Androstenediona: para que serve o exame, valor normal e o que significa androstenediona alta ou baixa

O exame de androstenediona mede quanto desse hormônio esteroide está circulando no seu sangue no momento da coleta. A androstenediona é um hormônio precursor: as glândulas adrenais e os ovários ou testículos a fabricam primeiro e depois a transformam em testosterona e estrona. Como ela fica nesse cruzamento, muitas vezes revela problemas hormonais que a dosagem de testosterona sozinha deixa passar. O médico pede o exame quando há acne sem explicação, excesso de pelos, menstruação irregular, puberdade precoce ou suspeita de uma doença das adrenais. Neste guia, você vai entender para que serve o exame de androstenediona, como ele é colhido, como ler os números e as unidades do seu laudo, qual o valor normal, o que a androstenediona alta e a androstenediona baixa costumam indicar e quais outros hormônios o médico vai olhar junto.
O que o exame de androstenediona mede
A androstenediona é classificada como um androgênio fraco. Androgênios são a família de hormônios que comandam características tipicamente masculinas, e eles existem e são necessários em todos os corpos, de qualquer sexo. Sozinha, a androstenediona tem pouca atividade biológica. A importância dela vem do que acontece depois: enzimas dos ovários, dos testículos, da gordura, da pele e dos folículos dos pelos a transformam em hormônios mais potentes.
Onde o hormônio é produzido
Em mulheres antes da menopausa, cerca de metade da androstenediona do sangue vem das glândulas adrenais, as duas pequenas glândulas que ficam em cima dos rins, e cerca de metade vem dos ovários. Nos homens, a maior parte vem das adrenais, com uma contribuição menor dos testículos. Depois da menopausa, a produção dos ovários cai muito e as adrenais passam a ser a principal fonte. Essa divisão importa, porque explica por que um resultado alto não diz de imediato ao médico qual órgão é o responsável.
Por que vale a pena dosar um hormônio precursor
A androstenediona está a um passo da testosterona e a um passo da estrona, uma forma mais fraca de estrogênio. Quando uma enzima antes dela falha, ou quando uma glândula está hiperativa, a androstenediona pode subir bem antes de outros marcadores mudarem. Por isso o médico a lê como um sinal precoce ou de apoio, e não como um veredito isolado, e normalmente a combina com a dosagem de testosterona. Você pode rever como esse marcador parceiro se comporta no nosso guia sobre a testosterona no sangue.
Para que serve o exame de dosagem de androstenediona
O exame de androstenediona serve para investigar excesso de androgênios e para acompanhar doenças das adrenais já conhecidas; não é um exame de rotina. Ele é pedido quando um conjunto específico de sintomas sugere que a produção de androgênios mudou. No SUS, a dosagem de androstenediona consta da tabela de procedimentos e aparece no protocolo do Ministério da Saúde para a síndrome dos ovários policísticos; ela também pode ser feita pelo plano de saúde ou de forma particular, com pedido médico.
Em mulheres
Os motivos mais comuns são o hirsutismo, ou seja, pelos grossos com padrão masculino no rosto, no peito ou na barriga; acne adulta persistente; queda de cabelo no alto da cabeça; menstruação irregular ou ausente; e dificuldade para engravidar. A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a condição que mais está por trás desses sinais. O protocolo brasileiro da SOP define o hiperandrogenismo laboratorial como a elevação de pelo menos um androgênio, entre testosterona total, androstenediona e SDHEA, de acordo com os valores de referência do método usado. O médico muitas vezes pede o exame junto com a dosagem de uma proteína transportadora, porque quando ela está baixa sobe a parte do hormônio que é ativa; o nosso guia sobre o exame de SHBG explica essa relação em termos simples.
Em homens
Nos homens, o exame é menos comum. Ele é usado principalmente quando se suspeita de um tumor da adrenal, quando as mamas aumentam sem causa clara ou para acompanhar um homem com um distúrbio de enzima já conhecido. A interpretação sempre acontece ao lado de um resultado de testosterona, e não isoladamente.
