Hemorroida interna e externa: sintomas, graus, causas e tratamento

A hemorroida está entre os motivos mais comuns de buscas discretas sobre saúde, e a resposta costuma ser tranquilizadora: são almofadas de vasos sanguíneos dentro do canal anal, ou sob a pele na saída do ânus, que incham e inflamam com a pressão e o esforço para evacuar. Mais importante do que o nome é o sinal que as pessoas mais depressa tentam explicar sozinhas: o sangramento. Sangue no papel higiênico muitas vezes vem da hemorroida, mas também pode vir de uma fissura anal, de uma inflamação do intestino, de divertículos ou de um tumor no intestino, e ninguém consegue distinguir isso só olhando. Neste artigo você vai entender a diferença entre hemorroida interna e externa, como o médico classifica os graus, que tratamento funciona em cada fase, quais sinais de alerta pedem exame e em que situações os exames de sangue e de fezes realmente ajudam.
O que é hemorroida e por que quase todo mundo tem
Hemorroidas não são uma anomalia que surge do nada. Todo mundo nasce com três almofadas formadas por vasos sanguíneos, tecido de sustentação e músculo liso, logo na entrada do canal anal. Elas ajudam a fechar o ânus e a controlar com precisão a saída de gases e fezes. Os médicos chamam essas estruturas de mamilos hemorroidários. Elas só viram um problema, a doença hemorroidária, quando a pressão repetida estica o tecido que as segura no lugar: as almofadas incham, escorregam para baixo, sangram ou formam coágulos.
Essa diferença explica muita coisa. Não dá para “tirar” essa anatomia, porque ela é normal e útil; o que se faz é diminuir a pressão que a deixa sintomática e tratar as almofadas que já estão danificadas.
Hemorroida interna
A hemorroida interna fica acima da linha pectínea (ou linha denteada), a fronteira dentro do canal anal onde a pele sensível dá lugar à mucosa do intestino. Essa mucosa tem pouquíssimas fibras de dor, e por isso a hemorroida interna, classicamente, sangra sem doer. As pessoas descrevem sangue vermelho vivo riscando as fezes ou manchando o papel, sem nenhuma dor. As maiores podem sair durante a evacuação, dar a sensação de que o intestino não esvaziou por completo ou soltar muco, que irrita a pele ao redor.
Hemorroida externa
A hemorroida externa se forma abaixo da linha pectínea, sob uma pele cheia de terminações nervosas. É a que dói: coceira, ardor, um caroço sensível na borda do ânus e dificuldade de higiene. Ela sangra menos do que a interna e costuma deixar só um rastro de sangue vermelho vivo no papel. A “bolinha” que muita gente sente ao se limpar costuma ser uma hemorroida externa inchada ou uma plicoma (um pedacinho de pele que sobrou de uma crise antiga): mole, da cor da pele ou arroxeada, às vezes dolorida ao toque.
Hemorroida trombosada e hemorroida prolapsada
Duas complicações respondem pela maior parte das idas ao pronto-socorro. A hemorroida externa trombosada aparece quando o sangue coagula dentro da veia inchada, formando em poucas horas um caroço firme, arroxeado e extremamente doloroso. A hemorroida interna prolapsada é a que escorregou para fora do ânus; ela pode voltar sozinha, precisar ser empurrada de volta ou ficar para fora. Se a circulação dela é estrangulada, fala-se em hemorroida estrangulada, o que é urgente.
Os graus da hemorroida interna
A hemorroida interna é classificada em quatro graus, e o grau orienta o tratamento mais do que os sintomas. É por isso que o médico, geralmente um coloproctologista, costuma querer examinar antes de recomendar qualquer coisa além dos cuidados em casa.
| Grau | O que está acontecendo | Abordagem inicial habitual |
|---|---|---|
| Grau 1 | Fazem saliência dentro do canal e podem sangrar, mas nunca saem para fora | Fibras, líquidos, hábitos no banheiro, tratamento local por pouco tempo |
| Grau 2 | Saem durante a evacuação e voltam sozinhas | Tratamento clínico e, se o sangramento persistir, procedimento em consultório |
| Grau 3 | Saem e ficam para fora até serem empurradas de volta com o dedo | Procedimento em consultório, como a ligadura elástica; cirurgia se não resolver |
| Grau 4 | Ficam permanentemente para fora e não voltam | Avaliação cirúrgica, principalmente se houver dor, trombose ou escape de fezes |
Sintomas da hemorroida e o que cada um costuma significar
Os sintomas se agrupam de forma previsível, e o conjunto diz mais ao médico do que qualquer queixa isolada.
