HAS: o que significa hipertensão arterial sistêmica e como ler a pressão

HAS significa hipertensão arterial sistêmica, o nome técnico da pressão alta. É uma das siglas mais comuns em prontuários, receitas e encaminhamentos no Brasil: quando o médico escreve “HAS” na lista de problemas do paciente, quer dizer que a força do sangue contra a parede das artérias fica, de forma persistente, acima do saudável, obrigando o coração a trabalhar mais do que deveria. Em documentos de língua inglesa, a mesma condição aparece como HTN (hypertension). A HAS é muito frequente: segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, cerca de 28 % dos adultos das capitais brasileiras relatam o diagnóstico no inquérito VIGITEL de 2023, e a proporção passa de 65 % acima dos 65 anos. Como a maioria das pessoas com pressão alta se sente normal, a sigla aparece muito no prontuário mesmo sem sintoma algum. Este guia explica em linguagem simples o que significa HAS, como a pressão é classificada no Brasil, o que aumenta o risco, como o diagnóstico e o tratamento são feitos e quando um valor vira emergência.
HAS: o que significa a sigla no prontuário
HAS é a abreviação de hipertensão arterial sistêmica, e os profissionais a usam como atalho em prontuários, receitas e pedidos de exame. Você também pode ver só “HA” (hipertensão arterial), como faz a própria diretriz brasileira, ou expressões como “paciente hipertenso”. A sigla costuma aparecer na lista de doenças crônicas ao lado de outras, como “DM” para diabetes mellitus. A palavra junta “hiper”, que quer dizer excesso, e “tensão”, no sentido de pressão dentro das artérias; “sistêmica” indica que se trata da pressão na circulação do corpo todo, e não só nos pulmões. Ou seja, HAS é pressão arterial elevada, e não “tensão nervosa”, apesar de a palavra “tensão” confundir no dia a dia.
A pressão arterial é registrada com dois números, a sistólica sobre a diastólica, medidos em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro número, a pressão sistólica, é a pressão nas artérias quando o coração se contrai e empurra o sangue. O segundo, a diastólica, é a pressão quando o coração relaxa entre um batimento e outro. Uma medida de “12 por 8”, escrita 120/80 mmHg, significa sistólica de 120 e diastólica de 80. Quando esses números ficam elevados em medidas repetidas, o médico pode registrar HAS no prontuário.
Qual é a tabela de pressão arterial atualizada no Brasil
A tabela de referência no Brasil é a da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 (Sociedade Brasileira de Cardiologia, com as sociedades de hipertensão e de nefrologia), válida a partir dos 18 anos e baseada na medida feita no consultório. Ela mudou em relação à versão de 2020: a categoria “PA ótima” deixou de existir, e valores de 120 a 129 por 80 a 84, antes chamados de normais, passaram a ser classificados como pré-hipertensão.
| Classificação (DBHA 2025) | Sistólica (mmHg) | Diastólica (mmHg) | |
|---|---|---|---|
| Pressão normal | abaixo de 120 | e | abaixo de 80 |
| Pré-hipertensão | 120 a 139 | e/ou | 80 a 89 |
| Hipertensão estágio 1 | 140 a 159 | e/ou | 90 a 99 |
| Hipertensão estágio 2 | 160 a 179 | e/ou | 100 a 109 |
| Hipertensão estágio 3 | 180 ou mais | e/ou | 110 ou mais |
A classificação segue o número mais alto: se a sistólica estiver numa faixa e a diastólica em outra, vale a mais grave. Nos Estados Unidos, a American Heart Association usa cortes um pouco diferentes (lá, 130/80 já é hipertensão estágio 1), o que explica por que textos estrangeiros às vezes trazem números que não batem com os do seu médico. Não existe uma tabela diferente “por idade” para adultos em 2026: a mesma classificação vale a partir dos 18 anos, e em crianças e adolescentes a avaliação usa percentis por idade, sexo e altura.
