Doença de Graves: sintomas, causas, exames da tireoide e tratamento

O essencial
A doença de Graves é uma doença autoimune em que anticorpos estimulam a tireoide a produzir hormônio demais. É a causa mais comum de hipertireoidismo e atinge muito mais mulheres. O padrão típico no exame de sangue é TSH muito baixo, com T4 livre e T3 livre altos e, em geral, anticorpo TRAb positivo. Tem tratamento e costuma ficar bem controlada. Procure um médico logo se tiver coração disparado, perda de peso ou alterações nos olhos, e ligue 192 (SAMU) se houver dor no peito ou desmaio.
O que é a doença de Graves, em poucas palavras?
A doença de Graves, também chamada de doença de Graves-Basedow ou bócio difuso tóxico, é uma doença autoimune que causa hipertireoidismo, isto é, tireoide que trabalha demais[1][8]. Nos Estados Unidos, atinge quase 1 em cada 100 pessoas e responde por cerca de 4 em cada 5 casos de hipertireoidismo[1]; um laboratório brasileiro fala em 60 a 80% dos casos[8]. É 7 a 8 vezes mais comum em mulheres do que em homens[2].
- Causa: anticorpos que ligam a tireoide[1][2].
- Exames principais: TSH, T4 livre, T3 livre e, depois, o anticorpo TRAb[2].
- Tratamento: remédios, iodo radioativo ou cirurgia, escolhidos junto com você[1][9].
- Perspectiva: em geral controlável e tratada com segurança[2].
Quais são os sintomas da doença de Graves?
A maioria dos sintomas vem do excesso de hormônio da tireoide e pode ir e vir[1]: perda de peso apesar de mais apetite, batimentos rápidos ou irregulares, nervosismo, irritabilidade, dificuldade para dormir, cansaço, tremor nas mãos, fraqueza muscular, suor e intolerância ao calor, intestino mais solto e aumento da tireoide (bócio)[1].
A doença de Graves também pode afetar os olhos e a pele[1]:
- Olhos (oftalmopatia de Graves, ou orbitopatia). Mais de 1 em cada 3 pessoas a desenvolve[1]. Os sinais incluem olhos secos, inchados ou saltados, sensibilidade à luz, pressão ou dor e visão turva ou dupla[1]. A maioria dos casos é leve; cerca de 5% têm inflamação moderada a grave, que ameaça a visão[2]. Os sintomas nos olhos costumam surgir cerca de seis meses antes ou depois do diagnóstico, e a gravidade não depende do nível de hormônio[2].
- Pele (dermopatia). Raramente, pele avermelhada e grossa nas canelas, em geral leve e sem dor[1].
Quando procurar um médico?
Quando procurar atendimento
- Emergência: ligue 192 (SAMU) se houver dor no peito, desmaio, falta de ar intensa, coração muito acelerado ou irregular que não passa, ou confusão com febre. A doença de Graves sem tratamento pode causar batimentos rápidos e irregulares que levam a coágulos, AVC e insuficiência cardíaca[1]. O SAMU funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana[10].
- Em 24 a 48 horas se tiver dor nos olhos, visão dupla ou qualquer mudança súbita da visão, e, se toma remédio antitireoidiano, febre, calafrios, dor de garganta que não passa, pele ou olhos amarelados, urina escura ou erupção nova na pele[1][2].
- Na próxima consulta, sem demorar, se notar perda de peso, palpitações, tremor, intolerância ao calor ou um caroço no pescoço. Peça exames da tireoide.
O que causa a doença de Graves e quem tem mais risco?
Os pesquisadores não sabem ao certo por que as doenças autoimunes começam. Provavelmente há uma mistura de genes e de um gatilho externo, como um vírus[1]. Na doença de Graves, o sistema imune produz anticorpos (TSI, também chamados de TRAb) que se ligam ao receptor do TSH nas células da tireoide e as estimulam a produzir hormônio demais[1][2]. A SBEM descreve o mesmo mecanismo: a causa exata é incerta, mas acredita-se que anticorpos estimulem a produção de hormônios tireoidianos[8].
- Frequente Ser mulher e ter mais de 30 anos[1].
- Frequente Ter casos na família de doença de Graves ou de tireoidite de Hashimoto[1].
- Frequente Outra doença autoimune, como diabetes tipo 1, artrite reumatoide, vitiligo ou gastrite autoimune[1].
- Possível Uso de cigarro e outros produtos com nicotina[1]. Fumar também deixa a doença dos olhos mais frequente e mais grave[2].
- Rara Excesso de iodo, vindo de algas ou suplementos, pode causar ou piorar o hipertireoidismo em quem tem doença autoimune da tireoide[1].