- Sangue vermelho vivo, sem dor, no fim da evacuação aponta para hemorroida interna, mas é também a forma como várias outras doenças se apresentam.
- Dor aguda, como um rasgo, durante a evacuação e que continua depois sugere fissura anal.
- Um caroço que surge de repente, duro e muito dolorido, sugere hemorroida externa trombosada.
- Coceira, umidade e irritação da pele costumam vir do muco ou de uma almofada que sai e impede o fechamento correto do ânus.
- Sensação de peso ou de evacuação incompleta acompanha com frequência o prolapso de grau 2 e grau 3.
- Cansaço, falta de ar ao subir escadas ou palidez fora do comum não são sintomas de hemorroida; sugerem que a perda de sangue já dura o suficiente para baixar as suas hemácias.
Os sintomas são praticamente iguais em mulheres e homens, embora a gravidez e o parto tornem as crises muito mais frequentes. A prisão de ventre causada por suplementos de ferro ou por alguns analgésicos é outro gatilho comum.
Sangramento anal é um sintoma, não um diagnóstico
Esta é a parte do assunto que merece mais atenção. A hemorroida é tão comum que vira a explicação automática, e muitas vezes ela convive com outra doença. Encontrar hemorroidas no exame não prova que foram elas que sangraram. A Mayo Clinic é direta em sua página sobre sintomas e causas da hemorroida: não presuma que o sangramento retal vem da hemorroida, principalmente quando o ritmo do intestino ou o aspecto das fezes mudaram.
O que mais causa sangue nas fezes
Várias doenças produzem um sangramento idêntico.
- A fissura anal, um pequeno corte na mucosa do ânus, causa sangue vermelho vivo com dor intensa durante e depois da evacuação.
- A doença diverticular pode sangrar de forma abundante e sem dor, em geral em pessoas mais velhas, às vezes com grande quantidade de sangue vermelho-escuro de uma vez.
- A doença inflamatória intestinal causa sangue misturado com muco, diarreia, urgência para evacuar e dor na barriga. Nossa biblioteca explica os sintomas e tratamentos da doença de Crohn e descreve os sintomas e tratamentos da colite ulcerativa.
- Pólipos e tumores do intestino podem sangrar de forma intermitente, muitas vezes sem dor, com o sangue misturado às fezes e não apenas por cima delas. Tratamos separadamente dos sintomas, rastreamento e tratamento do câncer de intestino.
- O sangramento mais alto no tubo digestivo produz fezes pretas, como borra de café, e não sangue vermelho. Nosso guia sobre fezes com sangue visível mostra como o aspecto do sangue ajuda a localizar a origem.
Sinais de alerta que pedem exame, não pomada
Qualquer um destes sinais merece consulta, e não automedicação, mesmo quando você já sabe que tem hemorroida.
- Você tem 45 anos ou mais e o sangramento é novo, ou é mais jovem e tem sangramento persistente sem explicação clara.
- O ritmo do intestino mudou há várias semanas: fezes mais moles ou mais finas, prisão de ventre nova ou alternância entre os dois.
- Você está perdendo peso sem tentar, ou o apetite caiu.
- O sangue é escuro, cor de vinho ou misturado às fezes, e não vermelho vivo por cima delas.
- Pai, mãe, irmão ou filho teve câncer de intestino ou pólipos avançados, ou você tem doença inflamatória intestinal.
- Você se sente cansado, sem fôlego, tonto ou pálido além do normal, o que pode indicar anemia por perda contínua de sangue.
- O sangramento é abundante, vem com febre ou dor forte na barriga, ou com um caroço dolorido que só cresce.
Nenhum desses sinais significa câncer. Significam que o sangramento ainda não está explicado, e só um exame pode explicá-lo. Em caso de sangramento intenso com tontura ou desmaio, ligue para o SAMU (192).
Qual o maior causador da hemorroida e quem tem mais risco
O maior causador da hemorroida é a pressão repetida: tudo o que aumenta várias vezes a pressão dentro da barriga e do canal anal estica o tecido que segura as almofadas no lugar.
