A embolia pulmonar, também chamada de tromboembolismo pulmonar (TEP), acontece quando um coágulo de sangue bloqueia uma das artérias que levam o sangue do coração para os pulmões. É uma das poucas situações em que os minutos realmente contam, e também uma das mais mal compreendidas, porque o exame mais associado a ela, o dímero-D, é lido ao contrário por muitos pacientes, que veem um número alto e imaginam o pior. Neste artigo você vai saber quais sintomas de embolia pulmonar pedem uma ligação para o SAMU (192) agora, como os médicos combinam uma pontuação de probabilidade com o resultado do dímero-D para decidir quem precisa de tomografia, o que troponina, peptídeos natriuréticos, gasometria, hemograma e função dos rins acrescentam, quando a investigação de trombofilia ajuda e quando atrapalha, e quanto tempo o tratamento costuma durar.

Embolia pulmonar é emergência: ligue 192 diante destes sinais

Não espere um exame de sangue, uma consulta marcada ou o sintoma passar. Ligue imediatamente para o SAMU (192) se você ou alguém perto de você tiver qualquer um destes sinais:

  • Falta de ar súbita, em repouso ou com pouquíssimo esforço
  • Dor no peito que fica mais forte ao puxar o ar, tossir ou deitar
  • Tosse com sangue ou catarro com raias de sangue
  • Desmaio, quase desmaio ou a sensação repentina de que vai cair
  • Coração disparado, principalmente junto com falta de ar
  • Lábios ou pontas dos dedos ficando acinzentados ou roxos

Três regras importam tanto quanto a lista de sintomas. Não vá dirigindo, porque a embolia pulmonar pode causar perda súbita de consciência ao volante. Não espere resultados de exames, porque o diagnóstico é feito no pronto-socorro. E não se convença de que não é nada porque a dor parece leve: coágulos grandes às vezes causam sintomas modestos, e coágulos pequenos podem doer muito. Se você já toma anticoagulante e esses sintomas aparecem, continua sendo emergência.

O que é embolia pulmonar e de onde vem o coágulo

O lado direito do coração empurra o sangue pobre em oxigênio para as artérias pulmonares, que se ramificam pelos dois pulmões para o sangue captar oxigênio. Quando um coágulo se prende num desses ramos, uma parte do pulmão continua recebendo ar, mas deixa de receber sangue. A troca de oxigênio cai, a respiração acelera e o lado direito do coração precisa empurrar contra um circuito mais estreito.

A trombose venosa profunda é a origem habitual

A maioria dos coágulos do pulmão não se forma no pulmão. Eles se formam nas veias profundas da panturrilha, da coxa ou da pelve, uma condição chamada trombose venosa profunda (TVP), depois se soltam e viajam pelo coração até os pulmões. Como explica o Ministério da Saúde, o problema maior da trombose é quando um coágulo se desprende e se move na corrente sanguínea, num processo chamado embolia. Por isso uma panturrilha inchada, quente, dolorida ou com a cor alterada merece atenção, principalmente se for de um lado só. Muitas pessoas com embolia pulmonar não têm nenhum sintoma nas pernas, então a ausência de inchaço nunca descarta nada. Os médicos agrupam os dois problemas sob um nome só: tromboembolismo venoso.

Por que o coração faz parte da história

Quando uma parte grande da circulação do pulmão fica bloqueada, o ventrículo direito fica sobrecarregado. Essa sobrecarga separa um coágulo que pode ser tratado em casa de um que precisa de monitorização intensiva, e é por isso que marcadores do coração aparecem numa investigação que, à primeira vista, parece só sobre o pulmão.

Sintomas de embolia pulmonar, inclusive os que passam despercebidos

O quadro clássico é falta de ar súbita com dor aguda no peito que piora ao inspirar, às vezes com tosse. Mas as apresentações variam muito, e as versões mais silenciosas são as perigosas, porque acabam sendo explicadas por outra coisa.

