O exame de antitrombina (no Brasil, quase sempre pedido como “antitrombina III”, “dosagem funcional de antitrombina” ou “atividade do cofator heparínico”) mede se uma proteína anticoagulante natural do sangue, a antitrombina, está funcionando bem. Ele ajuda o médico a entender por que alguém forma coágulos com facilidade demais ou, mais raramente, por que um anticoagulante como a heparina não está fazendo o efeito esperado. O exame faz parte da família de testes da coagulação, a mesma do coagulograma (TP/INR e TTPA), mas olha para outra peça do quebra-cabeça: o “freio” natural do corpo, e não o “acelerador”. Este guia explica o que a antitrombina faz, por que o exame é pedido, como ler os valores de referência, o que resultados altos ou baixos podem significar e quando sinais de trombose pedem atendimento rápido.

O que o exame de antitrombina mede

A antitrombina é uma pequena proteína produzida principalmente pelo fígado, que circula o tempo todo no sangue. A função dela é inibir, ou frear, várias proteínas da coagulação, sobretudo a trombina e o fator Xa. A coagulação é um processo normal e necessário, que estanca o sangramento depois de um ferimento, mas o corpo precisa de um contrapeso para que coágulos não se formem à toa dentro de vasos intactos. A antitrombina faz parte desse contrapeso, junto com as proteínas C e S.

O exame de atividade da antitrombina verifica se a antitrombina presente na amostra funciona corretamente, e não apenas quantas moléculas existem. Um exame vizinho, o antígeno da antitrombina, mede a quantidade da proteína sem confirmar se ela funciona. Pedir os dois juntos ajuda a diferenciar uma falta real de antitrombina de uma quantidade normal que não funciona bem.

Como o exame de antitrombina é feito

O exame é feito com uma coleta de sangue da veia, em geral do braço, num tubo com citrato de sódio (o tubo de tampa azul usado nos exames de coagulação), que impede a amostra de coagular antes da análise. O laboratório centrifuga a amostra para separar o plasma das células, porque a medida é feita no plasma. A maioria dos laboratórios usa um método cromogênico, como informa o guia de exames da DB Diagnósticos: acrescenta-se fator Xa e uma substância que muda de cor ao plasma e mede-se quanta cor aparece. Como a antitrombina bloqueia o fator Xa, menos cor significa mais atividade, e mais cor significa menos.

O preparo varia de um laboratório para outro: a Rede D’Or informa que o exame geralmente não exige jejum, enquanto a DB Diagnósticos aconselha jejum de 4 horas. Siga sempre a orientação do laboratório onde você vai coletar. Quem usa heparina, varfarina ou os anticoagulantes orais mais novos, como rivaroxabana ou apixabana, deve avisar o médico e o laboratório, porque esses remédios podem distorcer o resultado; o mesmo vale para anticoncepcionais. O resultado costuma sair em 1 a 3 dias úteis, conforme o laboratório, e em geral fica disponível no site ou aplicativo do laboratório.

Para que serve o exame de antitrombina

O exame de antitrombina serve, principalmente, para investigar trombofilia, a tendência aumentada a formar coágulos. O médico costuma pedi-lo depois de um coágulo sem explicação, sobretudo uma trombose venosa profunda na perna ou uma embolia pulmonar, principalmente se aconteceu em idade jovem, se repetiu ou se há casos na família. Também é pedido na investigação de perdas gestacionais sem causa aparente, já que distúrbios da coagulação às vezes têm papel nelas, e quando um paciente em uso de heparina precisa de doses muito altas para atingir o efeito, situação chamada de resistência à heparina.

No hospital, o médico pode dosar a antitrombina em pacientes graves com suspeita de coagulação intravascular disseminada (CIVD), condição séria em que os sistemas de coagulação e de sangramento ficam desequilibrados no corpo todo ao mesmo tempo. A antitrombina tende a cair na CIVD porque é consumida mais rápido do que o fígado consegue repor, então acompanhá-la acrescenta informação aos outros exames de coagulação.

Motivos mais comuns para pedir o exame

O exame é pedido em algumas situações clínicas que se repetem, e não como rastreamento de rotina para a população em geral.