A prisão de ventre crônica e o esforço para evacuar lideram a lista, seguidos do tempo prolongado sentado no vaso, muitas vezes com o celular na mão. A diarreia crônica irrita a região com a mesma eficiência. A gravidez combina o relaxamento hormonal da parede das veias com a pressão do útero, e o parto acrescenta um esforço agudo. Obesidade, levantar peso, ficar muito tempo sentado e uma alimentação pobre em fibras também contribuem, e o risco aumenta com a idade, à medida que o tecido de sustentação enfraquece; por isso as hemorroidas de grau 3 e 4 são mais comuns depois dos 50 anos. Assento frio, comida apimentada e café costumam levar a culpa, mas não está demonstrado que causem hemorroida.
Como a hemorroida é diagnosticada e onde entram os exames
O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico, que inclui o toque retal e, geralmente, a anuscopia, um tubo curto com luz que mostra o canal anal diretamente. Hemorroidas externas e fissuras são vistas na inspeção; as internas são classificadas no mesmo exame. Hemorroida não é diagnosticada por tomografia: esse exame de imagem é pedido por outros motivos e não substitui o exame proctológico.
Quem tem sinais de alerta, ou um sangramento que não se encaixa no padrão simples de hemorroida, precisa examinar o próprio intestino grosso, geralmente por colonoscopia. Os exames de laboratório não substituem esse passo, mas respondem a duas perguntas: quanto sangue já foi perdido e se há algo que aponte para além do canal anal.
Exames de sangue: quanto sangue foi perdido
A hemorroida raramente sangra de forma dramática, mas perdas pequenas e repetidas se somam. O médico costuma pedir primeiro um hemograma completo. Ele informa o nível de hemoglobina (em g/dL no laudo) e o tamanho das hemácias, e hemácias pequenas e pálidas são a marca clássica da falta de ferro. Como as reservas de ferro se esvaziam bem antes de a hemoglobina cair, o médico também dosa a ferritina, a proteína que reflete o ferro armazenado. Ferritina baixa depois de meses de sangramento mostra que a perda foi real e prolongada, e uma perda longa pode levar à anemia por deficiência de ferro.
Um cuidado importa: a ferritina também sobe com inflamação ou infecção, então um valor normal em alguém doente não exclui com segurança reservas de ferro baixas. O médico lê a ferritina junto com o hemograma e o quadro clínico, e os valores de referência variam de um laboratório para outro.
Exames de fezes: o que eles resolvem e o que não resolvem
A pesquisa de sangue oculto nas fezes, e sua versão moderna, o teste imunoquímico fecal (FIT), detectam hemoglobina nas fezes que o olho não vê. No Brasil, desde maio de 2026 o FIT é o exame de referência do SUS para o rastreamento do câncer de intestino em homens e mulheres sem sintomas de 50 a 75 anos; se o resultado detecta sangue, a pessoa é encaminhada para exames complementares, com a colonoscopia como padrão-ouro. Esse teste foi feito para pessoas sem sintomas. Em quem já está sangrando de forma visível, um resultado positivo acrescenta quase nada, porque a própria hemorroida o torna positivo. Nosso guia sobre a pesquisa de sangue oculto nas fezes explica a diferença entre as duas versões. Quando há suspeita de doença inflamatória intestinal, o médico pode acrescentar a calprotectina fecal, que mede a inflamação da mucosa do intestino.
| Exame | O que pode mostrar | O que não consegue fazer |
|---|---|---|
| Hemograma completo | Se a perda de sangue baixou a hemoglobina e diminuiu o tamanho das hemácias | Localizar de onde vem o sangramento |
| Ferritina | Se as reservas de ferro estão baixas, muitas vezes antes da anemia | Continuar confiável durante inflamação ou infecção |
| Sangue oculto nas fezes ou FIT | Sangue invisível nas fezes, principalmente para rastrear quem não tem sintomas | Distinguir sangue de hemorroida de sangue de tumor, ou substituir a colonoscopia |
| Calprotectina fecal | Inflamação da mucosa do intestino, em geral alta na doença inflamatória | Detectar câncer ou diagnosticar hemorroida |
Como curar a hemorroida: do cuidado em casa à cirurgia
A crise de hemorroida, na maioria dos casos, melhora com cuidados simples mantidos por algumas semanas; os graus mais avançados podem precisar de procedimento ou cirurgia. A tendência, porém, não desaparece, porque as almofadas fazem parte da anatomia.
