BADLS é a sigla em inglês de Bristol Activities of Daily Living Scale, a escala de Bristol de atividades de vida diária: um questionário de 20 itens que o cuidador preenche para descrever como uma pessoa com demência dá conta das tarefas do dia a dia. Não é um teste de memória e não é um exame de sangue. É uma forma organizada de registrar o que a pessoa ainda consegue fazer — preparar um café, se vestir, achar o caminho numa rua conhecida — e como isso muda ao longo dos meses e dos anos. Se um ambulatório de memória entregou esse formulário a você, ou se você encontrou a sigla num artigo científico, este guia é para você.

Aqui você vai entender o que os 20 itens avaliam, como funciona a pontuação de 0 a 60 e em que sentido os números andam, quem deve responder, de onde a escala surgiu, o que as pesquisas recentes dizem sobre ela, como ela se encaixa na prática brasileira (onde outras escalas funcionais são mais usadas) e qual o papel dos exames de sangue que costumam fazer parte da avaliação de uma demência.

O que a escala BADLS realmente mede

A BADLS mede o grau de dependência na vida cotidiana. Cada um dos 20 itens pergunta sobre uma atividade comum, e o cuidador escolhe a frase que melhor descreve o que a pessoa vem fazendo de fato nas últimas duas semanas — não o que ela conseguiria num dia bom, nem o que ela fazia antigamente.

Essa diferença pesa mais do que parece. Uma pessoa pode ir bem num teste de memória no consultório e, mesmo assim, não conseguir mais usar a máquina de lavar que tem há quinze anos. O contrário também acontece. Testes cognitivos e escalas funcionais respondem a perguntas diferentes, e a BADLS foi criada para responder à segunda: de quanta ajuda essa pessoa precisa, hoje, para atravessar um dia comum?

Vale dizer o que a escala, de propósito, não faz. Ela não diagnostica demência — uma pontuação alta ou baixa não é diagnóstico de nada. E ela não mede qualidade de vida. Alguém pode precisar de muita ajuda e estar tranquilo; alguém pode ser bastante independente e estar infeliz. A BADLS é mais estreita do que esses dois conceitos, e é justamente isso que a torna útil.

Diferença entre a BADLS e as atividades de vida diária em geral

“Atividades de vida diária” (AVD) é um conceito clínico amplo, que reúne o autocuidado e as tarefas domésticas, medido por muitos instrumentos diferentes em muitas situações — reabilitação após AVC, fragilidade do idoso, recuperação depois de uma cirurgia. A BloodSense explica esse conceito geral, junto com ferramentas como o Índice de Katz e o Índice de Barthel, num guia à parte sobre atividades de vida diária. Esta página fica num único instrumento: a escala de Bristol, criada para a demência e respondida pelo cuidador.

Como é feita a pontuação da BADLS

Cada um dos 20 itens traz uma pequena “escada” de frases que descrevem capacidade decrescente, de fazer a atividade sozinho até não conseguir mais fazê-la. O cuidador marca uma frase por item. Cada escolha vale pontos, e os pontos são somados.

Quanto maior a pontuação, maior a dependência. Isso confunde muita gente, porque vários escores de saúde funcionam ao contrário — no Miniexame do Estado Mental (MEEM), por exemplo, um número mais alto é melhor. Na BADLS, uma pontuação que sobe com o tempo significa que a pessoa está dando conta de menos coisas, não de mais. O total vai de 0 a 60, e essa estrutura de pontuação está descrita nos apêndices de avaliação de estudos britânicos sobre demência publicados na NIHR Journals Library.

