A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma infecção bacteriana das vias respiratórias muito contagiosa que voltou a chamar atenção nos últimos anos. Ela é causada pela bactéria Bordetella pertussis e é famosa pelas crises violentas de tosse que podem terminar num chiado agudo, o “guincho”, quando a pessoa tenta puxar o ar. Em crianças maiores e adultos a doença costuma ser cansativa, mas não grave; em bebês pequenos ela pode ser fatal. Este guia explica o que é a coqueluche, quais são as três fases e os sintomas, como ela é transmitida, como saber se a tosse é de coqueluche, como os exames de secreção e de sangue confirmam o diagnóstico, qual é o tratamento e como a vacina do SUS protege, principalmente os bebês.

O que é coqueluche?

A coqueluche é uma infecção respiratória causada pela Bordetella pertussis, uma bactéria que se prende aos cílios, os pelinhos que revestem as vias aéreas, e libera toxinas que os inflamam e paralisam. Sem esses cílios para varrer o muco, as vias aéreas ficam irritadas e entupidas, e o corpo responde com a tosse incessante que dá nome à doença. Segundo o Ministério da Saúde, a principal característica são crises de tosse seca, e a infecção pode atingir também a traqueia e os brônquios. É uma das infecções mais contagiosas que existem: uma só pessoa sem tratamento pode passá-la para muitas pessoas sem proteção ao redor.

O que significa pertussis?

Pertussis é o nome médico da coqueluche, vindo do latim e usado no mundo todo; ele aparece também no nome da bactéria, Bordetella pertussis, e na sigla das vacinas (o “P” de DTP e dTpa). No Brasil, os nomes populares mais usados são coqueluche e tosse comprida.

O que significa ser a coqueluche do momento?

“Ser a coqueluche do momento” é uma expressão popular que quer dizer ser a grande moda, aquilo de que todo mundo está falando. No sentido figurado, ela não tem nada a ver com saúde.

A proteção contra a coqueluche vem nas mesmas vacinas combinadas que protegem contra o tétano e a difteria, na infância e na vida adulta; para conhecer uma dessas doenças companheiras, veja o guia sobre sintomas, causas e vacina do tétano. Depois de décadas de controle com a vacinação infantil, a coqueluche voltou a crescer em vários países. Nos Estados Unidos, segundo o CDC, os casos em 2024 foram mais de seis vezes os de 2023, superando os níveis de 2019, antes de começar a cair depois de um pico no fim de 2024. O Ministério da Saúde lembra que a coqueluche é uma doença cíclica, com intervalos de três a cinco anos, e que quem já teve a doença ou foi vacinado pode se reinfectar. Os especialistas ligam a volta da doença ao retorno do convívio social depois da pandemia, à proteção que diminui com os anos e às falhas na vacinação.

Quais são as três fases da coqueluche?

As três fases da coqueluche são a catarral, a paroxística e a de convalescença, e os sintomas mudam tanto de uma para outra que o começo da doença não se parece com o fim. A primeira fase, a catarral, lembra um resfriado comum, com coriza, espirros, olhos lacrimejando, febre baixa, mal-estar e uma tosse seca leve; ela dura cerca de uma a duas semanas. É nesse período que a pessoa mais transmite a doença, e como ele se confunde facilmente com um resfriado, o diagnóstico muitas vezes passa despercebido; ajuda conhecer o guia sobre sintomas e tratamento do resfriado.

A segunda fase, a paroxística, é quando a coqueluche fica reconhecível. Crises de tosse fortes e incontroláveis chegam de repente, às vezes uma dúzia de tossidas num só fôlego, muitas vezes terminando no guincho característico quando o ar é puxado de volta para os pulmões vazios. Durante as crises a pessoa pode ficar com o rosto vermelho ou azulado e vomitar, e as crises costumam ser piores à noite. Segundo o Ministério da Saúde, essa fase pode durar de duas a seis semanas. A última fase, a de convalescença, é uma recuperação lenta: a tosse diminui aos poucos, mas pode persistir por duas a seis semanas ou até três meses, e outras infecções respiratórias nessa fase podem trazer as crises de volta por um tempo. Por isso a coqueluche é chamada em inglês de “tosse dos cem dias”.

Nem todo mundo segue o padrão clássico. Adolescentes e adultos vacinados podem ter só uma tosse insistente que dura mais do que uma infecção comum, muitas vezes sem o guincho. Bebês podem não fazer o guincho, nem tossir muito: no lugar disso podem ter pausas perigosas na respiração, chamadas apneias, que são uma emergência médica.