Em crianças
O endocrinologista pediátrico pede o exame quando a puberdade começa cedo demais, quando o crescimento acelera fora do esperado para a idade ou quando os genitais são atípicos ao nascer. No Brasil, a forma clássica da hiperplasia adrenal congênita é rastreada no teste do pezinho, pela dosagem de 17-hidroxiprogesterona. Depois do diagnóstico, segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a androstenediona é um dos hormônios dosados no acompanhamento para ajustar a dose do tratamento, com o objetivo de mantê-la um pouco acima do limite superior da faixa de referência.
Junto com a investigação das adrenais
Quando as próprias adrenais estão sob suspeita, a androstenediona raramente é pedida sozinha. O médico pode acrescentar a dosagem do hormônio do estresse e de um sinal da hipófise para ver se a glândula está sendo estimulada demais. Os dois estão explicados no nosso guia sobre o exame de cortisol e no nosso guia sobre o exame de ACTH.
Como é feito o exame de androstenediona
O profissional do laboratório colhe sangue de uma veia do braço, em geral num tubo seco ou com gel separador; a cor exata do tubo depende do laboratório e não muda o resultado. A coleta leva poucos minutos e não exige tempo de recuperação. Um pequeno roxo no local da picada é o único efeito colateral comum.
Horário e preparo
A androstenediona segue um ritmo diário, com pico de manhã e queda ao longo do dia, então a maioria dos laboratórios pede a coleta pela manhã. Em mulheres que menstruam, os níveis também sobem no meio do ciclo, e por isso o médico muitas vezes pede a coleta na primeira semana depois do início da menstruação. O jejum não costuma ser exigido para este exame isolado, mas alguns laboratórios pedem algumas horas de jejum e outros exames colhidos junto podem exigi-lo; siga sempre as orientações do laboratório e do seu médico. Avise o laboratório sobre anticoncepcional hormonal, corticoide ou suplementos que você usa, porque vários deles mudam o resultado. O médico também pode querer ver os sinais da hipófise, descritos no nosso guia sobre o hormônio luteinizante e no nosso guia sobre o hormônio folículo-estimulante.
Por que o método do laboratório importa
Duas tecnologias bem diferentes são usadas para dosar esse hormônio. Os imunoensaios mais antigos usam anticorpos e podem ser confundidos por esteroides quimicamente parecidos na amostra. A cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem separa as moléculas pelo peso e dá uma leitura mais limpa, principalmente nas concentrações baixas de crianças e de mulheres depois da menopausa. Se dois resultados seus não combinam, o método é uma das primeiras coisas a conferir, e resultados de métodos diferentes não devem ser comparados diretamente.
Qual o valor normal de androstenediona e como ler o laudo
O valor normal de androstenediona depende do sexo, da idade, da fase da vida e do método do laboratório, por isso não existe um número único. No Brasil, o resultado aparece em nanogramas por mililitro (ng/mL) ou em nanogramas por decilitro (ng/dL); em outros países, também em nanomoles por litro (nmol/L). Um ng/mL equivale a 100 ng/dL, então 1,5 ng/mL é o mesmo que 150 ng/dL. Leia sempre a faixa impressa ao lado do seu valor: ela pertence ao laboratório que analisou a amostra e reflete o método e a população desse laboratório.
| Grupo | Intervalo adulto descrito com frequência | O que o altera |
|---|---|---|
| Mulheres antes da menopausa | Cerca de 30 a 330 ng/dL (0,3 a 3,3 ng/mL) | Dia do ciclo, horário, anticoncepcional hormonal |
| Mulheres depois da menopausa | Mais baixo, muitas vezes abaixo de 180 ng/dL (1,8 ng/mL) | Perda da produção dos ovários; a parte das adrenais aumenta |
| Homens adultos | Cerca de 50 a 310 ng/dL (0,5 a 3,1 ng/mL) | Horário, atividade das adrenais |
| Crianças antes da puberdade | Muito baixo, muitas vezes abaixo de 50 ng/dL (0,5 ng/mL) | Maturação das adrenais, estágio da puberdade |
| Adolescentes | Sobe em direção aos valores do adulto | Estágio da puberdade, mais do que a idade |
Esses números são intervalos típicos publicados e servem para você se orientar, não para substituir a faixa do seu laudo. Um valor um pouco fora do intervalo impresso é comum e raramente tem significado sozinho. Quando o laudo traz “inferior a 0,3 ng/mL” ou “< 0,3 ng/mL”, isso quer dizer que a concentração ficou abaixo do menor valor que aquele método consegue medir, o que é esperado em crianças e frequente depois da menopausa. Como lembra a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, os resultados laboratoriais devem ser interpretados junto com os dados clínicos.
