Síndrome dos ovários policísticos (SOP): sintomas, exames, tratamento e o novo nome

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) atinge cerca de uma em cada dez pessoas em idade reprodutiva nos Estados Unidos, e a maioria passa anos indo a consultas antes de alguém dar nome ao problema. O próprio nome atrapalha: ele fala em “cistos”, quando a SOP é, na verdade, um padrão hormonal e metabólico que envolve o corpo todo. Este guia explica o conjunto de sintomas, como os critérios de Rotterdam definem o diagnóstico e quais exames de sangue realmente importam.
O que é a síndrome dos ovários policísticos?
A síndrome dos ovários policísticos é uma condição em que a ovulação fica irregular ou para, os androgênios (hormônios “masculinos”) ficam mais altos do que o habitual e a resposta do corpo à insulina muitas vezes fica reduzida. Esses fios se reforçam: mais insulina empurra os ovários a produzir mais androgênio, e mais androgênio atrapalha o amadurecimento dos óvulos. Para o Ministério da Saúde, a SOP é a endocrinopatia (doença hormonal) mais comum entre mulheres em idade fértil, registrada no CID-10 como E28.2.
A palavra “policísticos” é a maior fonte de confusão. O que o ultrassom mostra não são cistos no sentido comum. Aquelas pequenas estruturas redondas são folículos, as bolsinhas normais que todo ovário tem, cada uma com um óvulo imaturo. Na SOP elas são mais numerosas e tendem a parar de crescer cedo.
Por isso, cistos nos ovários não são obrigatórios para o diagnóstico, e muitas pessoas preenchem os critérios com ovários de aparência normal nos exames de imagem. Essa contradição levou a uma mudança formal de nome: em 2026, um consenso internacional rebatizou a condição de síndrome ovariana metabólica poliendócrina (PMOS, na sigla em inglês), e a Cleveland Clinic e a Mayo Clinic já usam o novo nome. O Jornal da USP noticiou a mudança, destacando que o objetivo é deixar claro o impacto metabólico da síndrome. SOP é o nome antigo e PMOS o atual: um laudo ou médico que use o termo novo não está falando de outra doença.
Sintomas da síndrome dos ovários policísticos
A SOP aparece como um conjunto de sinais, e quase ninguém tem todos eles.
Sinais na pele e nos pelos
O hirsutismo, isto é, pelos grossos e escuros com distribuição masculina no buço, queixo, peito ou barriga, é um dos sinais clínicos mais confiáveis de excesso de androgênio. Os dermatologistas também avaliam com frequência a acne hormonal que se concentra na mandíbula e no queixo. O cabelo do couro cabeludo faz o caminho inverso: afina no topo da cabeça, enquanto a linha da frente fica preservada. A acantose nigricans, um escurecimento aveludado da pele no pescoço ou nas axilas, indica insulina alta.
Como é a menstruação de quem tem ovários policísticos?
A menstruação de quem tem SOP costuma ser irregular: ciclos longos, menos de oito ou nove menstruações por ano, intervalos de vários meses ou ausência total de menstruação. O protocolo do Ministério da Saúde considera alteração do ciclo ter nove ciclos ou menos em um ano. A dificuldade para engravidar muitas vezes é o que finalmente leva a pessoa ao médico. A SOP é a principal causa de infertilidade anovulatória, ou seja, infertilidade porque os óvulos não são liberados, e não por alguma obstrução. Também está entre as causas mais tratáveis: a ovulação geralmente pode ser restaurada.
Como fica a barriga e onde dói o ovário policístico?
Muitas pessoas com SOP acumulam gordura principalmente na região da barriga, um padrão ligado à resistência à insulina, mas a síndrome também acontece em pessoas magras. A SOP em si não costuma causar dor: dor forte no pé da barriga, dor nas relações ou cólicas muito intensas apontam mais para outras causas, como endometriose ou um cisto ovariano de outro tipo, e merecem avaliação. Da mesma forma, vontade de urinar toda hora não é sintoma típico de SOP; pode ter relação com um cisto grande que comprime a bexiga, com infecção urinária ou com glicose alta, e deve ser investigada.
