O HOMA-IR não é uma agulha no braço, e sim uma conta curta: ele pega a sua glicemia de jejum e a sua insulina de jejum, multiplica as duas e transforma o resultado em um único número que estima o quanto o corpo se esforça para manter o açúcar estável. Médicos e pesquisadores usam o índice HOMA-IR como um marcador aproximado de resistência à insulina, sobretudo no fígado. Ele é barato e fácil de repetir, por isso aparece cada vez mais nos laudos brasileiros. E é muito mal interpretado. Neste artigo você vai ver como o índice é calculado, quais são os valores de referência mais usados no Brasil, por que nenhum ponto de corte serve para todo mundo, o que faz o resultado subir ou descer e onde a conta deixa de ser útil.

O que o índice HOMA-IR mede de fato

HOMA-IR é a sigla em inglês de Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance, ou modelo de avaliação da homeostase para resistência à insulina. Foi criado nos anos 1980 para descrever, com uma matemática simples, o equilíbrio entre dois valores medidos na mesma amostra de sangue em jejum: o açúcar que circula no sangue e a insulina que o pâncreas libera para manter esse açúcar no lugar.

A insulina manda o fígado parar de liberar o açúcar armazenado e manda as células dos músculos e da gordura captarem glicose. Quando esses tecidos respondem pior, o pâncreas compensa produzindo mais insulina. Durante anos, essa insulina extra pode manter a glicemia perfeitamente normal. O índice foi pensado para flagrar exatamente essa situação: açúcar normal, pago com insulina alta.

Um detalhe importa. Como a conta usa uma amostra de jejum, ela reflete sobretudo o período da noite, quando quem regula o açúcar é o fígado. Por isso ela descreve mais a resistência à insulina hepática, ou seja, no fígado, do que nos músculos, que aparece melhor depois das refeições. É um dos motivos pelos quais duas pessoas com o mesmo índice podem ter quadros metabólicos diferentes. Comece pela metade “açúcar” da equação no nosso guia de resultados da glicemia de jejum.

Como calcular o HOMA-IR: a fórmula com as unidades brasileiras

A conta cabe na calculadora do celular. A versão depende das unidades do seu laudo.

No Brasil, a glicose vem em miligramas por decilitro (mg/dL) e a insulina em microunidades por mililitro (µU/mL ou µUI/mL). Nesse caso, a fórmula é: insulina de jejum vezes glicemia de jejum, dividido por 405.

Em laudos com unidades do Sistema Internacional, comuns em artigos estrangeiros, a glicose aparece em milimoles por litro (mmol/L) e a insulina em miliunidades por litro (mU/L). Aí a fórmula é: insulina vezes glicemia, dividido por 22,5.

Um exemplo deixa claro. Com glicemia de jejum de 92 mg/dL e insulina de 11 µU/mL, você faz 92 vezes 11, que dá 1.012, dividido por 405: cerca de 2,5. A mesma glicemia equivale a cerca de 5,1 mmol/L, e 5,1 vezes 11 dividido por 22,5 dá o mesmo resultado. As duas fórmulas são a mesma equação em unidades diferentes, então uma calculadora que pede mg/dL e outra que pede mmol/L devem concordar. Se não concordarem, confira a unidade digitada.

São dois números, nada mais. Essa é a força e a fraqueza do método: ele só precisa de um exame de jejum comum, mas nunca será mais confiável do que essas duas medidas. Veja o que a metade “insulina” significa sozinha no nosso guia do exame de insulina basal.

E o HOMA-beta?

Muitos laudos trazem, ao lado do HOMA-IR, o HOMA-beta. Ele usa os mesmos dois números, mas estima outra coisa: o quanto as células beta do pâncreas estão trabalhando para produzir insulina. Não existe faixa de referência padronizada para o HOMA-beta, e ele é ainda mais sensível às diferenças entre laboratórios. Leia sempre os dois índices com o médico, nunca isoladamente.

Por que não existe um único valor normal de HOMA-IR

Procure “HOMA-IR normal” e você vai achar números que vão de cerca de 1,0 até bem acima de 3,0, todos apresentados com a mesma segurança. Três fatores explicam essa dispersão.

