Periodontite: o que é, sintomas, estágios, tratamento e se tem cura

A periodontite é uma infecção grave da gengiva que danifica os tecidos ao redor dos dentes e, sem tratamento, destrói o osso que os sustenta, levando a dentes moles e à perda dos dentes. Ela atinge cerca de 42% dos adultos americanos com mais de 30 anos, mas as fases iniciais costumam não doer e passam despercebidas. A periodontite também importa fora da boca: as pesquisas a ligam cada vez mais a doenças como diabetes e problemas do coração, pela inflamação que provoca no corpo todo. A boa notícia é que ela pode ser evitada na maioria dos casos e, descoberta cedo, tem tratamento eficaz, inclusive pelo SUS. Este guia explica o que é a periodontite, os sintomas, as causas, o diagnóstico e os estágios, o tratamento, a relação com a saúde geral e as pesquisas mais recentes.
O que é periodontite?
A periodontite é a doença da gengiva em fase avançada. Ela começa quando a placa bacteriana (biofilme), uma película grudenta de bactérias, se acumula nos dentes e, se não for removida, endurece e vira tártaro, que avança para baixo da gengiva. Isso provoca uma inflamação crônica que vai descolando a gengiva dos dentes e formando bolsas profundas, que prendem ainda mais bactérias. Com o tempo, a infecção destrói o tecido de sustentação e o osso que seguram os dentes.
A periodontite costuma surgir de uma gengivite não tratada, a fase inicial e reversível da doença da gengiva. É comum: nos Estados Unidos, atinge mais de 4 em cada 10 adultos acima de 30 anos, fica muito mais frequente com a idade e é bem mais comum em quem fuma ou tem diabetes. Embora a perda de tecido e de osso não possa ser totalmente revertida, a doença pode ser interrompida e controlada com o tratamento certo e cuidados contínuos.
Sintomas de periodontite
Como a periodontite inicial costuma não doer, muita gente só percebe quando ela já está mais avançada. Os sinais de alerta são gengiva vermelha, inchada ou sensível, gengiva que sangra fácil ao escovar ou passar o fio dental e mau hálito ou gosto ruim persistente. Com a evolução, a gengiva pode retrair, deixando os dentes com aparência mais longa, e pode sair pus entre o dente e a gengiva.
Na doença mais avançada, os dentes podem ficar moles ou mudar de posição, mastigar pode doer e a mordida pode mudar. O sangramento da gengiva é uma das pistas iniciais mais comuns e é motivo para procurar o dentista, e não algo para ignorar. Descobrir a periodontite cedo deixa o tratamento mais simples e ajuda a evitar a perda dos dentes, e a fase anterior, a inflamação reversível da gengivite, é o melhor momento para agir.
O que causa a periodontite e os fatores de risco
A causa de base da periodontite é a placa bacteriana que não é removida direito e endurece em tártaro, mantendo uma reação imunológica contínua que lesa a gengiva e o osso. A higiene bucal ruim prepara o terreno, mas vários fatores aumentam muito o risco. O cigarro e outros produtos de tabaco estão entre os mais fortes, e o cigarro eletrônico preocupa cada vez mais; o diabetes aumenta o risco de periodontite e também piora com ela.
Outros fatores são a genética, as mudanças hormonais, como na gravidez, alguns remédios que reduzem a saliva ou afetam a gengiva e doenças que enfraquecem a imunidade. A idade também pesa, com a periodontite bem mais comum em idosos. Como ela está muito ligada à glicose, controlar a glicose alta do diabetes é parte importante da proteção da gengiva.
O que piora a periodontite?
O que mais piora a periodontite é o cigarro, o diabetes mal controlado e a placa que continua se acumulando por escovação e fio dental insuficientes ou por falta de limpeza profissional. Estresse, alterações hormonais e alguns remédios também podem agravar. Parar de fumar e controlar a glicose melhoram muito o resultado do tratamento.
