A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos, que pode ir de um quadro leve, parecido com gripe, a um ataque grave ao fígado e aos rins. O nome vem da icterícia, o amarelado da pele e dos olhos que aparece nas formas graves. Muitas pessoas infectadas se sentem mal só por alguns dias, mas uma parte evolui para uma fase grave, com sangramentos e falência de órgãos. A boa notícia é que existe uma vacina muito eficaz, oferecida pelo SUS para toda a população. Este guia explica o que é a febre amarela, o que transmite a doença no Brasil, quais são os sintomas e quantos dias dura, como os exames de sangue ajudam no diagnóstico, se a febre amarela tem cura e como funcionam a vacina e o certificado internacional.

O que é febre amarela?

A febre amarela é causada por um flavivírus, da mesma família dos vírus da dengue, da zika e do Nilo Ocidental. Segundo o Ministério da Saúde, é uma doença imunoprevenível, de início abrupto e gravidade variável, com letalidade elevada nas formas graves. Ela circula há séculos nas regiões tropicais e já causou epidemias urbanas devastadoras nas Américas e na Europa, antes de se entender que era transmitida por mosquitos. Hoje o vírus é endêmico em 27 países da África subsaariana e em 13 países da América do Sul tropical, incluindo o Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por ser da mesma família, a febre amarela tem sintomas iniciais parecidos com os de outras doenças tropicais, e quem tem febre depois de passar por uma área de risco costuma ser avaliado também para a doença descrita no guia sobre sintomas, sinais de alerta e tratamento da dengue. A semelhança pode ser tão grande que o médico considera também o guia sobre sintomas, transmissão e cuidados do zika vírus quando alguém tem febre e dores depois de visitar uma área afetada. O que diferencia a febre amarela é a capacidade de, numa parte dos casos, lesar o fígado e causar sangramentos graves.

Febre amarela: sintomas

Muitas infecções por febre amarela são leves ou não causam sintoma nenhum. Quando a doença aparece, ela costuma começar de 3 a 6 dias depois da picada do mosquito infectado, de forma súbita. Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas iniciais são febre de início súbito, dores no corpo, calafrios, náuseas e vômitos, dor de cabeça intensa, cansaço, dores nas costas e fraqueza. A maioria das pessoas melhora depois desses sintomas iniciais.

O problema é que cerca de 15 % das pessoas, segundo o Ministério da Saúde, têm um breve período de horas a um dia sem sintomas e então desenvolvem uma forma mais grave. Nessa fase tóxica, a febre volta alta, o fígado e os rins começam a falhar, a pele e os olhos ficam amarelados e podem surgir sangramentos pela boca, pelo nariz, pelos olhos ou pelo estômago, eventualmente com choque e falência de vários órgãos. A tabela resume os sintomas das duas fases.

SintomaComo costuma ser
Febre e calafriosTemperatura alta de repente no início da doença, muitas vezes com tremores
Dor de cabeça forte e dores no corpoDor intensa na cabeça, nas costas e nos músculos
Náuseas e vômitosEnjoo, falta de apetite e, às vezes, vômitos
IcteríciaPele e parte branca dos olhos amareladas, sinal de alerta da fase tóxica
Urina escura e dor na barrigaUrina cor de chá e dor abdominal, que sugerem sofrimento do fígado
SangramentosSangramento de gengivas, nariz, olhos ou do aparelho digestivo na doença grave

Quais são os 3 sintomas da febre amarela?

Os três sintomas mais lembrados da febre amarela são febre de início súbito, dor de cabeça intensa e dores no corpo (principalmente nas costas), muitas vezes com calafrios, náuseas e vômitos. Nas formas graves surgem os sinais de alerta: pele e olhos amarelados (icterícia), sangramentos e diminuição da urina.

Quantos dias dura a febre amarela?

Na forma leve, a fase aguda costuma melhorar em três a quatro dias, e a maioria das pessoas se recupera totalmente. Quem evolui para a fase grave pode ficar internado por semanas, e os sobreviventes costumam se recuperar ao longo de várias semanas, muitas vezes com cansaço prolongado.

O que transmite febre amarela?

A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos infectados, e só as fêmeas transmitem o vírus. Não há transmissão de pessoa para pessoa. Segundo o Ministério da Saúde, a doença tem dois ciclos: no ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos de hábitos silvestres, principalmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e os macacos (primatas não humanos) são os principais hospedeiros, enquanto o ser humano entra como hospedeiro acidental ao frequentar áreas de mata. No ciclo urbano, o transmissor seria o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, que espalha o vírus de pessoa para pessoa nas cidades. No Brasil, o ciclo atual é silvestre: os últimos casos de febre amarela urbana foram registrados em 1942, e todos os casos confirmados desde então vieram do ciclo silvestre.

