O essencial

O exame HLA (tipagem HLA) lê os seus genes do antígeno leucocitário humano, as "etiquetas de identidade" que o sistema imunológico usa para separar as suas células das estranhas. Ele é pedido por três motivos: achar um doador compatível para transplante, pesquisar um gene ligado a uma doença (como o HLA-B27) ou checar a segurança antes de certos remédios. Um resultado HLA não é alto nem baixo: é uma lista de variantes, ou uma resposta "positivo / negativo", e ele não muda ao longo da vida.

Como ler o resultado do exame HLA no laudo?

Você herda um conjunto de genes HLA do pai e outro da mãe[3]. O laudo traz uma resposta sobre uma única variante ou uma tipagem completa, gene por gene. Veja um exemplo fictício.

Exemplo fictício de laudo de exame HLA (formato brasileiro), adulto investigado por dor lombar e sintomas digestivos
ExameResultadoValor de referênciaIndicação
HLA-B27, genotipagem por PCR em tempo real (sangue total EDTA)Positivo (detectado)Negativo-
HLA-DQ2, genotipagemNegativo (não detectado)Negativo-
HLA-DQ8, genotipagemNegativo (não detectado)Negativo-
HLA classe I, tipagem, alta resoluçãoA*02:01, A*24:02; B*07:02, B*27:05; C*07:02, C*02:02Não se aplica-
  1. Sem seta para cima ou para baixo: um gene HLA está presente ou ausente. "Positivo" não quer dizer "alterado"; só mostra que você carrega aquela variante.
  2. HLA-B27 positivo: nos Estados Unidos, cerca de 6,1% dos adultos o carregam, a maioria saudável[5]. Ele aumenta a chance de algumas formas de artrite, mas sozinho não prova nada[6].
  3. HLA-DQ2 e DQ8 negativos: a doença celíaca fica muito improvável[10].
  4. Linha da tipagem: dois resultados por gene, um de cada pai. Em "B*27:05", B é o gene, 27 é o grupo de alelos (a família "B27") e 05 a proteína exata[2].

Um resultado HLA no meio de PCR, VHS ou hemograma? A BloodSense explica cada linha do seu laudo e ajuda você a preparar as perguntas para o médico.

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Para que serve o exame HLA?

As proteínas HLA ficam na superfície da maioria das células. O sistema imunológico as usa para reconhecer o que é do próprio corpo[3]. Por isso, eles contam em três situações.

  • Compatibilidade para transplante. No transplante de medula óssea (células-tronco), quanto mais parecido o HLA do doador e do paciente, melhor. Cada irmão de mesmo pai e mesma mãe tem 1 chance em 4 de ser totalmente compatível, e cerca de 7 em cada 10 pacientes não têm doador totalmente compatível na família[3]. No transplante de rim, a tipagem vem junto com a prova cruzada e a pesquisa de anticorpos contra o doador[4]. O seu tipo sanguíneo (ABO) é outro exame.
  • Genes ligados a doenças. HLA-B27 na espondilite anquilosante e artrites parecidas, HLA-DQ2/DQ8 na doença celíaca, HLA-B51 na doença de Behçet, HLA-DQB1*06:02 na narcolepsia.
  • Segurança de remédios (farmacogenética). Algumas variantes HLA preveem com força uma reação alérgica grave a um remédio específico; por isso o exame é feito antes da primeira dose[7][8][9].

Qual é o resultado normal do exame HLA?

Não existe valor normal. Todo mundo carrega uma combinação de variantes HLA, e existem milhares delas[1]. O que importa é qual variante o exame procurou e por quê. Valem o laudo do seu laboratório e a leitura do seu médico.

Resultados HLA mais comuns e o que significam
Resultado no laudoUso principalO que quer dizer "positivo"Fonte
HLA-B27Dor lombar, inflamação no olho, artriteRisco maior de espondiloartrite; presente em cerca de 60% dos pacientes brasileiros com espondilite anquilosanteMedlinePlus[6]; PCDT do Ministério da Saúde[12]
HLA-DQ2 / HLA-DQ8Doença celíaca, casos duvidososDoença celíaca possível, não confirmada; "negativo" a torna muito improvávelNIDDK[10]
HLA-B*57:01Antes do abacavir (tratamento do HIV)O abacavir não deve ser usadoEstudo PREDICT-1[7]
HLA-B*58:01Antes do alopurinol (gota)Risco maior de reação grave na peleColégio Americano de Reumatologia[8]
HLA-B*15:02, HLA-A*31:01Antes da carbamazepina (epilepsia, dor nos nervos)A carbamazepina é evitada em quem nunca a tomouCPIC[9]
Tipagem completa (A, B, C, DRB1, DQB1…)TransplanteNão há "positivo": ela é comparada com a tipagem do doadorNMDP[3]; revisão[4]