A dosagem de insulina não é padronizada

Diferente da glicose, a medida da insulina nunca foi totalmente harmonizada entre laboratórios. Imunoensaios diferentes reagem de forma diferente a fragmentos de insulina e à pró-insulina, então um mesmo tubo de sangue pode dar valores bem diferentes em dois laboratórios. Como a insulina é um dos dois únicos ingredientes, essa variação vai direto para o índice. Um 2,4 de um laboratório não é exatamente comparável a um 2,4 de outro.

As populações são diferentes

Os pontos de corte costumam ser definidos olhando a distribuição dos índices em um grupo saudável de referência e traçando uma linha perto do topo. Mude o grupo e a linha muda. Estudos em populações do Leste Asiático, do Sul da Ásia, da América Latina, da Europa e de ascendência africana chegaram a cortes claramente diferentes, em parte porque a composição corporal e a secreção habitual de insulina variam. No Brasil, o estudo BRAMS (Brazilian Metabolic Syndrome Study), com 1.203 adultos sem diabetes de 18 a 78 anos, definiu como corte para resistência à insulina um HOMA-IR acima de 2,7, calculado no 90º percentil do grupo saudável, e acima de 2,3 para identificar síndrome metabólica. A idade também conta: adolescentes ficam fisiologicamente mais resistentes à insulina na puberdade, então os números de adultos não valem para eles.

O objetivo do corte muda o corte

Um limite escolhido para pegar o máximo de pessoas em risco fica mais baixo do que um escolhido para ter certeza. Pesquisa, rastreamento e acompanhamento clínico exigem equilíbrios diferentes. Por isso o índice continua sendo, na maior parte das diretrizes, uma ferramenta de pesquisa e de acompanhamento, e não um exame diagnóstico.

Existem duas versões do modelo

A equação original de 1985 foi substituída, em boa parte das pesquisas, por um modelo de computador atualizado, o HOMA2, que lida melhor com valores muito altos ou muito baixos e pode usar o peptídeo C no lugar da insulina. Os dois não são intercambiáveis, e o HOMA2 costuma dar um número menor que a fórmula clássica para a mesma amostra; no BRAMS, o corte equivalente para resistência à insulina foi de 1,8 no HOMA2. A maioria dos laudos e das calculadoras on-line ainda usa a equação original, então confira qual versão gerou o seu resultado antes de compará-lo com um limite publicado.

Como ler o seu próprio resultado de HOMA-IR

Qual é o valor normal do índice HOMA-IR? Com as ressalvas acima, a tabela reúne as faixas mais usadas em pesquisas e por laboratórios brasileiros. A Rede D’Or, por exemplo, descreve abaixo de 2,5 como sensibilidade normal à insulina, de 2,5 a 3,9 como maior risco que merece atenção médica e 4,0 ou mais como faixa de resistência mais marcada. São orientações, não diagnóstico, e pouco significam sem o resto dos seus exames e da sua história.

Valor aproximadoComo costuma ser lidoPróximo passo sensato
Abaixo de cerca de 1,0Sensibilidade à insulina típica de grupos de referência magros e ativosNada específico; mantenha os hábitos que levaram a isso
Cerca de 1,0 a 2,0Comum na população adulta, sem significado especial isoladamenteLeia junto com cintura, pressão, perfil lipídico e hemoglobina glicada
Cerca de 2,0 a 2,9Zona cinzenta: acima de vários cortes de pesquisa e abaixo de outros, incluindo o corte brasileiro de 2,7Vale conversar com o médico, de preferência com uma nova amostra
Cerca de 3,0 ou maisAcima da maioria dos limites publicados, sugerindo menor sensibilidade à insulinaAvaliação médica, com glicemia e glicada para ver o quadro completo

Olhe também o que cerca o índice. Um valor alto junto com cintura larga, triglicerídeos altos, HDL baixo e pressão subindo descreve um nível de preocupação diferente do mesmo valor sozinho em um exame sem outras alterações.

Leia a tendência, não a casa decimal. Um índice que passa de 3,4 para 2,6 em um ano, no mesmo laboratório e nas mesmas condições, diz mais do que um valor isolado comparado com um número achado na internet. Um índice alto com glicemia de jejum normal também é uma situação diferente de um índice alto com açúcar subindo. Acompanhe três meses de glicose média no nosso guia da hemoglobina glicada.

Quando o HOMA-IR é preocupante?

O HOMA-IR preocupa mais quando está claramente acima de 2,7 a 3,0, sobe em exames repetidos ou vem acompanhado de glicemia, glicada, triglicerídeos ou pressão também alterados. Um valor alto isolado, em um exame colhido sem jejum correto, preocupa bem menos e deve ser repetido.

