Reflexos osteotendinosos: graduação de 0 a 4, nervos testados e o que significam

Os reflexos osteotendinosos — também chamados de reflexos profundos ou reflexos tendinosos profundos — são a contração rápida e automática de um músculo quando o médico bate num tendão com o martelinho de borracha. O reflexo patelar, aquele “chute” do joelho, é o que quase todo mundo já sentiu. Nas anotações médicas eles aparecem como ROT (reflexos osteotendinosos) ou, em inglês, DTR (deep tendon reflex), e cada resposta recebe uma nota numa escala de 0 a 4. O teste não custa nada, leva segundos e verifica se o nervo sensitivo, a medula espinhal e o nervo motor estão se comunicando direito.
Neste guia você vai entender o que significam os números da graduação, quais raízes nervosas cada reflexo testa — do reflexo bicipital ao reflexo aquileu —, o que respostas diminuídas ou exageradas podem indicar e quais exames de sangue os médicos costumam pedir quando os reflexos parecem diferentes do esperado, da função da tireoide à vitamina B12 e à glicemia. A maioria dos achados nos reflexos assusta muito menos do que parece, e o contexto importa mais do que qualquer número isolado.
O que são os reflexos osteotendinosos?
Reflexos osteotendinosos são respostas motoras involuntárias provocadas pelo estiramento de um músculo quando o seu tendão é percutido. Muitos médicos preferem o nome reflexo miotático (ou de estiramento muscular), que é mais preciso, porque o martelo não está testando o tendão em si — está esticando o músculo preso a ele. O reflexo foi descrito pela primeira vez em 1875 por Wilhelm Heinrich Erb e Carl Friedrich Otto Westphal e continua em uso de rotina há 150 anos porque é seguro, rápido, de baixo custo e não exige nenhum equipamento além do martelo.
O arco reflexo, passo a passo
O reflexo osteotendinoso é um reflexo monossináptico, ou seja, envolve só duas células nervosas e uma única conexão entre elas. Bater no tendão estica o músculo por um instante. Um sensor de estiramento dentro do músculo, chamado fuso muscular, dispara um sinal por um nervo sensitivo até a medula espinhal. Lá, ele se conecta direto a um nervo motor, que dispara de volta e manda o músculo contrair. O cérebro não é consultado — por isso a resposta é mais rápida do que o pensamento e por isso você não consegue segurá-la totalmente.
Quando o médico bate o martelo no joelho, o que significa?
Significa que ele está checando, em poucos segundos, se todo esse circuito — músculo, nervo, medula e de volta — está funcionando e se o cérebro está “freando” o reflexo na medida certa. Como esse circuito vai do músculo ao nervo, à medula e volta, e como o cérebro amortece o reflexo lá de cima, um problema em quase qualquer ponto do sistema nervoso pode mudar a resposta. Isso faz do reflexo uma ferramenta de triagem de verdade, e não uma curiosidade. O teste dos reflexos faz parte do exame neurológico de rotina, junto com força, sensibilidade e coordenação, e o médico também pode registrar a pontuação na Escala de Coma de Glasgow quando o nível de alerta está em dúvida.
Como o médico testa os reflexos
O examinador bate num tendão com um martelo de reflexos que pesa de 80 a 140 gramas, mais ou menos, e observa o músculo, e não o membro. Existem vários modelos de martelo — Taylor, Queen Square, Babinski, Trömner — e, com a técnica certa, todos funcionam. Alguns médicos improvisam com a borda do estetoscópio ou até com a ponta do dedo quando os reflexos estão muito vivos.
Por que relaxar importa mais do que o martelo
O fator que mais pesa num resultado correto é você estar relaxado. Uma postura tensa ou rígida, ou simplesmente ficar pensando no teste, pode apagar um reflexo perfeitamente normal. O médico geralmente posiciona a articulação em cerca de 90 graus, apoia o membro e distrai você com conversa. Os dois lados são comparados em seguida — cotovelo direito, depois cotovelo esquerdo —, para que diferenças sutis apareçam.
Como fazer o reflexo patelar?
Com a pessoa sentada, as pernas soltas para fora da maca (ou com o joelho levemente dobrado e apoiado, se estiver deitada), o examinador bate no tendão logo abaixo da patela e observa a contração do músculo da frente da coxa e o pequeno chute da perna. Se o reflexo não aparecer, ele pode pedir a manobra de Jendrassik: você engancha os dedos das duas mãos e puxa uma contra a outra enquanto aperta os dentes. Isso ocupa as vias que o cérebro usa para amortecer o reflexo e impede que você segure o músculo sem perceber. Um reflexo que só aparece com esse reforço é anotado de forma diferente de um que aparece sozinho.