  • Falta de ar sem explicação ao subir uma escada que você subia fácil na semana passada
  • Pulso em repouso acima do seu normal sem causa clara
  • Tontura ao ficar em pé, ou desmaio sem explicação
  • Ansiedade ou suor chegando junto com a falta de ar
  • Febre baixa confundida com infecção no peito
  • Dor, inchaço ou sensação de “cordão” endurecido em uma panturrilha

Idosos, pessoas com doença do coração ou do pulmão e gestantes ou mulheres que deram à luz recentemente têm mais chance de serem diagnosticados tarde, porque a falta de ar nesses grupos tem muitas outras explicações plausíveis.

Onde dói a embolia pulmonar?

A dor mais típica é no peito, de um lado, em pontada, e piora ao respirar fundo ou tossir, porque o coágulo irrita a membrana que reveste o pulmão (pleura). Ela pode ser sentida também nas costas, na lateral do tórax ou no ombro. Dor nas costas sozinha raramente é embolia; o que preocupa é a dor que vem junto com falta de ar súbita, coração acelerado, tosse com sangue ou desmaio.

Causas e fatores de risco, das viagens longas aos anticoncepcionais com estrogênio

Coágulos se formam quando o sangue circula mais devagar, quando a parede da veia é lesionada ou quando o sangue coagula com mais facilidade do que o normal. A maioria dos casos combina dois ou três desses fatores.

  • Imobilidade: internações, repouso na cama, perna engessada ou viagens longas de cerca de quatro horas ou mais num assento apertado
  • Cirurgias e traumas, principalmente operações ortopédicas de quadril ou joelho
  • Câncer e vários tratamentos de câncer, que deixam o sangue mais propenso a coagular
  • Gravidez, as seis semanas após o parto, anticoncepcionais com estrogênio ou terapia hormonal
  • Tendências herdadas a coagular e síndrome antifosfolípide
  • Obesidade, tabagismo, idade avançada e um coágulo anterior em você ou num parente próximo

O Ministério da Saúde lembra, na sua página sobre trombose, que ela ocorre geralmente após cirurgia, corte ou falta de movimento por muito tempo, e que entre 20 e 40 anos a incidência é um pouco maior nas mulheres pela maior exposição a anticoncepcionais e gestações. Sobre o estrogênio especificamente, o aumento do risco é real, mas pequeno em números absolutos para a maioria das mulheres saudáveis que não fumam, e pesa mais quando se soma ao tabagismo, a um coágulo anterior ou a um voo longo. Muitas pessoas também querem entender a sigla da pílula anticoncepcional na receita antes de conversar com o médico.

Como os médicos decidem se você precisa de tomografia

O diagnóstico é uma sequência, não um exame único. Pular uma etapa produz tanto coágulos não diagnosticados quanto radiação desnecessária.

  1. Primeiro, estimar a probabilidade clínica. Ferramentas estruturadas como o escore de Wells, o escore de Genebra revisado, a regra PERC e o algoritmo YEARS transformam dados como frequência cardíaca, inchaço na perna, histórico de câncer e cirurgia recente em probabilidade baixa, moderada ou alta.
  2. Usar o dímero-D só no grupo de probabilidade baixa a moderada. Em quem tem probabilidade alta, um dímero-D normal não tranquiliza o suficiente, e a imagem é feita direto.
  3. Confirmar com imagem. A angiotomografia de tórax (angio-TC de artérias pulmonares) é o exame padrão de confirmação: o contraste desenha as artérias pulmonares, e o coágulo aparece como uma falha. A cintilografia de ventilação-perfusão é a alternativa quando o contraste não é seguro, e o ultrassom Doppler das veias das pernas às vezes resolve a questão sem imagem do pulmão.

Dois ajustes mudaram a prática do dia a dia. O ponto de corte ajustado pela idade aumenta o limite do dímero-D em pessoas acima de 50 anos, em vez de usar o mesmo número para todas as idades, e a abordagem YEARS liga o ponto de corte ao grau de suspeita clínica. Os dois existem para evitar com segurança exames que nunca iam encontrar nada.