O que significa ter insulina alta e HOMA-IR alto?

Significa, em geral, que o pâncreas está produzindo mais insulina do que o normal para manter a glicose no lugar, o retrato típico da resistência à insulina compensada. Como a insulina entra na conta, os dois costumam subir juntos. Se a glicemia ainda está normal, é um sinal de alerta precoce, não um diagnóstico de diabetes.

Como o HOMA-IR se compara com outros exames de resistência à insulina

Nenhum exame de sangue define sozinho a resistência à insulina. Cada método responde a uma pergunta um pouco diferente, e eles não são intercambiáveis.

ExameO que mostraJejumPrincipal vantagemPrincipal limite
Glicemia de jejumAçúcar no sangue após a noite em jejumSimPadronizada; usada para diagnosticar pré-diabetes e diabetesFica normal por anos enquanto a insulina sobe em silêncio
Hemoglobina glicadaAçúcar médio dos últimos três meses, aproximadamenteNãoPrática, estável e bem padronizadaDistorcida por anemia e outras alterações das hemácias
Insulina de jejumQuanto de insulina o pâncreas libera em repousoSimPode subir antes da glicoseVaria entre laboratórios; sem faixa normal consensual
HOMA-IRResistência à insulina estimada, sobretudo hepática, a partir desses dois valoresSimBarato e repetível; útil para acompanhar mudançasSem corte universal; herda o problema da dosagem de insulina
Teste oral de tolerância à glicose (TTGO)Como o corpo lida com uma bebida de açúcar medida ao longo de duas horasSimRevela problemas pós-refeição que os exames de jejum não pegamLeva horas; resultados variam de um dia para o outro
Clamp euglicêmicoGlicose absorvida pelo corpo com a insulina mantida fixa, medida diretamenteSimÉ o padrão de referência para os outros métodosSó em pesquisa: horas de duração, acesso venoso e equipe especializada

Veja onde o índice se encaixa. Ele aproxima algo que o clamp mede diretamente, usando dois exames comuns. Isso é útil para acompanhar uma mesma pessoa ao longo do tempo. Não substitui os exames que definem pré-diabetes e diabetes: pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), são a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada e o TTGO. Exploramos essa tensão no nosso texto sobre a distância entre resistência à insulina e glicada.

O que faz o HOMA-IR subir e como a coleta influencia

Antes de tirar conclusões, confira como a amostra foi colhida. O índice só vale em uma amostra de jejum de verdade, em geral de 8 a 12 horas, com água liberada. Café, uma mordida no café da manhã ou um jantar muito tarde podem mexer na insulina o bastante para mudar o resultado. Exercício pesado na noite anterior, uma doença aguda, uma noite mal dormida ou estresse na manhã da coleta também influenciam. Medidas repetidas na mesma pessoa costumam variar bastante, e por isso um índice limítrofe isolado raramente justifica uma decisão.

Fatores que costumam empurrar o índice para cima

  • Gordura visceral, aquela acumulada em volta dos órgãos do abdômen, mais ativa metabolicamente do que a gordura sob a pele
  • Longos períodos sentado e pouca atividade física no geral
  • Sono curto ou interrompido e apneia do sono sem tratamento
  • Alguns remédios, como corticoides, certos antipsicóticos e alguns tratamentos para HIV
  • Gravidez, em que a resistência à insulina sobe normalmente no segundo e no terceiro trimestres
  • Puberdade, que reduz temporariamente a sensibilidade à insulina em adolescentes saudáveis
  • Condições hormonais como a síndrome dos ovários policísticos, a síndrome de Cushing e doenças da tireoide sem tratamento
  • Acúmulo de gordura no fígado, que muitas vezes anda junto com um índice alto

Alguns desses fatores são temporários e esperados. Gravidez e puberdade são estados normais, não doenças, e um índice medido nessas fases não deve ser comparado com as faixas de adultos. As causas ligadas ao fígado merecem uma conversa com o médico; reveja a enzima mais usada para isso no nosso guia do exame de TGP (ALT) e uma segunda enzima no nosso texto sobre o exame de gama GT.

Como é a barriga de quem tem resistência à insulina?

