Os sintomas da candidíase variam muito mais do que a maioria das pessoas imagina, porque a mesma família de fungos se comporta de formas bem diferentes conforme o lugar onde cresce. Uma candidíase vaginal, o “sapinho” na boca, uma assadura numa dobra da pele, dor para engolir e uma infecção no sangue de quem está na UTI são todas candidíase, mas diferem na gravidade, na forma de confirmar e no tratamento. Neste artigo, você vai entender o que causa a candidíase, como cada forma se manifesta, quais condições são confundidas com ela, se a candidíase passa para o parceiro, quantos dias ela dura, o que o mercado de bem-estar chama de “excesso de cândida” e por que isso não é um diagnóstico médico, e quais exames de laboratório realmente ajudam. Você também vai encontrar um resumo simples das pesquisas recentes, incluindo o que as autoridades de saúde acompanham sobre o fungo resistente Candida auris, que já causou surtos em hospitais brasileiros.

Os sintomas da candidíase dependem de onde o fungo está crescendo

A cândida é um fungo (uma levedura) que já vive na maioria das pessoas saudáveis — na boca, no intestino, na pele e na vagina — sem causar problema nenhum. O Ministério da Saúde classifica a candidíase vulvovaginal como uma infecção endógena, ou seja, causada pelos micro-organismos que já fazem parte do próprio corpo. A candidíase é o que acontece quando o equilíbrio muda e o fungo se multiplica o bastante para inflamar o tecido onde está, ou, num pequeno número de pacientes muito doentes, chega ao sangue.

O que causa infecção por candidíase?

A causa é quase sempre algo que muda o ambiente local e favorece o fungo: antibióticos que eliminam as bactérias que competem com ele, umidade presa contra a pele, um remédio inalado (bombinha de corticoide), glicose alta no sangue, gravidez e outras mudanças hormonais, ou uma imunidade enfraquecida. Como o fungo é o mesmo, mas o cenário não, uma única descrição não serve para todos os casos. A tabela abaixo mostra as cinco formas que mais importam, na ordem deste artigo.

FormaOnde apareceSintomas típicosGravidade
Candidíase vulvovaginalVagina e vulvaCoceira, ardor, dor, corrimento branco e grossoIncômoda, raramente perigosa
Candidíase oral (sapinho)Língua, parte interna das bochechas, céu da bocaPlacas brancas que saem ao raspar, ardor, gosto alteradoGeralmente leve, mas é um sinal em adultos
Candidíase de esôfagoEsôfagoDor ao engolir, desconforto no peito, menos apetiteExige tratamento com receita e investigação
Candidíase de pele e assadura com cândidaDobras da pele, virilha, embaixo das mamas, área da fraldaManchas vermelhas úmidas, borda recortada, pequenas lesões satélitesLeve, muitas vezes volta
Candidíase invasiva e candidemiaSangue e órgãos internosFebre e calafrios que não respondem a antibióticosGrave, quase sempre ligada ao hospital

Candidíase vulvovaginal e as condições confundidas com ela

Como costuma ser a candidíase vaginal

O quadro clássico é coceira intensa na vulva, ardor que piora ao urinar ou na relação sexual, vermelhidão e inchaço em volta da entrada da vagina e um corrimento branco, grosso, em grumos (como “leite talhado”), com pouco cheiro. Um primeiro episódio depois de tomar antibiótico é uma história comum. Cerca de três em cada quatro mulheres têm pelo menos um episódio na vida, então isso é um acontecimento comum, e não sinal de que a imunidade está falhando. Segundo o protocolo brasileiro de IST, a Candida albicans é a responsável em 80% a 92% dos casos.

Vaginose bacteriana, tricomoníase e outras parecidas

Este é o ponto que mais se perde: nem toda coceira vaginal é candidíase. A vaginose bacteriana, que causa um corrimento mais fino, acinzentado e com cheiro de peixe, e a tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível que tem tratamento, também dão coceira e são confundidas com candidíase com frequência. O mesmo vale para irritação por sabonetes e produtos de limpeza, a falta de estrogênio depois da menopausa e o eczema ou o líquen escleroso da vulva. Estudos com mulheres que compram cremes antifúngicos por conta própria mostram repetidamente que o autodiagnóstico não é confiável, e o ardor ao urinar reflete mais vezes uma infecção urinária do que um problema de fungo.

