Atividade elétrica sem pulso (AESP) é um ritmo de parada cardiorrespiratória em que o monitor cardíaco mostra sinais elétricos organizados percorrendo o coração, mas o coração não bombeia sangue o suficiente para gerar um pulso que se possa sentir. Em inglês, a sigla é PEA (pulseless electrical activity). É um dos ritmos que as equipes de emergência procuram assim que alguém desmaia sem resposta, porque a classificação do ritmo muda o tratamento seguinte. Este guia explica o que significa atividade elétrica sem pulso, como ela se diferencia de outros ritmos de parada, como a assistolia e a fibrilação ventricular, quais são as causas mais comuns, como as equipes reconhecem e tratam a AESP e o que a família deve entender sobre esse processo. O objetivo é dar contexto e clareza, não orientar o manejo de uma parada cardíaca em casa. A atividade elétrica sem pulso é sempre uma emergência médica: ligue imediatamente para o SAMU (192) e comece a reanimação cardiopulmonar (RCP).

O que significa atividade elétrica sem pulso

Num coração que funciona normalmente, um sinal elétrico nasce no nó sinusal e se espalha pelo músculo cardíaco, provocando uma contração coordenada que empurra o sangue para o corpo. Os médicos chamam esse padrão esperado de ritmo sinusal normal, e o monitor cardíaco ou o eletrocardiograma (ECG, exame que registra os sinais elétricos do coração) mostra essa atividade como ondas que se repetem. Na atividade elétrica sem pulso, as ondas continuam aparecendo, às vezes até parecidas com o normal, mas o bombeamento mecânico falhou ou ficou fraco demais para gerar um pulso que o socorrista consiga palpar. Por isso, a AESP também é chamada de dissociação eletromecânica: a parte elétrica e a parte mecânica do batimento se desconectaram.

A AESP não é uma doença única. Ela descreve o que o coração está fazendo num momento específico e pode resultar de muitos problemas diferentes, alguns tratáveis se forem identificados rapidamente. Um relato de caso publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia lembra que a atividade elétrica sem pulso pode ser encontrada em quase metade dos pacientes que sofrem parada cardíaca. É por isso que a resposta de emergência à AESP depende tanto de encontrar a causa quanto de fazer as compressões no peito.

AESP, assistolia, fibrilação ventricular e TV sem pulso

Os ritmos de parada cardíaca costumam ser divididos em chocáveis e não chocáveis, e entender essa diferença ajuda a explicar por que o tratamento muda tanto entre eles. A Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) segue essa mesma divisão.

Assistolia e AESP: qual a diferença?

Assistolia é a ausência total de atividade elétrica no coração, muitas vezes descrita como “linha reta” no monitor. A AESP, ao contrário, ainda mostra atividade elétrica organizada ou semiorganizada, só que sem um bombeamento eficaz por trás. As duas são ritmos não chocáveis, ou seja, o choque do desfibrilador não ajuda em nenhuma delas, e ambas pedem a mesma resposta básica: RCP de alta qualidade, adrenalina (epinefrina) e busca das causas reversíveis. Uma pesquisa que comparou os dois ritmos em paradas cardíacas dentro do hospital mostrou que os pacientes com AESP como ritmo inicial tiveram um pouco mais de chance de retorno da circulação espontânea (RCE, quando o coração volta a bater sozinho) do que os com assistolia, mas a sobrevivência até a alta hospitalar foi parecida nos dois grupos.

O que significa FV e TV sem pulso?

A fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular (TV) sem pulso são ritmos elétricos caóticos ou rápidos demais, que impedem o coração de bombear com eficácia. Ao contrário da AESP, esses ritmos são chocáveis: o desfibrilador muitas vezes consegue interromper o padrão elétrico anormal e permitir que um ritmo normal volte. Essa é uma das diferenças mais importantes para a família entender: o desfibrilador externo automático (DEA) que fica em aeroportos, shoppings e academias serve para os ritmos chocáveis, não para a AESP. Quando o ritmo é AESP, o DEA normalmente orienta a não dar choque, porque o choque não resolveria o problema real. As equipes também costumam registrar no exame físico o ritmo cardíaco regular quando o batimento soa estável na ausculta, o que é diferente da classificação do ritmo feita no monitor durante uma parada.

Causas da atividade elétrica sem pulso: os 5 H e 5 T

Como a AESP reflete muitos problemas possíveis, os profissionais de emergência usam uma regra de memória chamada “5 H e 5 T” para revisar de forma organizada as causas reversíveis mais comuns durante a reanimação. Percorrer essa lista rapidamente, junto com a RCP, dá a melhor chance de corrigir o problema de base.

