O essencial

A afta é uma pequena ferida dolorosa dentro da boca. Não é contagiosa, não é herpes e quase sempre some sozinha em uma a três semanas. Quando as aftas voltam sem parar, exames de sangue podem procurar causas que têm tratamento: ferritina, vitamina B12 ou ácido fólico baixos, doença celíaca e, raramente, doença de Behçet. Procure um dentista ou um médico se uma afta durar mais de duas semanas.

O que é afta na boca, em resumo?

A afta, chamada pelos médicos de úlcera aftosa ou estomatite aftosa recorrente, é um dos problemas mais comuns da boca: mais da metade das pessoas tem afta em algum momento, muitas vezes desde a adolescência[2]. O Conselho Federal de Odontologia fala em cerca de 60% da população, com pico entre 10 e 40 anos[13]. Até 25% das pessoas têm crises repetidas[6]. É mais comum em adolescentes e adultos jovens, e as mulheres têm mais do que os homens[1][3].

Como é uma afta e quais são os sintomas?

A afta típica é redonda ou oval, em geral com menos de 1 cm, centro branco ou amarelado e borda vermelha[1]. Ela aparece na parte mole e móvel de dentro da boca: parte interna dos lábios e das bochechas, língua e céu da boca mole[2]. A dor costuma melhorar em 7 a 10 dias, e a cicatrização completa leva de 1 a 3 semanas[1]. Existem três tipos[2][13]:

  • Frequente Afta menor (mais de 80% dos casos): menos de 1 cm, cicatriza em cerca de uma semana, sem deixar marca.
  • Possível Afta maior (cerca de 10% a 15%): mais de 1 cm, dura duas semanas ou mais, dói muito e pode deixar cicatriz.
  • Rara Afta herpetiforme (menos de 5%): várias feridinhas agrupadas que podem se juntar.

É afta ou herpes?

A afta fica dentro da boca e não passa para ninguém; o herpes é outra doença, causada por um vírus, e é contagioso[1][2]. O Ministério da Saúde lembra que é importante diferenciar as duas lesões[14]. Se a sua lesão é uma bolha na parte de fora do lábio, veja nosso guia sobre bolha no lábio e nossa página sobre herpes: sintomas e exames.

Quando a afta é preocupante e quando procurar o médico?

Quando procurar um médico

  • Emergência: ligue para o SAMU 192[17] em caso de dificuldade para respirar ou engolir, ou inchaço do rosto ou da língua. Procure atendimento no mesmo dia se tiver feridas na boca com febre alta e a imunidade baixa por uma doença ou um remédio.
  • Em 24 a 48 horas se as aftas vierem com febre, diarreia, dor de cabeça ou manchas na pele[1], com dor ou vermelhidão nos olhos, ou com feridas nos genitais ou em outras partes do corpo[2].
  • Na próxima consulta se uma afta não sarou em duas semanas, tem mais de 1 cm, atrapalha comer ou beber, ou se você tem aftas mais de duas ou três vezes por ano[1][3]. Uma ferida que não cicatriza precisa ser examinada: afta não é câncer, mas alguns cânceres de boca começam parecendo uma úlcera que não fecha[1].

O que causa afta na boca, e quais deficiências estão ligadas?

A causa exata não é conhecida. As aftas são mais comuns em algumas famílias e parecem envolver células de defesa que atacam por pouco tempo o revestimento da boca[1][2]. A maior parte das crises tem um gatilho simples; algumas apontam para uma deficiência ou uma doença em outra parte do corpo:

  • Frequente Pequenos machucados: morder a bochecha ou a língua, escovar com força, tratamento dentário[1], prótese mal adaptada, restauração quebrada ou dente mal posicionado[14].
  • Frequente Estresse e ansiedade, mudanças hormonais como a menstruação, e sensibilidade a alimentos (ácidos ou apimentados, por exemplo)[1][3][14].
  • Possível Creme dental com lauril sulfato de sódio; algumas pessoas têm menos crises depois de trocar[2].
  • Possível Falta de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico[1], e também de zinco ou vitamina D[3]. Em um estudo com 273 pessoas com aftas recorrentes, 20,9% tinham anemia, 20,1% ferro baixo, 4,8% vitamina B12 baixa e 2,6% ácido fólico baixo[4].
  • Possível Alguns remédios, como betabloqueadores, anti-inflamatórios não esteroides e medicamentos que diminuem a imunidade[3].
  • Possível Doença celíaca: quem tem a doença tem cerca de 2,5 vezes mais chance de ter aftas recorrentes[5]. A doença inflamatória intestinal (doença de Crohn, retocolite ulcerativa) e o HIV também estão ligados[2][3].
  • Rara Doença de Behçet, uma doença inflamatória em que as aftas vêm com feridas nos genitais, inflamação nos olhos ou lesões na pele[7].
  • Rara Neutropenia cíclica, uma doença hereditária que atinge cerca de 1 em cada 1 milhão de pessoas: os neutrófilos caem mais ou menos a cada 21 dias, por 3 a 5 dias, com aftas e febre que voltam nesse ritmo[8].