Como é feito o diagnóstico
Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico. Em adultas, usa-se o consenso de Rotterdam, que é também a base do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do SUS: dois de três critérios, depois de excluídas as doenças que imitam a SOP:
- Ovulação irregular ou ausente, avaliada pelo histórico dos ciclos.
- Hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, queda de cabelo) ou laboratorial.
- Ovários com aspecto policístico no ultrassom.
Uma adulta que já tem os dois primeiros critérios não precisa de ultrassom, e a diretriz internacional de 2023 passou a aceitar a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) no sangue como alternativa ao exame de imagem em adultas. Adolescentes são avaliadas de outro jeito, porque ciclos irregulares e ovários com muitos folículos são normais nos primeiros anos depois da primeira menstruação. Não existe um “teste para saber se tenho ovário policístico” feito em casa: o diagnóstico depende da consulta com ginecologista ou endocrinologista.
Ovário policístico: o exame de sangue que importa
Os exames de sangue têm duas funções: confirmar o excesso de androgênio e excluir as doenças parecidas. A investigação quase sempre inclui a dosagem de testosterona, que mede o grau de excesso de androgênio, mas esse valor sozinho engana, porque a maior parte da testosterona circula presa a proteínas e inativa. Por isso os médicos acrescentam a dosagem de SHBG, que mostra quanta testosterona está livre para agir nos tecidos.
| Exame | O que reflete | Padrão típico na SOP |
|---|---|---|
| Testosterona total | Toda a testosterona circulante | Normal ou pouco elevada; valores muito altos falam contra SOP |
| SHBG | Proteína que mantém a testosterona inativa | Muitas vezes baixa, sobretudo com insulina alta |
| Índice de androgênio livre | Relação entre testosterona e SHBG | Muitas vezes alto, mesmo com testosterona total normal |
| SDHEA (DHEA-S) | Androgênio produzido pela suprarrenal | Em geral normal; muito alto aponta para causa na suprarrenal |
| LH e FSH | Hormônios da hipófise que comandam os folículos | LH muitas vezes proporcionalmente mais alto que o FSH; ajuda, mas nunca fecha o diagnóstico |
| AMH (hormônio antimülleriano) | Reflete o número de pequenos folículos | Costuma estar alto; alternativa aceita ao ultrassom apenas em adultas |
| Prolactina | Bloqueia a ovulação quando alta | Normal; pedida para excluir hiperprolactinemia |
| 17-OH progesterona | Precursor de hormônios da suprarrenal | Normal; se alta, sugere hiperplasia adrenal congênita não clássica |
| TSH | Sinal da hipófise para a tireoide | Normal; valores alterados apontam para doença da tireoide |
| Glicemia de jejum e insulina | Açúcar no sangue e a insulina que o controla | Glicemia muitas vezes normal com insulina alta, a marca da resistência à insulina |
| Perfil lipídico | Frações do colesterol e triglicerídeos | Triglicerídeos e LDL mais altos com HDL mais baixo são comuns |
O anticoncepcional hormonal altera vários desses valores, então combine com o médico o melhor momento para a coleta. O PCDT do SUS também orienta pedir glicemia de jejum, teste de tolerância à glicose (para mulheres com obesidade ou histórico familiar de diabetes), TSH e perfil lipídico depois do diagnóstico.
Fenótipos da SOP: por que nenhum caso é igual
Como Rotterdam exige quaisquer dois de três critérios, a SOP tem quatro apresentações, chamadas de A a D. O fenótipo A tem os três. O B tem excesso de androgênio e ovulação irregular. O C tem excesso de androgênio e ovários policísticos, com ovulação preservada. O D tem ovulação irregular e ovários policísticos, sem excesso de androgênio. Os fenótipos com excesso de androgênio têm mais risco metabólico.
