Dengue: sintomas, sinais de alarme, o que não tomar, exames e vacina no SUS

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e virou a doença tropical que mais se espalha no mundo, com recorde de casos em 2024, sobretudo nas Américas. O Ministério da Saúde a descreve como uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, em que a maioria das pessoas se recupera, mas parte pode evoluir para formas graves. Muita gente que pega dengue tem sintomas leves ou nenhum, mas a doença é famosa pela febre alta, pela dor de cabeça e pelas dores fortes no corpo que lhe deram o apelido de “febre quebra-ossos”. Saber reconhecer os sinais de alarme, entender os exames de sangue e saber quais remédios evitar faz diferença real. Este guia explica o que é a dengue, seus sintomas e sinais de alarme, como ela se transmite e é diagnosticada, o tratamento, a prevenção, as vacinas oferecidas pelo SUS e o que a pesquisa mais recente mostra.
O que é dengue?
A dengue é causada pelo vírus da dengue, um flavivírus que existe em quatro tipos parecidos, chamados sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Quem se recupera de um sorotipo fica imune a ele pela vida toda, mas não aos outros, e por isso uma pessoa pode ter dengue até quatro vezes. O vírus chega às pessoas pela picada de mosquitos Aedes infectados e não passa de uma pessoa para outra pelo contato do dia a dia; o Ministério da Saúde lembra que a transmissão da mãe para o bebê na gestação e por transfusão de sangue é rara.
Cerca de 1 em cada 4 pessoas infectadas chega a ficar doente, e a maioria delas se recupera em mais ou menos uma semana. Mas aproximadamente 1 em cada 20 pessoas com sintomas evolui para dengue grave, uma emergência que pode envolver vazamento perigoso de líquido dos vasos, sangramentos e lesão de órgãos. Com atendimento rápido e adequado, a mortalidade fica bem abaixo de 1 %, e o Ministério da Saúde afirma que quase todas as mortes por dengue são evitáveis, dependendo da qualidade da assistência. Grávidas, bebês e crianças até 2 anos, pessoas acima de 65 anos e quem tem doenças crônicas têm mais risco de complicações.
O que a dengue provoca? Sintomas e sinais de alarme
Os sintomas da dengue começam, em geral, de 4 a 10 dias depois da picada e duram cerca de 2 a 7 dias. Segundo o Ministério da Saúde, toda pessoa com febre alta de início súbito (39 °C a 40 °C) e pelo menos dois destes sinais, dor de cabeça, prostração, dores musculares ou nas articulações e dor atrás dos olhos, deve procurar logo um serviço de saúde. A doença passa por fases, e o momento mais delicado é justamente quando a febre baixa, entre o 3º e o 7º dia, porque é aí que a dengue grave costuma aparecer. A tabela separa os sintomas comuns dos sinais de alarme que exigem atendimento urgente.
| Sintomas comuns | Sinais de alarme (procure atendimento já) |
|---|---|
| Febre alta, muitas vezes com dor atrás dos olhos | Dor na barriga intensa e contínua |
| Dor de cabeça forte e dores musculares, nas articulações e nos ossos | Vômitos frequentes |
| Enjoo, vômitos e manchas vermelhas no corpo | Sangramento no nariz, nas gengivas ou nas fezes, ou vômito com sangue |
| Cansaço e moleza | Tontura ou sensação de desmaio, dificuldade para respirar, cansaço extremo ou irritabilidade |
Os sinais de alarme costumam aparecer quando a febre está indo embora, justamente quando muita gente acha que está melhorando. Quem tem dengue e apresenta qualquer um desses sinais deve ir imediatamente a um serviço de urgência, porque a reposição de líquidos nessa fase crítica evita o choque e salva vidas. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192).
Quantos dias dura a dengue no corpo?
A fase de febre dura em geral de 2 a 7 dias; a fase crítica, quando podem surgir os sinais de alarme, acontece por volta do 3º ao 7º dia, e depois vem a recuperação. O cansaço e a moleza podem continuar por algumas semanas depois que a febre passa.