Afta que volta sempre: quais exames de sangue pedir e como ler?

Uma afta isolada é diagnosticada só olhando a boca[1][3]. Quando as aftas voltam ou são fortes, exames de sangue simples podem procurar uma deficiência nutricional ou outra causa[2]. Uma revisão recomenda dosar hemograma, ferro, vitamina B12, ácido fólico e homocisteína antes de tratar aftas recorrentes[4]. No Brasil, o protocolo do Ministério da Saúde inclui as úlceras aftosas recorrentes entre as indicações de pesquisa de doença celíaca no sangue[15].

Exemplo fictício de laudo de uma mulher com aftas de repetição (formato brasileiro)
ExameResultadoValores de referênciaSinalização
Ferritina9,0 ng/mLMulheres: 13 a 150 ng/mL↓
Vitamina B12240 pg/mL299 a 1.054 pg/mL↓
Ácido fólico (folato sérico)8,4 ng/mL2,7 a 17,0 ng/mL
Anticorpo antitransglutaminase IgA (tTG-IgA)Não reagenteNão reagente
  1. Ferritina: mostra as reservas de ferro. Quanto mais baixa, mesmo dentro da faixa, maior a chance de reservas baixas[10]. É preciso então achar a causa (menstruação intensa, alimentação, má absorção).
  2. Vitamina B12: abaixo de 299 pg/mL é uma possível deficiência; o ácido metilmalônico pode confirmar[11].
  3. Ácido fólico: dentro da faixa habitual de 2,7 a 17,0 ng/mL[12].
  4. tTG-IgA "Não reagente": torna a doença celíaca pouco provável, desde que a IgA total seja normal e você estivesse comendo glúten nas semanas antes do exame[9][15].

Recebeu os exames depois de aftas de repetição? O BloodSense explica cada linha do seu laudo, da ferritina à vitamina B12, em palavras simples, para você preparar a próxima consulta.

Entender meus exames

Nos homens, a faixa da ferritina é mais alta (30 a 400 ng/mL)[10]; os valores que valem são os impressos no seu laudo. Ferro e B12 baixos ao mesmo tempo podem sugerir má absorção, como na doença celíaca. Veja também nosso guia sobre falta de ferro e os exames que a confirmam.

A doença de Behçet não tem exame de sangue que confirme. Os médicos usam uma pontuação clínica em que aftas, feridas genitais e inflamação nos olhos valem 2 pontos cada; 4 pontos ou mais apontam para a doença[7].

Como é o acompanhamento das aftas recorrentes?

Se aparecer uma deficiência, o médico procura a causa e pode repetir o exame depois do tratamento para conferir se os níveis voltaram ao normal. Um teste de doença celíaca positivo é seguido de endoscopia digestiva alta com biópsia do duodeno, que confirma o diagnóstico[15]. Um diário das aftas (datas, alimentos, creme dental, estresse, menstruação) ajuda a enxergar padrões[2].

Como tratar afta na boca?

A maioria das aftas sara sem tratamento[1][14]. Não há cura, mas o tratamento alivia a dor, encurta as crises e diminui a frequência[2]. Aqui não indicamos doses.

  • Em casa: evite alimentos quentes, apimentados ou ácidos; faça bochechos com água e sal ou com enxaguante sem álcool; escove os dentes com delicadeza duas vezes por dia[1][14].
  • Na farmácia: géis ou soluções anestésicas (por exemplo, com benzocaína ou lidocaína) para alívio rápido[1][3][13]. Pomadas e analgésicos devem ser indicados pelo dentista[14].
  • Com receita: bochechos com clorexidina, pomadas, géis ou soluções com corticoide, laserterapia de baixa intensidade e, nas crises fortes, corticoide em comprimido ou outros remédios[1][3][13].
  • Corrigir uma deficiência: ferro, vitamina B12 ou ácido fólico quando o exame mostra falta[3][13]. Em um pequeno estudo, seis meses de vitamina B12 reduziram as crises, mesmo em pessoas com B12 normal: 74,1% ficaram sem aftas no último mês, contra 32,0% com placebo[6]. Converse com o médico antes de tomar suplementos.

Como prevenir aftas?