A SOP em pessoas magras entra aqui. A condição aparece em todos os tipos de corpo, e uma parte importante de quem a tem é magra. Não é uma forma mais leve: a resistência à insulina também é comum, só que menos visível, e por isso o diagnóstico demora anos. Muitos painéis também trazem o nível de hormônio luteinizante (LH), que reflete o sinal da hipófise que comanda a ovulação.
Ovário policístico: o que causa
A resistência à insulina está perto do centro. Quando as células respondem mal à insulina, o pâncreas libera mais, e esse excesso aumenta a produção de androgênio pelos ovários e reduz a SHBG. Por isso os médicos pedem a dosagem de insulina em jejum, que estima o quanto o pâncreas está trabalhando, já que a glicose parece tranquilizadora muito tempo depois de a insulina ter subido.
O excesso de androgênio é o segundo motor, vindo do ovário, da suprarrenal ou dos dois. A genética pesa de verdade: a SOP se concentra em famílias, e estudos do genoma apontam variantes que afetam a sinalização da insulina e o desenvolvimento dos folículos.
A SOP não é causada por algo que você fez, comeu ou deixou de fazer. O peso corporal modifica a condição, mas não é a origem dela.
O que é pior, endometriose ou ovário policístico? Doenças que se confundem com a SOP
Não existe uma “pior”: endometriose e SOP são doenças diferentes, com riscos diferentes, e podem até coexistir. A endometriose costuma causar dor pélvica e cólicas fortes; a SOP, ciclos irregulares e sinais de androgênio. Na lista de doenças que imitam a SOP, a tireoide vem primeiro porque é comum e fácil de testar: tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo bagunçam o ciclo, e o hipotireoidismo pode aumentar a prolactina. A hiperplasia adrenal congênita não clássica é uma deficiência parcial de uma enzima que faz a suprarrenal produzir androgênio em excesso, por isso os endocrinologistas pedem a dosagem de 17-OH progesterona colhida de manhã cedo.
A hiperprolactinemia, em geral causada por um adenoma benigno da hipófise ou por alguns remédios, bloqueia a ovulação, e por isso os médicos pedem um exame de prolactina que rastreia causa na hipófise para a falta de menstruação. A síndrome de Cushing acrescenta hematomas fáceis, estrias arroxeadas e fraqueza muscular; a investigação fica reservada para quem tem esses sinais extras.
Síndrome dos ovários policísticos: tratamento
O tratamento é organizado de acordo com os objetivos de cada pessoa. Os remédios abaixo são citados apenas por classe e finalidade; começar ou parar qualquer um é uma decisão sua com o seu médico. No SUS, o PCDT prevê anticoncepcionais hormonais combinados, antiandrogênios e metformina.
Para regular o ciclo e proteger o endométrio, os anticoncepcionais hormonais combinados costumam ser a primeira linha: trazem sangramentos previsíveis, protegem a camada interna do útero do estrogênio sem oposição e aumentam a SHBG, o que reduz o androgênio livre. O progestagênio em ciclos é uma alternativa quando o estrogênio não é indicado.
Para os sintomas de pele e pelos, as opções incluem antiandrogênios, anticoncepcional hormonal, cremes com receita e procedimentos como laser ou eletrólise. Tudo é lento, porque os folículos dos pelos funcionam em ciclos de meses.
Ovário policístico pode engravidar?
Sim: quem tem ovário policístico pode engravidar, e a perspectiva é boa. A indução da ovulação é a base do tratamento para engravidar. Os inibidores da aromatase substituíram em grande parte os moduladores seletivos do receptor de estrogênio mais antigos como primeira escolha; as gonadotrofinas vêm em segundo lugar, e a fertilização in vitro entra se as etapas anteriores não funcionarem.
Para o risco metabólico, a medicação que melhora a sensibilidade à insulina é usada em algumas situações, e o cuidado com colesterol e pressão segue as regras gerais de prevenção. Movimento e alimentação importam, mas o conselho útil é qualitativo: uma atividade que você consiga manter e um padrão alimentar construído com nutricionista. Transtornos alimentares são mais comuns na SOP do que na população em geral, e dietas restritivas passadas sem acompanhamento podem fazer mal de verdade. A diretriz de 2023 pede que os profissionais fiquem atentos ao estigma do peso. O tamanho do corpo é um fator clínico entre vários, não a manchete nem a solução.