Como se faz o diagnóstico e como ler os exames?
O diagnóstico se baseia nos sintomas, no exame físico e em exames de sangue dos hormônios da tireoide e do TSH[2][8]. Se o TSH está baixo e os hormônios estão altos, pesquisa-se o anticorpo. Um TRAb ou TSI positivo é custo-efetivo e confirma a doença de Graves sem outros exames[2]. O resultado pode vir negativo mesmo na doença de Graves; nesse caso, o médico pode pedir cintilografia da tireoide, captação de iodo radioativo ou ultrassonografia com Doppler[1][2]. Veja um laudo fictício.
| Exame | Resultado | Valor de referência | Sinalização |
|---|---|---|---|
| TSH | 0,01 µUI/mL | 0,4 a 4,8 µUI/mL | ↓ Baixo |
| T4 livre | 3,1 ng/dL | 0,8 a 1,9 ng/dL | ↑ Alto |
| T3 livre | 7,2 pg/mL | 2,1 a 4,4 pg/mL | ↑ Alto |
| TRAb (anticorpo anti-receptor de TSH) | 6,2 UI/L | menor que 1,75 UI/L | ↑ Alto |
- TSH: o sinal da hipófise. Cai a quase zero porque a tireoide já está trabalhando demais[3].
- T4 livre e T3 livre: os hormônios ativos, acima do limite no hipertireoidismo[3].
- TRAb: o anticorpo que aponta para a doença de Graves, e não para outra causa. Os limites mudam conforme o método e o laboratório; o do seu laudo prevalece.
Recebeu um exame de tireoide com TSH baixo ou T4 livre alto? O BloodSense explica cada linha do seu laudo e ajuda você a preparar as perguntas para o endocrinologista.
Entender meus exames da tireoideAs faixas típicas de adultos citadas pela MedlinePlus são 0,4 a 4,8 mUI/L para o TSH (mesma unidade que µUI/mL), 0,8 a 1,9 ng/dL para o T4 livre e 210 a 440 pg/dL para o T3 livre (2,1 a 4,4 pg/mL)[3]. Para mais detalhes, veja os guias de exames da tireoide, TSH, T4 livre e T3 livre. Os anticorpos anti-TPO (veja anti-TPO) são mais típicos da tireoidite de Hashimoto, mas podem ser positivos nas duas doenças[4].
Como a doença de Graves é acompanhada?
O médico repete o TSH e o T4 livre (às vezes o T3 livre) com regularidade para ajustar o tratamento e dosa o TRAb ao decidir se pode suspender o remédio[2]. Depois do iodo radioativo ou da cirurgia, a tireoide acaba ficando lenta e é preciso tomar todos os dias um comprimido de hormônio da tireoide, acompanhado pelo TSH[2]. Pergunte quais exames você precisa fazer e com que frequência.
Como se trata a doença de Graves?
As três opções principais são remédios, iodo radioativo e cirurgia. A escolha depende da idade, da saúde, dos sintomas e das suas preferências[1]; um artigo brasileiro de revisão descreve as mesmas três abordagens[9]. Aqui não há doses. As diretrizes da ATA e da Associação Europeia da Tireoide detalham essas opções[6][7].
- Betabloqueadores aliviam tremor, coração acelerado e nervosismo em poucas horas, mas não reduzem a produção de hormônio[1][2].
- Antitireoidianos (em geral o metimazol; o propiltiouracil nos três primeiros meses de gravidez) reduzem a produção de hormônio. Costumam ser preferidos quando a remissão é provável e podem ser usados por 12 a 18 meses, sendo suspensos se o TSH e o TRAb estiverem normais[1][2]. Efeitos raros incluem queda dos glóbulos brancos e problemas no fígado[1]. Em estudos citados por autores brasileiros, a remissão ocorreu em 40 a 50% dos pacientes tratados[9].
- Iodo radioativo destrói aos poucos as células hiperativas da tireoide. Não se usa na gravidez nem na amamentação, pode piorar a doença dos olhos e quase sempre leva a uma tireoide lenta, fácil de tratar[1].
- Cirurgia é usada com menos frequência, por exemplo em bócios grandes ou quando as outras opções não servem[1][9].
A doença leve dos olhos é tratada com colírios lubrificantes, óculos escuros e dormir com a cabeça elevada; a grave pode exigir corticoide ou outros remédios, radioterapia ou cirurgia[1]. Um medicamento chamado teprotumumabe reduziu a proptose (olho saltado) na doença ocular tireoidiana ativa[5]. O tratamento do hipertireoidismo é explicado também na página de hipertireoidismo.
Dá para viver bem com a doença de Graves?
