Citomegalovírus (CMV): sintomas, IgG e IgM reagente, gravidez e recém-nascidos

O essencial
O citomegalovírus (CMV) é um vírus muito comum, da família do herpes, que fica adormecido no corpo pela vida toda. Em pessoas saudáveis causa, no máximo, um quadro parecido com a mononucleose, que passa sozinho. Ele importa na gravidez, no bebê infectado antes de nascer e na imunidade baixa. Os exames avaliam os anticorpos IgG e IgM, a avidez do IgG e, se preciso, o DNA do vírus por PCR.
Qual é a doença do citomegalovírus?
- Nome médico: citomegalovírus, ou herpesvírus humano 5, quase sempre abreviado como CMV[7]. Fica no corpo para sempre, pode reativar, e outra cepa pode reinfectar[1].
- Frequência: no mundo, cerca de 83% das pessoas têm anticorpos contra o CMV[8]. No Brasil, um estudo com 850 gestantes encontrou IgG anti-CMV em 91,83% delas já na primeira consulta de pré-natal[14].
- CMV congênito: cerca de 1 em cada 200 bebês nasce com o vírus, e cerca de 1 em cada 5 desses bebês tem malformações ou problemas de saúde duradouros[2].
- Principais exames: IgG e IgM para citomegalovírus, avidez do IgG e PCR para CMV (DNA do vírus)[3][6].
Quais são os sintomas do citomegalovírus?
A maioria das pessoas não tem sintomas. Quando tem, são leves: febre, dor de garganta, cansaço e ínguas; às vezes o CMV causa mononucleose ou hepatite[1]. Dores musculares e manchas na pele também podem aparecer[5].
- Mononucleose por CMV: parecida com a mononucleose do vírus Epstein-Barr, com febre, enzimas do fígado altas e linfócitos atípicos, mas em geral pouca dor de garganta e teste de anticorpos heterófilos ("monoteste") negativo[7].
- Recuperação: a maioria melhora em 4 a 6 semanas, sem remédio específico[5].
- Imunidade baixa: a reativação pode atingir os pulmões, o intestino, o cérebro ou, no HIV avançado, a retina[7].
- Bebês com CMV congênito: manchas na pele, icterícia, cabeça pequena, baixo peso ao nascer, convulsões; a perda auditiva pode surgir depois, mesmo com o teste da orelhinha normal[2].
Quando procurar um médico?
Quando procurar um médico
- Emergência: ligue para o SAMU 192 se houver dor forte e repentina no lado esquerdo da parte de cima da barriga, que pode indicar ruptura do baço[5][15], ou se um recém-nascido tiver uma convulsão.
- Em 24 a 48 horas se você está grávida e tem febre com um quadro parecido com mononucleose, ou um IgM para CMV reagente: o momento do próximo exame faz diferença[10]. Idem para febre ou visão embaçada após um transplante.
- Na próxima consulta se um resultado de IgG ou IgM não estiver explicado, ou se o seu bebê não passou no teste da orelhinha.
Como se pega citomegalovírus e quem corre mais risco?
O CMV passa pelos líquidos do corpo: saliva, urina, sangue, lágrimas, sêmen e leite materno. Também passa por transplantes, transfusões e da mãe para o bebê[1].
- Frequente Uma primeira infecção na infância ou na adolescência, muitas vezes sem sintomas[1].
- Frequente Pais de crianças pequenas e profissionais de creche: esse contato é o principal fator de risco de primeira infecção na gravidez, porque a criança infectada elimina o vírus na urina e na saliva por muito tempo[10].
- Possível Transplante de órgão ou de medula e infecção pelo HIV avançada (aids)[7].
- Raro Complicações em pessoas saudáveis: síndrome de Guillain-Barré, colite, pneumonia ou ruptura do baço[5].
O que significa citomegalovírus IgG reagente? Como ler IgG, IgM e avidez
O exame serve num quadro parecido com mononucleose com monoteste negativo, na gravidez, no recém-nascido e no transplante. O médico pode pedir também um hemograma completo, a contagem de plaquetas e exames do fígado como a TGP[5].
| IgG para CMV | IgM para CMV | Leitura habitual |
|---|---|---|
| Não reagente | Não reagente | Nunca teve contato com o vírus ("soronegativo")[3]. |
| Reagente | Não reagente | Infecção antiga, sem dizer quando aconteceu[3]. |
| Reagente | Reagente | Talvez recente, mas o IgM também aparece na reativação e dura meses: a avidez ajuda[3][10]. |
| Não reagente e depois reagente numa segunda amostra | Qualquer | Prova clara de uma primeira infecção recente (soroconversão)[3]. |
Veja os exames de IgG e de IgM. O IgM para CMV continua presente em 50 a 80% das amostras até 6 meses depois de uma primeira infecção, e existem falsos positivos[10]. O IgG novo se liga fraco ao vírus (baixa avidez) e vai ficando mais forte em 2 a 4 meses[3]. Veja um laudo fictício do início da gravidez:
| Exame | Resultado | Valores de referência | Sinalização |
|---|---|---|---|
| Citomegalovírus, anticorpos IgG | 48,0 U/mL (reagente) | Não reagente: inferior a 6,0; reagente: igual ou superior a 6,0 | R |
| Citomegalovírus, anticorpos IgM | 1,9 índice (reagente) | Não reagente: inferior a 0,85; indeterminado: 0,85 a 0,99; reagente: igual ou superior a 1,00 | R |
| Avidez de IgG para citomegalovírus | 0,22 (baixa) | Baixa: inferior a 0,50; intermediária: 0,50 a 0,60; alta: superior a 0,60 | ↓ |
- Unidades e limites: mudam conforme o método; só valem os do seu laudo.