Como a dengue é transmitida
A dengue é causada por qualquer um dos quatro sorotipos e se espalha pela picada do Aedes aegypti e, menos vezes, do Aedes albopictus. Esses mosquitos picam sobretudo durante o dia, se reproduzem em pequenas poças de água parada perto das casas e se dão bem no calor das cidades, o que explica a expansão da dengue com o crescimento urbano e o aquecimento do clima. O mosquito se infecta ao picar uma pessoa com o vírus no sangue e depois o passa para a próxima pessoa que picar.
Uma característica importante da dengue é que uma segunda infecção por um sorotipo diferente tem mais risco de forma grave do que a primeira, um fenômeno ligado à forma como os anticorpos da infecção anterior podem, sem querer, ajudar o novo vírus. Esse é um dos motivos pelos quais as vacinas e as estratégias de vacinação levam em conta se a pessoa já teve dengue. A dengue não é contagiosa entre pessoas por tosse, toque ou compartilhamento de comida.
Como é feito o diagnóstico da dengue
O Ministério da Saúde lembra que o tratamento não depende de exames específicos, porque se baseia no quadro clínico, mas os exames ajudam a confirmar o diagnóstico. A escolha depende de quantos dias a pessoa está doente: até o 5º dia, testes que identificam o vírus, como o antígeno NS1 e o RT-PCR, que detecta o material genético; a partir do 6º dia, a pesquisa de anticorpos IgM. Por isso o laboratório pergunta há quantos dias começaram os sintomas.
Os exames de rotina também dão pistas valiosas e guiam o tratamento. A dengue costuma derrubar as plaquetas, baixar os glóbulos brancos e, quando o líquido vaza dos vasos, fazer subir o hematócrito, sinal de que o sangue está ficando concentrado. Acompanhar essas tendências é central para perceber a dengue grave cedo, e por isso a equipe acompanha de perto a contagem de plaquetas no exame de sangue e o hematócrito e o que ele reflete, muitas vezes com hemogramas repetidos. Os dois valores vêm do hemograma completo, e entender o que mede o hemograma completo torna esses padrões da dengue mais fáceis de acompanhar.
Qual é o tratamento para a dengue?
Não existe remédio antiviral que cure a dengue, então o tratamento é de suporte: manter o corpo hidratado e estável enquanto o sistema imunológico elimina o vírus. O Ministério da Saúde orienta repouso, muitos líquidos (água, soro de reidratação oral, sucos e água de coco), não se automedicar e voltar para reavaliação conforme a orientação médica. Para febre e dor, o médico costuma indicar antitérmicos e analgésicos como paracetamol ou dipirona, nas doses certas.
O que não tomar em caso de dengue?
Na dengue, evite ácido acetilsalicílico (AAS, aspirina) e anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e naproxeno, porque eles aumentam o risco de sangramento. Também não use corticoides nem remédios por conta própria. Quem desenvolve sinais de alarme ou dengue grave precisa de atendimento com soro na veia, ajustado pelo hematócrito e por outras medidas, o que salva vidas. Como a dengue pode se parecer com outras febres tropicais, o médico pode testar também doenças como a infecção por parasita que causa a malária, sobretudo em quem viajou para a Região Amazônica.
Prevenção da dengue
Como não há cura, a prevenção se concentra em evitar as picadas e acabar com os criadouros do mosquito. O Ministério da Saúde recomenda telas nas janelas, repelentes em áreas com transmissão, remover recipientes que possam acumular água, vedar caixas-d’água e reservatórios e desentupir calhas, lajes e ralos. Roupas compridas e ambientes com ar-condicionado também reduzem as picadas. O controle do Aedes aegypti continua sendo a principal forma de prevenção, inclusive contra chikungunya e Zika, e o momento ideal para essas ações é fora da época de chuvas, antes de a epidemia começar.