Baixa, média ou alta resolução? A baixa resolução dá só o grupo de alelos (por exemplo "B27"). A alta resolução acrescenta o segundo campo, a proteína exata (por exemplo "B*27:05")[2]. Para uma doença, em geral basta o grupo; para transplante e segurança de remédios, costuma ser preciso mais detalhe.

HLA-B27 positivo e outros resultados positivos: o que significam?

Um resultado positivo é um fator de risco ou um alerta para um remédio, nunca um diagnóstico:

  • Frequente HLA-B27 em uma pessoa saudável. Muitos portadores são saudáveis[6]: nos Estados Unidos, cerca de 6,1% dos adultos têm o gene[5]. Ele só pesa junto com dor lombar inflamatória, exames de imagem e exames de inflamação como a proteína C reativa (PCR) ou a VHS.
  • Frequente HLA-DQ2 ou DQ8 positivo. A maioria das pessoas com essas variantes nunca terá doença celíaca; o diagnóstico depende dos anticorpos no sangue e, muitas vezes, de uma biópsia[10]. Veja doença celíaca e intolerância ao glúten.
  • Possível HLA-B27 com sintomas: espondilite anquilosante, artrite psoriásica, artrite reativa, artrite ligada à doença de Crohn ou à retocolite ulcerativa, sacroileíte ou uveíte (inflamação no olho)[6]. No Brasil, cerca de 60% das pessoas com espondilite anquilosante são HLA-B27 positivas[12]. Veja também psoríase.
  • Possível Uma variante de segurança de remédio (B*57:01, B*58:01, B*15:02). No estudo PREDICT-1, com 1.956 pessoas vivendo com HIV, 5,6% carregavam o HLA-B*57:01; tirá-las do abacavir reduziu a hipersensibilidade confirmada de 2,7% para 0%[7]. O HLA-B*58:01 aparece em cerca de 7,4% das pessoas de origem chinesa han, coreana ou tailandesa, 3,8% dos afro-americanos e 0,7% das pessoas brancas e hispânicas nos Estados Unidos[8]. O HLA-B*15:02 é mais frequente no Leste Asiático (6,9%), na Oceania e no Sul e Centro da Ásia, e fica abaixo de 1% nas pessoas de origem europeia[9].
  • Raro HLA-DQB1*06:02 na narcolepsia. A maioria das pessoas com narcolepsia o carrega, sobretudo quem tem cataplexia[11], mas ele não é diagnóstico: veja narcolepsia.

Um resultado negativo tranquiliza em dois casos: a doença celíaca fica muito improvável[10], e um HLA-B*57:01 negativo teve valor preditivo negativo de 100% para hipersensibilidade confirmada ao abacavir[7]. Já um HLA-B27 negativo não descarta espondiloartrite.

O exame HLA precisa de jejum? O que conferir antes

  • Sem jejum: não é preciso preparo especial[6][14]. Alguns laboratórios usam um raspado da bochecha em vez de sangue[3]. Mais sobre o jejum para exame de sangue.
  • É o exame certo? "HLA-B27" e "tipagem HLA" não são o mesmo pedido. Pergunte quais genes serão pesquisados e com que resolução[2].
  • Exame antes da primeira dose: o valor de segurança da pesquisa de HLA-B*57:01, B*58:01 e B*15:02 está antes de começar o remédio[7][9]. Depois de mais de 3 meses de carbamazepina sem reação, o risco é extremamente baixo, mas não zero[9].
  • Candidatos a transplante: conte sobre gestações, transfusões de sangue e transplantes anteriores. Eles podem criar anticorpos anti-HLA que mudam a prova cruzada[4].
  • Guarde o laudo: os seus genes HLA não mudam, então um laudo antigo continua valendo. O protocolo brasileiro de espondilite anquilosante diz que não é preciso repetir o HLA-B27 no acompanhamento[12].

Quando procurar um médico por causa de um resultado HLA?