FaseComo costuma ser
Fase catarral (semanas 1 a 2)Coriza, espirros, olhos lacrimejando, febre baixa e tosse leve; o período mais contagioso e fácil de confundir com resfriado
Fase paroxística (2 a 6 semanas)Crises súbitas de tosse rápida, guincho agudo ao inspirar, vômitos depois da tosse e cansaço, muitas vezes piores à noite
Fase de convalescençaTosse que melhora devagar, por semanas ou até três meses, e pode voltar com outras infecções respiratórias
Em bebês pequenosPouca ou nenhuma tosse, pausas na respiração (apneia), dificuldade para mamar e cor arroxeada; sempre uma emergência

Como saber se a tosse é de coqueluche?

A tosse de coqueluche costuma vir em crises: várias tossidas seguidas, sem conseguir respirar entre elas, terminando num guincho ao puxar o ar, às vezes com vômito e rosto vermelho ou arroxeado. Ela é seca, piora à noite e dura semanas. Só o exame confirma, por isso uma tosse assim, sobretudo se você convive com um bebê ou se há casos por perto, deve ser avaliada por um médico.

Coqueluche: transmissão, causas e fatores de risco

A única causa da coqueluche é a infecção pela Bordetella pertussis, que se espalha com muita facilidade. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre principalmente pelo contato com a pessoa doente, por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou até ao falar; raramente, por objetos recém-contaminados com secreções. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lembra que a bactéria vive na garganta das pessoas, mesmo das que têm poucos sintomas. A pessoa transmite desde a fase inicial, parecida com resfriado, e pode continuar transmitindo por semanas sem tratamento, por isso os surtos andam rápido em casas, escolas e creches. O período de incubação é, em média, de 5 a 10 dias, podendo variar de 4 a 21 dias e, raramente, chegar a 42 dias.

Como a imunidade da vacina e de uma infecção anterior diminui com os anos, crianças maiores e adultos com proteção enfraquecida muitas vezes são a fonte não reconhecida que leva a bactéria para casa, até um recém-nascido. Quem tem maior risco de forma grave são os bebês com menos de um ano, sobretudo os que ainda não completaram as vacinas. Gestantes, pessoas com imunidade baixa ou asma moderada a grave e qualquer pessoa que conviva com um bebê também merecem atenção especial. Uma tosse que se arrasta muito além do que uma infecção comum explicaria pode ser coqueluche num adulto, principalmente durante um surto; para entender a diferença, veja o guia sobre sintomas e tratamento da bronquite aguda.

Por que a coqueluche é perigosa para os bebês

A coqueluche é mais perigosa no primeiro ano de vida, e os bebês mais novos correm o maior risco. Segundo o Ministério da Saúde, os menores de um ano, principalmente os de até seis meses, têm mais chance de formas graves, muitas vezes letais, com apneia, parada respiratória, convulsões e desidratação pelos vômitos repetidos. A SBIm informa que a maior parte dos casos e todos os casos fatais acontecem em crianças com menos de um ano ainda não vacinadas ou que não receberam pelo menos três doses; em 2015, 62,6 % dos 2.955 casos confirmados no Brasil foram em menores de um ano.

Essa vulnerabilidade explica por que tanta prevenção se concentra nas pessoas ao redor do recém-nascido. O bebê só começa as próprias vacinas aos dois meses e só fica bem protegido depois de várias doses, o que deixa uma janela nos primeiros meses em que os anticorpos passados pela mãe na gravidez e um “casulo” de familiares vacinados são a principal defesa.

Como a coqueluche é diagnosticada

Como a coqueluche no início se parece com tantas outras infecções respiratórias, é o exame de laboratório que a confirma. Segundo o Ministério da Saúde, o médico pode pedir a coleta de secreção da nasofaringe, com um swab fino no fundo do nariz, para cultura ou para PCR em tempo real, e a coleta deve ser feita antes do antibiótico ou, no máximo, até três dias depois do início. O PCR detecta o material genético da Bordetella pertussis e é o exame mais sensível no começo da doença; a cultura cultiva a bactéria, é muito específica, mas é mais lenta e menos confiável depois de antibióticos ou de várias semanas de tosse. Mais tarde, quando a bactéria já saiu das vias aéreas, um exame de anticorpos no sangue (sorologia) pode apoiar o diagnóstico em alguns serviços.