Pelo critério brasileiro, o diagnóstico de HAS é feito quando a pressão no consultório fica em 140/90 mmHg ou mais em duas ocasiões diferentes, porque a pressão varia naturalmente com atividade, estresse, café e até a hora do dia. Uma medida alta isolada no consultório, às vezes causada pelo nervosismo com o médico (o chamado efeito do avental branco), não significa automaticamente que a pessoa tem HAS. Por isso as medidas fora do consultório, comentadas adiante, ganharam tanta importância para confirmar o diagnóstico.
O que causa a hipertensão arterial sistêmica
A maioria dos casos de HAS é do tipo chamado primário ou essencial, que se desenvolve aos poucos ao longo dos anos, sem uma causa única identificável. Vários fatores se somam. A idade pesa porque as artérias endurecem com o tempo, o que aumenta a pressão sistólica. A história familiar também conta, já que a genética influencia como o corpo regula o sódio, o volume de líquidos e o tônus dos vasos.
O estilo de vida contribui muito. Uma alimentação rica em sódio (sal) faz o corpo reter mais líquido, aumentando o volume de sangue que o coração precisa bombear; a diretriz brasileira recomenda reduzir o sódio e aumentar o potássio da dieta, exceto em quem tem doença renal crônica. Pouca atividade física, excesso de peso, consumo elevado de álcool e estresse crônico mal controlado também elevam a pressão com o tempo. Distúrbios do sono, sobretudo a apneia do sono não tratada, são cada vez mais reconhecidos como contribuintes pouco lembrados.
Uma parte menor dos casos, a hipertensão secundária, vem de uma condição identificável, como doença dos rins, distúrbios hormonais das glândulas suprarrenais, alguns anticoncepcionais, descongestionantes nasais ou estreitamento das artérias que irrigam os rins. A hipertensão secundária muitas vezes melhora quando a causa é tratada, e é por isso que o médico investiga valores muito altos ou de início súbito, em vez de presumir sempre a forma primária.
Como o médico faz o diagnóstico de HAS
O diagnóstico começa por uma medida bem feita, porque um manguito do tamanho errado, uma medida apressada ou um cafezinho recente distorcem o resultado. O profissional costuma pedir que a pessoa fique sentada, em silêncio, com as costas apoiadas e os pés no chão por alguns minutos, com o braço apoiado na altura do coração. Duas ou mais medidas são feitas e se faz a média, e o processo é repetido numa consulta seguinte antes de fechar o diagnóstico. Em idosos, diabéticos e pessoas em uso de anti-hipertensivos, a diretriz recomenda medir também deitado e em pé, para identificar queda de pressão ao levantar.
Além das medidas no consultório, muitos médicos indicam a MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial), um aparelho usado por 24 horas que mede a pressão automaticamente durante o dia e a noite, ou a MRPA (monitorização residencial da pressão arterial), feita em casa com aparelho validado seguindo um protocolo. Esses métodos mostram um quadro mais completo do que uma consulta isolada e ajudam a identificar a hipertensão do avental branco, em que a pressão só sobe no consultório, e a hipertensão mascarada, em que o consultório mostra valores normais mas as medidas em casa estão altas. Pela diretriz brasileira, a hipertensão do avental branco atinge de 7 % a 15 % dos pacientes, e a mascarada de 8 % a 22 %.
Confirmada a HAS, o médico pede exames para avaliar o impacto da pressão nos órgãos e afastar causas secundárias. A Diretriz Brasileira de 2025 lista como exames de rotina na primeira consulta, e no mínimo uma vez por ano: exame de urina, potássio, creatinina com cálculo da taxa de filtração glomerular, relação albumina/creatinina ou proteína/creatinina na urina, glicemia de jejum e hemoglobina glicada (se houver risco de diabetes), colesterol total e frações e triglicérides, ácido úrico e eletrocardiograma. Esses exames ajudam a montar o quadro completo do risco cardiovascular, em vez de olhar só o número da pressão.
Como a hipertensão é tratada
O tratamento da HAS começa pelas mudanças de estilo de vida, que continuam valendo mesmo para quem também precisa de remédio. Reduzir o sal, seguir uma alimentação rica em frutas, verduras, grãos integrais e laticínios com pouca gordura, fazer exercício moderado regular, limitar o álcool, manter um peso saudável e controlar o estresse baixam a pressão de forma significativa em muitas pessoas. Pela diretriz brasileira, quem tem pressão de 120/80 mmHg ou mais já deve adotar essas medidas.
