Arterite temporal (arterite de células gigantes): sintomas, exames e tratamento

O essencial
A arterite temporal, também chamada arterite de células gigantes, é uma inflamação das grandes artérias que só atinge pessoas com mais de 50 anos. O quadro típico é uma dor de cabeça nova nas têmporas, couro cabeludo dolorido e dor na mandíbula ao mastigar. VHS e PCR quase sempre vêm altas, mas só um ultrassom, uma biópsia ou outro exame de imagem confirma a doença. Qualquer alteração da visão é uma emergência: o tratamento rápido pode salvar a visão.
O que é arterite temporal?
A arterite de células gigantes (ACG) é uma vasculite: o sistema imunológico inflama a parede das artérias de grande e médio calibre, sobretudo as que levam sangue ao couro cabeludo, à mandíbula e aos olhos, e às vezes a aorta. A parede inchada estreita a artéria e pode interromper a passagem do sangue[5]. O nome "arterite temporal" vem das artérias das têmporas, as mais atingidas.
| Tema | O que saber |
|---|---|
| Outros nomes | Arterite de células gigantes, doença de Horton (nome usado sobretudo na França)[5] |
| Quem tem | Só adultos a partir dos 50 anos, em geral por volta dos 70; mulheres cerca de três vezes mais que homens; principalmente pessoas de origem europeia[5] |
| Frequência | Cerca de 10 casos novos por 100 mil pessoas acima de 50 anos por ano; 11 nas Américas e 22 na Escandinávia[7] |
| Principais exames | VHS, PCR, hemograma, ultrassom (eco-Doppler) das artérias temporais, biópsia da artéria temporal, às vezes PET-CT |
Quais são os sintomas da arterite temporal?
- Frequente Dor de cabeça nova, muitas vezes nas têmporas, diferente de qualquer dor que você já tenha sentido[10].
- Frequente Couro cabeludo dolorido ao pentear o cabelo ou deitar no travesseiro; a artéria da têmpora pode ficar grossa e sensível ao toque[5].
- Frequente Cansaço, perda de peso, febre baixa, às vezes como únicos sinais[10].
- Possível Claudicação da mandíbula: dor na mandíbula que aparece ao mastigar ou falar e passa em repouso[5][13].
- Possível Dor e rigidez nos ombros e quadris pela manhã: é a polimialgia reumática, presente em 30 a 50% das pessoas com arterite temporal[5].
- Possível Alterações da visão: visão embaçada ou dupla, uma "cortina" sobre um olho, perda súbita da visão. Em cerca de 30% dos casos, episódios breves de alerta vêm antes[5].
- Raro AVC, em 2,7 a 7,4% dos pacientes, sobretudo no início da doença[5].
A maioria das dores de cabeça não é arterite temporal: a enxaqueca começa bem mais cedo na vida, e a dor no rosto pode vir de um nervo, como na neuralgia do trigêmeo.
Quando procurar atendimento?
Quando procurar atendimento
- Emergência: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro em caso de perda súbita da visão, visão dupla ou sombra escura sobre um olho, mesmo que tenha durado poucos minutos, ou diante de sinais de AVC. A visão perdida pode não voltar, e o outro olho pode ser atingido logo depois[5].
- No mesmo dia se você tem mais de 50 anos e uma dor de cabeça nova, couro cabeludo dolorido ou dor na mandíbula ao mastigar. As recomendações europeias pedem avaliação por especialista em até 24 horas[1].
- Na próxima consulta se tiver rigidez nos ombros e quadris, ou VHS alta com cansaço, sem dor de cabeça nem sintomas nos olhos.
O que causa a arterite temporal e quem corre mais risco?
A causa é desconhecida. Células de defesa invadem a parede da artéria e liberam mensageiros da inflamação, principalmente a interleucina-6, que engrossam essa parede[5]. O risco aumenta com a idade (a doença nunca começa antes dos 50 anos e é mais comum depois dos 70), no sexo feminino e na origem norte-europeia: ela é 2 a 5 vezes mais frequente no norte do que no sul da Europa e bem mais rara em pessoas de origem africana, asiática ou árabe[5]. A arterite temporal faz parte da família descrita no nosso guia de doenças autoimunes e seus exames.
Como diagnosticar a arterite temporal e o que mostram os exames de sangue?
Nenhum exame de sangue prova sozinho a arterite temporal[10]. O médico junta, depois dos 50 anos, os sintomas típicos, a inflamação no sangue (presente em mais de 95% dos casos) e a prova da vasculite em um exame de imagem ou na biópsia[5].
