O essencial

A perimenopausa é a transição antes da última menstruação, quando os hormônios sobem e descem. Costuma começar entre a metade e o fim dos 40 anos e dura em média 4 anos, às vezes até 10. O primeiro sinal, na maioria das vezes, é a mudança no ciclo menstrual. Depois dos 45 anos, raramente é preciso exame de sangue para reconhecê-la, mas alguns exames ajudam a afastar outras causas, e a gravidez ainda é possível.

O que é a perimenopausa, em resumo?

  • O que é: os anos que antecedem a menopausa, que só é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar. No Brasil, faz parte do climatério. É uma etapa normal da vida, não uma doença.
  • Com que idade começa: em geral entre a metade e o fim dos 40 anos, às vezes já entre a metade e o fim dos 30[1].
  • Quanto tempo dura: cerca de 4 anos em média, podendo chegar a 10[1]. O Ministério da Saúde situa a última menstruação, em geral, por volta dos 48 aos 50 anos[13].
  • Exames: as dosagens hormonais costumam ser desnecessárias; idade, sintomas e mudanças da menstruação bastam na maioria dos casos[1][13].

Quais são os primeiros sintomas da perimenopausa?

O primeiro sinal costuma ser uma mudança no ciclo. No início, os ciclos podem encurtar um pouco; depois, a duração passa a variar 7 dias ou mais de um mês para outro, a menstruação falha e o fluxo fica mais intenso ou mais leve[2]. Os outros sintomas:

  • Frequente ondas de calor (fogachos) e suores noturnos, mais prováveis no fim da transição[3];
  • Frequente sono ruim (veja insônia), irritabilidade, ansiedade e "névoa mental";
  • Possível ressecamento vaginal, menos desejo sexual, dor nas mamas, dor de cabeça, dores nas articulações;
  • Possível depressão: a perimenopausa é uma janela de vulnerabilidade, principalmente para quem já teve um episódio antes[10].

Num grande estudo americano, os fogachos frequentes duraram uma mediana de 7,4 anos no total, e 4,5 anos depois da última menstruação[4].

Quando procurar o médico na perimenopausa?

Quando procurar o médico

  • Emergência: ligue para o SAMU 192 em caso de sangramento muito intenso com tontura ou desmaio, dor forte e repentina no baixo ventre se houver chance de gravidez, ou pensamentos de se machucar[14].
  • Em 24 a 48 horas se você encharca um absorvente por hora durante 2 a 3 horas, elimina coágulos grandes ou sangra por mais de 7 dias[8].
  • Na próxima consulta se houver sangramento entre as menstruações ou depois da relação, sintomas que atrapalham o sono, o trabalho ou o humor, ou se a menstruação parar antes dos 40 anos[1].

O que causa a perimenopausa e quais são as fases?

Com a idade, os ovários guardam menos folículos e a ovulação fica irregular. A hipófise aumenta o hormônio folículo-estimulante (FSH) para estimulá-los: o FSH é o primeiro hormônio a mudar, quando os ciclos ainda são regulares. Depois, o estrogênio e a progesterona ficam erráticos[5]. O sistema STRAW+10 descreve as fases sobretudo pelos ciclos[3]:

Fases da perimenopausa segundo o STRAW+10
FaseSeus ciclosExames
Transição inicialA duração do ciclo varia 7 dias ou mais, e isso se repete em até 10 ciclosFSH mais alto, mas variável; AMH baixo
Transição tardia (1 a 3 anos)60 dias ou mais sem menstruarFSH muitas vezes acima de 25 UI/L; fogachos prováveis
Menopausa12 meses sem menstruarFSH alto, estradiol baixo

A retirada dos dois ovários, a quimioterapia ou a radioterapia na pelve podem provocar uma menopausa repentina. Depois de uma histerectomia que preserva os ovários, a transição continua sem menstruação para acompanhar.

Quais exames confirmam a perimenopausa, e como ler os resultados?

A partir dos 45 anos, os exames costumam ser dispensáveis: um FSH alto é normal na perimenopausa. As dosagens hormonais ajudam antes dos 40, antes dos 45 ou quando a causa dos sintomas não está clara[9]. A maior parte dos exames serve para afastar outra causa.

FSH e estradiol: por que um único resultado pode enganar

Os hormônios sobem e descem de um ciclo para outro[5]. A dosagem de FSH pode estar na faixa de pós-menopausa num mês e normal no seguinte, e o exame de estradiol pode vir baixo, normal ou até alto, às vezes na mesma amostra de um FSH alto. Por isso, o exame pode ser marcado num dia do ciclo e repetido[9]. O LH acrescenta pouco. O anticoncepcional hormonal altera esses resultados.

