A disfunção erétil é uma das condições médicas mais comuns nos homens acima dos 40 anos, e uma das menos investigadas. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, no Brasil a prevalência se aproxima de 50% depois dos 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens. Ter dificuldade para conseguir ou manter uma ereção firme o bastante para o sexo não é defeito de caráter, não é parte inevitável do envelhecimento e não é um problema que começa e termina numa receita. Em boa parte dos casos, é o primeiro sinal visível de que os vasos sanguíneos estão com problema, e por isso um diagnóstico novo merece uma investigação do coração e do metabolismo, e não só um comprimido rápido. Neste artigo você vai entender por que as artérias do pênis falham primeiro, quais exames de sangue entram na investigação, como remédios e emoções contribuem e como o tratamento realmente funciona.

O que é disfunção erétil, e quando ela é um problema

A disfunção erétil é a incapacidade persistente de conseguir ou manter uma ereção firme o bastante para uma relação sexual satisfatória. A palavra que importa é persistente: quase todo homem tem uma noite ruim, e uma noite decepcionante não diz nada sobre a saúde dos vasos. Os médicos começam a prestar atenção quando a dificuldade aparece na maior parte das vezes durante cerca de três meses, ou quando surge de repente e não melhora. A SBU lembra que nem sempre não conseguir uma ereção adequada é disfunção erétil; mas, se acontece com frequência, o ideal é procurar um urologista.

Como a ereção funciona de verdade

A ereção é um evento de fluxo de sangue, com um gatilho nervoso e um pano de fundo hormonal. A excitação faz os nervos do pênis liberarem óxido nítrico, uma molécula mensageira de vida curta. Ele relaxa o músculo liso que reveste os dois cilindros de tecido esponjoso chamados corpos cavernosos. Com o músculo relaxado, as artérias se dilatam, o sangue entra com força e o tecido que incha comprime as veias, de modo que o sangue não sai com facilidade. Quatro sistemas precisam cooperar — artérias, veias, nervos e hormônios —, e um problema em qualquer um deles aparece como o mesmo sintoma.

Dificuldade ocasional ou um padrão

Dois padrões apontam em direções diferentes. Uma dificuldade que aparece de repente, varia conforme a situação e convive com ereções normais ao acordar sugere uma causa psicológica ou do relacionamento. Uma dificuldade que se instala aos poucos, acontece em todas as situações e vem com o desaparecimento das ereções matinais sugere uma causa física, quase sempre vascular. Nenhum dos padrões é diagnóstico, mas a diferença define as primeiras perguntas do médico.

Por que a disfunção erétil costuma ser um sinal vascular precoce

A coisa mais útil a saber sobre a disfunção erétil é que ela muitas vezes é um aviso precoce de doença cardiovascular. O mecanismo fica óbvio quando se olha o tamanho das artérias. As artérias que irrigam o pênis têm cerca de um a dois milímetros de diâmetro; as coronárias, que alimentam o músculo do coração, têm três a quatro. A aterosclerose, o estreitamento gradual das artérias, e a disfunção endotelial, a perda da capacidade do revestimento da artéria de relaxar quando necessário, atingem as duas num ritmo parecido. O mesmo estreitamento que uma coronária absorve em silêncio é suficiente para fechar as artérias do pênis, bem menores.

A janela de anos de aviso

Como os vasos pequenos falham primeiro, o sintoma costuma aparecer vários anos antes de uma dor no peito, de um infarto ou de um AVC. Em homens com fatores de risco vasculares, esse intervalo é frequentemente estimado em três a cinco anos. Isso não é uma previsão de que algo vai acontecer; é um motivo para levar a oportunidade a sério, porque um aviso que chega cedo ainda permite agir. Controlar pressão, glicose e colesterol, parar de fumar e fazer exercício melhoram a saúde dos vasos, e costumam ajudar a ereção também.

Nervos e hormônios: outros caminhos para o mesmo sintoma

A doença vascular é a causa física mais comum, mas não a única. A glicose alta por muito tempo danifica nervos pequenos além de vasos pequenos, e por isso os homens que vivem com diabetes e suas complicações são afetados mais cedo e de forma mais grave. Cirurgias na pelve, tratamento da próstata e lesão da medula interrompem o sinal nervoso. Testosterona baixa, doença da tireoide e prolactina alta diminuem o desejo. A maioria dos homens com causa física tem mais de um fator envolvido.