  • Use escova macia e escove com delicadeza[1].
  • Experimente por alguns meses um creme dental sem lauril sulfato de sódio[2].
  • Anote os alimentos que parecem provocar crises e reduza o consumo deles[3].
  • Use fio dental todos os dias e vá ao dentista regularmente[1]; peça para corrigir dentes quebrados ou próteses que machucam[14].
  • Se as aftas voltam sempre, peça exames em vez de tomar suplementos por conta própria. Veja também nosso guia de alimentos ricos em ferro.

Perguntas para fazer ao médico ou ao dentista

  1. Isso é afta mesmo, ou pode ser outra coisa?
  2. Devo fazer hemograma, ferritina, B12, ácido fólico ou o teste da doença celíaca?
  3. Algum dos meus remédios pode estar causando as aftas?
  4. Que tratamento com receita ajudaria durante uma crise?
  5. Quais sinais indicam que devo voltar antes?

Perguntas frequentes

Afta é contagiosa?

Não. Mesmo aberta, a afta não passa para outras pessoas, ao contrário do herpes[2].

Falta de qual vitamina causa afta?

Ferro, vitamina B12 e ácido fólico são os mais estudados, além de zinco e vitamina D[1][3]. O ferro baixo é o achado mais frequente[4]. Só o exame de sangue mostra.

Criança pode ter afta?

Sim, muitas vezes a partir da adolescência[2]. Uma criança com aftas e febre que voltam em intervalos regulares deve ir ao médico, que pode pedir hemogramas por várias semanas[8].

Afta de repetição quer dizer doença celíaca?

Na maioria das vezes não, mas as aftas são mais frequentes na doença celíaca[5]. O teste faz sentido se houver também sintomas digestivos, perda de peso, ferro baixo ou casos na família. Leia mais sobre a doença celíaca.

Artigos relacionados

  1. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Canker sore. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  2. American Academy of Oral Medicine. Canker Sores. aaom.com (acesso em 3 de novembro de 2026)
  3. Cleveland Clinic. Canker Sores. my.clevelandclinic.org (acesso em 3 de novembro de 2026)
  4. Chiang CP, Yu-Fong Chang J, Wang YP, et al. Recurrent aphthous stomatitis - Etiology, serum autoantibodies, anemia, hematinic deficiencies, and management. J Formos Med Assoc. 2019;118(9):1279-1289. doi:10.1016/j.jfma.2018.10.023 (acesso em 3 de novembro de 2026)
  5. Zhao Y, Feng W. Relative risk of oral manifestations with celiac disease: a systematic review and meta-analysis. BMC Gastroenterol. 2026;26(1). doi:10.1186/s12876-026-04860-z (acesso em 3 de novembro de 2026)
  6. Volkov I, Rudoy I, Freud T, et al. Effectiveness of vitamin B12 in treating recurrent aphthous stomatitis: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Am Board Fam Med. 2009;22(1):9-16. doi:10.3122/jabfm.2009.01.080113 (acesso em 3 de novembro de 2026)
  7. International Team for the Revision of the International Criteria for Behçet's Disease (ITR-ICBD). The International Criteria for Behçet's Disease (ICBD): a collaborative study of 27 countries on the sensitivity and specificity of the new criteria. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2014;28(3):338-347. doi:10.1111/jdv.12107 (acesso em 3 de novembro de 2026)
  8. MedlinePlus Genetics. Cyclic neutropenia. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  9. MedlinePlus. Celiac Disease Screening. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  10. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Ferritin blood test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  11. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Vitamin B12 level. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  12. MedlinePlus Medical Encyclopedia. Folic acid - test. US National Library of Medicine. medlineplus.gov (acesso em 3 de novembro de 2026)
  13. Conselho Federal de Odontologia (CFO). Aftas: entenda os principais tratamentos para redução da dor e cicatrização. 20 de agosto de 2025. website.cfo.org.br (acesso em 3 de novembro de 2026)
  14. Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde. Aftas (Dicas em Saúde). Dezembro de 2014. bvsms.saude.gov.br (acesso em 3 de novembro de 2026)
  15. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 8, de 23 de junho de 2025). gov.br/saude (acesso em 3 de novembro de 2026)
  16. Ministério da Saúde. Brasil Sorridente: Política Nacional de Saúde Bucal. gov.br/saude (acesso em 3 de novembro de 2026)
  17. Ministério da Saúde. SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. gov.br/saude (acesso em 3 de novembro de 2026)

Esta página traz informações gerais. Ela não substitui a avaliação de um médico ou dentista, que interpreta seus resultados junto com os sintomas, o histórico e o exame da boca.