Quando só as mudanças de hábito não bastam, os remédios entram em cena. A diretriz de 2025 recomenda iniciar o tratamento medicamentoso junto com o não medicamentoso quando a pressão no consultório é de 140/90 mmHg ou mais, e considerá-lo na faixa de 130–139/80–89 mmHg quando o risco cardiovascular é alto. Várias classes de remédio são usadas, muitas vezes combinadas: diuréticos, que ajudam os rins a eliminar sódio e água; inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores da angiotensina, que relaxam os vasos; bloqueadores dos canais de cálcio, que diminuem a tensão na parede das artérias; e betabloqueadores, que reduzem o trabalho do coração. A combinação certa depende de outras condições, como diabetes ou doença renal, e da resposta da pressão ao longo do tempo. No SUS, o cuidado da HAS segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) aprovado pelo Ministério da Saúde em 2025.
Para quem continua com a pressão difícil de controlar apesar de vários remédios, situação chamada de hipertensão resistente, pesquisadores estudam abordagens com dispositivos como complemento. Uma delas, a denervação renal, usa um cateter para acalmar sinais nervosos hiperativos entre os rins e o cérebro que contribuem para a pressão alta persistente; o assunto aparece na seção de avanços científicos abaixo.
Como viver com HAS: medidas em casa e cuidado diário
Como a hipertensão costuma não dar sintomas, o acompanhamento contínuo é o centro do cuidado. Muita gente mede a pressão em casa com aparelho automático de braço, preferível aos de pulso pela precisão, segundo a American Heart Association. Anotar as medidas da manhã e da noite e levar essa lista às consultas dá ao médico um retrato muito mais claro do que as medidas do consultório sozinhas. Na UBS, a pressão também pode ser aferida pela equipe de enfermagem entre as consultas.
Hábitos que ajudam a manter a pressão saudável incluem sono regular, atividade física, como caminhada rápida na maioria dos dias, e atenção ao sódio, já que muitos alimentos industrializados e de restaurante têm muito mais sal do que se imagina. Tomar o remédio receitado com regularidade, mesmo quando a pressão melhora, é tão importante quanto começar, porque parar de repente pode fazer a pressão subir de novo. As consultas de retorno permitem ajustar o tratamento conforme a vida muda, com variação de peso, novos remédios para outras doenças ou o envelhecimento.
Qual nível de pressão alta é preocupante e quando ir à emergência
Pressão de 180 por 110 mmHg ou mais é preocupante e pede avaliação no mesmo dia. A diretriz brasileira chama de crise hipertensiva a elevação aguda e importante da pressão. Quando esse valor vem sem sinais de lesão de órgãos, o termo atual é “elevação importante da pressão arterial sem lesão de órgão-alvo” (antes chamada de urgência hipertensiva): o tratamento é feito com remédios por via oral e reavaliação em 1 a 7 dias. Quando vem com lesão aguda de órgãos, é uma emergência hipertensiva, com risco imediato de vida, que exige atendimento hospitalar. Se a pressão estiver muito alta junto com algum dos sinais abaixo, ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro:
| Sinal de alerta | Por que importa |
|---|---|
| Dor no peito | Pode indicar falta de sangue no músculo do coração |
| Falta de ar | Pode indicar sobrecarga do coração ou líquido nos pulmões |
| Dor de cabeça forte com alteração da visão | Pode refletir efeito da pressão sobre o cérebro ou os olhos |
| Dormência, fraqueza ou dificuldade para falar | Sinais clássicos de possível AVC |
| Dor nas costas forte e súbita | Raramente, pode indicar um problema na aorta, a principal artéria do corpo |
Esses sintomas sugerem que a pressão muito alta pode já estar lesando o coração, o cérebro, os rins ou grandes vasos, e esperar pode agravar o dano. Não espere para ver se passa: trate essa combinação como emergência todas as vezes. Qual é a pressão que pode dar um AVC? Não existe um número exato: o risco de AVC cresce de forma contínua à medida que a pressão sobe, e é por isso que mesmo valores na faixa de pré-hipertensão merecem atenção a longo prazo.
