O murmúrio vesicular é o som normal da respiração que o médico ouve com o estetoscópio sobre a maior parte do tórax. Quando o prontuário, um relatório de alta ou uma ficha de pronto-socorro traz “MV+ bilateralmente, sem ruídos adventícios” (ou “MV presente em ambos os hemitórax, sem RA”), a mensagem é simples: os dois pulmões foram auscultados e o ar entrava e saía de forma suave e simétrica, sem chiado, estalos ou outros barulhos estranhos. Nos Estados Unidos, a mesma conclusão aparece como “CTAB” (clear to auscultation bilaterally, “limpo à ausculta bilateralmente”). Este guia explica o que significa murmúrio vesicular presente, diminuído ou abolido, como o exame é feito, o que ele descarta e o que não descarta, e quando um sintoma respiratório merece nova avaliação mesmo depois de uma ausculta normal.

O que significa “murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios”

A frase do prontuário junta três observações diferentes, e entender cada uma delas facilita a leitura do conjunto.

“Murmúrio vesicular” é o nome do som respiratório normal: um ruído suave e grave, produzido pela passagem do ar pelos pequenos brônquios e pelos alvéolos (as “vesículas” pulmonares, daí o nome). “Presente” indica que esse som foi ouvido, ou seja, o ar está chegando às áreas examinadas. “Sem ruídos adventícios” (abreviado “s/ RA”) quer dizer que não apareceram sons extras por cima do som normal, como sibilos (o chiado), estertores (os estalos) ou roncos. Quando o médico escreve “bilateralmente” ou “em ambos os hemitórax” (às vezes “AHT”), ele confirma que comparou o lado direito com o esquerdo em vários pontos e encontrou o mesmo padrão normal dos dois lados.

Em conjunto, a anotação diz a quem lê o prontuário que uma ausculta organizada dos dois pulmões não mostrou nenhum sinal de alerta naquele momento. É um resumo de um processo, não um número de aparelho, e por isso o seu valor depende um pouco do cuidado com que cada profissional examinou o paciente naquela consulta.

Vale saber que a sigla americana “CTAB” também aparece em contextos sem relação com a medicina clínica, como o nome de um reagente químico usado em laboratórios de biologia molecular. Aqui tratamos apenas do sentido clínico, ligado ao exame dos pulmões.

Por que os médicos auscultam os pulmões com tanta frequência

A ausculta pulmonar é uma das partes mais rápidas, baratas e informativas do exame físico. Em menos de um minuto o médico avalia os dois pulmões, e o que ele ouve ajuda a decidir se é preciso pedir outros exames, como uma radiografia de tórax ou exames de sangue, sem demora.

Médicos e equipes de enfermagem auscultam os pulmões nas consultas de rotina, quando o paciente relata falta de ar registrada como dispneia, tosse nova, dor no peito ou febre, e também antes e depois de cirurgias, para ter uma referência e vigiar complicações como a pneumonia pós-operatória. A atenção é ainda maior quando a pessoa conta que sente dispneia aos esforços que limita o dia a dia, porque a falta de ar que surge só com atividade aponta para causas diferentes da falta de ar em repouso. Durante uma internação por doença aguda, a ausculta é repetida várias vezes, e ela faz parte do acompanhamento regular de doenças crônicas como asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) ou insuficiência cardíaca, nas quais o médico observa se os sons estão estáveis, melhorando ou piorando.

Por ser rápida e fácil de repetir, a ausculta funciona bem como triagem: ou tranquiliza a equipe, ou mostra que é preciso investigar mais. Um murmúrio vesicular normal, sozinho, raramente encerra uma avaliação. Ele é uma informação entre outras, analisada junto com os sintomas, os sinais vitais e a história do paciente.

Como o médico faz a ausculta pulmonar

Um exame pulmonar bem feito segue uma sequência bastante parecida de um profissional para outro. A pessoa examinada costuma ficar sentada e é orientada a respirar fundo e devagar pela boca aberta, de preferência em ambiente silencioso. Isso faz mais ar circular pelas vias aéreas e deixa os sons sutis mais fáceis de ouvir do que uma respiração curta pelo nariz.