Os exames de sangue também trazem uma pista de apoio, e esse é um lugar em que um exame de rotina pode apontar para a coqueluche. O Ministério da Saúde cita o hemograma e o raio X de tórax como exames complementares. Em bebês e crianças pequenas, a infecção muitas vezes aumenta os glóbulos brancos com um excesso marcante de um tipo específico, os linfócitos, a chamada linfocitose. Quando uma criança pequena está muito doente, o médico costuma pedir e avaliar o hemograma completo, que conta hemácias, leucócitos e plaquetas. Uma proporção muito alta de linfócitos pode levantar a suspeita de coqueluche e, nos bebês mais graves, indica maior risco de doença grave; ajuda entender o que significam linfócitos altos no exame de sangue. O mesmo laudo mostra o total de glóbulos brancos, e vale ler o que leucócitos altos podem indicar no laudo, porque esses números colocam o resultado do swab em contexto, sem substituí-lo.

ExameO que detectaMelhor momento
PCR em tempo real da nasofaringeMaterial genético da Bordetella pertussis, confirmando infecção ativaNas primeiras semanas de tosse, antes do antibiótico ou até 3 dias depois
Cultura da nasofaringeBactéria viva cultivada de um swab do nariz e da gargantaNo início da doença, idealmente antes do antibiótico
Sorologia (anticorpos no sangue)A resposta imune do corpo à bactériaMais tarde, algumas semanas depois do início da tosse
Hemograma completoLeucócitos altos com linfocitose marcantePista de apoio, principalmente em bebês e crianças pequenas

Coqueluche: tratamento e recuperação

O que combate a coqueluche?

O que combate a coqueluche são os antibióticos da família dos macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina, prescritos pelo médico, e, na prevenção, a vacina. O Ministério da Saúde reforça que o tratamento é feito basicamente com antibióticos, conforme cada caso, e que é importante procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os primeiros sinais. Os antibióticos eliminam a bactéria e, tão importante quanto, impedem que a pessoa continue transmitindo. O problema é o tempo: eles funcionam melhor quando começam cedo, na primeira ou segunda semana, antes das crises de tosse ficarem fortes. Mais tarde, quase não encurtam a tosse, porque a lesão das vias aéreas já aconteceu, mas ainda valem a pena para cortar a transmissão. Depois de cinco dias do antibiótico certo, a pessoa em geral deixa de transmitir.

Para a tosse em si, não existe remédio que a desligue de forma confiável. Os xaropes para tosse vendidos sem receita não mostraram benefício, por isso o cuidado é principalmente de suporte: repouso, líquidos e alimentação em pequenas quantidades e com frequência, ambiente calmo e sem fumaça e atenção aos sinais de alerta. Segundo o Ministério da Saúde, as crianças diagnosticadas com coqueluche muitas vezes ficam internadas, porque nelas os sintomas são mais graves. Como os mesmos antibióticos podem proteger contatos vulneráveis, o médico muitas vezes os indica para pessoas da casa, mesmo antes de qualquer sintoma, a chamada quimioprofilaxia. Quem cuida de um bebê que tosse em crises, fica arroxeado ou para de respirar deve procurar o pronto-socorro imediatamente ou ligar para o SAMU (192).

A coqueluche cura sozinha?

Em adolescentes e adultos, a coqueluche costuma passar com o tempo, mas isso não significa que se deva esperar sem tratamento: sem antibiótico, a pessoa continua transmitindo por semanas e pode contaminar um bebê, para quem a doença é perigosa. Em bebês, a coqueluche nunca deve ser tratada em casa sem avaliação médica. Mesmo depois de curada a infecção, a tosse pode durar semanas a meses.

Vacina contra a coqueluche e prevenção

A vacinação é, de longe, a forma mais eficaz de prevenir a coqueluche, e funciona em duas direções: protege quem é vacinado e, por meio dele, os bebês pequenos demais para estarem totalmente imunizados. Segundo o Ministério da Saúde, crianças de até 6 anos, 11 meses e 29 dias devem ser vacinadas contra a coqueluche, com as vacinas combinadas do Calendário Nacional de Vacinação, e o SUS também oferece a vacina para todos os profissionais de saúde, parteiras tradicionais e estagiários da saúde que atendem recém-nascidos. Como a proteção diminui com o tempo, a SBIm destaca a importância de vacinar também quem convive com o bebê.