Costuma ser o acúmulo de gordura na região da cintura, a chamada obesidade central ou abdominal, que reflete a gordura visceral. No BRAMS, o HOMA-IR se associou à obesidade central, aos triglicerídeos e ao colesterol total. Mas a forma da barriga não confirma nada: a medida da cintura com fita métrica, junto com os exames, é o que o médico usa.

O que ajuda a baixar o índice HOMA-IR

O que fazer para baixar o índice HOMA? A sensibilidade à insulina responde a mudanças de hábito mais rápido do que a maioria dos exames, muitas vezes em semanas. Nada do que vem a seguir é prescrição nem substitui o acompanhamento com o seu médico, mas são as alavancas com as evidências mais fortes.

  • Atividade física regular. O exercício aeróbico e a musculação ajudam, e uma única sessão melhora a captação de glicose por um dia ou mais, então a constância vale mais que a intensidade.
  • Perda de peso modesta. Cerca de 5 a 7 % do peso corporal é a meta usada nos grandes programas de prevenção do diabetes, e já basta para mudar os marcadores metabólicos.
  • Quebrar o tempo sentado. Caminhadas curtas a cada hora atenuam a resposta da insulina às refeições melhor do que uma única sessão longa no fim de um dia parado.
  • Sono. Recuperar o sono adequado e tratar a apneia melhoram a sensibilidade à insulina independentemente do peso.
  • Qualidade da alimentação. Mais fibras, grãos integrais, feijão e outras leguminosas, verduras e gorduras insaturadas, com menos refrigerantes e amidos refinados. O padrão importa mais do que qualquer alimento isolado.
  • Moderação no álcool, que também alivia o fígado.

As gorduras do sangue costumam se mover na mesma direção, então um índice em queda muitas vezes vem com triglicerídeos mais baixos. Interprete os dois juntos no nosso guia de triglicerídeos no sangue.

Quando procurar o médico e o que o número não mostra

O resultado é um começo de conversa, não um veredito. Marque consulta se o seu índice estiver claramente acima das faixas acima, se estiver subindo em exames repetidos, se a glicemia de jejum ou a glicada também estiverem aumentando, ou se você tiver sintomas como sede fora do comum, urina frequente, visão embaçada ou mudança de peso sem explicação. Histórico familiar de diabetes tipo 2, diabetes gestacional em uma gravidez anterior ou síndrome dos ovários policísticos são motivos a mais para se avaliar. A doença está descrita no nosso panorama sobre sintomas e tratamentos do diabetes tipo 2.

Tenha a mesma clareza sobre os limites. A conta não diagnostica diabetes nem pré-diabetes; isso depende da glicemia de jejum, da glicada ou do TTGO. Ela não mostra se o pâncreas está perdendo a capacidade de produzir insulina, assunto de outros marcadores, como o do nosso guia do exame de peptídeo C. Não diz nada sobre como os músculos lidam com o açúcar depois das refeições e não prevê, para uma pessoa específica, quem vai desenvolver diabetes. Em quem já usa insulina, a fórmula simplesmente não funciona, porque a insulina da amostra não veio do pâncreas. O açúcar que aparece na urina é outro sinal, descrito na nossa página sobre glicose no exame de urina.

Avanços científicos recentes

As pesquisas dos últimos três anos se preocuparam menos em achar o ponto de corte perfeito e mais em entender o que realmente mexe no número.

Uma revisão sistemática de 2025 reuniu 87 estudos com mais de 235 mil adultos para estimar o quanto a resistência à insulina é comum no mundo. Cerca de um em cada quatro adultos preenchia os critérios usados nesses estudos. O achado mais útil está nos métodos: os estudos incluídos usaram muitos limites diferentes, e a estimativa geral se manteve mesmo assim. O que isso significa para você: o corte exato impresso no seu laudo importa menos do que a posição do seu número em relação aos seus próprios resultados anteriores. Limites padronizados continuam sem existir.

Uma metanálise de 2026, estudo que combina estatisticamente muitos ensaios, revisou 77 ensaios randomizados de programas de mudança de estilo de vida em pessoas com pré-diabetes, com mais de 22 mil participantes. Perder pelo menos 5 % do peso esteve ligado a uma chance claramente maior de a glicose voltar à faixa normal do que perdas menores. Programas com exercício supervisionado reduziram mais os novos casos de diabetes do que só orientações, e os participantes mais jovens melhoraram mais os índices de insulina. O que isso significa para você: estrutura e acompanhamento parecem importar, não só a boa intenção.

