HPV é a sigla de papilomavírus humano, um grupo de mais de 200 tipos de vírus que vivem na pele e nas mucosas, as camadas úmidas que revestem partes do corpo. Segundo o Ministério da Saúde, é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo. A maioria das pessoas com vida sexual ativa entra em contato com algum tipo de HPV em algum momento, e a grande maioria dessas infecções não causa sintomas e desaparece sozinha em um ou dois anos. Uma minoria de tipos, chamados de alto risco, pode persistir e, lentamente, provocar alterações nas células que podem virar câncer. Neste artigo você vai entender o que é o HPV, como ele é transmitido, a diferença entre os tipos de baixo e de alto risco, quais são os primeiros sinais, como funcionam os exames (teste de DNA-HPV e Papanicolau) no Brasil e como a vacina reduz o risco.

O que é HPV, em linguagem simples

HPV vem do inglês human papillomavirus, papilomavírus humano. A parte “papiloma” se refere às pequenas lesões, ou verrugas, que alguns tipos podem causar. É uma das infecções mais comuns do mundo, e ter contato com ela não diz nada sobre o caráter ou a higiene de alguém. Isso apenas mostra que o vírus passa com facilidade pelo contato próximo de pele e mucosas.

Os médicos dividem os tipos transmitidos pelo sexo em duas famílias. Os tipos de baixo risco podem causar verrugas visíveis, mas quase nunca causam câncer. Os tipos de alto risco geralmente não dão nenhum sintoma, mas uma infecção que dura muitos anos com um deles é a principal causa de vários cânceres. Entender essa divisão é a chave para saber por que o HPV importa e por que a maioria das infecções não é motivo de pânico.

Por que o vírus é tão comum

Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), quase todas as pessoas sexualmente ativas se infectam com o HPV poucos meses ou poucos anos depois do início da vida sexual, e cerca de metade dessas infecções envolve um tipo de alto risco. Como o sistema imunológico costuma eliminar o vírus em silêncio, a maioria das pessoas nunca fica sabendo que teve HPV. Por isso, um resultado positivo no teste de HPV é comum e, sozinho, não é diagnóstico de câncer.

É vergonhoso ter HPV?

Não. Ter HPV não é motivo de vergonha: é uma infecção extremamente comum, que a maioria das pessoas sexualmente ativas tem em algum momento da vida, muitas vezes sem saber. Como o vírus pode ficar anos sem dar sinais, quase nunca é possível saber quando ou de quem a infecção veio, e procurar culpados não é correto nem útil. O que importa é fazer os exames de rastreamento no tempo certo e conversar abertamente com o profissional de saúde.

Tipos de HPV: qual vírus HPV é mais perigoso?

Os tipos de HPV mais perigosos são os de alto risco, principalmente o HPV 16 e o HPV 18, que causam a maior parte dos casos de câncer do colo do útero. A coisa mais útil a saber sobre o HPV é a qual grupo cada tipo pertence. Os de baixo risco afetam a qualidade de vida por causa das verrugas, mas não viram câncer. Os de alto risco são os que os programas de rastreamento procuram. A tabela abaixo resume a diferença.

CaracterísticaHPV de baixo riscoHPV de alto risco
Exemplos comunsTipos 6 e 11Tipos 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58 e outros
Efeito habitualVerrugas genitais; raramente verrugas na gargantaMuitas vezes nenhum sintoma
Relação com câncerMuito raramente causa câncerPode causar câncer se a infecção persistir por anos
O que se acompanhaAs próprias verrugasAlterações nas células do colo do útero e de outros locais

Os tipos que causam a maioria dos cânceres

Nem todos os tipos de alto risco pesam igual. Uma grande análise sistemática publicada em 2024 na revista The Lancet avaliou mais de 111 mil casos de câncer do colo do útero com HPV e confirmou que dois tipos, o HPV 16 e o HPV 18, respondem por cerca de três quartos dos casos no mundo. É exatamente por isso que as vacinas e muitos testes de rastreamento dão tanta atenção a esses dois genótipos. Para entender aonde uma infecção persistente de alto risco pode levar, nosso guia sobre sintomas e tratamento do câncer do colo do útero mostra o quadro completo.

O que o HPV pode causar no corpo

Os problemas de saúde ligados ao HPV se dividem em dois grandes grupos. Os tipos de baixo risco produzem verrugas. Os tipos de alto risco, quando persistem, podem produzir alterações pré-cancerosas nas células e, ao longo de muitos anos, câncer.

