A psoríase é uma doença inflamatória crônica e não contagiosa que acelera a renovação da pele e forma placas avermelhadas, grossas e descamativas, sobretudo nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar. É uma das doenças crônicas mais visíveis da medicina e uma das mais mal compreendidas: quem convive com ela quase sempre já teve de explicar a um desconhecido que as manchas na pele não passam para ninguém.

No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Psoríase, do Ministério da Saúde, cita um estudo por telefone que encontrou a doença em 1,31 % das pessoas pesquisadas; no Censo Dermatológico da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ela respondeu por 2,5 % das consultas com dermatologistas. A psoríase também vai além da pele: a sinalização imune que engrossa uma placa no cotovelo aparece nas articulações, nas artérias e no metabolismo, e é por isso que a consulta de dermatologia cada vez mais vem com um pedido de exames de sangue.

O que é psoríase?

A psoríase é uma doença crônica mediada pelo sistema imunológico, em que uma sinalização inflamatória exagerada faz as células da pele se multiplicarem rápido demais. Os queratinócitos, as células da camada mais externa da pele, levam normalmente cerca de um mês para chegar à superfície e descamar; na pele com psoríase esse ciclo cai para poucos dias, e as células se acumulam numa placa elevada e cheia de escamas. A SBD descreve a doença como cíclica: os sintomas desaparecem e reaparecem periodicamente.

A psoríase não é contagiosa. Você não pega psoríase ao tocar numa placa, dividir uma toalha ou nadar na mesma piscina. Não há bactéria, vírus ou fungo para transmitir, e nenhum contato dá psoríase a quem não tem a predisposição imune de base. A SBD reforça que o contato com os pacientes não precisa ser evitado.

Uma predisposição genética, mais forte no gene HLA-C*06:02, se soma a um gatilho e ativa o eixo IL-23/Th17: células dendríticas liberam interleucina-23, que mantém os linfócitos T auxiliares 17, e estes liberam interleucina-17 e fator de necrose tumoral (TNF), que inflamam a pele e aceleram a divisão das células. Cada remédio moderno de alvo específico interrompe uma etapa desse circuito.

Tipos de psoríase

A psoríase é uma família de apresentações, e uma forma pode se transformar em outra depois de um período de estresse ou de uma mudança de remédio.

TipoComo éLocais típicos
Psoríase em placas (vulgar)Manchas elevadas, com bordas bem definidas e escama grossa; 80 % a 90 % dos casosCotovelos, joelhos, lombar, couro cabeludo, umbigo
Psoríase gutataChuva de pequenas lesões em forma de gota, muitas vezes semanas depois de uma infecção de gargantaTronco, braços, coxas
Psoríase invertidaManchas lisas e brilhantes, com pouca escama, porque a umidade impede que ela se formeAxilas, virilhas, embaixo dos seios
Psoríase pustulosaPústulas brancas sem infecção sobre a pele inflamada, localizadas ou espalhadasPalmas das mãos e plantas dos pés, ou o corpo todo
Psoríase eritrodérmicaInflamação e descamação em quase toda a pele, com febre e perda de líquidosQuase toda a superfície do corpo
Psoríase ungueal (nas unhas)Pequenas covinhas, manchas cor de “gota de óleo”, unha esfarelando, unha descolandoUnhas das mãos e dos pés
Psoríase no couro cabeludoEscama grossa e aderida que passa da linha do cabelo; pode haver queda temporáriaCouro cabeludo, atrás das orelhas, nuca

A psoríase no couro cabeludo é uma das buscas mais comuns no Brasil e muitas vezes é confundida com caspa ou dermatite seborreica: a SBD descreve placas avermelhadas com escamas grossas branco-prateadas, com flocos de pele que caem nos ombros depois de coçar.

Quais são os sintomas da psoríase gutata?

A psoríase gutata forma pequenas lesões vermelhas em forma de gota, cobertas por uma escama fina, espalhadas pelo tronco, braços, pernas e couro cabeludo. Segundo a SBD, ela costuma ser desencadeada por infecções bacterianas, como as de garganta, atinge mais crianças e jovens antes dos 30 anos e pode melhorar sozinha.