Nível de respostaO que o cuidador descreve, em linhas geraisPontos
Primeira opçãoFaz a atividade sozinho, sem precisar de lembrete nem supervisão0
Segunda opçãoConsegue, mas precisa ser lembrado, estimulado ou de uma pequena ajuda1
Terceira opçãoPrecisa de ajuda importante ou só consegue fazer parte da atividade2
Quarta opçãoTotalmente dependente ou não consegue mais fazer a atividade3
Não se aplicaAtividade que não é feita por motivos sem relação com a demência0
Total dos 20 itens0 significa independência em tudo; 60 significa dependência total em tudo0 a 60

Um detalhe faz diferença para quem cuida. As frases foram escritas separadamente para cada item — as quatro opções de “fazer compras” não são as mesmas frases das quatro opções de “se vestir”. Elas foram redigidas junto com cuidadores, na linguagem que os cuidadores realmente usam. É uma escolha deliberada, e explica por que o formulário leva um pouco mais de tempo para ler do que uma grade genérica de “sim/não”.

A opção “não se aplica” existe para que a escala não penalize a pessoa por coisas que nada têm a ver com a demência. Se alguém nunca cozinhou na vida, ou parou de dirigir há vinte anos por causa da visão, isso não é perda funcional, e a pontuação é zero, e não três.

As 20 atividades avaliadas pela BADLS

Os 20 itens vão do autocuidado básico às tarefas mais complexas que a vida independente em casa exige. Agrupá-los ajuda a ver o que a escala cobre, embora o questionário em si não use esses títulos.

Área da vida diáriaAtividades avaliadas
Comida e bebidaPreparar a comida, comer, preparar uma bebida, beber
Cuidados pessoaisVestir-se, higiene, dentes, banho, uso do banheiro
LocomoçãoTransferências (por exemplo, levantar da cadeira), mobilidade
Orientação e contatoOrientação no tempo, orientação no espaço, comunicação, uso do telefone
Casa e comunidadeTarefas domésticas ou jardinagem, compras, lidar com dinheiro e contas, usar transporte
LazerJogos e passatempos

Olhando essa lista como cuidador, a lógica fica clara. Ela inclui o que costuma falhar primeiro na demência — o telefone, o dinheiro, o trajeto do ônibus, a receita de bolo — e também o que falha muito depois, como comer e usar o banheiro. Essa amplitude permite que o mesmo formulário acompanhe a pessoa por anos, em vez de ser trocado a cada fase.

O questionário completo, com a redação exata de cada item, é um instrumento protegido por direitos autorais e não é reproduzido aqui. Serviços e pesquisadores o obtêm pela publicação original ou pelos canais de licença mantidos pelos autores. Se o seu serviço de memória usa a escala, ele mesmo fornece o formulário.

Quem responde a BADLS e como ela funciona na prática

Quem responde é o cuidador — o cônjuge, um filho adulto, um amigo próximo, um profissional de referência da instituição de longa permanência. Alguém que acompanha os dias comuns da pessoa. Nos artigos científicos, essa pessoa é chamada de informante; nos protocolos de pesquisa, de acompanhante do estudo. A escala não é preenchida pela própria pessoa com demência, nem por um médico a partir de uma consulta de dez minutos.

Esse desenho é, ao mesmo tempo, uma força e um limite. O cuidador sabe coisas que nenhuma consulta revela. Mas o cuidador também está cansado, emocionalmente envolvido e às vezes convive com uma versão da pessoa que as visitas nunca veem. Dois cuidadores da mesma pessoa podem chegar a totais diferentes, e nenhum dos dois está mentindo.

Na prática, a maioria dos cuidadores leva de dez a vinte minutos. Alguns serviços pedem que o cuidador preencha sozinho; outros fazem o questionário como uma conversa. Em geral, ele é repetido de tempos em tempos — muitas vezes a cada seis ou doze meses no acompanhamento de rotina, com mais frequência numa pesquisa — porque uma pontuação isolada diz muito menos do que a direção entre duas pontuações.