O passo mais importante para proteger um recém-nascido é a vacinação da gestante. O Ministério da Saúde orienta que toda gestante, mesmo se vacinada em gestações anteriores, receba uma dose da vacina dTpa a partir da 20ª semana da gestação atual, para que os anticorpos passem ao bebê e o protejam nos dois primeiros meses de vida. Nos Estados Unidos, o CDC estima que a dose materna reduz em cerca de três quartos o risco de coqueluche em bebês com menos de dois meses, a janela mais perigosa. Cercar o bebê de pais, irmãos e cuidadores vacinados, a chamada estratégia casulo, acrescenta outra camada de proteção, assim como a quimioprofilaxia rápida depois de uma exposição. A coqueluche é uma das doenças preveníveis por vacina que voltaram onde a cobertura caiu; para outra doença com a mesma tendência preocupante, veja o guia sobre sintomas, causas e tratamento do sarampo.

Complicações e prognóstico

Para a maioria das crianças maiores e adultos vacinados, a coqueluche é uma doença longa e cansativa, e não perigosa, e a recuperação completa é a regra, mesmo quando a tosse dura semanas. O quadro é diferente nos bebês, em quem a infecção pode se agravar rapidamente. A complicação grave mais frequente é a pneumonia, e para entender essa infecção pulmonar, veja o guia sobre sintomas, causas e tratamento da pneumonia. O Ministério da Saúde cita também infecções de ouvido, parada respiratória, desidratação, convulsões, lesão cerebral e morte nas crianças menores de seis meses, além de hérnias abdominais nas formas graves, por causa do esforço da tosse, que também pode fraturar costelas e romper pequenos vasos dos olhos.

O prognóstico depende muito da idade e da situação vacinal. Hoje as mortes são raras e acontecem quase só em bebês pequenos e com vacinação incompleta, e é por isso que a prevenção voltada para esse grupo pesa tanto. Para todos os outros, o principal desafio é a paciência: a tosse da coqueluche pode durar mais que a infecção e só desaparece aos poucos.

Avanços científicos recentes sobre a coqueluche

O avanço recente mais importante não é um remédio novo, mas um olhar atento sobre por que a coqueluche voltou com força. Uma revisão de 2025 na Current Opinion in Pediatrics analisou o ressurgimento mundial e mostrou que até países com vacinação infantil muito alta, como os Estados Unidos, registraram grandes aumentos de casos em 2023 e 2024, com a doença migrando para crianças maiores e adultos com imunidade enfraquecida (Christie, 2025). A revisão também alertou para a disseminação de cepas da Bordetella pertussis resistentes aos macrolídeos, os antibióticos normalmente usados primeiro. O que isso significa para você: a coqueluche está circulando mais do que em muitos anos, então manter as vacinas em dia e levar a sério uma tosse que não passa, principalmente perto de bebês, importa mais agora do que há uma década.

Uma revisão de 2024 na Nature Reviews Microbiology mostrou como a troca, décadas atrás, das vacinas de células inteiras pelas vacinas acelulares, que causam menos efeitos colaterais, parece ter vindo com uma proteção de menor duração, deixando a bactéria circular mais entre pessoas com imunidade enfraquecida (Domenech de Cellès e Rohani, 2024). Os autores descrevem como isso, junto com a evolução da própria bactéria, ajuda a explicar o ressurgimento. O que isso significa para você: as vacinas atuais são seguras e continuam prevenindo as formas mais graves, sobretudo nos bebês, mas a proteção que diminui com o tempo é o motivo pelo qual os reforços e a vacina em cada gestação continuam essenciais.

Pesquisadores também trabalham na próxima geração de vacinas, pensadas para durar mais e bloquear a transmissão, e não só a doença. Uma revisão de 2025 no Iranian Journal of Immunology resumiu vários candidatos, incluindo vacinas vivas atenuadas aplicadas em spray nasal, que buscam criar imunidade direto na superfície das vias aéreas, onde a bactéria se instala primeiro (Ehteshaminia et al., 2025). O que isso significa para você: essas vacinas ainda estão em estudo e não estão disponíveis, mas sugerem que uma proteção mais duradoura contra a coqueluche pode chegar no futuro.

Glossário de termos

TermoDefinição
Bordetella pertussisA bactéria que causa a coqueluche ao infectar o revestimento das vias aéreas.
PertussisO nome médico da coqueluche.
Fase catarralA primeira fase, parecida com resfriado, quando a pessoa mais transmite.
Fase paroxísticaA fase das crises fortes de tosse, muitas vezes terminando no guincho característico.
Fase de convalescençaA fase de recuperação, em que a tosse diminui devagar ao longo de semanas.
ApneiaPausa na respiração, sinal perigoso de coqueluche em bebês pequenos.
LinfocitoseNúmero de linfócitos acima do normal no sangue, pista comum de coqueluche em crianças.
Swab de nasofaringeAmostra colhida do fundo do nariz e da garganta para pesquisar a bactéria.
Vacinas combinadas e dTpaVacinas que protegem contra difteria, tétano e coqueluche; a dTpa é a versão para adultos e gestantes.
QuimioprofilaxiaAntibiótico dado a contatos próximos de um caso para que não adoeçam.