Sintomas da psoríase e como ela aparece em cada tom de pele

A lesão clássica é uma placa elevada, de bordas nítidas e escama grossa, que muitas vezes coça, racha com facilidade e aparece de forma espelhada nos dois cotovelos ou nos dois joelhos. A SBD lista ainda pele ressecada e rachada, às vezes com sangramento, ardência e dor, unhas grossas e descoladas, e inchaço e rigidez nas articulações. O fenômeno de Koebner faz surgir placas novas exatamente onde a pele foi machucada. A coceira é subestimada, e é um dos motivos pelos quais o médico precisa antes afastar o eczema, um grupo de inflamações da pele em que a coceira domina.

Como a psoríase aparece na pele parda e na pele negra

Os livros de medicina sempre mostraram a psoríase em pele branca, e as pessoas de pele mais escura acabam esperando mais pelo diagnóstico e sendo menos encaminhadas por causa disso — um ponto que importa num país com a diversidade de tons de pele do Brasil. Na pele mais escura, as placas raramente parecem vermelhas. Elas surgem violetas, roxo-escuras, cinza-amarronzadas ou quase pretas, com escamas acinzentadas em vez de prateadas. Como a inflamação é mais difícil de ver, a gravidade costuma ser subestimada, o que influencia quem recebe tratamento sistêmico.

A segunda questão, muitas vezes a que mais incomoda, é a mudança de cor depois da inflamação. Quando uma placa melhora, a pele embaixo dela costuma ficar mais escura ou mais clara que o resto por meses ou anos. Essas marcas não são cicatrizes e em geral clareiam, mas tratar as placas cedo diminui o problema.

A psoríase causa bolhas? As formas que são emergência

A psoríase comum não causa bolhas, mas a forma pustulosa produz pústulas, pequenas bolhas de aparência purulenta que não são infecção. Duas apresentações precisam de atendimento imediato, e não de uma consulta de rotina. Na psoríase eritrodérmica, a inflamação e a descamação tomam quase todo o corpo e a pele perde a capacidade de controlar a temperatura e segurar líquidos, com risco de desidratação, sobrecarga do coração e infecção; a SBD lembra que muitas vezes é preciso internação. A psoríase pustulosa generalizada, uma erupção súbita de pústulas pelo corpo com febre e cansaço intenso, traz risco parecido e pode ameaçar a vida se não for tratada. As duas podem surgir depois da retirada brusca de corticoide, e as duas são caso de pronto-socorro.

Causas e gatilhos da psoríase

A psoríase nasce do encontro entre genes e ambiente. A SBD informa que entre 30 % e 40 % dos pacientes sabem ter um parente de primeiro grau com a doença, e são conhecidos mais de 80 pontos do genoma ligados à suscetibilidade, mas os genes sozinhos não bastam: algo precisa ligar o circuito.

  • Infecções, sobretudo a amigdalite por estreptococo, o gatilho clássico da psoríase gutata.
  • Qualquer ferimento na pele: cortes, picadas, vacinas, tatuagens e queimaduras de sol.
  • Estresse emocional, que piora a doença em muitos pacientes — é daí que vem a expressão popular “psoríase emocional”, embora o estresse seja um gatilho e não a causa.
  • Alguns remédios: lítio, betabloqueadores como o propranolol, antimaláricos como a cloroquina, e a retirada de corticoides.
  • Cigarro, excesso de álcool e obesidade, que aumentam a gravidade e reduzem a resposta ao tratamento.
  • Tempo frio e seco, que explica a piora no inverno que a maioria descreve; a pele tende a melhorar com a exposição ao sol orientada pelo dermatologista.

Artrite psoriásica: a ligação com as articulações

Até cerca de um em cada três pacientes desenvolve artrite psoriásica — a SBD fala em até 30 % —, uma artrite inflamatória que ataca articulações, a inserção dos tendões e a coluna. A doença de pele costuma vir primeiro, muitas vezes uma década antes, o que dá ao dermatologista a chance de perceber cedo. Isso importa porque a erosão das juntas não volta atrás.