O médico apoia o diafragma do estetoscópio em vários pontos na frente, nas laterais e nas costas do tórax, começando perto das clavículas e descendo até a base de cada pulmão. Em cada ponto, ele escuta pelo menos um ciclo completo de respiração e depois passa para o ponto correspondente do outro lado, para comparar diretamente esquerda e direita. Essa comparação lado a lado é exatamente o que significa “bilateralmente”: um som que existe de um lado e falta do outro costuma ter mais importância clínica do que um som ouvido igualmente nos dois.

Enquanto escuta, o médico presta atenção à intensidade do som, ao tom, à duração da inspiração e da expiração e ao aparecimento de qualquer ruído extra. No murmúrio vesicular normal, a inspiração é mais longa e mais intensa que a expiração, e só o início da expiração é audível, sem pausa entre as duas fases, como descreve o material de ausculta da UNA-SUS/UFSC. A ausculta costuma vir acompanhada de outras medidas rápidas, como a saturação de oxigênio no oxímetro de dedo e, menos vezes, a percussão, em que o médico dá pequenas batidas no tórax para perceber se o som fica “maciço”, o que pode sugerir líquido ou uma massa por baixo. Num exame físico completo, o achado pulmonar geralmente aparece ao lado da avaliação do coração, por isso é comum ver a ausculta dos pulmões anotada logo ao lado de um ritmo cardíaco regular registrado no exame do coração.

A tabela abaixo resume os sons respiratórios mais comuns e o que cada um pode sugerir. Esses sons devem sempre ser interpretados dentro da história completa e dos sintomas da pessoa, nunca isoladamente.

Som respiratórioComo soaPossível significado
Murmúrio vesicular (normal)Ruído suave e grave, ouvido em toda a inspiração e no início da expiraçãoVias aéreas abertas e fluxo de ar regular; é o padrão por trás de “MV+ sem RA”
Sibilo (chiado)Som contínuo e agudo, parecido com um assobio, em geral mais forte na expiraçãoVias aéreas estreitadas, muitas vezes ligadas a asma, DPOC ou acúmulo de secreção
Estertores (crepitações)Estalos curtos ou borbulhantes, ouvidos principalmente na inspiraçãoLíquido ou secreção nos alvéolos, como na pneumonia ou na insuficiência cardíaca
RoncosSom grave, parecido com um ronco ou chocalho, que pode mudar depois da tosseMuco ou secreção nas vias aéreas maiores
EstridorSom áspero e agudo, mais evidente na inspiraçãoEstreitamento mais alto, na laringe ou na traqueia, às vezes uma urgência

Murmúrio vesicular diminuído ou abolido: o que pode ser

Murmúrio vesicular diminuído significa que o som normal chega mais fraco ao estetoscópio, e abolido significa que ele não é ouvido numa determinada região. Isso acontece quando algo impede o ar de chegar àquela parte do pulmão ou atrapalha a transmissão do som até a parede do tórax.

Segundo o material de enfermagem da UNA-SUS/UFSC, a intensidade do som vesicular diminui em situações como pneumotórax (ar entre o pulmão e a pleura), derrame pleural (líquido nesse mesmo espaço, chamado de hidrotórax), espessamento da pleura, enfisema, dor no tórax que limita a respiração e obstrução de brônquios ou da via aérea superior. Também pode haver diminuição em pessoas com parede torácica mais espessa. Já um som mais intenso que o habitual pode ser normal em crianças, em pessoas magras, depois de esforço físico ou no lado saudável quando o outro pulmão está doente. A mesma fonte lembra que a fase expiratória fica prolongada na asma, no enfisema e na bronquite.