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas da coqueluche?

Os primeiros sintomas da coqueluche são leves e fáceis de confundir com resfriado: coriza, espirros, olhos lacrimejando, febre baixa, mal-estar e uma tosse seca ocasional. Essa primeira fase dura uma a duas semanas e é quando a infecção é mais contagiosa. Só depois a tosse vira as crises fortes que tornam a coqueluche reconhecível, por isso uma tosse diferente ou que piora durante um surto merece ser mostrada ao médico cedo.

Como é o som da tosse da coqueluche?

O som clássico é um guincho agudo, uma puxada de ar ofegante depois de uma longa sequência de tosse rápida, quando os pulmões se enchem de novo. Nem todo mundo faz esse som: adultos vacinados muitas vezes têm só uma tosse seca e insistente, e bebês muito pequenos podem não fazer o guincho, mas ter pausas na respiração. As crises costumam ser fortes a ponto de causar ânsia, vômito ou rosto vermelho ou arroxeado.

Por quanto tempo a coqueluche é contagiosa?

A pessoa com coqueluche transmite desde os primeiros sintomas parecidos com resfriado e pode continuar transmitindo por cerca de três semanas depois do início das crises, se não for tratada. O antibiótico encurta muito esse período: depois de cinco dias do antibiótico certo, a pessoa em geral não transmite mais. Esse é um motivo para tratar cedo, mesmo quando o remédio não encurta muito a tosse.

Quem deve tomar a vacina contra a coqueluche?

Pelo Calendário Nacional de Vacinação, as crianças são vacinadas com as vacinas combinadas desde os dois meses de idade, e o Ministério da Saúde indica a vacinação até os 6 anos, 11 meses e 29 dias. Toda gestante deve receber uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de cada gestação, e o SUS oferece a vacina também para profissionais de saúde e parteiras. Quem convive com um bebê deve conferir a própria vacinação.

Como os médicos confirmam a coqueluche?

O médico confirma a coqueluche com um exame de laboratório numa amostra colhida do fundo do nariz e da garganta. Nas primeiras semanas de tosse, o PCR em tempo real ou a cultura detectam a bactéria diretamente, de preferência antes do antibiótico. O hemograma acrescenta uma pista, já que linfócitos muito altos são comuns em bebês e crianças pequenas infectados.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Coqueluche: transmissão, sintomas, diagnóstico, tratamento e vacinação — gov.br — gov.br
  • Sociedade Brasileira de Imunizações — Coqueluche (pertussis) — Família SBIm — familia.sbim.org.br
  • Ministério da Saúde — SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — gov.br — gov.br
  • Centers for Disease Control and Prevention — Pertussis Surveillance and Trends — CDC Whooping Cough, 2025 — cdc.gov (em inglês)
  • Centers for Disease Control and Prevention — Tdap Vaccination During Pregnancy — CDC Whooping Cough, 2024 — cdc.gov (em inglês)
  • Cleveland Clinic — Whooping Cough (Pertussis): Symptoms and Treatment — Cleveland Clinic Health Library, 2024 — my.clevelandclinic.org (em inglês)
  • Mayo Clinic — Whooping Cough: Symptoms and Causes — Mayo Clinic, 2024 — mayoclinic.org (em inglês)
  • MedlinePlus, National Library of Medicine — Whooping Cough — MedlinePlus Health Topics, reviewed 2024 — medlineplus.gov (em inglês)
  • Christie C — Resurgence of pertussis: whopping the ‘100-day cough’ — Current Opinion in Pediatrics, 2025 — doi.org/10.1097/MOP.0000000000001486 (em inglês)
  • Domenech de Cellès M, Rohani P — Pertussis vaccines, epidemiology and evolution — Nature Reviews Microbiology, 2024 — doi.org/10.1038/s41579-024-01064 — doi.org/10.1038/s41579-024-01064-8 (em inglês)
  • Ehteshaminia Y, Golsaz-Shirazi F, Amiri MM, Shokri F — Next-generation Pertussis Vaccines with Special Focus on Intranasal Vaccination — Iranian Journal of Immunology, 2025 — doi.org/10.22034/iji.2025.108179.3088 (em inglês)

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