Ler o resultado no contexto
Um único número tem pouco peso. O médico lê a androstenediona ao lado da testosterona, do precursor das adrenais explicado no nosso guia sobre o exame de SDHEA e do marcador de bloqueio de enzima descrito no nosso guia sobre a 17-alfa-hidroxiprogesterona. É a combinação dos marcadores, e não um deles sozinho, que aponta para uma origem.
Androstenediona alta: quais são as causas
Um resultado alto mostra que a produção de androgênios aumentou em algum lugar, e o próximo passo é descobrir onde. As explicações mais frequentes são, mais ou menos na ordem em que aparecem:
- Síndrome dos ovários policísticos, em que os ovários produzem androgênios em excesso e os ciclos ficam irregulares.
- Hiperplasia adrenal congênita não clássica, uma deficiência parcial de enzima que muitas vezes só aparece na adolescência ou mais tarde.
- Tumor da adrenal ou do ovário, pouco comum, mas importante de afastar quando os níveis estão muito altos e os sintomas surgiram rápido.
- Síndrome de Cushing e outros estados de hiperatividade das adrenais.
- Uso de suplementos com androgênios ou de esteroides anabolizantes.
Como o médico chega à causa
Uma sequência prática é esta. Primeiro, confirmar o valor alterado numa amostra colhida pela manhã, no horário certo. Segundo, dosar a 17-hidroxiprogesterona: se ela estiver claramente alta, um problema de enzima das adrenais passa para o topo da lista, e em geral vem um teste de estímulo. Terceiro, se esse marcador está normal, mas os ciclos são irregulares e a proteína transportadora está baixa, as causas ovarianas, como a síndrome dos ovários policísticos, ficam mais prováveis, e a resistência à insulina é avaliada. Quarto, se os valores estão muito altos e os sintomas surgiram em meses, e não em anos, o médico pede exames de imagem das adrenais e dos ovários para procurar um tumor.
O fio metabólico
O excesso de androgênios na mulher está muito ligado à forma como o corpo lida com o açúcar no sangue. A insulina alta estimula os ovários a produzir mais androgênios e baixa a proteína que os mantém inativos, o que amplia o efeito. Por isso a investigação hormonal tantas vezes inclui os marcadores explicados no nosso guia sobre o exame de insulina e no nosso guia sobre a glicemia de jejum. O protocolo brasileiro da SOP recomenda glicemia de jejum e, em mulheres com obesidade ou história familiar de diabetes, a glicemia depois de sobrecarga de 75 g de glicose.
Quais são os sintomas de androgênios altos?
Os sintomas de androgênios altos na mulher são acne persistente, pele oleosa, pelos grossos no rosto, no peito ou na barriga, queda de cabelo no alto da cabeça e menstruação irregular ou ausente. Sinais como voz mais grossa, aumento do clitóris ou ganho de massa muscular sem treino são mais raros e pedem avaliação rápida. Nos homens, o excesso costuma passar despercebido, e em crianças pode aparecer como pelos pubianos precoces, cheiro de suor de adulto ou crescimento acelerado.
Androstenediona baixa: o que significa
Resultados baixos chamam menos atenção, mas não são sem sentido. A insuficiência adrenal, em que as adrenais produzem pouco de tudo, baixa a androstenediona junto com o cortisol. O tratamento prolongado com corticoide reduz a produção das adrenais e tem o mesmo efeito. A falência ovariana, a doença falciforme e simplesmente estar na pós-menopausa também deslocam os valores para baixo. Nos homens, uma androstenediona baixa junto com testosterona baixa aponta mais para uma redução da função dos testículos do que para um problema das adrenais.
