O essencial

O infarto agudo do miocárdio, o popular "ataque cardíaco", acontece quando o sangue deixa de chegar de repente a uma parte do músculo do coração. A dor ou o aperto no peito é o sinal mais comum, mas mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem sentir sobretudo falta de ar, cansaço fora do comum ou enjoo. Ligue já para o SAMU 192 e não vá dirigindo. O diagnóstico se apoia no eletrocardiograma e em dosagens repetidas de troponina no sangue.

O que é infarto agudo do miocárdio, em resumo?

  • O que é: "miocárdio" é o músculo do coração e "infarto" é a morte de um tecido por falta de sangue. Se o fluxo não volta rápido, a parte do músculo que ficou sem sangue morre[1][13].
  • No Brasil: o Ministério da Saúde estima de 300 mil a 400 mil casos de infarto por ano, com uma morte a cada 5 a 7 casos, e aponta o infarto como a maior causa de mortes no país[13]. Nos Estados Unidos, são mais de 800 mil por ano[1], cerca de um a cada 40 segundos[5].
  • Causa principal: a doença arterial coronariana[4].
  • Não é parada cardíaca: na parada, o coração para de bater de repente; um infarto pode provocá-la[1].
  • Exames-chave: o eletrocardiograma (ECG) e, em seguida, a dosagem de troponina repetida ao longo de algumas horas[7][8].

Quais são os sintomas de infarto?

Os sintomas podem começar devagar ou de repente, ser leves ou fortes, e ir e voltar durante várias horas[2]:

  • dor, pressão, peso ou aperto no meio ou no lado esquerdo do peito, muitas vezes por mais de 20 minutos[7];
  • dor que vai para um ou os dois braços, as costas, os ombros, o pescoço, a mandíbula ou a "boca do estômago"[2];
  • falta de ar, suor frio, náusea ou vômito;
  • tontura, sensação de desmaio, cansaço fora do comum, ou batimentos rápidos ou irregulares[2].

Nas mulheres, a dor no peito também é o sintoma mais comum, mas dor no ombro, nas costas ou no braço, falta de ar, cansaço e fraqueza fora do comum, mal-estar no estômago ou ansiedade aparecem com mais frequência, com ou sem dor no peito[3]. Elas também costumam demorar mais para pedir ajuda[3]. Em idosos e em pessoas com diabetes, o infarto pode ocorrer sem sinais típicos[13], e alguns infartos são "silenciosos", descobertos depois num ECG[2][7].

Angina ou infarto? A angina estável aparece com o esforço e passa em poucos minutos com repouso ou remédio; a dor do infarto não passa. Na dúvida, ligue para o 192[2].

O que fazer se você acha que está tendo um infarto?

Quando procurar atendimento

  • Emergência: ligue já para o SAMU 192, mesmo sem ter certeza de que é um infarto. Não vá dirigindo nem peça para alguém levar você de carro: a equipe da ambulância pode começar exames e tratamento no caminho[2]. Não espere para ver se passa. Mastigue uma aspirina (AAS) só se o atendente do 192 ou um médico mandar e se você não for alérgico; nunca atrase a ligação para tomar o comprimido[6]. Se a pessoa desmaiar e não respirar normalmente, comece a massagem cardíaca e use um desfibrilador (DEA) se houver um por perto[6].
  • Em até 24 horas se surgir desconforto no peito com esforço que melhora no repouso, angina que vem com mais frequência ou falta de ar nova sem explicação, sobretudo se você tem diabetes ou já teve um infarto. Na dúvida, ligue para o 192.
  • Na próxima consulta para rever colesterol, pressão, glicemia e remédios depois de um infarto.

Cada minuto conta: o risco de morte súbita é maior nas primeiras horas[7]. Se não for possível chamar o SAMU, o Ministério da Saúde orienta procurar a emergência cardiológica mais próxima[13].

Quais são as causas do infarto e quem tem mais risco?

A maioria dos infartos começa com uma placa de gordura, colesterol e cálcio na parede de uma artéria coronária. Quando a placa se rompe, forma-se um coágulo que entope a artéria[4].