  • Primeiro coágulo antes dos 50 anos sem causa evidente, como cirurgia recente ou longa imobilização
  • Coágulos que se repetem, ou muitos casos de trombose na família
  • Coágulos em locais incomuns, como veias do abdome
  • Suspeita ou confirmação de resistência à heparina durante uma internação
  • Avaliação de CIVD em pacientes graves, muitas vezes junto com um painel mais amplo que pode incluir a capacidade total de ligação do ferro quando também há suspeita de anemia ou perda de proteínas
  • Perdas gestacionais de repetição sem explicação, às vezes avaliadas junto com outros fatores da coagulação

Qual o valor normal de antitrombina III

Na maioria dos laboratórios, o valor de referência da atividade da antitrombina em adultos fica entre cerca de 80 % e 130 % da atividade de um plasma normal de referência. Os valores podem variar um pouco conforme o método, por isso o número impresso no seu laudo, que por norma da ANVISA deve trazer os valores de referência do próprio laboratório, vale sempre mais do que qualquer número geral. Resultados abaixo da faixa sugerem função reduzida; resultados acima são menos comuns e, sozinhos, costumam ter pouca importância clínica.

Recém-nascidos, principalmente os prematuros, têm atividade naturalmente mais baixa, que sobe até o nível adulto nos primeiros meses de vida, por isso os valores pediátricos são diferentes. A tabela resume faixas típicas de adultos e interpretações gerais; seu médico sempre interpreta o resultado junto com sua história e outros exames.

Atividade da antitrombinaInterpretação geralContexto possível
Acima de 130 %Atividade acima do habitualEm geral sem grande importância clínica; às vezes visto com alguns anticoagulantes ou inflamação
80 % a 130 %Faixa típica do adultoConsiderada dentro da normalidade na maioria dos laboratórios
70 % a 79 %Levemente reduzidaPode refletir pequena variação hereditária ou causas adquiridas leves; muitas vezes pede repetição
40 % a 70 %Reduzida de forma moderada a importanteFaixa frequente na deficiência hereditária ou em deficiências adquiridas relevantes (doença do fígado, uso de heparina, CIVD)
Abaixo de 40 %Muito reduzidaIncomum; costuma levar a avaliação clínica urgente, em geral no contexto de doença aguda grave

O que significa antitrombina alta ou baixa

A antitrombina baixa é o achado mais importante e pode ter causa hereditária ou adquirida. A deficiência hereditária é uma condição genética causada por alterações no gene SERPINC1, que contém as instruções para fabricar a antitrombina. Quem tem essa condição costuma nascer com atividade entre 40 % e 70 % do normal e tem, por toda a vida, risco maior de formar coágulos, sobretudo trombose venosa profunda e embolia pulmonar, muitas vezes a partir da adolescência ou do início da vida adulta.

A deficiência adquirida é bem mais comum que a hereditária e pode vir de várias situações: o próprio tratamento com heparina, que acelera o consumo da antitrombina; doenças do fígado, já que é ele que fabrica a antitrombina, e o médico costuma olhar enzimas como a AST (TGO) ao investigar a causa; a síndrome nefrótica, doença dos rins em que se perde proteína na urina; a CIVD; infecções e inflamações graves; e alguns quimioterápicos. Na maioria dos casos adquiridos, o valor baixo funciona mais como um marcador de quão doente a pessoa está do que como causa isolada e direta de trombose, embora possa contribuir para o risco.

A antitrombina alta é menos comum e tem significado clínico menos definido. Ela pode aparecer durante o uso de inibidores diretos do fator Xa, como rivaroxabana ou apixabana, que interferem no método cromogênico e geram um valor falsamente elevado. Um resultado alto isolado, sem sintomas, em geral não exige tratamento, mas o médico pode repetir o exame ou investigar interferência de remédios.