Quando o tratamento sem receita não resolve

Um creme antifúngico que não funciona é uma informação. Geralmente significa uma de três coisas: o problema nunca foi fungo, a espécie é uma não albicans, que os cremes comuns tratam mal, ou existe um fator de base mantendo a infecção. Quatro ou mais episódios confirmados em um ano caracterizam a candidíase de repetição (candidíase vulvovaginal recorrente), e esse padrão merece um exame da secreção com identificação da espécie, e não uma quarta ida à farmácia. O protocolo brasileiro considera a candidíase “complicada” quando há sintomas intensos, recorrência de quatro ou mais episódios ao ano, espécie não albicans, diabetes, HIV ou gravidez. Vermelhidão persistente e rachaduras na pele da vulva, sem muito corrimento, também podem ser eczema ou uma candidíase do tipo cutâneo, que responde a outro cuidado.

Candidíase oral (sapinho) e candidíase de esôfago

Sapinho em bebês, em quem usa dentadura e em quem usa bombinha

A candidíase oral aparece como placas brancas, cremosas, na língua, nas bochechas ou no céu da boca, que saem ao raspar e deixam uma superfície vermelha, às vezes sangrando. Também pode aparecer como uma língua lisa, vermelha e dolorida, ou como rachaduras no canto da boca. Em recém-nascidos e em quem usa dentadura, é comum e raramente preocupa. Em quem usa bombinha de corticoide para asma ou DPOC, é um efeito colateral bem conhecido e em grande parte evitável: um espaçador, bochechar e cuspir depois de cada dose e rever a técnica de uso da bombinha geralmente resolvem. A Mayo Clinic descreve as mesmas medidas práticas.

Sapinho num adulto saudável merece investigação

Um adulto que tem sapinho sem usar bombinha, sem dentadura e sem antibiótico recente está numa situação diferente. A candidíase oral persistente aponta para um problema imune ou metabólico ainda não identificado, então os médicos a tratam como um sinal, e não como um incômodo. As perguntas habituais são se a glicose está alta, se algum remédio está baixando a imunidade e se vale fazer o teste de HIV. O sapinho repetido pode acompanhar a infecção avançada pelo HIV e a aids, e é por isso que o médico pode sugerir com discrição um teste de HIV mesmo quando a pessoa se sente bem. O teste é oferecido pelo SUS.

Quando a candidíase chega ao esôfago

A candidíase de esôfago causa dor ao engolir, sensação de comida parando e ardor atrás do osso do peito. Pessoas saudáveis não têm essa forma. Ela aparece com imunidade muito baixa, durante alguns tratamentos de câncer e no diabetes mal controlado, e é diagnosticada olhando o esôfago diretamente com uma câmera (endoscopia), e não por exame de sangue. Ardor no peito e dor ao engolir também podem ser gastrite ou refluxo, muito mais comuns, então a diferença importa e é feita pelo médico, e não no palpite.

Candidíase da pele, das dobras e da área da fralda

A candidíase da pele prefere pele quente, úmida e fechada: a virilha, a dobra embaixo das mamas, as axilas, as dobras da barriga e o espaço entre os dedos dos pés. A lesão é uma mancha vermelho-viva e úmida, com borda irregular e recortada e, de forma bem característica, pequenas lesões separadas espalhadas além da borda principal (lesões satélites). Intertrigo é o nome geral da inflamação numa dobra da pele, e a cândida é uma causa frequente, mas não a única. A assadura de fralda segue a mesma lógica: a umidade lesa a pele e o fungo aproveita, e a lesão entra nas dobras mais fundas em vez de poupá-las, o que a diferencia de uma assadura simples por irritação.

Manter a área seca faz mais do que qualquer pomada. Ventilar, usar cremes de barreira, trocar a fralda com frequência, usar roupas largas de algodão e tratar o suor excessivo ou a incontinência que causam a umidade reduzem a volta. A candidíase de pele persistente num adulto, principalmente na virilha, é mais um motivo para o médico investigar um diabetes ainda não diagnosticado.