Os sintomas que acompanham uma produção de androgênios realmente baixa são inespecíficos: cansaço, desânimo, queda da libido e perda de pelos pubianos ou das axilas. Como essas queixas têm muitas causas, o médico se apoia no quadro hormonal completo, incluindo o marcador de estrogênio explicado no nosso guia sobre o exame de estradiol.
Quando procurar o médico
Marque uma consulta, em vez de esperar o próximo check-up, se perceber qualquer um destes sinais:
- Pelos grossos novos no rosto, no peito ou na barriga que surgiram em poucos meses.
- Menstruação que fica irregular, muito fraca ou para de vez sem gravidez.
- Voz mais grossa, queda de cabelo nas entradas ou aumento da massa muscular numa mulher.
- Sinais de puberdade numa criança antes dos 8 anos em meninas ou dos 9 anos em meninos.
- Acne persistente que não melhora com o tratamento dermatológico habitual.
- Cansaço intenso com tontura ao ficar em pé, que pode indicar insuficiência adrenal e precisa de avaliação rápida.
A rapidez com que os sintomas surgem importa mais do que o tamanho do número. Sintomas que se instalam em meses merecem atenção mais rápida do que os mesmos sintomas presentes desde a adolescência.
Avanços científicos recentes
As pesquisas dos últimos três anos esclareceram o lugar desse hormônio na investigação, e os achados são práticos, não abstratos.
A androstenediona é um marcador de segunda linha
Uma revisão sistemática com metanálise diagnóstica de 2025, publicada na Human Reproduction Update, reuniu dezoito estudos para comparar diretamente as dosagens de androgênios no diagnóstico do excesso hormonal de androgênios na síndrome dos ovários policísticos. A testosterona total e a livre tiveram o melhor desempenho; a androstenediona foi menos precisa, ou seja, apontou com mais frequência pessoas que não tinham a condição. A mesma análise mostrou que a espectrometria de massas, o método que pesa as moléculas, superou os ensaios com anticorpos em todos os marcadores. O que isso significa para você: se o médico dosou primeiro a testosterona e depois acrescentou a androstenediona, essa é a ordem apoiada pelas evidências atuais, e um resultado de androstenediona feito por espectrometria de massas vale mais do que um feito por um ensaio antigo.
O excesso de androgênios não termina simplesmente na menopausa
Uma revisão sistemática com metanálise de 2023, também na Human Reproduction Update, reuniu dados de mulheres com 45 anos ou mais e síndrome dos ovários policísticos. Os androgênios do sangue, incluindo a androstenediona, continuaram mais altos do que nos grupos de comparação mesmo depois da menopausa, e mesmo quando o peso era semelhante. Os autores ressaltam que os estudos variavam muito, então esse é um sinal consistente, e não um fato encerrado. O que isso significa para você: um diagnóstico feito aos 20 anos não “vence”, e é razoável continuar o acompanhamento depois da menopausa.
Suplementos de inositol mexem no hormônio, com ressalvas
Uma revisão guarda-chuva de 2026, na Frontiers in Endocrinology, analisou treze metanálises anteriores sobre o inositol, um composto natural parecido com açúcar vendido como suplemento, na síndrome dos ovários policísticos. Os resultados reunidos mostraram testosterona e androstenediona mais baixas, proteína transportadora mais alta, melhor sensibilidade à insulina e melhores taxas de ovulação e de gravidez em comparação com o placebo. Os autores classificaram a maior parte dessas evidências como de qualidade baixa ou moderada e não encontraram vantagem clara sobre o tratamento padrão. O que isso significa para você: o inositol parece promissor e costuma ser bem tolerado, mas não substitui um plano de tratamento, e qualquer suplemento deve ser conversado com o médico que pediu o exame.