Heparina e antitrombina: por que andam juntas

A antitrombina e o anticoagulante heparina trabalham em equipe. Sozinha, a antitrombina inibe a trombina e o fator Xa num ritmo lento e moderado. A heparina se liga à antitrombina e muda um pouco a forma dela, o que acelera a ação inibidora em cerca de mil vezes. É exatamente por isso que a heparina só funciona como anticoagulante quando há antitrombina funcionante suficiente no sangue: ela turbina um mecanismo que a antitrombina já tem, em vez de agir sozinha. Não por acaso, os laboratórios brasileiros chamam o exame também de “atividade do cofator heparínico”.

Essa relação explica a resistência à heparina, quando o paciente precisa de doses muito altas para atingir o efeito anticoagulante adequado. Segundo uma revisão de 2024 publicada no The Journal of Extra-Corporeal Technology, a resistência à heparina durante cirurgias cardíacas pode ter vários mecanismos, e a deficiência de antitrombina é um dos mais citados, junto com a interferência de uma proteína das plaquetas chamada fator plaquetário 4 e a eliminação mais rápida da heparina. Quando a antitrombina baixa contribui, as opções incluem dar mais heparina, administrar plasma fresco congelado ou repor a antitrombina com um concentrado.

Avanços científicos recentes

O interesse pela antitrombina cresceu em algumas áreas clínicas, especialmente a cirurgia cardíaca e o trauma grave, e os pesquisadores tentam esclarecer quando repor a antitrombina ajuda e quando não muda o desfecho.

Uma linha de pesquisa avaliou se repor a antitrombina realmente ajuda pacientes operados. Uma análise de 2023, publicada na Anesthesia and Analgesia e indexada no PubMed, revisou anos de dados sobre a suplementação depois de cirurgias cardíacas. Em termos simples, pacientes com níveis baixos após a operação tinham mais complicações, mas, quando a antitrombina foi dada para corrigir esses níveis em ensaios randomizados, os desfechos não melhoraram, e em alguns estudos houve mais lesão renal. Para o leitor, um resultado baixo depois de uma cirurgia grande é melhor entendido como sinal de que o corpo passou por muito estresse, como uma febre que indica que o corpo está combatendo algo, e não como um problema a corrigir automaticamente com mais antitrombina. A confiabilidade é razoavelmente boa, porque a análise se apoia em vários estudos prospectivos e randomizados (DOI: 10.1213/ANE.0000000000006314).

Uma segunda área estuda uma causa mais nova e específica de resistência à heparina, ligada à andexanete alfa, remédio usado para reverter alguns anticoagulantes em sangramentos de emergência. O mecanismo proposto é que a andexanete não consome a antitrombina, mas se prende à antitrombina já ligada à heparina e a tira de ação. Na prática, pacientes que recebem esse antídoto antes de uma cirurgia cardíaca urgente podem ter o sangue “resistente” à anticoagulação necessária para a circulação extracorpórea, às vezes exigindo doses muito altas de heparina ou antitrombina extra. Uma revisão rápida de 2025 no Journal of Thrombosis and Haemostasis analisou catorze casos documentados e observou que dar concentrado de antitrombina antes de o efeito do antídoto se instalar por completo parecia ajudar a manter tempos de coagulação mais seguros, embora os autores lembrem que ainda faltam pesquisas mais estruturadas (DOI: 10.1016/j.jtha.2025.01.008).

Um terceiro estudo olhou para a antitrombina fora da cirurgia, em pacientes com traumatismo craniano. A pesquisa, publicada na Frontiers in Immunology, acompanhou 49 pacientes com lesão cerebral traumática isolada e mediu vários marcadores da coagulação poucas horas depois do trauma. Em linguagem simples, quem tinha antitrombina mais baixa logo após o trauma tinha chance bem maior de má recuperação seis meses depois, e esse marcador foi um preditor individual mais forte do que vários outros testados, incluindo a escala de coma de Glasgow medida à beira do leito. Isso sugere que a antitrombina reflete como a coagulação e a inflamação respondem a uma lesão grave, mas os próprios autores lembram que foi um estudo de um único centro, com poucos pacientes; a confiabilidade é moderada e precisa de confirmação em estudos maiores (DOI: 10.3389/fimmu.2022.981826).