O que a síndrome do ovário policístico pode causar a longo prazo
O risco de intolerância à glicose e de diabetes tipo 2 é bem maior que o da população em geral; o CDC informa que mais da metade das mulheres com SOP desenvolve diabetes até os 40 anos. O acompanhamento costuma incluir a glicemia de jejum repetida nos intervalos que seu médico definir. Pela Sociedade Brasileira de Diabetes, a glicemia de jejum é normal abaixo de 100 mg/dL, indica pré-diabetes de 100 a 125 mg/dL e diabetes a partir de 126 mg/dL (confirmado em nova coleta). O diabetes gestacional também é mais comum, então o rastreamento no pré-natal começa mais cedo.
A soma de colesterol desfavorável, pressão mais alta e resistência à insulina faz com que a avaliação cardiovascular comece mais cedo e se repita com mais frequência. A apneia obstrutiva do sono também é mais frequente e piora a resistência à insulina.
O risco no endométrio vem diretamente da falta de ovulação: sem a fase de progesterona, a camada interna do útero recebe estrogênio sem oposição, o que aumenta, a longo prazo, o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. Essa é a razão clínica para regular os ciclos. A saúde mental também entra aqui: depressão, ansiedade e sofrimento com a imagem corporal são mais frequentes, e a diretriz de 2023 aponta esses aspectos como muito comuns e pouco cuidados.
Viver com SOP no dia a dia
Anotar os ciclos (num aplicativo ou num caderno) dá ao médico dados reais em vez de lembranças, e uma lista dos sintomas por ordem de importância deixa a consulta mais focada. A atividade física regular melhora a sensibilidade à insulina independentemente de mudança no peso: o benefício aparece no exame de sangue mesmo que a balança não se mexa.
Monte uma equipe em vez de depender de uma consulta por ano: clínico geral ou médico de família (na UBS, pelo SUS, ou no plano de saúde), ginecologia, endocrinologia, dermatologia, nutricionista e um profissional de saúde mental. Repita os exames no ritmo que o médico definir e desconfie de suplementos vendidos como “cura” da SOP.
Avanços científicos recentes
O avanço mais importante dos últimos anos não é um remédio, e sim um manual. Um painel internacional liderado por Helena Teede reuniu 39 organizações de 71 países e encomendou 52 revisões sistemáticas (estudos que juntam todas as evidências disponíveis em vez de depender de um único ensaio) para produzir a Diretriz Internacional Baseada em Evidências de 2023. Ela trouxe 254 recomendações e pontos de prática, 77 deles baseados em evidências. A dosagem de AMH foi aceita como alternativa ao ultrassom apenas em adultas (Teede et al., 2023). O que isso significa para você: se você é adulta, tem ciclos irregulares e excesso de androgênio documentado, não precisa de ultrassom para ter o diagnóstico.
Um artigo complementar publicado em 2025 na BMC Medicine aplicou o mesmo processo às adolescentes, em 55 perguntas clínicas, e concluiu que elas precisam de regras diferentes: o diagnóstico antes da idade adulta exige ciclos irregulares e hiperandrogenismo clínico ou laboratorial. Mais importante, nem o ultrassom pélvico nem o AMH devem ser usados para diagnosticar SOP na adolescência, porque os dois são pouco confiáveis nessa idade; adolescentes com apenas um sinal são classificadas como “em risco” e acompanhadas (Peña et al., 2025). O que isso significa para você: se uma adolescente recebeu o diagnóstico só por um ultrassom, vale rever.