Quando procurar atendimento

  • Emergência: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro em caso de manchas na pele que se espalham com bolhas, pele descascando, feridas na boca ou nos olhos, ou febre depois de começar um remédio novo como carbamazepina ou alopurinol: são sinais da síndrome de Stevens-Johnson[9].
  • Em 24 a 48 horas se tiver olho vermelho e dolorido, com visão embaçada ou incômodo com a luz, e for HLA-B27 positivo (possível uveíte)[6], ou se tiver febre, manchas na pele ou mal-estar nas primeiras semanas de abacavir[7].
  • Na próxima consulta se tiver HLA-B27 positivo com dor lombar que dura meses, DQ2/DQ8 positivo com sintomas digestivos, ou dúvidas sobre a compatibilidade com um doador.

Perguntas para fazer ao seu médico

  1. Por que este exame HLA foi pedido: transplante, uma doença ou um remédio?
  2. Quais genes ele pesquisa, e com que resolução?
  3. O que faremos se der positivo, e se der negativo?
  4. Os meus outros exames (PCR, anticorpos, imagem) apoiam o diagnóstico?

Perguntas frequentes

Preciso repetir o exame HLA?

Em geral, não. Os genes HLA são herdados e não mudam ao longo da vida[3]. A equipe de transplante pode repetir a tipagem para confirmar uma compatibilidade, e a pesquisa de anticorpos é refeita.

Meus pais ou filhos podem ser meus doadores?

Sim, como doadores meio compatíveis (haploidênticos): você divide metade do seu HLA com cada um dos pais e com cada filho[3].

Tipagem HLA é a mesma coisa que tipagem sanguínea?

Não. O tipo sanguíneo (ABO, Rh) se refere às hemácias; o HLA se refere aos marcadores da maioria das outras células e é comparado sobretudo nos transplantes.

Um teste de DNA vendido pela internet substitui o exame HLA?

Não para decisões médicas. As escolhas de transplante e de segurança de remédios dependem de um exame validado, pedido pela sua equipe de saúde, na resolução de que ela precisa.

Exames e guias relacionados

Referências

  1. Marsh SGE, Albert ED, Bodmer WF, et al. Nomenclature for factors of the HLA system, 2010. Tissue Antigens. 2010;75(4):291-455. doi:10.1111/j.1399-0039.2010.01466.x (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  2. WHO Nomenclature Committee for Factors of the HLA System. Naming of HLA alleles. hla.alleles.org (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  3. NMDP. What is HLA? HLA basics, typing and matching. nmdp.org (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  4. Althaf MM, El Kossi M, Jin JK, et al. Human leukocyte antigen typing and crossmatch: a comprehensive review. World J Transplant. 2017;7(6):339-48. doi:10.5500/wjt.v7.i6.339 (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  5. Reveille JD, Hirsch R, Dillon CF, et al. The prevalence of HLA-B27 in the US: data from the US National Health and Nutrition Examination Survey, 2009. Arthritis Rheum. 2012;64(5):1407-11. doi:10.1002/art.33503 (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  6. MedlinePlus. HLA-B27 antigen. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  7. Mallal S, Phillips E, Carosi G, et al. HLA-B*5701 screening for hypersensitivity to abacavir. N Engl J Med. 2008;358(6):568-79. doi:10.1056/NEJMoa0706135 (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  8. FitzGerald JD, Dalbeth N, Mikuls T, et al. 2020 American College of Rheumatology guideline for the management of gout. Arthritis Care Res (Hoboken). 2020;72(6):744-60. doi:10.1002/acr.24180 (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  9. Phillips EJ, Sukasem C, Whirl-Carrillo M, et al. Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium guideline for HLA genotype and use of carbamazepine and oxcarbazepine: 2017 update. Clin Pharmacol Ther. 2018;103(4):574-81. doi:10.1002/cpt.1004 (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  10. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Diagnosis of celiac disease. niddk.nih.gov (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  11. MedlinePlus Genetics. Narcolepsy. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (em inglês; acesso em 8 de novembro de 2026)
  12. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondilite Ancilosante (anexo alterado em 18 de junho de 2025). gov.br/saude (acesso em 8 de novembro de 2026)
  13. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 8, de 23 de junho de 2025. gov.br/saude (acesso em 8 de novembro de 2026)
  14. Fundação Hemominas. Realizar tipificação de HLA (antígeno leucocitário humano). hemominas.mg.gov.br (acesso em 8 de novembro de 2026)
  15. Instituto Nacional de Câncer (INCA). REDOME: Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Para doadores. redome.inca.gov.br (acesso em 8 de novembro de 2026)

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