Um ponto importante: os macacos não transmitem a febre amarela. Eles adoecem e morrem pela doença, como o ser humano, e funcionam como sentinelas que mostram onde o vírus está circulando. Se você encontrar macacos mortos na região onde vive ou está, avise imediatamente a vigilância ou o controle de zoonoses do seu município; o Ministério da Saúde informa que a morte de macacos também pode ser registrada pelo aplicativo SISS-Geo.

O risco depende muito de onde você vai e de estar ou não vacinado. Pessoas não vacinadas que vivem perto de áreas de mata ou viajam para regiões com circulação do vírus, no Brasil, em outros países da América do Sul e na África, são as mais expostas. Como essas regiões também têm outras doenças transmitidas por mosquitos, os viajantes costumam comparar com os riscos descritos no guia sobre sintomas, transmissão e tratamento da malária.

Qual a diferença entre febre amarela e malária?

A febre amarela é causada por um vírus e transmitida por mosquitos como Haemagogus, Sabethes e Aedes; tem vacina, mas não tem remédio antiviral. A malária é causada por um parasita (Plasmodium) transmitido pelo mosquito Anopheles, e tem remédios que curam. As duas causam febre e podem ser graves, por isso quem tem febre depois de estar em área de risco precisa de avaliação rápida.

A vacina contra a febre amarela e o certificado internacional

O fato mais importante sobre a febre amarela é que existe uma vacina segura e eficaz, a principal ferramenta de prevenção segundo o Ministério da Saúde, e o SUS a oferece para toda a população. A vacina usa uma cepa viva atenuada do vírus, conhecida como 17D, e no Brasil é produzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz, entre outros fabricantes. Segundo o CDC, a imunidade se forma em 80 % a 100 % das pessoas em 10 dias e em mais de 99 % em um mês. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema de apenas uma dose durante toda a vida, de acordo com a recomendação da OMS. Pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), na rotina, as crianças recebem duas doses, aos 9 meses e aos 4 anos, e a partir dos 5 anos o Programa Nacional de Imunizações disponibiliza dose única; a SBIm recomenda duas doses, com intervalo de 10 anos, para quem foi vacinado uma vez.

Como a doença pode atravessar fronteiras, vários países exigem comprovante de vacinação na entrada. No Brasil, esse comprovante é o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), que pode estar disponível no aplicativo Meu SUS Digital ou ser solicitado pelo portal gov.br. Segundo o governo federal, a validade do CIVP começa 10 dias depois da vacinação e vale para a vida toda, então basta tirá-lo uma vez. Por ser uma vacina de vírus vivo, o Ministério da Saúde lista quem não deve se vacinar: crianças menores de 9 meses, mulheres amamentando bebês menores de 6 meses, pessoas com alergia grave ao ovo, pessoas vivendo com HIV com CD4 abaixo de 350, pessoas em quimioterapia ou radioterapia, pessoas com doenças autoimunes e pessoas em tratamento com imunossupressores. Quem quiser doar sangue deve esperar 28 dias depois da vacina. Um profissional de saúde ajuda a avaliar cada caso antes de uma viagem.

Como a febre amarela é diagnosticada

Como a febre amarela no início se parece com muitas outras febres tropicais, o médico se apoia na história de viagens e de exposição junto com os exames de laboratório. O Ministério da Saúde orienta informar ao médico qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores aos sintomas, se você viu macacos mortos nos lugares visitados, se foi picado por mosquitos e se tomou a vacina, com a data. O melhor exame depende de há quanto tempo você está doente. Nos primeiros dias depois do início dos sintomas, um teste molecular chamado RT-PCR detecta o material genético do vírus no sangue. Mais tarde, quando o vírus já está sendo eliminado, o laboratório procura os anticorpos que o sistema imunológico produziu, em geral do tipo IgM, que indicam infecção recente. Como os flavivírus causam reações cruzadas nos testes de anticorpos, um resultado positivo pode precisar de um teste de neutralização para separar febre amarela de dengue, zika ou de uma vacinação anterior.