A investigação do coração e do metabolismo que um diagnóstico novo merece

Um primeiro episódio de disfunção erétil persistente é uma oportunidade de rastreamento. Uma investigação razoável usa exames comuns, cobertos pelo plano de saúde com pedido médico ou disponíveis no SUS a partir da Unidade Básica de Saúde, e procura as condições metabólicas e hormonais que tanto causam o sintoma quanto ameaçam o coração. Nenhum desses resultados faz o diagnóstico, que vem da história clínica. Eles o explicam, e mudam o que acontece a seguir.

ExameO que procuraPor que entra aqui
Glicemia de jejum e hemoglobina glicadaPré-diabetes e diabetesA glicose alta danifica as pequenas artérias e os pequenos nervos dos quais o pênis depende
Perfil lipídico (colesterol total e frações, triglicérides)LDL, HDL, triglicéridesMede o risco de aterosclerose que o sintoma pode estar anunciando
Testosterona total pela manhãHipogonadismoPrecisa ser colhida cedo e confirmada numa segunda amostra antes de qualquer decisão
LH e prolactinaCausa de uma testosterona baixaSepara um problema dos testículos de um problema da hipófise, o que muda o tratamento
TSHTireoide acelerada ou lentaOs dois lados afetam desejo e ereção, e ambos são fáceis de corrigir
Função dos rins e do fígadoFuncionamento dos órgãosA doença avançada causa o sintoma e limita quais remédios são seguros
Pressão arterialHipertensãoUma das principais causas vasculares, e alguns dos seus tratamentos também contribuem

Glicose e gorduras no sangue

A glicose vem primeiro, porque o diabetes é ao mesmo tempo uma causa comum e frequentemente esquecida. Uma coleta pela manhã fornece a medida da glicemia de jejum, e a hemoglobina glicada acrescenta a média dos últimos dois a três meses, então uma glicemia de jejum normal não encerra a questão. O médico também vai pedir um perfil lipídico completo. Homens com resultados alterados devem ler sobre o tratamento do colesterol alto.

Testosterona, e por que o horário da coleta importa

O exame de testosterona é onde as investigações mais erram. Os níveis atingem o pico no começo da manhã e caem ao longo do dia, então uma amostra colhida à tarde pode vir baixa num homem cujo nível matinal é normal. A coleta deve ser feita entre cerca de 7 e 11 horas da manhã, de preferência em jejum, e um resultado baixo deve ser confirmado numa segunda amostra matinal. Doença, noite mal dormida e exercício pesado baixam o número temporariamente. Antes de interpretar um laudo, vale entender o que significa o nível de testosterona.

Se duas amostras matinais vierem realmente baixas, o próximo passo é descobrir por quê, o que significa dosar o hormônio luteinizante (LH) e o valor da prolactina. Testosterona baixa com LH alto aponta para os testículos; testosterona baixa com LH baixo ou normal aponta para cima, para a hipófise, onde uma prolactina elevada pode ser o motivo — às vezes por um pequeno tumor benigno, às vezes por um remédio. Essa diferença define se a resposta é reposição hormonal, um medicamento ou um exame de imagem.

Tireoide, rins, fígado e pressão

A doença da tireoide, para os dois lados, afeta a função sexual, e a investigação começa com a dosagem de TSH. A função dos rins é avaliada com a creatinina e a taxa de filtração glomerular estimada, porque a doença renal avançada restringe a escolha dos remédios. As enzimas do fígado importam pelo mesmo motivo, então ajuda saber o que significa um resultado de TGP (ALT). A pressão merece uma medida bem feita, porque a hipertensão sem tratamento danifica diretamente o revestimento dos vasos; quem está começando pode ler um guia simples sobre pressão alta.

Remédios e substâncias que costumam contribuir

Os efeitos colaterais de remédios estão entre as causas mais comuns e mais reversíveis de disfunção erétil, e entre as menos discutidas. A ideia não é parar nada: vários dos remédios abaixo tratam doenças muito mais perigosas do que o efeito colateral. É levar o assunto a quem prescreveu, porque quase todas essas classes têm alternativas que se comportam de forma diferente.

