De 6 em 6 horas: o que significa, horários e por que não é igual a “4 vezes ao dia” (QID)

De 6 em 6 horas significa tomar uma dose a cada seis horas: são quatro doses em 24 horas, com o mesmo intervalo entre elas, inclusive de madrugada. É a forma mais comum de as receitas brasileiras pedirem quatro doses diárias. Nas receitas americanas, aparece outra coisa: QID, do latim quater in die, “quatro vezes ao dia”. As duas parecem dizer o mesmo, mas não dizem. “De 6 em 6 horas” é um intervalo; “quatro vezes ao dia” é uma contagem. Essa diferença parece detalhe até você perceber que é o ponto em que os pacientes mais se confundem.
Neste guia você vai ver como montar os horários de um remédio de 6 em 6 horas, por que uma contagem de doses é uma instrução diferente de um intervalo, como ler QID numa receita ou num prontuário, quais remédios costumam ser receitados quatro vezes ao dia e por quê, o que as listas de segurança dizem sobre essas siglas e o que perguntar ao farmacêutico antes da primeira dose.
Quantas vezes ao dia é de 6 em 6 horas?
De 6 em 6 horas são quatro vezes ao dia, porque 24 horas divididas por 6 dão 4 doses. Por exemplo, quem começa às 6h toma de novo às 12h, às 18h e à meia-noite, e volta às 6h do dia seguinte. A instrução diz duas coisas ao mesmo tempo: quantas doses (quatro) e qual o espaço entre elas (seis horas). Ela não diz a dose em si, a via nem por quantos dias tomar; essas informações estão em outras partes da receita.
O que é QID, a versão americana
Quater quer dizer quatro vezes; in die, num dia. Juntas, quater in die significam “quatro vezes ao dia”, uma afirmação seca de frequência. É a sigla usada nas receitas e nos prontuários dos Estados Unidos. Uma receita do Reino Unido, da Irlanda ou da Austrália escreveria o mesmo esquema com outra expressão latina, a notação britânica QDS, 4 vezes ao dia. No Brasil, o mais comum é escrever “de 6/6 h” ou “4 vezes ao dia”, por extenso.
O que “4 vezes ao dia” não diz
Quatro doses por dia sugerem intervalos de mais ou menos seis horas, mas “quatro vezes ao dia” nunca diz isso. Alguns remédios precisam de fato de intervalos regulares de seis horas para manter um nível estável no sangue. Outros podem ser encaixados nas horas acordadas, como café da manhã, almoço, jantar e hora de dormir, o que comprime o esquema em cerca de dezesseis horas e deixa um intervalo longo durante a noite. Qual dos dois vale é uma característica do remédio, não da sigla.
“De 6 em 6 horas” é intervalo; “4 vezes ao dia” é contagem
Esta é a ideia central da página. “4 vezes ao dia” (QID) conta doses. “De 6 em 6 horas” (q6h, em receitas americanas) mede o espaço entre elas. São instruções diferentes, escritas por quem quer coisas diferentes, e misturá-las é o mal-entendido mais comum.
O que “4 vezes ao dia” costuma significar na prática
Fora do hospital, uma ordem de quatro vezes ao dia muitas vezes é lida como quatro doses espalhadas pelas horas acordadas, por exemplo às 8h, ao meio-dia, às 17h e ao deitar. Esses horários não estão a seis horas um do outro: eles cabem em cerca de dezesseis horas e deixam um intervalo de sete ou oito horas enquanto você dorme. Para muitos remédios, é exatamente o que o médico pretendia, e ninguém espera que você acorde às 2h da manhã.
Quando o relógio importa de verdade, a receita diz “de 6 em 6 horas”
Se o médico precisa de um intervalo rígido de seis horas, ele escreve o intervalo: “de 6 em 6 horas”. Essa instrução tem outra intenção: o espaço é o objetivo, e a dose continua durante a noite, às 6h, 12h, 18h, meia-noite e de novo. Ela é usada quando o nível do remédio no sangue não pode cair entre as doses, como em muitos antibióticos. No hospital, as prescrições são muito mais escritas assim do que as receitas que você leva para casa.
A mesma lógica vale um degrau abaixo. Duas vezes ao dia também é uma contagem e não é idêntico a um intervalo rígido de doze horas, diferença explicada no guia sobre BID, de 12 em 12 horas. Uma dose a menos que QID dá a instrução TID, três vezes ao dia (de 8 em 8 horas).