As verrugas genitais costumam aparecer como pequenas elevações ou grupos de lesões, achatadas ou elevadas. Não são perigosas, mas podem incomodar ou causar angústia, e um profissional de saúde pode tratá-las. Os cânceres ligados ao HPV de alto risco levam muito mais tempo para se formar, muitas vezes de 10 a 20 anos, e podem atingir várias partes do corpo. O Ministério da Saúde cita o câncer do colo do útero, do ânus, do pênis, da boca e da garganta.

  • Colo do útero, onde praticamente todos os cânceres estão relacionados ao HPV.
  • Garganta e fundo da boca, o chamado câncer de orofaringe.
  • Ânus, onde a maioria dos cânceres está relacionada ao HPV.
  • Pênis, vulva e vagina, onde boa parte dos cânceres tem origem no HPV.

Como a mesma região do corpo pode ser afetada de formas diferentes, alguns leitores também pesquisam condições próximas, como os sinais e o tratamento do câncer de útero e as causas e o tratamento do câncer de ovário, embora esses cânceres não sejam causados pelo HPV. Ajuda saber quais cânceres têm relação com o HPV e quais não têm.

Qual o primeiro sinal de HPV na mulher?

Na maioria das mulheres, o HPV não dá nenhum sinal; quando aparece algum, o primeiro costuma ser uma verruga genital, causada por tipos de baixo risco. Essas verrugas podem surgir semanas ou meses após o contato, como pequenas elevações da cor da pele ou acinzentadas, às vezes agrupadas em forma de “couve-flor”, na vulva, na vagina, no colo do útero, ao redor do ânus ou, mais raramente, na boca e na garganta. Podem coçar, mas em geral não doem. Já os tipos de alto risco normalmente não causam verrugas, dor nem nenhum sinal visível, e é justamente por isso que podem persistir sem ser notados. Quando uma infecção antiga de alto risco chega a causar câncer, os sintomas dependem do local e podem incluir sangramento fora do normal (por exemplo, após a relação sexual), corrimento, um caroço ou desconforto persistente. A ausência de sintomas é normal, e é por isso que o rastreamento, e não a espera por sinais, é a forma de descobrir cedo os problemas no colo do útero.

Como o HPV de alto risco leva ao câncer

O HPV de alto risco não vira câncer da noite para o dia. O NCI descreve um processo lento, em etapas: o vírus infecta as células finas da superfície de um local como o colo do útero e, na maioria das pessoas, o sistema imunológico o elimina em um ou dois anos. Quando isso não acontece, uma infecção persistente pode levar as células normais, aos poucos, a alterações leves e depois mais sérias, chamadas de displasia (ou lesões precursoras). As pesquisas sugerem que leva de 5 a 10 anos para as células infectadas do colo do útero se tornarem pré-cancerosas e cerca de 20 anos para virarem câncer. Essa janela longa é uma boa notícia, porque dá ao rastreamento muitas chances de encontrar e tratar as alterações antes que se tornem câncer.

Como o corpo expulsa o HPV?

Quem elimina o HPV é o próprio sistema imunológico, sem necessidade de remédio na maioria dos casos. As células de defesa reconhecem as células infectadas e controlam o vírus, geralmente em um a dois anos. Não existe chá, suplemento ou dieta que “expulse” o HPV. O que ajuda o corpo é não fumar, cuidar de condições que enfraquecem a imunidade e manter o acompanhamento com os exames indicados.

Como o HPV é transmitido e o que aumenta o risco

O HPV passa pelo contato íntimo de pele e mucosas, na maioria das vezes durante o sexo vaginal, anal ou oral. Uma pessoa pode carregar e transmitir o vírus mesmo sem sintomas e sem saber que o tem. Como pode levar anos para surgir algum sinal, quase nunca dá para saber exatamente quando ou de quem a infecção veio.

A camisinha (preservativo externo ou interno) reduz a chance de transmissão, mas não a elimina, porque o HPV pode estar em áreas da pele que ela não cobre. Alguns fatores tornam mais provável uma infecção persistente de alto risco, como fumar, ter o sistema imunológico enfraquecido e ter outras infecções sexualmente transmissíveis. Se você está cuidando da sua saúde sexual de forma mais ampla, nossos guias sobre sintomas e tratamento do herpes, exame e tratamento da clamídia e sintomas e tratamento da gonorreia falam de outras infecções avaliadas nas mesmas consultas.