A graduação dos reflexos osteotendinosos, de 0 a 4
Em 1993, o National Institute of Neurological Disorders and Stroke, dos Estados Unidos, propôs uma escala padrão de 0 a 4, que foi validada e hoje é usada quase no mundo todo. No Brasil, é comum ver a nota escrita com sinal de mais e sobre quatro — 2+/4+, por exemplo —, mas, segundo a StatPearls, colocar ou não o sinal de mais não muda o significado da nota.
| Nota | Descrição oficial | O que significa em linguagem simples |
|---|---|---|
| 0 | Reflexo ausente (arreflexia) | Nenhuma resposta, nem com reforço. Se for ausente dos dois lados e não houver mais nada de errado, ainda pode ser normal para você. |
| 1 (1+) | Pequeno, menor que o normal (hiporreflexia) | Um leve esboço de movimento, ou uma resposta que só aparece com a manobra de Jendrassik. |
| 2 (2+) | Metade inferior da faixa normal (normorreflexia) | Uma contração clara, esperada. É o que a maioria das pessoas chama de “normal”. |
| 3 (3+) | Metade superior da faixa normal (reflexo vivo) | Mais rápido do que a média — mas ainda dentro do normal, principalmente quando os dois lados são iguais. |
| 4 (4+) | Aumentado, maior que o normal (hiper-reflexia) | Exagerado; inclui o clônus — batidas rítmicas repetidas — quando ele está presente. |
Por que a simetria importa mais do que o número
Esta é a parte que a maioria das tabelas de reflexos deixa de fora, e vale entender antes de se preocupar com uma nota no seu prontuário. Reflexos simétricos entre 1+ e 3+ costumam ser considerados normais, desde que não venham acompanhados de outros sinais neurológicos. O que de fato preocupa os médicos é a assimetria — no mesmo exame, um 2+ à esquerda e um 2 à direita quer dizer mais do que o fato de um examinador chamar tudo de 2 e outro chamar tudo de 2+. Por isso é comum ler no prontuário algo como “ROT presentes e simétricos”.
Os intervalos da graduação são subjetivos, baseados em todos os reflexos normais que aquele examinador já sentiu antes. Essa é uma limitação real, e os médicos sabem disso. É também por isso que uma nota de reflexo nunca é lida isoladamente.
Os principais reflexos e os nervos que eles testam
Cinco reflexos formam o centro do exame, cada um ligado a um segmento específico da medula espinhal. É esse mapa que permite ao médico localizar um problema — se o reflexo bicipital está diminuído mas o tricipital está normal, a alteração provavelmente está por volta de C5–C6. Um sexto, o reflexo mandibular (ou masseterino), testa o tronco cerebral, e não a medula.
| Reflexo | Nível da medula | Nervo | O que você sente e vê |
|---|---|---|---|
| Bicipital | C5–C6 | Musculocutâneo | Batida na dobra do cotovelo; o antebraço dobra. |
| Braquiorradial (estilorradial) | C5–C6 | Radial | Batida no antebraço perto do punho, do lado do polegar; o antebraço dobra e gira. |
| Tricipital | C7–C8 | Radial | Batida logo atrás do cotovelo; o antebraço estica. |
| Patelar | L2–L4 | Femoral | Batida abaixo da patela; a perna “chuta” para a frente. |
| Aquileu | S1–S2 | Tibial | Batida no tendão de Aquiles; o pé aponta para baixo. |
| Mandibular (masseterino) | Ponte (tronco cerebral) | Trigêmeo, ramo mandibular | Batida no queixo com a boca levemente aberta; a mandíbula fecha. |
Gerações de estudantes de medicina decoraram esses níveis com uma rima em inglês que conta de um a oito: o reflexo aquileu em S1 e S2, o patelar em L3 e L4, o bicipital e o braquiorradial em C5 e C6, o tricipital em C7 e C8. A rima arredonda um pouco as coisas: o reflexo patelar, na verdade, depende de L2 a L4, com a maior contribuição de L4.
Quais são os reflexos dos membros inferiores?
Nos membros inferiores, os reflexos osteotendinosos testados de rotina são dois: o patelar (L2–L4, nervo femoral) e o aquileu (S1–S2, nervo tibial). O médico também costuma pesquisar o reflexo cutâneo-plantar, passando uma ponta romba na sola do pé; quando o dedão sobe em vez de descer (o sinal de Babinski), isso sugere um problema no cérebro ou na medula.
