O essencial

O exame do cotonete é a cultura para estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae), colhida com um swab da vagina e do ânus entre 36 e 37 semanas de gestação. Dar positivo é comum, cerca de 1 em cada 4 gestantes: quer dizer que você carrega uma bactéria em geral inofensiva, não que está doente. No trabalho de parto você recebe antibiótico na veia, o que torna muito improvável uma infecção no bebê.

Como ler o resultado do exame do cotonete?

O resultado não é um número: o laboratório informa se o estreptococo do grupo B cresceu ou não na cultura. Veja um laudo fictício, no formato de um laboratório brasileiro, de um exame positivo.

Exemplo fictício de laudo (formato de laboratório no Brasil)
ExameResultadoValor de referênciaObservação
Material: swab vaginal e anorretal, idade gestacional 36 semanas e 2 diasRecebido--
Cultura para Streptococcus agalactiae (estreptococo do grupo B), em caldo de enriquecimento seletivoPOSITIVONegativo* alterado
Antibiograma do isolado: clindamicinaResistenteSensível* alterado
  1. Linha do material: um swab do terço inferior da vagina e depois do ânus. Colher os dois locais encontra a bactéria com muito mais frequência do que só a vagina[3][11].
  2. «Caldo de enriquecimento seletivo»: o swab cresce primeiro num líquido especial. Sem essa etapa, até metade das portadoras pode ter um falso negativo[3].
  3. «POSITIVO» com asterisco: o asterisco quer dizer alterado, não alto nem baixo. Você está colonizada pelo estreptococo do grupo B; você não está doente[4].
  4. Antibiograma: aparece sobretudo quando você tem alergia grave à penicilina, para a equipe escolher o antibiótico alternativo certo. Por isso a alergia deve ser informada ao laboratório no pedido[3][11].

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Quero entender meus exames do pré-natal

Para que serve o exame do cotonete na gravidez?

O estreptococo do grupo B vive no intestino e na região genital de muitos adultos saudáveis. É outra bactéria, diferente do estreptococo do grupo A, que causa a dor de garganta bacteriana e a escarlatina. No recém-nascido, porém, o estreptococo do grupo B é a principal causa de infecção nos primeiros dias de vida[1][2]. Ele não é pesquisado na sorologia TORCH da gravidez, que procura anticorpos contra outras infecções no sangue.

Cerca de metade das portadoras passa a bactéria para o bebê durante o parto ou depois que a bolsa rompe. Sem antibiótico no parto, 1% a 2% desses bebês desenvolvem a doença de início precoce[1]: sepse, pneumonia ou meningite[6]. Nos Estados Unidos, desde que a prevenção começou, a doença de início precoce caiu de 1,7 caso por 1.000 nascidos vivos no início dos anos 1990 para 0,34-0,37 no fim dos anos 2000[3]. O antibiótico no parto evita de 86% a 89% dessas infecções[11].

O que significa estreptococo do grupo B positivo ou negativo?

Valem a redação e a referência do seu laboratório.

Resultados do exame do cotonete na gravidez e o que costuma acontecer depois
ResultadoSignificadoPróximo passo habitualFonte
Cultura negativa (36-37 semanas)Bactéria não encontradaSem antibiótico para estreptococo B no parto, mesmo com fatores de risco (febre continua sendo tratada)Ministério da Saúde 2022[11]
Cultura positivaColonização, sem doençaAntibiótico na veia no início do trabalho de parto ou quando a bolsa rompe; nada antesACOG 2020[1], Ministério da Saúde 2022[11]
Estreptococo B na urocultura, em qualquer faseColonização maciçaTratar a infecção urinária agora e antibiótico no parto; não precisa do cotoneteMinistério da Saúde 2022[11]
Sem resultado no partoExame não feito ou não disponívelAntibiótico se o parto for antes de 37 semanas, bolsa rota há 18 horas ou mais, ou febre de 38 °C ou maisMinistério da Saúde 2022[11], CDC 2010[3]

Uma cultura negativa colhida até 5 semanas antes do parto prevê bem a situação no nascimento, em 95% a 98% dos casos[3][11]. Não é garantia: a bactéria vai e volta, por isso o bebê continua sendo observado depois do nascimento[3][8].