Vacina contra a dengue no SUS
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra a dengue no sistema público. Segundo o Ministério da Saúde, ela foi incorporada ao SUS em 21 de dezembro de 2023 e entrou no Calendário Nacional de Vacinação em fevereiro de 2024, inicialmente em 521 municípios de 37 regiões de saúde, por causa da capacidade de produção. Em 2026, começou a aplicação da vacina do Instituto Butantan, de dose única, indicada para pessoas de 12 a 59 anos; em abril de 2026, o Ministério informava que a vacinação estava sendo priorizada para trabalhadores da Atenção Primária do SUS, com ampliação gradual conforme a produção. As regras mudam com frequência, então confirme na UBS ou no site do Ministério da Saúde quem pode se vacinar na sua cidade.
Tendências recentes
A dengue está em alta. O ano de 2024 foi o pior já registrado no mundo, com mais de 14 milhões de casos notificados, e as Américas responderam pela grande maioria, segundo a Organização Mundial da Saúde. A vacina de duas doses ganhou o apoio e a pré-qualificação da OMS para regiões de alta carga, enquanto a vacina mais antiga está sendo retirada do mercado. A nova vacina brasileira de dose única amplia as opções, mas o controle do mosquito e a proteção contra as picadas continuam sendo as ferramentas mais importantes na maior parte do país.
Avanços científicos recentes
A pesquisa recente vai da segurança das vacinas ao controle do mosquito e à busca de um antiviral de verdade. Segundo pesquisas indexadas no PubMed, uma análise de 2026 na Frontiers in Pharmacology comparou notificações de eventos adversos das duas vacinas mais antigas contra a dengue e concluiu que as da vacina mais velha eram com mais frequência graves, enquanto as da mais nova eram em sua maioria leves e esperadas (Gianguzzo et al., 2026). O que isso significa para você: os dados de vida real apoiam a restrição da vacina mais antiga a quem já teve dengue confirmada e favorecem o perfil de segurança das vacinas mais novas.
Uma revisão de 2026 na PLoS Neglected Tropical Diseases avaliou programas que soltam mosquitos com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade do mosquito de transmitir a dengue, e concluiu que eles costumam economizar recursos em áreas urbanas densas (Turner et al., 2026). O que isso significa para você: programas comunitários com mosquitos modificados surgem como uma camada de proteção duradoura e de bom custo-benefício, que complementa os cuidados de cada um. Enquanto isso, um estudo de 2026 na Antimicrobial Agents and Chemotherapy mostrou que um antiviral oral experimental protegeu camundongos de uma infecção letal por dengue (Clark et al., 2026). O que isso significa para você: um comprimido contra a dengue ainda está a anos de distância e continua em pesquisa, então o tratamento de suporte segue sendo o padrão, mas o caminho para um remédio específico finalmente avança.
Glossário da dengue
| Termo | Definição |
|---|---|
| Flavivírus | Família de vírus que inclui os da dengue, da Zika e da febre amarela. |
| Sorotipo | Um dos quatro tipos de vírus da dengue, DENV-1 a DENV-4. |
| Aedes aegypti | Mosquito que pica de dia e transmite a dengue entre as pessoas. |
| Dengue grave | Forma perigosa com vazamento de líquido, sangramentos ou lesão de órgãos. |
| Sinais de alarme | Sintomas que indicam piora e exigem atendimento imediato. |
| Teste NS1 | Exame de sangue que detecta uma proteína do vírus no início da doença. |
| Hematócrito | Proporção do sangue formada por glóbulos vermelhos; sobe quando o plasma vaza na dengue. |
| Plaquetopenia | Plaquetas baixas, achado comum na dengue. |
Perguntas frequentes sobre dengue
O que é dengue e o que a causa?
A dengue é uma doença viral causada pelo vírus da dengue, que tem quatro sorotipos, e transmitida pela picada de mosquitos Aedes infectados. A maioria das infecções é leve ou sem sintomas, mas algumas ficam graves. Ela não passa diretamente de uma pessoa para outra.
Quais são os primeiros sintomas da dengue?