Quando o murmúrio está diminuído só de um lado, a diferença entre os dois hemitórax costuma ser a pista mais importante. Por isso o médico compara sempre os pontos simétricos e, se a alteração for nova, costuma pedir uma radiografia de tórax ou outro exame de imagem para entender a causa.

O que um murmúrio vesicular normal não garante

Como “MV+ sem RA” soa muito tranquilizador, vale ser direto sobre os seus limites. Uma ausculta normal quer dizer que nenhum som anormal foi ouvido com o estetoscópio naquele momento. Não quer dizer que todos os problemas pulmonares ou respiratórios possíveis foram descartados.

Várias condições podem existir mesmo com os pulmões soando completamente normais. A pneumonia no início às vezes ainda não produz estertores, principalmente quando a infecção está começando ou fica numa região profunda do pulmão, longe da parede do tórax. Nódulos pequenos ou um câncer de pulmão em fase inicial, ainda sem sintomas, em geral não mudam os sons respiratórios, porque uma massa pequena raramente bloqueia ar suficiente para gerar ruído. A asma leve, fora das crises, também pode ter ausculta totalmente normal, já que o estreitamento das vias aéreas às vezes só fica audível durante uma crise.

Uma das lacunas mais importantes envolve a embolia pulmonar, um coágulo que se desloca até os vasos do pulmão. Como é um problema dos vasos sanguíneos, e não das vias aéreas ou dos alvéolos, os pulmões muitas vezes soam normais mesmo com o coágulo presente e causando sintomas. É por isso que falta de ar súbita ou dor no peito exigem avaliação urgente, qualquer que seja o resultado da ausculta. Da mesma forma, problemas nas vias aéreas mais finas, doenças intersticiais no início e causas de falta de ar que nem estão no pulmão, como anemia, ansiedade ou doenças do coração, podem dar sintomas sem mudar o que o estetoscópio capta. Nessa situação, o médico às vezes pede exames de sangue, entre eles a proteína C reativa (PCR), que mede inflamação, porque ela pode sugerir infecção ou inflamação mesmo com os pulmões soando normais.

Nada disso torna o achado inútil. Uma ausculta normal descarta, de fato, vários problemas comuns e importantes, como grande acúmulo de líquido, obstrução importante das vias aéreas ou uma crise de asma em curso com sibilos. Ela apenas não garante que nada mais esteja acontecendo, e é exatamente por isso que o médico a combina com o restante do exame e com os sintomas relatados.

Como é uma ausculta pulmonar normal

Uma ausculta “de livro” mostra murmúrio vesicular presente, simétrico e ouvido de forma homogênea em todas as regiões dos pulmões, sem sibilos, estertores, roncos ou estridor de nenhum dos lados. A respiração soa suave e regular.

O médico geralmente confere esse achado junto com a saturação de oxigênio em repouso medida no oxímetro de dedo. Na maioria dos adultos saudáveis ao nível do mar, o resultado normal fica em 95 % ou mais, embora as metas possam ser diferentes para quem tem doença pulmonar crônica. A frequência respiratória normal de um adulto em repouso costuma ficar entre 12 e 20 incursões por minuto, com respiração confortável, sem esforço, sem ser rápida nem curta. Quando todos os itens do exame, inclusive os pulmões, estão dentro do esperado, alguns prontuários resumem a consulta como achados dentro dos limites da normalidade, sem listar cada resultado.

Vale lembrar que “normal” sempre depende do contexto. Uma pessoa com doença pulmonar crônica bem controlada pode ter um padrão próprio um pouco diferente do descrito nos livros, e o médico que conhece a sua história costuma comparar o exame atual com esse padrão individual, e não com uma média da população.

Quando levar sintomas respiratórios ao médico

Uma anotação de ausculta normal num prontuário antigo não deve impedir ninguém de relatar sintomas novos ou persistentes, porque sons pulmonares e sintomas nem sempre andam juntos. Algumas situações pedem uma conversa com o médico, na UBS (Unidade Básica de Saúde), no consultório do plano de saúde ou em atendimento particular, mesmo depois de um exame normal.