  • Diuréticos tiazídicos (como a hidroclorotiazida) e betabloqueadores mais antigos, ambos muito usados para pressão
  • Vários antidepressivos, principalmente os da classe ISRS
  • Antipsicóticos e alguns remédios contra enjoo, que podem aumentar a prolactina
  • Finasterida e dutasterida, usadas para queda de cabelo e aumento da próstata
  • Terapia antiandrogênica usada no tratamento do câncer de próstata
  • Analgésicos opioides, que reduzem a produção de testosterona com o tempo
  • Consumo pesado de álcool, tabaco, maconha e esteroides anabolizantes

Os anabolizantes merecem destaque porque o efeito é contraintuitivo: os androgênios de fora desligam o sinal do próprio corpo para os testículos, e o resultado depois de um ciclo muitas vezes são meses de testosterona baixa e ereções fracas.

Fatores psicológicos e do relacionamento

Dizer que a disfunção erétil é psicológica muitas vezes soa como dizer que ela é imaginária. Não é nenhuma das duas coisas. O sistema nervoso controla o encanamento, e a ansiedade produz uma resposta física real: a adrenalina contrai justamente as artérias que precisam se abrir. A ansiedade de desempenho se autoalimenta, porque um episódio difícil torna o próximo mais provável. A depressão reduz o desejo diretamente, e vários de seus tratamentos o reduzem ainda mais. Conflitos no relacionamento, estresse no trabalho e sono ruim pesam no mesmo sistema.

Duas conclusões decorrem disso. Causas psicológicas e físicas convivem com muito mais frequência do que aparecem sozinhas, então tratar só uma deixa o homem decepcionado. E os fatores psicológicos respondem ao tratamento: terapia cognitivo-comportamental, terapia sexual e terapia de casal funcionam junto com o remédio, e não no lugar dele.

Tratamento da disfunção erétil, e como ele funciona de verdade

Inibidores da PDE5

Sildenafila, tadalafila, vardenafila e avanafila são o tratamento medicamentoso de primeira linha da disfunção erétil, e são muito mal compreendidos. Eles não criam excitação e não produzem uma ereção sozinhos. Eles bloqueiam uma enzima chamada fosfodiesterase tipo 5, que destrói o mensageiro químico que mantém o músculo liso relaxado. Não iniciam o sinal; impedem que ele seja desligado rápido demais.

A excitação continua sendo necessária, e o homem que toma o comprimido e fica esperando algo acontecer vai concluir que não funcionou. Uma refeição pesada atrasa a absorção de alguns deles. A tadalafila dura muito mais do que os outros, e por isso pode ser usada em dose baixa diária, em vez de antes da relação. Esses remédios também precisam de várias tentativas, numa dose adequada, antes de serem considerados ineficazes. No Brasil, são medicamentos de venda sob prescrição médica.

A pergunta sobre nitratos, que não é opcional

Quem pensa em usar um inibidor da PDE5 precisa ser perguntado sobre nitratos. Comprimidos sublinguais ou spray de nitroglicerina, mononitrato ou dinitrato de isossorbida e os nitritos recreativos conhecidos como “poppers” agem na mesma via do óxido nítrico que esses remédios amplificam, e a combinação pode causar uma queda súbita e perigosa da pressão. É uma contraindicação absoluta, não um simples cuidado. A mesma conversa deve incluir alfabloqueadores, infarto ou AVC recentes e insuficiência grave do fígado ou dos rins. É por isso que esses remédios exigem receita.

Reposição de testosterona: quando faz sentido e quando não

A reposição de testosterona serve para homens com níveis realmente baixos, confirmados em duas amostras matinais, junto com sintomas compatíveis, combinação que os médicos chamam de hipogonadismo. Nesse grupo, ela pode devolver o desejo e melhorar a resposta a outros tratamentos. Não é tratamento para disfunção erétil em homens com testosterona normal, e não resolve a ereção com segurança nem quando o nível está baixo, porque não faz nada pelas artérias estreitadas. Quem começa precisa de acompanhamento: a reposição pode aumentar a concentração de glóbulos vermelhos, reduzir a fertilidade e pede avaliação da próstata nos homens mais velhos.

Outras opções

Quando os comprimidos não servem ou não bastam, existem alternativas estabelecidas. As bombas de vácuo puxam o sangue mecanicamente e o seguram com um anel de constrição. A injeção de alprostadil no pênis, com uma agulha muito fina, funciona independentemente do sinal nervoso e ajuda homens com nervos lesionados. Existe também um supositório uretral, e a prótese peniana é uma opção cirúrgica com altas taxas de satisfação. Junto com tudo isso, as medidas menos glamorosas têm peso real: perder peso, parar de fumar, tratar a apneia do sono e fazer exercício aeróbico.