Os problemas de sono seguem outro marcador
Uma revisão sistemática com metanálise de 2025, na Clinical Endocrinology, avaliou distúrbios do sono na síndrome dos ovários policísticos. A apneia obstrutiva do sono, condição em que a respiração para várias vezes durante o sono, foi comum. Mulheres com SOP e apneia tinham SHBG mais baixa do que as sem apneia, enquanto androstenediona, testosterona e SDHEA não mostraram essa diferença. O que isso significa para você: se você ronca muito ou acorda cansada, comente com o médico mesmo que seus androgênios pareçam comuns, porque os dois problemas parecem seguir caminhos diferentes.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| Androgênio | Família de hormônios, incluindo testosterona e androstenediona, que comandam características tipicamente masculinas. Todas as pessoas produzem alguma quantidade. |
| Hormônio precursor | Hormônio que o corpo transforma em outro, mais ativo. A androstenediona é precursora da testosterona e da estrona. |
| Glândulas adrenais | Duas pequenas glândulas em cima dos rins que produzem cortisol, aldosterona e vários androgênios. |
| Hirsutismo | Pelos grossos com padrão masculino no rosto, no peito ou na barriga de uma mulher, muitas vezes o primeiro sinal visível de excesso de androgênios. |
| Hiperplasia adrenal congênita | Deficiência hereditária de uma enzima, quase sempre a 21-hidroxilase, que empurra a produção das adrenais para os androgênios. Uma forma não clássica, mais leve, pode surgir mais tarde. |
| Globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) | Proteína que transporta os hormônios sexuais no sangue e os mantém inativos enquanto estão ligados. Quando ela cai, mais hormônio fica disponível para os tecidos. |
| Espectrometria de massas | Método de laboratório que identifica as moléculas pelo peso. É mais específico do que os ensaios com anticorpos para dosar hormônios esteroides. |
| Valores de referência | Faixa de valores encontrada numa população saudável de referência para um laboratório e um método. Vem impressa ao lado do seu resultado. |
| Síndrome dos ovários policísticos | Condição hormonal comum que combina ovulação irregular, sinais de excesso de androgênios e aspecto característico dos ovários no ultrassom. |
| Insuficiência adrenal | Condição em que as adrenais produzem pouco cortisol e, em geral, poucos androgênios. |
Perguntas frequentes
Qual o valor normal de androstenediona?
Não existe um número universal. Em mulheres adultas antes da menopausa, costumam ser descritos valores de cerca de 30 a 330 ng/dL (0,3 a 3,3 ng/mL) e, em homens adultos, de cerca de 50 a 310 ng/dL (0,5 a 3,1 ng/mL), mas cada laboratório publica o seu próprio intervalo conforme o método e a população atendida. Crianças têm valores muito mais baixos, que sobem na puberdade, e mulheres depois da menopausa ficam abaixo das mais jovens. Leia a faixa impressa ao lado do seu resultado e só compare resultados ao longo do tempo quando vierem do mesmo laboratório e do mesmo método.
Quais são as causas da androstenediona elevada na mulher?
Uma androstenediona elevada mostra que a produção de androgênios aumentou, e não que um diagnóstico específico está confirmado. A síndrome dos ovários policísticos é a explicação mais comum, seguida pela hiperplasia adrenal congênita não clássica. Com menos frequência, o responsável é um tumor da adrenal ou do ovário, e por isso um valor muito alto com sintomas que surgiram rápido leva a exames de imagem. Suplementos com androgênios também podem aumentar o resultado. O médico vai repetir o exame numa amostra colhida de manhã, no horário certo, e olhar testosterona, 17-hidroxiprogesterona e proteína transportadora antes de concluir.
O que é androstenediona baixa?
Androstenediona baixa é um valor abaixo da faixa de referência do laboratório, e preocupa muito menos do que um valor alto. As explicações habituais são insuficiência adrenal, tratamento com corticoide que reduz a produção das adrenais, falência ovariana ou menopausa e redução da função dos testículos nos homens. A doença falciforme também se associa a valores mais baixos. Como um resultado baixo sozinho raramente causa sintomas, o médico o interpreta ao lado do cortisol e da testosterona, em vez de tratar o número.
Como baixar a androstenediona?
A androstenediona baixa quando a causa é tratada, e não com medidas voltadas para o número. Na síndrome dos ovários policísticos, mudanças de estilo de vida, perda de peso quando há excesso e remédios hormonais ou antiandrogênicos escolhidos pelo médico reduzem os androgênios. Na hiperplasia adrenal congênita, o tratamento com corticoide ajusta a produção das adrenais. Se o motivo é um suplemento com androgênios, suspendê-lo costuma resolver. Não use remédios ou suplementos por conta própria para “corrigir” o resultado.