Tratamento clínico, que resolve a maioria dos casos
A hemorroida de grau 1 e muitas de grau 2 melhoram com medidas pouco glamorosas, aplicadas com constância por várias semanas. Aumente as fibras da alimentação aos poucos, até 25 a 35 gramas por dia, beba líquido suficiente para manter as fezes macias e acrescente psyllium se a dieta não bastar. Pare de fazer força e de ficar lendo no vaso: o tempo sentado empurrando é o fator que você mais consegue mudar. Banhos de assento com água morna, de dez a quinze minutos, relaxam o esfíncter e aliviam a dor. Pomadas acalmam a coceira, mas as que têm corticoide não devem ser usadas por mais de uma semana, porque afinam a pele. Use pomadas e remédios orais com orientação do médico ou do farmacêutico.
Procedimentos em consultório
Quando o sangramento continua apesar de bons cuidados, ou o prolapso começa a incomodar, o próximo passo é um procedimento feito no consultório, sem anestesia geral.
- A ligadura elástica é o mais usado. Um elástico pequeno colocado na base da hemorroida interna corta a circulação, e o tecido murcha e cai em uma a duas semanas. Só funciona acima da linha pectínea e muitas vezes exige duas ou três sessões.
- A escleroterapia injeta uma solução que cicatriza e encolhe a hemorroida. É mais suave e costuma ser preferida em quem usa anticoagulante.
- A fotocoagulação por infravermelho usa calor para fechar vasos pequenos, principalmente nos graus 1 e 2.
Sangramento leve, dor surda e sensação de pressão por alguns dias são esperados depois da ligadura. Dor forte, febre ou dificuldade para urinar não são, e pedem contato com o médico.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia fica reservada para hemorroidas de grau 3 e 4, componentes externos grandes, falhas repetidas dos procedimentos de consultório e complicações como o estrangulamento. A hemorroidectomia convencional retira o tecido e é a opção mais duradoura, ao custo de uma recuperação desconfortável de duas a três semanas. A hemorroidopexia com grampeador recoloca o tecido prolapsado no lugar, e a desarterialização transanal guiada por Doppler liga as artérias que nutrem a hemorroida; as duas doem menos, mas a volta do problema é mais frequente. Uma hemorroida externa trombosada atendida em até cerca de três dias pode ser aliviada com anestesia local.
Como prevenir novas crises e conviver com a hemorroida
Prevenção e tratamento são os mesmos hábitos: manter as fezes macias, ir ao banheiro assim que sentir vontade, limitar o tempo no vaso a poucos minutos, manter-se ativo e evitar prender a respiração e fazer força ao levantar peso. Gestantes podem usar com segurança fibras, líquidos, banhos de assento e repouso deitadas de lado, e devem perguntar ao médico antes de usar qualquer pomada.
Voltar a ter crises é comum e não é um fracasso: as almofadas continuam lá, e a pressão as encontra de novo numa semana de intestino preso ou numa viagem longa. O que nunca deve virar rotina é o sangramento sem explicação.
Avanços científicos recentes
As pesquisas dos últimos três anos refinaram duas questões: com que intensidade tratar a hemorroida e com que cuidado interpretar um exame de fezes em quem está sangrando.
Uma revisão de 2025, que reuniu sete estudos, comparou cirurgia com tratamento não invasivo. A cirurgia eliminou os sintomas de forma mais completa e teve menos recidiva, enquanto o tratamento clínico foi mais suave e causou menos problemas ligados ao procedimento, mas funcionou mais devagar. O que isso significa para você: começar por fibras, líquidos e mudança de hábitos continua sendo razoável, e passar para um procedimento se os sintomas persistirem é uma escolha legítima, não um último recurso.
Uma metanálise de 2025, um estudo que combina estatisticamente estudos anteriores, avaliou a hemorroida externa trombosada. Retirar o coágulo cirurgicamente foi seguido de menos recidivas do que esperar passar, sem diferença relevante de sangramento depois. O que isso significa para você: se aparecer de repente um caroço dolorido no ânus, ser atendido cedo amplia as opções.
A técnica cirúrgica também está mudando. Uma análise de 2024 que reuniu dezessete ensaios mostrou que a hemorroidoplastia a laser, que encolhe a hemorroida com uma fibra de laser fina em vez de cortá-la, teve menos perda de sangue, cirurgias mais curtas e bem menos dor no primeiro dia, embora a recidiva tenha sido parecida. O que isso significa para você: se a cirurgia está em discussão, pergunte como o conforto inicial se compara à durabilidade no longo prazo.