Produtos sem registro vendidos na internet, e por que são perigosos

Produtos vendidos na internet como “estimulantes naturais” formam uma categoria à parte. A Food and Drug Administration (FDA), agência americana, mantém uma lista sempre atualizada desses produtos encontrados com ingredientes de remédios com receita não declarados, geralmente sildenafila ou tadalafila, em doses desconhecidas. Antes de usar qualquer produto, verifique se ele tem registro na Anvisa e compre remédios só em farmácias.

O perigo é bem concreto. Um homem que evitou a receita porque usa nitrato para angina, e depois compra uma cápsula “de ervas” achando que não tem remédio nenhum, fica exposto exatamente à interação que a avaliação médica existe para evitar. A FDA observa que os produtos que ela identificou são só uma fração do que está no mercado.

Quando procurar um médico

Vale levar a disfunção erétil ao médico em quase todos os casos, nem que seja para descartar as causas vasculares e metabólicas. Algumas situações merecem atenção mais rápida que outras.

  • Dificuldade que dura três meses ou mais, em qualquer idade
  • Uma mudança súbita, principalmente antes dos 40 anos, que com mais frequência tem uma causa única tratável
  • Ereções matinais que foram desaparecendo aos poucos, o que aponta para uma causa física
  • Dor no peito, falta de ar ao esforço ou dor nas pernas ao caminhar junto com o problema
  • Perda do desejo, aumento das mamas, testículos diminuindo ou perda de pelos
  • Início poucas semanas depois de começar um remédio novo
  • Uma ereção dolorosa que dura mais de quatro horas, que é uma emergência médica (procure o pronto-socorro ou ligue 192)

A consulta é rotineira: esse é um dos motivos mais frequentes para os homens procurarem o clínico geral ou o urologista.

Avanços científicos recentes

As pesquisas dos últimos três anos reforçaram a ideia de tratar a disfunção erétil como um sinal do corpo inteiro, e não como uma queixa isolada. Veja o que os trabalhos recentes encontraram, em linguagem simples.

Problemas de ereção novos são comuns depois de um infarto

Uma revisão de 2026 que reuniu cinco estudos com homens sem problemas de ereção prévios mostrou que a grande maioria, cerca de dois em cada três, passou a ter o problema depois do primeiro infarto, geralmente em até seis meses. O que isso significa para você: se a ereção muda depois de um evento cardíaco, isso faz parte conhecida da recuperação, e não é um fracasso pessoal; vale falar disso na consulta de acompanhamento. Os estudos foram poucos e bem diferentes entre si, então a proporção exata é incerta, embora a direção seja clara.

A reabilitação cardíaca melhora a ereção, um pouco

Uma análise combinada de 2024, com seis estudos em homens com doença cardíaca, mostrou que a reabilitação cardíaca supervisionada — um programa estruturado de exercício monitorado e orientação de estilo de vida — trouxe uma melhora pequena, mas real, em comparação com o cuidado habitual. O que isso significa para você: o programa de exercício indicado para o coração age nos mesmos vasos envolvidos na ereção. O efeito foi modesto e os estudos pequenos, então isso apoia a reabilitação como complemento, e não como tratamento por si só.

No diabetes, os riscos modificáveis são os de sempre

Uma revisão sistemática de 2024, com 58 estudos e quase 67.000 homens com diabetes, identificou os fatores que mais acompanham os problemas de ereção: glicose alta a longo prazo, diabetes há mais tempo, tabagismo, pressão alta, doença cardiovascular já existente, complicações nos nervos e nos rins, e depressão. O que isso significa para você: quase todos os itens dessa lista podem ser medidos numa investigação e tratados num plano. O estudo mostra quais fatores andam juntos, mas não prova que mudar um muda o outro.

Nem todo remédio de pressão se comporta igual

Os betabloqueadores têm há muito tempo a fama de causar problemas de ereção. Uma análise combinada de 2025, com quatro ensaios randomizados, mostrou que o nebivolol, um agente mais novo que também relaxa os vasos, teve resultados melhores na função erétil do que o metoprolol, mais antigo. O que isso significa para você: se um remédio de pressão parece ser o gatilho, pode existir uma alternativa dentro da mesma família — e isso é conversa para ter com quem prescreveu, não motivo para parar o tratamento. Os ensaios foram poucos, então isso orienta a discussão, mas não a encerra.