Os sinais de alerta são característicos: rigidez matinal que dura mais de 30 minutos, um dedo da mão ou do pé inteiro inchado em forma de “salsicha”, dor no ponto em que o tendão se prende ao osso e dor nas costas que melhora com o movimento. Covinhas nas unhas e unha descolando também são sinais de alerta.

Nenhum exame de sangue confirma a artrite psoriásica. Os exames servem para afastar doenças parecidas, já que a maioria das pessoas com artrite psoriásica tem negativos os anticorpos típicos da artrite reumatoide, uma doença autoimune e simétrica das juntas. Quando a coluna é atingida, o quadro lembra muito a espondilite anquilosante, artrite inflamatória da coluna e da bacia. O SUS tem um PCDT específico para a artrite psoriásica.

Quais são os órgãos que a psoríase ataca?

Além da pele, das unhas e das articulações, a inflamação crônica da psoríase aumenta o risco de doenças do coração e dos vasos, do metabolismo, do fígado, do intestino, dos olhos e do humor. Ela não fica na pele, e por isso o diagnóstico merece uma avaliação do corpo todo. As substâncias inflamatórias que circulam no sangue lesam a parede dos vasos e aceleram a aterosclerose, o acúmulo de placas de gordura que estreita as artérias, aumentando as taxas de infarto e AVC independentemente do cigarro e do peso.

Síndrome metabólica, diabetes tipo 2, gordura no fígado e colesterol alterado andam junto com a psoríase, e a gravidade de um costuma acompanhar a do outro. Doença inflamatória intestinal, uveíte (inflamação dentro do olho) e doença renal crônica aparecem mais do que o esperado, e depressão e ansiedade são cerca de duas vezes mais comuns do que na população geral, com participação da própria inflamação, e não só da aparência. A SBD também cita a associação com doenças cardiometabólicas e distúrbios do humor. Nada disso é motivo de pânico; é motivo de vigilância, porque esses riscos são fáceis de rastrear.

Como é feito o diagnóstico da psoríase?

A psoríase costuma ser um diagnóstico clínico. O dermatologista examina a pele, o couro cabeludo e as unhas e pergunta sobre a história da família; a distribuição das lesões e as covinhas nas unhas são pistas fortes. Às vezes é feita uma biópsia, quando é preciso diferenciar de um linfoma da pele, de uma micose ou de uma reação a remédio. A gravidade é medida pela área do corpo atingida e pelo PASI (índice de área e gravidade da psoríase). O PCDT brasileiro considera leve a psoríase com PASI igual ou inferior a 10 e moderada a grave a com PASI acima de 10.

Tem algum exame que detecta psoríase?

Não existe exame de sangue que detecte a psoríase. Os exames de laboratório servem a outros dois objetivos: rastrear as doenças associadas e vigiar a segurança do tratamento sistêmico. A maioria dos dermatologistas pede o perfil lipídico com o colesterol LDL, que reflete o risco cardiovascular, e rastreia o diabetes com a glicemia de jejum ou a hemoglobina glicada. As enzimas do fígado, como TGO e TGP, importam porque a gordura no fígado é comum e vários remédios sistêmicos são eliminados pelo fígado. Para medir a inflamação, o médico pode pedir a proteína C reativa (PCR), e o mesmo pedido muitas vezes inclui o exame de VHS, que acompanha a inflamação em intervalos mais longos. Antes de qualquer biológico ou remédio oral de alvo específico, é padrão investigar tuberculose latente e hepatites B e C.

O que é psoríase e como se trata?

A psoríase se trata conforme a gravidade, os locais atingidos e as doenças associadas, com cremes e pomadas, fototerapia, comprimidos ou injeções. Nada aqui é orientação para começar, parar ou trocar um remédio; a SBD lembra que o tratamento nunca deve ser interrompido sem autorização do médico. No SUS, os medicamentos e os critérios de uso seguem o PCDT da Psoríase.