Uma análise do estudo PREMIER, publicada em 2023, acompanhou 685 adultos por 18 meses e separou os efeitos da qualidade da alimentação, do condicionamento físico e da perda de peso. Comer melhor e ter melhor condicionamento se ligaram, cada um, a menor resistência à insulina, e parte desse benefício permaneceu depois de descontado o peso perdido. O que isso significa para você: comer melhor e se mexer mais parecem ajudar mesmo quando a balança não anda.

Um ensaio randomizado publicado em 2025 comparou exercício aeróbico, musculação e os dois combinados em 160 idosos com obesidade que também perdiam peso com dieta. O grupo combinado melhorou mais a sensibilidade à insulina do que cada tipo isolado, e a musculação foi a que mais preservou os músculos. O que isso significa para você: misturar aeróbico com força é um bom padrão. São ensaios individuais e análises de grupos específicos; apontam uma direção, não encerram a questão, e nenhum deles muda a forma como a resistência à insulina é formalmente diagnosticada.

Glossário

TermoDefinição
HOMA-IRModelo de avaliação da homeostase para resistência à insulina. Índice calculado que estima a resistência à insulina a partir da glicemia e da insulina de jejum da mesma amostra.
Resistência à insulinaSituação em que fígado, músculos e gordura respondem pior à insulina, e o pâncreas precisa liberar mais para manter a glicose na faixa.
Insulina de jejumA insulina que circula depois de 8 a 12 horas sem comer, informada no Brasil em µU/mL ou µUI/mL.
HepáticoRelativo ao fígado. Resistência à insulina hepática significa que o fígado continua liberando açúcar mesmo quando a insulina manda parar.
Gordura visceralGordura guardada no fundo do abdômen, em volta dos órgãos, mais ligada a problemas metabólicos do que a gordura logo abaixo da pele.
Hemoglobina glicadaExame de sangue (HbA1c) que reflete o açúcar médio de cerca de três meses. Usado para diagnosticar e acompanhar o diabetes.
Clamp euglicêmicoProcedimento de pesquisa que mantém insulina e glicose em níveis fixos para medir diretamente a sensibilidade à insulina. É o padrão de referência.
Ensaio (método)O método de laboratório usado para medir uma substância. Métodos diferentes de insulina podem dar valores diferentes para a mesma amostra.

Perguntas frequentes

Existe uma faixa normal oficial para o HOMA-IR?

Não. Não há uma faixa de referência internacional consensual, e laboratórios e estudos usam limites diferentes. Valores perto ou abaixo de 1,0 são típicos de grupos de referência magros e ativos, e a maioria dos cortes publicados para menor sensibilidade à insulina fica entre 2,0 e 3,0; no Brasil, o estudo BRAMS propôs 2,7. Como a dosagem de insulina não é padronizada, o mesmo sangue pode dar índices diferentes em laboratórios diferentes. Trate qualquer faixa como orientação, compare o resultado com os seus exames anteriores do mesmo laboratório e deixe o médico lê-lo junto com glicemia, glicada, pressão e histórico.

Qual valor indica resistência à insulina?

Na população brasileira adulta, o corte mais citado é o do BRAMS: HOMA-IR acima de 2,7 sugere resistência à insulina. Muitos laboratórios usam 2,5 como limite de atenção. Em crianças, adolescentes e gestantes, esses números não se aplicam, e o médico usa outros parâmetros.

Posso calcular sozinho a partir do meu laudo?

Sim, se o laudo trouxer a glicemia e a insulina de jejum da mesma coleta. Com as unidades brasileiras, multiplique a insulina em µU/mL pela glicemia em mg/dL e divida por 405. Com unidades do Sistema Internacional, multiplique a insulina em mU/L pela glicose em mmol/L e divida por 22,5. As calculadoras on-line fazem exatamente isso, então os resultados devem bater. O resultado só vale se a amostra foi realmente de jejum, e não vale se você aplica insulina.

O HOMA-IR é melhor que a hemoglobina glicada?

Eles respondem a perguntas diferentes, então um não substitui o outro. A glicada mostra o que a glicose de fato fez em cerca de três meses, é padronizada e é usada para diagnóstico. O índice estima quanto de insulina foi preciso para chegar a essa glicose, o que pode mudar antes. Na prática, ele pode sinalizar uma mudança metabólica com a glicada ainda normal, mas só a glicada e a glicemia confirmam pré-diabetes ou diabetes. A maioria dos médicos usa glicemia e glicada como base e trata um índice baseado em insulina como contexto extra.