Uma revisão sistemática de 2025 examinou a embolização das artérias que nutrem as hemorroidas internas, uma técnica feita por cateter pelo radiologista intervencionista. Em vinte e dois estudos pequenos, ela foi tecnicamente confiável e controlou o sangramento na maioria dos pacientes, com efeitos colaterais leves e passageiros, mas quase não há comparações diretas com a ligadura ou a cirurgia. O que isso significa para você: é uma opção promissora, especialmente para pessoas frágeis ou que usam anticoagulante, mas ainda preliminar.
Um estudo de 2025 com mais de trinta e oito mil adultos com sintomas e menos de 50 anos, na Inglaterra, avaliou o teste imunoquímico fecal, o exame de fezes que detecta sangue oculto. Ele teve bom desempenho em pessoas na faixa dos 40 anos e foi menos confiável abaixo dos 40, quando um resultado positivo refletia com muito mais frequência algo benigno. O que isso significa para você: é uma ferramenta de triagem que ajuda a decidir quem precisa de colonoscopia mais cedo, não um veredito em nenhum dos sentidos.
Uma auditoria de cinco anos publicada em 2024 reforçou esse cuidado. Entre as pessoas diagnosticadas depois com câncer de intestino que tinham feito o teste no ano anterior, cerca de uma em cada doze teve resultado negativo para sangue oculto, e os motivos mais comuns para pedir o exame foram mudança do ritmo intestinal e, em seguida, anemia por falta de ferro. O que isso significa para você: um exame de fezes tranquilizador não anula sintomas persistentes, e uma falta de ferro sem explicação precisa de investigação própria.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| Anuscopia | Exame rápido feito no consultório com um tubo curto iluminado para ver o canal anal por dentro. É assim que a hemorroida interna é vista e classificada. |
| Linha pectínea (linha denteada) | Fronteira dentro do canal anal entre a pele sensível e a mucosa do intestino. Hemorroidas acima dela costumam sangrar sem dor; abaixo dela, doem. |
| Mamilos hemorroidários | Nome médico das almofadas de vasos sanguíneos do canal anal. Todos têm; viram doença quando incham, sangram ou saem para fora. |
| Prolapso | Descida da hemorroida interna pelo ânus, durante a evacuação ou de forma permanente. |
| Hemorroida trombosada | Hemorroida em que o sangue coagulou, formando um caroço duro, muito dolorido e arroxeado que aparece em poucas horas. |
| Hematoquezia | Termo médico para a saída de sangue vermelho vivo pelo reto, em geral de uma origem baixa no tubo digestivo. |
| Melena | Fezes pretas, pastosas e com cheiro forte por causa de sangue digerido, sinal de sangramento mais alto no tubo digestivo. |
| Ferritina | Proteína que armazena ferro. A dosagem no sangue estima quanto ferro o corpo tem de reserva. |
| Teste imunoquímico fecal (FIT) | Exame de fezes que detecta hemoglobina humana invisível a olho nu, usado no SUS para rastrear o câncer de intestino entre 50 e 75 anos. |
| Ligadura elástica | Procedimento de consultório que coloca um elástico pequeno na base da hemorroida interna para que ela murche e se solte. |
| Anemia por deficiência de ferro | Queda das hemácias por falta de ferro, muitas vezes resultado de perdas de sangue pequenas e repetidas. |
Perguntas frequentes
Como curar a minha hemorroida?
A maioria das crises melhora com fezes macias, fibras, bastante líquido, banhos de assento mornos e o fim do esforço para evacuar, mantidos por algumas semanas. Pomadas aliviam a coceira e a dor por pouco tempo. Se o sangramento ou o prolapso continuam, o coloproctologista pode indicar ligadura elástica ou outro procedimento de consultório, e a cirurgia fica para os graus 3 e 4. As almofadas continuam existindo, então os hábitos é que evitam novas crises.
A hemorroida some sozinha?
As crises leves muitas vezes somem. Os sintomas de grau 1 e 2 costumam melhorar em alguns dias a duas semanas quando o esforço para e as fezes ficam mais macias. Uma hemorroida externa trombosada geralmente dói menos depois de três ou quatro dias e vai diminuindo em duas a três semanas, às vezes deixando uma plicoma. O que não desaparece é a tendência, então os sintomas podem voltar com a prisão de ventre, a gravidez ou o tempo longo no vaso. Sangramento que dura mais de uma semana, ou que sempre volta, deve ser avaliado.