Os tratamentos tópicos (pomadas e cremes) são a primeira escolha na doença limitada. Os corticoides agem rápido e são vigiados pelo aspecto da pele, porque o uso prolongado dos mais potentes afina a pele. Os análogos da vitamina D normalizam a renovação das células e costumam ser associados a um corticoide. Cremes mais novos sem corticoide incluem um inibidor da fosfodiesterase-4 e um agonista do receptor de hidrocarbonetos arílicos. Não existe “a melhor pomada para psoríase” para todo mundo: a escolha é do dermatologista.

A fototerapia serve para placas finas e espalhadas. O UVB de banda estreita em clínica, duas ou três vezes por semana, é o padrão; o PUVA acrescenta um medicamento que sensibiliza a pele à luz para os casos resistentes. O acompanhamento é dermatológico, não laboratorial: controla-se a dose acumulada, examina-se a pele em busca de dano solar e câncer de pele, e a proteção dos olhos é obrigatória com o psoraleno. A SBD faz um alerta importante: câmara de bronzeamento artificial não é fototerapia e pode trazer mais riscos do que benefícios.

Entre os remédios sistêmicos convencionais, o metotrexato exige hemograma, enzimas do fígado e função dos rins periódicos, além de investigação de hepatites e de evitar rigorosamente a gravidez. A ciclosporina age rápido, mas pede controle da pressão, da creatinina e dos eletrólitos em cursos curtos. A acitretina exige controle dos triglicerídeos e do fígado e é contraindicada na gravidez. O apremilaste não precisa de exames de rotina, mas pede atenção ao peso e ao humor. O deucravacitinibe, um inibidor oral da tirosina quinase 2 que age antes da interleucina-23, envolve investigação de tuberculose e controle do fígado e do colesterol.

Os biológicos são anticorpos injetáveis que neutralizam, cada um, uma substância inflamatória. Os inibidores do TNF são os que pedem mais acompanhamento: investigação de tuberculose antes e durante o tratamento, sorologia de hepatites e atenção a doenças desmielinizantes e insuficiência cardíaca. Os inibidores da interleucina-12/23 bloqueiam uma subunidade comum e têm doses espaçadas. Os inibidores da interleucina-17 limpam a pele rápido, mas exigem atenção a candidíase e cautela na doença inflamatória intestinal. Os inibidores da interleucina-23 (p19) agem no topo do circuito, com o acompanhamento mais leve, embora a investigação de tuberculose continue valendo. Segundo a SBD, várias classes de biológicos já estão aprovadas no Brasil.

Cuidados com a pele no dia a dia

Hidratantes espessos aplicados na pele ainda úmida depois do banho reduzem a escama, as rachaduras e a coceira; pomadas funcionam melhor que loções. Banhos curtos e mornos preservam a camada de gordura protetora da pele; banhos longos e quentes a removem. Uma remoção suave das escamas com ácido salicílico ou ureia ajuda os remédios a chegar às placas grossas, principalmente no couro cabeludo. Arrancar as escamas provoca novas lesões pelo fenômeno de Koebner.

Controlar o peso melhora a gravidade e a resposta ao tratamento em quem tem obesidade, e parar de fumar está entre as mudanças de maior valor. Como o estresse é um gatilho tão constante, terapia, técnicas de atenção plena e exercício merecem ser levados a sério. A SBD cita a alimentação equilibrada, o controle do peso e a atividade física entre os fatores que ajudam a melhorar os sintomas.

Psoríase tem cura? Como é viver com a doença

A psoríase é uma condição para a vida toda e não tem cura, e falar isso com franqueza importa mais do que otimismo. O que mudou foi o que significa controlar a doença: há vinte anos, uma melhora de 75 % era uma meta ambiciosa nos estudos; hoje, pele limpa ou quase limpa é realista para muita gente. A SBD resume que, com as opções disponíveis, já é possível viver com a pele sem ou quase sem lesões, qualquer que seja a gravidade.

A doença tem fases de melhora e de piora, com remissões espontâneas que duram meses ou anos e crises depois de infecções, estresse ou troca de remédio. A expectativa de vida é praticamente normal quando as doenças associadas são controladas — o argumento mais forte para o acompanhamento cardiometabólico de rotina.