Fale sobre sintomas que persistem ou pioram apesar da ausculta normal, especialmente falta de ar, tosse que não passa, febre, dor no peito ou perda clara da capacidade de fazer exercícios ou subir escadas. A diferença entre o que você sente e o que o exame mostra é, em si, uma informação útil, e não um motivo para desconsiderar os sintomas: ela pode levar a outros exames, como imagem, exames de sangue ou espirometria, que mostram o que o estetoscópio sozinho não alcança. Vale mencionar também se você trata uma hipertensão arterial (HAS) que sobrecarrega coração e pulmões, porque sintomas cardíacos e respiratórios se misturam e ficam mais fáceis de esclarecer juntos.

Procure atendimento de urgência ou emergência, ou ligue para o SAMU (192), em caso de falta de ar súbita e intensa, dor no peito, tosse com sangue, lábios ou pontas dos dedos arroxeados, ou falta de ar que impede de falar frases completas, qualquer que tenha sido o resultado de exames anteriores. Esses sintomas podem indicar um evento grave, como embolia pulmonar ou crise forte de asma ou DPOC, e precisam de avaliação rápida.

Outros termos do exame físico que vale conhecer

A anotação sobre os pulmões raramente aparece sozinha no prontuário. Ela costuma vir ao lado de outros termos que descrevem outras partes do mesmo exame físico, e reconhecê-los ajuda a entender o quadro completo.

Ausculta é a técnica geral de escutar com o estetoscópio, usada também no coração e no abdome. Percussão é bater levemente no tórax para perceber mudanças no som, e às vezes acompanha o exame dos pulmões quando o médico quer saber mais sobre o que há por baixo. SpO2 é a saturação de oxigênio medida pelo oxímetro de pulso, muitas vezes anotada ao lado da ausculta. Respiração brônquica (ou som traqueal) é um padrão normal, porém mais alto e “oco”, ouvido sobre a traqueia e os brônquios grandes, diferente do murmúrio vesicular mais suave ouvido sobre a maior parte do pulmão.

Você também pode encontrar a ausculta registrada junto com outras abreviações de rotina. Por exemplo, ao descrever a impressão geral do paciente, o médico pode anotar bom estado geral (BEG), sem sinais de sofrimento, uma observação mais ampla do que o achado específico dos pulmões, embora as duas sejam anotações tranquilizadoras dentro da mesma evolução.

Avanços científicos recentes na análise dos sons pulmonares

A ausculta tradicional depende muito da audição, da formação e da experiência de cada profissional, o que naturalmente gera alguma variação entre examinadores. Pesquisas recentes avaliam se estetoscópios digitais combinados com inteligência artificial podem tornar esse exame centenário mais uniforme e captar padrões sutis que o ouvido humano deixa passar.

Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2025 reuniu 41 estudos que treinaram modelos de aprendizado de máquina para classificar sons pulmonares de crianças gravados com estetoscópios eletrônicos [1]. Em termos simples, esses modelos de IA se saíram bem ao identificar sibilos e outros sons anormais: reconheceram corretamente os sons anormais em cerca de 90 % das vezes, com desempenho parecido para os sons normais. O que isso significa para você: quando estiverem mais disponíveis, os estetoscópios com IA podem ajudar a sinalizar sons preocupantes em crianças de forma mais consistente do que um único ouvinte. A revisão, porém, lembra que a maioria dos estudos usou bases pequenas, de um só centro, e que o desempenho no mundo real ainda precisa ser confirmado. Um parêntese sobre o jargão: “sensibilidade” e “especificidade” medem, respectivamente, a capacidade de um teste de apontar um problema real e de não acusar problema em quem não tem.