Causa reversívelO que significa
HipovolemiaPerda grave de sangue ou líquidos deixa pouco volume na circulação para o coração bombear.
HipóxiaOxigênio muito baixo no sangue, muitas vezes por um problema respiratório, impede o músculo do coração de funcionar normalmente.
Hidrogênio (acidose)Acúmulo de ácido no sangue, comum depois de um período longo de pouco fluxo sanguíneo, prejudica a função elétrica e mecânica do coração.
Hipercalemia ou hipocalemiaPotássio muito alto ou muito baixo (um eletrólito que ajuda a conduzir os sinais elétricos do coração) pode desorganizar o batimento.
HipotermiaTemperatura corporal perigosamente baixa pode reduzir ou parar o bombeamento eficaz.
Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo)Ar preso na cavidade do tórax comprime o coração e os grandes vasos e bloqueia o fluxo de sangue.
Tamponamento cardíacoLíquido se acumula no saco que envolve o coração (pericárdio), comprimindo as câmaras e impedindo que se encham de sangue.
TóxicosAlgumas superdosagens de remédios ou intoxicações afetam diretamente o músculo ou a parte elétrica do coração.
Trombose pulmonarUm grande coágulo bloqueando os vasos do pulmão impede que o sangue chegue ao lado esquerdo do coração.
Trombose coronáriaUm coágulo que entope uma artéria do coração, como no infarto, pode enfraquecer muito o bombeamento.

Nem toda causa reversível se aplica a todos os casos, e a equipe prioriza as hipóteses que combinam com o histórico da pessoa e as circunstâncias da parada. Por exemplo, um jovem que desmaiou depois de um trauma no tórax levanta suspeita de pneumotórax hipertensivo ou tamponamento, enquanto alguém com doença renal levanta suspeita de alteração do potássio. Um valor da gasometria chamado excesso de base (BE) também ajuda a equipe a reconhecer uma acidose grave contribuindo para o quadro.

Como a AESP é reconhecida e tratada na emergência

O reconhecimento da AESP começa pelos mesmos passos de qualquer suspeita de parada cardíaca: verificar se a pessoa responde, se respira normalmente e se tem pulso. Quando o socorrista ou o médico não encontra pulso, mas o monitor mostra atividade organizada, a AESP passa a ser o diagnóstico de trabalho, e a resposta de emergência começa imediatamente.

O núcleo do tratamento da AESP segue a abordagem geral dos ritmos de parada não chocáveis. As compressões torácicas de alta qualidade começam na hora, com cerca de 5 cm de profundidade e uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto, deixando o tórax voltar totalmente entre uma compressão e outra para o sangue retornar ao coração. A equipe obtém um acesso venoso (intravenoso) ou intraósseo (dentro do osso) para dar adrenalina, um remédio que ajuda a direcionar o fluxo de sangue para o coração e o cérebro durante a RCP, a cada três a cinco minutos, aproximadamente. Pode ser instalada uma via aérea avançada para garantir a oxigenação e a ventilação sem interromper muito as compressões, e os pedidos nessa fase costumam ser marcados como STAT (urgentes), para indicar que cada passo deve acontecer sem demora.

Ao mesmo tempo, a equipe percorre a lista de causas reversíveis, muitas vezes usando a ultrassonografia à beira do leito (POCUS, um ultrassom portátil) para procurar pistas como líquido em volta do coração, pulmão colapsado ou sinais de um grande coágulo, sempre mantendo as pausas nas compressões o mais curtas possível. Uma grande revisão sistemática sobre esse uso do ultrassom mostrou que ele consegue identificar algumas causas reversíveis durante a reanimação, mas a certeza das evidências ainda é baixa: os achados do ultrassom são uma pista entre várias, e não uma resposta isolada. As diretrizes mais recentes da American Heart Association, de 2025, continuam apoiando o ultrassom à beira do leito como complemento no suporte avançado de vida, desde que não interrompa de forma importante as compressões, e refinaram os critérios para decidir quando pode ser razoável encerrar a reanimação.

Se a causa é identificada, o tratamento passa a corrigi-la diretamente: soro na hipovolemia, descompressão do tórax no pneumotórax hipertensivo ou cálcio e outros remédios numa alteração grave do potássio. Corrigir a causa, mantendo a RCP, é o que dá a melhor chance de restabelecer um batimento eficaz.

A atividade elétrica sem pulso é um ritmo chocável?