Avanços científicos recentes

Um estudo de fase 3 publicado no New England Journal of Medicine testou o icotrokinra, um peptídeo oral que bloqueia o receptor da interleucina-23 — o mesmo alvo dos biológicos injetáveis, mas em comprimido diário. O ICONIC-LEAD sorteou 684 pessoas a partir de 12 anos com psoríase em placas moderada a grave: 456 para o remédio e 228 para placebo. Na semana 16, 65 % do grupo icotrokinra tinha pele limpa ou quase limpa, contra 8 % no placebo, e 50 % atingiram redução de 90 % na gravidade, contra 4 %. Efeitos adversos atingiram 49 % de cada grupo (Bissonnette et al., 2025). O que isso significa para você: um comprimido com esse alvo pode ampliar o acesso para quem não pode usar injeções. Ele ainda precisa de registro na ANVISA para ser usado no Brasil.

O estudo MEDIPSO, publicado no JAMA Dermatology, perguntou se a dieta sozinha muda a gravidade da psoríase. Trinta e oito adultos com doença leve a moderada, em tratamento tópico estável, foram sorteados para 16 semanas de dieta mediterrânea com azeite extravirgem, orientada por nutricionista, ou para a orientação padrão de pouca gordura. O escore de gravidade melhorou 3,4 pontos no grupo da dieta e não mudou no controle, uma diferença de −3,4 pontos (intervalo de confiança de 95 % de −4,8 a −2,0). Nove dos 19 participantes da dieta, 47,4 %, alcançaram melhora de 75 %, contra nenhum no controle (Perez-Bootello et al., 2025). O que isso significa para você: é um estudo pequeno e de um só centro, mas é a primeira evidência randomizada de que um padrão alimentar melhora as placas de forma mensurável.

Uma meta-análise em rede publicada na Dermatology and Therapy comparou todos os biológicos aprovados para psoríase em placas moderada a grave, um método que classifica remédios nunca testados frente a frente usando comparações em comum. Os autores revisaram 7.418 publicações, identificaram 124 estudos randomizados e analisaram 103 deles, com 12 biológicos, na semana 28. Todos foram melhores que o placebo na limpeza da pele e na qualidade de vida; os inibidores da interleucina-23 tildraquizumabe, risanquizumabe e guselcumabe tiveram desempenho parecido, e nenhum aumentou o risco de eventos adversos graves (Lebwohl et al., 2025). O que isso significa para você: quando as opções se parecem em eficácia, o intervalo entre as doses e a disponibilidade no SUS ou no plano de saúde decidem a escolha.

Mitos e verdades

  • Mito: psoríase é contagiosa. Verdade: não há micróbio envolvido, então ela não passa pelo toque, por toalhas ou pela piscina.
  • Mito: é só pele seca. Verdade: o hidratante alivia os sintomas, mas não a inflamação imune.
  • Mito: só atinge a pele. Verdade: até um terço desenvolve artrite psoriásica, e os riscos cardiometabólicos aumentam.
  • Mito: as placas são sempre vermelhas. Verdade: na pele parda e negra elas costumam parecer violetas, cinzentas ou marrom-escuras.
  • Mito: corticoide em comprimido resolve. Verdade: a suspensão pode causar um rebote forte, inclusive crises pustulosas.

Glossário

TermoSignificado
PlacaÁrea de pele elevada, bem delimitada e engrossada, em geral com escamas.
QueratinócitoA principal célula da camada externa da pele, que se multiplica rápido demais na psoríase.
Fenômeno de KoebnerLesões novas que surgem exatamente onde a pele foi machucada.
PASIÍndice de área e gravidade da psoríase, que pontua vermelhidão, espessura e extensão.
DactiliteInchaço de um dedo inteiro da mão ou do pé, em forma de salsicha.
Alteração de cor pós-inflamatóriaEscurecimento ou clareamento que fica depois que a placa sara.
EntesiteInflamação no ponto em que o tendão se prende ao osso, como no calcanhar.
BiológicoAnticorpo injetável que neutraliza um sinal específico do sistema imunológico.
Interleucina-23Proteína mensageira que mantém o circuito inflamatório da psoríase.