Como entender o resultado do dímero-D

O dímero-D é um fragmento que sobra quando o corpo desmancha um coágulo que já se formou. O nível sobe sempre que a formação e a quebra de coágulos estão ativas em qualquer lugar do corpo, e por isso ele é poderoso numa direção e fraco na outra.

É um exame para descartar, não para confirmar

O dímero-D é muito sensível e pouco específico. Em palavras simples: se você tem um coágulo de verdade, o exame quase certamente estará alto, então um resultado normal em quem tem probabilidade clínica baixa ou moderada tranquiliza de verdade, e a tomografia geralmente pode ser evitada. O contrário não vale. Um dímero-D alto só diz que há formação e quebra de coágulos em algum lugar; não diz onde, por quê, nem se é no pulmão. Lido como um número solto, ele produz mais ansiedade do que informação, e por isso é sempre interpretado junto com uma pontuação de probabilidade.

O que mais faz o número subir

O ponto de corte padrão fica em torno de 500 em unidades equivalentes de fibrinogênio (FEU) — 500 ng/mL, que é o mesmo que 500 µg/L ou 0,5 µg/mL —, mas o valor exato e a unidade dependem do método do laboratório, então resultados de laboratórios diferentes não são comparáveis. Confira sempre os valores de referência do seu laudo. Muitas situações comuns levam o resultado acima dessa linha.

SituaçãoPor que o dímero-D sobe
Gravidez e semanas após o partoA atividade de coagulação aumenta naturalmente na gravidez, e os níveis sobem a cada trimestre
Infecção, inclusive pneumonia e sepseA inflamação ativa o sistema de coagulação no corpo inteiro
Cirurgia recente ou trauma importanteA cicatrização envolve formar e desmanchar pequenos coágulos
Câncer ativoMuitos tumores deixam o sangue mais propenso a coagular
Idade avançadaO nível de base sobe com a idade, daí os pontos de corte ajustados
Doença do fígado ou dos rins, e estar internadoA eliminação muda e outras doenças elevam o nível de base

Um dímero-D positivo, portanto, não significa que você tem um coágulo; significa que a pergunta continua aberta e que um exame de imagem é necessário para fechá-la. Para mais detalhes, leia um guia sobre o resultado do dímero-D.

Os outros exames de sangue usados na suspeita de embolia pulmonar

Depois que o coágulo é confirmado, a pergunta muda de “tem ou não tem” para “quão grave é” e “o tratamento é seguro”.

ExameO que acrescenta
TroponinaProteína liberada quando o músculo do coração sofre estresse; um nível alto sugere sobrecarga do ventrículo direito e aponta para monitorização mais próxima
BNP ou NT-proBNPFragmentos de hormônio liberados quando uma câmara do coração é distendida; usados com a troponina e o ecocardiograma para separar casos de baixo e de risco intermediário
Gasometria arterialMede diretamente oxigênio, gás carbônico e equilíbrio ácido-base; mostra quanto da troca de gases foi perdida, mas um resultado normal não exclui coágulo
Hemograma completoConfere hemoglobina e plaquetas antes de começar o anticoagulante e aponta anemia ou infecção que poderiam explicar a falta de ar
Creatinina e taxa de filtração estimadaA função dos rins é avaliada antes do contraste e de novo para escolher a dose do anticoagulante
Coagulograma: tempo de protrombina (TP ou TAP, com INR) e TTPATempos de coagulação de base registrados antes do tratamento e usados para acompanhar algumas terapias

Cada um tem seus valores de referência e suas ressalvas. Pode ajudar ler uma explicação do resultado da troponina, um guia sobre os níveis de BNP ou o guia equivalente sobre o NT-proBNP, e um passo a passo do hemograma completo. Antes do exame com contraste, os médicos checam o resultado da creatinina junto com a taxa de filtração glomerular estimada. A coagulação de base é registrada com a medida do tempo de protrombina e a medida do TTPA (tempo de tromboplastina parcial ativada).