Quem tem hemorroidas pode tomar ômega 3?
Não há evidência de que o ômega 3 trate ou piore a hemorroida, e ele não está entre os tratamentos recomendados pelas fontes usadas aqui. Se você toma suplementos, anticoagulantes ou antiagregantes e tem sangramento anal, informe o médico, que avalia o conjunto dos remédios. O que comprovadamente ajuda são as fibras, a hidratação e os hábitos no banheiro.
As hemorroidas aparecem na tomografia?
A tomografia não é o exame usado para diagnosticar hemorroida. O diagnóstico é feito pelo exame proctológico, com inspeção, toque retal e anuscopia, e a classificação em graus depende desse exame direto. Quando é preciso investigar o intestino grosso, o exame indicado é a colonoscopia.
O que são mamilos hemorroidários internos?
Mamilos hemorroidários internos são as almofadas de vasos sanguíneos que ficam acima da linha pectínea, dentro do canal anal. Todo mundo tem e elas ajudam na continência. O termo aparece em laudos de colonoscopia ou de anuscopia; quando o laudo fala em mamilos “proeminentes” ou “congestos”, quer dizer que estão inchados, o que corresponde à hemorroida interna.
Hemorroida de grau 4 é perigosa?
A hemorroida de grau 4 não ameaça a vida, mas fica permanentemente para fora, incomoda bastante e tem mais risco de trombose e estrangulamento. Por isso costuma levar a uma avaliação cirúrgica. Dor intensa e súbita, inchaço que não para de crescer ou mudança de cor do tecido pedem atendimento rápido.
Pode colocar a hemorroida para dentro com o dedo?
Na hemorroida de grau 3, que sai e só volta quando empurrada, muitas pessoas a recolocam delicadamente com o dedo limpo e lubrificado, e isso faz parte da própria definição do grau. Não force se doer muito, se ela estiver dura e arroxeada ou se não voltar: pode ser trombose ou estrangulamento, e nesse caso o certo é procurar atendimento.
Os sintomas da hemorroida são diferentes nas mulheres?
Os sintomas são os mesmos, mas os gatilhos mudam. A gravidez e o parto tornam a hemorroida muito mais comum, porque os hormônios relaxam a parede das veias, o útero aumenta a pressão e a força no parto acrescenta um esforço agudo. A prisão de ventre depois do parto e os suplementos de ferro prolongam o problema. As mulheres também atribuem mais vezes à hemorroida um sangramento pós-parto que na verdade vem de uma fissura. Sangramento que continua depois do puerpério, ou que vem com mudança do ritmo intestinal, merece a mesma avaliação que em qualquer outra pessoa.
Hemorroida pode causar anemia?
Sim, embora não seja o mais comum. A maior parte dos sangramentos de hemorroida é pequena e intermitente, e o corpo repõe com facilidade. Quando o sangramento é maior ou dura meses, as reservas de ferro caem primeiro e as hemácias vêm depois. Os sinais de alerta incluem cansaço desproporcional, falta de ar ao subir escadas, palpitações, pele pálida ou vontade estranha de comer gelo. Se aparecerem, o hemograma e a ferritina mostram se o ferro baixou, e o médico vai querer confirmar que a hemorroida é mesmo a origem.
Fontes
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- Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — www.gov.br (em português)
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- Martins MAB, Almeida LFC, Cappellaro AP, et al. — Operative versus nonoperative treatment of thrombosed external hemorrhoids: a systematic review and meta-analysis — Updates in Surgery, 2025 — doi.org/10.1007/s13304-025-02302-1 (em inglês)
- Cheng PL, Chen CC, Chen JS, et al. — Diode laser hemorrhoidoplasty versus conventional Milligan-Morgan and Ferguson hemorrhoidectomy for symptomatic hemorrhoids: meta-analysis — Asian Journal of Surgery, 2024 — doi.org/10.1016/j.asjsur.2024.04.156 (em inglês)
- Al Jnainati M, Ikkurthy N, Ayoub M, et al. — Outcomes of embolization therapy of superior rectal arteries for the management of grade 1 to 3 internal hemorrhoids: a systematic review of clinical studies — International Journal of Colorectal Disease, 2025 — doi.org/10.1007/s00384-025-04944-4 (em inglês)
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