HPV e anticoncepcional

O uso prolongado da pílula aparece entre os cofatores que podem aumentar um pouco o risco de câncer do colo do útero em quem tem uma infecção persistente de alto risco. Isso não quer dizer que a pílula cause câncer, e esse ponto deve ser pesado junto com os benefícios, em conversa com o médico. Nossa explicação sobre a pílula anticoncepcional oral coloca esse assunto em contexto.

Exames de HPV e rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil

No Brasil, o exame principal de rastreamento do câncer do colo do útero passou a ser o teste molecular de DNA-HPV oncogênico, que procura o material genético dos tipos de alto risco; o Papanicolau continua sendo usado onde o novo teste ainda não chegou. Não existe um exame que dê um “status de HPV” geral da pessoa, e não há teste de HPV aprovado para rastrear boca ou garganta. Na prática, o teste de HPV faz parte do rastreamento em pessoas com colo do útero. As duas ferramentas respondem a perguntas um pouco diferentes.

AspectoTeste de DNA-HPVPapanicolau (exame citopatológico)
O que procuraMaterial genético dos tipos de HPV de alto risco nas células do coloCélulas alteradas do colo que podem virar câncer
AmostraColeta de células do colo do úteroColeta de células do colo do útero
Pergunta que respondeHá um tipo ligado ao câncer presente?As células já começaram a mudar?
Intervalo no rastreamento do SUSA cada 5 anos após resultado negativoA cada 3 anos após dois exames normais com um ano de intervalo, onde o DNA-HPV ainda não está disponível

Quando o rastreamento é feito

Segundo o INCA, o rastreamento deve ser oferecido às mulheres e a qualquer pessoa com colo do útero de 25 a 64 anos que já tenha tido atividade sexual, o que inclui homens trans e pessoas não binárias com colo do útero. Com o teste de DNA-HPV, o exame é repetido a cada cinco anos depois de um resultado negativo. Infecções em idades mais jovens são muito comuns e costumam desaparecer sozinhas, e por isso o teste não é usado para rastrear adolescentes. O exame é feito pelo SUS, nas Unidades Básicas de Saúde, ou pelo plano de saúde. O seu calendário depende da idade, do teste usado e dos resultados anteriores, e o profissional de saúde pode dizer o que vale para você. Anotar a data da última menstruação (DUM) ajuda a planejar a consulta.

Tratamento dos problemas causados pelo HPV

Não existe remédio que cure a infecção pelo HPV em si, mas os problemas que ele causa têm tratamento eficaz. As verrugas genitais podem ser removidas ou tratadas com pomadas de uso prescrito, congelamento (crioterapia) ou pequenos procedimentos, embora possam voltar. As alterações pré-cancerosas do colo do útero encontradas no rastreamento costumam ser avaliadas com um exame com lente de aumento, a colposcopia, e, se necessário, com um pequeno procedimento para retirar o tecido alterado, como a cirurgia de alta frequência (CAF). Tratar essas alterações cedo é muito eficaz para prevenir o câncer do colo do útero. Os cânceres que chegam a se formar são tratados como outros cânceres, com resultados muito melhores quando descobertos cedo.

Vacina contra o HPV e prevenção

A vacina contra o HPV é uma das ferramentas de prevenção do câncer mais eficazes que existem. No Brasil, ela é oferecida pelo SUS e, de acordo com o Ministério da Saúde (Nota Técnica nº 16/2025), está disponível para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos em dose única, além de grupos especiais: pessoas imunodeprimidas (vivendo com HIV ou aids, transplantadas e pacientes oncológicos) com 3 doses, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos com 3 doses e vítimas de abuso sexual. A vacina do SUS é dirigida aos tipos mais frequentes: 6, 11, 16 e 18. Nos Estados Unidos, a versão usada protege contra nove tipos, e o NCI estima que ela possa prevenir até 90 % dos cânceres causados pelo HPV.

A vacinação funciona melhor quando aplicada antes de qualquer contato com o vírus, por isso o foco está na infância e no início da adolescência. Outras medidas de prevenção incluem não fumar, usar camisinha e manter os exames de rastreamento em dia.

Quem já teve HPV fica imune?

Não necessariamente. Eliminar uma infecção por HPV não garante proteção contra uma nova infecção pelo mesmo tipo, e com certeza não protege contra os outros tipos do vírus. Por isso, ter tido HPV não dispensa a vacina, quando ela é indicada, nem o rastreamento regular.

Quando procurar um médico por causa do HPV

O HPV raramente causa uma emergência, mas algumas situações merecem uma conversa com um profissional de saúde. Procure atendimento se alguma delas se aplicar a você.