- PCR e VHS: em 764 pacientes que fizeram biópsia, a PCR estava alta em 87% dos que tinham a doença e a VHS em 84%. Mesmo assim, 4% tinham as duas normais[6]: um resultado normal nunca anula uma urgência nos olhos.
- Hemograma completo: cerca de metade dos pacientes tem anemia leve e plaquetas altas, as duas causadas pela inflamação[5].
- Exames do fígado: a fosfatase alcalina vem aumentada em cerca de um paciente em cada três[5].
- Fibrinogênio: a França o prefere à VHS, que a anemia sozinha já pode aumentar[5].
| Exame | Resultado | Valores de referência | Indicação |
|---|---|---|---|
| VHS (velocidade de hemossedimentação), Westergren | 78 mm/h | até 30 mm/h | ↑ |
| Proteína C reativa (PCR) | 6,8 mg/dL | inferior a 1,0 mg/dL | ↑ |
| Hemoglobina | 11,2 g/dL | 12,0 a 15,5 g/dL | ↓ |
| Plaquetas | 498.000 /mm³ | 150.000 a 450.000 /mm³ | ↑ |
| Fosfatase alcalina | 162 U/L | 40 a 129 U/L | ↑ |
- VHS 78 mm/h: para mulheres a partir de 50 anos, o limite habitual é 30 mm/h; valores muito altos aparecem na arterite temporal, mas também em infecções e em alguns cânceres[11].
- PCR 6,8 mg/dL (68 mg/L): uma PCR normal fica em torno de 1,0 mg/dL ou menos. A PCR mostra quanta inflamação existe, não de onde ela vem[12].
- Hemoglobina ↓, plaquetas ↑, fosfatase alcalina ↑: é o padrão de inflamação visto com frequência na arterite temporal[5], mas uma infecção pode dar o mesmo laudo. Valem os valores de referência do seu laboratório.
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Quero meus exames explicadosUltrassom e o "sinal do halo"
Desde 2023, as recomendações europeias indicam o ultrassom com Doppler das artérias temporais e das axilares como primeiro exame de imagem quando há suspeita da doença[2]. O achado típico é o sinal do halo: um anel escuro e regular de parede inchada em volta da artéria. A confiabilidade depende da experiência de quem faz o exame[5].
Biópsia, PET-CT e ressonância
A biópsia da artéria temporal, feita com anestesia local, é o único exame que mostra a vasculite ao microscópio[5]. A diretriz americana de 2021 a prefere ao ultrassom, com um fragmento de mais de 1 cm[3]. PET-CT, ressonância ou angiotomografia podem mostrar inflamação da aorta, presente em cerca de 40% dos pacientes[5], e ajudam quando a biópsia vem negativa[2][3].
Na pesquisa, a pontuação ACR/EULAR de 2022 dá 5 pontos para biópsia positiva ou sinal do halo e 3 pontos para VHS de 50 mm/h ou mais ou PCR de 10 mg/L ou mais; com 6 pontos, o caso é classificado como arterite de células gigantes[4]. É uma ferramenta de pesquisa, não um diagnóstico.
Quais exames acompanham a arterite temporal durante o tratamento?
Com o corticoide, a PCR costuma voltar ao normal em 1 a 3 semanas[5]. Depois, o acompanhamento verifica três coisas:
- Atividade da doença: PCR e um marcador lento (VHS ou fibrinogênio), mais ou menos uma vez por mês no início; consultas a cada 1 a 3 meses nos 3 primeiros meses, depois a cada 3 a 6 meses[5]. Quase metade dos pacientes tem recaída, quase sempre nos 2 primeiros anos[9]. Um marcador que sobe sem sintomas costuma pedir observação mais de perto, não automaticamente mais remédio[3].
- Efeitos do corticoide: potássio depois de 1 a 2 semanas, glicose com 1 mês, depois hemoglobina glicada e colesterol a cada 3 meses[5]; proteção dos ossos desde o início contra a osteoporose[10].
- Segurança do tocilizumabe: hemograma e enzimas do fígado a cada 1 a 2 semanas no primeiro mês, depois a cada 1 a 3 meses, e um lipidograma após 8 a 12 semanas[5].
Atenção: o tocilizumabe bloqueia a interleucina-6, o sinal que faz o fígado produzir PCR. Com esse tratamento, PCR e VHS costumam ficar baixas mesmo durante uma recaída ou uma infecção[5], então sintomas novos valem mais do que um resultado normal. Quando a aorta é atingida, os exames de imagem são repetidos ao longo dos anos para detectar um aneurisma, que pode surgir tarde[5].