Responder com sinceridade é mais difícil do que parece

Muitos cuidadores sentem vontade de ser generosos: anotar o que a pessoa conseguiria fazer numa semana boa ou se tivesse todo o tempo do mundo. A escala pede o que está acontecendo de verdade. Subestimar as dificuldades é compreensível — pode parecer uma traição escrever que alguém não consegue mais usar o próprio cartão do banco —, mas isso torna o formulário menos útil para a equipe que tenta organizar o apoio.

O que a pontuação da BADLS significa (e o que ela não significa)

Não existe um ponto de corte oficial que separe “está bem” de “não está bem”. A escala não foi criada como teste de rastreamento, e tratar um total isolado como veredito é ler a escala errado. Um total de 12 significa uma coisa para alguém de 58 anos com demência de início precoce que mora sozinho e outra bem diferente para alguém de 88 anos com um cônjuge dedicado em casa.

O que o número faz bem é acompanhar a mudança. Uma pontuação que sobe de 14 para 24 em um ano é um registro concreto de que a pessoa passou a precisar de bem mais ajuda — o tipo de informação que ajuda a organizar cuidados, pedidos de apoio e conversas em família. Ela também mostra padrões: se os pontos se concentram em compras, finanças e transporte enquanto o cuidado pessoal está preservado, o apoio necessário é muito diferente do caso inverso.

Outras avaliações respondem a outras perguntas. A equipe registra orientação e estado de alerta com a avaliação de orientação (A&O) e, em situações agudas, o nível de consciência pode ser documentado com a Escala de Coma de Glasgow. Nenhuma delas substitui as outras.

A BADLS no Brasil: quais escalas são mais usadas

No Brasil, a BADLS aparece sobretudo em pesquisas; no atendimento de rotina, outras escalas funcionais costumam ser mais comuns. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença de Alzheimer do Ministério da Saúde, aprovado em 2025, lista, a partir do consenso da Academia Brasileira de Neurologia, instrumentos como o Questionário de Atividades Funcionais (de Pfeffer), o IQCODE, a escala Bayer de atividades de vida diária (B-ADL) e a escala de Katz para as atividades básicas, além da escala CDR para o estadiamento da demência.

Isso não diminui a BADLS. Todas essas ferramentas seguem a mesma lógica: perguntar a quem convive com a pessoa como ela está se virando no dia a dia. Se o serviço que acompanha o seu familiar — seja no SUS, pelo plano de saúde ou no particular — usa outra escala, as dicas desta página continuam valendo: responda sobre o que de fato acontece, tente que a mesma pessoa responda a cada vez e observe a tendência mais do que o número isolado.

De onde veio a escala de Bristol

A escala foi desenvolvida em Bristol, no Reino Unido, e publicada em 1996 na revista Age and Ageing por Romola Bucks e colegas, do Departamento de Cuidados ao Idoso do Frenchay Hospital. O artigo original a descreve exatamente como ela funciona até hoje: um instrumento de 20 habilidades da vida diária, avaliado pelo cuidador.

O motivo de sua criação explica por que ela continua em uso. As escalas existentes tinham sido pensadas para idosos fisicamente frágeis ou para reabilitação após lesões, e não captavam o que a demência realmente faz — perguntavam se a pessoa conseguia levantar a chaleira, e não se ela ainda entendia que a chaleira era o que precisava usar. A equipe de Bristol foi primeiro aos cuidadores, perguntou quais atividades importavam e usou as descrições dos próprios cuidadores como opções de resposta.

Trinta anos depois, essa origem explica o alcance da escala. Ela foi traduzida e revalidada em vários idiomas e aparece em toda a pesquisa sobre demência como forma de medir se uma intervenção ajuda a pessoa a viver sua vida, e não apenas a melhorar a nota de um teste.

Onde entram os exames de sangue na avaliação de uma demência

A BADLS descreve a funcionalidade. Ela não diz nada sobre a causa — e a causa importa, porque uma parte das pessoas com perda de memória ou de autonomia tem algum fator contribuindo para isso que pode ser tratado.