  • Você percebeu verrugas, lesões, caroços ou feridas na região genital, na boca ou na garganta.
  • Você recebeu um Papanicolau alterado ou um teste de DNA-HPV positivo para alto risco.
  • Você ou seu filho estão na idade de tomar a vacina contra o HPV.
  • Você está na idade do rastreamento e não sabe quando deve repetir o exame.
  • Você tem o sistema imunológico enfraquecido, o que pode dificultar a eliminação do vírus.

Sintomas persistentes e sem explicação, como sangramento, dor ou um caroço, devem sempre ser avaliados, porque os cânceres ligados ao HPV têm tratamento muito mais eficaz quando descobertos cedo.

Avanços científicos recentes

Pesquisas de 2023 a 2026 reforçaram que a vacina contra o HPV é segura e eficaz e melhoraram a forma de fazer o rastreamento. Os resultados abaixo vêm de grandes revisões sistemáticas, que reúnem muitos estudos e estão entre as formas mais confiáveis de evidência.

A vacinação reduz câncer e lesões precursoras na população

Uma revisão sistemática Cochrane de 2025 reuniu 225 estudos com mais de 132 milhões de pessoas e concluiu que a vacinação contra o HPV reduz o risco de câncer do colo do útero e das alterações pré-cancerosas que vêm antes dele, com o maior benefício quando a vacina é aplicada no início da adolescência. A revisão não encontrou relação entre a vacina e os problemas graves de saúde às vezes divulgados nas redes sociais.

O que isso significa para você: tomar a vacina na idade certa, de preferência antes de qualquer contato com o vírus, oferece a proteção mais forte, e décadas de dados populacionais confirmam a sua segurança.

Revisão sistemática: estudo que reúne e combina os resultados de muitos estudos anteriores para chegar a uma conclusão mais confiável. Lesão precursora: alteração das células que ainda não é câncer, mas pode virar câncer se não for tratada.

Um mapa mais claro dos tipos de HPV que causam câncer

Uma análise sistemática de 2024 publicada na The Lancet revisou mais de mil estudos e confirmou que o HPV 16 e o HPV 18 respondem pela maior parte dos cânceres do colo do útero no mundo, seguidos por alguns outros tipos de alto risco. Isso explica por que vacinas e testes são desenhados em torno desses genótipos.

O que isso significa para você: os tipos com maior chance de causar dano são justamente os que as vacinas e os testes atuais miram de forma mais direta.

Genótipo: uma variante específica do vírus, identificada por um número, como 16 ou 18.

A autocoleta pode aumentar a adesão ao rastreamento

Uma revisão sistemática com metanálise de 2023 mostrou que permitir que a própria pessoa colete a amostra vaginal, em vez de exigir a coleta por um profissional, aumentou a participação no rastreamento do câncer do colo do útero. A autocoleta vem sendo oferecida em mais lugares como forma de alcançar quem deixaria de fazer o exame.

O que isso significa para você: se o exame ginecológico é uma barreira, pergunte na sua unidade de saúde se a autocoleta para o teste de HPV está disponível onde você mora.

Metanálise: método estatístico que combina os resultados de vários estudos para produzir uma estimativa única e mais precisa.

Glossário

TermoSignificado simples
HPV (papilomavírus humano)Grupo de mais de 200 tipos de vírus que infectam pele e mucosas
HPV de alto riscoTipos que podem levar ao câncer se a infecção durar anos, como o HPV 16 e o HPV 18
HPV de baixo riscoTipos que podem causar verrugas, mas quase nunca causam câncer
Papanicolau (exame citopatológico)Exame que avalia as células do colo do útero em busca de alterações que podem virar câncer
Teste de DNA-HPVExame molecular que procura o material genético do HPV de alto risco nas células do colo
DNAMaterial genético que o laboratório consegue detectar para identificar um vírus
DisplasiaCrescimento anormal das células, que pode ser pré-canceroso
Infecção persistenteInfecção que o corpo não elimina com o tempo
ColposcopiaExame do colo do útero com lente de aumento para avaliar lesões
Câncer de orofaringeCâncer no fundo da garganta, às vezes ligado ao HPV

Perguntas frequentes

Como se pega HPV?

O HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo de pele e mucosas durante o sexo vaginal, anal ou oral. Como o vírus pode estar presente sem nenhum sintoma, uma pessoa pode transmiti-lo sem saber, e podem se passar anos até aparecer algum sinal. Por isso é muito difícil saber quando a infecção começou. A transmissão não sexual dos tipos genitais é pouco comum.

HPV sempre vira câncer?