Uma revisão sistemática mais ampla, de 2023, analisou 62 estudos que usaram bancos públicos de sons pulmonares para treinar classificadores em crianças e adultos [2]. A acurácia variou muito conforme a tarefa e a base de dados, de pouco menos da metade até praticamente perfeita em algumas condições de teste muito restritas. O que isso significa para você: a tecnologia é promissora, mas o desempenho depende muito de como cada ferramenta foi construída e testada, então um número de acurácia não vale automaticamente para qualquer estetoscópio com IA à venda. Os autores também apontaram risco de viés importante na seleção dos pacientes e na definição do que é “normal”, sinal de que a área ainda está amadurecendo.

Outra revisão sistemática de 2025 acompanhou a evolução dos estetoscópios sem fio e “inteligentes”, que passaram da simples amplificação do som para aparelhos que combinam cancelamento de ruído com classificação dos sons do coração e dos pulmões por IA [3]. O que isso significa para você: os aparelhos mais novos filtram cada vez melhor o barulho de fundo, como o choro de um bebê ou uma sala de espera cheia, que sempre foi um dos maiores obstáculos para uma boa ausculta fora de um consultório silencioso.

Em conjunto, essas pesquisas apontam os estetoscópios com IA como um complemento, e não um substituto, do julgamento clínico. A mensagem comum é que juntar um ouvido treinado a uma análise digital objetiva pode tornar um achado de rotina como o murmúrio vesicular ainda mais informativo, enquanto a interpretação humana, o contexto clínico e os exames de acompanhamento continuam essenciais sempre que algo não se encaixa.

Glossário

TermoDefinição
AuscultaEscutar os sons internos do corpo, como coração, pulmões ou abdome, com um estetoscópio.
Murmúrio vesicular (MV)Som suave e grave da passagem normal do ar pelas vias aéreas finas e pelos alvéolos, ouvido na maior parte do tórax.
Ruídos adventícios (RA)Sons extras que se somam ao som normal da respiração, como sibilos, estertores, roncos ou atrito pleural.
Bilateralmente / AHTDos dois lados; na ausculta, os dois hemitórax (direito e esquerdo) foram examinados e comparados.
SibiloSom contínuo e agudo, como um assobio ou chiado, causado pela passagem de ar por vias aéreas estreitadas.
Estertores (crepitações)Estalos curtos ou borbulhantes, em geral na inspiração, frequentemente ligados a líquido nas vias aéreas ou nos alvéolos.
RoncosSons graves, parecidos com o ronco, causados por muco ou secreção nas vias aéreas maiores.
EstridorSom áspero e agudo, sobretudo na inspiração, que sugere estreitamento na parte alta da via aérea.
SpO2Porcentagem de saturação de oxigênio no sangue, medida com um oxímetro preso ao dedo.
PercussãoTécnica de exame que consiste em bater levemente na parede do tórax e ouvir mudanças no som que possam sugerir líquido ou massa.
Respiração brônquicaSom respiratório normal, mais alto e “oco”, ouvido sobre a traqueia e os brônquios maiores.

Perguntas frequentes

O que é murmúrio vesicular pulmonar?

É o som normal da respiração ouvido com o estetoscópio sobre a maior parte dos pulmões. Ele é suave e grave, produzido pela passagem do ar pelos pequenos brônquios e alvéolos, e é ouvido durante toda a inspiração e no começo da expiração.

O que significa auscultar o pulmão com presença de murmúrio vesicular?

Significa que o ar está chegando normalmente às regiões examinadas. Quando o prontuário diz “MV presente bilateralmente, sem ruídos adventícios”, o médico ouviu o som normal nos dois pulmões e não encontrou chiado, estalos ou roncos naquela consulta. É um achado tranquilizador.

Como descrever murmúrio vesicular normal?

A forma mais comum no Brasil é “murmúrio vesicular presente e simétrico em ambos os hemitórax, sem ruídos adventícios”, muitas vezes abreviada como “MV+ em AHT, s/ RA”. Alguns profissionais escrevem também “MV universalmente audível”. Todas essas formas descrevem o mesmo achado normal.

O que diminui o murmúrio vesicular?