Não: a AESP é um ritmo não chocável, e um choque elétrico não restabelece um batimento eficaz. A desfibrilação funciona interrompendo de uma vez toda a atividade elétrica do coração, dando ao marca-passo natural a chance de recomeçar um ritmo coordenado do zero. Isso ajuda em ritmos como a fibrilação ventricular, em que o problema é uma atividade elétrica caótica e desorganizada. Na AESP, o sistema elétrico já produz um sinal organizado; o problema está na resposta mecânica ou numa condição de base que impede o bombeamento. Dar choque num ritmo já organizado não resolve um problema mecânico ou metabólico, e os DEAs são programados para reconhecer isso e não indicar choque na AESP. Por isso, quem faz RCP numa pessoa em AESP costuma ser orientado pelo DEA a continuar as compressões, e manter as compressões e chamar ajuda continuam sendo as atitudes corretas.

Fatores de sobrevivência e prognóstico

A sobrevivência numa parada cardíaca em AESP depende muito da rapidez do reconhecimento, do início rápido de uma RCP de qualidade, da chegada rápida do serviço de emergência e de encontrar e tratar uma causa reversível. Um estudo comunitário sobre paradas cardíacas fora do hospital identificou como fatores ligados a melhor sobrevivência, entre pessoas com AESP como ritmo inicial: idade mais jovem, parada presenciada por outra pessoa, parada em local público ou serviço de saúde em vez de em casa e algumas doenças respiratórias prévias. Quem vive com insuficiência cardíaca congestiva ou outra doença estrutural do coração tem um risco maior de parada cardíaca em geral, e por isso controlar essas doenças importa para a prevenção a longo prazo. O estudo mostrou ainda que a sobrevivência nas paradas em AESP presenciadas continuou melhor do que o esperado mesmo quando o socorro demorou mais de dez minutos para chegar, o que reforça a importância de começar a RCP imediatamente, sem esperar a ambulância.

Outra pesquisa, que comparou AESP e assistolia em paradas dentro do hospital, mostrou que, embora os pacientes com AESP recuperassem o pulso um pouco mais vezes durante a reanimação, essa vantagem não se traduziu em mais sobrevivência até a alta. Ou seja, o retorno da circulação é um marco importante, mas não é o mesmo que sobreviver a longo prazo. Juntos, esses resultados mostram que a RCP feita por quem está perto, a resposta rápida do serviço de emergência e o cuidado hospitalar para identificar e tratar a causa têm papéis interligados no desfecho.

O que a família deve saber

Entender a atividade elétrica sem pulso ajuda a família a acompanhar o que acontece durante e depois da parada cardíaca de um ente querido, a fazer perguntas à equipe e a se sentir mais preparada, nunca a tentar manejar uma parada sem ajuda profissional. Se alguém desmaiar, não responder e não respirar normalmente, as atitudes corretas são sempre as mesmas: ligue imediatamente para o SAMU (192), comece a RCP se você souber e use um DEA se houver um por perto, deixando o aparelho indicar se o choque é necessário. Uma parada cardíaca nunca é algo para observar e esperar passar em casa: cada minuto sem RCP e sem atendimento de emergência reduz muito a chance de sobrevivência.

Depois que a parada é estabilizada no hospital, a família costuma ouvir a equipe falar do ritmo inicial, da causa suspeita ou confirmada e dos próximos exames, como o ecocardiograma (ultrassom do coração) ou o cateterismo cardíaco (cineangiocoronariografia, imagem das artérias do coração). Se houver preocupação com o cérebro depois de uma parada prolongada, a equipe pode acompanhar a escala de coma de Glasgow para monitorar o nível de consciência ao longo do tempo. Saber que a AESP descreve um padrão, e não um diagnóstico único, facilita essas conversas, já que as notícias podem mudar conforme os exames revelam a causa. Em alguns casos, sobretudo em idade avançada ou com doenças graves prévias, esses eventos levam a família a rever com a equipe decisões como uma ordem de não reanimar ou de não intubar, conversas totalmente separadas de como agir numa parada inesperada em alguém sem essas diretivas. Fazer um curso de primeiros socorros e RCP com uma instituição reconhecida é um dos passos mais úteis para qualquer familiar, porque a RCP iniciada por quem está perto, antes da chegada do socorro, está fortemente associada a melhores resultados em todos os ritmos, chocáveis ou não.