O que reflexos alterados podem indicar
A regra central é simples e surpreende a maioria das pessoas, porque vai ao contrário da intuição. Lesões “baixas” — nos nervos periféricos ou nas raízes nervosas — diminuem os reflexos. Lesões “altas”, no cérebro ou na medula, aumentam. Isso porque a função normal do cérebro é amortecer o reflexo; se esse freio é interrompido, o reflexo corre solto.
Reflexos diminuídos ou ausentes
Hiporreflexia quer dizer resposta diminuída; arreflexia quer dizer nenhuma resposta. As duas apontam para o lado do neurônio motor inferior — as raízes nervosas e os nervos periféricos. A neuropatia periférica é a causa mais comum de reflexos ausentes e costuma estar ligada a diabetes, álcool, uremia por doença dos rins, falta de vitaminas, amiloidose ou toxinas. Reflexos diminuídos também aparecem no hipotireoidismo, na hipotermia, em problemas do cerebelo e com o uso de betabloqueadores. A síndrome de Guillain-Barré e a síndrome miastênica de Lambert-Eaton são causas mais raras.
Vale repetir aqui a tranquilização da Cleveland Clinic: os reflexos variam de pessoa para pessoa, algumas pessoas simplesmente têm reflexos fracos, e a maioria das pessoas com reflexos fracos e nenhuma outra dificuldade neurológica não tem doença neurológica.
Reflexos vivos ou exaltados
A hiper-reflexia aponta para o lado do neurônio motor superior — cérebro, tronco cerebral ou medula. Ela pode ser um sinal precoce de problema no trato corticoespinhal e aparece em doenças como esclerose múltipla, AVC, lesão da medula e esclerose lateral amiotrófica. Mas a hiper-reflexia também pode ser um achado completamente normal, principalmente quando está presente dos dois lados.
O clônus é a exceção. Clônus são batidas rítmicas e involuntárias de um músculo depois de um estiramento súbito e, ao contrário dos reflexos vivos, nunca é um achado normal. Ele sempre merece investigação. É comum depois de AVC ou lesão da medula, na paralisia cerebral e na esclerose múltipla, e também pode aparecer depois da ingestão de grandes quantidades de medicamentos que aumentam a serotonina.
Exames de sangue pedidos junto com um exame de reflexos alterado
É aqui que um achado do exame físico vira pedido de laboratório. Várias das condições que apagam ou exaltam os reflexos são metabólicas, e não estruturais — ou seja, muitas vezes o próximo passo é uma coleta de sangue, e não um exame de imagem. Os achados dos reflexos costumam ser registrados no prontuário junto com a revisão de sistemas, que ajuda a decidir quais exames pedir. Para pessoas com diabetes, a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes lista, para descartar outras causas de neuropatia, vitamina B12, vitamina D, magnésio, eletroforese de proteínas com imunofixação, hemograma completo, creatinina com taxa de filtração glomerular, TSH e T4 livre.
Função da tireoide
A tireoide funcionando pouco é uma causa conhecida de reflexos lentos, e é comum e muito tratável. Para avaliá-la, o médico costuma pedir o exame de TSH e, dependendo do resultado, pode acrescentar o T4 livre para entender melhor como a própria glândula está trabalhando.
Vitamina B12
A falta de vitaminas está na lista clássica de causas de neuropatia periférica e de perda de reflexos, e a B12 é a culpada mais conhecida. O médico investiga isso com a dosagem de vitamina B12 no sangue. Há um porém que vale conhecer: a B12 pode estar funcionalmente baixa mesmo quando o nível padrão vem normal, e por isso os médicos às vezes também medem a homocisteína no sangue, que sobe quando a B12 não está fazendo o seu trabalho.
Glicemia e diabetes
O diabetes encabeça a lista de causas de neuropatia periférica, e a perda do reflexo aquileu é um dos sinais mais precoces que dá para detectar. A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que todas as pessoas com diabetes sejam examinadas uma vez por ano para a polineuropatia, desde o diagnóstico do diabetes tipo 2 e a partir do quinto ano do diabetes tipo 1. Além da glicemia de jejum (em mg/dL), o médico avalia a hemoglobina glicada (HbA1c), em %, que mostra a média da glicose dos últimos dois a três meses, e não de uma única manhã.