Sim. O hipertireoidismo da doença de Graves costuma ser controlável e tratado com segurança, e o tratamento quase sempre dá certo[2]. Os antitireoidianos não curam, e, depois do tratamento definitivo, você provavelmente precisará repor hormônio da tireoide pelo resto da vida por causa do hipotireoidismo[2]. Sem tratamento, pode causar arritmia, insuficiência cardíaca, ossos mais frágeis e problemas na gravidez[1]; veja arritmia, insuficiência cardíaca e osteoporose.
- Pare de fumar e peça ajuda; isso protege seus olhos[1][2].
- Pergunte ao médico sobre algas, kelp, suplementos de iodo, xaropes e multivitaminas com iodo[1].
- Avise o médico na hora se estiver grávida ou planejando engravidar[1].
- Marque uma consulta com o oftalmologista se notar qualquer sintoma nos olhos[2].
Perguntas para fazer ao médico
- Meus exames combinam com doença de Graves e foi feito o exame de anticorpo (TRAb)?
- Qual tratamento você recomenda para mim e por quê?
- Por quanto tempo vou tomar o remédio e quais sinais de alerta devem me fazer ligar?
- Preciso de um exame dos olhos?
- Com que frequência vou repetir os exames da tireoide?
Perguntas frequentes
Doença de Graves é a mesma coisa que hipertireoidismo?
Não. Hipertireoidismo é o estado de tireoide hiperativa; a doença de Graves é a sua causa mais comum[1].
A doença de Graves tem cura?
Tem controle. Os antitireoidianos não curam, e algumas pessoas ficam em remissão depois de suspendê-los. O iodo radioativo ou a cirurgia acabam com o excesso de hormônio, mas levam a uma tireoide lenta, tratada com um comprimido por dia[2].
O que pode desencadear a doença de Graves?
O gatilho exato é desconhecido. Genes, um possível vírus, outras doenças autoimunes e o uso de nicotina têm papel[1]. Eventos estressantes e o cigarro podem piorar a doença dos olhos[1].
Preciso evitar algum alimento?
Grandes quantidades de iodo, como algas e suplementos de iodo, podem causar ou piorar o hipertireoidismo. Converse com o médico sobre o que limitar[1].
A doença de Graves pode voltar?
A doença dos olhos pode voltar ou piorar, e o hipertireoidismo pode reaparecer depois que o antitireoidiano é suspenso; por isso o acompanhamento continua depois do tratamento[1][2].
Exames e guias relacionados
- HipertireoidismoTodas as causas de tireoide hiperativa e como são tratadas
- Exames da tireoideComo TSH, T4 livre e T3 livre se combinam
- TSHPor que o TSH cai primeiro no hipertireoidismo
- HipotireoidismoA tireoide lenta que pode vir depois do tratamento
- Anti-TPOO exame de anticorpo ligado à tireoidite de Hashimoto
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Graves' Disease. National Institutes of Health. niddk.nih.gov (acesso em 23 out. 2026)
- American Thyroid Association. Graves' Disease. thyroid.org (acesso em 23 out. 2026)
- MedlinePlus Medical Encyclopedia. TSH test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 23 out. 2026)
- MedlinePlus. Thyroid Antibody Tests. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 23 out. 2026)
- Douglas RS, Kahaly GJ, Patel A, et al. Teprotumumab for the treatment of active thyroid eye disease. N Engl J Med. 2020;382(4):341-352. doi:10.1056/NEJMoa1910434 (acesso em 23 out. 2026)
- Kahaly GJ, Bartalena L, Hegedüs L, et al. 2018 European Thyroid Association guideline for the management of Graves' hyperthyroidism. Eur Thyroid J. 2018;7(4):167-186. doi:10.1159/000490384 (acesso em 23 out. 2026)
- Ross DS, Burch HB, Cooper DS, et al. 2016 American Thyroid Association guidelines for diagnosis and management of hyperthyroidism and other causes of thyrotoxicosis. Thyroid. 2016;26(10):1343-1421. doi:10.1089/thy.2016.0229 (acesso em 23 out. 2026)
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Doença de Graves. Revista Conexão SBEM. endocrino.org.br; Dasa. Doença de Graves: sintomas, diagnóstico e tratamento. nav.dasa.com.br (acesso em 23 out. 2026)
- Andrade VA, Gross JL, Maia AL. Tratamento do hipertireoidismo da doença de Graves. Arq Bras Endocrinol Metab. 2001;45(6). scielo.br (acesso em 23 out. 2026)
- Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 23 out. 2026)
- Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde. Tabagismo. gov.br/inca (acesso em 23 out. 2026)
Este artigo traz informações gerais de saúde. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Se você tiver dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa, ligue 192 sem esperar.