Avanços científicos recentes

Nos últimos anos, as pesquisas sobre a atividade elétrica sem pulso se concentraram em duas frentes: o ultrassom à beira do leito durante a reanimação e a atualização das diretrizes de ressuscitação. Uma revisão sistemática de 2022 avaliou se o ultrassom feito durante a RCP consegue identificar com segurança a causa da parada. Ele consegue detectar algumas causas, como líquido em volta do coração ou sinais sugestivos de coágulo no pulmão, mas a qualidade geral dos estudos foi baixa e inconsistente. Na prática, o ultrassom funciona melhor como uma pista de apoio do que como um exame definitivo. Para famílias e pacientes, isso quer dizer que o ultrassom é uma ferramenta útil que os médicos podem usar na reanimação, mas com cuidado e junto com outras informações.

A novidade mais importante é a atualização de 2025 das diretrizes de suporte avançado de vida em adultos da American Heart Association, publicada na revista Circulation em outubro de 2025. Ela reafirma que a AESP e a assistolia pedem a mesma resposta básica, com RCP imediata de alta qualidade, adrenalina em intervalos regulares e busca organizada das causas reversíveis, e refina as orientações sobre o ultrassom e sobre quando pode ser razoável encerrar a reanimação segundo critérios definidos. No Brasil, a SBC publica a sua própria diretriz de ressuscitação, baseada nas mesmas evidências internacionais. A mensagem prática é tranquilizadora: o essencial diante de um ritmo de parada não chocável, chamar o socorro e começar as compressões imediatamente, continua igual e é reforçado pelas diretrizes mais recentes.

Uma pesquisa separada, baseada num grande registro nacional de reanimação, comparou AESP e assistolia em paradas dentro do hospital e mostrou que esses dois ritmos não chocáveis se comportam de forma um pouco diferente quanto ao retorno da circulação, embora a sobrevivência a longo prazo tenha sido parecida. Essa diferença ajuda a explicar por que as diretrizes e os protocolos hospitalares tratam cada vez mais a AESP como um padrão próprio, com suas causas prováveis, em vez de juntá-la com a assistolia apenas como “ritmo não chocável”.

Glossário

TermoDefinição
Atividade elétrica sem pulso (AESP)Ritmo de parada cardíaca com atividade elétrica organizada no monitor, mas sem pulso palpável. Em inglês, PEA.
AssistoliaAusência total de atividade elétrica no coração, a chamada “linha reta”.
Fibrilação ventricular (FV)Ritmo elétrico caótico e desorganizado que impede o coração de bombear; é um ritmo chocável.
Retorno da circulação espontânea (RCE)Momento da reanimação em que o coração volta a bombear sozinho e o pulso reaparece.
Ultrassom à beira do leito (POCUS)Ultrassom portátil usado pelos médicos para procurar causas da parada durante a reanimação.
Desfibrilador externo automático (DEA)Aparelho portátil que analisa o ritmo do coração e só dá choque quando o ritmo é chocável.
Reanimação cardiopulmonar (RCP)Compressões no peito, com ou sem ventilações, para manter o sangue circulando durante a parada cardíaca.
HipovolemiaRedução importante do volume de sangue ou de líquidos na circulação.
Pneumotórax hipertensivoAr preso na cavidade do tórax que comprime o coração e os pulmões e bloqueia o fluxo de sangue.
Tamponamento cardíacoAcúmulo de líquido em volta do coração que comprime as câmaras e limita o enchimento de sangue.

Perguntas frequentes

O que significa atividade elétrica sem pulso?

Significa que o coração ainda tem atividade elétrica organizada no monitor, mas não bombeia sangue o suficiente para gerar pulso. É uma forma de parada cardiorrespiratória e exige RCP imediata e chamada do SAMU (192).

Qual é o termo técnico para ausência de pulso?

Os médicos falam em “ausência de pulso” ou “paciente sem pulso”, e chamam de parada cardiorrespiratória (PCR) a situação em que o coração deixa de bombear sangue com eficácia. Dentro da parada, o ritmo no monitor recebe nomes específicos: AESP, assistolia, fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso.

O que a ausência de pulso indica?

A ausência de pulso numa pessoa que não responde e não respira normalmente indica parada cardíaca, uma emergência em que cada minuto conta. Chame o SAMU (192), comece as compressões no peito e use um DEA, se houver.

Quais são os 3 sinais que indicam parada cardiorrespiratória?

Os três sinais clássicos são: a pessoa não responde quando chamada e tocada, não respira ou respira de forma anormal (só “suspiros”) e não tem pulso. Para leigos, não responder e não respirar normalmente já basta para chamar o socorro e começar a RCP, sem perder tempo procurando o pulso.

Atividade elétrica sem pulso é o mesmo que infarto?

Não. O infarto acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo do coração é bloqueado, muitas vezes por um coágulo numa artéria coronária. A AESP é um ritmo de parada cardíaca, ou seja, o coração parou de bombear com eficácia. O infarto pode ser uma das causas que levam à AESP, mas os dois termos descrevem coisas diferentes.