Eletrólitos e função dos rins
Como minerais com carga elétrica conduzem os impulsos dos nervos, mudanças nos eletrólitos alteram os reflexos. A bioquímica do sangue informa o magnésio no sangue e o cálcio total, os dois com efeitos conhecidos sobre os reflexos. O magnésio é um exemplo bem claro: em gestantes que recebem sulfato de magnésio, o desaparecimento dos reflexos é um dos primeiros sinais de alerta de intoxicação por magnésio, e é exatamente por isso que a enfermagem checa o reflexo patelar com tanta frequência durante essas infusões.
A doença dos rins também pesa, já que a uremia — o acúmulo de resíduos quando os rins funcionam mal — é uma causa conhecida de neuropatia. A triagem mede a creatinina no sangue, em mg/dL, e o laboratório também calcula a taxa de filtração glomerular para estimar se os rins estão filtrando bem.
Quando procurar um médico
Não dá para testar os próprios reflexos de forma útil, e uma nota estranha isolada no prontuário raramente é motivo de alarme. O que merece atenção é uma mudança, principalmente quando ela vem acompanhada.
- Procure atendimento de urgência se surgirem de repente reflexos exaltados com fraqueza, fala enrolada ou perda de equilíbrio — isso pode indicar AVC ou compressão da medula.
- Procure avaliação rápida se a fraqueza ou a dormência subirem pelas pernas em horas ou dias, com perda dos reflexos.
- Marque uma consulta se houver dormência, formigamento ou fraqueza que surgem aos poucos nas mãos ou nos pés, principalmente se você tem diabetes.
- Comente mudanças nos reflexos que apareceram depois de um remédio novo, de uma lesão ou de uma doença metabólica.
- Pergunte sobre o clônus se o médico o anotou, porque ele sempre merece acompanhamento.
Avanços científicos recentes
As pesquisas sobre o teste de reflexos têm se concentrado na sua principal fraqueza conhecida — a nota depende do julgamento de um examinador — e em fazer a simples batida no tornozelo render como ferramenta de triagem.
Os reflexos estão entre as partes mais confiáveis do exame neurológico
Um estudo de 2025 no Journal of Neurology fez oito neurologistas diferentes, sem saber das notas uns dos outros, examinarem os mesmos pacientes com um sistema padronizado de pontuação do neurônio motor. Os reflexos osteotendinosos estiveram entre os itens em que os examinadores mais concordaram, enquanto outros sinais — como um reflexo da face — quase não tiveram concordância. O que isso significa para você: a parte dos reflexos no seu exame é um dos achados mais sólidos da anotação, mesmo que a nota em si seja um julgamento. (A confiabilidade entre avaliadores é simplesmente uma medida de quanto examinadores diferentes, testando a mesma pessoa, chegam à mesma resposta.)
O reflexo aquileu é um teste de triagem surpreendentemente bom para lesão de nervos no diabetes
Um estudo de 2023 no Endocrine Journal testou 214 pessoas com diabetes e comparou checagens simples à beira do leito com estudos de condução nervosa, o padrão de referência. Juntar um questionário curto de sintomas com o reflexo aquileu identificou cerca de nove em cada dez pessoas que realmente tinham lesão nos nervos, e os autores recomendaram exatamente essa combinação para triagem em larga escala, por ser rápida e barata. A própria diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes cita estudos que avaliaram o reflexo aquileu entre os testes clínicos simples de rastreamento. Um estudo de 2024 com 200 pacientes, publicado na Cureus, apontou na mesma direção: cerca de um quarto tinha o reflexo aquileu ausente, e a neuropatia estava fortemente ligada a HbA1c e glicemia de jejum mais altas. O que isso significa para você: se você tem diabetes, aquela batida no tornozelo está fazendo um trabalho real, e combina naturalmente com os seus resultados de glicose.
Máquinas estão aprendendo a dar nota aos reflexos de forma objetiva
Um estudo de 2022 na Medical and Biological Engineering and Computing registrou reflexos patelares com sensores de movimento e de atividade muscular em voluntários saudáveis e em pessoas com espasticidade ou doença de Parkinson. Os pesquisadores viram que a velocidade com que a perna balança foi a medida mais estável, e um modelo de computador conseguiu classificar as respostas na nota certa com alta precisão. O que isso significa para você: nada muda na sua próxima consulta, mas ferramentas assim podem um dia permitir acompanhar mudanças nos reflexos como um número, e não como uma impressão. (Um modelo desse tipo é treinado com exemplos conhecidos e depois testado em exemplos novos, para ver se consegue generalizar.)