Os exames de sangue também mostram o quanto o vírus está atingindo os órgãos, e é aí que os marcadores de rotina se tornam valiosos. Quando o vírus lesa as células do fígado, elas liberam enzimas no sangue, por isso o laboratório mede a enzima explicada no guia sobre o exame AST (TGO) e a enzima parceira descrita no guia sobre a TGP (ALT), que podem subir muito na doença grave. Quando o fígado falha, o pigmento se acumula, e por isso o médico acompanha o pigmento medido no exame de bilirrubina total para avaliar a icterícia. O risco de sangramento sobe quando as plaquetas caem, por isso o hemograma confere as células da coagulação explicadas no guia sobre plaquetas, e, como o fígado produz as proteínas da coagulação, o médico também avalia a medida da coagulação descrita no guia sobre tempo de protrombina quando há preocupação com sangramento. Os rins são acompanhados pela creatinina, que mostra o funcionamento dos rins.

Exame ou marcadorO que mostra na febre amarelaQuando é usado
RT-PCR (teste molecular)Material genético do vírus, confirmando infecção ativaNos primeiros dias depois do início dos sintomas
Anticorpos IgMA resposta imune a uma infecção recenteA partir do fim da primeira semana, aproximadamente
Enzimas do fígado (TGO e TGP)Lesão das células do fígado, muitas vezes muito elevadas na doença gravePara avaliar o quanto o fígado foi atingido
BilirrubinasAcúmulo do pigmento que causa a icteríciaQuando aparece o amarelado da pele ou dos olhos
Plaquetas e tempo de protrombinaQueda das plaquetas e coagulação lenta, que aumentam o risco de sangramentoPara vigiar a fase tóxica
Marcadores dos rins (creatinina)Sinais de sofrimento ou falência dos rinsNa doença grave, para acompanhar a função dos órgãos

A febre amarela é de notificação compulsória imediata: segundo o Ministério da Saúde, todo caso humano suspeito e toda morte de macaco devem ser comunicados às autoridades de saúde em até 24 horas.

A febre amarela tem cura?

Não existe remédio antiviral que cure a febre amarela, mas muitas pessoas se recuperam: o tratamento, segundo o Ministério da Saúde, é apenas sintomático, com assistência cuidadosa e repouso. Na forma leve, isso significa descanso, bastante líquido para evitar desidratação e um antitérmico indicado pelo médico, como o paracetamol, para febre e dores. Os sintomas da fase aguda costumam melhorar em alguns dias, e quem não evolui para a fase tóxica tende a se recuperar totalmente.

Um alerta importante: o Ministério da Saúde orienta evitar AAS (aspirina), porque ele pode favorecer sangramentos, e os médicos também costumam evitar outros anti-inflamatórios, como ibuprofeno e naproxeno, pelo mesmo motivo. Quem tem icterícia, sangramento, confusão ou pouca urina precisa de atendimento hospitalar urgente. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em unidade de terapia intensiva (UTI), com soro na veia, derivados do sangue para controlar sangramentos, remédios para sustentar a pressão e diálise se os rins pararem. O atendimento rápido melhora as chances, mas a fase tóxica continua perigosa. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192).

Prevenção

Prevenir a febre amarela depende de duas coisas: estar vacinado e evitar picadas de mosquito. Para quem vive ou viaja para áreas com circulação do vírus, a vacina é a base, e os mesmos cuidados contra picadas que protegem de outras doenças transmitidas por mosquitos acrescentam uma segunda camada.

  • Tome a vacina contra a febre amarela pelo SUS e, se for viajar para um país que exige comprovante, faça isso pelo menos 10 dias antes e leve o CIVP.
  • Use repelente com DEET, icaridina ou IR3535, seguindo as instruções do rótulo, principalmente em áreas de mata.
  • Use camisas de manga longa e calças compridas quando estiver ao ar livre em áreas de risco.
  • Prefira ambientes com telas em portas e janelas ou ar-condicionado, e use mosquiteiro se dormir em local sem telas.
  • Elimine água parada em vasos, calhas, pneus e pratos de plantas para impedir que mosquitos se reproduzam perto de casa.

Durante grandes surtos, as autoridades às vezes ampliam um estoque limitado de vacinas usando doses fracionadas, menores que a dose padrão, uma estratégia que ajudou a vacinar mais pessoas rapidamente quando a procura superou a oferta. A SBIm registra que os estudos com dose fracionada foram feitos com a vacina de Bio-Manguinhos.

Complicações e prognóstico

Para a maioria das pessoas, a febre amarela é uma doença curta, seguida de recuperação completa e imunidade para a vida toda. O prognóstico é muito diferente para a minoria que evolui para a fase tóxica, em que o fígado e os rins podem falhar e surgem sangramentos graves. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20 % a 50 % das pessoas que desenvolvem a forma grave podem morrer, e por isso reconhecer cedo e buscar ajuda médica imediata faz tanta diferença.