Quando procurar o médico por risco de trombose

A maioria das pessoas nunca precisa desse exame, e um resultado alterado isolado raramente é emergência por si só. Alguns sintomas de coágulo, porém, pedem avaliação rápida, principalmente se você ou um familiar próximo tem história de distúrbio da coagulação.

Procure atendimento no mesmo dia se tiver sinais de trombose venosa profunda, que costuma aparecer na perna: inchaço, calor, vermelhidão ou dor numa perna, surgidos sem trauma evidente, principalmente de um lado só. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro imediatamente se houver sinais de embolia pulmonar, quando um coágulo chega ao pulmão: falta de ar súbita, dor no peito em pontada que piora ao respirar, coração acelerado ou tosse com sangue. O médico confirma esses coágulos com exames de imagem dos vasos, como a angiotomografia, que mostra obstruções nos vasos, junto com exames de sangue. Esses sintomas precisam de atenção urgente, tendo você feito ou não o exame de antitrombina.

Também é razoável conversar com o médico sobre o exame se você teve um coágulo antes dos 50 anos sem gatilho claro, se dois ou mais parentes próximos tiveram trombose ou um distúrbio hereditário da coagulação, ou se planeja engravidar e tem forte história familiar, já que alguns riscos de trombose pesam mais na gravidez e nas semanas após o parto. No SUS, esse tipo de investigação costuma passar pelo encaminhamento ao hematologista; pelo plano de saúde ou no particular, o exame precisa de pedido médico na maioria dos laboratórios.

O que leva a pessoa a ter trombofilia?

A trombofilia pode ser hereditária, quando a pessoa herda alterações genéticas como a deficiência de antitrombina, de proteína C ou de proteína S, ou o fator V de Leiden, ou adquirida, quando surge por condições como a síndrome antifosfolípide, câncer, doenças do fígado ou dos rins, gravidez e uso de hormônios com estrogênio. Muitas vezes, fatores herdados e adquiridos se somam.

O que pode alterar o resultado

Várias situações, além de um distúrbio de base, podem mudar o resultado da antitrombina, por isso o médico interpreta um valor isolado dentro do quadro clínico completo.

  • Uso de heparina, que pode baixar temporariamente o valor durante o tratamento
  • Anticoagulantes orais inibidores do fator Xa, como rivaroxabana, apixabana e edoxabana, que podem elevar falsamente o valor e esconder uma deficiência real
  • Gravidez, que causa mudanças modestas e geralmente temporárias em várias proteínas da coagulação
  • Doença aguda, cirurgia grande ou trauma, que podem baixar a antitrombina de forma passageira por consumo maior
  • Doença do fígado, já que é ali que a antitrombina é produzida
  • Remédios com estrogênio, incluindo alguns anticoncepcionais
  • Problemas no manuseio da amostra, como mistura inadequada ou demora no processamento, que os laboratórios tentam evitar com protocolos rígidos de coleta, centrifugação e congelamento

Por causa dessas influências, um valor baixo ou alto costuma ser repetido depois que a doença aguda passa e, quando for seguro, fora do uso de remédios que interferem, antes de concluir que existe uma deficiência hereditária.

Como o exame se encaixa nos outros testes de coagulação

A antitrombina raramente é pedida ou interpretada sozinha. O médico costuma combiná-la com um painel de trombofilia mais amplo, que procura tendências herdadas ou adquiridas à trombose. Esse painel geralmente inclui a atividade da proteína C e da proteína S, outros anticoagulantes naturais com papel parecido; a pesquisa do fator V de Leiden, uma variante genética comum que torna um fator da coagulação resistente a ser desligado; a pesquisa da mutação do gene da protrombina; e a pesquisa do anticoagulante lúpico e dos anticorpos antifosfolípides. Quais são os “11 marcadores” para trombofilia? Não existe uma lista oficial com esse número: o painel varia conforme a história de cada paciente e a escolha do médico.