É possível sobreviver a uma atividade elétrica sem pulso?

Sim, é possível sobreviver, e o resultado melhora muito com RCP imediata por quem está perto, resposta rápida do serviço de emergência e identificação rápida de uma causa tratável. A sobrevivência na AESP é historicamente menor do que nos ritmos chocáveis, como a fibrilação ventricular, mas as pesquisas mostram que um número importante de pessoas sobrevive, sobretudo quando a parada é presenciada e a RCP começa na hora.

Por que o choque do desfibrilador não ajuda na AESP?

O choque serve para interromper uma atividade elétrica caótica, como a fibrilação ventricular, para que o marca-passo natural reinicie um ritmo coordenado. Na AESP, o sinal elétrico já está organizado; o problema é que ele não gera um bombeamento eficaz, muitas vezes por uma causa como perda grave de líquido ou um vaso entupido. O choque não resolve essa causa, e por isso o DEA não recomenda choque na AESP.

O que fazer se eu achar que alguém perto de mim está em parada cardíaca?

Ligue imediatamente para o SAMU (192) e comece a RCP se puder, com compressões fortes e rápidas no centro do peito. Se houver um DEA, ligue o aparelho e siga as instruções de voz: ele dirá se o choque é indicado. Continue a RCP até a equipe de emergência chegar e assumir, ou até a pessoa voltar a respirar ou se mexer.

A AESP sempre deixa sequelas ou exige cuidados prolongados?

Não necessariamente. O resultado depois de uma parada em AESP varia muito conforme a rapidez da RCP, a rapidez com que a causa foi encontrada e tratada e a saúde geral da pessoa antes. Algumas pessoas se recuperam bem; outras precisam de internação prolongada, reabilitação ou acompanhamento da doença que causou a parada. A equipe de saúde pode dar informações mais específicas para cada caso.

A AESP é mais comum no hospital ou fora dele?

A AESP e a assistolia, juntas, respondem pela maioria dos ritmos iniciais nas paradas cardíacas dentro do hospital, e a AESP também acontece fora dele. Como pode ter muitas causas diferentes, de reações alérgicas graves a coágulos e alterações de eletrólitos, ela aparece em muitas situações clínicas, e não em um único tipo de local.

Fontes

  • Bernoche C, Timerman S, et al. — “Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019” — Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2019 — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov (DOI 10.5935/abc.20190203)
  • Favarato D, et al. — “Caso 3/2005: Parada cardíaca em atividade elétrica sem pulso, em homem de 49 anos” — Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2005 — scielo.br
  • Ministério da Saúde — “SAMU 192” — gov.br — gov.br/saude
  • Wigginton JG, et al. — “Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care” — revista Circulation, 2025 — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  • Reynolds JC, et al. — “Diagnostic Test Accuracy of Point-of-Care Ultrasound During Cardiopulmonary Resuscitation to Indicate the Etiology of Cardiac Arrest: A Systematic Review” — revista Resuscitation, 2022 — consensus.app
  • Andrea L, et al. — “Pulseless electrical activity and asystole during in-hospital cardiac arrest: Disentangling the ‘nonshockable’ rhythms” — revista Resuscitation, 2023 — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  • Pesquisadores do Oregon Sudden Unexpected Death Study e do Ventura PRESTO — “Determinants of survival in sudden cardiac arrest manifesting with pulseless electrical activity” — revista Resuscitation, 2023 — consensus.app
  • American Heart Association — “Treatment of Cardiac Arrest” (tratamento da parada cardíaca) — heart.org, 2025 — heart.org
  • Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA — “Sudden Cardiac Arrest” (parada cardíaca súbita) — MedlinePlus, 2026 — medlineplus.gov
  • Equipe da Mayo Clinic — “Sudden cardiac arrest: Symptoms and causes” (sintomas e causas) — Mayo Clinic, 2024 — mayoclinic.org

Leituras recomendadas

Uma parada cardíaca como a AESP costuma levar, depois da estabilização, a uma avaliação mais ampla da saúde do coração, e os exames de laboratório têm papel real nesse processo. Exames como a troponina (marcador de sobrecarga ou lesão do músculo do coração), a bioquímica básica com eletrólitos como potássio e cálcio e a gasometria arterial ajudam os médicos a identificar algumas das causas reversíveis descritas acima. Entender o que esses valores significam, e não apenas ver números e valores de referência, facilita acompanhar as consultas de retorno e de cardiologia, tanto para o paciente quanto para a família.

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