Não. A maioria das infecções por HPV não causa sintomas e desaparece sozinha, muitas vezes em um ou dois anos. O NCI lembra que o sistema imunológico costuma controlar o vírus sem tratamento. O câncer só se torna uma preocupação quando um tipo de alto risco persiste por muitos anos e causa alterações nas células que não são encontradas e tratadas a tempo, e é por isso que o rastreamento regular importa.

HPV tem cura?

Não existe remédio que elimine o vírus em si. Na maioria dos casos, o próprio corpo elimina o HPV. O que os médicos tratam são os problemas que o HPV às vezes causa, como as verrugas genitais e as alterações pré-cancerosas. Tratar essas lesões cedo é muito eficaz, e esse é um dos principais motivos para o rastreamento existir.

Quem tem HPV pode amamentar?

Essa é uma dúvida comum depois de um resultado positivo. O HPV é transmitido sobretudo pelo contato íntimo durante o sexo, e ter um teste positivo não muda, por si só, os cuidados do dia a dia. Como cada caso tem detalhes próprios (por exemplo, verrugas em tratamento), a melhor orientação sobre amamentação vem do obstetra ou do pediatra que acompanha você e o bebê.

A vacina contra o HPV é segura?

Sim. Um grande conjunto de evidências, incluindo uma revisão Cochrane de 2025 com mais de 132 milhões de pessoas, mostra que a vacina contra o HPV é segura e eficaz. Ela não foi associada às doenças graves às vezes divulgadas na internet. Como qualquer vacina, pode causar efeitos leves e passageiros, como dor no braço. O Ministério da Saúde a oferece pelo SUS como medida de prevenção do câncer.

Homem precisa se preocupar com HPV?

Sim. Homens podem ter HPV e desenvolver cânceres ligados a ele na garganta, no ânus e no pênis, além de verrugas genitais. Não existe exame de rastreamento de rotina para homens, mas a vacina é indicada para meninos na mesma faixa etária das meninas, o que também ajuda a reduzir a transmissão. Homens que notarem verrugas ou sintomas diferentes devem procurar um profissional de saúde.

O que acontece depois de um resultado alterado?

Um Papanicolau alterado ou um teste de DNA-HPV positivo para alto risco é comum e não é diagnóstico de câncer. Em geral, significa um acompanhamento mais próximo, que pode incluir repetir o exame ou fazer a colposcopia. Muitas alterações desaparecem sozinhas, e as que precisam de tratamento geralmente podem ser tratadas antes de virar câncer.

Fontes

  • Ministério da Saúde — HPV (Saúde de A a Z: tipos, sinais, prevenção e vacinação no SUS, Nota Técnica nº 16/2025) — gov.br
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Detecção precoce do câncer do colo do útero (rastreamento com teste de DNA-HPV, 25 a 64 anos) — gov.br
  • Centers for Disease Control and Prevention — About Genital HPV Infection (sobre a infecção genital por HPV) — cdc.gov
  • National Cancer Institute — HPV and Cancer (HPV e câncer) — cancer.gov
  • MedlinePlus (Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA) — HPV, papilomavírus humano — medlineplus.gov
  • Henschke N e colaboradores — Effects of human papillomavirus (HPV) vaccination programmes on community rates of HPV-related disease and harms from vaccination — Cochrane Database of Systematic Reviews, 2025 — doi.org/10.1002/14651858.CD015363.pub2
  • Wei F e colaboradores — Causal attribution of human papillomavirus genotypes to invasive cervical cancer worldwide: a systematic analysis of the global literature — The Lancet, 2024 — doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01097-3
  • Mekuria SF e colaboradores — HPV self-sampling versus healthcare provider collection on cervical cancer screening uptake and costs in LMIC: a systematic review and meta-analysis — Systematic Reviews, 2023 — doi.org/10.1186/s13643-023-02252-y

Leitura complementar

Entenda seus exames com a BloodSense

Interpretar resultados de exames de sangue online

O teste de HPV é feito com coleta de células do colo do útero, e não com exame de sangue, por isso a BloodSense não o analisa diretamente. Onde a BloodSense ajuda é nos exames de sangue, urina e fezes que costumam acompanhar o seu cuidado, transformando resultados como hemograma completo, enzimas do fígado (TGO e TGP) ou EAS (urina tipo 1) em explicações claras, em linguagem simples. O relatório de IA ajuda você a entender o que os seus números significam e a preparar perguntas para a consulta. Ele não é um diagnóstico e não substitui a avaliação do seu médico.