Isso é prática de rotina, não esperança vã. O National Institute on Aging, dos Estados Unidos, explica que, na avaliação da doença de Alzheimer, os médicos pedem exames de sangue, de urina e outros exames de rotina para identificar outras causas possíveis, e que algumas delas podem ser tratáveis e até reversíveis. No Brasil, o PCDT da Doença de Alzheimer segue a mesma linha: lembra que hipotireoidismo, falta de vitaminas e neurossífilis podem causar alterações cognitivas e cita, a critério do médico, hemograma completo, eletrólitos (sódio, potássio, cálcio), glicemia, ureia e creatinina, TSH, TGP (ALT), TGO (AST), vitamina B12, ácido fólico, VDRL e sorologia anti-HIV.

Na prática, a investigação de uma demência costuma incluir a dosagem de vitamina B12 no sangue, já que a deficiência pode provocar sintomas cognitivos e neurológicos, e a avaliação da tireoide centrada no exame de TSH. Alguns serviços também medem a homocisteína no sangue, que sobe quando falta B12 ou ácido fólico. Nenhum desses exames diagnostica nem descarta demência. Eles servem para encontrar as causas tratáveis, para que nada que possa ser corrigido passe despercebido enquanto todos se concentram no diagnóstico mais difícil.

Avanços científicos recentes

As pesquisas sobre a BADLS nos últimos anos têm menos a ver com reinventá-la e mais com testar se ela se sustenta — em novos idiomas, em novas populações e diante dos novos medicamentos que chegam aos ambulatórios de demência.

A escala continua passando nos testes em novos idiomas

Uma versão japonesa foi desenvolvida e validada em 2025, e uma versão árabe em 2022, esta última com a participação de Romola Bucks, autora da escala original. As duas mostraram o mesmo quadro geral: os 20 itens se comportam como se medissem uma única coisa de fundo, e não vinte coisas sem relação; cuidadores que respondem de novo algumas semanas depois dão respostas muito parecidas; e os totais da BADLS andam na direção esperada em relação aos testes cognitivos — quando a nota cognitiva cai, a dependência sobe.

As duas equipes também precisaram adaptar itens, e não apenas traduzi-los palavra por palavra. A equipe japonesa modificou as perguntas sobre talheres e sobre o uso de dinheiro, porque uma escala escrita em torno de garfo, faca e libras esterlinas não se transfere direto para outra cultura. É um bom lembrete de que a BADLS mede hábitos ligados à cultura, e não biologia.

O que isso significa para você: o número que o serviço anota não é arbitrário. Ele é razoavelmente estável e acompanha algo real. Mas “razoavelmente estável” não é o mesmo que preciso. Uma oscilação de dois pontos entre consultas é ruído. Uma subida de dez pontos é um sinal. Avalie a tendência, não o dígito.

Um parêntese sobre o jargão: quando os artigos falam em consistência interna, ou alfa de Cronbach, estão perguntando se as questões “combinam” entre si como conjunto — um valor perto de 1 indica que sim. A confiabilidade teste-reteste pergunta se o mesmo avaliador dá a mesma resposta duas vezes seguidas. Os dois resultados foram altos nessas versões.

A funcionalidade no dia a dia virou critério padrão nos estudos de medicamentos

Os estudos modernos sobre demência quase sempre incluem uma escala de atividades de vida diária ao lado dos testes de memória, porque a pergunta que importa para famílias e agências reguladoras é se o remédio ajuda a pessoa a continuar fazendo as coisas. No estudo Clarity AD, com o lecanemabe, um anticorpo antiamiloide, resultados publicados em 2026 para o grupo de pessoas não portadoras ou heterozigotas do gene ApoE ε4 mostraram que os desfechos de vida diária evoluíram de forma coerente com a principal medida clínica do estudo, junto com uma redução do amiloide nos exames de imagem do cérebro. Esse estudo usou uma escala “prima” da de Bristol, desenvolvida nos Estados Unidos, e não a BADLS em si, mas a família de instrumentos é a mesma.