B12 normal nem sempre quer dizer B12 suficiente
Um relato de caso de 2026 no American Journal of Case Reports descreveu um homem de 57 anos, em uso de metformina para diabetes tipo 2, que passou a andar sem firmeza e a ter reflexos patelares diminuídos. A B12 no sangue veio normal — mas a homocisteína estava bem elevada, revelando uma deficiência funcional, e ele melhorou bastante com a reposição de B12. Um único relato de caso é a forma mais fraca de evidência e não diz com que frequência isso acontece. O que isso significa para você: é um bom lembrete para conversar com o médico sobre o acompanhamento da B12 se você toma metformina há muito tempo e notou dormência ou desequilíbrio novos.
Glossário dos principais termos
| Termo | Definição |
|---|---|
| Reflexos osteotendinosos (ROT) | A contração automática do músculo provocada pela batida num tendão. Também chamados de reflexos profundos ou miotáticos; em inglês, DTR. |
| Arco reflexo | O caminho nervoso que produz o reflexo: nervo sensitivo de entrada, conexão na medula, nervo motor de saída. |
| Fuso muscular | Pequeno sensor de estiramento dentro do músculo. Ele inicia o reflexo quando o músculo é esticado de repente. |
| Hiper-reflexia | Reflexos mais fortes do que o esperado. Geralmente aponta para o cérebro ou a medula, mas pode ser normal quando é igual dos dois lados. |
| Hiporreflexia | Reflexos mais fracos do que o esperado. Arreflexia quer dizer reflexo totalmente ausente. |
| Clônus | Batidas musculares rítmicas e repetidas depois de um estiramento súbito. Ao contrário dos reflexos vivos, nunca é considerado normal. |
| Neurônio motor superior | Vias nervosas que descem do cérebro pela medula. Lesões aqui tendem a aumentar os reflexos. |
| Neurônio motor inferior | Nervos que saem da medula até os músculos. Lesões aqui tendem a diminuir os reflexos. |
| Manobra de Jendrassik | Enganchar os dedos das mãos e puxar, para fazer aparecer um reflexo das pernas difícil de obter. |
| Neuropatia periférica | Lesão dos nervos fora do cérebro e da medula, que muitas vezes causa dormência, formigamento e perda de reflexos. |
Perguntas frequentes
O que significa um reflexo 3+ no meu prontuário?
Um 3+ fica na metade de cima da faixa normal — mais vivo do que a média, mas não automaticamente alterado. Muitas pessoas saudáveis têm reflexos vivos, e quando os dois lados são iguais e nada mais no exame chama atenção, um 3+ geralmente é deixado de lado. Ele passa a interessar mais ao médico se aparecer só de um lado, se for novo em comparação com um exame anterior ou se vier junto com fraqueza, clônus ou problemas de coordenação. Se um 3+ nas suas anotações preocupa você, a pergunta útil é se ele era simétrico.
É normal não ter reflexo no joelho?
Pode ser. Um reflexo ausente dos dois lados, sem outros sintomas e sem outros achados alterados, pode ser perfeitamente normal para aquela pessoa. Os reflexos variam de verdade de um indivíduo para outro, e algumas pessoas têm reflexos naturalmente discretos. Erros de teste também contam — tensão, posição ruim ou não fazer a manobra de reforço podem apagar um reflexo que existe. O que preocupa é um reflexo ausente só de um lado, ou um reflexo ausente que chega junto com dormência, fraqueza ou perda de massa muscular na mesma região.
O teste de reflexo dói?
Não deveria. O martelo pesa só cerca de 80 a 140 gramas e a batida é rápida. A maioria das pessoas sente uma batidinha leve e depois uma contração involuntária que pode parecer um pouco estranha, já que o membro se mexe sem você decidir mexer. Alguns médicos colocam o próprio dedo sobre o tendão e batem no dedo, o que amortece ainda mais. Se o teste doer de verdade, avise — vale comentar, e geralmente aponta para algo sensível na articulação, e não para o reflexo em si.
Por que a enfermagem checa os reflexos na gravidez?
A checagem dos reflexos é uma ferramenta de monitorização em gestantes que recebem sulfato de magnésio, o remédio usado para prevenir convulsões na pré-eclâmpsia e na eclâmpsia. O magnésio acalma o sistema nervoso e, se o nível sobe demais, um dos primeiros sinais de alerta é o desaparecimento dos reflexos osteotendinosos. Como checar o reflexo patelar leva segundos e não exige equipamento, ele dá à equipe um sinal de segurança precoce e repetível — bem antes de efeitos mais perigosos. Perder os reflexos durante o magnésio significa que a infusão deve ser interrompida rapidamente.