Por que o intervalo da noite é toda a questão
A diferença entre quatro doses nas horas acordadas e quatro doses de 6 em 6 horas é uma dose de madrugada e um padrão bem diferente de remédio no sangue. Para um antibiótico que precisa ficar acima de um certo nível para funcionar, esse intervalo pode importar. Para um remédio para o estômago ou uma pomada, geralmente não importa. Você não descobre qual é o seu caso só olhando a receita, e adivinhar é exatamente o movimento errado. Uma pergunta no balcão resolve.
| Instrução | Contagem ou intervalo? | Horários típicos | O que a receita está dizendo |
|---|---|---|---|
| 4 vezes ao dia (QID) | Contagem: quatro doses em 24 horas | Muitas vezes café, almoço, jantar e hora de dormir | Tome quatro doses ao longo do dia; os horários costumam ser combinados com a farmácia |
| De 6 em 6 horas (q6h) | Intervalo: uma dose a cada seis horas | 6h, 12h, 18h, 24h | O relógio é a instrução; a dose continua de madrugada e o intervalo não deve esticar |
| 2 vezes ao dia (BID) | Contagem: duas doses em 24 horas | Manhã e noite | Duas doses, geralmente com cerca de meio dia entre elas |
| 3 vezes ao dia (TID) | Contagem: três doses em 24 horas | Manhã, meio do dia e noite | Três doses ao longo do dia, muitas vezes ligadas às refeições |
| Se necessário (SOS, PRN) | Nenhum dos dois: sem horário fixo | Só quando há sintomas | Tome só se o sintoma aparecer, sem passar da dose máxima diária |
Como ler a tabela
Repare no padrão da segunda coluna. Só “de 6 em 6 horas” é um intervalo. Todo o resto é contagem ou, no caso do SOS, nenhum horário. Os remédios ligados a sintomas, e não ao relógio, trazem a orientação “se necessário” (SOS ou PRN). As ordens que prendem uma dose ao sono, em vez de contar doses ao longo do dia, usam a orientação “ao deitar” (QHS).
Que horas são de 6 em 6 horas? Tabela de horários
Escolha o horário da primeira dose e some seis horas três vezes; a quinta dose cai de novo no horário da primeira, no dia seguinte. A tabela abaixo mostra combinações comuns. Escolha a que encaixa melhor na sua rotina, mas, se a receita disser “de 6 em 6 horas”, mantenha o intervalo, inclusive à noite.
| 1ª dose | 2ª dose | 3ª dose | 4ª dose |
|---|---|---|---|
| 6h | 12h | 18h | 24h (meia-noite) |
| 7h | 13h | 19h | 1h |
| 8h | 14h | 20h | 2h |
| 9h | 15h | 21h | 3h |
| 10h | 16h | 22h | 4h |
Como é a contagem de 6 em 6 horas?
A contagem começa na hora em que você tomou a primeira dose, e não na hora em que comprou o remédio ou acordou. Se a primeira foi às 9h, a próxima é às 15h, depois às 21h e às 3h. Muitas pessoas preferem ajustar a primeira dose para que a da madrugada caia num horário menos incômodo, como meia-noite. Para remédios de uso curto, como antibióticos, vale perguntar ao farmacêutico se é possível ajustar a primeira dose sem atrasar o tratamento.
Como tomar de 6h em 6h sem esquecer
Use alarmes no celular para os quatro horários, deixe a caixa num lugar visível e, se usar vários remédios, uma caixinha organizadora por horário. Anote cada dose tomada nos primeiros dias, até a rotina pegar. A dose da madrugada é a que mais se perde: se ela for difícil de manter, converse com o médico antes de simplesmente pular.
Como ler QID numa receita ou prontuário
QID fica na parte de orientações da prescrição, chamada de posologia, onde aparecem juntas quatro informações: o que tomar, quanto, por qual via e com que frequência.