AMH: uma estimativa de tempo, não um diagnóstico

O hormônio antimülleriano (AMH) reflete os folículos que restam. Num grande estudo americano, um AMH abaixo de 10 pg/mL (método sensível) significou 51% a 79% de chance de a última menstruação ocorrer em até 12 meses, conforme a idade; acima de 100 pg/mL, 90% a 97% de chance de ela não ocorrer nesse prazo. O AMH previu o momento melhor que o FSH[6]. Os laboratórios brasileiros costumam informar o AMH em ng/mL (10 pg/mL = 0,01 ng/mL). O AMH não dá uma data e não diz se você ainda pode engravidar.

Exames que procuram outra causa

  • TSH: um problema de tireoide causa cansaço, palpitações, alterações de humor e do ciclo, por isso os exames de tireoide fazem parte da investigação do sangramento anormal[8].
  • Hemograma completo e ferritina: menstruações intensas podem causar anemia[8]; uma ferritina baixa mostra reservas de ferro vazias, muitas vezes antes de a hemoglobina cair (veja falta de ferro).
  • Beta-hCG: uma menstruação atrasada ainda pode ser gravidez[8]. Depois dos 40, a hipófise pode produzir um pouco de hCG: mulheres não grávidas de 41 a 55 anos tiveram até 7,7 UI/L, e a gravidez é improvável com hCG entre 5 e 14 UI/L e FSH acima de 20 UI/L[7]. Quem interpreta um positivo fraco é o médico.
  • Prolactina pode ser pedida quando o padrão de sangramento é incomum[8].
Exemplo fictício de laudo de uma mulher de 47 anos com menstruação irregular e intensa (formato brasileiro)
ExameResultadoValores de referênciaSinalização
FSH (hormônio folículo-estimulante)38,2 mUI/mLFase folicular: 3,5 a 12,5↑
Estradiol214 pg/mLFase folicular: 12 a 166↑
TSH2,1 µUI/mL0,4 a 4,0
Hemoglobina10,9 g/dL12,0 a 15,5↓
Ferritina8 ng/mL15 a 150↓
Beta-hCG quantitativoinferior a 2 mUI/mLNão gestante: inferior a 5
  1. FSH alto e estradiol alto juntos: uma oscilação típica da perimenopausa, não prova de menopausa; a próxima amostra pode ser diferente.
  2. TSH normal: é pouco provável que a tireoide explique os sintomas.
  3. Hemoglobina e ferritina baixas: anemia por falta de ferro, provavelmente pelas menstruações intensas. É esta linha que pede uma conduta.
  4. Beta-hCG abaixo de 5: não está grávida; o método contraceptivo continua necessário se você quer evitar a gravidez.
  5. Valores de referência: as faixas de FSH e estradiol dependem da fase do ciclo; valem as faixas impressas no seu próprio laudo.

FSH, estradiol, TSH e ferritina no mesmo laudo? A BloodSense explica cada linha do seu laudo completo em linguagem simples, para você ver o que reflete a perimenopausa e o que conversar com o médico.

Entender meus exames

Os testes de FSH na urina vendidos em farmácia só detectam um FSH alto e não devem ser usados para saber se você ainda pode engravidar[9].

Que acompanhamento é preciso na perimenopausa?

  • Hormônios: numa perimenopausa típica, não é preciso repetir FSH nem estradiol.
  • Anemia: hemograma e ferritina são refeitos após o tratamento com ferro, e a causa do sangramento é investigada.
  • Coração e ossos: é um bom momento para medir a pressão, fazer o lipidograma e a glicemia, e conversar sobre o risco de osteoporose.
  • Humor: um questionário de rastreamento ajuda a diferenciar os sintomas da perimenopausa de uma depressão[10].

Qual é o tratamento para a perimenopausa?

O tratamento é opcional e mira os sintomas que incomodam (visão geral, sem doses):

  • Terapia hormonal (TRH): o tratamento mais eficaz para fogachos e ressecamento vaginal; antes dos 60 anos ou nos 10 primeiros anos depois da menopausa, sem contraindicações, os benefícios em geral superam os riscos[11]. O anticoncepcional hormonal é outra opção, que também evita a gravidez.
  • Opções sem hormônio: terapia cognitivo-comportamental, hipnose clínica, antidepressivos ISRS ou IRSN, gabapentina, fezolinetante, oxibutinina; os suplementos de plantas não são recomendados[12].
  • Depressão: antidepressivos e psicoterapia em primeiro lugar; o estrogênio pode ajudar o humor quando há fogachos[10].
  • Menstruação intensa: ferro se houver anemia, e tratamento do sangramento.