Complicações da hipertensão não controlada
Quando a pressão fica alta por anos sem tratamento adequado, ela vai lesando os vasos e os órgãos que eles irrigam. No Brasil, a hipertensão é o principal fator de risco ligado às mortes por doenças cardiovasculares, e a Organização Mundial da Saúde estimou que 54 % dessas mortes no país em 2019 seriam atribuíveis a ela, como cita a diretriz brasileira. O coração costuma ser o primeiro afetado, porque precisa bombear contra uma resistência sempre maior: o músculo engrossa e pode evoluir para insuficiência cardíaca, quando o coração já não bombeia de forma eficiente para as necessidades do corpo. A hipertensão não controlada também é uma das principais causas de infarto, porque acelera o acúmulo de placas nas artérias coronárias.
O cérebro e os rins são igualmente vulneráveis. A pressão alta persistente pode enfraquecer ou entupir os vasos do cérebro, aumentando o risco de AVC, e pesquisas ligam cada vez mais a hipertensão da meia-idade a maior risco de declínio cognitivo mais tarde. Nos rins, a pressão alta lesa as pequenas unidades de filtração, contribuindo para a doença renal crônica; como os rins também regulam a pressão, cria-se um ciclo em que uma condição piora a outra. Os olhos também podem ser afetados, porque os pequenos vasos da retina são sensíveis à pressão elevada mantida.
Avanços científicos recentes
Uma revisão internacional de 2024 comparou as diretrizes de 2023 da Sociedade Europeia de Hipertensão com diretrizes regionais de vários países asiáticos e encontrou concordância nos princípios centrais, destacando que os limites para começar o tratamento podem variar de forma razoável entre populações (Sukonthasarn et al., 2024, European Journal of Internal Medicine, DOI). Em termos simples, o número exato a partir do qual o médico recomenda remédio não é idêntico no mundo todo, mas o objetivo de reduzir o risco cardiovascular a longo prazo é o mesmo em todas as grandes sociedades médicas. É o mesmo motivo pelo qual a tabela brasileira difere um pouco da americana. Confiabilidade: trata-se de uma comparação de evidências já existentes, e não de um novo ensaio.
Um grande estudo com adultos chineses, acompanhados por mais de 11 anos em média, mostrou que pessoas com pressão sistólica de 130 a 139 mmHg ou diastólica de 80 a 89 mmHg (o “estágio 1” pela classificação americana de 2017; no Brasil, a parte alta da pré-hipertensão) tinham risco significativamente maior de AVC, infarto e morte por qualquer causa do que pessoas com pressão normal, e que quem recebia tratamento anti-hipertensivo tinha risco menor do que quem não recebia (Gao et al., 2023, Chinese Medical Journal, DOI). Para quem acabou de ouvir que tem a pressão “só um pouco alta”, a mensagem prática é que valores logo acima do normal merecem atenção, com mudança de hábitos ou remédio quando indicado, já que o estudo acompanhou mais de 100 mil pessoas por muito tempo. Confiabilidade: é um estudo observacional grande e longo, forte para mostrar associação, mas que não prova causa e efeito como um ensaio randomizado.
Um ensaio piloto randomizado de 2026, o REMOTE-control-HTN, testou se juntar a medida da pressão em casa a contatos telefônicos regulares com o médico, cerca de duas vezes por mês, melhorava o controle da pressão em comparação com o cuidado habitual (Sagmeister et al., 2026, European Heart Journal Open, DOI). Em seis meses, o grupo de telemedicina teve queda maior da pressão e passou mais tempo dentro da meta. Na prática, contatos mais frequentes e organizados com o médico, mesmo por telefone, somados a medidas confiáveis em casa, podem ajudar a atingir a meta mais rápido do que consultas espaçadas. Confiabilidade: foi um estudo pequeno, com 60 pacientes de um único centro; os resultados são promissores, mas precisam de confirmação em estudos maiores.