Desmontando uma linha de prescrição
Uma prescrição americana poderia dizer “Amoxicillin 500 mg, 1 cap PO QID x 10 days”. Desmontada: amoxicilina, 500 miligramas, uma cápsula, por via oral, quatro vezes ao dia, por dez dias. Via e frequência são informações diferentes que ficam lado a lado, e por isso a linha junta a frequência com a sigla de via oral (PO ou VO). O número da frente é a quantidade por dose, não o total do dia: “1 cápsula 4 vezes ao dia” são quatro cápsulas por dia, e não uma cápsula dividida em quatro.
O que a receita brasileira deve trazer
No Brasil, a Lei nº 5.991/1973, na redação atual, pede que a receita seja redigida sem abreviações, de forma legível e com o modo de usar expresso. Por isso o mais comum é ver “tomar 1 cápsula de 6 em 6 horas por 10 dias”, por extenso. Se a sua receita trouxer só “4x/dia” e nenhum horário, vale perguntar ao farmacêutico que espaçamento esse remédio precisa. O ISMP Brasil lembra que até o símbolo “x” pode confundir: “usar 2 x dia” pode ser lido como “durante 2 dias”, e recomenda escrever “vezes”.
Quais remédios costumam ser de 6 em 6 horas, e por quê
Tomar quatro vezes ao dia não é uma escolha de estilo nem sinal de gravidade. É o que a química do remédio exige quando o corpo o elimina depressa.
Meia-vida, explicada sem jargão
Meia-vida é o tempo que o corpo leva para eliminar metade de um remédio. Imagine uma banheira com a torneira aberta e o ralo destampado. A dose é a torneira; o fígado e os rins são o ralo. Um ralo lento precisa de uma volta na torneira por dia. Um ralo rápido precisa de quatro. Remédios eliminados rapidamente não conseguem manter um nível útil com uma ou duas doses por dia, então o médico abre a torneira mais vezes.
Os exemplos conhecidos se agrupam em alguns tipos. Alguns antibióticos mais antigos são receitados de 6 em 6 horas. Certos colírios para infecção ou glaucoma são usados quatro vezes ao dia porque a gota sai do olho em poucas horas. Alguns analgésicos e anti-inflamatórios, vários remédios para o estômago e alguns tratamentos inalatórios seguem o mesmo padrão. Em todos os casos, o esquema vem da velocidade com que o remédio desaparece, e não da gravidade da sua doença.
QID está nas listas de abreviações perigosas?
A resposta precisa é mais interessante que um simples sim ou não, e muda conforme o país.
Na lista americana, QID não aparece como abreviação a ser abolida. Leia a lista do ISMP de abreviações, símbolos e expressões de dose propensos a erro e você não vai encontrar uma linha pedindo que se pare de escrever QID. Mas vai encontrar qid citado três vezes como a leitura errada que outras abreviações produzem. Já a lista do ISMP Brasil, de 2015, inclui QID diretamente: o significado pretendido é “4 vezes ao dia”, os erros possíveis são “confusão com SID, BID, TID ou não entendimento da forma de uso”, e a recomendação é escrever a expressão completa.
QID é o destino do erro, não a origem
A lista americana registra que QD (uma vez ao dia) é confundido com q.i.d., principalmente quando o ponto depois do q, ou a perna do q escrito à mão, é lido como a letra i. Registra que QOD (em dias alternados) é confundido com qd ou qid, principalmente quando o o do meio está mal escrito. E registra que q1d é confundido com qid. Três entradas, três abreviações diferentes, todas falhando na mesma direção: quatro vezes ao dia.
Isso inverte a preocupação com que a maioria das pessoas chega. O risco perto de QID não é a sua ordem de quatro vezes ser lida como outra coisa; é uma ordem de uma vez ao dia ou de dias alternados ser lida como QID, e o paciente tomar quatro doses quando deveria tomar uma. Por isso as autoridades aposentaram a sigla QD, de uma vez ao dia, que tem dois asteriscos na lista do ISMP, marcando sua presença na lista de proibição da Joint Commission. QID não tem essa marca.
A consequência prática para você é um único hábito. Se a orientação diz quatro vezes ao dia e o médico disse uma vez, essa diferença é exatamente o erro que essas listas existem para pegar. Leia a contagem em voz alta antes da primeira dose.
Por que quatro doses por dia é o esquema mais difícil de manter
Tirando o latim, QID descreve o esquema de dose comum mais exigente da medicina. Esquemas de uma ou duas vezes ao dia se prendem facilmente a âncoras fixas, como acordar e deitar. Quatro doses, não. Pelo menos uma delas cai no meio de um dia comum de trabalho, longe de casa, sem rotina onde se apoiar; e, no “de 6 em 6 horas”, outra cai de madrugada.