  • Frequente Ruptura da placa e coágulo, ligados a colesterol alto, pressão alta, cigarro, diabetes, obesidade, sedentarismo, idade e histórico familiar[4].
  • Possível Falta de oxigênio para o que o coração precisa, sem coágulo novo (infarto tipo 2), por exemplo com anemia grave, ritmo muito acelerado ou infecção grave[10].
  • Possível Infarto sem artérias entupidas (MINOCA), mais comum em mulheres e em pessoas mais jovens: espasmo da artéria (cigarro, cocaína) ou um coágulo que viaja até o coração[4].
  • Raro Uma ruptura na parede interna de uma artéria do coração (dissecção espontânea, SCAD), sobretudo em mulheres com menos de 50 anos ou perto da gravidez[4].

Como é feito o diagnóstico do infarto? O ECG e a troponina

O médico diagnostica o infarto do miocárdio quando a troponina sobe ou desce ao longo do tempo, com pelo menos um valor acima do limite superior de referência, junto com sinais de falta de sangue no coração: sintomas típicos, alterações novas no ECG ou lesão nova vista num exame de imagem[10].

  • IAM com supra de ST (IAMCSST, ou STEMI): o "segmento ST" elevado no ECG costuma indicar uma artéria totalmente fechada, que deve ser aberta o mais rápido possível, sem esperar o resultado do sangue.
  • IAM sem supra de ST (IAMSSST, ou NSTEMI): sem elevação do ST, às vezes com ECG normal; o diagnóstico depende da troponina[7][11]. Se a troponina continua normal apesar dos sintomas, é angina instável, que também é emergência.

Como ler as troponinas repetidas no laudo?

A troponina sai das células do coração que estão morrendo. O que importa é a diferença entre as coletas, feitas na chegada e de novo algumas horas depois (muitas vezes 1 a 2 horas com os testes ultrassensíveis)[8][11]:

  • Normal, e ainda normal horas depois do início dos sintomas: infarto pouco provável[8].
  • Alta e claramente subindo ou descendo: lesão aguda do coração; com sintomas ou alterações no ECG, é infarto[10].
  • Alta mas estável: mais frequentemente uma lesão antiga, como na doença renal crônica[10].

Um primeiro resultado normal não descarta o infarto: a troponina começa a subir 2 a 3 horas depois do início e pode continuar subindo por cerca de 24 horas[8]. Os limites variam entre os testes e, às vezes, entre homens e mulheres[10]. O CK-MB e a mioglobina hoje raramente são necessários.

Exemplo fictício de resultados do pronto-socorro em um adulto com IAM sem supra de ST (formato brasileiro)
ExameResultadoValor de referênciaIndicador
Troponina T ultrassensível, 0 h21 ng/Linferior a 14 ng/LA
Troponina T ultrassensível, 2 h68 ng/Linferior a 14 ng/LA
Taxa de filtração glomerular estimada78 mL/min/1,73 m²superior a 60 mL/min/1,73 m²
Colesterol LDL142 mg/dLinferior a 100 mg/dLA
  1. Duas linhas de troponina: o valor mais que triplica em duas horas. Essa subida, com os sintomas, aponta para um infarto.
  2. Taxa de filtração glomerular: a função dos rins, avaliada antes de remédios e do contraste do cateterismo.
  3. Colesterol LDL: orienta o tratamento do colesterol depois da alta.
  4. Valor de referência: são exemplos; valem os valores impressos no seu laudo.

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Entender meus exames

O cateterismo (cineangiocoronariografia) mostra qual artéria está entupida, e o ecocardiograma mostra a força do coração; um exame de BNP pode ser pedido se houver suspeita de insuficiência cardíaca[7].

Quais exames de sangue fazer depois de um infarto?

  • Lipidograma: repetido 4 a 12 semanas depois de começar ou mudar a estatina; se o LDL continua em 70 mg/dL ou mais, outro remédio para o colesterol pode ser considerado[11][12].
  • Função dos rins e potássio: depois de começar ou mudar remédios como os inibidores da ECA.
  • Açúcar no sangue: glicemia de jejum ou hemoglobina glicada, porque o diabetes aumenta o risco.
  • Hemograma completo: se houver suspeita de sangramento ou anemia com os remédios que "afinam o sangue".

Qual é o tratamento do infarto?