Em paralelo, pesquisas com dispositivos estudam a denervação renal, procedimento com cateter que usa energia de ultrassom para acalmar sinais nervosos hiperativos em volta dos vasos dos rins, como opção adicional para quem continua com a pressão difícil de controlar apesar dos remédios. Vários estudos registrados no ClinicalTrials.gov, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, acompanham pacientes tratados assim, incluindo um estudo de acesso continuado com resultados de longo prazo (ClinicalTrials.gov, NCT05017935) e um estudo pivotal em hipertensão estágio 2 (ClinicalTrials.gov, NCT03614260). Em linguagem simples, é uma opção baseada em procedimento, ainda em estudo, para quem não responde bem aos comprimidos e às mudanças de hábito, e não um substituto do tratamento padrão. Confiabilidade: são ensaios em andamento, ainda reunindo dados de longo prazo.
Seus exames de laboratório no contexto da HAS
A hipertensão raramente vem sozinha. O médico costuma pedir exames junto com o controle da pressão porque a função dos rins, o colesterol e o açúcar no sangue interagem de perto com o risco cardiovascular. O resultado da creatinina no sangue e da taxa de filtração glomerular estimada ajudam a avaliar como os rins filtram os resíduos, o que importa porque pressão e rins influenciam um ao outro nos dois sentidos. A relação albumina/creatinina na urina pode mostrar sofrimento renal inicial causado pela pressão alta antes de qualquer sintoma.
Os eletrólitos também importam para quem trata a HAS, especialmente com diuréticos. Conferir o sódio no sangue e o potássio no sangue ajuda a confirmar que o equilíbrio de líquidos e minerais segue estável durante o tratamento. O colesterol está muito ligado à hipertensão, já que os dois aumentam juntos o risco cardiovascular; ver o colesterol LDL, o colesterol HDL ou o colesterol total completa o quadro. Por fim, a glicemia de jejum rastreia o diabetes, que aparece com frequência junto com a hipertensão e soma riscos.
Perguntas frequentes
Qual o conceito de HAS?
HAS, ou hipertensão arterial sistêmica, é uma condição crônica em que a pressão nas artérias fica persistentemente elevada. No Brasil, o diagnóstico é feito quando a pressão medida no consultório fica em 140/90 mmHg ou mais em duas ocasiões diferentes, ou quando as medidas fora do consultório (MAPA ou MRPA) confirmam valores elevados.
HAS é a mesma coisa que pressão alta?
Sim. HAS é a sigla médica de hipertensão arterial sistêmica, e hipertensão é o nome clínico da pressão alta. Os dois termos descrevem exatamente a mesma condição; HAS é só a forma abreviada usada em prontuários e receitas.
A hipertensão tem cura ou só controle?
A hipertensão primária, a forma mais comum, costuma ser controlada, e não curada, porque surge de uma combinação de genética, envelhecimento e hábitos que não desaparece por completo. Ainda assim, muitas pessoas trazem a pressão para a faixa saudável com tratamento regular e mudanças de estilo de vida. A hipertensão secundária, causada por uma condição identificável, às vezes some quando essa causa é tratada.
Qual a diferença entre hipertensão e crise hipertensiva?
Hipertensão é a pressão que fica elevada em medidas repetidas, a partir de 140/90 mmHg pelo critério brasileiro. Crise hipertensiva é uma elevação aguda e importante, em geral a partir de 180/110 mmHg, situação muito mais urgente, sobretudo se vier com dor no peito, falta de ar, alteração da visão ou sinais de AVC.
Qual é o protocolo do Ministério da Saúde para crises hipertensivas?
O Ministério da Saúde orienta o cuidado da HAS no SUS pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica, e a conduta detalhada nas crises está descrita na Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025. Para o paciente, a regra prática é simples: pressão muito alta com sintomas de alarme é emergência, e o caminho é o SAMU (192) ou o pronto-socorro.
A pressão alta sempre dá sintomas?