Como é feito o diagnóstico e o estadiamento da periodontite
O dentista diagnostica a periodontite pelo exame clínico e por medidas, e não por exame de sangue. Com uma sonda milimetrada, ele mede a profundidade das bolsas entre a gengiva e o dente (sondagem periodontal): de 1 a 3 milímetros é saudável, e bolsas mais profundas sugerem periodontite. As radiografias mostram quanto osso de sustentação já se perdeu, e o exame também registra sangramento, retração da gengiva e dentes moles.
Desde 2017, os dentistas classificam a periodontite por estágio e grau. O estágio, de I a IV, mostra a gravidade e a extensão do dano, e o grau, de A a C, mostra a velocidade de progressão, levando em conta riscos como cigarro e diabetes.
| Estágio | O que significa |
|---|---|
| Estágio I | Periodontite inicial, com começo da perda de inserção da gengiva e de osso |
| Estágio II | Periodontite moderada, com mais perda de inserção e de osso |
| Estágio III | Doença grave, com bolsas profundas e possibilidade de perder dentes |
| Estágio IV | Doença avançada, com grande perda óssea, perda de dentes e problemas de mordida |
Médicos e pesquisadores também se interessam por marcadores de inflamação do corpo todo, como a proteína C reativa, no contexto da periodontite, embora esses exames de sangue não façam parte do diagnóstico odontológico de rotina. Entender a inflamação medida pelo exame de PCR ajuda a ver por que a ligação entre gengiva e resto do corpo desperta tanto interesse.
Qual a periodontite mais grave?
A periodontite mais grave é a de estágio IV, com grande perda de osso, dentes perdidos ou muito móveis e alteração da mordida, sobretudo quando é de grau C, que progride rápido. Fumantes e pessoas com diabetes descontrolado têm mais chance de evoluir para essas formas, que pedem tratamento especializado com periodontista.
Tratamento da periodontite
O objetivo do tratamento é controlar a infecção, interromper a perda de osso e de tecido e manter os dentes. A base é uma limpeza profunda feita pelo dentista, a raspagem e alisamento radicular, que remove a placa e o tártaro abaixo da gengiva e alisa a raiz do dente para que a gengiva volte a se aderir. Antibióticos, aplicados no local ou tomados por via oral, às vezes são acrescentados, assim como bochechos com clorexidina por tempo limitado, sempre com indicação do dentista.
| Abordagem | Para que serve |
|---|---|
| Raspagem e alisamento radicular | Limpeza profunda de primeira linha que remove o tártaro abaixo da gengiva |
| Antibióticos e antissépticos | Remédios locais ou orais que ajudam a controlar a infecção bacteriana |
| Cirurgia | Cirurgia de retalho, enxertos de osso ou regeneração de tecido na doença avançada |
| Manutenção | Limpezas profissionais regulares e bons cuidados em casa para evitar a volta da doença |
Na periodontite avançada, a cirurgia pode reduzir a profundidade das bolsas, regenerar osso ou tecido perdidos ou fazer enxerto de gengiva. Depois do tratamento, a manutenção para a vida toda é essencial: limpezas profissionais regulares, escovação e fio dental bem feitos todos os dias e controle dos fatores de risco, como cigarro e glicose, evitam que a doença volte. Parar de fumar, em especial, melhora muito o sucesso do tratamento. No SUS, o programa Brasil Sorridente oferece atendimento odontológico pelas equipes de saúde bucal das UBS, e, quando necessário, a UBS encaminha para um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO); para o primeiro atendimento, leve documento de identidade, cartão do SUS e comprovante de residência.
Periodontite e a saúde do corpo todo
A periodontite é cada vez mais vista como algo além de um problema dentário, porque a inflamação crônica e as bactérias que ela produz podem afetar o resto do corpo. A ligação mais bem estabelecida é com o diabetes tipo 2, e ela vale nos dois sentidos: a glicose mal controlada piora a doença da gengiva, e a inflamação da gengiva pode dificultar o controle da glicose, por isso tratar um costuma ajudar o outro.