Isso importa mais que a etimologia. Quem receita quatro doses diárias está pedindo algo realmente mais difícil do que quem receita uma, e as pesquisas sobre se os pacientes conseguem apontam firmemente numa direção. Se um esquema de 6 em 6 horas parece impossível para o seu dia real, converse antes da primeira dose, em vez de esconder uma falha. Para alguns remédios existe uma alternativa de ação prolongada; para outros, o espaçamento pode ser negociado dentro de limites. Só quem prescreveu sabe dizer. O esquema mais simples de todos tem seu próprio guia prático, sobre a dose única diária (QDAY).
O que perguntar ao farmacêutico sobre um remédio de 6 em 6 horas
Ver “de 6 em 6 horas” ou QID não é motivo de alarme. É motivo para duas ou três perguntas específicas, que o farmacêutico prefere responder no balcão a corrigir um problema depois.
- Esse remédio precisa mesmo de intervalos de seis horas, inclusive à noite, ou as quatro doses podem caber nas horas em que estou acordado?
- Que quatro horários você sugere para um dia que começa às sete e termina às onze?
- Alguma dose deve ser tomada com comida, ou longe dela?
- Pode escrever a frequência por extenso, em vez da sigla?
- O que faço se esquecer uma dose, e a resposta muda conforme o atraso?
- Existe uma versão de ação prolongada desse remédio, com menos doses?
Se você esquecer uma dose
Não existe uma regra geral segura para todos os remédios de 6 em 6 horas, então essa é uma pergunta para a bula ou para o farmacêutico, não para um site. O que vale evitar em todos os casos é dobrar a dose para compensar, porque tomar duas doses muito próximas é justamente o que transforma uma dose esquecida num problema de efeito colateral. Se você esquece doses com frequência, conte na próxima consulta. É comum nesse esquema e é uma informação útil para o médico, não um motivo de vergonha.
Avanços científicos recentes
A pesquisa sobre quatro doses diárias fala exatamente das duas coisas que essa ordem é: uma contagem que precisa ser entendida e um esquema que precisa ser cumprido. Vale dizer logo que essa base de evidências é mais escassa e mais antiga do que se imagina.
Quanto mais doses por dia, menos pessoas tomam
Uma revisão reuniu 76 estudos em que os frascos de remédio dos pacientes tinham monitores eletrônicos, de modo que o registro mostrava quando o frasco foi de fato aberto, e não o que alguém lembrava depois. A proporção de doses realmente tomadas caiu conforme aumentava o número de doses diárias: cerca de 79% com uma dose por dia, 69% com duas, 65% com três e 51% com quatro.
O que isso significa para você: num remédio de quatro doses diárias, o paciente médio desses estudos perdeu cerca de metade das doses. Se você acha difícil, não está sozinho: você é a regra.
Jargão explicado: monitoramento eletrônico é uma tampa de frasco que registra discretamente cada abertura, muito mais honesta que um questionário. Nota sobre confiabilidade: essa revisão é de 2001, e os estudos que ela reúne são ainda mais antigos. Ela continua citada porque é um dos poucos trabalhos que separam os números por quantidade de doses até chegar a quatro.
O horário escorrega muito mais que a dose
Uma metanálise posterior reuniu 51 estudos com monitoramento eletrônico e comparou cada esquema com o de uma dose diária. Com quatro doses diárias, os pacientes tomaram cerca de 19% menos doses. Mas quando os pesquisadores usaram a medida mais rígida, se as doses foram tomadas no horário certo e não apenas tomadas, a diferença para quatro doses diárias chegou a cerca de 54%.
O que isso significa para você: é o problema “contagem versus intervalo” aparecendo nos dados. Quem tem quatro doses por dia geralmente consegue engolir os comprimidos; o que desmorona é o horário. Se o seu remédio é daqueles que precisam de intervalo regular, esse é o número a levar a sério, e o motivo para perguntar qual tipo você recebeu.