Não, e esse é um dos pontos mais importantes. A maioria das pessoas com pressão elevada se sente totalmente normal, por isso a hipertensão é chamada de doença silenciosa. Medir a pressão regularmente, e não esperar sintomas, é a única forma confiável de descobri-la cedo.
Com que frequência devo medir a pressão?
Adultos com pressão normal costumam medir pelo menos uma vez por ano, numa consulta de rotina. Quem tem valores na faixa de pré-hipertensão, história familiar ou diagnóstico de HAS geralmente mede com mais frequência, às vezes diariamente em casa, conforme a orientação do médico.
Estresse sozinho causa hipertensão?
O estresse momentâneo sobe a pressão por pouco tempo, mas não é considerado causa direta da hipertensão crônica. O estresse prolongado e mal controlado, porém, favorece hábitos como dormir mal, comer demais ou se exercitar pouco, que aumentam o risco a longo prazo; por isso o controle do estresse costuma fazer parte do tratamento.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| HAS | Sigla de hipertensão arterial sistêmica, ou pressão alta; em inglês, HTN. |
| Pressão sistólica | O número de cima da medida, que mostra a pressão quando o coração bate. |
| Pressão diastólica | O número de baixo, que mostra a pressão quando o coração relaxa entre os batimentos. |
| mmHg | Milímetros de mercúrio, a unidade usada para medir a pressão arterial. |
| Pré-hipertensão | Pela diretriz brasileira de 2025, pressão entre 120–139 e/ou 80–89 mmHg, faixa de risco que pede mudança de hábitos. |
| Hipertensão primária | Hipertensão que surge aos poucos por uma mistura de fatores genéticos e de estilo de vida, sem causa única. |
| Hipertensão secundária | Hipertensão causada por uma condição identificável, como doença renal ou distúrbio hormonal. |
| Hipertensão do avental branco | Pressão que fica alta só no consultório, enquanto as medidas em casa são normais. |
| Hipertensão resistente | Hipertensão que continua acima da meta apesar do uso de vários remédios em doses adequadas. |
| Crise hipertensiva | Elevação aguda e importante da pressão, em geral a partir de 180/110 mmHg, que exige avaliação rápida. |
| MAPA e MRPA | Monitorização ambulatorial (24 horas, com aparelho) e residencial (em casa, com protocolo) da pressão arterial. |
Fontes
- Centers for Disease Control and Prevention — About High Blood Pressure — CDC High Blood Pressure, 2026 (em inglês) — cdc.gov
- MedlinePlus, National Library of Medicine — High Blood Pressure — MedlinePlus Health Topic, 2026 (em inglês) — medlineplus.gov
- American Heart Association — Understanding Blood Pressure Readings — AHA High Blood Pressure, 2025 (em inglês) — heart.org
- Sukonthasarn A, Borghi C, Chan YH, et al. — East meets West: Bringing the ESH 2023 hypertension guidelines into Asia — European Journal of Internal Medicine, 2024 (em inglês) — doi.org
- Gao Q, Li L, Bai J, et al. — Association of stage 1 hypertension defined by the 2017 ACC/AHA guideline with cardiovascular events and mortality in Chinese adults — Chinese Medical Journal, 2023 (em inglês) — doi.org
- Sagmeister P, Fischer N, Eckert D, et al. — Physician-led telemedical care enhances blood pressure control in hypertension: a randomized-controlled pilot study (REMOTE-control-HTN) — European Heart Journal Open, 2026 (em inglês) — doi.org
- ClinicalTrials.gov, U.S. National Institutes of Health — RADIANCE II Pivotal Study: A Study of the ReCor Medical Paradise System in Stage II Hypertension — NCT03614260 (em inglês) — clinicaltrials.gov
- ClinicalTrials.gov, U.S. National Institutes of Health — RADIANCE Continued Access Protocol: A Study of the ReCor Medical Paradise System in Clinical Hypertension — NCT05017935 (em inglês) — clinicaltrials.gov
- Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. — Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025;122(9):e20250624 (DOI 10.36660/abc.20250624) — pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica — gov.br, 2025 — gov.br
- Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br — gov.br
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