A antitrombina também é bem diferente do INR usado para acompanhar a varfarina, que reflete quanto tempo o sangue leva para coagular no geral, enquanto a antitrombina mostra a força de um freio natural específico. Do mesmo modo, o TTPA (tempo de tromboplastina parcial ativada) mede uma parte maior da cascata da coagulação e costuma acompanhar o uso de heparina não fracionada, ao passo que a antitrombina ajuda a explicar por que essa mesma heparina funciona bem ou não num paciente, assim como, antes de procedimentos cardíacos, o médico confere no eletrocardiograma um ritmo sinusal normal junto com os exames de coagulação.

Como viver com deficiência hereditária de antitrombina

Quem recebe esse diagnóstico não está condenado a ter um coágulo, mas cerca de metade das pessoas com a deficiência terá pelo menos um evento trombótico na vida, em geral depois da adolescência. O cuidado costuma envolver evitar fatores de risco extras quando possível, discutir com o médico a escolha de hormônios, como anticoncepcionais com estrogênio, e usar anticoagulante preventivo em períodos de risco real, como cirurgias grandes, internações longas, viagens muito longas, gravidez e as semanas após o parto, quando o médico pode também acompanhar mais de perto a pressão arterial, dado o esforço extra que a gravidez impõe aos vasos.

O que devo evitar se tenho trombofilia? Em geral, longos períodos parado (levante e caminhe em viagens longas, sempre que possível), cigarro, hormônios com estrogênio sem orientação médica e desidratação; qualquer decisão sobre remédios deve ser tomada com o hematologista. Os médicos em geral não recomendam anticoagulante por toda a vida para quem nunca teve trombose, porque esses remédios têm risco próprio de sangramento, a ser pesado contra um risco de trombose que, embora maior, não é certeza. Depois de um primeiro coágulo, muitos indicam anticoagulação mais prolongada ou até por tempo indeterminado, porque o risco de um segundo episódio é bem maior que a média. Essas decisões são individuais e envolvem, em geral, um hematologista com experiência em trombofilias.

Perguntas frequentes

Preciso de jejum para o exame de antitrombina?

Depende do laboratório: alguns não exigem jejum, outros aconselham cerca de 4 horas. Confira a orientação do local de coleta, principalmente se outros exames que pedem jejum forem feitos na mesma ida, e avise sobre o uso de anticoagulantes ou anticoncepcionais.

A antitrombina pode estar baixa sem doença hereditária?

Sim. A antitrombina baixa adquirida, por doença do fígado, uso de heparina, infecção grave ou outra doença aguda, é bem mais comum que a deficiência hereditária e costuma melhorar quando a doença se resolve ou o remédio que interfere é suspenso.

Qual a diferença entre atividade e antígeno da antitrombina?

A atividade mede quão bem a proteína funciona; o antígeno mede quanto dela existe, funcionando ou não. Pedir os dois ajuda a saber se a deficiência é de pouca proteína, de proteína normal que funciona mal, ou das duas coisas.

O exame é feito na gravidez?

Pode ser, principalmente em quem tem história pessoal ou familiar de trombose ou perdas gestacionais de repetição. A gravidez muda um pouco vários fatores da coagulação, então o resultado é interpretado com esse contexto, e a decisão de testar é individual, com o obstetra ou o hematologista.

O exame sozinho diagnostica CIVD?

Não. Nenhum exame isolado diagnostica CIVD. O médico avalia a antitrombina junto com a contagem de plaquetas, o fibrinogênio, o D-dímero e o tempo de protrombina, porque a CIVD forma um padrão reconhecível em vários exames, e não um único valor alterado.

Se minha antitrombina está um pouco baixa, vou ter trombose?

Não necessariamente. Um valor levemente baixo, sobretudo o primeiro resultado durante uma doença aguda ou em uso de heparina, não garante que um coágulo vai acontecer. O médico considera o grau da redução, se ela persiste na repetição em condições estáveis, a história familiar e outros fatores de risco antes de estimar o risco total.

Quanto custa o exame de antitrombina III?

O valor varia muito entre laboratórios e regiões. Pelo plano de saúde, confira a cobertura e a necessidade de autorização com a sua operadora; no SUS, o exame é solicitado pelo médico conforme a indicação clínica e a rede disponível no seu município.