Mais detalhes no guia de sintomas e tratamentos da menopausa.

Dá para engravidar na perimenopausa?

Sim: a ovulação ainda pode acontecer mesmo com a menstruação irregular[1]. Use um método contraceptivo até a menopausa ser confirmada, um ano depois da última menstruação[2]. Em quem usa pílula, o Ministério da Saúde admite confirmar com FSH acima de 40 mUI/mL, repetido após 30 dias sem o remédio[13]. No dia a dia:

  • Anote menstruação, fluxo, fogachos e sono para a consulta.
  • Vista-se em camadas e mantenha o quarto fresco.
  • Faça exercício, inclusive de força; modere o álcool; não fume.
  • Garanta cálcio e vitamina D, e alimentos ricos em ferro se a menstruação for intensa.

Perguntas para fazer ao médico

  1. As mudanças no meu ciclo combinam com a perimenopausa, ou devemos procurar outra causa?
  2. Preciso de exames de sangue, e em que dia do ciclo?
  3. Minhas menstruações intensas estão causando anemia?
  4. Qual método contraceptivo é melhor para mim agora, e quando posso parar?
  5. A terapia hormonal ou uma opção sem hormônio faz sentido no meu caso?

Perguntas frequentes

A perimenopausa pode começar aos 35 anos?

Algumas mulheres notam mudanças entre a metade e o fim dos 30 anos[1], mas outras causas são investigadas primeiro. Se a menstruação parar antes dos 40, o médico procura uma insuficiência ovariana prematura, com dosagens repetidas de FSH.

Um exame de sangue diz quando vai ser a minha última menstruação?

Não com precisão. O AMH é o que melhor estima se a última menstruação deve chegar em um ou dois anos, mas não dá uma data[6].

Perimenopausa é o mesmo que ovário policístico ou problema de tireoide?

Não, mas eles podem se parecer. A síndrome dos ovários policísticos também causa menstruação irregular, e o hipotireoidismo causa cansaço e alterações de humor; o TSH e o quadro geral ajudam a diferenciar.

A pílula esconde a perimenopausa?

Sim. A pílula combinada cria sangramentos regulares e altera o FSH e o estradiol, então nem o ciclo nem um exame hormonal mostram em que ponto da transição você está.

Leia também

  1. Office on Women's Health, US Department of Health and Human Services. Menopause basics. Atualizado em 19 de outubro de 2026. womenshealth.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  2. The Menopause Society. Perimenopause. menopause.org (acesso em 28 de outubro de 2026)
  3. Harlow SD, Gass M, Hall JE, et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10: addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. J Clin Endocrinol Metab. 2012;97(4):1159-1168. doi:10.1210/jc.2011-3362 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  4. Avis NE, Crawford SL, Greendale G, et al. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition. JAMA Intern Med. 2015;175(4):531-539. doi:10.1001/jamainternmed.2014.8063 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  5. Hale GE, Burger HG. Hormonal changes and biomarkers in late reproductive age, menopausal transition and menopause. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2009;23(1):7-23. doi:10.1016/j.bpobgyn.2008.10.001 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  6. Finkelstein JS, Lee H, Karlamangla A, et al. Antimullerian hormone and impending menopause in late reproductive age: the Study of Women's Health Across the Nation. J Clin Endocrinol Metab. 2020;105(4):e1862-e1871. doi:10.1210/clinem/dgz283 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  7. Snyder JA, Haymond S, Parvin CA, Gronowski AM, Grenache DG. Diagnostic considerations in the measurement of human chorionic gonadotropin in aging women. Clin Chem. 2005;51(10):1830-1835. doi:10.1373/clinchem.2005.053595 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  8. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Abnormal uterine bleeding. Revisado em 15 de outubro de 2024. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  9. MedlinePlus. Follicle-stimulating hormone (FSH) levels test. Atualizado em 4 de dezembro de 2023. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  10. Maki PM, Kornstein SG, Joffe H, et al. Guidelines for the evaluation and treatment of perimenopausal depression: summary and recommendations. Menopause. 2018;25(10):1069-1085. doi:10.1097/GME.0000000000001174 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  11. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. doi:10.1097/GME.0000000000002028 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  12. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023;30(6):573-590. doi:10.1097/GME.0000000000002200 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  13. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Saúde; 2008. bvsms.saude.gov.br (acesso em 28 de outubro de 2026)
  14. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 28 de outubro de 2026)

Esta página traz informações gerais. Ela não substitui a avaliação de um médico, que interpreta seus resultados hormonais junto com a sua idade, o seu ciclo e os seus sintomas e decide sobre exames e tratamento.