Os primeiros sintomas são febre alta e repentina, dor atrás dos olhos, dor de cabeça forte e dores intensas nos músculos, nas articulações e nos ossos, muitas vezes com enjoo, vômitos e manchas vermelhas na pele. Eles começam de 4 a 10 dias depois da picada e duram cerca de uma semana.
Como são as manchas da dengue?
As manchas da dengue variam, mas costumam aparecer como vermelhidão espalhada ou manchas vermelhas em placas, às vezes com pequenas “ilhas” de pele normal no meio. Podem surgir no início ou quando a febre está passando, e podem coçar ou descamar na recuperação.
Quais exames diagnosticam a dengue?
Até o 5º dia de doença, o NS1 ou o RT-PCR detectam o vírus; a partir do 6º dia, a sorologia IgM detecta os anticorpos. O hemograma também é importante, porque a queda das plaquetas e a subida do hematócrito ajudam o médico a perceber a dengue grave cedo.
Qual doença pode ser confundida com a dengue?
Chikungunya e Zika, transmitidas pelo mesmo mosquito, são as mais confundidas com a dengue, junto com febre amarela, leptospirose, malária, covid-19 e outras viroses. Por isso o exame clínico e, quando necessário, os testes de laboratório são importantes para definir a doença.
Quando a vacina contra a dengue será aplicada no SUS em 2026?
Em 2026, o SUS começou a aplicar a vacina do Instituto Butantan, de dose única, indicada de 12 a 59 anos, primeiro em trabalhadores da Atenção Primária e depois em ampliação gradual, conforme a produção. As faixas etárias e os municípios contemplados mudam ao longo do ano, então confira na sua UBS.
Dá para ter dengue mais de uma vez? A segunda é mais perigosa?
Sim. Como há quatro sorotipos e a imunidade vale só para cada um, é possível ter dengue até quatro vezes. Uma segunda infecção por um sorotipo diferente tem mais risco de dengue grave, o que importa tanto para o cuidado quanto para a vacinação.
Fontes
- Ministério da Saúde — Dengue — Saúde de A a Z, gov.br, 2025 — gov.br
- Ministério da Saúde — Quem pode receber a vacina contra a dengue do Instituto Butantan? — Perguntas frequentes, gov.br, 2026 — gov.br
- Organização Pan-Americana da Saúde — Dengue — OPAS/OMS — paho.org
- Centers for Disease Control and Prevention — Dengue: Signs and Symptoms — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- Centers for Disease Control and Prevention — Dengue: Diagnosis and Testing — CDC, 2024 — cdc.gov (em inglês)
- World Health Organization — Dengue and Severe Dengue — WHO Fact Sheet, 2024 — who.int (em inglês)
- Gianguzzo VM, et al. — Post-marketing safety profile of dengue vaccines CYD-TDV and TAK-003: analysis of adverse event reports — Frontiers in Pharmacology, 2026 — doi.org (em inglês)
- Turner HC, et al. — The cost-effectiveness of Wolbachia-based biocontrol interventions for dengue: A scoping review — PLoS Neglected Tropical Diseases, 2026 — doi.org (em inglês)
- Clark MJ, et al. — Oral lipid prodrug V2043 protects mice from lethal dengue infection — Antimicrobial Agents and Chemotherapy, 2026 — doi.org (em inglês)
Leia também
- Entenda um dos exames mais acompanhados na dengue no guia sobre a contagem de plaquetas no exame de sangue.
- Veja o que significa a subida do hematócrito no guia sobre o hematócrito e o que ele reflete.
- Compare com outra febre tropical no guia sobre os sintomas e o tratamento da malária.
- Conheça outra doença transmitida pelo mesmo mosquito no guia sobre o vírus Zika e seus sintomas.
- Ganhe confiança para ler seus resultados com o guia sobre valores de referência, destaques e próximos passos de um laudo.
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Na dengue, o hemograma é repetido muitas vezes: plaquetas, hematócrito e leucócitos mostram se a doença está estável ou se o sangue está concentrando, um dos sinais que levam o médico a reforçar a hidratação. Entender esses números ajuda a acompanhar a evolução e a conversar com a equipe de saúde.
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