Candidíase invasiva, candidemia e Candida auris

Quem realmente tem candidíase invasiva

A candidíase invasiva é a forma realmente perigosa, e é quase toda um problema de hospital. Ela acontece quando a cândida passa as barreiras da pele e do intestino e chega ao sangue, a chamada candidemia, ou a locais profundos, como o abdômen, as válvulas do coração ou os olhos. As pessoas afetadas têm cateter venoso central, cirurgia abdominal recente, longas internações em UTI, nutrição pela veia, leucócitos muito baixos durante a quimioterapia ou imunossupressão por transplante. Os sintomas não são característicos: febre e calafrios que persistem apesar dos antibióticos, às vezes pressão baixa. É por isso que as equipes do hospital acompanham de perto os neutrófilos nos pacientes de risco. Nada disso se aplica a uma pessoa saudável em casa com uma coceira.

Por que a Candida auris preocupa a saúde pública

A Candida auris, recentemente reclassificada como Candidozyma auris, é o motivo de a candidíase ter voltado ao noticiário. Ela foi identificada nos Estados Unidos em 2016 e se espalhou por serviços de saúde, especialmente hospitais de longa permanência e casas de repouso. No Brasil, a Anvisa confirmou o primeiro caso em 2020, num paciente internado em UTI em Salvador (BA), e desde então publica alertas de risco sobre novos surtos em hospitais. A Anvisa informa que algumas cepas podem ser resistentes aos remédios comuns contra a cândida, com estudos apontando resistência ao fluconazol em até 90% dos isolados. Três características a diferenciam: ela coloniza a pele em grande quantidade e em silêncio, então as pessoas a carregam sem sintomas; sobrevive em superfícies por semanas, o que alimenta surtos; e muitas vezes resiste ao fluconazol e às vezes a mais de uma classe de antifúngicos. O CDC, dos Estados Unidos, a trata como uma ameaça urgente e publica orientações atualizadas sobre a C. auris. Para o público em geral, a mensagem é restrita: esse risco está ligado ao cuidado médico intensivo, e não à vida diária, e a resposta é rastreamento, isolamento e higiene das mãos dentro dos serviços de saúde.

O que o mercado de bem-estar chama de “excesso de cândida”

Detox, teste do cuspe e exames de fezes

Um grande mercado na internet vende a ideia de uma “candidíase sistêmica” ou “excesso de cândida”: a afirmação de que o fungo coloniza silenciosamente o corpo inteiro e causa cansaço, mente nublada, estufamento, vontade de comer doce e problemas de pele, e que tudo isso se resolve com uma “dieta da cândida” restritiva, antifúngicos naturais ou um protocolo de detox. Vale ser direto. Nenhuma autoridade de saúde pública nem sociedade de doenças infecciosas reconhece o “excesso de cândida sistêmico” como diagnóstico em pessoas com imunidade normal. As formas reconhecidas são as descritas acima, cada uma definida por um local e confirmada examinando, colhendo amostra ou cultivando esse local.

Os testes vendidos junto com essa ideia também não se sustentam. O “teste do cuspe”, em que você cospe num copo d’água e interpreta fios ou turvação como prova de fungo, mede apenas como a saliva se comporta na água; o muco e as proteínas normais da saliva produzem o mesmo aspecto em pessoas saudáveis. Exames de fezes que informam um “nível de cândida” também não ajudam, porque a cândida vive normalmente no intestino, e encontrá-la ali é o esperado. Um resultado que é sempre positivo não consegue separar doença de saúde.

Levar os sintomas a sério, mesmo assim

Nada disso significa que os sintomas são imaginários. Quem chega aos detox de cândida geralmente está cansado, estufado e realmente mal, e muitas vezes foi desvalorizado em outros lugares. Cansaço, mente nublada e desconforto digestivo têm muitas causas que podem ser testadas: falta de ferro, doenças da tireoide, doença celíaca, glicose mal controlada, apneia do sono e doenças inflamatórias do intestino, entre outras. O passo mais útil não é um detox, e sim um conjunto de exames dirigidos com um médico, porque essas causas têm tratamentos que funcionam.

Quais exames de laboratório realmente ajudam

Exames para a candidíase de mucosa

Na candidíase vaginal, oral e de pele, o exame que confirma é simples e local. O profissional colhe uma amostra com cotonete (swab) ou raspagem e examina ao microscópio, muitas vezes depois de acrescentar hidróxido de potássio (KOH), que dissolve as células humanas e deixa o fungo visível. O pH vaginal e o exame a fresco separam a candidíase da vaginose bacteriana e da tricomoníase na mesma consulta. Nos casos recorrentes ou resistentes, o laboratório faz a cultura e identifica a espécie, o que muda a escolha do remédio. Um exame de urina de rotina (EAS, urina tipo 1) às vezes mostra leveduras na urina, geralmente por contaminação, e não por infecção urinária, e o laboratório pode então fazer uma urocultura para esclarecer.