- IgG reagente: a infecção aconteceu em algum momento[3].
- IgM reagente: compatível com uma infecção recente, mas não é prova dela[3].
- Avidez baixa: junto com IgM reagente, indica de forma confiável uma primeira infecção nos últimos meses[3]. Avidez alta no primeiro trimestre torna improvável infecção no início da gravidez; valores intermediários são repetidos[10].
IgG, IgM e avidez no mesmo laudo, cada um com sua unidade? O BloodSense explica cada linha do seu laudo completo em palavras simples e ajuda a preparar as perguntas para o médico.
Entender meu exame de CMVPCR (DNA do vírus): mede a quantidade de vírus (carga viral). Um PCR negativo pode não ver níveis muito baixos[6], e DNA do CMV no sangue não prova sozinho doença[7]. Veja nosso guia sobre o resultado de PCR.
Citomegalovírus na gravidez: quais são os riscos?
Uma primeira infecção (primária) pelo CMV acontece em 1 a 2% das gestações, e o vírus passa para o bebê em cerca de 32% dos casos[10]. As sequelas graves vêm sobretudo do primeiro trimestre: cerca de 23% dos fetos infectados nessa fase ficam com problemas duradouros[10]. Reativação ou reinfecção também podem atingir o bebê, com impacto parecido[10].
- A triagem é debatida. O consenso europeu de 2024 recomenda a sorologia o mais cedo possível no primeiro trimestre, repetida a cada 4 semanas até 14 a 16 semanas se não reagente[10]. Nos Estados Unidos, a Society for Maternal-Fetal Medicine não recomendou a triagem de rotina[11], nem um grupo internacional em 2017[9]. No Brasil, a sorologia para CMV não está na lista de exames do pré-natal do Ministério da Saúde[13].
- Confirmar infecção recente: pela soroconversão, ou por IgM reagente com IgG reagente e avidez baixa[11].
- O bebê foi infectado? O PCR no líquido amniótico é confiável a partir de 17 semanas e pelo menos 8 semanas após a infecção da mãe; resultado negativo tranquiliza[10].
- Tratamento para reduzir a transmissão: após infecção primária perto da concepção ou no primeiro trimestre, o consenso europeu recomenda o antiviral valaciclovir, que reduz a transmissão em cerca de 70%[10]. O documento americano de 2016 limitava esse tratamento à pesquisa[11]: converse com o seu obstetra.
Como é feito o exame de CMV congênito no recém-nascido?
Os exames de anticorpos não diagnosticam o CMV congênito[3]. O exame é um PCR na saliva (mais de 1 hora depois da mamada), confirmado na urina, feito até 3 semanas depois do nascimento; depois disso, não separa infecção antes e depois do parto[3][4]. O CMV congênito também está por trás de alguns casos de paralisia cerebral.
Quais exames de acompanhamento são necessários, e com que frequência?
- Depois de um transplante: o risco é avaliado antes da cirurgia pela sorologia para CMV do doador (D) e do receptor (R). No transplante de rim, D+/R− é risco alto, R+ intermediário e D−/R− baixo[12]. Ou se dá remédio preventivo por meses, ou se mede o DNA do CMV no sangue (toda semana no alto risco) e se trata quando ele sobe[12].
- Como ler a carga viral: vem em UI/mL, muitas vezes em log; variação menor que 0,5 log (cerca de 3 vezes) pode não ter significado: compare o mesmo laboratório e o mesmo tipo de amostra[12].
- Crianças com CMV congênito: avaliação da audição até pelo menos 5 anos depois de uma infecção no primeiro trimestre ou de data desconhecida[10].
- Adultos saudáveis: o médico decide se repete TGO e TGP altas.
Citomegalovírus tem tratamento?
Sem doses aqui: quem decide é a equipe médica.
- Pessoas saudáveis: em geral só repouso e alívio dos sintomas[1][5].
- Imunidade baixa: antivirais como ganciclovir ou valganciclovir, muitas vezes reduzindo os imunossupressores após um transplante[7].
- Recém-nascidos com sintomas importantes: recomenda-se 6 meses de antiviral[10]; ele pode melhorar a audição, mas exige acompanhamento de perto[2].
Como prevenir o citomegalovírus, principalmente na gravidez?
- Lave as mãos com água e sabão depois de trocar fraldas ou ajudar a criança no banheiro[2].