Investigação de trombofilia: quando ajuda e quando engana

A investigação de trombofilia procura tendências herdadas ou adquiridas a coagular: fator V de Leiden, a variante do gene da protrombina, deficiências de proteína C, proteína S ou antitrombina, e anticorpos antifosfolípides. É o exame que os pacientes mais pedem e o que mais é feito na hora errada.

O problema todo é o momento. Durante um coágulo agudo, e enquanto você toma anticoagulante, vários desses exames dão respostas enganosas: o coágulo ativo consome os inibidores da coagulação, a heparina baixa a atividade da antitrombina, a varfarina baixa as proteínas C e S, e os anticoagulantes orais diretos interferem nos métodos usados para o anticoagulante lúpico. Um resultado colhido nessas condições pode parecer alterado sem nada herdado, ou normal quando há algo. Por isso o exame geralmente é adiado até o fim do tratamento e reservado para casos em que a resposta mudaria uma decisão: coágulo sem fator desencadeante em pessoa jovem, coágulo em local incomum, perdas gestacionais de repetição ou forte padrão familiar. No SUS, há inclusive um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas específico para o tromboembolismo venoso em gestantes com trombofilia. Se o seu médico pedir esse painel, uma explicação do resultado da antitrombina III é um bom ponto de partida.

Tratamento, quanto tempo dura e o risco de um segundo coágulo

O tratamento tem dois objetivos: impedir que o coágulo cresça enquanto o corpo o dissolve, e prevenir o próximo. Os anticoagulantes, muitas vezes chamados de “afinadores do sangue”, não dissolvem um coágulo já existente; eles seguram o processo para que a quebra natural do coágulo alcance. Os anticoagulantes orais diretos são a primeira escolha habitual, e a heparina e a varfarina continuam preferidas na gravidez, na insuficiência renal grave, na síndrome antifosfolípide e em alguns cânceres.

Num coágulo grande que causa pressão perigosamente baixa, podem ser usados remédios que dissolvem o coágulo (trombólise), procedimentos por cateter ou retirada cirúrgica, e um filtro de veia cava é uma opção quando a anticoagulação é impossível. Quase todo mundo trata por pelo menos três meses. O que acontece depois depende do motivo do coágulo.

  • Provocado por um fator temporário, como cirurgia, gesso ou voo longo, que já passou: o tratamento geralmente para aos três meses, porque o risco de voltar cai perto do de base.
  • Provocado por um fator que continua, como câncer ativo ou uma condição herdada de alto risco: o tratamento geralmente continua enquanto o fator persistir.
  • Não provocado, sem gatilho identificável: muitas vezes se recomenda tratamento prolongado, porque o risco de outro coágulo fica maior, sempre pesado contra o risco de sangramento.

A recuperação não é imediata: falta de ar ao esforço e menos fôlego costumam durar semanas a meses, e uma minoria desenvolve sequelas que pedem acompanhamento com especialista. Quem usa varfarina se acostuma com o significado do valor de INR, porque a dose é ajustada por esse número.

Avanços científicos recentes

As pesquisas dos últimos três anos se concentraram menos em remédios novos e mais em afinar o caminho do diagnóstico e ajustar o tempo de tratamento a cada pessoa. Veja o que elas acrescentam, em linguagem simples.

Uma estimativa de probabilidade sob medida

Pesquisadores reuniram os dados individuais de mais de 28.000 pessoas com suspeita de coágulo no pulmão, de dezesseis estudos, e construíram um modelo que estima a probabilidade de cada pessoa, combinando dados clínicos comuns com o valor do dímero-D. Juntar dados individuais desse jeito se chama metanálise de dados individuais de pacientes, uma das formas mais confiáveis de construir esse tipo de ferramenta. O que isso significa para você: em vez de um ponto de corte igual para todos, o seu dímero-D passa a ser lido cada vez mais de acordo com o seu perfil, o que reduz as tomografias feitas em quem nunca precisou.

