O essencial

A doença de Hashimoto (tireoidite de Hashimoto) é uma doença autoimune em que o sistema de defesa do corpo agride a tireoide aos poucos. É a causa mais comum de hipotireoidismo e atinge de 5 a 8 vezes mais mulheres do que homens. O diagnóstico se apoia em três exames de sangue: TSH, T4 livre e anticorpos da tireoide. Quem desenvolve hipotireoidismo toma um comprimido de hormônio por dia. Em caso de confusão, sonolência extrema ou dificuldade para respirar, ligue para o SAMU 192.

O que é a doença de Hashimoto?

A tireoidite de Hashimoto, também chamada de doença de Hashimoto, tireoidite linfocítica crônica ou tireoidite autoimune, é uma doença autoimune da glândula tireoide[2]. Glóbulos brancos e anticorpos atacam a glândula, que pode perder a capacidade de produzir hormônio suficiente[1]. Segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é a causa mais frequente de hipotireoidismo (tireoide lenta)[13]. Os anticorpos da tireoide são comuns: num grande levantamento americano, cerca de 11% das pessoas a partir de 12 anos tinham anti-TPO[7].

  • Quem: sobretudo mulheres, muitas vezes entre 30 e 50 anos, mas adolescentes, homens e idosos também podem ter[1].
  • Exames principais: TSH, T4 livre e anticorpos da tireoide (anti-TPO e antitireoglobulina)[1][4].
  • Tratamento: nenhum enquanto a tireoide funciona bem; levotiroxina quando aparece o hipotireoidismo[2].

Quais são os sintomas da doença de Hashimoto?

No começo, muitas pessoas não sentem nada[1]. O primeiro sinal pode ser o bócio: um inchaço sem dor na parte da frente do pescoço[1].

Quando o hormônio cai, os sintomas são os do hipotireoidismo e aparecem devagar[1]:

  • Frequente Cansaço, ganho de peso e sentir frio quando os outros não sentem[1].
  • Frequente Pele seca, cabelo seco ou ralo e intestino preso[1].
  • Frequente Dores nas articulações e nos músculos[1].
  • Possível Menstruação intensa ou irregular, ou dificuldade para engravidar[1].
  • Possível Batimentos do coração mais lentos[1].
  • Raro Uma fase curta de tireoide acelerada no início (hashitoxicose), com palpitações ou perda de peso[1].

Esses sintomas têm outras causas; os exames de sangue confirmam o diagnóstico.

Quando procurar um médico?

Quando procurar atendimento

  • Emergência: ligue para o SAMU 192 em caso de confusão, sonolência extrema, temperatura do corpo muito baixa, respiração lenta ou difícil, ou desmaio em quem tem ou pode ter hipotireoidismo. O hipotireoidismo sem tratamento pode, raramente, levar ao mixedema, uma desaceleração grave das funções do corpo que ameaça a vida[1][16].
  • Em 24 a 48 horas se você toma levotiroxina e sente o coração disparado ou irregular, desconforto no peito ou tremores, sinais de que a dose pode estar alta demais[1], ou se acabou de descobrir uma gravidez e tem Hashimoto[11].
  • Na próxima consulta se houver cansaço que não passa, ganho de peso, frio, pele seca, inchaço sem dor no pescoço ou TSH alto num exame de rotina.

O que causa a tireoidite de Hashimoto e quem tem mais risco?

A causa exata é desconhecida. O mais provável é uma combinação de genes com fatores ambientais e epigenéticos[1][9].

  • Frequente Ser mulher: a doença é de 5 a 8 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, segundo a SBEM[13].
  • Frequente Casos de doença da tireoide na família[1][3].
  • Frequente Ter outra doença autoimune, como doença celíaca, lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren ou diabetes tipo 1[1].
  • Possível Excesso de iodo: o iodo é essencial, mas o que se deve evitar são os excessos[13].
  • Possível Vírus como o da hepatite C podem ter papel[1].
  • Raro Exposição a toxinas, como radiação nuclear[1].

Como diagnosticar a tireoidite de Hashimoto e como ler os exames?

O médico ouve sua história, examina o pescoço à procura de bócio e pede exames de sangue[1]. O diagnóstico se baseia num TSH alto, com ou sem T4 livre baixo, e/ou num bócio, com anticorpos da tireoide positivos quando são dosados[2]. A maioria das pessoas com Hashimoto tem anticorpos anti-TPO, antitireoglobulina ou os dois elevados[4]. Imagem e biópsia em geral não são necessárias[3]; a ultrassonografia ajuda quando faltam anticorpos ou há nódulos[1]. Veja um laudo fictício com um padrão típico do início da doença.

