo está em usar só o broncodilatador e deixar a inflamação sem tratamento. |
Glossário
| Termo | Significado |
|---|---|
| Hiper-responsividade brônquica | Músculo dos brônquios que se contrai com facilidade demais diante de estímulos comuns. |
| Exacerbação | Uma crise de asma: piora progressiva que exige mudar o tratamento. |
| VEF1 | Volume expiratório forçado no primeiro segundo, medido na espirometria. |
| FeNO | Fração exalada de óxido nítrico, um exame do sopro que estima a inflamação do tipo 2. |
| Eosinófilo | Glóbulo branco central na inflamação do tipo 2; um marcador-chave do fenótipo. |
| Broncodilatador de curta ação | Remédio de alívio rápido, como o salbutamol, sem efeito anti-inflamatório. |
| Espaçador | Câmara acoplada à bombinha que melhora a chegada do remédio aos pulmões. |
Perguntas frequentes
Como é uma crise de asma?
A maioria das pessoas descreve uma faixa apertando o peito, uma luta para empurrar o ar para fora, e não para puxá-lo, e um assobio ao soltar o ar. A fala fica entrecortada, a tosse fica seca e respirar cansa. Os sintomas em geral crescem ao longo de minutos a horas, muitas vezes à noite. Se a bombinha parar de ajudar, se você não conseguir terminar uma frase ou se os lábios ou as unhas ficarem azulados, ligue para o SAMU (192).
Como a asma é diagnosticada?
O diagnóstico junta a história dos sintomas com a prova objetiva de uma obstrução variável. A espirometria antes e depois do broncodilatador é o exame principal: mostra a obstrução e depois mostra que ela é reversível. Diários de pico de fluxo por uma a duas semanas mostram a variabilidade quando a espirometria do consultório parece normal, e um teste de broncoprovocação é usado quando a dúvida continua. O FeNO e os exames de sangue definem o fenótipo, e não o diagnóstico.
Quais são os 5 tipos de asma?
Não existe uma lista oficial única, mas os fenótipos mais citados são: asma alérgica, asma não alérgica, asma de início tardio (na vida adulta), asma induzida por exercício e asma associada à obesidade. Biologicamente, a divisão mais útil para o tratamento é entre asma do tipo 2 (eosinofílica) e asma não tipo 2.
Asma é genética?
A genética contribui bastante, mas não decide sozinha. Ter pai, mãe ou irmão com asma aumenta o risco, e muitas variantes genéticas ligadas ao revestimento das vias aéreas e ao sistema imune já foram associadas a ela, nenhuma suficiente sozinha. O ambiente faz o resto: infecções respiratórias precoces, fumaça de cigarro, poluição, alérgenos e obesidade mudam o risco. Por isso a asma aparece em pessoas sem histórico familiar e pula crianças de famílias afetadas.
Asma tem cura?
Não, a asma não tem cura, mas é muito controlável. Com tratamento anti-inflamatório inalatório adequado, controle dos gatilhos e boa técnica com a bombinha, a maioria das pessoas consegue ter poucos sintomas, atividade normal e nenhuma crise. Os sintomas da infância muitas vezes diminuem na adolescência, embora a sensibilidade das vias aéreas costume persistir. A meta realista é um controle duradouro com o menor tratamento eficaz, revisto regularmente, e não deixado igual por anos.
Quais são os sinais de asma em adultos?
Em adultos, a asma aparece de forma menos dramática que em crianças. Fique atento a tosse que dura semanas depois de um resfriado, falta de ar desproporcional ao seu condicionamento, aperto no peito em manhãs frias, chiado que vai e volta e acordar à noite para tossir. “Bronquites” repetidas num adulto que não fuma devem levar a uma espirometria. A asma de início adulto costuma ser não alérgica, mais persistente e com mais chance de ficar grave, então investigar cedo importa.
Leia também
- Uma tosse que vem depois de um resfriado e passa em poucas semanas costuma ser uma bronquite aguda, que melhora sem antibiótico.
- Quem tem asma e passa a ter febre e dor no peito deve conhecer os sinais de alerta da pneumonia que exigem avaliação urgente.
- Pressão no rosto e nariz entupido junto com chiado podem indicar uma sinusite que mantém as vias aéreas de cima inflamadas.
- Pais que acompanham uma alergia de pele que coça junto com chiado podem ver os padrões de eczema que muitas vezes antecedem a asma infantil.
Fontes
- Ministério da Saúde — Asma — Saúde de A a Z, gov.br, consultado em 2026 — gov.br
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Asma — gov.br, consultado em 2026 — gov.br
- CDC — Asthma — Centers for Disease Control and Prevention, 2025 (em inglês) — cdc.gov
- National Heart, Lung, and Blood Institute — Asthma — NIH, 2025 (em inglês) — nhlbi.nih.gov
- MedlinePlus — Asthma — National Library of Medicine, 2025 (em inglês) — medlineplus.gov
- Global Initiative for Asthma — Global Strategy for Asthma Management — GINA, 2025 (em inglês) — ginasthma.org
- Chipps BE, et al. — Albuterol-budesonide rescue inhaler for asthma: patterns of use and safety in MANDALA — Annals of Allergy, Asthma & Immunology, 2025 (em inglês) — doi.org/10.1016/j.anai.2025.07.008
- Kyriakopoulos C, et al. — Biologic agents licensed for severe asthma: systematic review and meta-analysis — European Respiratory Review, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1183/16000617.0238-2023
- Jackson DJ, et al. — Twice-Yearly Depemokimab in Severe Asthma with an Eosinophilic Phenotype — New England Journal of Medicine, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1056/NEJMoa2406673
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