Pontos de corte ajustados do dímero-D são seguros, dentro de limites

Uma revisão de 2024 que comparou os pontos de corte ajustados pela idade com os ajustados pela probabilidade clínica mostrou que os dois excluem com segurança um coágulo nos pacientes certos, mas se comportam de forma diferente: o ajuste pela idade é um pouco mais seguro e descarta menos pessoas, enquanto o ajuste pela probabilidade descarta mais e deixa menos margem. O que isso significa para você: se o seu dímero-D está um pouco alto e você tem mais de 50 anos, isso sozinho pode não justificar uma tomografia, e perguntar qual ponto de corte foi usado é uma pergunta razoável.

O kit de dímero-D do laboratório faz diferença

Uma análise secundária de 2025 de um grande estudo diagnóstico testou de novo amostras guardadas com cinco kits diferentes de dímero-D e mostrou que eles não classificam os pacientes da mesma forma; com dois kits, algumas pessoas com coágulo confirmado teriam sido consideradas negativas com o ponto de corte ajustado pela idade. O que isso significa para você: números de dímero-D de laboratórios diferentes não são intercambiáveis, e o resultado deve ser interpretado pela equipe que pediu o exame.

Parar o tratamento para testar parece ter baixo risco

Uma revisão sistemática de 2025 com mais de 11.000 pessoas mostrou que coágulos que voltam no primeiro mês depois de parar a anticoagulação são incomuns, na ordem de um em cem, nenhum fatal nos dados reunidos, e cerca de duas vezes e meia mais prováveis depois de um coágulo não provocado. O que isso significa para você: se a sua equipe sugerir uma pausa curta no tratamento para avaliar o seu próprio risco de recorrência, essa estratégia tem evidência razoável por trás.

Mais tempo não é automaticamente melhor

Uma revisão sistemática de 2025, com 22 ensaios randomizados, mostrou que na fase inicial do tratamento, prolongar a anticoagulação além de seis meses acrescentou pouca proteção e praticamente dobrou o risco de sangramento grave; já para a prevenção a longo prazo depois de um coágulo não provocado, continuar indefinidamente reduziu recorrências e mortes, de novo à custa de mais sangramento. O que isso significa para você: o tempo de tratamento é uma troca real, e não uma regra fixa, e merece uma conversa explícita com o seu médico.

Glossário

TermoDefinição
AnticoagulanteRemédio, muitas vezes chamado de “afinador do sangue”, que torna a formação de coágulos mais lenta. Não dissolve um coágulo já existente; impede que ele cresça enquanto o corpo o elimina.
Angiotomografia de tóraxTomografia com contraste que desenha as artérias do pulmão para que o coágulo apareça como uma falha. É o exame habitual de confirmação.
Dímero-DFragmento que sobra quando o corpo desmancha um coágulo. Usado para ajudar a descartar um coágulo, não para prová-lo.
Trombose venosa profunda (TVP)Coágulo numa veia profunda, geralmente da panturrilha, da coxa ou da pelve. É a origem mais comum do coágulo no pulmão.
Sensibilidade e especificidadeSensibilidade é o quanto um exame detecta quem realmente tem a doença. Especificidade é o quanto ele evita marcar quem não tem. O dímero-D vai bem na primeira e mal na segunda.
Provocado e não provocadoUm coágulo provocado tem um gatilho identificável, como cirurgia ou voo longo. Um não provocado não tem, e tem mais chance de voltar.
TrombofiliaTendência herdada ou adquirida a formar coágulos com mais facilidade do que o normal.
Tromboembolismo venosoO termo geral que inclui a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, já que são etapas de um mesmo processo.
Escore de WellsLista estruturada que transforma achados clínicos em probabilidade baixa, moderada ou alta de coágulo no pulmão, usada antes de decidir entre dímero-D e tomografia.
TrombóliseTratamento com remédios que dissolvem o coágulo, reservado aos casos graves, com pressão baixa ou risco de vida.

Perguntas frequentes

O que é TEP na enfermagem?