Exames que procuram uma causa de base

Quando a candidíase volta sempre, os exames que valem a pena miram o porquê. O protocolo brasileiro recomenda investigar causas como diabetes e imunodepressão nos casos recorrentes. Os médicos costumam pedir a hemoglobina glicada, que reflete a média da glicose nos últimos dois a três meses, e a glicemia de jejum numa amostra da manhã. O teste de HIV é oferecido quando a história sugere. Rever os remédios importa tanto quanto qualquer coleta de sangue, já que corticoides inalados, antibióticos de amplo espectro, imunossupressores e alguns remédios para diabetes que aumentam o açúcar na urina elevam o risco.

Exames reservados para a infecção invasiva

As hemoculturas e marcadores como o beta-D-glucano, um componente da parede dos fungos, pertencem apenas ao ambiente hospitalar. Eles ajudam a decidir se começa ou para um antifúngico em pacientes graves, são lidos junto com o quadro clínico e não são exames de triagem para cansaço ou estufamento. Nenhum exame de sangue disponível diagnostica “excesso de cândida” numa pessoa saudável, porque essa condição não é reconhecida.

Quando procurar um médico

  • Um primeiro episódio de sintomas vaginais, para confirmar o diagnóstico em vez de supor
  • Sintomas que voltam em menos de dois meses, ou quatro ou mais episódios em um ano
  • Tratamento antifúngico que já falhou uma vez
  • Sapinho num adulto que não usa bombinha e não tomou antibiótico recentemente
  • Dor ou dificuldade para engolir, ou comida que parece parar
  • Febre, dor na pelve ou na barriga, ou mal-estar junto com os sintomas locais
  • Qualquer candidíase na gravidez, num bebê ou em quem usa remédios imunossupressores

Tratamento e prevenção, forma por forma

Qual é o remédio que serve para candidíase?

Os remédios que tratam a candidíase são os antifúngicos, e a escolha depende da forma e da pessoa. Para a candidíase vaginal, o protocolo brasileiro de IST indica como primeira opção um creme vaginal de miconazol (ou outro imidazólico) por 7 dias, ou nistatina vaginal por 14 dias, e como segunda opção o fluconazol por via oral em dose única; em gestantes e lactantes, o tratamento deve ser só pela vagina. Os cursos mais longos de manutenção ficam reservados para a candidíase recorrente confirmada. O sapinho é tratado com antifúngico em gel ou suspensão, junto com a higiene da dentadura e a correção do uso da bombinha. A candidíase de pele precisa de pomada antifúngica mais medidas para manter a área seca, e a candidíase da área da fralda precisa de trocas frequentes e creme de barreira. As candidíases de esôfago e invasiva exigem antifúngicos por via oral ou na veia, escolhidos conforme a espécie e o estado do paciente, e a infecção invasiva também implica retirar um cateter infectado. Converse com um médico ou farmacêutico antes de usar qualquer remédio, principalmente na gravidez.

Qual a melhor pomada para candidíase?

Não existe uma “melhor pomada” para todos os casos: os cremes de imidazólicos (como miconazol e clotrimazol) e a nistatina funcionam bem para a maioria das candidíases de pele e vaginais por Candida albicans. Quando a pomada não resolve, o problema geralmente é o diagnóstico errado ou uma espécie resistente, e não a marca do creme — por isso o próximo passo é o exame, e não trocar de pomada.

Prevenção

A prevenção é sobretudo ambiental e metabólica. Manter as dobras da pele secas, evitar antibióticos desnecessários, bochechar depois do corticoide inalado, controlar a glicose e não fazer duchas vaginais cobrem a maior parte do risco do dia a dia. Não há evidência de que cortar açúcar, fermento ou pão elimine a cândida do corpo, embora controlar a glicose no diabetes reduza as recidivas. Quem quiser entender um laudo desconhecido pode usar a interpretação de exame de sangue com IA para saber o que cada valor descreve antes de conversar com o médico.

Avanços científicos recentes

Os estudos abaixo são dos últimos três anos.