Jargão explicado: metanálise combina os resultados de muitos estudos numa única estimativa. Nota sobre confiabilidade: essa análise é de 2012 e continua sendo o trabalho mais citado que isola as quatro doses diárias. As pesquisas mais recentes passaram a comparar sobretudo uma contra duas doses, então o número de quatro doses não foi atualizado com dados novos.
Antibióticos são interrompidos cedo, seja qual for o esquema
Uma pesquisa de 2025 com 450 pacientes odontológicos que tinham recebido antibióticos mostrou que só 3,6% relataram tomar o tratamento completo exatamente como prescrito. Cerca de 69% disseram ter parado quando começaram a se sentir melhor, e cerca de 35% tomaram doses menores que as prescritas.
O que isso significa para você: muitos remédios de 6 em 6 horas são antibióticos de curta duração, e sentir-se melhor não é o mesmo que ter terminado. Parar antes é a forma mais comum de um tratamento de quatro doses diárias falhar em silêncio.
Jargão explicado: uma pesquisa transversal capta um grupo num único momento e depende do que as pessoas relatam sobre si mesmas, o que tende a melhorar o retrato. Nota sobre confiabilidade: foram 450 pacientes odontológicos na Arábia Saudita, então as porcentagens exatas não se aplicam diretamente ao Brasil. Números autorrelatados geralmente subestimam o problema.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| De 6 em 6 horas (6/6 h) | Intervalo de seis horas entre as doses; quatro doses em 24 horas, inclusive de madrugada. |
| Quater in die (QID) | A expressão latina por trás de QID, “quatro vezes ao dia”. Indica uma frequência e nada mais. |
| Contagem de doses | Instrução que diz quantas doses cabem no dia sem fixar os horários. QID, BID e TID são contagens. |
| Intervalo entre doses | Instrução que fixa o espaço entre as doses, e não o número delas. Escrita como “de 6 em 6 horas”, “de 8 em 8 horas” e assim por diante. |
| Posologia | A parte da receita com as orientações: dose, via, frequência e duração. |
| Meia-vida | Quanto tempo o corpo leva para eliminar metade de um remédio. Uma meia-vida curta é o motivo habitual de quatro doses diárias. |
| Estado de equilíbrio | Ponto em que doses repetidas mantêm a quantidade de remédio no sangue mais ou menos estável entre uma dose e outra. |
| Adesão | O quanto a pessoa toma o remédio como prescrito, contando as doses e os horários. |
| ISMP / ISMP Brasil | Institutos dedicados à segurança no uso de medicamentos, que publicam listas de abreviações propensas a erro. |
| Lista “Do Not Use” | Conjunto de abreviações proibidas pela Joint Commission nos hospitais acreditados dos EUA. QD está nela; QID não. |
Perguntas frequentes
Quanto é 6 em 6 horas?
São seis horas entre uma dose e a próxima, o que dá quatro doses a cada 24 horas. Na prática: se a primeira dose foi às 8h, as seguintes são às 14h, às 20h e às 2h, e o ciclo recomeça às 8h. Durante o tratamento, mantenha o mesmo intervalo todos os dias, inclusive de madrugada, a menos que o médico diga o contrário.
Preciso acordar de madrugada para tomar o remédio de 6 em 6 horas?
Se a receita diz “de 6 em 6 horas”, em geral sim: uma das quatro doses cai durante a noite, e é por isso que o intervalo foi escrito assim. Você pode mudar o horário da primeira dose para que a da noite caia num momento menos incômodo, como meia-noite. Se a receita diz apenas “4 vezes ao dia”, pergunte ao farmacêutico se as doses podem ficar nas horas acordadas.
O que significa “1 comp VO de 6/6 h” na receita?
Significa tomar um comprimido, por via oral, a cada seis horas. VO quer dizer via oral, e “6/6 h” é a forma abreviada de “de 6 em 6 horas”. O número da frente é a quantidade por dose, então a linha soma quatro comprimidos por dia. Pela lei brasileira, a receita deveria vir sem abreviações; se algo não estiver claro, confirme com a farmácia antes de começar.
QID é o mesmo que QDS?
Na prática, sim. Os dois significam quatro doses em 24 horas, e o farmacêutico os dispensaria da mesma forma. A diferença é regional: QID vem de quater in die e é a forma americana; QDS vem de quater die sumendus e é a forma do Reino Unido, da Irlanda e da Austrália. Se você tem documentos de dois países com as duas siglas, eles não descrevem esquemas diferentes.