As diretrizes continuam apertando as regras sobre testosterona

Uma grande atualização de diretriz de 2025 sobre saúde sexual e reprodutiva masculina reafirmou que a reposição de testosterona é para homens que preenchem critérios claros de nível baixo junto com sintomas compatíveis, e que o tratamento precisa de acompanhamento estruturado. Ela também propôs uma abordagem em etapas, baseada em quão invasiva é cada opção e no que o paciente quer. O que isso significa para você: uma boa consulta começa confirmando a causa, e não com o bloco de receitas.

Glossário

TermoDefinição
EndotélioA camada de uma única célula que reveste o interior de todo vaso sanguíneo. Ela libera os sinais que mandam a artéria dilatar ou contrair.
Disfunção endotelialEstado em que esse revestimento perde a capacidade de fazer as artérias relaxarem quando necessário. É uma das primeiras fases da doença cardiovascular e aparece primeiro nos menores vasos.
Corpos cavernososOs dois cilindros de tecido esponjoso ao longo do pênis que se enchem de sangue para produzir a ereção.
Óxido nítricoGás de vida curta liberado pelos nervos e pelo revestimento dos vasos, que relaxa o músculo liso e deixa o sangue entrar.
Inibidor da PDE5Inibidor da fosfodiesterase tipo 5. Classe de remédios com receita, como sildenafila e tadalafila, que impede a destruição do sinal de relaxamento para que a ereção se mantenha. A excitação continua necessária.
NitratoClasse de remédios para o coração, como a nitroglicerina, usada na angina. Nunca deve ser combinada com um inibidor da PDE5, porque juntos podem baixar a pressão de forma perigosa.
HipogonadismoTestosterona persistentemente baixa, confirmada em duas amostras de sangue colhidas pela manhã, junto com sintomas como pouco desejo, cansaço ou perda de pelos.
Hormônio luteinizante (LH)Hormônio da hipófise que manda os testículos produzirem testosterona. O nível mostra se a testosterona baixa vem dos testículos ou da hipófise.
ProlactinaHormônio da hipófise. Quando alto, reduz a testosterona e o desejo, às vezes por causa de um remédio e às vezes por um pequeno tumor benigno da hipófise.
Hemoglobina glicada (HbA1c)Exame de sangue que reflete a média da glicose nos dois a três meses anteriores, usado para detectar e acompanhar o diabetes.

Perguntas frequentes

O que provoca a disfunção erétil?

Nos homens acima de cerca de 40 anos, a causa isolada mais comum é a redução do fluxo de sangue por aterosclerose e disfunção endotelial, o mesmo processo por trás das doenças do coração. Depois vem o diabetes, que age nos vasos e nos nervos. Os efeitos colaterais de remédios respondem por uma parte importante e muitas vezes são esquecidos. Abaixo dos 40 anos, fatores psicológicos e efeitos de remédios são proporcionalmente mais comuns do que a doença vascular avançada, embora causas vasculares também ocorram. A maioria dos homens bem avaliados tem mais de um fator, e por isso uma explicação única raramente conta a história toda.

Como saber se um homem tem disfunção erétil?

Não existe teste caseiro que faça o diagnóstico, porque ele vem da história clínica, e não de uma medida. O sinal principal é a dificuldade frequente, por cerca de três meses, de conseguir ou manter uma ereção suficiente para o sexo. Em casa, você pode reunir informações úteis: anote se a dificuldade é constante ou depende da situação, se as ereções matinais ainda acontecem, quando começou e se veio depois de um remédio novo. Medidas de pressão feitas em casa e exames de sangue de glicose, colesterol e testosterona (colhida de manhã) trazem dados reais, que o médico interpreta junto com a sua história e o exame físico.

Quem tem disfunção erétil sente desejo?

Na maioria das vezes, sim. Desejo (libido) e ereção dependem de mecanismos diferentes: um homem pode ter muita vontade e ainda assim não conseguir uma ereção firme, principalmente quando a causa é vascular ou nervosa. Quando o desejo também cai, vale investigar testosterona baixa, prolactina alta, tireoide, depressão e efeitos de remédios.

O que é bom para acabar com a disfunção erétil?

O que funciona é tratar a causa e usar o tratamento indicado pelo médico: controlar diabetes, pressão e colesterol, parar de fumar, perder peso, fazer exercício aeróbico, rever remédios que atrapalham, cuidar da ansiedade e da depressão e, quando indicado, usar inibidores da PDE5 com receita. Produtos “naturais” vendidos na internet não são seguros e podem conter remédios escondidos.