Qual é o tratamento da arterite temporal?
Diante de uma suspeita forte, o tratamento começa na hora, sem esperar os exames de confirmação[1]. As doses não são indicadas aqui: elas cabem ao médico.
- Corticoides (prednisona): o primeiro tratamento. A maioria das pessoas melhora em poucos dias; a dose é reduzida devagar ao longo de 1 a 2 anos[10]. Quando a visão está ameaçada, o corticoide pode ser dado primeiro na veia[3].
- Tocilizumabe: um medicamento biológico injetável que bloqueia o receptor da interleucina-6. No principal estudo, 53 a 56% dos pacientes tratados estavam em remissão duradoura após um ano, contra 14 a 18% só com corticoide, usando cerca de metade da prednisona[8]. Cerca de metade tem recaída no ano seguinte à suspensão[5].
- Outras opções: a atualização EULAR de 2025 acrescenta o upadacitinibe, em comprimido, para pacientes selecionados, com o metotrexato como alternativa[1].
- Cuidados de suporte: cálcio, vitamina D, às vezes um bisfosfonato ou ácido acetilsalicílico[10].
Como viver bem com arterite temporal?
- Nunca pare o corticoide de repente nem diminua a dose por conta própria.
- Conheça os sinais de recaída: dor de cabeça, dor na mandíbula, rigidez nos ombros e, acima de tudo, qualquer mudança na visão.
- Avise logo se tiver febre: o tratamento baixa as defesas e pode esconder uma infecção[5].
- Controle a pressão e o colesterol e não fume: o risco cardiovascular continua mais alto por anos[5]. Saiba reconhecer os sinais de um AVC.
Perguntas para fazer ao seu médico
- Devo começar o corticoide agora, antes do ultrassom ou da biópsia?
- Eu também tenho polimialgia reumática?
- Quais exames de sangue vão acompanhar meu tratamento, e com que frequência?
- Se eu usar tocilizumabe, como vamos perceber uma recaída?
Perguntas frequentes
A arterite temporal tem cura?
A maioria das pessoas chega a uma remissão duradoura e consegue parar o tratamento, em geral depois de 1 a 2 anos ou mais. A doença pode voltar, por isso o acompanhamento continua[10].
A perda de visão pela arterite temporal é reversível?
Geralmente não. O tratamento protege sobretudo o outro olho, e é por isso que o corticoide começa sem esperar os exames[1][5].
Qual é a diferença para a polimialgia reumática?
A polimialgia inflama a região dos ombros e dos quadris, não as artérias, e precisa de doses menores de corticoide. As duas aparecem juntas com frequência[5][14].
A arterite temporal é grave? Pode matar?
É uma doença séria por causa do risco para a visão, mas as mortes são raras com tratamento precoce, e a mortalidade caiu ao longo das décadas[7]. Os riscos graves são o AVC no início e as complicações da aorta mais tarde[5].
Doença de Horton é a mesma coisa que cefaleia de Horton?
Não. "Cefaleia de Horton" é um nome antigo da cefaleia em salvas, outro problema, de adultos mais jovens, com crises curtas e muito fortes em volta de um olho.
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- Mukhtyar CB, Nikiphorou E, Bartoletti A, et al. 2025 EULAR recommendations for the management of polymyalgia rheumatica and primary large vessel vasculitis. Ann Rheum Dis. 2026 (on-line em 21 de julho de 2026). doi:10.1016/j.ard.2026.06.009 (acesso em 7 de novembro de 2026)
- Dejaco C, Ramiro S, Bond M, et al. EULAR recommendations for the use of imaging in large vessel vasculitis in clinical practice: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2024;83(6):741-751. doi:10.1136/ard-2023-224543 (acesso em 7 de novembro de 2026)
- Maz M, Chung SA, Abril A, et al. 2021 American College of Rheumatology/Vasculitis Foundation Guideline for the Management of Giant Cell Arteritis and Takayasu Arteritis. Arthritis Rheumatol. 2021;73(8):1349-1365. doi:10.1002/art.41774. PubMed Central (acesso em 7 de novembro de 2026)
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- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Arterite de células gigantes. Orientações ao paciente. reumatologia.org.br (acesso em 7 de novembro de 2026)
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Polimialgia reumática e arterite de células gigantes. Página atualizada em 31 de agosto de 2022. reumatologia.org.br (acesso em 7 de novembro de 2026)
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