Quem sobrevive à fase tóxica costuma se recuperar ao longo de várias semanas, muitas vezes com cansaço prolongado, e em geral sem lesão permanente do fígado ou dos rins. Raramente, a infecção pode inflamar o cérebro ou as membranas que o envolvem, uma complicação grave e pouco comum. Como o desfecho depende tanto da prevenção, a vacina continua sendo a melhor forma de impedir que um caso leve vire um caso grave.

Quando foi o último caso de febre amarela no Brasil?

A febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti nas cidades, não é registrada no Brasil desde 1942. Já a febre amarela silvestre continua acontecendo, com casos humanos e mortes de macacos registrados periodicamente em várias regiões, e o Ministério da Saúde publica a situação epidemiológica atualizada em sua página sobre a doença. Por isso a vacinação continua essencial.

Avanços científicos recentes sobre a febre amarela

Uma das perguntas mais ativas da pesquisa é como fazer um estoque limitado de vacinas proteger mais pessoas durante surtos. Um estudo randomizado de não inferioridade de 2025, publicado no New England Journal of Medicine, testou doses fracionadas menores da vacina 17D em adultos de Uganda e do Quênia e mostrou que elas produziram proteção imune comparável à dose padrão (Kimathi et al., 2025). Outro relato preliminar, na Vaccine, avaliou a segurança de doses de um quinto e de metade em crianças pequenas de Uganda e encontrou um padrão de reações pós-vacinação parecido com o da dose completa (Casey et al., 2024). O que isso significa para você: a dose padrão continua sendo a escolha de rotina, mas esses estudos apoiam o uso emergencial de doses fracionadas para alcançar muito mais gente quando falta vacina num surto.

Pesquisadores também buscam um tratamento para preencher a falta de um antiviral. Um estudo de 2025 na JCI Insight relatou que um anticorpo monoclonal neutralizante específico contra a febre amarela, dado antes ou logo depois da infecção, evitou a doença letal em um modelo animal (Rust et al., 2025). Como hoje não existe remédio que ataque o vírus, um anticorpo protetor poderia um dia ajudar pessoas expostas ou que não podem se vacinar. O que isso significa para você: é pesquisa inicial, em animais, e não um tratamento disponível hoje, mas aponta para um futuro em que uma terapia direcionada possa amenizar uma infecção grave.

Em conjunto, essas pesquisas mostram um campo trabalhando nas duas pontas do problema: esticar uma vacina comprovada e procurar o primeiro tratamento de verdade. Por enquanto, a proteção mais confiável continua sendo a vacina, os cuidados contra picadas de mosquito e entender como os exames de sangue confirmam o diagnóstico, para saber o que seus resultados significam.

Glossário de termos

TermoDefinição
FlavivírusFamília de vírus transmitidos sobretudo por mosquitos e carrapatos, que inclui os da febre amarela, da dengue e da zika.
Vacina 17DVacina de vírus vivo atenuado contra a febre amarela, que dá proteção duradoura.
Fase tóxicaA segunda fase, grave, da febre amarela, com icterícia, sangramentos e falência do fígado e dos rins.
IcteríciaAmarelado da pele e dos olhos causado pelo acúmulo de bilirrubina quando o fígado não funciona bem.
Ciclo silvestrePadrão de transmissão em que mosquitos de mata, como Haemagogus e Sabethes, levam o vírus entre macacos e pessoas.
Aedes aegyptiO mosquito do ciclo urbano da febre amarela, que também transmite dengue e zika.
CIVPCertificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, que comprova a vacinação contra febre amarela para viagens.
Dose fracionadaParte menor da dose padrão da vacina, usada para ampliar o estoque durante surtos.

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas da febre amarela?

Os primeiros sintomas costumam aparecer de 3 a 6 dias depois da picada do mosquito infectado e começam de repente: febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas e no corpo, náuseas, vômitos e cansaço. Na maioria das pessoas essa fase melhora em três a quatro dias. Os sinais de que a doença está ficando grave são icterícia, urina escura e qualquer sangramento, que exigem atendimento médico urgente.

Existe remédio para febre amarela?

Não existe remédio antiviral específico que cure a febre amarela. O tratamento é de suporte: repouso, líquidos e antitérmico indicado pelo médico enquanto o sistema imunológico elimina o vírus, com terapia intensiva nos casos graves. O AAS (aspirina) e outros anti-inflamatórios devem ser evitados porque podem aumentar o risco de sangramento. Tratamentos com anticorpos estão em estudo em laboratório, mas nenhum está disponível.