A periodontite também está associada a maior risco de doença cardiovascular, provavelmente pela inflamação sistêmica, e os pesquisadores estudam ligações com artrite reumatoide, complicações na gravidez, doenças respiratórias e até a doença de Alzheimer. Acompanhar a inflamação com marcadores como a proteína C reativa, como mostra o texto sobre como o hemograma e a PCR ultrassensível revelam a inflamação escondida, faz parte de entender essas ligações, e a pesquisa sobre a bactéria da gengiva envolvida em algumas delas se conecta a doenças como a perda de memória da doença de Alzheimer.
O que dizem as pesquisas mais recentes sobre periodontite
As pesquisas recentes esclareceram o que funciona no tratamento e aprofundaram a visão da periodontite como um problema do corpo todo. Segundo pesquisas indexadas no PubMed, uma revisão Cochrane de 2024 mostrou que acrescentar a terapia fotodinâmica antimicrobiana, feita com luz, à limpeza profunda trouxe só um benefício de certeza muito baixa e sem importância clínica em relação à raspagem e ao alisamento radicular sozinhos (Jervøe-Storm et al., 2024). O que isso significa para você: a limpeza profunda profissional continua sendo a base comprovada do tratamento, e não se deve esperar ganho relevante de complementos com luz ou laser, pelo que se sabe hoje.
Uma revisão sistemática de 2026 no International Dental Journal descreveu como uma bactéria importante da gengiva, a Porphyromonas gingivalis, libera partículas minúsculas que podem atravessar a barreira entre o sangue e o cérebro e circular pelo corpo, o que oferece uma explicação biológica para as ligações entre periodontite, doença de Alzheimer, doença cardíaca e diabetes (Li et al., 2026). O que isso significa para você: ajuda a entender por que a saúde da gengiva pode afetar o cérebro e o coração, mas não prova que tratar a gengiva previne essas doenças. Uma revisão de 2026 no Journal of Clinical Medicine mostrou que os problemas metabólicos aumentam o risco de periodontite e que tratar a doença da gengiva reduz de forma modesta a glicose e os marcadores de inflamação (Gherbon et al., 2026). O que isso significa para você: cuidar da gengiva e da saúde metabólica juntos pode beneficiar as duas, o que reforça a conversa entre dentista e médico.
Glossário da periodontite
| Termo | Definição |
|---|---|
| Placa bacteriana (biofilme) | Película grudenta de bactérias que se forma nos dentes e alimenta a doença da gengiva. |
| Tártaro | Placa endurecida que se forma acima e abaixo da linha da gengiva. |
| Gengivite | Fase inicial e reversível da doença da gengiva, antes da perda de osso. |
| Bolsa periodontal | Espaço aprofundado entre a gengiva e o dente onde as bactérias se acumulam. |
| Raspagem e alisamento radicular | Limpeza profunda que remove o tártaro abaixo da gengiva. |
| Perda de inserção | Destruição do tecido e do osso que ancoram o dente. |
| Estadiamento e grau | Sistema que descreve a gravidade e a velocidade de progressão da periodontite. |
Perguntas frequentes sobre periodontite
O que causa a periodontite?
A periodontite é causada pela placa bacteriana que não é removida e endurece em tártaro, provocando uma inflamação crônica que lesa a gengiva e o osso que sustenta os dentes. Ela costuma vir de uma gengivite não tratada, e o risco aumenta com cigarro, diabetes, higiene bucal ruim, genética e outros fatores.
Quais são os sintomas de periodontite?
Os sinais comuns são gengiva vermelha, inchada ou que sangra, mau hálito persistente, gengiva retraída, dentes moles ou que mudam de lugar, pus na gengiva e dor ao mastigar. A periodontite inicial muitas vezes não dói, por isso sangramento ou mudança na gengiva são motivos importantes para ir ao dentista.
É possível tratar a periodontite? Ela tem cura?
Sim, é possível tratar, mas o osso e o tecido já perdidos não voltam totalmente, então a doença é controlada, e não curada. Com raspagem, bons cuidados em casa e controle dos fatores de risco, a infecção pode ser interrompida e os dentes, preservados, desde que a manutenção continue.
Qual doença na gengiva causa perda de dentes?