Glossário

TermoDefinição
Antitrombina (antitrombina III)Proteína produzida pelo fígado que freia naturalmente a coagulação ao inibir a trombina e o fator Xa.
TrombinaEnzima central da coagulação, que transforma o fibrinogênio em fibrina, a rede que forma o coágulo.
Fator XaProteína da coagulação que ajuda a ativar a trombina; vários anticoagulantes modernos agem bloqueando esse fator.
Método cromogênicoTécnica de laboratório que usa uma reação química com mudança de cor para medir a atividade de uma proteína.
Resistência à heparinaSituação em que o paciente precisa de doses muito altas de heparina para atingir o efeito anticoagulante esperado.
Coagulação intravascular disseminada (CIVD)Condição grave, em geral desencadeada por doença ou lesão séria, em que coagulação e sangramento ficam perigosamente desequilibrados no corpo todo.
Gene SERPINC1Gene que contém as instruções para fabricar a antitrombina; alterações nele causam a deficiência hereditária.
TrombofiliaTermo geral para qualquer condição herdada ou adquirida que aumenta a tendência a formar coágulos.
Trombose venosa profunda (TVP)Coágulo numa veia profunda, quase sempre da perna, que pode causar inchaço e dor.
Embolia pulmonar (EP)Obstrução de uma artéria do pulmão por um coágulo que veio de outro lugar do corpo, em geral das pernas.
CoagulogramaConjunto de exames da coagulação pedido no Brasil, que costuma incluir TP/INR e TTPA.

Leia também

Fontes

  • MedlinePlus Genetics, National Library of Medicine, National Institutes of Health — Hereditary antithrombin deficiency — revisado em 2013 (em inglês) — medlineplus.gov
  • Mayo Clinic Laboratories — ATTF: Overview, Antithrombin Activity, Plasma — Test Catalog (em inglês) — mayocliniclabs.com
  • U.S. Food and Drug Administration — Drugs@FDA: Thrombate III (antithrombin III human), concentrado de antitrombina aprovado pela FDA (em inglês) — accessdata.fda.gov
  • Ranucci M, Baryshnikova E, Pistuddi V, Di Dedda U — The Rise and Fall of Antithrombin Supplementation in Cardiac Surgery — Anesthesia and Analgesia, 2023 (em inglês) — doi.org
  • Butt SP, Kakar V, Kumar A, et al. — Heparin resistance management during cardiac surgery: a literature review and future directions — The Journal of Extra-Corporeal Technology, 2024 (em inglês) — doi.org
  • Mishima Y, Townsend G, Clifton SC, et al. — Andexanet-induced heparin resistance in cardiac surgery: a rapid review of case reports and series — Journal of Thrombosis and Haemostasis, 2025 (em inglês) — doi.org
  • Takahashi M, Wada T, Nakae R, et al. — Antithrombin activity levels for predicting long-term outcomes in the early phase of isolated traumatic brain injury — Frontiers in Immunology, 2022 (em inglês) — doi.org
  • DB Diagnósticos — ATRO3: Antitrombina III (funcional/atividade) — Guia de Exames, revisão de 2020 — gde.diagnosticosdobrasil.com.br
  • Rede D’Or — Antitrombina III: o que é, como é feito e qual o preparo — Exames e procedimentos — rededorsaoluiz.com.br
  • ANVISA — Resolução RDC nº 978, de 6 de junho de 2025 (funcionamento dos serviços de exames de análises clínicas) — Diário Oficial da União, 2025 — in.gov.br
  • Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br — gov.br

Entenda seus exames com a BloodSense

A atividade da antitrombina é uma peça de um quadro bem maior da coagulação, e costuma fazer mais sentido junto com exames como TP/INR, TTPA e a contagem de plaquetas, principalmente se você já tem os resultados em mãos e não sabe o que significam juntos. A BloodSense transforma o laudo do seu laboratório em um relatório de IA em linguagem simples, mostrando como cada resultado se relaciona com os outros e ajudando você a preparar perguntas mais objetivas para o seu médico, sem substituir a orientação dele.

Interprete seus resultados de exames em minutos