TEP é a sigla de tromboembolismo pulmonar, o mesmo que embolia pulmonar causada por coágulo. Na enfermagem e nos prontuários, a sigla aparece em prescrições de prevenção (como anticoagulante para pacientes acamados ou operados) e nos cuidados de quem já teve o problema: observar falta de ar, frequência cardíaca, oxigenação, sinais de sangramento com o anticoagulante e estimular a movimentação precoce.

O que é trombólise pulmonar?

Trombólise é o uso de remédios que dissolvem o coágulo, aplicados na veia em ambiente hospitalar. Ela é reservada à embolia pulmonar grave, com pressão baixa ou sinais de que o coração não está aguentando, porque aumenta o risco de sangramento. Na maioria dos casos, o tratamento é só com anticoagulante, que impede o coágulo de crescer enquanto o corpo o desmancha.

A dor nas costas pode ser um sintoma de embolia pulmonar?

Pode, mas raramente sozinha. A dor da embolia pulmonar costuma ser no peito, de um lado, em pontada, piorando ao respirar fundo, e às vezes se irradia para as costas ou o ombro. O que sugere embolia é a combinação com falta de ar súbita, coração acelerado, tosse com sangue ou desmaio. Dor nas costas que piora ao se mexer e melhora em repouso, sem falta de ar, costuma ter origem muscular ou na coluna.

Qual parte das costas dói quando é o pulmão?

Quando a dor vem do pulmão ou da pleura, ela costuma aparecer na parte de trás do tórax, abaixo das escápulas ou na lateral, e piora claramente ao respirar fundo, tossir ou espirrar. Não existe um ponto exato que confirme a origem pulmonar: é o padrão (dor que muda com a respiração, junto com falta de ar ou febre) que orienta o médico.

Quem tem embolia pulmonar pode trabalhar?

Depende da gravidade, do tipo de trabalho e da recuperação. Muitas pessoas com embolia pequena e tratada em casa voltam ao trabalho em poucas semanas, enquanto casos graves ou trabalhos com esforço físico pesado pedem mais tempo. O cansaço e a falta de ar ao esforço podem durar semanas a meses. A decisão e o eventual afastamento devem ser combinados com o médico que acompanha o tratamento.

Dá para ter embolia pulmonar sem saber?

Sim, e acontece mais do que se imagina. Coágulos pequenos nos ramos mais externos das artérias do pulmão podem causar só uma falta de ar leve ao esforço, uma tosse que não passa ou uma dor vaga na lateral do peito. Alguns são encontrados por acaso numa tomografia feita por outro motivo. Por isso o padrão dos sintomas importa mais do que a intensidade de um sintoma isolado: uma falta de ar nova, sem explicação, que não combina com o seu normal, merece ser comunicada, mesmo que você se sinta capaz de seguir o dia.

Qual é o primeiro sinal de embolia pulmonar?

Para a maioria das pessoas, é a falta de ar súbita, muitas vezes sem gatilho óbvio e às vezes em repouso. A dor no peito que piora ao respirar é a segunda mais comum, e o coração acelerado costuma acompanhar as duas. Não existe, porém, um único primeiro sinal confiável, e uma minoria começa com desmaio, tontura ou uma queda inexplicada da tolerância ao exercício. Quem tem falta de ar súbita com dor no peito, tosse com sangue ou desmaio deve tratar isso como emergência e ligar 192, em vez de tentar comparar os sintomas com uma lista.

Dímero-D alto quer dizer que tenho trombose?

Não. Um dímero-D alto significa que a formação e a quebra de coágulos estão ativas em algum lugar do corpo, o que acontece na gravidez, em infecções, depois de cirurgias, no câncer, em doenças do fígado ou dos rins e simplesmente com o avanço da idade. O exame vale pela outra direção: um resultado normal em quem tem risco baixo ou moderado torna um coágulo no pulmão muito improvável, permitindo evitar a tomografia. Um resultado alto não confirma nada sozinho; ele significa que é preciso um exame de imagem para responder direito. Interpretar o número sem o contexto clínico em que ele foi pedido é o erro mais comum dos pacientes com esse exame.