Por que o exame de streptococcus deu positivo?

Você não fez nada de errado. O estreptococo do grupo B não é pego por comida, objetos ou relação sexual[9]. Das situações mais frequentes às mais raras:

  • Frequente Portadora sem sintomas: no Brasil, de 14,1% a 27,6% das gestantes estão colonizadas[11]; no mundo, cerca de 18%[10]. A colonização pode ser passageira, intermitente ou duradoura[11].
  • Possível Estreptococo B na urina: encontrado numa urocultura de rotina, indica colonização maciça; com ardência ou febre, é uma infecção urinária, tratada na hora com antibiótico por boca[9][11].
  • Raro Infecção na mãe: a bactéria pode causar infecção do útero durante ou depois do parto, com febre[9].
  • Raro Infecção no bebê: com antibiótico no parto, cerca de 1 em cada 4.000 bebês de portadoras tem a doença, contra 1 em cada 200 sem antibiótico[5].

Antibiótico tomado antes do trabalho de parto não adianta: a bactéria volta rápido[5][11]. Por isso o tratamento espera o parto. Ele funciona melhor quando começa pelo menos 4 horas antes do nascimento, mas um tempo menor também ajuda e nenhum cuidado é adiado para chegar a essa marca[1][11]. A penicilina cristalina é a primeira escolha e a ampicilina, a alternativa[11]; cerca de 1 em cada 10 pessoas tem efeitos colaterais leves, e uma reação alérgica grave ocorre em cerca de 1 em 10.000[5]. Uma cesárea marcada, feita antes do trabalho de parto e com a bolsa íntegra, não precisa de antibiótico para estreptococo B[1][11].

O exame não protege contra a doença de início tardio, que começa entre 7 e 89 dias de vida[7]; nenhuma estratégia a previne ainda[2].

Como é feito o exame do cotonete e o que pode alterar o resultado?

Não precisa de jejum. A coleta leva menos de um minuto e o resultado sai em geral em 1 a 2 dias[9][12]. Confira:

  • Momento: a coleta é feita entre 36 semanas e 0 dia e 37 semanas e 6 dias, em toda gravidez[1][11]. Um resultado com mais de 5 semanas fica menos confiável[3].
  • Preparo: o Ministério da Saúde orienta não tomar banho nem evacuar antes da coleta; se isso aconteceu de manhã, dá para colher no fim da tarde[11].
  • Os dois locais: cerca de 2 cm dentro da vagina, sem espéculo, e depois cerca de 0,5 cm no ânus. O mesmo swab ou um segundo pode ser usado[11].
  • Mesmo com cesárea marcada, faça o exame: o trabalho de parto ou a ruptura da bolsa podem vir antes[4][11].
  • Conte à equipe qualquer alergia à penicilina (manchas, urticária, inchaço, falta de ar). Com alergia grave, o laboratório testa qual antibiótico alternativo funciona[3][11].
  • Se a urocultura desta gravidez já mostrou estreptococo B, ou se um filho anterior teve a doença, avise: você recebe antibiótico no parto de qualquer jeito[11].

Se o trabalho de parto começar antes do resultado, você pode ser tratada enquanto espera[3]. Veja também o hemograma completo e a proteína C reativa (PCR), muitas vezes pedidos quando o recém-nascido é avaliado para infecção.

Quando procurar o médico com estreptococo do grupo B positivo?

Quando procurar o médico

  • Emergência: ligue 192 (SAMU) se o bebê tiver febre ou temperatura baixa, dificuldade para respirar, cor arroxeada, mamar muito mal, estiver mole ou difícil de acordar, ou tiver convulsão, nas primeiras semanas ou meses de vida[6][8].
  • Hoje, sem esperar se a bolsa romper ou o trabalho de parto começar: vá à maternidade e diga que o exame do cotonete deu positivo. No mesmo dia se tiver febre, ardência para urinar ou dor nas costas durante a gravidez.
  • Na próxima consulta do pré-natal se o resultado for positivo e você estiver sem sintomas, para combinar o antibiótico no parto e revisar o histórico de alergias.