A periodontite é a doença da gengiva que causa perda de dentes, porque destrói o osso e os tecidos que os sustentam. A gengivite, fase anterior, não causa perda de dentes, mas, sem tratamento, pode evoluir para periodontite.
Qual a diferença entre gengivite e periodontite?
A gengivite é a fase inicial e reversível, com gengiva inflamada e sangrando, mas sem perda de osso. A periodontite é a fase avançada, em que a infecção destrói o osso e os tecidos de sustentação e pode levar à perda dos dentes. Tratar a gengivite evita a progressão.
Qual creme dental é bom para periodontite?
Nenhum creme dental cura a periodontite: o tratamento é a raspagem feita pelo dentista. Cremes com flúor e técnica correta de escovação ajudam na manutenção, e o dentista pode indicar produtos específicos, como antissépticos por tempo limitado, conforme o seu caso.
Qual vitamina fortalece a gengiva?
A falta grave de vitamina C prejudica a gengiva, e uma alimentação equilibrada ajuda na saúde bucal, mas nenhuma vitamina substitui a remoção da placa e do tártaro. Suplementos só fazem sentido quando há deficiência comprovada, avaliada pelo médico.
A periodontite sem tratamento afeta a saúde geral?
Sim. A periodontite está associada a maior risco de doenças como diabetes tipo 2 e doença cardiovascular, provavelmente pela inflamação crônica, e as pesquisas estudam ligações com outras condições. A relação com o diabetes vale nos dois sentidos, por isso a saúde da gengiva faz parte da saúde geral.
Fontes
- Ministério da Saúde — Brasil Sorridente (Política Nacional de Saúde Bucal) — gov.br, consultado em 2026 — gov.br
- Centers for Disease Control and Prevention — Gum (Periodontal) Disease — CDC, 2024 (em inglês) — cdc.gov
- National Institute of Dental and Craniofacial Research — Periodontal (Gum) Disease — NIDCR, 2024 (em inglês) — nidcr.nih.gov
- Mayo Clinic Staff — Periodontitis: Diagnosis and Treatment — Mayo Clinic, 2023 (em inglês) — mayoclinic.org
- Jervøe-Storm P-M, Bunke J, Worthington HV, et al. — Adjunctive antimicrobial photodynamic therapy for treating periodontal and peri-implant diseases — Cochrane Database of Systematic Reviews, 2024 (em inglês) — doi.org/10.1002/14651858.CD011778.pub2
- Li Z, Luo C, Wen P, et al. — Porphyromonas gingivalis Outer Membrane Vesicles From Pathogenesis to Therapeutic Implications — International Dental Journal, 2026 (em inglês) — doi.org/10.1016/j.identj.2026.109548
- Gherbon A-M-C, Frandes M, Roman D, et al. — Metabolic Syndrome and Periodontitis: From Shared Mechanisms to Interdisciplinary Care — Journal of Clinical Medicine, 2026 (em inglês) — doi.org/10.3390/jcm15145510
Leia também
- Pegue a doença da gengiva na fase reversível com o guia sobre a inflamação inicial da gengivite.
- Entenda a doença mais ligada à periodontite no guia sobre os problemas de glicose do diabetes.
- Veja como a inflamação discreta é acompanhada no texto sobre hemograma e PCR ultrassensível.
- Conheça uma doença que os pesquisadores ligam às bactérias da gengiva no guia sobre a perda de memória do Alzheimer.
- Ganhe segurança para ler os resultados no guia sobre valores de referência, destaques e próximos passos do laudo.
Entenda seus exames com a BloodSense
A periodontite é diagnosticada na cadeira do dentista, mas seus reflexos aparecem nos exames de sangue, da proteína C reativa, que mostra a inflamação do corpo todo, aos marcadores de glicose ligados ao diabetes, como a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada. Ver onde esses valores ficam em relação aos valores de referência ajuda a ligar a saúde da gengiva ao quadro geral. A BloodSense traduz o laudo completo para uma linguagem simples, mostra o que cada marcador significa e ajuda a acompanhar as mudanças ao longo do tempo. As informações desta página têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica.