Devo investigar trombofilia depois de uma embolia pulmonar?

Geralmente não de rotina, e quase nunca durante o episódio agudo ou enquanto você toma anticoagulante, porque os dois distorcem os resultados. A investigação é mais útil quando a resposta mudaria algo: coágulo sem gatilho identificável numa pessoa jovem, coágulo em local incomum, perdas gestacionais de repetição ou forte histórico familiar. Quando é feita, costuma ser marcada depois do fim do tratamento, e os resultados devem ser interpretados com um hematologista, e não lidos direto no laudo.

Por quanto tempo vou precisar tomar anticoagulante?

Pelo menos três meses para quase todo mundo. Depois disso, a decisão depende do motivo do coágulo. Se um gatilho temporário, como cirurgia ou voo longo, explica o coágulo e já passou, o tratamento muitas vezes para aos três meses. Se uma condição contínua, como câncer ativo, explica, o tratamento geralmente continua enquanto ela durar. Se nenhum gatilho foi encontrado, muitas vezes se recomenda tratamento prolongado ou por tempo indeterminado, pesado contra o seu risco individual de sangramento. É uma decisão compartilhada, e é razoável perguntar quais são as suas estimativas de recorrência e de sangramento.

Viajar de avião pode causar embolia pulmonar?

Voos longos aumentam o risco um pouco, principalmente por várias horas de imobilidade numa posição apertada, e não pela pressão da cabine. O efeito cresce com a duração do voo, a partir de cerca de quatro horas, e pesa muito mais quando há outros fatores, como cirurgia recente, gravidez, anticoncepcional com estrogênio, obesidade ou um coágulo anterior. Medidas práticas ajudam: caminhe pelo corredor de tempos em tempos, mexa os tornozelos e as panturrilhas sentado, beba água e evite ficar muito tempo de pernas cruzadas. Se você tem vários fatores de risco, pergunte ao seu médico sobre meias de compressão ou outras medidas preventivas antes de viajar. O mesmo vale para longas viagens de ônibus ou de carro.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Trombose — gov.br, 2025 — www.gov.br (em português)
  • Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br, 2025 — www.gov.br (em português)
  • Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tromboembolismo Venoso em Gestantes com Trombofilia — gov.br — www.gov.br (em português)
  • Centers for Disease Control and Prevention — About Venous Thromboembolism (Blood Clots), 2024 — www.cdc.gov (em inglês)
  • MedlinePlus, National Library of Medicine — Pulmonary Embolism, 2026 — medlineplus.gov (em inglês)
  • Mayo Clinic — Pulmonary embolism: symptoms and causes, 2024 — www.mayoclinic.org (em inglês)
  • van Es N, Takada T, Kraaijpoel N, et al. — Diagnostic management of acute pulmonary embolism: a prediction model based on a patient data meta-analysis — European Heart Journal, 2023 — doi.org/10.1093/eurheartj/ehad417 (em inglês)
  • Righini M, Robert-Ebadi H, Le Gal G — Age-adjusted and clinical probability adapted D-dimer cutoffs to rule out pulmonary embolism: a narrative review of clinical trials — Journal of Clinical Medicine, 2024 — doi.org/10.3390/jcm13123441 (em inglês)
  • Robert-Ebadi H, Combescure C, Bulla O, et al. — Different D-dimer assays with age-adjusted cutoffs to exclude pulmonary embolism: secondary analysis of the ADJUST-PE study — Journal of Thrombosis and Haemostasis, 2025 — doi.org/10.1016/j.jtha.2025.04.007 (em inglês)
  • Eischer L, Kyrle PA, Kaider A, et al. — The incidence of early recurrent venous thromboembolism: a systematic review and meta-analysis — Research and Practice in Thrombosis and Haemostasis, 2025 — doi.org/10.1016/j.rpth.2025.103317 (em inglês)
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