A falta de vitamina pode diminuir os reflexos?
Sim. A falta de vitaminas está na lista clássica de causas de neuropatia periférica, que por sua vez é o motivo mais comum de reflexos ausentes. A vitamina B12 é o exemplo mais conhecido, e a B12 baixa pode afetar tanto os nervos periféricos quanto a medula. A parte tranquilizadora é que essa causa é identificada com um exame de sangue simples e muitas vezes pode ser corrigida com reposição. Como a B12 às vezes está funcionalmente baixa apesar de um resultado normal, o médico pode acrescentar a homocisteína para ter uma visão mais clara.
Os reflexos podem mudar com o tempo?
Sim, nas duas direções. Eles podem melhorar quando a causa é tratada — hormônio da tireoide reposto, B12 corrigida, glicemia controlada. Podem piorar com uma doença dos nervos que avança ou depois de uma lesão. Os reflexos também tendem a ficar um pouco mais discretos com a idade, e por isso um idoso com reflexos levemente diminuídos e nenhum outro achado geralmente não precisa de investigação. É exatamente por isso que o médico compara com os seus próprios exames anteriores, e não com um padrão universal.
O que acontece se o bebê não tem reflexo?
Nos bebês, o pediatra avalia, além dos reflexos osteotendinosos, os chamados reflexos primitivos (como o de Moro e o de sucção), que seguem regras próprias e mudam com a idade. A ausência de um reflexo esperado para a idade é um motivo para avaliação com o pediatra ou o neurologista infantil, que interpreta o achado junto com o desenvolvimento da criança. As notas e regras deste guia se referem a adultos.
Fontes
- Zimmerman B, Hubbard JB — Deep Tendon Reflexes — StatPearls, NCBI Bookshelf, 2023 (em inglês) — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK531502/
- Rodriguez-Beato FY, De Jesus O — Physiology, Deep Tendon Reflexes — StatPearls, NCBI Bookshelf, 2023 (em inglês) — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK562238/
- National Library of Medicine — Neurological Exam — MedlinePlus Medical Tests (em inglês) — https://medlineplus.gov/lab-tests/neurological-exam/
- Cleveland Clinic — Hyporeflexia: Definition, Causes, Symptoms and Treatment — Cleveland Clinic Health Library, 2022 (em inglês) — https://my.clevelandclinic.org/health/symptoms/24176-hyporeflexia
- Cleveland Clinic — Hyperreflexia: What It Is, Causes, Symptoms and Treatment — Cleveland Clinic Health Library (em inglês) — https://my.clevelandclinic.org/health/symptoms/24967-hyperreflexia
- Jacobsen AB, Fanella G, de Carvalho M, et al. — Variability of the Penn upper motor neuron score in amyotrophic lateral sclerosis: need for a revised score — Journal of Neurology, 2025 (em inglês) — https://doi.org/10.1007/s00415-025-12895-7
- Ma X, Li M, Xie H, et al. — Ankle reflex and neurological symptom score: a primary level screening method for diabetic peripheral neuropathy — Endocrine Journal, 2023 (em inglês) — https://doi.org/10.1507/endocrj.EJ23-0476
- Uslu S, Nüzket T, Gürbüz M, Uysal H — Electrophysiological and kinesiological analysis of deep tendon reflex responses, importance of angular velocity — Medical and Biological Engineering and Computing, 2022 (em inglês) — https://doi.org/10.1007/s11517-022-02638-5
- Francis D, Kotteeswaran K, Padinhare Veedu P — Severity of neuropathy-related disability and associated factors of diabetic peripheral neuropathy in a tertiary healthcare center — Cureus, 2024 (em inglês) — https://doi.org/10.7759/cureus.55568
- Zhang R, Gou L, Zhou X — Metformin-associated functional vitamin B12 deficiency presenting as subacute combined degeneration in a 57-year-old man with diabetes mellitus — American Journal of Case Reports, 2026 (em inglês) — https://doi.org/10.12659/AJCR.952205
- Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico e tratamento da neuropatia periférica diabética — Diretriz da SBD, edição 2026 — https://diretriz.diabetes.org.br/diagnostico-e-tratamento-da-neuropatiaperiferica-diabetica/
- Manual MSD, versão para profissionais de saúde — Como avaliar reflexos — MSD Manuals, em português — https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/exame-neurol%C3%B3gico/como-avaliar-reflexos
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