- Não divida comida, talheres, copos ou chupetas com crianças pequenas, e evite contato com a saliva e a urina delas[2].
- Comece antes de engravidar e mantenha no primeiro trimestre, quando mais conta[10].
- Não existe vacina contra o CMV aprovada; as candidatas ainda estão em estudos clínicos[10].
Perguntas para fazer ao médico
- Meus resultados de IgG e IgM indicam uma infecção antiga, recente ou uma reativação?
- Preciso do teste de avidez do IgG, e qual laboratório faz?
- Se estou grávida: quando provavelmente foi a infecção, e vale a pena discutir amniocentese ou tratamento?
- Depois do transplante: com que frequência a carga viral será medida, e que variação leva ao tratamento?
Perguntas frequentes
Citomegalovírus e mononucleose são a mesma coisa?
Não. A mononucleose clássica é causada pelo vírus Epstein-Barr. O CMV pode causar um quadro muito parecido, mas o monoteste dá negativo e a sorologia para CMV é reagente[7].
O citomegalovírus é o mesmo que o HPV?
Não. O CMV é um herpesvírus (herpesvírus humano 5)[7]; o HPV é de outra família, com outros exames.
Citomegalovírus é uma infecção sexualmente transmissível?
Pode passar pelo sexo, mas também pela saliva, urina e leite materno[1].
IgG reagente para CMV me protege na gravidez?
Diminui o risco, mas não o elimina: reinfecção ou reativação ainda podem atingir o bebê, e o IgG reagente não descarta infecção do feto[10].
Qual a diferença entre CMV e toxoplasmose nos exames do pré-natal?
Os dois usam IgG, IgM e avidez, mas são germes diferentes: a toxoplasmose vem sobretudo de carne malcozida e de fezes de gato. Veja nossa página sobre o exame de toxoplasmose.
Artigos relacionados
- MononucleoseA doença do vírus Epstein-Barr, muitas vezes confundida com o CMV
- Exame de toxoplasmoseA outra sorologia do pré-natal lida com IgG, IgM e avidez
- Exame de IgMO que mede o anticorpo da resposta inicial
- Exame de IgGO anticorpo duradouro e o seu nível total
- LinfócitosPor que uma virose pode aumentá-los no hemograma
- Beta-hCGO hormônio da gravidez pedido no início da gestação
- Centers for Disease Control and Prevention. About cytomegalovirus. 17 de janeiro de 2025. cdc.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Centers for Disease Control and Prevention. About congenital CMV. 17 de janeiro de 2025. cdc.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Centers for Disease Control and Prevention. Laboratory testing for CMV and congenital CMV. 15 de abril de 2024. cdc.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Centers for Disease Control and Prevention. Clinical overview of CMV and congenital CMV. 6 de novembro de 2024. cdc.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- MedlinePlus Medical Encyclopedia. Cytomegalovirus (CMV) infection. Revisado em 29 de agosto de 2024. medlineplus.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- MedlinePlus. Cytomegalovirus (CMV) tests. Atualizado em 9 de setembro de 2026. medlineplus.gov (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Manual MSD (profissionais). Cytomegalovirus (CMV) infection. Revisado em janeiro de 2026. merckmanuals.com (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Zuhair M, Smit GSA, Wallis G, et al. Estimation of the worldwide seroprevalence of cytomegalovirus: a systematic review and meta-analysis. Rev Med Virol. 2019;29(3):e2034. doi:10.1002/rmv.2034 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Rawlinson WD, Boppana SB, Fowler KB, et al. Congenital cytomegalovirus infection in pregnancy and the neonate: consensus recommendations for prevention, diagnosis, and therapy. Lancet Infect Dis. 2017;17(6):e177-e188. doi:10.1016/S1473-3099(17)30143-3 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Leruez-Ville M, Chatzakis C, Lilleri D, et al. Consensus recommendation for prenatal, neonatal and postnatal management of congenital cytomegalovirus infection from the European congenital infection initiative (ECCI). Lancet Reg Health Eur. 2024;40:100892. doi:10.1016/j.lanepe.2024.100892 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Society for Maternal-Fetal Medicine. Diagnosis and antenatal management of congenital cytomegalovirus infection. Am J Obstet Gynecol. 2016;214(6):B5-B11. doi:10.1016/j.ajog.2016.02.042 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Kotton CN, Kumar D, Manuel O, et al. The fourth international consensus guidelines on the management of cytomegalovirus in solid organ transplantation. Transplantation. 2025;109(7):1066-1110. doi:10.1097/TP.0000000000005374 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Ministério da Saúde. Gravidez: exames e vacinas. gov.br/saude (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Comissão Nacional Especializada em Medicina Fetal. Citomegalovírus e gravidez. Protocolo Febrasgo de Obstetrícia nº 97. Femina. 2018;46(6):401-404. docs.bvsalud.org (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 26 de outubro de 2026)
Esta página traz informações gerais. Ela não substitui a opinião de um médico, que interpreta os resultados com os sintomas, o histórico, a fase da gravidez e o exame físico.