Exemplo fictício de laudo de exames da tireoide (formato brasileiro)
ExameResultadoValor de referênciaSinalização
TSH (hormônio tireoestimulante)7,8 µUI/mL0,4 a 4,8 µUI/mL↑ Alto
T4 livre (tiroxina livre)1,0 ng/dL0,8 a 1,9 ng/dL
Anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO)210 UI/mLmenor que 35 UI/mL↑ Alto
Anticorpos antitireoglobulina (anti-Tg)12 UI/mLmenor que 40 UI/mL
  1. TSH: o sinal que a hipófise manda para a tireoide. Ele sobe quando a glândula começa a ter dificuldade, muitas vezes antes de o T4 livre cair[5].
  2. T4 livre: a forma ativa, não ligada a proteínas, do principal hormônio da tireoide, ainda normal aqui. TSH alto com T4 livre normal é o hipotireoidismo subclínico (leve); TSH alto com T4 livre baixo é o hipotireoidismo clínico (franco)[2][6].
  3. Anti-TPO e antitireoglobulina: um resultado positivo aponta para uma causa autoimune, como a de Hashimoto[4]. Basta um anticorpo positivo. Os limites de referência dos anticorpos variam muito entre métodos e laboratórios; vale o que está impresso no seu laudo.

Recebeu um exame da tireoide com TSH ou anticorpos marcados como altos? O BloodSense explica cada linha do seu laudo completo e ajuda você a preparar as perguntas para a próxima consulta.

Entender meus exames da tireoide

As faixas típicas de adultos são 0,4 a 4,8 mUI/L para o TSH (a mesma unidade que µUI/mL) e 0,8 a 1,9 ng/dL para o T4 livre; alguns laboratórios usam um limite superior de TSH mais alto para idosos[5][6]. Anticorpos positivos com TSH normal significam autoimunidade sem falência da tireoide: a SBEM lembra que Hashimoto pode existir sem hipotireoidismo[14], e que, por ano, só cerca de 3% a 5% das pessoas com anticorpos positivos desenvolvem uma lesão suficiente para causar hipotireoidismo[13]. Num estudo inglês de 20 anos, mulheres com TSH alto e anticorpos positivos tiveram risco bem maior de hipotireoidismo[8].

Cada exame tem seu guia: os exames da tireoide em conjunto, o exame de TSH, o T4 livre, o T3 livre, o que significa um anti-TPO alto e o TPO exame no nosso dicionário médico.

Como é o acompanhamento da tireoidite de Hashimoto?

Depende de como a tireoide funciona:

  • Anticorpos com tireoide normal: sem tratamento; o médico acompanha sintomas e hormônios[1][2].
  • Depois de começar a levotiroxina: um primeiro exame de sangue cerca de 6 a 8 semanas depois do início, e de novo depois de cada mudança de dose; quando a dose está certa, os exames se repetem em 6 meses e depois uma vez por ano[1]. Muitas pessoas dosam o TSH uma ou duas vezes por ano[2].
  • Anticorpos: não é preciso repetir nem acompanhar o nível dos anticorpos; o tratamento é guiado pelo TSH, não pelo número do anti-TPO[2].
  • Gravidez: os exames da tireoide são feitos assim que a gravidez é descoberta, e a dose de levotiroxina muitas vezes precisa de ajuste, com dosagens regulares de TSH na primeira metade da gestação[4][11].

Qual é o tratamento da doença de Hashimoto?

O tratamento repõe o hormônio que a tireoide não consegue mais produzir; nenhum remédio interrompe o ataque autoimune. O médico ajusta a dose pelo seu TSH[2].

  • Levotiroxina: é idêntica ao T4 que a tireoide produz e é o tratamento recomendado para o hipotireoidismo[1][10]. É tomada por via oral uma vez por dia, em jejum, 30 a 60 minutos antes do café da manhã[1].
  • Hipotireoidismo subclínico (leve): pode precisar ou não de remédio logo; a decisão depende do TSH, dos sintomas, da idade e dos planos de gravidez[2]. O consenso brasileiro da SBEM recomenda levotiroxina quando o hipotireoidismo subclínico persiste com TSH acima de 10 mU/L[15].
  • A dose certa importa: levotiroxina demais pode causar fibrilação atrial ou perda de massa óssea (osteoporose), e é por isso que os exames continuam[1]. Alguns remédios e suplementos, como cálcio ou ferro, podem reduzir a absorção; conte ao médico e ao farmacêutico tudo o que você toma[10].
  • Um caroço novo no pescoço deve ser examinado: muito raramente, um linfoma ou um câncer da tireoide pode surgir na tireoidite de Hashimoto[3][9].

A maioria das pessoas com hipotireoidismo clínico por Hashimoto precisa repor o hormônio pelo resto da vida[2]. Sem tratamento, o hipotireoidismo pode aumentar o colesterol e contribuir para doenças do coração e insuficiência cardíaca[1]; veja nossas páginas sobre colesterol alto e insuficiência cardíaca.

Tireoidite de Hashimoto: dieta, selênio e o dia a dia

Alguns hábitos ajudam:

  • Tome a levotiroxina todo dia no mesmo horário e não pare por conta própria[1].
  • Limite alimentos muito ricos em iodo, como algas (kelp e outras), suplementos de iodo e remédios ricos em iodo, como alguns xaropes para tosse[1].
  • Não comece suplementos de iodo ou de selênio sem orientação. O selênio e a vitamina D estão sendo estudados, e ainda não há recomendação específica[1].
  • Avise o médico antes de tentar engravidar: o hipotireoidismo sem tratamento pode causar problemas na gravidez[1].