Qual a diferença entre QID e QD?
QID são quatro doses por dia; QD, uma. A diferença é de quatro vezes, e é exatamente por isso que o par é perigoso quando a letra não é clara, e por que os órgãos de segurança pedem que se escreva “diariamente” em vez de QD. Se a receita deixa dúvida sobre qual vale para o seu remédio, não adivinhe pelo formato das letras: peça à farmácia para confirmar o número de doses antes da primeira.
Colírio 4 vezes ao dia é diferente de comprimido 4 vezes ao dia?
A frequência é a mesma: quatro doses por dia. O que muda é o quanto o espaçamento importa e como a dose é dada. Os colírios muitas vezes são receitados quatro vezes ao dia justamente porque a gota sai do olho em poucas horas, e o médico pode ou não querer intervalos iguais. Se você usa mais de um colírio, pergunte quanto tempo esperar entre eles, porque gotas pingadas uma logo depois da outra podem lavar a anterior.
Um remédio de 6 em 6 horas pode ser trocado por outro com menos doses?
Às vezes, e é uma pergunta justa. Muitas famílias de remédios têm versões de liberação prolongada feitas para uma ou duas doses por dia, e para algumas condições existe outro remédio com meia-vida mais longa. Só quem prescreveu pode fazer essa troca, mas levantar o assunto é razoável, principalmente se a dose da madrugada ou a do meio do dia é a que você sempre perde.
Fontes
- Institute for Safe Medication Practices (ISMP, EUA) — Lista de abreviações, símbolos e expressões de dose propensos a erro — ISMP, 2024 — ismp.org
- Tariq RA, Sharma S — Abreviações médicas inadequadas (Inappropriate Medical Abbreviations) — StatPearls, NCBI Bookshelf, atualizado em 2023 — ncbi.nlm.nih.gov
- U.S. Food and Drug Administration, Center for Drug Evaluation and Research — Comprar e usar medicamentos com segurança (Buying & Using Medicine Safely) — FDA, 2024 — fda.gov
- Claxton AJ, Cramer J, Pierce C — Revisão sistemática das associações entre esquemas de dose e adesão ao tratamento — Clinical Therapeutics, 2001 — doi.org
- Coleman CI, Limone B, Sobieraj DM, et al. — Frequência de doses e adesão a medicamentos em doenças crônicas — Journal of Managed Care Pharmacy, 2012 — pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Alamri H, Almuraikhi T, Alhawiti W, et al. — Adesão a antibióticos prescritos entre pacientes odontológicos na Arábia Saudita: estudo transversal — Cureus, 2025 — doi.org
- ISMP Brasil — Erros de medicação associados a abreviaturas, siglas e símbolos (QID, BID, TID, SID e o símbolo “x”) — Boletim ISMP Brasil v.4 n.2, 2015 — ismp-brasil.org
- Presidência da República — Lei nº 5.991/1973, art. 35 (redação da Lei nº 14.063/2020): receita sem abreviações e com o modo de usar expresso — Planalto, 2020 — planalto.gov.br
Leituras recomendadas
- Compare com a forma britânica do mesmo esquema lendo sobre a sigla QDS, 4 vezes ao dia.
- Saiba por que os órgãos de segurança aposentaram a sigla QD, uma vez ao dia.
- Entenda a instrução de duas doses diárias no guia sobre BID, de 12 em 12 horas.
- Veja como funciona uma ordem ligada ao sono no guia sobre remédio ao deitar (QHS).
- Leia um passo a passo em linguagem simples sobre valores de referência e alertas no laudo.
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Muitos dos remédios receitados de 6 em 6 horas são os mesmos que a equipe acompanha com exames de sangue. Um tratamento com antibiótico pode levar a um hemograma completo para ver como a infecção está evoluindo, um remédio eliminado pelos rins ou pelo fígado costuma ser acompanhado com exames de função renal e hepática, e tratamentos mais longos são vigiados com as enzimas do fígado, como TGO e TGP. Ler esses números junto com o seu esquema de doses pode transformar uma preocupação vaga numa pergunta concreta para a próxima consulta. A BloodSense ajuda você a entender o que seus resultados dizem em linguagem simples; ela não faz diagnóstico e não substitui o seu médico.