Tudo o que impede o ar de chegar a uma região do pulmão ou atrapalha a passagem do som até a pele. Os exemplos mais citados são derrame pleural, pneumotórax, espessamento da pleura, enfisema, obstrução de um brônquio e dor que limita a respiração. Uma parede torácica mais espessa também pode deixar o som mais fraco.

Como fica o murmúrio vesicular na pneumonia?

Na pneumonia, o murmúrio vesicular pode ficar diminuído na região afetada e costuma vir acompanhado de estertores (crepitações). No início da infecção, porém, a ausculta ainda pode ser normal, por isso a falta de alterações não descarta pneumonia quando há febre, tosse e falta de ar. A radiografia de tórax ajuda a confirmar.

Quais são os 4 sons pulmonares normais?

Os livros de semiologia costumam citar quatro sons normais: o som traqueal, a respiração brônquica, a respiração broncovesicular e o murmúrio vesicular. Eles variam conforme o local do tórax onde o estetoscópio é apoiado. Já os quatro “pontos” ou focos de ausculta clássicos (aórtico, pulmonar, tricúspide e mitral) se referem ao exame do coração, não dos pulmões.

O que pode ser ronco na ausculta pulmonar?

O ronco é um som grave, parecido com o ronco de quem dorme, que aparece quando há muco ou secreção nas vias aéreas maiores. É comum em bronquites e infecções respiratórias e muitas vezes muda ou some depois de tossir.

Chiado e sibilo são a mesma coisa?

Sim, na prática são. “Sibilo” é o termo técnico para o som agudo, parecido com um assobio, produzido quando o ar passa por vias aéreas estreitadas, como na asma. “Chiado” é a forma como os pacientes costumam descrever esse mesmo som.

Uma ausculta normal quer dizer que meus pulmões estão saudáveis?

Quer dizer que os pulmões soaram normais naquela consulta, o que é um bom sinal, mas não uma garantia total. Pneumonia no início, nódulos pequenos ou coágulos nos vasos do pulmão nem sempre mudam os sons. O médico combina a ausculta com seus sintomas e sua história para ter o quadro completo.

Se a ausculta é normal mas os sintomas continuam, posso pedir outros exames?

Sim. É razoável perguntar ao médico se uma radiografia de tórax ou exames de sangue fazem sentido quando os sintomas persistem ou pioram. A diferença entre o que você sente e o que o estetoscópio capta é um motivo legítimo para investigar mais, e não algo para deixar de lado por conta própria.

Fontes

  • UNA-SUS/UFSC — Curso de Especialização em Linhas de Cuidado em Enfermagem: ausculta pulmonar — Universidade Federal de Santa Catarina — unasus2.moodle.ufsc.br
  • Ministério da Saúde — SAMU 192 — gov.br — gov.br
  • Cleveland Clinic — Take a Listen: What Auscultation Can Say About Your Health — Cleveland Clinic, revisão médica de 2024 (em inglês) — my.clevelandclinic.org
  • National Library of Medicine — Breath sounds: MedlinePlus Medical Encyclopedia — MedlinePlus, National Institutes of Health, revisado em 2025 (em inglês) — medlineplus.gov
  • Richards S — Smart Stethoscope Zeros in on Lung Sounds — Johns Hopkins Medicine, Insight, 2016 (em inglês) — hopkinsmedicine.org
  • Park JS, et al. — Artificial Intelligence Models for Pediatric Lung Sound Analysis: Systematic Review and Meta-Analysis — Journal of Medical Internet Research, 2025 (em inglês) — consensus.app
  • Garcia-Mendez JP, et al. — Machine Learning for Automated Classification of Abnormal Lung Sounds Obtained from Public Databases: A Systematic Review — Bioengineering, 2023 (em inglês) — consensus.app
  • Basyith MRA, et al. — The Evolution of Stethoscopes and the Potential of Smart Stethoscopes as Future Technology: A Systematic Review of Cardiac and Pulmonary Diagnostics — 2025 IEEE International Biomedical Instrumentation and Technology Conference (IBITeC) (em inglês) — consensus.app

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