Posso ter resistência à insulina com glicada normal?

Sim, e é comum. A resistência à insulina muitas vezes se instala anos antes de a glicose subir, porque o pâncreas compensa produzindo mais insulina. Nesse período, a glicemia de jejum e a glicada podem parecer totalmente normais enquanto a insulina de jejum sobe. É exatamente essa janela que o índice tenta descrever. Também é por isso que uma glicada normal não exclui sozinha um problema metabólico, e por que a medida da cintura, a pressão e os triglicerídeos merecem ser revistos na mesma consulta.

Preciso mesmo fazer jejum antes do exame?

Sim. A fórmula pressupõe o estado de jejum, em geral de 8 a 12 horas com água liberada, e perde o sentido sem ele. Mesmo uma pequena quantidade de comida eleva bastante a insulina e infla o índice. Manter as mesmas condições entre um exame e outro também ajuda: mesmo laboratório, horário parecido pela manhã, nada de exercício muito pesado na véspera, nada de doença aguda. Como as medidas repetidas variam bastante na mesma pessoa, muitos médicos confirmam um resultado limítrofe ou inesperado com uma segunda amostra.

Em quanto tempo o número pode mudar?

Mais rápido que a maioria dos marcadores do sangue. A sensibilidade à insulina responde a uma única sessão de exercício em um dia, e os estudos de mudança de estilo de vida costumam ver diferença mensurável em 8 a 12 semanas. Essa rapidez vale para os dois lados: uma semana de sono ruim, um tratamento com corticoide ou uma doença podem subir o número temporariamente. Refazer o exame depois de pelo menos três meses de hábitos constantes dá uma visão mais justa do que medir a cada poucas semanas, e usar o mesmo laboratório elimina uma grande fonte de variação.

Fontes

  • Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos EUA (NIDDK) — Insulin Resistance and Prediabetes (resistência à insulina e pré-diabetes) — disponível em niddk.nih.gov
  • MedlinePlus, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA — Prediabetes (pré-diabetes) — disponível em medlineplus.gov
  • Cleveland Clinic — Insulin Resistance: What It Is, Causes, Symptoms and Treatment (resistência à insulina) — disponível em my.clevelandclinic.org
  • Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) — Preventing Type 2 Diabetes (prevenção do diabetes tipo 2) — disponível em cdc.gov
  • Geloneze B, Vasques AC, Stabe CF, Pareja JC, Rosado LE, Queiroz EC, Tambascia MA — HOMA1-IR and HOMA2-IR indexes in identifying insulin resistance and metabolic syndrome: Brazilian Metabolic Syndrome Study (BRAMS) — Arq Bras Endocrinol Metabol, 2009 — disponível em doi.org/10.1590/s0004-27302009000200020
  • Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico de diabetes mellitus — Diretriz da SBD, 2024 — disponível em diretriz.diabetes.org.br
  • Rede D’Or — Índice de HOMA-IR: o que é, como é feito e qual o preparo — Análises clínicas, 2025 — disponível em rededorsaoluiz.com.br
  • Ballena-Caicedo J, Zuzunaga-Montoya FE, Loayza-Castro JA, et al. — Global prevalence of insulin resistance in the adult population: a systematic review and meta-analysis — Frontiers in Endocrinology, 2025 — disponível em doi.org/10.3389/fendo.2025.1646258
  • Rong J, Ho M, Zhou D, Chau PH — Identifying Promising Practices in Lifestyle Intervention Programs for the Prediabetes Population: A Meta-Analysis and Meta-Regression of Randomized Controlled Trials — Worldviews on Evidence-Based Nursing, 2026 — disponível em doi.org/10.1111/wvn.70152
  • Gradinariu V, Ard J, van Dam RM — Effects of dietary quality, physical activity and weight loss on glucose homeostasis in persons with and without prediabetes in the PREMIER trial — Diabetes, Obesity and Metabolism, 2023 — disponível em doi.org/10.1111/dom.15160
  • Colleluori G, Viola V, Bathina S, et al. — Effect of aerobic or resistance exercise, or both on insulin secretion, ciliary neurotrophic factor, and insulin-like growth factor-1 in dieting older adults with obesity — Clinical Nutrition, 2025 — disponível em doi.org/10.1016/j.clnu.2025.05.016

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