Uma metanálise de 2023 (estudo que combina estatisticamente os resultados de vários ensaios) publicada na Reproductive Biology and Endocrinology reuniu 26 ensaios randomizados com 1.691 participantes. Quem tomou inositol teve 1,79 vez mais chance de ter um ciclo menstrual regular do que quem tomou placebo, com intervalo de confiança de 95 % de 1,13 a 2,85, ou seja, a faixa em que o efeito real muito provavelmente está; como fica acima de 1,0, é pouco provável que o resultado seja acaso. O inositol também reduziu a testosterona livre e aumentou a SHBG (Greff et al., 2023). O que isso significa para você: é um dos suplementos com melhores evidências na SOP, mas não necessariamente o certo para você; converse com seu médico.
Mitos e verdades
- Mito: é preciso ter cistos nos ovários para ter SOP. Verdade: o achado do ultrassom é um de três critérios, e bastam dois.
- Mito: a SOP só atinge pessoas com sobrepeso. Verdade: a SOP em pessoas magras é real e comum.
- Mito: quem tem SOP não pode ter filhos. Verdade: é a principal causa de infertilidade por falta de ovulação e uma das mais tratáveis.
- Mito: o anticoncepcional só mascara o problema. Verdade: ele trata problemas reais e não atrasa a volta da fertilidade depois.
- Mito: a SOP é causada pelo estilo de vida. Verdade: suas origens são genéticas, hormonais e do desenvolvimento.
- Mito: ovário policístico vira câncer. Verdade: os folículos não viram câncer; o risco que existe é no endométrio, quando a pessoa fica muito tempo sem ovular, e ele é reduzido regulando os ciclos.
Glossário
| Termo | Significado |
|---|---|
| Anovulação | Ciclo em que nenhum óvulo é liberado |
| Androgênio | Hormônio como a testosterona ou o SDHEA |
| Hiperandrogenismo | Excesso de androgênio, visível no corpo ou nos exames |
| Hirsutismo | Pelos grossos e escuros com distribuição masculina |
| Resistência à insulina | Resposta reduzida das células à insulina |
| Folículo | Bolsinha com líquido no ovário que guarda um óvulo imaturo |
| Critérios de Rotterdam | Regra de dois em três usada para o diagnóstico em adultas |
Perguntas frequentes
Como é feito o diagnóstico da SOP?
Em adultas, o diagnóstico usa os critérios de Rotterdam: dois de três sinais, que são ovulação irregular ou ausente, excesso de androgênio clínico ou laboratorial e ovários policísticos no ultrassom. Antes, é preciso excluir doenças que dão o mesmo quadro, como doença da tireoide, hiperplasia adrenal congênita não clássica e prolactina alta, e por isso a investigação inclui exames que se espera virem normais. Se você já tem os dois primeiros critérios, o exame de imagem não acrescenta nada.
Quem tem ovário policístico pode engravidar?
Sim, e a maioria de quem deseja engravidar consegue. A SOP é a principal causa de infertilidade por falta de ovulação: a dificuldade vem de os óvulos não serem liberados, não de uma obstrução, e isso responde bem ao tratamento. A indução da ovulação com um inibidor da aromatase costuma ser o primeiro passo, com medicação para a insulina, gonadotrofinas ou fertilização in vitro se necessário. Algumas pessoas engravidam sem nenhuma intervenção.
O que a síndrome do ovário policístico pode causar?
A SOP pode causar menstruação irregular, dificuldade para engravidar, acne, excesso de pelos e queda de cabelo. A longo prazo, aumenta o risco de diabetes tipo 2, diabetes gestacional, colesterol alterado, apneia do sono, hiperplasia e câncer de endométrio, além de depressão e ansiedade. Por isso o acompanhamento com exames periódicos é parte do tratamento.
Dá para ter SOP sem estar acima do peso?
Sim. A SOP em pessoas magras é bem reconhecida, e uma parte importante de quem tem a condição é magra. Não é uma variante mais leve: a resistência à insulina também é comum nesse grupo, só mais difícil de perceber sem exames, e os sintomas de androgênio podem ser tão marcantes quanto. O problema prático é o atraso no diagnóstico, porque às vezes se supõe que um corpo magro descarta a SOP.
A SOP causa queda de cabelo?