Um painel internacional publicou uma diretriz global sobre a candidíase, do sapinho à infecção no sangue. O que isso significa para você: o cuidado está ficando mais padronizado, e identificar a espécie da cândida hoje é prática esperada, e não opcional, porque é ela que decide qual remédio funciona.

Uma revisão de 2026 concluiu que a candidíase vulvovaginal recorrente é movida por hormônios, pela microbiota vaginal (as bactérias que normalmente vivem ali), pelo diabetes e por diferenças genéticas na imunidade, e que as espécies não albicans estão ficando mais comuns. O que isso significa para você: episódios repetidos não são falta de higiene e justificam um exame com identificação da espécie, e não mais um tratamento por conta própria.

Uma revisão de microbiologia defendeu que duas condições costumam ser misturadas: uma candidíase vaginal dependente de hormônios e uma candidíase da pele da vulva que se comporta como uma dermatite. O que isso significa para você: isso explica por que algumas pessoas melhoram com uma abordagem e nunca com a outra, embora essa reclassificação seja recente.

A vigilância nacional dos Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, mostrou que os casos de Candida auris aumentaram muito entre 2019 e 2021, com o rastreamento encontrando muito mais pacientes carregando o fungo sem sintomas do que pacientes realmente infectados. O que isso significa para você: a disseminação é real e acompanhada de perto, mas se concentra nos serviços que cuidam dos pacientes mais vulneráveis — o mesmo padrão descrito pela Anvisa nos surtos brasileiros.

Uma revisão explicou por que esse fungo se espalha tão bem: ele se instala na pele em grande quantidade, persiste nas superfícies por muito tempo e resiste aos antifúngicos com mais frequência do que outras espécies de cândida. O que isso significa para você: as medidas que funcionam são as simples — higiene das mãos, rastreamento e limpeza — e dependem dos hospitais, e não das pessoas individualmente.

Uma revisão epidemiológica da candidíase invasiva mostrou uma mudança da Candida albicans para espécies mais vezes resistentes, enquanto mais pessoas vivem com os tratamentos que criam o risco. O que isso significa para você: conhecer a espécie virou o centro do tratamento da infecção grave.

Uma revisão de terapia intensiva analisou como a candidíase invasiva é detectada. As hemoculturas deixam passar muitos casos e demoram dias, enquanto marcadores como o beta-D-glucano são mais úteis para excluir a infecção do que para confirmá-la. O que isso significa para você: são ferramentas hospitalares imperfeitas, lidas com o quadro clínico completo, e é justamente por isso que não são vendidas como exames caseiros.

Glossário

TermoDefinição
CândidaGrupo de leveduras que vivem normalmente na pele e dentro do corpo sem causar doença. A Candida albicans é a espécie por trás da maioria das infecções.
CandidemiaCândida crescendo no sangue. É a forma mais comum de candidíase invasiva e acontece quase só em pacientes internados.
Candidíase vulvovaginalO nome médico da candidíase vaginal, que atinge a vagina e a pele da vulva em volta.
IntertrigoInflamação da pele onde duas superfícies se esfregam e prendem umidade, como a virilha ou embaixo das mamas. A cândida é uma causa frequente.
Exame com KOHExame ao microscópio em que o hidróxido de potássio dissolve as células humanas da amostra para que o fungo fique visível.
Identificação da espécieIdentificação em laboratório de qual espécie de cândida está presente, o que define se os antifúngicos comuns vão funcionar.
Beta-D-glucanoAçúcar da parede dos fungos que pode ser medido no sangue. É usado em hospitais para ajudar a confirmar ou excluir infecção fúngica invasiva.
ColonizaçãoCarregar um micro-organismo no corpo sem ficar doente por causa dele. A maioria das pessoas é colonizada pela cândida, e sempre foi.
Antifúngicos azólicosA família de remédios que inclui fluconazol, clotrimazol e miconazol, usados em cremes, óvulos, géis e comprimidos para a maioria das infecções por cândida.
Vaginose bacterianaDesequilíbrio das bactérias da vagina que causa corrimento fino com cheiro de peixe. Precisa de antibiótico, e não de antifúngico, e muitas vezes é confundida com candidíase.

Perguntas frequentes

A candidíase é uma infecção sexualmente transmissível?