Quanto tempo dura a proteção da vacina contra a febre amarela?

Para a maioria das pessoas, a vacina protege por muitos anos, e o Brasil adota desde 2017 o esquema de dose única para a vida toda, conforme a OMS; as crianças recebem uma dose aos 9 meses e outra aos 4 anos. O CIVP vale para a vida toda a partir de 10 dias depois da vacinação. A SBIm recomenda uma segunda dose 10 anos depois para quem foi vacinado uma vez; converse com um profissional de saúde sobre o seu caso.

Um exame de sangue confirma a febre amarela?

Sim. Nos primeiros dias da doença, o RT-PCR detecta o material genético do vírus no sangue, e mais tarde um exame de anticorpos encontra a resposta imune a uma infecção recente. Como vírus parecidos podem causar reação cruzada, um resultado duvidoso pode precisar de um teste de neutralização. Outros exames, como enzimas do fígado, bilirrubinas e plaquetas, ajudam o médico a avaliar a gravidade.

A febre amarela passa de pessoa para pessoa?

Não. A febre amarela não passa por contato do dia a dia, tosse ou compartilhamento de objetos; ela só é transmitida pela picada de um mosquito infectado. Mas uma pessoa com o vírus no sangue pode infectar um mosquito que depois pica outra pessoa, e é assim que surtos urbanos poderiam se espalhar. Evitar picadas e vacinar a população ajudam a quebrar essa cadeia.

A vacina contra febre amarela é obrigatória para viajar?

Vários países exigem comprovante de vacinação contra febre amarela para a entrada, principalmente para quem chega de países onde o vírus circula, como o Brasil. O comprovante é o CIVP, que passa a valer 10 dias depois da vacinação. Confira as regras atuais do seu destino e das escalas com antecedência e emita o certificado pelo Meu SUS Digital ou pelo gov.br.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Febre amarela: transmissão, sintomas, tratamento e vacinação — gov.br — gov.br
  • Governo Federal — Obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) — gov.br — gov.br
  • Sociedade Brasileira de Imunizações — Vacina febre amarela (FA) — Família SBIm, 2026 — familia.sbim.org.br
  • Organização Pan-Americana da Saúde — Febre amarela — OPAS/OMS — paho.org
  • Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — gov.br
  • Centers for Disease Control and Prevention — Symptoms, Diagnosis, and Treatment of Yellow Fever — CDC Yellow Fever, 2024 — cdc.gov (em inglês)
  • Centers for Disease Control and Prevention — Yellow Fever Vaccine — CDC Yellow Fever, 2024 — cdc.gov (em inglês)
  • World Health Organization — Yellow Fever Fact Sheet — WHO Newsroom, 2024 — who.int (em inglês)
  • Cleveland Clinic — Yellow Fever: Symptoms, Causes and Treatments — Cleveland Clinic Health Library, 2023 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
  • Kimathi D, Juan-Giner A, Bob NS, et al. — Low-Dose Yellow Fever Vaccine in Adults in Africa — New England Journal of Medicine, 2025 — doi.org/10.1056/NEJMoa2407293 (em inglês)
  • Casey RM, Harris JB, Ahuka-Mundeke S, et al. — Adverse events following immunization with fractional one-fifth and one-half doses of yellow fever vaccine compared to full dose in children 9-23 months old in Uganda — Vaccine, 2024 — doi.org/10.1016/j.vaccine.2024.126197 (em inglês)
  • Rust BJ, Marceau AH, Fuller JR, et al. — Prophylactic and therapeutic neutralizing monoclonal antibody treatment prevents lethal yellow fever infection — JCI Insight, 2025 — doi.org/10.1172/jci.insight.191665 (em inglês)

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Entenda seus exames com a BloodSense

Na febre amarela, exames como TGO, TGP, bilirrubinas, plaquetas, tempo de protrombina e creatinina mostram como o fígado, a coagulação e os rins estão reagindo. Esses mesmos marcadores aparecem em muitos laudos de rotina e podem gerar dúvidas quando vêm destacados como fora dos valores de referência.

A BloodSense lê o laudo do laboratório e explica cada marcador em linguagem simples, mostrando onde ele fica em relação aos valores de referência e ajudando a acompanhar as mudanças ao longo do tempo. As informações desta página têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica. Converse com seu médico sobre seus resultados.

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