Precisa de jejum para o exame de androstenediona?
Em geral, o jejum não é obrigatório para este exame isolado, mas alguns laboratórios pedem algumas horas de jejum, então confirme a orientação do seu laboratório. O que mais importa é o horário: o hormônio tem pico pela manhã, então a maioria dos laboratórios quer a coleta cedo, e em mulheres que menstruam a coleta costuma ser marcada na primeira semana do ciclo. Se outros exames, como glicemia ou perfil lipídico, forem colhidos na mesma ocasião, eles podem exigir jejum.
Qual tubo é usado no exame de androstenediona?
Depende do laboratório. O material habitual é o soro, então um tubo seco de tampa vermelha ou um tubo com gel separador é o mais comum, e alguns laboratórios aceitam plasma em tubo de tampa verde. A cor do tubo é uma instrução para quem faz a coleta e não muda o significado do resultado.
O exame de androstenediona é útil em homens?
Ele é usado de forma seletiva. Nos homens, os principais motivos são a suspeita de tumor da adrenal, o aumento das mamas sem explicação ou o acompanhamento de um distúrbio de enzima conhecido, como a hiperplasia adrenal congênita. Ele não faz parte de um painel hormonal masculino padrão, e a dosagem de testosterona responde à maioria das perguntas sobre androgênios no homem. Quando a androstenediona é pedida, é lida ao lado da testosterona, do SDHEA e, quando necessário, dos hormônios da hipófise.
Fontes
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome dos Ovários Policísticos (Portaria Conjunta nº 6/2019) — gov.br/saude, 2019
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hiperplasia Adrenal Congênita (Portaria SAS nº 16/2010) — gov.br/saude, 2010
- Conselho Federal de Medicina / SBPC/ML — Sociedade de Patologia Clínica apresenta relação de mitos e verdades sobre os exames laboratoriais — Portal CFM
- Bizuneh AD, Joham AE, Teede H, et al. — Evaluating the diagnostic accuracy of androgen measurement in polycystic ovary syndrome: a systematic review and diagnostic meta-analysis to inform evidence-based guidelines — Human Reproduction Update, 2025
- Millán-de-Meer M, Luque-Ramírez M, Nattero-Chávez L, Escobar-Morreale HF — PCOS during the menopausal transition and after menopause: a systematic review and meta-analysis — Human Reproduction Update, 2023
- Duan M, Yang M, Li C, et al. — Effects of inositol in women with polycystic ovary syndrome: an umbrella review of meta-analyses from randomized controlled trials — Frontiers in Endocrinology, 2026
- Abdul Jafar NK, Fan M, Moran LJ, Mansfield DR, Bennett CJ — Sex Hormones, Sex Hormone-Binding Globulin and Sleep Problems in Females With Polycystic Ovary Syndrome: A Systematic Review and Meta-Analysis — Clinical Endocrinology, 2025
- MedlinePlus Genetics, Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA — 21-hydroxylase deficiency — MedlinePlus, revisado em 2025
- Mayo Clinic Staff — Polycystic ovary syndrome: symptoms and causes — Mayo Clinic, 2025
- Cleveland Clinic — Polycystic ovary syndrome: symptoms, causes and treatment — Cleveland Clinic Health Library, 2025
- Johns Hopkins Medicine — Congenital adrenal hyperplasia — Johns Hopkins Health Library, 2025
Leituras recomendadas
- Conheça o hormônio da hipófise que sobe quando a produção de leite é estimulada no nosso guia sobre a prolactina no sangue.
- Veja como o corpo lida com o açúcar depois de uma noite em jejum no nosso guia sobre a glicemia de jejum.
- Consulte a definição do principal precursor androgênico das adrenais no verbete o que é DHEA.
- Confira se a tireoide está contribuindo para ciclos irregulares no nosso guia sobre o exame de TSH.
- Compare com a dosagem do hormônio do estresse na urina de 24 horas no nosso guia sobre o cortisol na urina.
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