Perguntas frequentes

Psoríase é contagiosa?

Não. A psoríase não passa para outra pessoa em nenhuma circunstância. Nenhuma bactéria, vírus ou fungo a provoca, então não há nada a transmitir pelo toque, por toalhas, roupa de cama, aparelhos de academia, piscina ou relação sexual. O que passa na família é a predisposição genética, não a doença, e mesmo ela precisa de um gatilho para se manifestar. Se alguém evita contato por causa da sua pele, é um mal-entendido que vale corrigir.

O que causa a psoríase?

A psoríase resulta de uma tendência herdada a uma sinalização imune exagerada, ligada por um gatilho do ambiente. Mais de 80 regiões do genoma contribuem, e a mais forte é o HLA-C*06:02. Uma vez ativadas, as células dendríticas liberam interleucina-23, que mantém os linfócitos Th17 produzindo interleucina-17 e TNF; esses sinais inflamam a pele e aceleram a renovação das células. Gatilhos comuns incluem amigdalite, ferimentos na pele, estresse, cigarro, obesidade e retirada de corticoide.

Psoríase é uma doença autoimune?

Em geral ela é classificada como imunomediada, e não estritamente autoimune; o PCDT brasileiro a descreve como autoimune, e a SBD como autoinflamatória. As doenças autoimunes clássicas envolvem anticorpos contra um alvo do próprio corpo, e nenhum anticorpo assim define a psoríase; é um circuito exagerado de linfócitos T que mantém a inflamação. A diferença é sobretudo acadêmica: a psoríase se comporta como uma doença autoimune, anda junto com a doença inflamatória intestinal e a uveíte e responde a remédios que freiam sinais imunes específicos.

Quais são os tipos de doenças de pele mais comuns?

Entre as doenças de pele que mais levam ao dermatologista estão a acne, as dermatites e o eczema, as micoses, a psoríase, o vitiligo e o câncer de pele. Muitas se parecem no começo — uma placa com escama pode ser psoríase, micose ou dermatite —, por isso uma mancha que não melhora em poucas semanas merece consulta.

Como é a psoríase na pele?

A forma mais comum é uma placa elevada, de bordas nítidas, coberta por escama grossa, frequentemente nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo ou lombar, e muitas vezes simétrica. A aparência muda com o tom da pele: na pele clara as placas são rosadas ou vermelhas com escama prateada, e na pele parda e negra costumam ser violetas, cinzentas ou marrom-escuras, com escama acinzentada. Outras formas são diferentes, como as gotas da gutata e as covinhas nas unhas.

Fontes

  • Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase (Portaria Conjunta nº 18) — Brasil, 2021 — gov.br
  • Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Psoríaca — Brasil — gov.br
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia — Psoríase: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos — SBD, 2021 — sbd.org.br
  • NIAMS — Psoriasis — National Institutes of Health, 2023 — niams.nih.gov (em inglês)
  • MedlinePlus — Psoriasis — U.S. National Library of Medicine, 2024 — medlineplus.gov (em inglês)
  • American Academy of Dermatology — Psoriasis: Overview — AAD, 2024 — aad.org (em inglês)
  • Mayo Clinic — Psoriasis: Symptoms and Causes — Mayo Clinic, 2025 — mayoclinic.org (em inglês)
  • National Psoriasis Foundation — About Psoriasis — NPF, 2025 — psoriasis.org (em inglês)
  • Bissonnette R et al. — Oral Icotrokinra for Plaque Psoriasis — New England Journal of Medicine, 2025 — doi.org (em inglês)
  • Perez-Bootello J et al. — Mediterranean Diet and Patients With Psoriasis — JAMA Dermatology, 2025 — doi.org (em inglês)
  • Lebwohl MG et al. — Biologics for Moderate-to-Severe Plaque Psoriasis — Dermatology and Therapy, 2025 — doi.org (em inglês)

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