Sobre o selênio, uma meta-análise de 2024 com 35 ensaios randomizados mostrou que os suplementos baixaram o anti-TPO e, em quem não tomava hormônio da tireoide, baixaram um pouco o TSH, sem mudar o T4 livre[12]. Não substitui a levotiroxina. A página do exame de selênio explica como o selênio é medido no sangue.

Perguntas para fazer ao médico

  1. Meus resultados de TSH, T4 livre e anticorpos combinam com tireoidite de Hashimoto?
  2. Minha tireoide está funcionando bem por enquanto, ou já tenho hipotireoidismo?
  3. Preciso de tratamento agora, ou só de exames regulares?
  4. De quanto em quanto tempo devo dosar o TSH, e devo tomar o comprimido antes da coleta?
  5. O que devo fazer se planejo engravidar?

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre hipotireoidismo e tireoidite de Hashimoto?

Hipotireoidismo é o estado de ter pouco hormônio da tireoide. Hashimoto é uma doença que muitas vezes, mas nem sempre, leva a ele. Algumas pessoas têm os anticorpos por anos com a tireoide funcionando normalmente[2].

A doença de Hashimoto tem cura?

Não existe remédio que desfaça o ataque autoimune, mas a doença tem controle: quem tem hipotireoidismo repõe o hormônio com um comprimido por dia e leva uma vida normal, com exames regulares[1][2].

Existem estágios da tireoidite de Hashimoto?

Não há uma classificação oficial em estágios. Os médicos descrevem a situação pela função da tireoide: anticorpos com função normal, hipotireoidismo subclínico (leve) e depois hipotireoidismo clínico. As necessidades de tratamento mudam a cada etapa[2].

Hashimoto pode acelerar a tireoide?

Raramente, no início da doença, a glândula inflamada libera hormônio estocado e causa um hipertireoidismo passageiro[1]. Um hipertireoidismo que dura costuma ter outra causa, como a doença de Graves, a outra grande doença autoimune da tireoide.

Existe relação entre Hashimoto e doença celíaca? Preciso cortar o glúten?

Sim, existe relação: Hashimoto é mais comum em quem tem doença celíaca, e a doença celíaca exige uma dieta rigorosa sem glúten[1]. Mas, só por causa de Hashimoto, não há dieta específica[1].

Artigos relacionados

  1. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Hashimoto's Disease. National Institutes of Health. niddk.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  2. American Thyroid Association. Hashimoto's Thyroiditis. thyroid.org (acesso em 28 de outubro de 2026)
  3. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Chronic thyroiditis (Hashimoto disease). US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  4. MedlinePlus. Thyroid Antibody Tests. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  5. MedlinePlus Medical Encyclopedia. TSH test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  6. MedlinePlus Medical Encyclopedia. FT4 test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  7. Hollowell JG, Staehling NW, Flanders WD, et al. Serum TSH, T4, and thyroid antibodies in the United States population (1988 to 1994): National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES III). J Clin Endocrinol Metab. 2002;87(2):489-499. doi:10.1210/jcem.87.2.8182 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  8. Vanderpump MP, Tunbridge WM, French JM, et al. The incidence of thyroid disorders in the community: a twenty-year follow-up of the Whickham Survey. Clin Endocrinol (Oxf). 1995;43(1):55-68. doi:10.1111/j.1365-2265.1995.tb01894.x (acesso em 28 de outubro de 2026)
  9. Ralli M, Angeletti D, Fiore M, et al. Hashimoto's thyroiditis: an update on pathogenic mechanisms, diagnostic protocols, therapeutic strategies, and potential malignant transformation. Autoimmun Rev. 2020;19(10):102649. doi:10.1016/j.autrev.2020.102649 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  10. Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the treatment of hypothyroidism: prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid. 2014;24(12):1670-1751. doi:10.1089/thy.2014.0028 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  11. Alexander EK, Pearce EN, Brent GA, et al. 2017 Guidelines of the American Thyroid Association for the diagnosis and management of thyroid disease during pregnancy and the postpartum. Thyroid. 2017;27(3):315-389. doi:10.1089/thy.2016.0457 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  12. Huwiler VV, Maissen-Abgottspon S, Stanga Z, et al. Selenium supplementation in patients with Hashimoto thyroiditis: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Thyroid. 2024;34(3):295-313. doi:10.1089/thy.2023.0556 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  13. Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Tireoidite de Hashimoto. Atualizado em 16 de julho de 2020. tireoide.org.br (acesso em 28 de outubro de 2026)
  14. Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Perguntas e respostas: exames. tireoide.org.br (acesso em 28 de outubro de 2026)
  15. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Hipotireoidismo (síntese do consenso brasileiro da SBEM sobre hipotireoidismo subclínico em adultos, Sgarbi JA et al., Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3)). bvsms.saude.gov.br (acesso em 28 de outubro de 2026)
  16. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 28 de outubro de 2026)

Esta página traz informações gerais. Ela não substitui a avaliação de um médico, que interpreta os seus resultados junto com os sintomas, a história e o exame físico.