As escalas funcionais também trazem respostas negativas, e é exatamente por isso que merecem seu lugar. O estudo ELAD, com a liraglutida — um remédio para diabetes que tinha mostrado resultados promissores em animais —, publicou seus resultados de fase 2b na Nature Medicine em 2025 e não encontrou diferença significativa entre o medicamento e o placebo na medida de vida diária.

O que isso significa para você: toda essa família de escalas existe para que “ajuda de verdade no dia a dia?” seja uma pergunta com resposta, e não uma esperança. Se o seu familiar for convidado para um estudo, o questionário de vida diária que você preencher não é burocracia. Muitas vezes, é o resultado que mais importa — e o instrumento de medida é você.

Um parêntese sobre o jargão: um desfecho (ou medida de resultado) é simplesmente a régua que o estudo combinou usar antes de começar, para que os resultados não sejam julgados pela medida que, por acaso, ficou melhor no final.

Onde a escala é mais fraca

Uma avaliação crítica da qual Bucks foi coautora apontou os limites com honestidade: a BADLS foi pensada para pessoas com demência leve, vivendo na comunidade, com cuidadores que as veem com frequência. Fora desse cenário, ela perde força. Na demência avançada, em instituições de longa permanência, a maioria dos itens já está no extremo da dependência e sobra pouco espaço para registrar mudança — o que os pesquisadores chamam de efeito teto. Um estudo posterior, que reavaliou a escala em residentes de casas de repouso com demência avançada, viu que a confiabilidade se manteve no geral, mas a estrutura interna foi menos consistente do que na amostra original da comunidade.

O que isso significa para você: se você cuida de alguém em fase avançada e a pontuação quase não muda, isso é uma característica da régua, e não prova de que nada está mudando. Diga isso à equipe. A sua descrição vai trazer a informação que o total já não consegue mostrar.

Glossário dos principais termos

TermoDefinição
BADLSBristol Activities of Daily Living Scale (escala de Bristol de atividades de vida diária). Questionário de 20 itens, respondido pelo cuidador, que mede quanta ajuda uma pessoa com demência precisa nas atividades do dia a dia.
InformantePessoa que responde perguntas sobre as capacidades de outra. Na BADLS, é o cuidador. Protocolos de pesquisa às vezes a chamam de acompanhante do estudo.
Atividades básicas de vida diária (ABVD)O autocuidado essencial: tomar banho, se vestir, comer, usar o banheiro, se locomover.
Atividades instrumentais de vida diária (AIVD)As tarefas mais complexas da vida independente, como fazer compras, cuidar do dinheiro e usar transporte. Vários itens da BADLS entram nessa categoria.
Desfecho (medida de resultado)A régua que um estudo clínico define com antecedência para julgar se o tratamento funcionou.
Consistência internaVerificação estatística, muitas vezes relatada como alfa de Cronbach, de que os itens de um questionário medem uma mesma coisa de fundo.
Confiabilidade teste-retesteSe o mesmo avaliador, ao avaliar duas vezes a mesma pessoa sem mudança real, chega a uma pontuação parecida.
Efeito tetoO que acontece quando a escala “acaba”. Se quase todos os itens já estão no máximo de dependência, uma piora adicional não aparece.
Miniexame do Estado Mental (MEEM)Teste cognitivo de 30 pontos muito usado no Brasil. Ele pontua no sentido oposto ao da BADLS: um MEEM mais baixo e uma BADLS mais alta indicam, ambos, mais dificuldade.
Declínio funcionalRedução mensurável, ao longo do tempo, da capacidade de realizar as atividades do dia a dia.

Perguntas frequentes

BADLS é o mesmo que atividades básicas de vida diária?