Não. A candidíase não é classificada como infecção sexualmente transmissível: o Ministério da Saúde a descreve como uma infecção endógena, porque o fungo já está presente na maioria das pessoas e a infecção costuma surgir de uma mudança no equilíbrio local, e não de um parceiro. Ainda assim, a relação pode irritar o tecido inflamado e piorar os sintomas. Se os sintomas aparecerem depois de um novo parceiro, é sensato fazer exames para tricomoníase e outras IST, que muitas vezes são confundidas com candidíase.

Quando a mulher está com candidíase, passa para o homem?

Raramente, e não é o modo habitual de pegar candidíase. Um pequeno número de parceiros desenvolve uma irritação com coceira no pênis depois do contato, mas o protocolo brasileiro informa que as parcerias sexuais não precisam ser tratadas de rotina, exceto se tiverem sintomas. A candidíase de cada pessoa costuma vir do próprio fungo que já vive no corpo.

Como a cândida é transmitida?

Na vida diária, ela geralmente não é transmitida. A cândida faz parte da flora normal humana, então a maioria das infecções vem do próprio fungo da pessoa, que se multiplica depois que antibióticos, umidade, glicose alta ou um corticoide inalado mudam as condições. Há duas exceções. O recém-nascido pode adquirir o fungo no parto ou durante a amamentação, e é por isso que o sapinho e a dor no mamilo às vezes vão e voltam entre mãe e bebê. E, nos hospitais, a Candida auris resistente passa de um paciente para outro, principalmente pelas mãos, por equipamentos compartilhados e por superfícies contaminadas, e é por isso que os serviços de saúde rastreiam e isolam os portadores.

A cândida é perigosa?

Para uma pessoa saudável, as formas do dia a dia são incômodas, e não perigosas. A candidíase vaginal, oral e de pele responde ao tratamento antifúngico e não se espalha para dentro do corpo. A candidíase invasiva é outra história e é uma doença grave, mas atinge pessoas que já estão muito doentes, geralmente com cateter central, cirurgia abdominal recente ou imunidade baixa. Se você está em pé e com os sintomas limitados a uma área de pele ou mucosa, trata-se da forma leve.

Homem pode ter candidíase?

Sim. O homem pode ter balanite por cândida, uma inflamação com coceira, vermelhidão e às vezes brilho na glande e no prepúcio, ocasionalmente com um resíduo branco e dor. É mais frequente em homens não circuncidados, em clima úmido e, sobretudo, em homens com diabetes, já que o açúcar na urina alimenta o fungo. O tratamento é uma pomada antifúngica mais cuidado para manter a região seca. Um primeiro episódio num homem adulto é um bom momento para checar a glicose, e a balanite que volta sem causa evidente deve ser avaliada, e não tratada repetidamente em casa.

Como testar o “excesso de cândida” no intestino?

Não existe teste validado para isso, porque o excesso de cândida no intestino numa pessoa saudável não é um diagnóstico reconhecido. A cândida vive normalmente no intestino, então um exame de fezes que informa sua presença está descrevendo algo esperado. O teste do cuspe não mede nada com sentido. Se você tem estufamento, cansaço ou sintomas digestivos persistentes, o caminho produtivo é testar as causas reais e tratáveis, incluindo doença celíaca, doenças da tireoide, falta de ferro, doença inflamatória intestinal e alterações da glicose.

Quantos dias dura a candidíase? É possível ela curar sozinha?

Com tratamento, os sintomas da candidíase vaginal costumam melhorar em poucos dias, e o curso do remédio vai de uma dose única a cerca de duas semanas, conforme o esquema. Casos leves às vezes melhoram sozinhos quando o gatilho vai embora, por exemplo quando acaba um antibiótico ou quando a pele fica seca. Esperar, porém, não é a melhor estratégia, por dois motivos: a inflamação sem tratamento pode rachar e engrossar a pele, deixando o tratamento depois mais lento, e a suposição de que é fungo pode estar errada. Sintomas que duram mais de alguns dias, voltam rápido ou aparecem pela primeira vez merecem avaliação. Sapinho em adulto e qualquer dificuldade para engolir nunca devem ser deixados para resolver sozinhos.

Fontes

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  • Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: infecções que causam corrimento vaginal — Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2021 — scielo.iec.gov.br
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Brasil confirma primeiro caso de Candida auris, 2020 — gov.br/anvisa
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Alerta de Risco GVIMS/GGTES/DIRE5/Anvisa nº 01/2026: Candida auris no Rio Grande do Norte, 2026 — gov.br/anvisa
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