  • Abrir a artéria: angioplastia com stent, idealmente em até 90 minutos depois da chegada ao hospital, ou remédio que dissolve o coágulo (trombolítico); às vezes, cirurgia de ponte de safena[7].
  • Remédios de emergência: AAS ou outro antiagregante plaquetário, nitroglicerina para a dor e monitorização do coração[7].
  • Remédios de longo prazo: antiagregantes (muitas vezes dois, por até um ano depois do stent), uma estatina e, com frequência, um betabloqueador e um inibidor da ECA[9][11]. Nunca pare por conta própria[7].

Como é a recuperação e como evitar um novo infarto?

A maioria das pessoas sobrevive e volta a uma vida ativa, muitas vezes às atividades habituais em poucas semanas[9]. As complicações incluem a insuficiência cardíaca e as arritmias[9]. Tristeza ou ansiedade são comuns no início; avise o médico se durarem[7].

  • Faça reabilitação cardíaca: exercício supervisionado, orientação e acompanhamento[9].
  • Pare de fumar, coma de forma saudável para o coração, mantenha-se ativo e tome os remédios todos os dias[9].
  • Mantenha pressão, colesterol LDL e glicemia nas metas combinadas com o médico.
  • Um segundo infarto pode ser diferente do primeiro: na dúvida, ligue para o 192[9].

Perguntas para fazer ao médico

  1. Foi um infarto com supra de ST, sem supra ou do tipo 2, e por quê?
  2. Como está a força de bombeamento do meu coração agora?
  3. Quais são as minhas metas de LDL, pressão e glicemia?
  4. Quando devo repetir os exames de sangue?
  5. Posso ser encaminhado para a reabilitação cardíaca?

Perguntas frequentes

Dá para ter infarto com o eletrocardiograma normal?

Sim, sobretudo no infarto sem supra de ST. Por isso a troponina e o ECG são repetidos[7].

Troponina alta é sempre infarto?

Não. Ela também sobe com arritmias, miocardite, embolia pulmonar, infecção generalizada (sepse) ou depois de uma maratona[8]. Isso se chama lesão miocárdica[10].

Jovem pode ter infarto?

Pode, embora seja menos comum. Dissecção da artéria (SCAD), espasmo e uso de cocaína são causas mais frequentes em pessoas jovens[4].

Quando posso voltar a ter relações sexuais depois do infarto?

A maioria das pessoas retoma aos poucos as atividades normais, incluindo o sexo. Pergunte ao médico o que é seguro no seu caso[9].

Artigos relacionados

  1. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart attack: what is a heart attack? Atualizado em 24 de março de 2022. nhlbi.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  2. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart attack symptoms. Atualizado em 24 de março de 2022. nhlbi.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  3. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart attacks in women. Atualizado em 24 de março de 2022. nhlbi.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  4. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart attack: causes and risk factors. Atualizado em 24 de março de 2022. nhlbi.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  5. Centers for Disease Control and Prevention. Heart attack symptoms, risk, and recovery. 24 de outubro de 2024. cdc.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  6. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Heart attack first aid. Revisado em 7 de outubro de 2024. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  7. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Heart attack. Revisado em 14 de julho de 2024. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  8. MedlinePlus. Troponin test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  9. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart attack: recovery. nhlbi.nih.gov (acesso em 28 de outubro de 2026)
  10. Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, et al. Fourth universal definition of myocardial infarction (2018). Circulation. 2018;138(20):e618-e651. doi:10.1161/CIR.0000000000000617 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  11. Rao SV, O'Donoghue ML, Ruel M, et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI guideline for the management of patients with acute coronary syndromes. Circulation. 2025;151(13):e771-e862. doi:10.1161/CIR.0000000000001309 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  12. Grundy SM, Stone NJ, Bailey AL, et al. 2018 AHA/ACC/AACVPR/AAPA/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA guideline on the management of blood cholesterol. Circulation. 2019;139(25):e1082-e1143. doi:10.1161/CIR.0000000000000625 (acesso em 28 de outubro de 2026)
  13. Ministério da Saúde. Infarto. Saúde de A a Z. gov.br/saude (acesso em 28 de outubro de 2026)
  14. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 28 de outubro de 2026)

Esta página traz informações gerais e não substitui a avaliação de um médico. Se você acha que alguém está tendo um infarto, ligue imediatamente para o SAMU 192.