Não, e essa confusão é real. Em textos clínicos em inglês, “BADLs” às vezes é usado como abreviação de basic activities of daily living — as atividades básicas de vida diária (ABVD), como tomar banho e se vestir —, em contraste com as atividades instrumentais (AIVD), como cozinhar e cuidar das contas. A escala de Bristol é outra coisa: um questionário específico, publicado no Reino Unido. As duas coisas viram a mesma sigla em inglês. Se você não tem certeza de qual é, veja se o texto fala de uma categoria de tarefas ou de um formulário com pontuação de 0 a 60.

Onde encontro o questionário BADLS em PDF?

A BADLS é protegida por direitos autorais, então não é algo para baixar de qualquer site. Há cópias circulando na internet, mas versões de origem duvidosa podem estar alteradas ou incompletas, o que importa quando as pontuações são comparadas ao longo do tempo. Os caminhos confiáveis são a publicação original de 1996 na Age and Ageing ou os canais de licença mantidos pelos autores. Não há, até onde sabemos, uma versão brasileira oficial amplamente divulgada. Se um profissional pediu que você preencha a escala, peça a ele a cópia que o serviço usa — assim suas respostas ficam no mesmo prontuário que o restante da avaliação.

Qual pontuação da BADLS é considerada ruim?

Não existe um limite que torne uma pontuação boa ou ruim, e a escala nunca foi feita para isso. A pontuação vai de 0, independência nas 20 atividades, a 60, dependência total em todas elas. O que a equipe observa é a tendência do seu familiar e o padrão entre os itens, interpretados junto com a situação de moradia, o apoio disponível e todo o resto da avaliação. Se um número preocupa você, o melhor caminho é perguntar à equipe o que ela vê nele, em vez de procurar um ponto de corte na internet.

Preciso de treinamento para responder?

Não. Ela foi feita junto com cuidadores, de propósito, para não exigir treinamento — as opções de resposta usam descrições do cotidiano, e não linguagem técnica. A maioria das pessoas leva de dez a vinte minutos. O que vale saber antes de começar é que a escala pergunta sobre o passado recente, normalmente as últimas duas semanas, e sobre o que está acontecendo de fato, e não sobre o que é possível num dia bom. Se um item realmente não se aplica por motivos sem relação com a demência, use a opção “não se aplica” em vez de chutar.

Outro cuidador do meu familiar pontuou diferente. Quem está certo?

Talvez os dois. Cuidadores diferentes veem horários diferentes, tarefas diferentes e, às vezes, uma pessoa bem diferente — muitas pessoas com demência se esforçam diante de visitas e relaxam com quem está lá todos os dias. A discordância não é falha do formulário; é informação. Conte à equipe que as respostas são diferentes e em quais itens. Essa conversa muitas vezes revela mais do que os totais e ajuda a equipe a decidir de quem usar as respostas daqui para frente, já que a comparação ao longo do tempo funciona melhor quando a mesma pessoa responde a cada rodada.

Com que frequência vamos precisar responder?

Depende. No acompanhamento de rotina, é comum repetir a cada seis a doze meses, ou sempre que algo mudar de forma visível. Numa pesquisa, o calendário é definido com antecedência e costuma ser mais frequente. Como uma pontuação isolada diz bem menos do que a mudança entre duas, é nas repetições que está o valor. Se passou muito tempo e ninguém pediu de novo, é razoável tocar no assunto — principalmente se você notou mudanças que ainda não foram registradas por ninguém.

Fontes

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A avaliação de uma demência costuma incluir exames de sangue, não para diagnosticar a demência, mas para procurar causas tratáveis que podem afetar a memória e a autonomia — principalmente a função da tireoide (TSH) e a vitamina B12, às vezes o ácido fólico ou a homocisteína. Se você tem esses resultados nas mãos e os números não dizem nada, a BloodSense explica, em linguagem simples, o que cada um mede e o que significam os valores de referência do laudo. Ela não faz diagnóstico e não substitui o médico nem o serviço de memória. Serve para você chegar à próxima consulta entendendo os papéis.