Perguntas para fazer ao médico

  1. Quando vou começar o antibiótico e devo ir mais cedo para a maternidade quando o trabalho de parto começar?
  2. Minha alergia à penicilina é real, e qual antibiótico eu receberia?
  3. Minha cesárea marcada muda alguma coisa se a bolsa romper antes?
  4. Por quanto tempo o bebê fica em observação depois do parto, e que sinais devem me preocupar em casa?

Perguntas frequentes

Estreptococo do grupo B positivo obriga a fazer cesárea?

Não. O parto normal continua sendo possível; o antibiótico no parto protege o bebê. A cesárea é indicada por outros motivos[1][9].

O que acontece se eu não fizer o exame do cotonete?

No parto, a equipe decide pelos fatores de risco: parto antes de 37 semanas, bolsa rota há 18 horas ou mais, febre de 38 °C ou mais, estreptococo B na urina ou filho anterior com a doença. Essa estratégia identifica cerca de 60% a 67% das portadoras[11].

O bebê vai fazer exame depois do nascimento?

Em geral não, se você recebeu antibiótico no parto e o bebê está bem[9]. Bebês com risco maior ficam em observação no hospital por 36 a 48 horas, às vezes com exames de sangue e antibiótico até sair o resultado[8].

Posso dar positivo numa gravidez e negativo na seguinte?

Sim. A colonização vai e volta, por isso o exame é repetido em toda gravidez[3][4]. Vale contar um positivo anterior se você chegar ao parto sem resultado.

Exames relacionados

  1. American College of Obstetricians and Gynecologists. Prevention of Group B Streptococcal Early-Onset Disease in Newborns: ACOG Committee Opinion, Number 797. Obstet Gynecol. 2020;135(2):e51-e72. doi:10.1097/AOG.0000000000003668 (acesso em 1º de novembro de 2026)
  2. Puopolo KM, Lynfield R, Cummings JJ; Committee on Fetus and Newborn; Committee on Infectious Diseases. Management of Infants at Risk for Group B Streptococcal Disease. Pediatrics. 2019;144(2):e20191881. doi:10.1542/peds.2019-1881 (acesso em 1º de novembro de 2026)
  3. Verani JR, McGee L, Schrag SJ. Prevention of perinatal group B streptococcal disease: revised guidelines from CDC, 2010. MMWR Recomm Rep. 2010;59(RR-10):1-36. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  4. Centers for Disease Control and Prevention. Group B Strep: Testing. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  5. Centers for Disease Control and Prevention. Preventing Group B Strep Disease. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  6. Centers for Disease Control and Prevention. Symptoms of Group B Strep Disease. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  7. Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Overview of Group B Strep Disease. cdc.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  8. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Group B streptococcal septicemia of the newborn. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 1º de novembro de 2026)
  9. March of Dimes. Group B strep infection. marchofdimes.org (acesso em 1º de novembro de 2026)
  10. Russell NJ, Seale AC, O'Driscoll M, et al. Maternal Colonization With Group B Streptococcus and Serotype Distribution Worldwide: Systematic Review and Meta-analyses. Clin Infect Dis. 2017;65(suppl_2):S100-S111. doi:10.1093/cid/cix658 (acesso em 1º de novembro de 2026)
  11. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco. Capítulo 39: Colonização materna por estreptococo do grupo B. Brasília: Ministério da Saúde; 2022. bvsms.saude.gov.br (acesso em 1º de novembro de 2026)
  12. Cleveland Clinic. Group B Strep in Pregnancy: Test, Risks & Treatment. my.clevelandclinic.org (acesso em 1º de novembro de 2026)
  13. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica, n. 32. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. bvsms.saude.gov.br (acesso em 1º de novembro de 2026)

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