Pode causar. O excesso de androgênio afeta os folículos do couro cabeludo num padrão chamado alopecia androgenética, com afinamento gradual no topo da cabeça e na risca, enquanto a linha da frente continua preservada. Isso pode acontecer junto com o excesso de pelos em outras partes do corpo, porque os folículos do couro cabeludo e do corpo respondem aos androgênios de formas opostas. O tratamento mira o excesso de androgênio, e a melhora é lenta.
A síndrome dos ovários policísticos tem cura?
A SOP acompanha a pessoa ao longo da vida em vez de desaparecer, mas o jeito como ela se apresenta muda. Os ciclos muitas vezes ficam mais regulares no fim dos 30 e nos 40 anos, e depois da menopausa os sinais de ciclo e fertilidade deixam de se aplicar. Enquanto isso, os sintomas são de fato controláveis, já que androgênios, ciclos e marcadores metabólicos respondem ao tratamento. O que permanece é o perfil de risco metabólico e cardiovascular.
Fontes
- NICHD — Polycystic Ovary Syndrome (PCOS) — National Institutes of Health, 2024 — nichd.nih.gov (em inglês)
- Office on Women’s Health — Polycystic ovary syndrome — HHS, 2024 — womenshealth.gov (em inglês)
- Centers for Disease Control and Prevention — Diabetes and Polycystic Ovary Syndrome (PCOS) — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- Mayo Clinic — Polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS) — Mayo Clinic, 2026 — mayoclinic.org (em inglês)
- Cleveland Clinic — PMOS (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome) — Cleveland Clinic, 2026 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
- Teede HJ et al. — Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome — Human Reproduction, 2023 — doi.org (em inglês)
- Peña AS et al. — International evidence-based recommendations for polycystic ovary syndrome in adolescents — BMC Medicine, 2025 — doi.org (em inglês)
- Greff D et al. — Inositol is an effective and safe treatment in PCOS — Reproductive Biology and Endocrinology, 2023 — doi.org (em inglês)
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome de Ovários Policísticos (Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 6) — gov.br, 2019 — gov.br
- Conitec — PCDT resumido: Síndrome de Ovários Policísticos — Ministério da Saúde, 2019 — gov.br
- Jornal da USP — Síndrome dos ovários policísticos terá novo nome para destacar impactos metabólicos — USP, 2026 — jornal.usp.br
- Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico de diabetes mellitus — Diretriz da SBD, 2024 — diretriz.diabetes.org.br
Leituras recomendadas
- Se o seu exame mostrou um padrão ligado à suprarrenal, explicamos como ler um resultado de SDHEA e o que um valor alto sugere.
- Como a doença da tireoide é a primeira a ser excluída, ajuda entender o que o resultado de TSH revela sobre a tireoide.
- O lado metabólico da SOP fica mais claro quando você entende como a resistência à insulina leva ao diabetes tipo 2.
- Se a sua glicose parece boa mas os sintomas não, explicamos por que a hemoglobina glicada pode não detectar a resistência à insulina no começo.
- Cólicas fortes junto com ciclos irregulares podem apontar para outra causa, então veja os sintomas que diferenciam a endometriose da SOP.
Entenda seus exames com a BloodSense
A SOP é uma condição em que o laudo do laboratório conta a maior parte da história e, ao mesmo tempo, é difícil de ler sozinho. Um painel típico reúne testosterona, SHBG, índice de androgênio livre, SDHEA, LH e FSH, AMH, prolactina, 17-OH progesterona, TSH, glicemia e insulina de jejum e perfil lipídico, e muitos desses valores, isoladamente, ficam dentro dos valores de referência. O diagnóstico está nas relações entre eles: testosterona normal com SHBG baixa, glicose normal com insulina alta.
A BloodSense lê seus resultados como um padrão, e não como valores soltos, explica em linguagem simples o que cada marcador reflete e mostra quais combinações vale a pena levar à próxima consulta. O relatório de IA não substitui o seu médico; ele torna essa conversa mais útil.