Qual a idade em que o homem começa a ter disfunção erétil?

Não existe uma idade certa. O problema fica mais comum com o passar dos anos: a SBU estima que, no Brasil, a prevalência se aproxima de 50% depois dos 40 anos. Mas a disfunção erétil não é uma parte inevitável do envelhecimento, e pode aparecer em jovens por ansiedade, remédios, anabolizantes ou problemas metabólicos. Em qualquer idade, vale investigar.

Quais remédios mais causam disfunção erétil?

As classes mais citadas são os diuréticos tiazídicos e os betabloqueadores mais antigos usados para pressão, os antidepressivos ISRS, os antipsicóticos, a finasterida e a dutasterida, a terapia antiandrogênica do câncer de próstata e os analgésicos opioides. O tempo é a pista mais forte: uma dificuldade que começa poucas semanas depois de um remédio novo merece conversa com quem prescreveu. Não pare por conta própria um remédio do coração ou psiquiátrico, porque a doença por trás geralmente é mais perigosa do que o efeito colateral. Na maioria dessas classes há alternativas com perfil diferente.

A disfunção erétil tem cura?

Muitas vezes, sim, pelo menos em parte. Quando a causa é um remédio, um problema de tireoide, prolactina alta ou testosterona baixa confirmada, corrigir o problema costuma melhorar bastante o sintoma. Quando a causa é uma doença vascular inicial, perder peso, parar de fumar, fazer exercício e controlar bem pressão, glicose e colesterol podem melhorar a função erétil de forma mensurável. Quando as artérias estão muito estreitadas ou os nervos lesionados, a reversão completa é menos provável, mas ainda existe tratamento eficaz. A reversibilidade depende da causa, e esse é o argumento prático para identificá-la cedo.

O que causa disfunção erétil em homens jovens?

Nos mais jovens, o quadro pende para fatores psicológicos e de estilo de vida: ansiedade de desempenho, depressão, dificuldades no relacionamento, sono ruim, consumo pesado de álcool ou maconha e efeitos colaterais de antidepressivos. O uso de anabolizantes é uma causa importante e pouco relatada. Mesmo assim, um problema novo num homem jovem não deve ser descartado, porque doença metabólica precoce, alterações hormonais e problemas vasculares raros acontecem, e o jovem com causa vascular é quem mais ganha ao descobri-la cedo. Uma investigação básica é razoável em qualquer idade.

Isso quer dizer que vou ter um infarto?

Não. Problemas de ereção aumentam a probabilidade estatística de haver doença vascular, mas não preveem que um evento vai acontecer, e muitos homens com o sintoma nunca têm um problema cardíaco. A forma útil de pensar é que ele é um convite para checar. Pressão, glicose, colesterol e histórico familiar juntos dão uma ideia muito melhor do risco do que o sintoma sozinho. Quem investiga e trata o que encontra está agindo com uma informação que chegou cedo — e esse é todo o valor do aviso.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Urologia — Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos — Portal da Urologia — portaldaurologia.org.br (em português)
  • Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br, 2025 — www.gov.br (em português)
  • National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases — Erectile Dysfunction (ED) — NIDDK, National Institutes of Health — www.niddk.nih.gov (em inglês)
  • Cleveland Clinic — Erectile Dysfunction (ED): Causes, Diagnosis and Treatment — my.clevelandclinic.org (em inglês)
  • U.S. Food and Drug Administration — Sexual Enhancement and Energy Product Notifications — www.fda.gov (em inglês)
  • Sama C, Ajibade A, Al-Saed M, et al. — De novo erectile dysfunction after first myocardial infarction: systematic review and meta-analysis — The Journal of Sexual Medicine, 2026 — doi.org/10.1093/jsxmed/qdaf338 (em inglês)
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  • Lu Y, Li L, Li Q, et al. — Effect of nebivolol on erectile function: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials — The Journal of Sexual Medicine, 2025 — doi.org/10.1093/jsxmed/qdae189 (em inglês)
  • Salonia A, Capogrosso P, Boeri L, et al. — European Association of Urology Guidelines on Male Sexual and Reproductive Health: 2025 Update on Male Hypogonadism, Erectile Dysfunction, Premature Ejaculation and Peyronie’s Disease — European Urology, 2025 — doi.org/10.1016/j.eururo.2025.04.010 (em inglês)

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